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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Antipsicóticos


A psicose é um estado mental patológico caracterizado pela perda de contato com a realidade. O indivíduo passa a apresentar comportamento antissocial, pensamento confuso, delírios, alucinações, alterações patológicas dos sentimentos e, por vezes, agressividade. Sem consciência da sua enfermidade, o paciente apresenta uma convicção inabalável em suas ideias, por mais absurdas e ilógicas que pareçam aos demais.

Diz-se que são positivos os sintomas psicóticos que consistem num “a mais” em relação a atividade psíquica normal, como as alucinações, os delírios e a agitação psicomotora e negativos aqueles sintomas que representam um “a menos” em relação ao normal, como a apatia, a depressão, etc.

Antipsicóticos (ou neurolépticos) são medicações capazes de corrigir ou melhorar os sintomas psicóticos. Eles agem mais eficazmente contra os sintomas positivos que contra os negativos. No entanto, nem todos os casos de psicose são tratados unicamente por esse grupo de medicamentos. Muitas vezes pode-se utilizar também antidepressivos.

O uso prolongado de pequenas doses de antipsicóticos pode prevenir as agudizações das psicoses. Os neurolépticos, uma subdivisão dos antipsicóticos, foram os primeiros remédios desenvolvidos para o tratamento de alucinações e delírios e, por isto, são também conhecidos como antipsicóticos típicos.

Os antipsicóticos podem ser classificados em típicos ou de primeira geração e atípicos ou de segunda geração. Essa tal divisão é feita com base no mecanismo de ação. Os primeiros são predominantemente bloqueadores de receptores da dopamina e os segundos são principalmente bloqueadores dos receptores dopaminérgicos e serotonérgicos, o que acarreta diferentes efeitos colaterais, em geral mais brandos nestes últimos.

Os antipsicóticos passaram a ser utilizados na psiquiatria a partir da descoberta de Delay e Deniker, no início da década de 50.

A superatividade da dopamina no sistema límbico cerebral é importante na patogenia da esquizofrenia. O receptor mais importante da dopamina é o receptor dopaminérgico D2. Os antipsicóticos funcionam como antagonistas do receceptor D2, diminuindo a ação da dopamina endógena. Alguns neurolépticos atuais têm a capacidade de atuar também nos receptores serotoninérgico, acetilcolinérgico, histamínico e noradrenérgico.

Os neurolépticos não curam as psicoses. São drogas sintomáticas que mantêm sob controle os sintomas da doença psíquica. Na maioria dos casos, conseguem eliminar surtos de alucinações e ilusões, podendo, até mesmo, influenciar na acepção do seu estado doente.

De um modo geral, os neurolépticos são usados no controle das psicoses. Os neurolépticos atípicos podem melhorar a capacidade de concentração e de fala. Em algumas ocasiões eles, além de agirem antipsicoticamente, também mostram um efeito tranquilizante. Eles não interferem na lucidez ou no intelecto, mas podem, por vezes, sedar o paciente fortemente. Isso acontece principalmente com os neurolépticos mais antigos.

Deve-se evitar o uso de antipsicóticos quando há discrasias sanguíneas, estados comatosos, depressão acentuada do sistema nervoso central, transtornos convulsivos ou quando o paciente apresenta doença cardiovascular grave.

Os efeitos colaterais mais comuns dos antipsicóticos são acatisia, distonias, discinesias e parkinsonismo, especialmente com os antipsicóticos de primeira geração. Outros efeitos colaterais são aumento dos níveis de prolactina, desencadeamento de diabetes, hipotensão ortostática, taquicardia, sedação, sonolência, tonturas, ganho de peso e disfunções sexuais.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Antidepressivos: algumas informações


A depressão é um distúrbio da afetividade caracterizado pela presença de tristeza, pessimismo e baixa autoestima. Sob a denominação de depressão encontram-se, na verdade, várias doenças diferentes, por isso é mais correto falar-se em síndrome depressiva que de depressão.

Algumas depressões são verdadeiras doenças, tendo uma base etiológica orgânica em alterações bioquímicas do cérebro, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina) e outros processos que ocorrem dentro das células nervosas. Outras situações, habitualmente também chamadas de depressão, são, na realidade, reações depressivas a insucessos vivenciais.

As primeiras são ditas depressões endógenas e, as outras, depressões reativas. Fala-se também de depressões endorreativas quando uma predisposição depressiva endógena é desencadeada por um acontecimento vivencial.

Os antidepressivos são substâncias consideradas eficazes na remissão de sintomas de pelo menos um grupo de pacientes com transtornos de síndromes depressivas. Eles agem melhor nas depressões endógenas que nas outras, em que podem ter apenas um efeito placebo. Algumas substâncias com atividade antidepressiva podem ser eficazes também em transtornos psicóticos e terem outros papeis farmacológicos, como analgésicos, por exemplo.

Quimicamente falando, há três classes principais de antidepressivos:

(1) os antidepressivos tricíclicos, que contém em sua estrutura química um triplo anel benzênico;

(2) os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e/ou noradrenalina (ISRS), que recaptam essas substâncias liberadas nas sinapses;

(3) os inibidores da monoaminoenzimaoxidase (IMAO), que inibem a ação desta enzima nas fendas sinápticas.

Os medicamentos antidepressivos não tratam a causa da depressão e sim os seus sintomas. Todos eles são capazes de elevar o humor básico patologicamente deprimido e devem ser distinguidos dos psicoestimulantes por certas características clínicas:
1.Os psicoestimulantes elevam o humor de pessoas normais; os antidepressivos apenas têm esse efeito em pessoas deprimidas.
2.A ação dos psicoestimulantes é imediata, a dos antidepressivos demora de 7 a 10 dias.
3.Os psicoestimulantes podem causar euforia; os antidepressivos não têm esse efeito, embora possam causar as chamadas “viradas maníacas” em pacientes que sofrem de psicose maníaco-depressiva ou transtorno bipolar do humor.
4.Os antidepressivos não causam dependência; os psicoestimulantes podem causá-la.
5.Os antidepressivos sempre são medicamentos; os psicoestimulantes, além de medicamentos, são também drogas, como a cocaína, por exemplo, ou outras substâncias químicas.
6.Os psicoestimulantes apresentam “efeito rebote”, isto é, à euforia inicial segue-se um fase de depressão.


Os neurônios não se conectam fisicamente uns com os outros. Entre eles há uma fenda preenchida por líquido no qual abundam principalmente a serotonina, a dopamina e a noradrenalina. As depressões se devem a alterações nessas substâncias, chamadas neurotransmissores, e os antidepressivos visam corrigi-las, aumentando a concentração delas nas fendas sinápticas.

Embora os conhecimentos sobre a bioquímica da depressão e a ação dos antidepressivos ainda sejam rudimentares e empíricos, a Associação Americana de Psiquiatria sugere que os antidepressivos devam ser prescritos por, pelo menos, 4 a 5 meses após a melhora ou remissão total dos sintomas depressivos, porque esse seria o tempo preciso para fazer as correções bioquímicas necessárias.

Os antidepressivos tricíclicos são os mais eficazes no tratamento da depressão profunda; os ISRS são mais seguros, mas só são eficazes em depressão moderada, enquanto os inibidores da monoamina oxidase (IMAO) têm longa duração de ação.

Embora sejam eficazes contra a depressão, os antidepressivos não são sustâncias inócuas, podendo causar diminuição da libido, disfunção sexual, síndrome de privação, mania/hipomania, sintomas típicos da esquizofrenia, quadro psicótico agudo, perigo de suicídio logo após o início da terapia, boca seca pela redução do fluxo salivar, perda de apetite, constipação intestinal, aumento da pressão arterial, enjoos, dor de cabeça, aumento da temperatura corporal, etc.

Como a serotonina tem importante papel no processo da coagulação, é de se esperar um aumento no tempo de sangramento do paciente que usa antidepressivos.

Chama-se de síndrome serotoninérgica ao conjunto de sintomas causados pelo excesso de serotonina na fenda sináptica. Ocorre, por exemplo, quando da associação entre os antidepressivos ISRS e IMAO.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Hipnoterapia


Está cada vez mais divulgada e acessível, mas a hipnose ainda é frequentemente vista nos dias de hoje como algo espetacular, mágico, perigoso até, com base na convicção de que a pessoa fica adormecida, inconsciente, à mercê da vontade do hipnotizador.

Ainda com muitas ideias errôneas e mitos associadas, a hipnose não é mais do que um estado alterado da consciência ou percepção, derivado do afunilamento da atenção – transe hipnótico – frequentemente (mas não necessariamente) com base num profundo e agradável relaxamento.

Reconhece aquela sensação de estar tão absorvido no que está a fazer que parece que tudo à volta “desapareceu”? Naturalmente, no nosso dia-a-dia são vários os momentos em que todos nós experienciamos algum tipo de estado ou transe hipnótico em que permitirmos à nossa mente vaguear ou “sonhar-acordada”.

