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sábado, 30 de julho de 2016

Qual o momento da morte?


A morte acontece num instante arbitrário que depende da cultura e da tecnologia disponível.

Definir um momento exato para a ocorrência da morte não é conceito indiscutível, mas preocupação característica da cultura ocidental.

Os funerais gregos e egípcios, por exemplo, sugerem que a morte seria uma fase de transição, jamais um instante definido como a imaginamos nós.

Na civilização cristã, a ideia de transição foi substituída pela imagem do último suspiro de Jesus Cristo martirizado na cruz, símbolo máximo da passagem deste mundo para outro melhor.

Por milhões de anos, foi fácil para os médicos diagnosticar morte: bastava verificar se o doente respirava.

Mortos estariam os ineptos a essa função fisiológica essencial, a única da qual o corpo humano não pode prescindir por mais do que uns poucos minutos.

De fato, privado de oxigênio por quatro ou cinco minutos, nosso cérebro costuma sofrer danos irreversíveis. Mas outros órgãos são bem mais resistentes à anóxia.

O coração é um deles – capaz de bater por muitos minutos depois que a última molécula de oxigênio fugiu dos pulmões e até fora do corpo quando retirado cirurgicamente.

Estabelecer critérios para caracterizar a morte se tornou necessário a partir do aparecimento dos primeiros aparelhos de ventilação mecânica, que permitiram manter vivas pessoas incapazes de respirar por conta própria.

Essa necessidade se tornou mais premente com o advento dos transplantes de órgãos na década de 1960.

Discuto essas ideias menos por pretensões filosóficas do que motivado pela leitura de um artigo de E. Wijdicks, neurologista da Mayo Clinic, “O Diagnóstico de Morte Cerebral”. O autor resume a evolução dos critérios adotados para o diagnóstico de morte cerebral a partir de 1959, quando Mollaret e Goulon introduziram o termo “coma dépassé” — o coma irreversível.

Os dois médicos franceses caracterizaram essa condição com base no estudo de 23 pacientes em coma que haviam perdido a consciência, todos os reflexos do tronco cerebral e a capacidade de respirar sem aparelhos e que apresentavam eletroencefalogramas em linha reta, característicos da ausência de ondas cerebrais.

Reavaliações dos critérios de morte cerebral foram mais tarde realizadas por um comitê da Universidade Harvard (1968) e por uma conferência do Medical Royal Colleges (1976), da Inglaterra.

Ficou, então, estabelecido o consenso de que a morte deveria ser definida como “a perda completa e irreversível das funções do tronco cerebral”. A definição considerava o tronco como o epicentro das funções cerebrais humanas, porque sem ele o organismo perde a capacidade cognitiva e a possibilidade de fazer movimentos voluntários ou reagir a estímulos do ambiente. Sem atividade no tronco cerebral, a vida humana podia ser considerada extinta.

Mesmo na ausência de um tronco cerebral em funcionamento, o coração continua a repetir suas sístoles e diástoles, garantindo acesso de oxigênio ao resto do organismo para as atividades inerentes à vida vegetativa.

Em 1995, a Academia Americana de Neurologia conduziu uma revisão a respeito das dificuldades para diagnosticar a morte e adotou os seguintes princípios: “A declaração de morte cerebral requer não apenas uma série de testes neurológicos cuidadosos, mas também o esclarecimento das causas do coma, a certeza de sua irreversibilidade, a resolução de qualquer dúvida em relação aos sinais neurológicos clínicos, o reconhecimento de possíveis fatores conflitantes, a interpretação dos achados de neuroimagem e a realização dos exames laboratoriais necessários”.

Da diversidade de resistência à falta de oxigênio que os diferentes tecidos do organismo apresentam, resulta que a morte é fenômeno de alta complexidade. Não está restrita aos limites do último suspiro, como o cinema e a arte dramática nos fizeram crer. Não apenas o coração continua a bater dentro do peito, mas as unhas e os cabelos crescem, as células do revestimento interno do aparelho digestivo e da pele ainda se multiplicam e muitos hormônios, enzimas e proteínas são produzidos por minutos e até horas depois do instante que se convencionou chamar de morte.

Essa definição de morte, baseada na ausência de atividade do tronco cerebral, é prática, porém arbitrária. Pode até ser interpretada de forma contraditória. Por exemplo, aceitamos que um garoto de 18 anos atropelado seja doador de órgãos ao demonstrarmos que seu tronco cerebral está inativo, mas ficamos chocados quando uma gravidez é interrompida voluntariamente na oitava semana, fase em que não existe a menor chance de atividade cerebral coordenada no embrião.

Com a descoberta dos aparelhos de ventilação pulmonar, o conceito de morte evoluiu do último suspiro para uma hierarquia de valores na qual certas atividades do sistema nervoso central valem mais do que todas as outras do organismo. São atividades essenciais para caracterizar a condição humana. Na ausência delas, admitimos extinta a vida, mesmo que os outros órgãos continuem saudáveis.

Ao considerar a morte como passagem, os gregos e os egípcios talvez não fossem tão ingênuos.


Dráusio Varella

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Xeroderma Pigmentoso


O xeroderma pigmentoso é uma doença genética na qual o portador possui uma dificuldade em reverter as agressões que a radiação solar provoca no DNA (código genético) das células da pele.

Nas pessoas normais, um mecanismo corrige as alterações causadas pela radiação UV no DNA e, por isto, os malefícios provocados pelo sol só vão aparecer com o dano acumulado após muitos anos.

Devido à deficiência deste mecanismo de correção, os pacientes de xeroderma pigmentoso desenvolvem rapidamente lesões degenerativas na pele, tais como sardas, manchas e diversos cânceres da pele, em um processo acelerado de fotoenvelhecimento.

Ainda durante a infância, a criança que sofre de xeroderma pigmentoso apresenta um número excessivo de sardas e a pele mais ressecada que o normal. Rapidamente a pele fica áspera e se desenvolvem as ceratoses solares ou ceratoses actínicas, lesões que, usualmente, só surgiriam na idade adulta ou na velhice nas pessoas que se expuseram muito ao sol.

Com a evolução da doença se inicia o surgimento dos mais variados tipos de câncer da pele: carcinomas basocelular e espinocelular, melanomas e sarcomas.

Mesmo em indivíduos negros ou morenos, nos quais estas alterações são raras, a pele dos pacientes acometidos pela doença adquire estas características, que normalmente só estão presentes em pessoas brancas, de idade avançada e que se expuseram muito ao sol ao longo de toda a vida.

A melhor forma de tratar o xeroderma é diagnosticá-lo o mais cedo possível e evitar radicalmente a exposição à radiação solar ou qualquer outra fonte de radiação ultra-violeta.

A acitretina, medicamento do grupo dos retinoides, tem sido utilizada para controlar a progressão das alterações cutâneas, tendo que ser tomada continuamente. Além disso, as lesões de pré-câncer e de câncer que forem surgindo devem ser tratadas, através de criocirurgia (quando possível) ou remoção cirúrgica.

Como se trata de uma doença genética, não temos ainda como curá-la até existir tecnologia suficiente para identificar e consertar o gene que a causa.

Existem várias formas diferentes de xeroderma pigmentoso, provavelmente, cada uma representa um defeito em um ou mais genes específicos.

Mais de 10 tipos de xeroderma são conhecidos hoje, entretanto, ainda desconhecemos os locais precisos das mutações que levam a cada um destes tipos.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Aumentar o consumo de frutas e legumes colabora para melhorar o bem-estar e a felicidade


Um trabalho divulgado pelo American Journal of Public Health foi realizado com o objetivo de explorar se o aumento no consumo de frutas e vegetais colabora para melhorias no bem-estar psicológico.

Os pesquisadores examinaram diários alimentares longitudinais de 12.385 adultos australianos, em amostra aleatória, nos anos de 2007, 2009 e 2013 na pesquisa australiana Household, Income, and Labour Dynamics.

O aumento do consumo de frutas e vegetais foi preditivo de aumento da felicidade, satisfação com a vida e bem-estar. Eles aumentaram em até 0,24 pontos de satisfação de vida (para um aumento de 8 porções por dia), que é igual em tamanho ao ganho psicológico de se mover da situação de desemprego para a de estar empregado. As melhorias ocorreram dentro de 24 meses.

Concluiu-se que a motivação das pessoas para comer alimentos saudáveis é enfraquecida pelo fato de que os benefícios de saúde física acumulam-se apenas décadas mais tarde na vida, mas, como a melhoria no bem-estar está perto de ser imediata com o aumento do consumo de frutas e vegetais, pode-se mostrar aos cidadãos que já há evidências de que os ganhos psicológicos com uma alimentação saudável podem ocorrer de forma rápida e muitos anos antes dos benefícios físicos alcançados no futuro.



Fonte: American Journal of Public Health, volume 106, número 8, de agosto de 2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mudanças na estrutura do cérebro durante a adolescência fornecem pistas para o aparecimento de problemas mentais futuros


Cientistas da University of Cambridge e da University College London mapearam as mudanças estruturais que ocorrem nos cérebros dos adolescentes e como elas se desenvolvem, através de ressonância magnética, mostrando como essas mudanças podem ajudar a explicar porque os primeiros sinais de problemas de saúde mental muitas vezes surgem na adolescência.

Os pesquisadores estudaram a estrutura do cérebro de quase 300 indivíduos, com idades entre 14 e 24 anos. Ao comparar a estrutura do cérebro de adolescentes de diferentes idades, descobriram que durante este importante período de desenvolvimento, as regiões exteriores do cérebro, conhecidas como córtex, diminuem de tamanho, tornando-se mais finas. No entanto, conforme isso acontece, os níveis de mielina - a bainha que "isola" as fibras nervosas, sendo o que lhes permite comunicar de forma eficiente - aumentam no interior do córtex.

Anteriormente, pensava-se que a mielina estava principalmente na chamada "matéria branca", o tecido cerebral que conecta áreas do cérebro e permite que a informação seja comunicada entre as regiões cerebrais. No entanto, neste novo estudo, os investigadores mostraram que ela também pode ser encontrada no interior do córtex, a "matéria cinzenta do cérebro”, e que os níveis aumentam durante a adolescência. Em particular, o aumento de mielina ocorre nas “áreas de associação cortical”, regiões do cérebro que agem como centros ou pólos, principais pontos de ligação entre as diferentes regiões da rede cerebral.

O Dr. Kirstie Whitaker, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, principal autor do estudo, disse que durante a adolescência, nossos cérebros continuam a se desenvolver. Quando ainda somos crianças, essas mudanças podem ser mais dramáticas, mas na adolescência elas se refinam em detalhes. Os pólos que conectam diferentes regiões estão se fixando em seus lugares, uma vez que as conexões se fortalecem. Os cientistas acreditam que estes são os lugares onde a mielina aumenta na adolescência.

Os pesquisadores compararam estas medidas de ressonância magnética ao Allen Brain Atlas, que mapeia as regiões do cérebro através da expressão dos genes - os genes que estão "ligados" a determinadas regiões. Eles descobriram que essas regiões do cérebro que apresentaram as maiores mudanças na ressonância magnética durante a adolescência foram aquelas em que genes ligados ao risco de esquizofrenia foram mais fortemente expressos.

A adolescência pode ser um período de transição difícil e é quando se costuma ver os primeiros sinais de distúrbios mentais, como esquizofrenia e depressão. Este estudo aponta para o fato de que, durante esses anos de adolescência, essas regiões do cérebro, que têm o elo mais forte para os genes de risco da esquizofrenia, estão a se desenvolver mais rapidamente.

O estudo foi financiado pela Strategic Award do Wellcome Trust para o Neuroscience in Psychiatry Network (NSPN) Consortium.


terça-feira, 26 de julho de 2016

Os problemas com sexo oral...


O sexo oral corresponde ao contato da boca de um dos parceiros com os genitais masculinos ou femininos do outro. O sexo oral em si não prejudica, nem é deletério para nenhum dos protagonistas, sendo uma fonte de prazer praticada por vários casais. Essa prática tanto pode ocorrer entre parceiros homossexuais masculinos ou femininos ou pares heterossexuais.

Chama-se felação quando o sexo oral é feito ao homem por uma mulher e cunilíngua se feito à mulher pelo homem. Nessa prática sexual há sempre um doador e um receptor e há a possibilidade de transmissão de doenças. Como os órgãos sexuais do doador apenas entram em contato com a saliva do receptor e ela, na maioria das vezes, não transmite vírus, o risco de contágio é baixo. A questão torna-se mais complexa pelo fato de que, no sexo oral os parceiros muitas vezes se alternam nos papéis de ativo e passivo.

As secreções genitais deglutidas não fazem mal à saúde. O sêmen, por exemplo, formado por espermatozoides, proteínas, frutose, vitaminas e sais minerais, mesmo se for engolido, não trará nenhum dano para o organismo, pois o estômago contém ácidos que destroem facilmente os vírus por ventura presentes. Em geral, as chances gerais de contrair doenças por meio do sexo oral são menores para ambos os parceiros que nas outras modalidades sexuais, mas não são nulas.

Basicamente, os perigos do sexo oral se resumem à possibilidade de transmissão de doenças. O contágio por herpes, a partir da boca, é a forma mais comum de transmissão. O vírus pode se transformar em genital se a boca contaminada entrar em contato com uma parte íntima do parceiro. Outras doenças podem ser transmitidas como hepatite C, giardíase, amebíase, gonorreia, AIDS, sífilis e candidíase.

O vírus da AIDS entra no corpo também pelas mucosas e membranas. Assim como os bebês podem ser infectados pelo vírus HIV através do leite materno, uma pessoa pode ser infectada pela exposição oral a ele, como pode acontecer por meio do sêmen ou de outras secreções penianas ou vaginais depositadas na boca.

O risco da transmissão de doenças, incluindo a AIDS, é maior se um dos parceiros tem uma doença sexualmente transmissível, como gonorreia ou sífilis ou se o seu parceiro tem cortes abertos, úlceras, machucados na boca, garganta infeccionada, amigdalite ou alguma doença na gengiva, oferecendo uma porta de entrada mais fácil para o vírus.

O risco é significativamente maior para o receptor que para o doador dessas substâncias patógenas. Essa forma de transmissão da AIDS, no entanto, é rara, representando um risco infinitamente menor do que numa penetração vaginal ou anal.

O único modo de evitar os perigos representados pelo sexo oral é usar preservativos, mas, em geral, esse recurso é muito mal aceito nesse tipo de prática sexual. Não se deve fazer sexo oral quando se percebe alguma lesão nos genitais do parceiro. Deve-se evitar escovar os dentes logo depois do sexo oral, para não traumatizar ou ferir as gengivas, criando portas de entrada facilitadas para microrganismos. Evite que as secreções sexuais possam atingir os olhos, que também funcionam como vias de entrada.

A terapia anti-HIV não reduz o potencial de infecção do sêmen e não evita a infecção em relações sexuais desprotegidas. Não se deve também praticar sexo oral após sexo vaginal ou anal pela possibilidade de carrear para a cavidade oral os germes próprios daqueles outros locais.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O que é a 'cistoscopia'?


Cistoscopia (ou ureteroscopia) é um exame endoscópio das vias urinárias baixas que possibilita uma visibilização ótica dos segmentos uretrais, do interior da bexiga e da porção terminal dos ureteres.

O preparo para esse exame é muito simples. O paciente deve estar em jejum de quatro horas, suspender cerca de sete dias antes qualquer anticoagulante que faça uso e fazer um exame de urina, pois se houver infecção urinária a cistoscopia está contraindicada.

O exame dura cerca de vinte minutos. O aparelho utilizado para sua realização é o cistoscópio. Há dois tipos de cistoscópio, eles consistem em um tubo delgado que pode ser introduzido na uretra; um deles é semirrígido e o outro é flexível.

Na maioria das vezes o exame é realizado com anestesia local, em forma de gel, mas pode necessitar anestesia geral, conforme o caso. Normalmente, é feito em ambulatório, não necessitando de internação. Habitualmente, o paciente estará deitado em decúbito ventral (cistoscópio semirrígido), com os joelhos semifletidos (numa posição semelhante à posição ginecológica), ou em decúbito dorsal (cistoscópio flexível).

O cistoscópio é então introduzido pela uretra até a bexiga. A escolha do tipo de cistoscópio, se rígido ou semiflexível, depende do objetivo do exame. Então, o médico introduz água através do cistoscópio até encher a bexiga e permitir uma melhor visualização de suas paredes. O cistoscópio carrega em sua extremidade lâmpadas de xenon e halógenas e uma minicâmera que transmite por fibra ótica imagens para um monitor.

O aparelho pode também, em casos de necessidade, retirar fragmentos de tecidos para biópsias. Durante o exame pode haver algum desconforto na introdução do cistoscópio pela uretra, a qual deverá estar lubrificada e anestesiada. Depois de enchida a bexiga, o paciente pode sentir intensa vontade de urinar, a qual precisa ser tolerada durante a realização do exame. Se for feita biópsia, o paciente pode sentir uma sensação de pinçamento no momento da retirada do tecido.

Depois de retirado o cistoscópio é possível que a uretra fique dolorida, que se sinta ardor ao urinar ou que a urina esteja sanguinolenta, se foi feita biópsia. O paciente poderá retornar para casa depois do procedimento.

As principais indicações da cistoscopia são: diagnóstico e acompanhamento de distúrbios das vias urinárias, diagnóstico e acompanhamento dos tumores da bexiga ou da uretra, diagnóstico de infecções recorrentes da bexiga, resolução de problemas criados por cálculos na bexiga e realização de biópsia endoscópica da bexiga ou da uretra, quando necessárias. Outras indicações menos comuns são ainda possíveis, como avaliação do tamanho da próstata, divertículos da uretra ou da bexiga, fístulas, corpo estranho dentro da bexiga, etc.

Geralmente, o exame não implica em riscos significativos, no entanto, podem ocorrer infecção, sangramento excessivo causado pela biópsia e ruptura da parede da bexiga. É normal que apareça uma pequena quantidade de sangue na urina após o procedimento, o qual deve desaparecer rapidamente.

sábado, 23 de julho de 2016

Consumo de álcool e câncer


Há cada vez mais evidências de pesquisas sobre o papel causal do álcool no câncer, acompanhadas de mensagens pouco claras e conflitantes na mídia. Este trabalho, publicado pelo jornal 'Addiction' e coordenado por Jennie Connor, teve como objetivo esclarecer a força da evidência do álcool como causa de câncer e o significado desta causa neste contexto.

Uma investigação epidemiológica e biológica recente sobre o álcool e o câncer foi revista e resumida, baseando-se em meta-análises publicadas e identificadas a partir da base de dados 'Medline' e dos arquivos da International Agency for Research on Cancer.

Os estudos epidemiológicos mais recentes não incluídos nessas publicações também foram revisados.

Uma breve descrição da natureza da inferência causal em epidemiologia foi usada para enquadrar a discussão da força da evidência de que o álcool causa câncer e contrastar esta informação com o caso de uma associação protetora do álcool com doenças cardiovasculares.

Mesmo sem o conhecimento completo dos mecanismos biológicos envolvidos, a evidência epidemiológica sugere que o álcool provoca câncer da orofaringe, laringe, esôfago, fígado, cólon, reto e mama.

As associações apresentam medidas de efeito que são biologicamente plausíveis e há alguma evidência de reversibilidade do risco de câncer na laringe, faringe e câncer de fígado, quando o consumo cessa.

Há fortes evidências de que o álcool causa câncer em sete locais no corpo e provavelmente em outros.

As estimativas atuais sugerem que o câncer atribuído ao álcool nesses locais compõem 5,8% de todas as mortes por câncer em todo o mundo.

A confirmação de mecanismos biológicos específicos pelos quais o álcool aumenta a incidência de cada tipo de câncer ainda faz-se necessária para se inferir que o álcool seja uma causa.

Fonte: Journal Addiction, publicação online de 21 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Contraceptivos hormonais e acne


Uma análise retrospectiva sobre os efeitos antiacne dos diferentes contraceptivos hormonais foi publicada no periódico "Journal of Drugs in Dermatology" por cientistas de San Diego, na Califórnia. Os resultados mostram que injeções de depósito, implantes subcutâneos e dispositivos intrauterinos hormonais pioram a acne, enquanto o anel vaginal e os contraceptivos orais combinados têm um bom efeito na melhoria dessas lesões de pele.

Embora os contraceptivos hormonais possam ajudar a melhorar ou piorar a acne, há uma evidência limitada sobre os efeitos de muitos agentes comumente prescritos até o momento. O presente estudo avaliou o efeito dos anticoncepcionais na acne de 2147 pacientes que estavam utilizando algum tipo de contraceptivo hormonal através de autorrelato.

No momento da consulta inicial para a acne, cada uma das 2147 pacientes que usavam contracepção hormonal forneceu sua opinião sobre como o seu contraceptivo tinha afetado o aspecto da sua acne. O teste de "Kruskal-Wallis" e a análise de regressão logística foram usados para comparar os resultados relatados pelas pacientes por tipo de contraceptivo usado.

Os resultados mostram que, em média, as injeções de depósito, os implantes subcutâneos e os dispositivos intrauterinos hormonais pioraram a acne e eram inferiores aos efeitos do anel vaginal e dos contraceptivos orais combinados (COC) com P≤0,001 para todas as comparações de pares; estes últimos melhoraram a acne, em média.

Dentro das categorias de COC, uma hierarquia surgiu com base no componente progestina, na qual a drospirenona era mais útil do que o norgestimato e desogestrel melhor que o levonorgestrel e noretindrona. A presença de progestina de dosagem trifásica em COCs teve um efeito positivo, enquanto a variação na dose de estrogênio não teve um efeito significativo.

Concluiu-se que os diferentes contraceptivos hormonais têm efeitos significativamente variados sobre a acne, incluindo entre os diferentes tipos de COC.



Fonte: Journal of Drugs in Dermatology, volume 15, número 6, de 21 de junho de 2016

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Medicina Esportiva: o que é?