Ficamos interiormente concentrados de tal forma que nos “desligamos” do que se passa no exterior: é o caso da condução em autoestrada, sem que tenhamos consciência do percurso realizado “em automático” ou o estar de tal forma absorto num livro ou mesmo em pensamentos, que não nos apercebemos de algo que está a acontecer ao nosso lado ou ainda aquele momento “vai/não vai” pouco antes do adormecer.

A hipnose refere-se a um estado alterado de consciência, que se atinge geralmente através da combinação da imaginação e da concentração da atenção e do desejo de envolvimento, disponibilizando-nos para imaginar determinadas situações e reagir-lhes emocionalmente, mesmo sabendo que não são reais (tal como nos emocionamos com um filme, representado num ecrã, se nos deixarmos envolver na sua história).

É um fenômeno natural, mas pode ser procurado, induzido, deixando-nos de facto susceptíveis à sugestão do indutor, se tivermos essa disponibilidade.

Em hipnoterapia este estado é induzido com uma finalidade terapêutica, de especial utilidade em modificações comportamentais desejadas, como deixar de fumar, para o controle de peso, para gestão emocional e controle da ansiedade, como no caso das fobias e pânico, em situações físicas de mal-estar e doença e controle de sintomas como a dor crônica ou ainda numa perspectiva de desenvolvimento pessoal e de fortalecimento do ego e autoconfiança.

Em ambiente de consultório, num contexto de confiança e confidencialidade, o transe hipnótico é induzido pelo terapeuta, levando a pessoa a uma concentração profunda no que está a ser dito, tornando-a assim receptiva às sugestões, desejadas e previamente acordadas em função do objetivo pretendido, sem no entanto perder o controlo da situação.

Isto pode ser feito com recurso a um conjunto de técnicas disponíveis, que incluem por exemplo a regressão de memória - recordação/revivência de experiências passadas - e a dissociação - que favorece a utilização do consciente enquanto observador objetivo da mente subconsciente.

Mas a sua utilização não está limitada ao gabinete e às sessões agendadas: com a ajuda do terapeuta poderá também aprender a fazer auto-hipnose - entrar sozinho nesse estado e a dar-se a si mesmo sugestões positivas, benéficas e desejáveis para si.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Hipertimésia: conhece alguém que tem?


A hipertimésia, também conhecida como síndrome da supermemória, ou ainda, síndrome da memória superior, trata-se de uma condição na qual o indivíduo apresenta uma altíssima memória biográfica.

A maioria das memórias de longo prazo fica armazenada no lobo frontal direito do cérebro. Contudo, indivíduos com a síndrome da supermemória também utilizam, de forma inconsciente, o lobo frontal esquerdo e o lobo occipital, parte do sistema nervoso central que habitualmente atua sobre a linguagem e que está relacionado ao armazenamento de imagens, respectivamente.

Até o momento foram contabilizadas aproximadamente 20 pessoas com esta condição no mundo todo. Contudo, esta supermemória costuma ser autobiográfica, não auxiliando seus portadores a se saírem melhor em atividades que exigem do intelecto. Em compensação à supermemória, estes pacientes podem apresentar ainda déficit de funções de organização e controle mental, bem como tendências obsessivo-compulsivas.

No final do ano de 2012, foi divulgado na mídia o caso de um jovem inglês com 20 anos de idade, estudante de literatura, chamado Aurelien Hayman, que é capaz de lembrar detalhadamente tudo o que fez, o que usou e o que comeu nos últimos dez anos da sua vida, além de saber precisamente o que foi noticiado e como estava o tempo em cada um dos dias desse período.

A história desse jovem tornou-se tema de documentário que irá ao ar na Grã-Bretanha.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Quer melhorar sua memória?


A memória é uma das funções mais importantes do cérebro humano. Quando ela começa a falhar, surgem diminuições dos rendimentos no trabalho, nos estudos e na vida social. Uma memória forte depende da saúde e vitalidade do cérebro. No entanto, na maioria das vezes essa dificuldade não é causada por doenças cerebrais específicas.

O processo de memorização inicia-se com a percepção de um estímulo que deve ser fixado e depois evocado. Depois de fixar é preciso trazer as lembranças de volta, no processo chamado evocação. Para evocar, o cérebro precisa do rastro da memória, alguma coisa significativa ligada a gravar as coisas e conseguir evocar na hora certa.

O cérebro humano, mesmo na pessoa idosa, tem uma capacidade surpreendente de se adaptar e mudar. Esta capacidade, conhecida como neuroplasticidade, implica em que ele pode formar novas conexões neurais e alterar as já existentes. Essas mudanças podem remodelar a aprendizagem e a memória, em qualquer idade.

Algumas práticas que podem ajudar a memória:

1. A memória, como a força muscular, requer que seja exercitada para ser fortalecida. Quanto mais o cérebro for usado, maior será sua capacidade de processar lembranças. Mas nem todas as atividades são iguais. Os melhores exercícios para o cérebro devem quebrar a sua rotina e levar ao desenvolvimento de novas vias neurais. Uma coisa útil é fazer algo novo como, por exemplo, aprender a tocar guitarra, fazer cerâmica, fazer malabarismos, jogar xadrez, falar francês ou dançar tango, por exemplo. O indivíduo deve começar com um nível fácil de atividade e progredir para um nível mais complexo.

2. O exercício mental é importante para a saúde do cérebro, mas também o exercício físico. Este aumenta a oxigenação do cérebro, aumenta os efeitos de substâncias químicas úteis à saúde cerebral, reduz os hormônios do estresse e desempenha um papel importante na neuroplasticidade. Os exercícios aeróbicos são particularmente bons para o cérebro. O ideal é exercitar-se pela manhã, para limpar o "nevoeiro" do sono.

3. Dormir bem e em quantidade suficiente é importante. Cerca de 95% das pessoas adultas precisa de entre 7,5 a 9 horas de sono todas as noites, a fim de evitar a privação de sono. Com menos tempo, a memória, a criatividade, as habilidades de resolução de problemas e de pensamento crítico ficam comprometidas. O sono é fundamental para a memória porque a consolidação dela ocorre durante os estágios mais profundos do sono. O indivíduo deve procurar ir para a cama na mesma hora todas as noites e levantar-se ao mesmo tempo todas as manhãs. A cafeína, por seu lado, afeta as pessoas de forma diferente. Algumas são altamente sensíveis a ela, e ela pode interferir com o sono durante a noite. Se isso acontecer, o indivíduo deve reduzir ou suprimir completamente sua ingestão, pelo menos a partir das 18 horas de cada dia.

4. Os relacionamentos sociais saudáveis também estimulam o cérebro a preservar uma boa memória. Ter amizades significativas é vital não só para a saúde emocional, mas também para a saúde física do cérebro e um menor declínio da memória.

5. O estresse é um dos piores inimigos do cérebro e da memória. Vários estudos ligam a perda de memória ao estresse. Ao longo do tempo, o estresse crônico destrói as células do hipocampo, envolvidas na formação de novas memórias e na recuperação de velhas recordações. Muitos estudos mostram que a meditação ajuda a melhorar muitas condições psíquicas que afetam a memória, incluindo depressão, ansiedade, dor crônica, diabetes e pressão arterial elevada.

6. O riso é um ótimo remédio para o cérebro e para a memória, bem como para o corpo todo. O riso envolve várias regiões de todo o cérebro, e parece ajudar as pessoas a associarem mais livremente e a recordarem melhor.

7. O cérebro, tanto quanto o corpo, precisa de uma alimentação saudável. Uma boa dieta, além de benefícios para a saúde geral, pode melhorar a memória. Uma dieta saudável não restringe apenas o que comer, mas também o que não comer.

8. O indivíduo deve cuidar de sua saúde geral. Não são apenas a demência ou a doença de Alzheimer que causam perda de memória, mas muitas outras doenças, estados mentais e medicamentos também podem interferir na memória, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, desequilíbrio hormonal, depressão e outras dificuldades emocionais.

9. É importante prestar atenção. Uma pessoa não pode se lembrar de algo que nunca apreendeu e não pode apreender algo se não prestar atenção. Demora cerca de oito segundos de focalização para que a informação recebida seja processada na memória. A pessoa deve procurar associar, numa percepção, tantos sentidos quanto possível, relacionando informações com cores, texturas, odores e gostos. O ato físico de escrever informações pode ajudar a fixar. Ler em voz alta o que se escreveu pode ajudar a lembrar. Outra colaboração é comentar o novo com algo que você já se lembra, relacionando ao novo material. Rechear informações que você já aprendeu com as que está obtendo como novidades. Use métodos mnemônicos para facilitar a memorização.