A Medicina Desportiva ou Medicina Esportiva é a especialidade médica que inclui aspectos teóricos e práticos sobre a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de lesões ocasionadas pelos esportes, contribuindo para uma maximização do rendimento desportivo do atleta.

Embora ela se aplique principalmente a atletas de alto nível, a Medicina Desportiva não se restringe a eles e visa também outros atletas e mesmo pessoas não atletas que procuram utilizar a atividade física como meio de melhorar a saúde. Enfim, pode-se dizer que, num sentido amplo, a Medicina Desportiva é a especialidade médica que cuida das pessoas que buscam seu bem-estar por meio de exercícios físicos ou de alguma atividade esportiva.

A Medicina Desportiva pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de algumas pessoas, adaptando uma atividade física complementar a eventuais tratamentos e na relação do atleta com o seu esporte, reduzindo as chances de complicações e prevenindo lesões. Essas atividades devem ser orientadas por um médico para que possam plenamente promover ou reconquistar a resistência, estimular a regeneração de células do organismo, renovar neurônios e melhorar índices de frequência cardíaca e pressão arterial.

Além disso, o nível atingido atualmente pelas competições esportivas, em todos os esportes, não mais comportam uma assistência médica não especializada. O médico especializado em Medicina Desportiva tem formação específica para a prestação dos cuidados de saúde do atleta, devendo sempre trabalhar em estreita colaboração com outras especialidades médicas e outras profissões: fisioterapeutas, nutricionistas, ortopedistas, psicólogos, etc. Hoje em dia, a Medicina Esportiva vem sendo aplicada também na reabilitação de pessoas que passaram por cirurgias ou aquelas que são sedentárias.

Cada esporte expõe seu praticante a determinadas lesões específicas. As decorrentes de esportes de contato, como o futebol, o basquete ou o handebol, por exemplo, são diferentes das ocasionadas por outras modalidades praticadas individualmente.

No conjunto, as lesões mais comuns são as entorses, também chamadas de torções, contusões, distensões, estiramentos e contraturas musculares.

•No futebol, os atletas são mais propensos a torções, distensões e contusões, principalmente nos tornozelos e joelhos.
•Nas lutas livres, os riscos são de hematomas, contusões, luxações, rompimento de ligamentos ou fraturas.
•Na natação, as lesões podem acontecer nos ombros e na coluna lombar, especialmente nas modalidades de nado borboleta e nado de peito.
•No tênis, as lesões mais comuns são musculares da panturrilha, luxação nos ombros, de mão e punho, além de cotovelos e coluna lombar.
•No voleibol, a entorse de tornozelo é a lesão traumática aguda mais comum.
•No basquete, a contusão sai na frente, mas o atleta também pode sofrer com tendinites no joelho ou entorse do tornozelo.
•Na corrida, o atleta tende a sofrer com tendinites ou canelites. E assim por diante...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Doping no esporte: um desafio em competições de alto nível


O doping, na maior parte das vezes, vale-se de substâncias estimulantes da força, agilidade ou coordenação. O uso de substâncias estimulantes ou entorpecentes para uso tanto na vida diária, nos rituais religiosos e nas competições se confunde com a história da humanidade. Mas estritamente falando, chama-se “doping” ao uso de drogas para melhorar artificialmente o desempenho do atleta em esportes competitivos.

O uso dessas drogas é considerado antiético e proibido pela maioria das organizações desportivas internacionais, incluindo o Comitê Olímpico Internacional (COI). Entretanto, só na década de 1920 o doping nos esportes passou a ser uma preocupação dessas entidades. Os primeiros atletas a serem punidos por doping o foram pela Associação Internacional de Federações de Atletismo, em 1928, mas só 1968 o exame antidoping passou a ser obrigatório nos Jogos Olímpicos.

Quanto à origem do termo doping há várias teorias. Pode ser que ele seja derivado de “dop”, bebida alcoólica estimulante usada no século XVIII, na África do Sul, ou que venha da palavra “doop”, da gíria americana que descreve ladrões dopados por substâncias que causam sedação, alucinações e confusão. Em 1889, a palavra "dope" foi usada para uma preparação de ópio para fumar e durante a década seguinte foi estendida a qualquer entorpecente e posteriormente definida como preparação destinada a influenciar o desempenho dos cavalos de corrida.

As razões para a proibição do uso de certas substâncias pelos atletas são várias: elas fraudam a igualdade de oportunidades para os atletas e maculam o efeito exemplar do desporto para o público, além de representarem riscos à saúde dos atletas. Os efeitos colaterais de algumas delas (os esteroides anabolizantes, por exemplo) incluem alterações desfavoráveis nos níveis de colesterol e podem causar acne, aumento da pressão arterial e dano hepático. Em 1966, os órgãos que regulam o ciclismo e os responsáveis pelo futebol foram os primeiros a introduzir testes de doping em seus respectivos campeonatos mundiais.

Algumas substâncias e métodos considerados dopantes são também usados com finalidades médicas ou estéticas. A fronteira entre o uso medicinal ou dopante de uma substância nem sempre é fácil de ser estabelecida. Muitos atletas flagrados em exames antidoping de urina ou de sangue afirmam não saberem dos efeitos dopantes de certas substâncias e de tê-las usado por razões médicas.

As principais substâncias consideradas dopantes e proibidas pela Agência Mundial Antidoping podem ser agrupadas nas seguintes categorias:

1.estimulantes, que reduzem a fadiga e aumentam a adrenalina;
2.analgésicos e narcóticos, que diminuem a sensação de dor;
3.esteroides anabólicos, que aumentam a força muscular;
4.diuréticos, usados para controlar o peso e também para mascarar o doping por outras substâncias;
5.betabloqueadores, que diminuem a pressão arterial do atleta e são usados em competições de tiro e arco e flecha para manter estáveis as mãos do atleta;
6.hormônios peptídeos e análogos, que aumentam o volume e a potência dos músculos;
7.corticosteroides que mascaram diversas lesões orgânicas, sobretudo de natureza inflamatória.

Novas substâncias e métodos vêm sendo incluídas como dopantes, a cada ano. Uma forma especial de doping consiste em o atleta fazer-se transfundir com o próprio sangue, anteriormente retirado dele, o que aumenta a oxigenação de seu sangue. Alguns cientistas apontam para a possibilidade de que, através de alteração genética, se pode, por exemplo, aumentar a produção de hormônios.

O controle do doping é feito através do exame de uma amostra de urina e/ou de sangue do atleta, imediatamente após o fim de uma competição, o que é chamado de exame antidoping. Também podem ser realizados exames de surpresa nos atletas. Muitos atletas e instituições esportivas têm tido suas conquistas ou medalhas canceladas em virtude da constatação de doping posterior às suas conquistas.

Um método introduzido para auxiliar a detecção do doping por transfusões é o chamado “passaporte biológico”. Ele é um documento eletrônico sobre o atleta que contém certos dados marcadores de toda a sua carreira. Se estes dados mudarem dramaticamente, eles alertarão para a possibilidade de que o atleta possa estar usando doping.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Dez fatores de risco potencialmente modificáveis associados a cerca de 90% dos AVCs


O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade, especialmente nos países de rendas baixa e média.

No estudo "INTERSTROKE", com publicação online pelo periódico The Lancet, buscou-se quantificar a importância dos fatores de risco potencialmente modificáveis para o AVC em diferentes regiões do mundo, em populações-chave, e os principais subtipos patológicos de acidente vascular cerebral.

Pesquisadores canadenses concluíram um estudo de caso-controle, internacional, em 32 países na Ásia, América, Europa, Austrália, Oriente Médio e África.

Os casos foram pacientes com primeiro AVC agudo (dentro de cinco dias do início dos sintomas e 72 horas de internação). Os controles foram baseados em indivíduos da comunidade ou no hospital, sem história de acidente vascular cerebral e que foram pareados aos casos, recrutados na proporção de 1:1, por idade e sexo. Todos os participantes completaram uma avaliação clínica e forneceram amostras de sangue e urina. O odds ratio (OR) e os riscos atribuíveis à população (PARs) foram calculados, com intervalos de confiança de 99%.

Entre 11 de janeiro de 2007 e 08 de agosto de 2015, 26.919 participantes foram recrutados em 32 países [13.447 casos (10.388 com acidente vascular cerebral isquêmico, 3.059 com hemorragia intracerebral) e 13.472 controles].

História prévia de hipertensão ou pressão arterial igual ou superior a 140/90 mmHg, atividade física regular, relação entre apolipoproteína (apo) B/ApoA1, dieta saudável, relação cintura-quadril, fatores psicossociais, tabagismo atual, doenças cardíacas, consumo de álcool e diabetes mellitus foram associados com todos os acidentes vasculares cerebrais.

Em conjunto, esses fatores de risco foram responsáveis por 90,7% dos riscos atribuíveis à população para todos os AVCs em todo o mundo (91,5% para acidente vascular cerebral isquêmico e 87,1% para hemorragia intracerebral) e foram consistentes em todas as regiões (variando de 82,7% na África a 97,4% no sudeste da Ásia), sexo (90,6% nos homens e nas mulheres) e faixas etárias (92,2% em pacientes com idade ≤55 anos e 90,0% em pacientes com idade >55 anos).

A hipertensão foi mais associada à hemorragia intracerebral do que aos acidentes vasculares cerebrais isquêmicos, enquanto tabagismo, diabetes, apolipoproteínas e doenças cardíacas foram mais associadas aos acidentes vasculares cerebrais isquêmicos (p<0,0001). Concluiu-se que dez fatores de risco potencialmente modificáveis são coletivamente associados com cerca de 90% dos AVCs em cada grande região do mundo, entre os grupos étnicos, em homens e mulheres e em todas as idades. No entanto, encontrou-se variações regionais importantes para a maioria dos fatores de risco individuais para acidente vascular cerebral, o que poderia contribuir para variações em todo o mundo em frequência e mix de casos de AVCs.




Fonte: The Lancet, publicação online de 15 de julho de 2016

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ácido Fólico: algumas informações


O ácido fólico, folacina, folato, metilfolato ou vitamina B9, é uma vitamina hidrossolúvel pertencente ao complexo B.

O ácido fólico é efetivo no tratamento de certas anemias e para manter os espermatozoides saudáveis. Além disso, reduz o risco de mal de Alzheimer, pode ajudar a controlar a hipertensão arterial, evitar doenças cardíacas e derrame cerebral, e evita a queda de cabelo e as unhas quebradiças. É ainda um dos componentes indispensáveis para uma gravidez saudável, podendo ajudar a evitar a anencefalia e a espinha bífida.

Ele deve ser usado também em algumas condições de saúde em que a suplementação seja necessária, como gravidez, lactação, anemia por deficiência de folato, excesso de homocisteína e sempre que houver deficiência medida no exame de sangue.

O folato existe naturalmente em muitos alimentos e o ácido fólico é a forma sintética do folato, usada em medicamentos. O folato é normalmente encontrado em vísceras de animais, carnes de vaca e porco, folhas verdes de verduras, feijão, legumes, abacate, laranja, maçã, frutas secas, milho, ovo, queijo, grãos integrais e levedura de cervejas. Ele é armazenado no fígado e sua ingestão diária não é necessária. A insuficiência de ácido fólico nos seres humanos em condições normais é muito rara.

O folato é necessário e benéfico para numerosas funções do corpo. Entre elas, a síntese e reparação do DNA, divisão e crescimento celular, produção de novas proteínas, formação de hemácias. O ácido fólico ajuda a manter a saúde do cérebro, prevenindo problemas como a depressão; participa da formação do sistema nervoso do feto durante a gravidez; fortalece o sistema imunológico; previne anemia, por estimular a formação de células do sangue; previne câncer de cólon, por prevenir alterações no DNA das células; previne doenças cardíacas e infarto, por reduzir a homocisteína e, assim, manter a saúde dos vasos sanguíneos e controla a evolução do vitiligo.

Estima-se que cerca de 40% dos casos de depressão são causados pela diminuição de folato no organismo. Ele age como cofator na produção de serotonina, um neurotransmissor que garante a normalidade do humor. O ácido fólico contribui também para que o sistema imunológico seja fortalecido.

A eventual insuficiência de ácido fólico pode contribuir para o surgimento de anemia, especialmente em crianças, e durante a gravidez pode causar defeitos de nascença no cérebro e na coluna vertebral do bebê, já que o ácido fólico participa na formação do tubo neural no feto. Por isso, é aconselhável que a mulher grávida tome, desde o início, uma suplementação de ácido fólico.

No Brasil, há uma lei que determina que a farinha de trigo (e produtos derivados, como o pão, por exemplo) seja enriquecida com ferro e ácido fólico, para diminuir a ocorrência de anemias. Em resumo, pode-se dizer que a hipovitaminose causa anemias, anorexia, apatia, distúrbios digestivos, cansaço, dores de cabeça, problemas de crescimento, insônia, dificuldade de memorização, aflição das pernas e fraqueza. Enquanto que a hipervitaminose ocasiona euforia, excitação e hiperatividade.

Nos casos em que haja uma ingestão exagerada de ácido fólico por um longo período, pode ocorrer uma deficiência de vitamina B12, o que pode causar danos ao sistema nervoso e anemia por deficiência dessa vitamina. O álcool interfere na absorção de folato e aumenta a quantidade da vitamina eliminada pela urina. Muitos alcoólatras têm deficiência de ácido fólico uma vez que além de um consumo exagerado de álcool, frequentemente os alcoólatras têm dietas que não alcançam a ingestão diária recomendada de folato.

A suspeita pode ser feita pela análise dos sintomas e das circunstâncias de vida do paciente. O diagnóstico de certeza da falta ou do excesso de ácido fólico, no entanto, deve ser feito pela dosagem dele no sangue.

Segundo o "Institute of Medicine of the National Academies", as doses diárias recomendadas de ácido fólico são as seguintes:

•0 a 6 meses - 65mcg
•7 a 12 meses - 80mcg
•1 a 3 anos - 150mcg
•4 a 8 anos - 200mcg
•9 a 13 anos - 300mcg
•maiores de 14 anos - 400mcg
•lactantes - 500mcg
•grávidas - 600mcg

O ácido fólico é solúvel em água e por isso seu excesso é facilmente eliminado através da urina. No entanto, o uso inadequado pode causar dor no estômago, náuseas, coceira na pele e anemia e sua suplementação deve sempre ser feita com orientação médica. A deficiência de ácido fólico é assintomática, na maior parte das vezes, mas em caso de faltas graves os sintomas podem surgir.

O ácido fólico na gravidez

O ácido fólico atua na prevenção de anomalias congênitas no primeiro trimestre da gestação, tais como na prevenção primária da ocorrência de defeitos do fechamento do tubo neural, que ocorre entre os dias 18 e 26 do período embrionário. Esses defeitos são, principalmente, anencefalia e espinha bífida. O principal problema desta prevenção reside no fato de cerca de metade das gestações não serem planejadas e, assim, quando as mulheres descobrem que estão grávidas já é tarde para se fazer a suplementação com o ácido fólico e evitar tais anomalias.

De preferência, os comprimidos de ácido fólico devem ser tomados desde antes da concepção, ou seja, quando a mulher ainda não engravidou. É importante também que as mulheres em idade reprodutiva tenham uma alimentação que contenha alimentos ricos em ácido fólico e que, assim que comecem a planejar uma gravidez, comecem também a fazer uso de ácido fólico, de acordo com as orientações de seu médico.

sábado, 16 de julho de 2016

Suplementação de vitaminas durante a gestação


No comunicado do Drug and Therapeutics Bulletin, pesquisadores do Reino Unido alertam que as principais evidências disponíveis não justificam o uso de suplementos com multivitaminas e minerais para a maioria das gestantes, pois eles não melhoram a saúde das mães e de seus bebês.

No entanto, todas as mulheres grávidas devem certificar-se de tomar ácido fólico e vitamina D, bem como de manter uma dieta bem equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, conforme as diretrizes do National Health Service da Inglaterra (NHS). Os pesquisadores acrescentam que o ácido fólico precisa ser ingerido diariamente (400 microgramas por dia) para proteger contra anormalidades do tubo neural do feto em desenvolvimento e que a vitamina D (10 microgramas por dia) é recomendada para a saúde dos ossos da mãe e do bebê. Um suplemento que pode ser perigoso durante a gravidez é o de vitamina A, pois o excesso pode prejudicar o bebê.

A garantia de que uma mulher é bem nutrida, tanto antes como durante a gravidez, é crucial para a saúde da mulher e do bebê. Nascimentos de mães com deficiências em nutrientes essenciais têm sido associados à pré-eclampsia, crescimento fetal restrito, defeitos do tubo neural, deformidades esqueléticas e baixo peso do bebê ao nascimento.

Muitos suplementos nutricionais que contêm vitaminas, minerais e outros micronutrientes são fortemente comercializados para mulheres em todas as fases da gravidez. No entanto, grande parte das evidências para a suplementação de vitaminas durante a gravidez vem de estudos realizados em países de baixa renda, onde as mulheres são mais susceptíveis a serem subnutridas ou desnutridas do que dentro da população do Reino Unido, por exemplo. Os desafios consistem em saber quais suplementos são benéficos e em melhorar a adoção entre aquelas mulheres que têm necessidades especiais de algum nutriente.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Ombro dolorido: é bursite?


Bursite é uma doença ortopédica caracterizada pela inflamação da bursa, uma bolsa cheia de líquido, existente no interior das articulações, cuja finalidade é amortecer o atrito entre ossos, tendões e músculos. A bursite pode acontecer em qualquer articulação, mas é mais comum no ombro, a tal ponto que as pessoas leigas chegam a pensar que ela só existe nesta localização.

A bursite do ombro, também chamada de bursite subacromial, bursite subdeltoidea ou simplesmente bursite, é, pois, a inflamação da bolsa do ombro.

As causas mais comuns das bursites são traumatismos ou infecções articulares, uso excessivo e repetitivo das articulações, lesões por esforços, artrites e gota. Nem sempre as causas da bursite podem ser determinadas e muitas vezes elas surgem aparentemente “do nada”.

A bursite no ombro pode ser causada pelo uso excessivo dos braços, mas também pode ocorrer em razão de lesões na articulação do ombro, problemas articulares, como gota ou artrite reumatoide, pancadas diretas no ombro e infecções no ombro, após cirurgia, por exemplo. A bursite no ombro também ocorre em indivíduos que fazem movimentos repetitivos com os braços, como pintar por várias horas, digitar no computador, costurar ou limpar janelas.

O ombro é uma das mais complexas articulações do nosso corpo. Dela participam três ossos e diversos músculos, tendões e ligamentos que permitem que o braço se movimente de forma multiaxial e possibilitam uma grande amplitude de movimentos. Para diminuir o atrito, amortecer o impacto e permitir o deslizamento entre as estruturas anatômicas do ombro existe a bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido, localizada abaixo do acrômio (extremidade superior do osso escápula) e do músculo deltoide. A bursite do ombro é a inflamação desta bursa.

A bursite do ombro provoca dor na parte externa ou na frente do ombro, que pode irradiar para o braço, e incapacidade de movimentar a articulação do ombro, principalmente elevar os braços além da cabeça ou levá-los às costas. Pode haver ainda um aumento da sensibilidade local à pressão, calor e inchaço.

Geralmente a bursite do ombro acomete desportistas que fazem movimentos do braço acima da cabeça, tais como nadadores, tenistas e arremessadores de peso. Também pode ocorrer em atividades como carpintaria, costura e pintura.

A bursite do ombro faz parte de um quadro chamado de síndrome do impacto do ombro, que é uma patologia do ombro na qual não apenas a bursa encontra-se inflamada, mas também os músculos que passam pelo espaço subacromial apresentam sinais de tendinite (inflamação dos tendões).

A dor da bursite do ombro localiza-se na parte superior do braço, ao longo do músculo deltoide, podendo irradiar-se até quase o cotovelo. A dor tende a iniciar-se de forma leve e acentuar-se progressivamente durante dias ou semanas, agravando-se com a movimentação do braço, principalmente quando se tenta levantá-lo acima da linha do ombro. Esse movimento pode mesmo se tornar impossível. Essa dor no ombro e dificuldade para mover o braço são os sintomas mais comuns da bursite subacromial e da síndrome do impacto do ombro.

O diagnóstico da bursite do ombro a partir dos sintomas é relativamente simples, desde que seja colhida uma boa história clínica e feito um correto exame físico. Havendo dúvidas, o médico pode ainda solicitar uma radiografia, uma ultrassonografia ou uma ressonância nuclear magnética do ombro.

Outras informações podem ser vistas nos artigos sobre "Bursite", "Dores no ombro", "Lesão por esforço repetitivo ou L.E.R." e "Artrite".

Quando o indivíduo segue corretamente o tratamento fisioterapêutico e se vale dos tratamentos médicos sintomáticos, esta é uma doença habitualmente curável.

O tratamento da bursite aguda do ombro deve obedecer ao repouso absoluto ou relativo daquela articulação, na dependência da gravidade do problema, imobilização temporária da articulação e administração de analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides, relaxantes musculares e aplicação de gelo. Os exercícios de fisioterapia ajudam a fortalecer os músculos da articulação e a restaurar a amplitude dos movimentos.

Em alguns casos, de bursite crônica, pode ser necessário extrair líquido da articulação e injetar corticoides, para reduzir a inflamação. Se a causa da bursite for uma infecção bacteriana, deverá ser tratada com antibióticos. A drenagem cirúrgica raramente é necessária.

Não podemos deixar de citar a Acupuntura como tratamento de primeira escolha para a bursite de ombro.

A bursite do ombro tem uma tendência a recidivar, a voltar.

Para prevenir novas crises, assim que houver uma melhora do quadro clínico, a pessoa deve começar a praticar exercícios leves e ir aumentado o esforço gradualmente.

Mesmo com o tratamento adequado a cura total pode levar meses. Após a cura, o indivíduo deve continuar a prática de exercícios ou esporte de que goste, para manter a articulação bem lubrificada e os músculos fortalecidos.