10. É muito importante trabalhar e estudar em ambientes silenciosos, iluminados e bem organizados. Assim, o estímulo que interessa se destaca e a memorização é facilitada.

11. Fazer uma coisa de cada vez. Procure identificar as prioridades do momento e se desligar momentaneamente do resto.

12. Procure evitar álcool, cigarros e drogas. Todos são inimigos da memória e a longo prazo podem levar a atrofias e/ou isquemias cerebrais e a quadros graves de esquecimentos.

13. A memória é emocionalmente seletiva. As memórias ligadas a emoções positivas são mais facilmente fixadas que as ligadas a emoções negativas.

Algumas outras técnicas de aprimoramento da memória podem ser:

•Repetir, repetir, repetir, de preferência de maneira diferente, a cada vez.

•Tomar notas.

•Organizar mentalmente os dados.

•Visualizar direta ou mentalmente aquilo a ser recordado.

•Colocar num lugar proeminente da casa um objeto associado com o que deve ser recordado.

•Agrupar as coisas a serem recordadas em categorias.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Nutrientes mais apropriados para o tratamento da depressão


Existem evidências crescentes do importante papel da dieta na saúde do cérebro, particularmente em áreas associadas à depressão e demência, segundo apresentou o Dr. Drew Ramsey, professor e médico assistente de psiquiatria, da Columbia University, em uma palestra no Encontro Anual de 2016 da American Psychiatric Association (APA).

Alimentos de origem vegetal estão no topo da escala alimentar do Dr. Ramsey. Para desenvolver esse sistema de perfil nutricional, ele e seus colegas avaliaram a literatura e montaram uma lista do que eles chamam de nutrientes cerebrais essenciais (NCE) que afetam o tratamento e a prevenção da depressão.

Os principais nutrientes incluem os ácidos graxos de cadeia longa ômega 3, magnésio, cálcio, fibras e vitaminas B1, B9, B12, D e E. Além das fontes vegetais, os cientistas procuraram incluir fontes animais, pois alguns nutrientes, como a vitamina B12, são predominantemente encontrados na carne e em outros produtos animais e são absolutamente fundamentais para a saúde cerebral.

Os mecanismos possíveis pelos quais esses alimentos podem melhorar o funcionamento do cérebro incluem estabilização da membrana neuronal e efeitos anti-inflamatórios.

Além dos vegetais de folhas verdes, os pesquisadores destacaram a importância do consumo de vísceras, carnes, castanhas (nozes e amendoins), mariscos (mexilhões, mariscos, ostras), moluscos (polvo, lula, caramujo) e peixes (salmão e sardinhas). Embora seja recomendado que os pacientes comam cerca de 250-350 gramas de peixe por semana, é importante escolher peixes que tenham pouco mercúrio, limitando o consumo de cação e peixe-espada.

Os pesquisadores planejam a publicação dessa pesquisa, segundo o Dr. Ramsey, pois assim poderão contribuir com um novo conjunto de ferramentas para ajudar no tratamento e na prevenção de certas doenças mentais.



Fonte: Encontro Anual da American Psychiatric Association (APA) de 2016, apresentado em 17 de maio de 2016

sábado, 17 de dezembro de 2016

Terror Noturno


O pavor noturno (ou pânico noturno ou terror noturno) é uma parassonia (distúrbio do sono) que começa com manifestações de intenso medo ainda durante o dormir, culminando em um despertar abrupto com um grito de pânico e respiração rápida, como se a pessoa estivesse vendo algo terrorífico.

Cada episódio habitualmente se inicia durante a primeira parte do sono e dura poucos minutos. Depois de acordar, a pessoa de nada se recorda ou apenas se recorda de alguns poucos fragmentos do episódio. Pode acontecer que mesmo o intervalo em que a pessoa fica acordada pode ser apagado junto com o pesadelo e, assim, é comum que no dia seguinte a pessoa não lembre do evento ocorrido.

O terror noturno é diferente do pesadelo, uma vez que este acontece a qualquer pessoa, nas últimas horas do sono e a permite se lembrar do que estava sonhando. O terror noturno, ao contrário, ocorre nas primeiras fases do sono, é mais comum nas crianças e, apesar de mais dramático, geralmente não se lembra do acontecido.

As causas do terror noturno ainda não são bem conhecidas. Contudo, sabe-se que a ansiedade extrema, o estresse e os conflitos conscientes ou inconscientes são fatores facilitadores. Em crianças, a precipitação de eventos traumáticos, a febre e os distúrbios emocionais podem ter um papel fundamental no desencadeamento do problema.

Há algumas teorias biológicas do terror noturno que postulam uma imaturidade do sistema nervoso como uma possível causa, mas ela ainda não foi comprovada.

O pavor noturno consiste em ataques de terror agudo emergindo do sono profundo após o primeiro período de sono REM, acompanhado por violentos movimentos corporais, agitação extrema, gritos, gemidos, falta de ar, suor, confusão mental, fuga da cama ou do quarto em alguns casos, comportamento destrutivo e agressão dirigida a objetos ou contra si próprio ou outras pessoas, podendo resultar em ferimentos, fraturas e lesões.

Durante um ataque de terror noturno, existe uma superativação do sistema nervoso simpático, incluindo dilatação das pupilas, sudorese, grande aumento da frequência respiratória e cardíaca e aumento da pressão arterial. Há uma baixa ou nenhuma responsividade relativa aos esforços para confortar a pessoa durante o episódio.

Em momentos mais estressantes os episódios podem ocorrer com maior frequência, várias vezes por semana.

O diagnóstico do terror noturno é realizado pela descrição comportamental dos episódios feita por outras pessoas e pelos sintomas queixados pelo próprio paciente.

Geralmente o pavor noturno não demanda tratamento medicamentoso. Neste, como todos os outros distúrbios do sono, a regularidade nos horários de dormir e despertar contribui muito para a solução do problema. Por outro lado, os alimentos gordurosos ou os de difícil digestão e as bebidas ou medicamentos que causem estimulação do sistema nervoso devem ser evitados.

Uma psicoterapia de longo prazo frequentemente é necessária. O tratamento também deve ter como objetivo proteger o paciente de possíveis danos contra ele mesmo e contra as demais pessoas.

O pavor noturno é mais comum nas crianças e pode levar anos para desaparecer, podendo mesmo não desaparecer completamente. No entanto, o mais comum é que os episódios de terror noturno desapareçam à medida que a criança cresce.

Não há como prevenir absolutamente a ocorrência do pavor noturno, mas sua ocorrência pode ser diminuída por meio de uma boa higiene do sono e seus efeitos danosos podem ser evitados ou diminuídos por meio de algumas providências: o quarto de dormir deve ficar desobstruído, as grades na cama devem ser acolchoadas, as janelas devem estar firmemente fechadas e é importante que a pessoa tenha fácil acesso à iluminação.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Seu filho fala dormindo?


O sonilóquio é uma parassonia benigna caracterizada pela fala que ocorre durante o sono. Por sua vez, parassonias são desordens do sono que envolvem anormalidades que ocorrem ao dormir nos movimentos, comportamentos, emoções, percepções e sonhos.

O sonilóquio é mais comum nas crianças e se refere ao falar durante o dormir, indo desde murmúrios e falas inteligíveis ou não, até gritos.

O sonilóquio pode ocorrer sem causa aparente ou ser consequência de uma desordem do sono conhecida, como distúrbio de comportamento no sono REM, sonambulismo, terror noturno e transtornos alimentares relacionados ao sono. Há alguns fatores que contribuem para desencadear o sonilóquio nas pessoas predispostas, tais como privação de sono, estresse, consumo de álcool e sonolência diurna. Se o sonilóquio for dramático e emocional, geralmente é sinal de outra desordem do sono associada.

O sonilóquio ocorre durante saídas transitórias do sono REM ou na saída dele e as palavras faladas no sonho são ditas em voz alta. O falar dormindo é uma ocorrência muito comum, relatada por cerca de 50% dos pais de crianças pequenas. Após a puberdade, essa taxa cai significativamente e na vida adulta é de cerca de 4% ou menos.

As pessoas que são acordadas logo após um sonilóquio geralmente não se dão conta de terem falado, nem se lembram do que disseram. No entanto, com bem menor frequência, a pessoa pode conservar-se consciente quanto ao que se passou. Isso depende do estágio do sono em que o sonilóquio terá ocorrido. Durante os estágios não-REM o indivíduo não se lembrará de nada e despertará confuso. Já no estágio REM, ele se recordará e irá saber sobre quais assuntos foi questionado.

O falar dormindo por si só é inofensivo, mas pode ser tão alto que acorde os parceiros de sono e, dependendo do seu conteúdo, pode causar constrangimentos ao próprio indivíduo ou às outras pessoas. A altura da voz e a intensidade e complexidade das construções de frases são muito variáveis. Muitas vezes o tom de voz do indivíduo é diferente de sua voz normal.