Para tentar prevenir a bursite do ombro, a pessoa deve aquecer e alongar os músculos do ombro antes de submetê-los a exercícios. Os exercícios repetitivos devem ser pausados por pelo menos dez minutos a cada hora.

Se a bursite no ombro não for tratada nas suas fases iniciais, ela tende a se tornar crônica e de mais difícil solução. A inflamação prolongada da bursa pode levar à calcificação, enrijecimento e perda da sua capacidade de proteger a articulação.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Espinha bífida


A espinha bífida (do latim: spina bífida = espinha bifurcada) é uma grave anormalidade congênita do tubo neural, a qual se desenvolve nos dois primeiros meses de gestação. Representa um defeito grave na formação dessa estrutura. A espinha bífida é uma das lesões congênitas mais comuns da medula espinhal.

Algumas vértebras que recobrem a medula espinhal permanecem abertas e sem que suas diversas partes se fundam completamente. Se essa abertura for suficientemente grande, ela permitirá que parte da medula espinal se projete por ela, formando uma protuberância mole, sem proteção de um arcabouço ósseo.

Há três tipos clínicos de espinha bífida:

1.Espinha bífida oculta: a forma menos grave da anomalia. Nela, a parte exterior de algumas vértebras não está completamente fechada, mas o espaço nas vértebras é tão mínimo que a medula espinal não se projeta para o exterior.
2.Meningocele: a forma menos comum de espinha bífida. Nela, as vértebras se desenvolvem normalmente, mas a meninge é forçada nas lacunas entre as vértebras.
3.Mielomeningocele: o tipo mais comum e mais grave. É uma malformação em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas.

A espinha bífida é causada pela falha no fechamento do tubo neural, que deveria ocorrer durante o primeiro mês do desenvolvimento do feto. Ela não segue padrões diretos de hereditariedade.

Alguns medicamentos, como anticonvulsivantes e antidiabéticos, a obesidade, o aumento da temperatura corporal ou o fato de ter um parente portador podem aumentar as chances de um bebê nascer com espinha bífida. A meningocele pode ser devido a tumores, além da síndrome de Currarino.

A medula cervical, segmento medular contido entre as vértebras C1 a C8, controla os movimentos da região do pescoço e dos membros superiores; a medula torácica, entre T1 e T12, controla a musculatura do tórax, abdômen e parte dos membros superiores; a coluna lombar, entre L1 e L5, controla os movimentos dos membros inferiores; e o segmento medular sacral, entre S1 e S5, controla parte dos membros inferiores e o funcionamento da bexiga e intestino.

Nos casos de espinha bífida, os nervos envolvidos podem ser incapazes de controlar os músculos correspondentes, determinando paralisias. Conforme o nível da afecção fala-se de paralisia alta, média ou baixa.

Embora a espinha bífida possa ocorrer em qualquer nível da coluna vertebral, é mais comum na região lombossacra.

Quando as raízes dos nervos que emergem ao nível lombossacral estão envolvidas, podem ocorrer graus variáveis de paralisia da musculatura servida por esses nervos. A sensibilidade (sensação de pressão, fricção, dor, calor, frio) também pode estar prejudicada. A ausência de sensibilidade pode ocasionar úlceras de pressão (escaras).

Ainda se pode verificar ausência de controle urinário e fecal.

Os sinais físicos de espinha bífida podem então incluir fraqueza e paralisia nas pernas, pé torto, luxação do quadril, escoliose, incontinência ou infecção urinária, escaras, irritações da pele e movimento ocular anormal. Muitas crianças com espinha bífida têm também graus variáveis de alergia ao látex, às vezes, implicando em risco de vida.

A espinha bífida pode ser associada a outras dismorfias, mas na maioria dos casos é uma malformação isolada. Pode haver a ocorrência de hidrocefalia e, em alguns casos, anormalidades do córtex cerebral.

Na meningocele, como o sistema nervoso permanece intacto, nem sempre ocorrem problemas de saúde em longo prazo. Muitas pessoas com espinha bífida oculta nem sequer sabem que a possuem, porque a doença é assintomática na maioria dos casos.

A espinha bífida pode ser diagnosticada ainda durante a gravidez, através de uma ultrassonografia.

O aumento dos níveis de alfafetoproteína no soro materno (MSAFP) no segundo trimestre da gravidez pode significar que o feto tenha um defeito no tubo neural.

Como este não é um exame específico para o diagnóstico da espinha bífida, o médico pode solicitar uma ultrassonografia ou uma amniocentese.

Depois do nascimento, a espinha bífida pode ser reconhecida pela simples inspeção.

Não há cura para a espinha bífida. Para evitar maiores danos ao tecido nervoso e para prevenir infecções, os médicos podem realizar operações para fechar a abertura da coluna vertebral, logo após o nascimento. No entanto, ele não fará retomar as funções da medula espinhal que já tenham sido afetadas. Em alguns casos, essa cirurgia pode ser realizada ainda na etapa fetal, mas a efetividade e a segurança dela ainda estão em estudos.

A atenção precoce às técnicas de reabilitação ajuda na preservação das possíveis deformidades ortopédicas, como pé torto, deslocamento coxofemoral, diminuição das amplitudes articulares, deformidades do tronco, entre outras. Pesquisas recentes indicam que a ingestão de ácido fólico nas semanas que antecedem a concepção e nas primeiras semanas da gestação reduz de modo significativo a incidência de espinha bífida.

Sendo uma malformação congênita, não há como prevenir totalmente a espinha bífida.

O risco de ela ocorrer pode ser reduzido em até 70% com a suplementação de ácido fólico antes da gravidez.

Pode-se, também, tentar minorar ou prevenir algumas consequências dela.

As escaras eventualmente decorrentes da espinha bífida podem ser prevenidas com constantes mudanças de posição corporal, manutenção da higiene e hidratação da pele.

Para evitar-se o desenvolvimento da alergia, o essencial é evitar o contato com produtos que contenham látex, como luvas de exame, preservativos e exames de cateterismo, por exemplo.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Chupar o dedo e roer as unhas protege contra alergias...


Para quem se preocupa MUITO com o filho chupando o dedo o tempo todo...

A Hipótese da Higiene sugere que a exposição no início da vida a microrganismos reduz o risco de desenvolver alergias.

Chupar o dedo e roer as unhas são hábitos comuns da infância e que podem aumentar a exposição a estes estímulos microbianos.

Pesquisadores da Nova Zelândia testaram a hipótese de que as crianças que sugam seus polegares ou roem as unhas têm um menor risco para o desenvolvimento de atopias, asma e febre do feno, em uma coorte de nascimentos de base populacional seguidos até a vida adulta.

Os pais relataram os hábitos de crianças em relação a chupar o dedo e roer as unhas quando seus filhos tinham idades entre 5, 7, 9 e 11 anos.

A sensibilização atópica foi definida com um teste cutâneo positivo para um ou mais alérgenos comuns aos 13 e aos 32 anos. As associações entre chupar o dedo e roer as unhas na infância e a sensibilização atópica, asma e febre do feno nestas idades foram avaliadas por meio de regressão logística com ajustes para o sexo e outros fatores de confusão em potencial: atopia nos pais, amamentação, ter animais de estimação em casa, aglomeração domiciliar, status socioeconômico e tabagismo dos pais.

Exatos 31% das crianças eram sugadores frequentes do polegar ou roíam as unhas em mais de uma das idades avaliadas.

Estas crianças tiveram um menor risco de sensibilização atópica nas idades de 13 anos e de 32 anos.

Estas associações persistiram quando vários fatores de confusão foram ajustados.

As crianças que tinham ambos os hábitos tiveram um menor risco de sensibilização atópica do que aqueles que tinham apenas um dos hábitos.

Não foram encontradas associações entre roer as unhas, chupar o dedo e o desenvolvimento de asma ou febre do feno em qualquer idade.

Concluiu-se que as crianças que sugam seus polegares ou roem as unhas são menos propensas a ter sensibilização atópica na infância e na idade adulta.


Fonte: Pediatrics, publicação online, de 11 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

Pílulas anticoncepcionais


Pílulas anticoncepcionais são comprimidos que geralmente combinam os hormônios estrogênio e progesterona sintéticos, os quais inibem a ovulação e modificam o muco cervical, tornando-o hostil ao espermatozoide. O uso dessas pílulas deve ser prescrito pelo médico, pois como existem vários tipos de pílulas, somente ele é capaz de indicar qual pílula é mais adequada para cada paciente. Esses hormônios, sintetizados a partir de várias matérias primas, têm estrutura química idêntica aos produzidos naturalmente pelo organismo, podendo, pois, substituí-los no controle do ciclo menstrual e do metabolismo, no tratamento da menopausa e como um método contraceptivo.

Os anticoncepcionais orais presentes têm quatro mecanismos de ação que atuam simultaneamente:

(1) produzem a suspensão da ovulação e, consequentemente, a fecundação;
(2) alteram o estado do muco cervical dificultando a passagem dos espermatozoides;
(3) determinam mudanças no endométrio (parede interna do útero) impedindo a nidação do embrião e
(4) alteram a movimentação do óvulo nas trompas.

Tipos de pílulas anticoncepcionais


Pílula monofásica:

A pílula monofásica possui em sua fórmula estrogênio e progesterona com a mesma dosagem. É o comprimido anticoncepcional mais conhecido e utilizado pelas mulheres.

Pílula multifásica:

A pílula multifásica contém uma combinação de hormônios com diferentes dosagens, para ser tomada conforme a fase do ciclo reprodutivo em que a mulher esteja no momento.

Minipílula:

A minipílula é uma pílula sem estrogênio, que possui em sua base somente progesterona.

Mais recentemente foi lançada no Brasil a pílula anticoncepcional que contém em sua fórmula drospirenona e etinilestradiol, que causa menores sintomas físicos e emocionais que os causados pelos hormônios femininos.

Há, ainda, a “pílula do dia seguinte”, que deve ser usada somente em situação de emergência, quando a mulher manteve uma relação sexual desprotegida em seu período fértil, se ela não deseja engravidar. Este tipo de contracepção não foi desenvolvida para ser usado de rotina.

Classicamente, as pílulas anticoncepcionais são usadas durante o período fértil das mulheres que mantêm uma vida sexual ativa, mas não desejam engravidar naquele momento. Na prevenção da gravidez o índice de falha das pílulas anticoncepcionais é de 0,1%. A minipílula é indicada para mulheres que estão amamentando e querem evitar uma nova gravidez. Para essas mulheres, a pílula deve ser tomada todos os dias, sem interrupção. Os contraceptivos são usados também para o tratamento de sangramentos irregulares, cólicas menstruais, tensão pré-menstrual, diminuição do fluxo menstrual, síndrome dos ovários policísticos, acne, hirsutismo (aumento de pelos nas mulheres) e endometriose.

A pílula monofásica (a mais comum) deve ser iniciada entre o primeiro e o quinto dia da menstruação e interrompida 21 dias depois, quando a cartela acabar. É necessário fazer um intervalo de sete dias antes de iniciar nova série. As pílulas multifásicas possuem cores diferentes, para diferenciar a dosagem e o ciclo. A ordem da cartela deve ser rigorosamente respeitada. A minipílula deve ser tomada todos os dias, sem interrupção. A pílula contendo drospirenona e etinilestradiol deve ser tomada durante 24 dias e interrompida por 4 dias de intervalo.

Em alguns casos, têm-se adotado um regime contínuo, quando a mulher não para de usar o anticoncepcional, ou um regime estendido, quando ela o usa por períodos prolongados, geralmente por 84 dias seguidos de 7 dias de pausa. O primeiro comprimido da “pílula do dia seguinte” deve ser tomado até 72 horas depois da relação sexual desprotegida. O segundo, 12 horas após o primeiro. Também existem versões em dose única.

Os hormônios sintéticos podem gerar mais efeitos colaterais que os hormônios naturais bioidênticos. Um dos efeitos colaterais do uso do anticoncepcional é a perda de sangue em pequena quantidade durante todo o mês, conhecida como “escape” ou “sangramento em borra de café”; mas também existem outros efeitos indesejáveis, tais como, distúrbios circulatórios, câncer de mama, câncer cervical, tumores hepáticos, malformação fetal, etc.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pilates para Fibromialgia: algumas considerações


Sensação de corpo cansado, como se não tivesse pregado o olho a noite inteira, com alterações de humor durante o dia e sentindo dores em alguns pontos do corpo?

Estes podem ser alguns dos sintomas de Fibromialgia.

Levando ao pé da letra, mialgia vem do latim dor e fibro, também de origem latina, significa tecido fibro-muscular.

De causa desconhecida e sem cura, a síndrome se detecta em sua maioria nas mulheres, principalmente nas que estão no período pós-menopausa.

O paciente consegue saber se está ou não com fibromialgia por meio de suas queixas e pelo exame físico, que vão excluindo doenças semelhantes, como hipotireoidismo, esclerose múltipla ou miopatias inflamatórias.

Outros motivos para a manifestação da síndrome são psicológicos. Os médicos procurados normalmente escutam que os pacientes começaram a ter queixas de dores após um trauma, como a morte de um familiar ou amigo, perda de emprego ou acidente automobilístico.

O Pilates é uma das formas que contribuem para o controle da síndrome.

Inicialmente há um aquecimento para melhorar o aporte sanguíneo para os músculos e tendões, permitindo uma melhor resistência física para os exercícios.

Depois desse aquecimento, o paciente é sujeito a diversos exercícios, de acordo com seu limite de resistência.

O exame físico ideal é realizado através de um aparelho denominado algômetro que é pressionado nos "tender points" do paciente e afere o nível de pressão que foi necessária para provocar dor.

O número total de tender points é 18 e não é necessário que todos sejam sensíveis, a dor de um modo geral deve estar presente durante o período mínimo de 2 meses e meio.

As doenças acima citadas, assim como outras doenças não são excludentes, pois podem haver doenças associadas a fibromialgia.

Convém deixar claro que a Síndrome da dor Miofascial, assim como a Síndrome da Fadiga Crônica e o Lúpus podem ser confundidos com fibromialgia.

Os motivos mais prováveis para o início da doença, segundo pesquisas científicas, são sim de fundo emocional, mas associado a eles podem haver questões ambientais e histórico de infecções, sejam virais ou bacterianas.

No diagnóstico ideal são investigados aspectos de humor, sono e qualidade de vida das pacientes.

Distúrbios gástricos como, refluxo e síndrome do intestino irritável estão presentes com frequência, assim como é comum alterações cognitivas (atenção, memória e concentração) e depressão.

Por isso para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado procure um médico.

sábado, 9 de julho de 2016

Tá de queixo caído? Luxação da Mandíbula


A articulação temporomandibular (ATM) é a articulação que liga a mandíbula à fossa mandibular do osso temporal do crânio, através do côndilo. Luxação da mandíbula é o deslocamento dos ossos da ATM em relação ao seu ponto de articulação normal. Popularmente costuma-se falar que a articulação “saiu do lugar” ou que “o queixo caiu”.

Fala-se em subluxação quando ocorre uma movimentação exagerada do disco intra-articular, causando dor e estalido nos movimentos de abertura, fechamento e movimentos laterais de boca. Nesses casos, o côndilo luxado consegue retornar espontaneamente a seu lugar, sem esforço externo.

A luxação da ATM decorre do estiramento dos ligamentos que unem a articulação e apresenta causas multifatoriais. Ela pode ser episódica ou recorrente, espontânea ou traumática e se dever, por exemplo, à abertura excessiva da boca durante uma entubação orofaríngea. É mais frequente em pacientes que apresentam frouxidão dos ligamentos e da cápsula articular. Os traumas também podem ser uma causa importante de luxação da ATM.

Assim, vários fatores têm sido sugeridos como causas das luxações recorrentes: condições anatômicas, hábitos parafuncionais, frouxidão dos ligamentos e hipermobilidade articular generalizada. Existem ainda fatores predisponentes raros ou episódicos, como distúrbios oclusais, alterações decorrentes de patologias sistêmicas ou reações induzidas por medicamentos, como neurolépticos ou antieméticos.

A luxação da ATM consiste na perda parcial ou total de contato das superfícies articulares da mandíbula e do osso temporal devido a um exagero do movimento condilar, em que o côndilo desloca-se para fora da fossa mandibular e não é capaz de retornar espontaneamente. Essa posição anômala é então mantida pelo espasmo dos músculos da mastigação. Esses deslocamentos podem ser uni ou bilaterais, sendo que estes últimos são mais comuns, e o côndilo pode deslocar-se para frente, para trás, para o lado ou para cima.

Nos casos de luxação, a mandíbula desliza para frente, saindo completamente de seu local usual, causando dor e incapacidade de fechar a boca. As luxações mandibulares afetam, a um só tempo, a mastigação, a fala e a deglutição. O paciente diz que a mandíbula “salta” sempre que abre amplamente a boca, alguns pacientes relatam que isso se faz acompanhar de um estalido característico.

Na luxação unilateral, o paciente apresenta-se com o mento desviado para o lado contrário à luxação e um desvio da mandíbula em relação à linha média da face. A bochecha apresenta-se achatada do lado afetado e côncava no lado oposto.

O diagnóstico da luxação da mandíbula pode ser firmemente estabelecido pela história clínica do paciente, pela observação e exame físico locais e pode ser confirmado radiograficamente. Nos casos que tenha havido um trauma extrínseco, uma radiografia ou uma tomografia computadorizada deve ser realizada para verificar se houve ou não fraturas nos ossos da face.

As luxações da ATM devem ser reduzidas o mais prontamente possível, geralmente por manobras manuais executadas pela própria pessoa ou por um especialista, se estas forem mais complexas. As opções de tratamento vão desde medidas conservadoras até procedimentos cirúrgicos invasivos. Quase sempre os métodos conservadores destinam-se apenas ao alívio temporário dos sintomas e os tratamentos cirúrgicos se constituem num tratamento mais efetivo e definitivo e devem ser realizados quando o deslocamento é de longa duração ou recorrente. O tratamento conservador consiste na utilização de aparelhos limitadores do movimento, uso de relaxantes musculares, injeções esclerosantes e, ainda, outros tratamentos menos usuais. A cirurgia só é indicada quando os métodos conservadores não forem suficientes para resolver o problema.

A luxação da mandíbula tende a ser recorrente e, se for frequente, uma cirurgia pode ser necessária para reposicionar ou encurtar os ligamentos e para ajustar a articulação.

O paciente com luxação recidivante da ATM entra num círculo vicioso, uma vez que, sempre que ocorre a luxação, há mais rotura e estiramento do ligamento capsular, o que resulta em mais lesões e agrava ainda mais a recorrência.

A maneira de prevenir a luxação da mandíbula consiste em evitar abrir a boca exageradamente. Assim, a pessoa predisposta deve conter os bocejos e evitar comer sanduíches grandes ou outros alimentos que exijam uma grande abertura da boca.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Diarreia por vírus


As diarreias consistem no aumento do número de evacuações, geralmente com fezes amolecidas ou líquidas. Os vírus que mais causam diarreia são os Rotavírus (50% dos casos) e os Adenovírus (30% dos casos).

A diarreia por vírus é mais comum na faixa etária entre os 3 meses e 2 anos de vida, mas ela pode acometer todas as idades, inclusive os adultos, e dura de 3 a 7 dias. A criança pode ter diarreia por vírus mais de uma vez, pois existem vários "sorotipos" de vírus. O sinal capital da diarreia por vírus é o número aumentado de evacuações, de consistência amolecida ou líquida, normalmente sem sangue.

Nas diarreias por vírus, pode também haver câimbras, náuseas, vômitos, dor de cabeça e febre. Algumas diarreias acompanham-se de cólicas, mais ou menos intensas. Uma das consequências mais temida da diarreia é a desidratação, devido à perda acentuada de água e sais minerais e que é acentuada pela presença de vômitos. A desidratação pode provocar olhos encovados, rachadura dos lábios, secura da boca e da pele, saliva espessa, sede excessiva, pulso fino, letargia, depressão sensorial, sonolência e confusão mental, na dependência da sua intensidade.

Em geral, o diagnóstico é feito clinicamente, pelo relato dos sintomas. A inspeção das fezes ajuda a afastar outras causas de diarreias. Existem métodos complexos de detecção dos vírus nas fezes, mas quase nunca eles chegam a ser usados.

Grande número das diarreias por vírus não chega a demandar intervenção médica. No entanto, quando elas são mais intensas e duradouras ou quando se acompanham de determinados sintomas como cólicas, vômitos intensos e desidratação, merecem cuidados médicos e às vezes demandam reidratação venosa em hospitais.

No caso dos bebês, deve-se diminuir a ingestão de leite (com exceção do leite materno, que deve continuar a ser oferecido sem restrições para os bebês em aleitamento materno exclusivo) e oferecer papas com água fervida. Para as crianças mais velhas e os adultos, são permitidos alimentos sólidos e mais secos (arroz, batatas, cereais sem açúcar, etc.), bolachas salgadas e torradas. Alimentos ricos em amido auxiliam na redução do distúrbio (sopa de arroz ou cenoura e canja de galinha).

O paciente deve tomar bastante líquidos e hidratantes. Também podem ser consumidas bananas, maçãs sem a casca, frango, iogurte, água de coco, etc. Medicamentos frequentemente usados sem supervisão médica para diminuir os movimentos intestinais não devem ser tomados porque eles dificultam ou impedem a eliminação dos microrganismos e das toxinas e podem levar ao agravamento e complicação do quadro.

Recomendações e os cuidados úteis em caso de diarreia por vírus:

•Beber 2 a 3 litros de líquidos por dia. Repor a perda de sódio e potássio com soro caseiro.
•Preferir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas.
•Evitar saladas, bagaço de frutas e fibras.
•Chás de camomila, erva-doce e hortelã podem ajudar a aliviar os sintomas e melhoram a hidratação. Evite café, leite, sucos de frutas com muitas fibras e álcool.
•Evitar alimentos com alto teor de gordura (frituras, carnes, embutidos, chocolate, etc.) e açúcar.
•Não fazer uso de adoçantes à base de sorbitol.
•Lavar bem as mãos, especialmente antes das refeições e após cada evacuação.
•Usar copos e utensílios limpos.
•Se precisar, faça gelo com água tratada ou fervida.
•Evitar leite e derivados.