O sonilóquio (falar dormindo) pode ocorrer várias vezes durante o sono. Quem escuta pode ser capaz ou não de compreender o que a pessoa com sonilóquio está dizendo, mas a própria pessoa não tem controle sobre o que fala, nem lembranças posteriores do que foi falado. O sonilóquio normalmente é curto (dura apenas alguns segundos), mas existem casos em que a pessoa fala e murmura durante horas, sem parar. Em alguns casos, o paciente pode estabelecer um diálogo de frases simples, estereotipadas e com relativa concisão de ideias.

O reconhecimento do sonilóquio depende de que outras pessoas relatem ouvir o indivíduo em causa falar durante o sono, uma vez que a própria pessoa quase nunca tem consciência do fato. Para quem dorme ao lado, contudo, a situação pode ser divertida, embaraçosa, constrangedora ou incômoda. Durante um episódio de sonilóquio o indivído pode, inclusive, fazer revelações que na vigília considera sigilosas.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Será que os antidepressivos estão sendo mais prescritos do que o necessário?


Antidepressivos são medicamentos que atuam no Sistema Nervoso Central, com vistas a normalizar o estado do humor, quando ele se encontra rebaixado por uma depressão. Esses medicamentos não atuam elevando o estado normal do humor, no que se distinguem dos psicoestimulantes, nem sobre as depressões reativas a intempéries da vida.

As doenças depressivas são consequência de modificações da transmissão neuroquímica entre os neurônios em áreas do sistema nervoso que regulam o estado do humor. Os antidepressivos procuram corrigi-las. Ao contrário dos psicoestimulantes eles não produzem dependência. Em geral, a ação terapêutica dos antidepressivos é relativamente lenta, de cerca de quinze dias, em média, mas a recuperação pode tardar um mês ou mais.

Ultimamente, o conceito de depressão se alargou muito e com isso o uso de antidepressivos disparou ao longo das últimas duas décadas. Os motivos para isso são:

1.O conceito de depressão tem sido aplicado com muita liberalidade. A depressão está sendo diagnosticada em excesso, sem satisfazer o descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).

2.Os meios de comunicação veiculam propagandas que promovem antidepressivos.

3.A população tem pedido, cada vez mais, medicamentos antidepressivos a seus médicos. Simples insatisfações com a vida ou a dificuldade de lidar com elas estão sendo incluídas no diagnóstico de depressão e erroneamente se tornando motivo para o uso de antidepressivos.

Para se ter uma ideia desses exageros, basta a constatação de que uma em cada quatro mulheres americanas na faixa entre 40 e 50 anos toma antidepressivos!

O diagnóstico de depressão passou a abranger um espectro muito amplo de ocorrências psicológicas, mas somente umas poucas entre elas seriam verdadeiramente tributárias ao uso de medicações. Uma reação normal, passageira, de decepção ou perda, não deve ser tratada com medicação mas, se for o caso, com psicoterapia. Num consultório de clínica geral as genuínas “depressões-doenças” são extremamente raras. No entanto, todos os indivíduos diagnosticados com “depressão”, mesmo sem um motivo plausível, recebem medicação antidepressiva. Observe-se ainda que quase sempre essas receitas partem de clínicos gerais ou especialistas que não receberam nenhum treinamento em saúde mental.

Não há um teste de laboratório capaz de diagnosticar a verdadeira depressão e a necessidade de um antidepressivo. O diagnóstico da depressão é uma tarefa inerentemente subjetiva, com base nos sintomas, na história clínica e na observação. Uma verdadeira depressão, contudo, exibe sintomas muito nítidos:

1.Ausência de fatores causais vivenciais. Ela pode acontecer inclusive “quando tudo está muito bem”.

2.Presença de tristeza profunda, expressa corporalmente.

3.Falta de interesse mesmo pelas coisas que antes entusiasmava o paciente.

4.Sintomas que prejudicam o funcionamento cotidiano do paciente, como ganho ou perda de peso, alterações do sono, lentificação das reações, fadiga e pouca energia.

5.Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva.

6.Dificuldade de concentração.

7.Pensamentos recorrentes de morte que às vezes se realizam sob a forma de suicídio.

É preciso, pois, distinguir verdadeiras depressões de meras reações depressivas. Enquanto as primeiras têm uma base bioquímica cada vez mais bem conhecida e costumam responder espetacularmente aos antidepressivos, as outras não o fazem e devem, no máximo, ser tratadas com uma abordagem psicológica adequada. Em muitos casos, a eficácia dos antidepressivos receitados não passa daquela dos efeitos placebos.

Os antidepressivos geram efeitos colaterais incômodos e alguns podem levar a reações graves e mesmo fatais. Assim, eles podem causar disfunção sexual, dependência e síndrome de privação (pouco comum), mania/hipomania, suicídio após o início da terapia, aumento no tempo de sangramento do paciente, boca seca devido à redução do fluxo salivar, aumento na secreção de prolactina, perda de apetite, constipação intestinal e síndrome serotoninérgica.

Além disso, os antidepressivos inibidores da monoaminoxidase, quando associados a outros antidepressivos ou a certos alimentos que contenham tiramina (queijos envelhecidos, vinhos, chope, pão de queijo, casca de banana, salames, presuntos, linguiças, mortadelas, patês, panetones, etc.), podem desencadear crises hipertensivas e todas as consequências delas, como acidentes cardíacos ou neurológicos. Alguns outros remédios, como descongestionantes e antigripais, também devem ser evitados pelos mesmos motivos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Síndrome de Tourette


A síndrome de Tourette, também conhecida por doença de Gilles de la Tourette, é um transtorno caracterizado por diversos tiques motores e pelo menos um tique vocal. Estes tiques se manifestam desde a infância e têm remissões e recidivas periódicas, podendo ser suprimidos temporariamente.

Anteriormente, a síndrome de Tourette era considerada rara e bizarra porque se exigia dela que fosse associada à vocalização de termos obscenos (coprolalia) ou afirmações e impulsos depreciativos, socialmente impróprios; mas, na verdade, este sintoma se manifesta apenas numa pequena minoria de pessoas com a doença. Atualmente, a síndrome de Tourette já não é considerada tão rara, embora nem sempre seja corretamente identificada, uma vez que a maior parte dos casos é moderada e a gravidade dos tiques diminui à medida que a pessoa atravessa a adolescência e vai se tornando adulta.

A denominação de síndrome de Tourette foi dada por Charcot em homenagem ao médico francês Gilles de la Tourette que publicou em 1885 um relato de nove casos da doença, embora a condição já fosse conhecida.

Fatores genéticos e ambientais desempenham um papel na causa desta síndrome, embora se desconheçam as causas precisas da doença.

Os tiques ocorrem com maior frequência nas crianças em idade escolar e os mais comuns são piscar os olhos, tossir, limpar a garganta, fungar e fazer determinados movimentos faciais, os quais, eventualmente, se tornam crônicos. Porém, no decorrer da vida adulta, frequentemente, os sintomas vão aos poucos se amenizando e diminuindo.

A síndrome de Tourette não afeta a inteligência ou a expectativa de vida. Os tiques podem se manifestar em qualquer parte do corpo (barriga, nádegas, pernas, braços, etc.), mas são mais frequentes no rosto e na cabeça.

Os comportamentos obsessivos compulsivos que podem se associar à síndrome de Tourette ocorrem em cerca de 50% dos casos. Outros sofrimentos psíquicos que têm se mostrado abundantes são os distúrbios do sono, a ansiedade e a depressão. Outros aspectos comportamentais são comportamentos opositivos, agressivos, regressivos, impulsivos; incapacidade de autorregulação, autocrítica e adaptação; intolerância à tensão; incapacidade de controle e liberação dos impulsos e instintos primitivos. Os sintomas da síndrome de Tourette ocorrem involuntariamente.

Raramente uma pessoa que sofre dessa condição consegue controlar seus tiques e jamais por períodos prolongados de tempo. Alguns tiques fônicos involuntários presentes na síndrome podem ser leigamente rotulados como "gagueira". A reação de muitas pessoas à síndrome é de reprovação, especialmente, quando a pessoa é afetada com gagueira e coprolalia.

O diagnóstico da síndrome de Tourette é eminentemente clínico. Os critérios estabelecidos pelo DSM-IV-TR são:

1.Múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais.
2.Os tiques ocorrem muitas vezes ao dia, quase todos os dias, ou intermitentemente durante um período de mais de um ano.
3.A perturbação causa acentuado sofrimento ou prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
4.O início dá-se antes dos 18 anos de idade.
5.A perturbação não se deve aos efeitos diretos de uma substância ou a uma condição médica geral.