Embora possam ser muito incômodas, as diarreias por vírus em geral cedem espontaneamente. Uma das piores complicações dela é a desidratação.

Bebês, crianças pequenas, idosos e pessoas debilitadas tendem a se desidratar com mais facilidade, o que exige cuidados rápidos para a contenção da crise de diarreia.


As diarreias por vírus são muito contagiosas e os cuidados higiênicos são fundamentais para evitar a disseminação da infecção; particularmente a higiene das mãos!

Nas praias, evite tomar banho em águas impróprias para uso.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Poliartrite


Chama-se poliartrite qualquer tipo de artrite que envolva cinco ou mais articulações.

A poliartrite geralmente é geneticamente causada por uma doença autoimune, entre elas, artrite reumatoide, febre reumática, lúpus eritematoso, artrite psoriática, osteoartrites, espodilopatias (termo genérico para indicar patologia das vértebras) e amiloidose. Algumas vezes, a poliartrite pode ser causada por bactérias ou vírus.

Quando causada por fatores genéticos autoimunes, o próprio organismo produz anticorpos que atacam e danificam as articulações e o corpo se defende desses ataques, danificando ainda mais as articulações. Os vasos sanguíneos se dilatam para permitir a passagem de mais plasma, que vai levar as células de defesa à região da lesão. Essa concentração de plasma causa inchaço nas articulações e aumenta a dor na região. Quando a causa é infecciosa, por vírus ou bactérias, o corpo se defende da mesma maneira: há a dilatação dos vasos e as células se direcionam para o local do ataque, resultando em dor e inchaço.

O mais característico da poliartrite é a presença de cinco ou mais articulações inflamadas ao mesmo tempo. Os locais mais comuns dessas inflamações incluem pescoço, ombros, cotovelos, mãos, quadris, joelhos e pés. A inflamação se caracteriza por inchaço, calor, rubor e dor, especialmente quando a articulação é movimentada, podendo inclusive ser definitiva ou temporariamente incapacitante para a rotina diária da pessoa.

O diagnóstico deve basear-se nos sintomas típicos, embora outras doenças também envolvam múltiplas inflamações de articulações e, assim, dificultam o reconhecimento da poliartrite. Entre elas, doença de Lyme, tuberculose, infecções fúngicas e bacterianas, leptospirose, doença de "Whipple", gota, anquilose, doenças vasculares sistêmicas, doenças endócrinas e fibromialgias.

É importante ressaltar que antes de fazer um diagnóstico definitivo da doença, outras patologias devem ser descartadas por meio de uma série de exames. O diagnóstico dessa e de diversas outras doenças exigirão, em cada caso, exames complementares específicos.

Para mais informações sobre outros tipos de artrites, leia também nossos artigos sobre "Artrite", "Artrite reumatoide", "Artrite séptica", "Artralgia" e "Osteoartrite".

O tratamento não medicamentoso envolve repouso, combinado a exercícios para manter a boa função articular. É especialmente importante perder peso, em casos em que o sobrepeso esteja agravando os sintomas. Bolsa quente ou gelada, dependendo do caso, pode proporcionar alívio em articulações afetadas por artrite não-inflamatória.

No que se refere a remédios, os analgésicos simples podem ser eficazes no controle da dor. As pomadas devem ter preferência por terem menos efeitos colaterais gastrointestinais e cardiovasculares. Quando a dor não for adequadamente controlada, analgésicos mais fortes podem ser utilizados. Os esteroides intra-articulares não são rotineiramente recomendados, mas podem ser eficazes para surtos agudos da artrite. Comprimidos de esteroides também podem ser utilizados no tratamento da poliartrite inflamatória.

Os imunossupressores podem ser úteis em caso de doenças autoimunes. Uma fisioterapia deve ser utilizada para manter os músculos fortalecidos e alongados e diminuir possíveis deformações. A cirurgia é uma alternativa extrema para tratar a poliartrite. Há casos em que a cirurgia consistirá na troca da articulação afetada por uma prótese. Todos esses tratamentos, no entanto, são meramente sintomáticos. Se for reconhecida, a doença de base deve ser tratada pelos meios apropriados

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A Penicilina e as alergias a ela


A penicilina foi o primeiro antibiótico a ser usado em larga escala no mundo. Hoje em dia, quando falamos em penicilina já não nos referimos mais àquele antibiótico descoberto no início do século XX, mas sim ao grande grupo de antibióticos desenvolvidos a partir daquela primeira droga.

Portanto, quando falamos que um paciente é alérgico à penicilina, queremos dizer que o paciente é, na verdade, alérgico a todos os antibióticos da família da penicilina, que são:

Amoxicilina
Ampicilina
Azlocilina
Carbenicilina
Cloxacilina
Dicloxacilina
Mezlocilina
Nafcilina
Oxacilina
Penicilina G
Penicilina V
Penicilina Benzatina (Benzetacil)
Piperacilina
Ticarcilina

Apesar de serem da mesma família, as diferentes penicilinas possuem atividades contra bactérias e infecções distintas. Por exemplo, a amoxicilina é frequentemente usada para infecções respiratórias simples, enquanto a piperacilina costuma ser indicada para diversos tipos de infecção hospitalar.

As penicilinas mais próximas do antibiótico originalmente descoberto por Alexander Fleming são as Penicilina G, Penicilina V e Penicilina Benzatina (Benzetacil). Devido ao grande grau de resistência bacteriana, estes antibióticos são muito pouco usados atualmente, ficando restritos ao tratamento da sífilis.

Dizemos que o paciente tem alergia à penicilina somente quando o mesmo desenvolve uma reação alérgica, ou seja, uma reação do sistema imunológico, após receber algum antibiótico da família da penicilina.

Este conceito parece óbvio, mas não é. A penicilina, como qualquer outra droga, pode causar efeitos colaterais que nada têm a ver com reações imunológicas, não sendo, portanto, reações alérgicas. Na verdade, as reações não alérgicas, como queimação no estômago, mal estar, náuseas, diarreia, tontura, dor de barriga, etc., são muito mais frequentes que as reações alérgicas propriamente ditas. O problema é que muitos pacientes interpretam estas reações como um sinal de alergia e passam a se rotular como “alérgicos à penicilina”.

Muitas dessas pessoas chegam aos seus médicos e já avisam logo que são alérgicas. Nem sempre o profissional de saúde perde o tempo necessário avaliando se a reação que o paciente teve à penicilina realmente se encaixa em um quadro de alergia. Deste modo, a informação errada, criada por uma pessoa leiga, acaba sendo equivocadamente ratificada pelo médico, tornando-se uma verdade descrita nos prontuários e atestados médicos.

O fato é que estatisticamente 1 em cada 10 pacientes se considera alérgico às penicilinas. Todavia, quando vamos estudar adequadamente seus sistemas imunológicos, descobrimos que até 90% destas pessoas NÃO são realmente alérgicas às penicilinas, não havendo nenhuma contraindicação ao uso desta classe de antibióticos.

Além do diagnóstico equivocado de alergia, há um outro dado importante que contribui para esta falsa estatística: a alergia à penicilina pode desaparecer com o tempo. Cerca de 80% dos pacientes que tiveram um quadro de alergia a um antibiótico da família da penicilina podem deixar de ser alérgicos se ficarem 10 ou mais anos sem ter contato com este antibiótico. Portanto, se você teve um quadro de alergia a uma penicilina na infância e nunca mais foi exposto a essa classe de antibióticos, é bem possível que não seja mais alérgico, podendo voltar a usar a penicilina sem nenhum perigo.

Já sabemos, então, que nem toda reação adversa provocada pelo uso de penicilina pode ser considerada uma reação alérgica.

As alergias, também chamadas de reação de hipersensibilidade, são reações de origem imunológica, que ocorrem por uma resposta inapropriada e exagerada do sistema imune a algumas estruturas presentes nos medicamentos.

Entre os sinais e sintomas típicos da alergia à penicilina podemos citar:

Urticária – caracterizada por placas avermelhadas com relevo na pele, que coçam muito.
"Rash" cutâneo – caracterizado por manchas vermelhas pelo corpo, sem relevo e sem comichão.
Prurido – caracterizado por uma coceira intensa, sem necessariamente haver lesões visíveis na pele.
Angioedema – inchaço de mucosas, como lábios, olhos, boca e língua.
Em casos graves é possível haver choque anafilático, caracterizado por queda na pressão arterial, dificuldade de respirar causada por intenso espasmo das vias aéreas (broncoespasmo) e edema da laringe. Esse quadro é uma emergência médica e pode levar o paciente ao óbito se não for tratado rapidamente.

Quando um paciente desenvolve um quadro sugestivo de alergia à penicilina é importante tentar determinar o intervalo de tempo entre o uso da droga e o aparecimento dos sintomas de alergia.

Chamamos de reações de hipersensibilidade imediata aquelas reações alérgicas que surgem na primeira hora após o contato com a penicilina. Já as reações de hipersensibilidade tardia ocorrem várias horas ou até dias depois da exposição à droga. Geralmente, o paciente já fez uso do antibiótico por vários dias antes de ter qualquer reação.

Essa distinção é importante, pois as reações imediatas são causadas por um anticorpo chamado IgE, sendo as mais perigosas devido ao risco de causarem reações anafiláticas. Pacientes com história de reações de hipersensibilidade imediata não devem ser reexpostos a tratamentos com penicilinas. As reações tardias são geralmente benignas e não costumam causar reações alérgicas mais graves.

Na maioria dos casos, os médicos aceitam como verdadeira a informação de alergia trazida pelo paciente. Devido ao medo de processos legais, a maioria dos médicos opta por não prescrever antibióticos da família da penicilina se o paciente se rotular como alérgico, mesmo que os sintomas descritos não sejam propriamente de alergia.

Em alguns casos porém, a confirmação da alergia torna-se útil. Exemplos:
– Nos casos de sífilis, a penicilina ainda é o antibiótico mais efetivo e seu uso deve ser indicado sempre que possível.
– Pacientes com infecção de garganta ou sinusite de repetição acabam precisando de antibióticos mais fortes se não puderem tomar penicilinas.
– Um paciente com história de alergia ocorrida há muitos anos já pode não ser mais alérgicos, não sendo necessário evitar as penicilinas em infecções mais simples.

O teste mais usado para diagnóstico da alergia à penicilina é o teste cutâneo. Este teste consiste na aplicação de uma quantidade mínima de penicilina no tecido subcutâneo. Se o paciente for alérgico, uma pequena reação alérgica irá aparecer no local da aplicação após cerca de 15 a 20 minutos.

Os tetes cutâneos devem ser administrados somente por médicos imunoalergistas, de preferência em ambiente hospitalar. Esse teste é contraindicado em pacientes que já tiveram reação alérgica grave à penicilina, como necrólise epidérmica tóxica ou síndrome de Stevens-Johnson.