Não existem tratamentos eficazes para todos os casos de tiques, mas alguns medicamentos e terapias podem ajudar, sintomaticamente. Na maior parte dos casos, não é necessária qualquer medicação. A educação é uma parte importante do tratamento e muitas vezes suficiente enquanto terapêutica.

Pode haver comorbidades como gagueira, transtorno de déficit de atenção, transtorno obsessivo compulsivo, entre outros, que causam maiores transtornos funcionais ao indivíduo do que os próprios tiques.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mudanças na estrutura do cérebro durante a adolescência fornecem pistas para o aparecimento de problemas mentais futuros


Cientistas da University of Cambridge e da University College London mapearam as mudanças estruturais que ocorrem nos cérebros dos adolescentes e como elas se desenvolvem, através de ressonância magnética, mostrando como essas mudanças podem ajudar a explicar porque os primeiros sinais de problemas de saúde mental muitas vezes surgem na adolescência.

Os pesquisadores estudaram a estrutura do cérebro de quase 300 indivíduos, com idades entre 14 e 24 anos. Ao comparar a estrutura do cérebro de adolescentes de diferentes idades, descobriram que durante este importante período de desenvolvimento, as regiões exteriores do cérebro, conhecidas como córtex, diminuem de tamanho, tornando-se mais finas. No entanto, conforme isso acontece, os níveis de mielina - a bainha que "isola" as fibras nervosas, sendo o que lhes permite comunicar de forma eficiente - aumentam no interior do córtex.

Anteriormente, pensava-se que a mielina estava principalmente na chamada "matéria branca", o tecido cerebral que conecta áreas do cérebro e permite que a informação seja comunicada entre as regiões cerebrais. No entanto, neste novo estudo, os investigadores mostraram que ela também pode ser encontrada no interior do córtex, a "matéria cinzenta do cérebro”, e que os níveis aumentam durante a adolescência. Em particular, o aumento de mielina ocorre nas “áreas de associação cortical”, regiões do cérebro que agem como centros ou pólos, principais pontos de ligação entre as diferentes regiões da rede cerebral.

O Dr. Kirstie Whitaker, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, principal autor do estudo, disse que durante a adolescência, nossos cérebros continuam a se desenvolver. Quando ainda somos crianças, essas mudanças podem ser mais dramáticas, mas na adolescência elas se refinam em detalhes. Os pólos que conectam diferentes regiões estão se fixando em seus lugares, uma vez que as conexões se fortalecem. Os cientistas acreditam que estes são os lugares onde a mielina aumenta na adolescência.

Os pesquisadores compararam estas medidas de ressonância magnética ao Allen Brain Atlas, que mapeia as regiões do cérebro através da expressão dos genes - os genes que estão "ligados" a determinadas regiões. Eles descobriram que essas regiões do cérebro que apresentaram as maiores mudanças na ressonância magnética durante a adolescência foram aquelas em que genes ligados ao risco de esquizofrenia foram mais fortemente expressos.

A adolescência pode ser um período de transição difícil e é quando se costuma ver os primeiros sinais de distúrbios mentais, como esquizofrenia e depressão. Este estudo aponta para o fato de que, durante esses anos de adolescência, essas regiões do cérebro, que têm o elo mais forte para os genes de risco da esquizofrenia, estão a se desenvolver mais rapidamente.

O estudo foi financiado pela Strategic Award do Wellcome Trust para o Neuroscience in Psychiatry Network (NSPN) Consortium.


sábado, 11 de junho de 2016

Exame de sangue pode prever resposta ao tratamento de pacientes com depressão


O aumento dos níveis de inflamação já foi associado a uma menor resposta aos antidepressivos em várias amostras clínicas, mas estas descobertas haviam sido limitadas pela baixa reprodutibilidade dos ensaios com biomarcadores através de laboratórios, dificuldade em prever a probabilidade de resposta em uma base individual e devido aos poucos esclarecimentos sobre os mecanismos moleculares envolvidos.

Neste trabalho, os cientistas mediram os valores absolutos de dois biomarcadores no RNAm (quantificação confiável do número de moléculas), o Fator Inibitório da Migração de Macrófagos e a Interleucina-1β, a partir de uma amostra de um estudo randomizado e controlado, comparando o escitalopram versus a nortriptilina. Em seguida, usaram análise discriminante linear para calcular valores de corte do RNAm que melhor discriminassem entre respondedores e não respondedores após 12 semanas de tratamento com os antidepressivos.

Foram identificados valores de corte para as medidas absolutas no RNAm que previram com precisão a probabilidade de resposta numa base individual, com valores preditivos positivos e especificidade para não respondedores de 100% em ambas as amostras (valor preditivo negativo de 82% a 85%, sensibilidade de 52% a 61%).

Usando a análise de redes, identificou-se diferentes conjuntos de metas para estas duas citocinas: o Fator Inibitório da Migração de Macrófagos interagindo predominantemente com caminhos envolvidos na neurogênese, neuroplasticidade e proliferação celular e a Interleucina-1β interagindo predominantemente com vias envolvidas no complexo inflamatório, estresse oxidativo e neurodegeneração.

Concluiu-se que estes dados fornecem uma abordagem clinicamente adequada para a personalização da terapia com antidepressivos, ou seja, pacientes que têm valores absolutos no RNAm acima dos pontos de corte poderiam ser direcionados para um acesso antecipado às estratégias mais assertivas com antidepressivos, incluindo a adição de outros antidepressivos ou anti-inflamatórios ao tratamento da depressão.



Fonte: International Journal of Neuropsychopharmacology, publicação online, de 11 de maio de 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Demência avançada


Demência é uma doença progressiva e incurável. O último ano de vida é caracterizado pela deterioração gradativa de múltiplas funções fisiológicas e cognitivas.

Um estudo que acompanhou, durante 18 meses, 323 pacientes com demência avançada internados em “casas de repouso”, revelou que a mediana de sobrevida foi de 1,3 ano.

As complicações clínicas mais prevalentes foram: dificuldade de alimentação (86% dos pacientes), quadros febris (53%) e pneumonias (41%).

É difícil calcular a expectativa de vida do doente. Para orientar médicos, cuidadores e familiares foram organizadas as tabelas abaixo. A tabela 1 coloca em ordem crescente a perda das funções fisiológicas e cognitivas. Na tabela 2, estão as condições clínicas mais prevalentes na demência avançada.

Tabela 1: Estágios funcionais

Estágio 1: Nenhuma dificuldade subjetiva ou objetiva

Estágio 2: Queixas subjetivas de esquecimento

Estágio 3: Redução da capacidade de trabalho evidente aos colegas e dificuldade de viajar para locais novos

Estágio 4: Dificuldade para realizar tarefas complexas (bancárias, jantares para amigos, etc.)

Estágio 5: Requer assistência para escolher as roupas adequadas à ocasião

Estágio 6a: Não consegue vestir-se sem ajuda ocasional ou frequente

Estágio 6b: Não consegue tomar banho sem ajuda ocasional ou frequente

Estágio 6c: Não consegue usar o banheiro sem ajuda ocasional ou frequente

Estágio 6d: Incontinência urinária ocasional ou frequente

Estágio 6e: Incontinência fecal ocasional ou frequente

Estágio 7a: Fala limitada a menos de seis palavras inteligíveis, no decorrer de um dia típico

Estágio 7b: Fala limitada a uma palavra inteligível no decorrer de um dia típico

Estágio 7c: Incapaz de andar sozinho

Estágio 7d: Incapaz de sentar-se sozinho

Estágio 7e: Incapaz de sorrir

Estágio 7f: Incapaz de segurar a cabeça

Tabela 2: Complicações clínicas nos últimos 12 meses

1) Pneumonia por aspiração

2) Pielonefrite e outras infecções do trato urinário superior

3) Sepse

4) Febre recorrente resistente aos antibióticos

5) Múltiplas úlceras de decúbito

6) Alimentação ou hidratação insuficiente para manter a vida (no caso de alimentação por sonda: perda de peso >10% nos últimos 6seis meses ou albumina no sangue <2,5 g/dL) Obs: Os estudos não mostram benefícios da alimentação por sonda. As diretrizes do Medicare americano estimam que ao atingir o estádio 7c da tabela 1, os pacientes que já apresentaram pelo menos duas das complicações previstas na tabela 2, tenham menos de seis meses de sobrevida. fonte: Dr. Dráusio Varella.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dificuldades escolares: pode ser dislexia?


A dislexia ou alexia adquirida é um transtorno de leitura caracterizado por problemas não relacionados à inteligência geral. A dislexia é a dificuldade de aprendizagem mais comum, afetando 3 a 7% da população, mas estima-se que até 20% das pessoas podem ter algum grau de dislexia não percebida. Os problemas podem incluir dificuldades de soletrar palavras, leituras rápidas e desatentas, dificuldades de escrever palavras ou de pronunciar palavras durante a leitura e dificuldades de compreender o que se lê.

A "Dyslexia Association", da Inglaterra, descreve a dislexia como uma dificuldade de aprendizagem que afeta principalmente as habilidades envolvidas na leitura de palavras precisas e é caracterizada por dificuldades de consciência fonológica, memória verbal e velocidade de processamento verbal. A condição foi identificada pela primeira vez em 1881.

Muitas vezes, essas dificuldades são notadas na escola ou quando alguém que anteriormente podia ler sem problemas perde essa capacidade. As pessoas são afetadas em diferentes graus. As dificuldades são involuntárias e as pessoas com este transtorno têm um autêntico desejo de se corrigir.

A dislexia é considerada um distúrbio cognitivo e não um problema de inteligência. Acredita-se que a causa da dislexia tanto se deva a fatores genéticos quanto ambientais. Muitos casos apresentam uma incidência familiar; outros ocorrem em pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e são associados a dificuldades similares com números. Alguns casos podem começar na idade adulta, como resultado de lesão traumática do cérebro, acidente vascular cerebral ou demência.

Os mecanismos subjacentes à dislexia são problemas dentro do processamento de linguagem do cérebro. Alguns investigadores têm tentado associar os obstáculos comuns entre os disléxicos ao desenvolvimento anormal de suas células nervosas visuais. Técnicas modernas têm mostrado diferenças funcionais e estruturais nos cérebros de crianças com dificuldades de leitura. Um papel interativo do cerebelo e córtex cerebral, bem como outras estruturas cerebrais, tem sido apontado. No entanto, a teoria do cerebelo não é inteiramente apoiada por estudos de investigações controladas. Investigações sobre as causas genéticas da dislexia têm sido feitas em autópsias post-mortem.

A dislexia é mais frequentemente diagnosticada em homens, mas tem sido sugerido que ela afeta igualmente homens e mulheres. Na infância, ela se expressa por demora em iniciar a fala, dificuldade de distinguir entre esquerda e direita, dificuldades com a direção e distração fácil por ruídos de fundo. A inversão de letras ou palavras e a escrita em espelho por vezes são observadas em pessoas com dislexia, mas não são considerados como características da desordem.

Os transtornos da dislexia e do déficit de atenção e hiperatividade comumente ocorrem em conjunto. As crianças disléxicas podem ter dificuldade em identificar ou gerar palavras que rimam ou contar o número de sílabas numa palavra. Elas também podem apresentar dificuldades na segmentação das palavras em sons individuais ou podem misturar sons ao produzir palavras, indicando reduzida consciência fonêmica.

Dificuldades de nomear as coisas também podem estar associadas com a dislexia. Os disléxicos têm dificuldades de soletrar, um problema chamado às vezes de disortografia ou disgrafia. A dislexia pode persistir na adolescência e idade adulta e acompanhar dificuldades como resumir histórias, memorização, leitura em voz alta ou aprendizagem de línguas estrangeiras. Os disléxicos adultos muitas vezes podem ler com boa compreensão, embora tendam a ler mais lentamente do que as demais pessoas e a ter um desempenho pior em testes de ortografia ou ao ler palavras sem sentido. A dislexia é frequentemente acompanhada por disgrafia (dificuldades com a escrita ou de digitação), transtorno de hiperatividade do déficit de atenção, distúrbio do processamento auditivo e dispraxia (dificuldade na realização de tarefas rotineiras).

A dislexia geralmente é diagnosticada pelo psicopedagogo através de uma série de testes de memória, ortografia, visão e leitura. Ela deve ser distinguida das dificuldades de leitura causadas por um ensino insuficiente e de problemas de audição ou de visão.

O tratamento da dislexia envolve a adaptação dos métodos de ensino para atender às necessidades da pessoa atingida. Se houver problemas subjacentes eles devem ser tratados para diminuir o grau dos sintomas. Através da utilização de terapia e apoio educacional, os disléxicos podem aprender a ler e escrever. Existem técnicas que ajudam a gerenciar os sintomas da doença. A remoção do estresse e da ansiedade só por vezes melhora a compreensão da escrita. A intervenção deve ser o mais precoce possível, enquanto as áreas de linguagem do cérebro ainda estão em desenvolvimento.

As crianças disléxicas requerem instrução especial desde tenra idade. No entanto, existem técnicas que podem ajudar os disléxicos a entender melhor a escrita. O prognóstico, em geral, é positivo para as pessoas identificadas na infância.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Transtornos de Défict de Atenção com Hiperatividade


A característica básica deste transtorno é a falta de persistência em atividades que requeiram atenção. Essas crianças tentam fazer várias coisas ao mesmo tempo e além de não acabarem nada, deixam tudo desorganizado.

Este problema incide mais sobre meninos do que sobre meninas, sendo detectável em torno dos cinco anos de idade, ou antes, na maioria das vezes.

O diagnóstico fica mais fácil depois que a criança entra para a escola, porque aí a comparação com outras crianças é natural, evidenciando-se o comportamento diferente.

Mesmo aquelas crianças consideradas muito inquietas antes de entrarem para o colégio, podem ficar comportadas e participativas; somente as crianças com algum transtorno não se adaptam.

Os três aspectos fundamentais são a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade. A desatenção é caracterizada pela dificuldade de prestar atenção a detalhes ou errar por descuido em atividades escolares, dificuldade de manter a atenção mesmo nos jogos ou brincadeiras. A criança muitas vezes aparenta não escutar quando lhe dirigem a palavra, não seguir as instruções dadas e não terminar as tarefas propostas, dificuldade em organizar-se e evitação de atividades que exijam concentração, perda constantes de materiais próprios por distrair-se com facilidade perante estímulos alheios.

A hiperatividade caracteriza-se pelo constante mexer-se na cadeira, balançar as mãos e pés constantemente, abandonar a cadeira quando se esperava que permanecesse sentado, correr, escalar em demasia ou em situações onde isso seria inapropriado, falar em demasia, dificuldade de envolver-se silenciosamente em situações ou brincadeiras, dificuldade de permanecer realizando atividades mesmo que da preferência da criança como as atividades de lazer escolhidas por ele, dar a impressão de que está "sempre a mil".

A impulsividade caracteriza-se por dar respostas precipitadamente mesmo antes da pergunta ter sido completada, meter-se ou interromper as atividades dos outros e ter dificuldade de esperar a sua vez.

Crianças com déficit de atenção e hiperatividade costumam ser impulsivas e propensas a se acidentarem. Não tomam cuidado consigo mesmas nem com os outros, são socialmente desinibidas, sem reservas e despreocupadas quanto às normas sociais. Podem ser impopulares com outras crianças e acabam isoladas, sem se importarem aparentemente com isso.

Como resultado da falta da persistência da atenção se atrasam no colégio e no desenvolvimento da linguagem. A hiperatividade torna-se aparente quando numa turma da mesma idade todos colaboram e a criança hiperativa acaba tendo que ser retirada por impedir o prosseguimento da atividade. Essas crianças obviamente não sabem o que se passa com elas mesmas, por isso não se justificam e ficam sendo consideradas problemáticas, indisciplinadas, mal-educadas e despertam antipatias entre as pessoas responsáveis pelos seus cuidados.

A desatenção, a impulsividade e a hiperatividade podem resultar de problemas na vida dessas crianças e não necessariamente ser causada pelo déficit de atenção com hiperatividade, principalmente quando apenas parte dos sintomas estão presentes ou quando não se manifestam o tempo todo.

O déficit de atenção se manifesta continuamente. Uma criança que se comporte inadequadamente dentro das características citadas somente em casa ou somente na escola possivelmente encontra problemas nesses locais e não apresenta o transtorno de déficit de atenção. Sistemas educacionais inadequados e problemas conjugais são as primeiras coisas a serem analisadas. Portanto, o contexto onde a criança vive além dos sintomas devem sempre ser considerados para o diagnóstico.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Não existe cérebro masculino ou feminino


Um estudo com centenas de imagens de cérebros de homens e mulheres não encontrou provas de que exista um cérebro masculino e outro feminino. Embora haja algumas diferenças anatômicas em determinadas áreas em função do sexo, estas não permitem dividir os humanos em duas categorias. Na verdade, o cérebro de cada um é um mosaico com elementos tanto femininos quanto masculinos.

Ideias como a da inteligência emocional e best-sellers recentes como O Cérebro Feminino ou, no século passado, a saga Os Homens São de Marte, as Mulheres São de Vênus, alimentaram a tese do dimorfismo sexual do cérebro.

Se há diferenças entre homens e mulheres em outras partes da sua anatomia, em especial os genitais, por que não haveria no cérebro? E, se existe no que é físico, ou seja, no cérebro, também deve existir no que é essencial, a mente.