Se o teste for negativo, ou seja, se não houver reação alguma à injeção, o paciente não apresenta alergia à penicilina, podendo voltar a fazer uso deste antibiótico com segurança. Apenas 1% dos pacientes com teste negativo apresentam sinais de alergia grave ao voltarem a tomar penicilina. Em geral, para se ter certeza, pedimos que o paciente tome um comprimido de penicilina e espere no hospital por cerca de 2 horas para descartamos qualquer reação alérgica mais séria.

Quando o paciente descobre ser alérgico a uma penicilina, ele deve ser encarado como alérgico a todas as outras também. O paciente não é somente alérgico a amoxacilina ou a benzetacil, ele é alérgico às penicilinas em geral.

As cefalosporinas são uma classe de antibióticos que apresentam algumas semelhanças estruturais com as penicilinas. As penicilinas e as cefalosporinas são didaticamente agrupadas em uma grande grupo de antibióticos chamado de antibióticos betalactâmicos.

Inicialmente, todo paciente alérgico às penicilinas deve também ser encarado como alérgico às cefalosporinas. Na verdade, apenas cerca de 10% apresentam alergia para essas duas classes, mas sem a realização dos testes cutâneos é impossível saber quem é alérgico somente às penicilinas e quem tem alergia às duas classes de antibióticos.

Os pacientes com alergia às penicilinas não devem mais ser tratados com essa classe de antibiótico. Apesar desta restrição significar a impossibilidade de usar antibióticos muito comuns, como amoxicilina, oxacilina e piperacilina, na maioria das infecções é possível arranjar em esquema antibiótico alternativo eficaz.

Porém, se o médico achar que o tratamento com um derivado da penicilina é essencial para a cura de uma determinada infecção, o mesmo pode lançar mão de um procedimento chamado dessensibilização à penicilina.

Esse procedimento consiste na administração, dentro de um ambiente hospitalar, de penicilina em doses crescentes a cada 15 minutos de forma a “acostumar” o organismo à droga, impedindo temporariamente que haja alguma reação alérgica. A primeira administração é feita habitualmente com 0,01% da dose normal. Após sucessivos intervalos de 15 minutos, administra-se o dobro da dose anterior até que se chegue a dose plena desejada para tratar uma infecção.

Por exemplo, se dose normal for de 500 mg em cada comprimido, a dessensibilização é inciada com uma dose de 0,05 mg. Após 15 minutos administra-se 0,10 mg; após mais 15 minutos, 0,20 mg, e assim por diante, até chegar a 500 mg. O processo todo demora algo em torno de 4 horas. O paciente, então, pode tomar os comprimidos em dose habitual durante o tempo determinado pelo médico (por exemplo: 500 mg a cada 8 horas por 10 dias)

É importante destacar que esse procedimento tem efeito temporário. Se o paciente ficar 24 a 48 horas sem tomar o antibiótico, a dessensibilização perde efeito e o paciente volta a não poder tomar antibióticos à base de penicilina.









fonte: MDSaúde

terça-feira, 5 de julho de 2016

Metformina: FDA revisa advertências ao uso da medicação em pacientes com função renal reduzida e muda recomendações


A FDA concluiu, a partir da revisão de estudos publicados na literatura médica, que a metformina pode ser usada com segurança em pacientes com comprometimento leve da função renal e em alguns doentes com insuficiência renal moderada.

A FDA também está exigindo que os fabricantes revejam as bulas da medicação e recomendem que a medida da função renal usada para determinar se um paciente pode receber metformina seja alterada, da concentração de creatinina no sangue para uma medida que forneça uma melhor estimativa da função renal (ou seja, a equação para estimativa de taxa de filtração glomerular (TFGe)). Isto porque, além da concentração de creatinina no sangue, a taxa de filtração glomerular estimada leva em conta parâmetros adicionais que são importantes, tais como a idade do paciente, sexo, raça e peso corporal.

Medicamentos contendo metformina estão disponíveis como produtos de ingrediente único e também em combinação com outros fármacos utilizados para tratar a diabetes mellitus. A bula atual contraindica o uso de metformina em alguns pacientes cujos rins não funcionam normalmente, porque o uso da metformina nestes pacientes pode aumentar o risco de desenvolver uma doença grave e potencialmente fatal chamada acidose lática, na qual muito ácido lático se acumula no sangue.

A recomendação da FDA é que os profissionais de saúde sigam as recomendações mais recentes ao prescrever medicamentos contendo metformina para pacientes com função renal comprometida. Os pacientes devem falar com os seus profissionais de saúde se tiverem quaisquer dúvidas ou preocupações sobre o uso desta medicação.

As novas recomendações são as seguintes:

•Antes de iniciar a metformina, obtenha a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) do paciente.
•A metformina é contraindicada em doentes com uma taxa de filtração glomerular inferior a 30 ml/minuto/1,73 m².
•Não é recomendado iniciar metformina em pacientes com uma taxa de filtração glomerular entre 30-45 ml/minuto/1,73 m².
•Obtenha a TFGe, pelo menos anualmente, em todos os pacientes que tomam metformina. Em pacientes com risco aumentado para o desenvolvimento de insuficiência renal, tais como idosos, a função renal deve ser avaliada com mais frequência.
•Em doentes que fazem uso de metformina, cuja TFGe caia abaixo de 45 ml/minuto/1,73 m², devem ser avaliados os benefícios e os riscos de continuar o tratamento. Descontinuar a metformina se a TFGe do paciente cair abaixo de 30 ml/min/1,73 m².
•Suspender o tratamento com metformina antes ou no momento de um procedimento de imagem que usa contraste iodado em pacientes com uma taxa de filtração glomerular entre 30 e 60 ml/minuto/1,73 m², em pacientes com história de doença hepática, alcoolismo ou insuficiência cardíaca ou em doentes para os quais será administrado contraste iodado intra-arterial. Reavaliar a TFGe 48 horas após o procedimento de imagem; reiniciar a metformina se a função renal estiver estável.



Fonte: FDA Drug Safety Communication

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Como funciona o controle da fome


A fome tem a ver com o controle e descontrole do apetite, isto é, da vontade de comer e isso é regulado, basicamente, pelo hipotálamo.

O centro da fome está localizado na parte lateral do hipotálamo, enquanto que o centro da saciedade está localizado na parte ventromedial daquele órgão.

Lesões nessas áreas causam, respectivamente, anorexia (ausência da vontade de comer) e emagrecimento ou obesidade, consequente a um excesso da vontade de comer.

Do ponto de vista químico, a leptina é um hormônio produzido pelos adipócitos (células gordurosas) que suprime a atividade dos neurônios orexígenos e que estimula a atividade de neurônios anorexígenos. Uma regulação mais imediata é ligada à ingesta alimentar e causada pelas peculiaridades da digestão gástrica.

A fome é ainda ativada pela quantidade de nutrientes e outros fatores presentes no organismo, como glicose, aminoácidos, gordura e variações da temperatura interna.

Mesmo diminuições mínimas na concentração de nutrientes são suficientes para gerar sinais que a desencadeiam. Ela também é estimulada pela visão e cheiro dos alimentos, além de fatores sociais e psicológicos.

Quando se come, além das necessidades energéticas, os nutrientes ingeridos são estocados sob a forma de gordura e a pessoa tende a engordar. Por outro lado, o cancelamento ou diminuição da fome, estado a que se denomina saciedade, é promovido, de maneira mais direta, durante ou imediatamente após uma refeição, pela distensão da parede gástrica, causada pelo alimento ingerido no estômago. No intestino, a presença de proteínas e de gorduras libera o hormônio colecistocinina, que emite ao hipotálamo, no cérebro, outro sinal de saciedade.

Além desses, existem complexos sistemas biológicos, ainda não totalmente conhecidos, que controlam o apetite e, por consequência, a ingestão de alimentos. Entre eles, fatores neuronais, endócrinos e intestinais. O controle neuronal depende de uma série de sinais vindos de órgãos da periferia, que atuam sobre o sistema nervoso central, e mais especificamente são regulados pela região hipotalâmica. A regulação do apetite também é feita no hipotálamo de maneira química. Do ponto de vista endócrino, a homeostase energética (propriedade de um sistema orgânico de manter estável uma determinada condição) é regulada por um sistema neuro-humoral que controla o balanço energético. A insulina, assim como a leptina, atua nos receptores do hipotálamo também promovendo a sensação de saciedade.

Como dito antes, há fatores intestinais que também controlam a absorção de alimentos e contribuem para a modulação do apetite. Células secretoras de peptídeos, localizadas no trato gastrointestinal, agem sobre o sistema nervoso central regulando as sensações de fome e de saciedade.

O apetite pode manifestar-se como diminuído ou aumentado, em relação àquilo que se consideraria normal, ou mesmo estar ausente.

À total falta de apetite chama-se inapetência ou anorexia. Ela leva à perda de peso corporal, às vezes muito acentuada. Quando a anorexia se torna um sintoma muito ostensivo e sem motivação aparente, vários exames podem estar indicados para esclarecer a sua causa: enema de bário, análise sanguínea, tomografia computadorizada, radiografias do esôfago, exames da vesícula biliar, ensaios hormonais, testes de função hepática, renal e tireoidiana, ecografia abdominal e estudo endoscópico do sistema digestivo alto. Existe uma situação especial, chamada anorexia mental ou nervosa, em que as pessoas deixam de comer por um medo intenso de ganhar peso, mesmo quando estão abaixo do peso normal. Trata-se de um distúrbio da imagem corporal.

A diminuição parcial do apetite, sem perda total, é chamada de hiporexia. Na prática, a diferenciação entre essas duas situações pode não ser fácil e, no uso popular, é comum falar-se de ambas como a pessoa estando “sem apetite”. As causas e as manifestações clínicas das duas condições são semelhantes, com diferenciação apenas de graus. O tratamento tanto para a anorexia como para a hiporexia depende de suas causas e é específico para cada uma delas.

Fala-se em hiperoexia quando há um aumento anormal do apetite, transitório ou permanente. Essa condição pode ocorrer devido à ansiedade, bulimia, síndrome pré-menstrual, diabetes, hipertireoidismo, hipoglicemia e certos medicamentos. Também pode ocorrer em quadros psiquiátricos como a esquizofrenia ou a excitação maníaca, por exemplo.

Chama-se hiperfagia à vontade irresistível de comer, sem real sensação de fome, levando quase sempre a um excesso de peso. Ela pode afetar tanto mulheres quanto homens e se manifesta por ingestão indiscriminada de alimentos, um estado de extremo nervosismo, mal-estar, aumento da taxa de colesterol e risco aumentado de diabetes.

Além das alterações quantitativas, o apetite sofre também alterações qualitativas, chamadas perversões do apetite. A principal delas é a alotriofagia, que consiste na apetência por substâncias não nutritivas e habitualmente não comestíveis.

O apetite é controlado tanto por fatores físicos, quanto psicológicos e ambientais. Quase toda doença pode prejudicar o apetite, desde um simples resfriado a um estado canceroso, sem falar dos aspectos emocionais. Se a doença for curável, o apetite retornará assim que ela for sanada. Entre os motivos mais comuns de ausência ou diminuição do apetite estão as causas emocionais, as doenças infecciosas e degenerativas e o câncer.