Entretanto, não há provas de que, do ponto de vista da matéria cinzenta, da matéria branca, das conexões neuronais e da espessura do córtex cerebral, o cérebro de uma mulher e de um homem sejam diferentes pelo simples fato de seu sexo ser distinto. As provas, aliás, apontam para o contrário. Em um dos maiores estudos já feitos, um grupo de pesquisadores israelenses, alemães e suíços comparou a anatomia de 1.400 cérebros de homens e mulheres para concluir que, mais do que duas categorias, o que existe é um mosaico cerebral.

"Na genitália, há diferenças segundo o sexo que vão se somando até criar dois tipos, as genitálias masculinas e as genitálias femininas”, diz Daphna Joel, pesquisadora da Universidade de Tel Aviv e principal autora do estudo “Cerca de 99% das pessoas têm genitálias masculinas ou femininas, e só algumas poucas têm órgãos genitais cuja forma está entre as formas masculina e feminina, ou têm alguns órgãos com a forma masculina e outros com a feminina. São os que chamamos intersexuais”, acrescenta.

Entretanto, o hermafroditismo cerebral é a norma, e os cérebros 100% masculinos ou femininos são a exceção. “Na verdade, o que existem são muitos tipos de cérebros”, afirma Joel. “Além disso, o tipo de cérebro que só apresenta características mais prevalentes nos homens do que nas mulheres é muito raro, tão raro como o tipo de cérebro com um perfil em que predomine entre as mulheres”, acrescenta.

Para sustentar essas afirmações, Joel e seus colegas recolheram imagens do cérebro de voluntários de vários projetos científicos. Além da heterogeneidade da amostra (um total de 1.400 pessoas), sua pesquisa recém-publicada na PNAS dispõe de uma força adicional. As imagens neurológicas foram obtidas com tecnologias e métodos diversificados, para evitar distorções. Enquanto algumas determinam melhor a espessura do córtex cerebral, outras registram a estrutura e dimensões das diferentes áreas do cérebro.

Um dos estudos, por exemplo, baseou-se em imagens do cérebro de quase 300 pessoas (169 mulheres e 112 homens). Usando a técnica conhecida como morfometria baseada no voxel (VBM, na sigla em inglês), foi possível determinar o volume de matéria cinzenta de 116 áreas do cérebro.

“Não há nenhuma região em nossas amostras que revele uma clara distinção entre uma forma masculina e uma forma feminina, ou seja, que se apresente de forma evidente apenas nos homens ou apenas nas mulheres”, destaca Joel. “Na realidade, há um alto grau de superposição entre mulheres e homens em todas as regiões estudadas”, acrescenta. Ainda assim, apontaram as 10 zonas que apresentaram maior contraste em função do gênero. Foi o caso dos dois lados do giro frontal superior, do núcleo caudado e dos dois hemisférios do hipocampo, todos com uma diferenciação inferior ao nível estatisticamente significativo.

Com essas 10 áreas foi possível criar uma espécie de contínuo do extremo masculino ao extremo feminino. O cérebro de apenas 1% dos homens e 10% das mulheres caía em cada extremo, e um terço das pessoas tinha cérebros anatomicamente intermediários. Os exames foram repetidos com outras amostras de pessoas e tecnologias, como a de imagem por tensores de difusão, com a qual se pode estabelecer a conectividade entre as diferentes zonas cerebrais. Em todas elas, os resultados foram similares.

“A maioria dos humanos tem cérebros compostos por mosaicos de características que os tornam únicos, algumas são mais comuns entre as mulheres em comparação aos homens, e outras são mais comuns nos homens em relação às mulheres, e há ainda outras que são comuns a homens e mulheres”, comenta a pesquisadora israelense.

As teorias sobre a diferenciação sexual no cérebro ganharam força em meados do século passado. Mas, como comenta o pesquisador Xurxo Mariño, da Neurocom e da Universidade de Coruña, “esses trabalhos se centraram na sexualidade, em especial no estudo da emergência da homossexualidade”. Alguns se empenharam em encontrar anomalias anatômicas que a explicassem, e encontraram algumas, como o menor tamanho de uma estrutura cerebral chamada estria terminal nas mulheres e também nos homens transexuais. Mas boa parte daquela ciência partia da ideologia.

Os estudos na época se baseavam em questionários, não em observações diretas do cérebro e suas diferenças anatômicas. Isso é algo que só a moderna tecnologia de imagens neurológicas está permitindo. Ainda assim, recorda Mariño, “já em 1948 houve quem falasse mais de um contínuo cerebral do que de categorias dicotómicas”. Foi o biólogo Alfred Kinsey quem, com sua escala sobre a orientação sexual, antecipou-se ao estudo atual.

Fonte: "El País"

sábado, 22 de agosto de 2015

Testes de personalidade


O termo personalidade é usado na linguagem comum em várias direções diferentes, frequentemente com o sentido de "conjunto das características marcantes de uma pessoa".

No sentido em que o tomamos aqui, personalidade é o conjunto das características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir de cada pessoa.

Assim, essa definição destaca a singularidade da pessoa e seu modo único de compreender a vida e de agir e reagir diante de fatos da realidade, como estudar, trabalhar, conviver etc., ou seja, a individualidade pessoal e social do indivíduo.

Testes de personalidade são testes aplicados por psicólogos por meio de perguntas ou testes gráficos com a finalidade de revelarem traços inatos e adquiridos da personalidade do indivíduo, muitas vezes não conhecidos ou não relatados por ele próprio e que indicam seu caráter e temperamento.

Traços de personalidade são características marcantes da pessoa, os quais a distingue dos demais indivíduos e que determinam como ela age e reage a diferentes situações.

Para que os resultados possam ser adequadamente valorados, os testes psicológicos devem ser aplicados em uma situação padronizada e constante, que inclua o material empregado, as instruções oferecidas, o local da aplicação, etc.

Em todo o mundo, as maiores empresas incluem testes psicológicos de personalidade entre seus processos de seleção.

A finalidade de um teste de personalidade consiste em avaliar e medir as características psicológicas de uma pessoa, bem como o comportamento dela em diferentes ocasiões.

Os testes de personalidade podem ser utilizados com finalidade de ajuda diagnóstica de determinados estados mentais e para verificar as habilidades e limitações de pessoas em relação a certas atividades como dirigir, pilotar, etc.

Atualmente eles têm sido utilizados também na seleção de pessoal e associados a outros recursos de seleção (análise de curriculum, entrevista, dinâmica de grupo).

Estes testes têm se mostrado muito úteis na escolha de pessoas para o exercício de determinadas funções.

Enquanto os demais recursos de seleção avaliam dados objetivos dos candidatos, os testes de personalidade visam revelar características pessoais mais profundas e menos óbvias para eles próprios, geralmente não sabidas e/ou não relatadas.

Embora os testes de personalidade podem não ser um perfeito preditor do futuro desempenho de um candidato no trabalho oferecido, as informações fornecidas por eles podem ajudar o avaliador a ter uma impressão global do candidato e uma previsão da sua adequação ou não ao lugar pretendido.

Há uma grande variedade de testes de personalidade, cada um deles melhor adaptado a uma finalidade: diagnóstico, seleção, autoconhecimento, etc.

Alguns testes clínicos mais conhecidos são:

•Teste de Apercepção Temática (TAT), uma técnica projetiva que consiste em apresentar uma série de pranchas gráficas ao sujeito examinado, a partir das quais ele deve contar uma história sobre cada uma delas.

•Minnesota Multiphasic Personality Inventary (MMPI), que consiste de 550 afirmações que o sujeito deve classificar como verdadeiras ou falsas, quando aplicáveis a si mesmo.

•Teste de Rorscharch, que consiste em responder com o quê se parece cada uma das dez pranchas com manchas amorfas de tinta que o examinador lhe apresenta.

•Teste da Árvore, no qual é pedido ao sujeito que desenhe uma árvore, sobre a qual ele projeta aspectos de sua personalidade.

Outros ainda, mais facilmente aplicáveis à seleção de pessoas são:

•Inventário Fatorial de Personalidade (IFP), que visa avaliar o indivíduo normal em quinze necessidades ou motivos psicológicos: assistência, dominância, ordem, denegação, interação, desempenho, exibição, heterossexualidade, afago, mudança, persistência, agressão, deferência, autonomia e afiliação.

•Teste de Atenção Concentrada, que tem a finalidade de avaliar a capacidade que o sujeito tem de manter a sua atenção concentrada no trabalho durante um período.

•Teste Palográfico, cuja aplicação é muito simples e rápida. Ele avalia a personalidade por meio da expressão gráfica, com a realização de pequenos traços verticais e paralelos.

•QUATI, que avalia a personalidade através das escolhas situacionais de cada indivíduo.

•Teste de Raciocínio Lógico, elaborado com a finalidade de investigar o raciocínio lógico de motoristas, mas que também pode ser aplicado na seleção de pessoal e avaliação do potencial de funcionários.

•Teste Não Verbal de Inteligência, para avaliar a capacidade intelectual através de questões gráficas ou numéricas.

•Inventário de Administração de Tempo, instrumento que tem por objetivo colher informações sobre a forma como as pessoas utilizam o seu tempo no trabalho.

•Psicodiagnóstico Miocinético (PMK), utilizado na avaliação de candidatos a motorista, operadores de máquinas e para quem vai portar arma de fogo.

•Teste de Zulliger, que pode ser usado para toda a finalidade de diagnóstico, avaliação da personalidade, seleção de pessoal, avaliação de desempenho, etc.

•Teste Wartegg, que é uma técnica de investigação da personalidade através de desenhos obtidos por meio de uma variedade de pequenos elementos gráficos que servem como uma série de temas formais a serem desenvolvidos pelo indivíduo de maneira pessoal.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Exelon (rivastigmina)


O que é e para que serve ?

O exelon é a rivastigmina, um inibidor da acetilcolinesterase. Os estudos feitos com a memória mostram que a acetilcolina é uma substância muito envolvida no processo de armazenamento e resgate das informações no cérebro. A falta dessa substância prejudica as funções da memória. Essa medicação, por inibir a enzima que degrada a acetilcolina, permite que ela permaneça em níveis mais elevados, melhorando a performance mental. Não há indícios de que atue como revigorante da memória para pessoas sem problemas mentais.

Como é usado ?

A dose inicial normalmente é iniciada com 1,5 mg duas vezes ao dia, sendo lentamente elevada (intervalo de 2 semanas) até 12mg por dia, distribuídas ao longo do dia. A cápsula não deve ser aberta, esse procedimento é feito muitas vezes para facilitar a ingesta da medicação, mas isso pode comprometer a eficácia

Principais efeitos colaterais

Os efeitos colaterais costumam ceder com a redução da dose.Pode-se manter a dose esperando até o organismo se acostumar ao remédio. Os efeitos colaterais mais comuns são: náuseas, vômitos, dor abdominal, perda de apetite, agitação, insônia ou sonolência, tonteiras, cefaléia. Poucos pacientes precisam interromper o exelon por intolerância à medicação

Considerações importantes

Como não há muitas medicações disponíveis para as demências, os médicos podem sentir-se tentados a prescrevê-los para qualquer diagnóstico de demência, o que não é recomendável. A demência multi-infarto, o segundo tipo mais freqüente de demência, não costuma melhorar com o exelon. Por outro lado esses pacientes estão mais sujeitos a terem convulsões devido aos problemas cerebrais, o que pode ser agravado pelo exelon.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

DOR


A dor é um fenômeno subjetivo que consiste numa sensação desagradável que indica uma lesão real ou potencial do corpo.

A dor inicia-se nos receptores especiais da dor que se encontram distribuídos por todo o corpo.

Estes receptores transmitem a informação sob a forma de impulsos eléctricos que enviam à medula espinhal ao longo das vias nervosas e depois para o cérebro.

Por vezes, o sinal provoca uma resposta reflexa ao alcançar a medula espinhal; quando isso acontece, o sinal é imediatamente reenviado pelos nervos motores ao ponto original da dor, provocando a contracção muscular.

Isto pode observar-se no reflexo que provoca uma reação imediata de retrocesso quando se toca em algo quente.

O sinal de dor chega também ao cérebro, onde se processa e interpreta como dor, e então intervém a consciência individual ao dar-se conta disso.

Os receptores de dor e o seu percurso nervoso diferem segundo as diversas partes do corpo.

É por isso que varia a sensação de dor com o tipo e a localização da lesão.

Por exemplo, os receptores da pele são muito numerosos e são capazes de transmitir informação muito precisa, como a localização da lesão e se a dor era aguda e intensa (como uma ferida por arma branca) ou surda e ligeira (pressão, calor ou frio).

Por outro lado, os sinais de dor procedentes do intestino são limitados e imprecisos.

Assim, o intestino pode ser picado, cortado ou queimado sem que se gere algum sinal de dor.

No entanto, a distensão e a pressão podem causar uma dor intensa, provocada inclusive por algo relativamente inócuo como bolhas de ar retidas no intestino.

O cérebro não pode identificar a origem exata da dor intestinal dado que esta dor é difícil de localizar e é provável que se note numa área extensa.

É possível que a dor sentida em algumas partes do corpo não corresponda com certeza ao local onde reside o problema, porque pode tratar-se de uma dor reflexa, ou referida, isto é, provocada noutro local.

A dor reflexa acontece quando os sinais nervosos procedentes de várias partes do corpo percorrem a mesma via nervosa que conduz à medula espinhal e ao cérebro.

Por exemplo, a dor produzida por um ataque do coração pode sentir-se no pescoço, nos maxilares, nos braços, no abdómen, e a dor de um cálculo biliar pode sentir-se no ombro.

A tolerância individual à dor difere consideravelmente de uma pessoa para outra.

Umas sentem uma dor intolerável com um pequeno corte ou pancada, enquanto outras tolerarão um traumatismo maior ou uma ferida por arma branca quase sem se queixar.

A capacidade para suportar a dor varia segundo o estado anímico, a personalidade e as circunstâncias.

É possível que um atleta em particular não se aperceba de uma lesão grave verificada em momentos de excitação durante a competição, mas depois da prática esportiva notará, especialmente em caso de derrota.

A percepção da dor pode mudar com a idade.

Assim, à medida que envelhecem, as pessoas queixam-se menos da dor talvez porque as mudanças ocorridas no organismo diminuem a sensação de dor com a idade.

Por outro lado, as pessoas de idade avançada podem simplesmente ser mais estóicas (mais maduras) do que os jovens.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Burnout


Síndrome de burnout (ou síndrome do esgotamento profissional) é um estado de esgotamento físico e mental ligada à vida profissional.

O distúrbio foi definido pelo médico psicanalista americano Freudenberger, em 1974, embora a condição já vinha sendo suspeitada desde os anos 60.

A síndrome deriva seu nome da expressão em inglês to burn out, que significa queimar por completo.

A sociedade atual, complexa e altamente competitiva, leva muitas pessoas a exagerar nas atividades profissionais.

Se a isso se aliam determinadas características pessoais favorecedoras estão dadas as condições para se estabelecer a síndrome de burnout.

Ela em geral é resultado de um período de esforço excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação e inclui também o desejo de ser o melhor entre os pares profissionais e sempre demonstrar alto grau de desempenho.

O desejo de se afirmar e o desejo desmedido de realização profissional se transformam em obstinação e compulsão.

Assim, o paciente sofre, além de problemas de ordem psicológica, desgaste físico que gera fadiga e exaustão.

A principal característica dos que sofrem da síndrome de burnout é o estado crônico de fadiga, estresse emocional e sensação de esgotamento físico e emocional provocados por condições de trabalho desgastantes.

Os principais sintomas físicos da síndrome de burnout são: dores de cabeça, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, crises de asma, tonturas, tremores e problemas digestivos.

Na esfera psicológica, pode-se ter sensação de falta de ar, oscilações de humor, alterações do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima, etc.

Do ponto de vista comportamental, tem-se ausências no trabalho, agressividade, isolamento, perda do interesse pelo próprio trabalho e pelo relacionamento interpessoal.

Além disso, para o portador da síndrome de burnout, coisas importantes passam a ser descartadas como inúteis.

Apesar da dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, tem-se registrado o crescimento de ocorrência da síndrome de burnout.

Muitas vezes ela atinge profissionais que lidam direta e intensamente com pessoas e têm influências decisivas em suas vidas, como médicos e outros trabalhadores da área da saúde, estudantes, professores, policiais, agentes penitenciários, bombeiros, taxistas, bancários, controladores de tráfego aéreo, engenheiros, entre outros.

O diagnóstico da síndrome de burnout deve levar em conta a história do paciente, de seu trabalho e dos seus sintomas.

É importante diferenciar a síndrome de burnout e seu traço compulsivo da fadiga normal decorrente de um trabalho desgastante.

O tratamento básico da síndrome de burnout seria uma mudança no estilo de vida, para um modo mais moderado de viver.

Isso inclui cuidar da saúde, dormir e alimentar-se bem, praticar exercícios físicos regularmente e manter uma vida social ativa.

Num sentido terapêutico ele consiste em psicoterapia, coadjuvada por tranquilizantes, antidepressivos e exercícios de relaxamento, sempre que eles sejam necessários.

O apoio de um psicólogo e de um psiquiatra pode ajudar muito.

A pessoa acometida por esta condição pode se tornar progressivamente mais arredia, isolada, passa a ser irônica e sua produtividade no trabalho diminui bastante.

A repetição do mal-estar causado pela síndrome de burnout pode levar ao alcoolismo, ao uso de drogas e até mesmo ao suicídio.