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sábado, 25 de março de 2017

Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista?


Todos os três são profissionais da área de saúde mental. Por isso, é compreensível que o leigo tenha certa dificuldade de diferenciar entre eles e procure saber o que os distingue. Na prática, essa necessidade se torna mais patente quando uma pessoa necessita de uma assistência "PSI" para si ou para alguma pessoa da família e não tem clareza sobre qual profissional procurar.

Embora todos estes profissionais trabalhem no campo da saúde mental, diferenças importantes podem ser identificadas entre eles. As diferenças se referem à formação profissional, ao modo de compreender o comportamento humano e, consequentemente, aos métodos de intervenção.

O psiquiatra é um médico com especialização em Psiquiatria. Isto é, depois de cursar uma faculdade de medicina, faz residência em instituições de saúde mental, clínicas e hospitais psiquiátricos estudando, especialmente, as doenças mentais e outros comportamentos que fogem à “normalidade”. Desta forma, o médico psiquiatra está mais bem preparado para lidar com as doenças mentais, sobremaneira aquelas que tenham uma base orgânica conhecida ou suposta.

Seus diagnósticos são, na maior parte das vezes, eminentemente clínicos e baseados em manuais como CID 10 (10ª Versão do Código Internacional de Doenças da OMS) e DSM-V (5ª Versão do Manual Diagnóstico e Estatístico, americano). Os tratamentos desenvolvidos por eles são principalmente medicamentosos, com antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos. Alguns psiquiatras, no entanto, sentem-se no direito de abordar problemas eminentemente psicológicos, embaralhando ainda mais a definição de seu campo específico.

Somente alguns poucos psiquiatras têm treinamento específico em psicoterapia, embora muitos dizem fazê-la, praticando, muitas vezes, um processo amadorístico. Contudo, muitas situações psicológicas pontuais que nem sempre requerem uma psicoterapia, como crises de ansiedade ou depressões reativas, por exemplo, podem se beneficiar de uma terapêutica medicamentosa e podem ser conduzidos com êxito pelo psiquiatra.

O psicólogo é um profissional que concluiu a graduação em uma faculdade de Psicologia e depois se especializa numa das diversas áreas possíveis: clínica, organizacional, educacional, esportiva e outras. Alguns psicólogos atuam em pesquisas em universidades sobre o comportamento humano.

A confusão com o psiquiatra se dá com os psicólogos clínicos. Para atuar na área clínica, o psicólogo geralmente se especializa em questões psicológicas e em técnicas e meios para analisar e intervir nelas, principalmente a psicoterapia. No Brasil, o psicólogo é privado de receitar medicamentos. Assim, ele usa a mediação verbal para conduzir seu cliente a se tornar mais consciente das coisas do seu dia-a-dia e busca proporcionar a ele a aprendizagem de meios mais saudáveis para lidar com as suas dificuldades.

O psicólogo que trabalha com psicologia clínica é também chamado de psicoterapeuta.

O psicanalista é um profissional de nível superior, geralmente médico ou psicólogo, que faz, posteriormente, um curso numa instituição psicanalítica e submete-se à Psicanálise. Esse processo é geralmente chamado “formação psicanalítica” e se dá numa instituição profissional para-legal.

Ele atende pessoas com demandas por vezes análogas àquelas apresentadas ao psicólogo ou ao psiquiatra, mas que desejam uma reforma mais ampla de sua personalidade. A Psicanálise tanto é uma teoria psicológica quanto um método de tratamento, introduzidos por Sigmund Freud e posteriormente modificado por outros, como Lacan, por exemplo. Embora muito difundida, a Psicanálise não tem status científico e sua eficácia muitas vezes é questionável quanto ao equilíbrio custo-benefício, já que trata-se de um processo complexo e longo, podendo não apresentar melhoras significativas.

É comum haver combinação de psicofármacos e psicoterapia como meio de intervenção em certos transtornos mentais. Assim, pode acontecer que o psiquiatra faça o encaminhamento para o psicólogo clínico e, num sentido inverso, que o psicólogo indique ao paciente procurar também um psiquiatra que receite medicamentos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Iatrogenia


Iatrogenia (do grego: iatros = curador + genesis = origem) refere-se ao efeito negativo sobre o paciente, resultante de qualquer procedimento curativo realizado por um profissional de saúde ao aplicar produtos ou serviços pretensamente benéficos, como sondagens, intubações, cirurgias e medicamentos. Alguns efeitos iatrogênicos são facilmente constatáveis como, por exemplo, um linfedema resultante de uma cirurgia de câncer de mama. Outros são menos óbvios, tais como algumas interações medicamentosas.

Um efeito iatrogênico nem sempre é prejudicial como, por exemplo, uma cicatriz criada por uma cirurgia. Um lugar especial entre as iatrogenias deve ser concedido aos erros médicos (imperícia, imprudência e/ou negligência) pois são adventícios, enquanto as demais iatrogenias são inerentes e até mesmo inevitáveis a certos atos médicos.

De um modo geral pode-se dizer que a Medicina comporta duas grandes dimensões: (1) uma curativa, que tem por objetivo reparar as doenças e (2) outra preventiva, que visa evitar que elas ocorram. Ao lado delas convive inevitavelmente a Medicina Iatrogênica, aquela que, independentemente da vontade do profissional, causa danos aos pacientes decorrentes dos próprios atos curativos ou propedêuticos.

A iatrogenia é inerente à prática médica, ainda que o médico ou a equipe médica sejam muito competentes e disponham dos melhores recursos tecnológicos. Amputar um membro, por exemplo, pode significar, a um só tempo, salvar a vida do paciente e mutilar seu organismo. Michael Balint, que foi um expoente da relação médico-paciente, afirma que todo médico é, em graus variáveis, sempre iatrogênico. Ao receitar alguma medicação produz também efeitos indesejáveis, ao realizar uma cirurgia produz uma cicatriz, ao fazer um exame propedêutico pode provocar uma reação desagradável, etc.

As iatrogenias abrangem não só os danos materiais mas também os psicológicos, tanto causados pelo médico como por enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas e demais profissionais que tratem o paciente.

Os limites da iatrogenia com outros efeitos dos procedimentos médicos são fluidos e oscilantes. Eles tanto se confrontam com os erros médicos como com os problemas devido a um inadequado aparelhamento dos serviços de saúde que obrigam os profissionais a trabalharem em situações não ideais.

Por outro lado, o progresso da tecnologia médica e seu emprego em procedimentos terapêuticos e propedêuticos causa às pessoas problemas subsidiários antes inexistentes. Novos medicamentos levam a novos efeitos colaterais e a incompatibilidades ainda não conhecidas, novas cirurgias conduzem a novas sequelas, a medicina nuclear expõe às radiações, etc. A atual avalanche de introdução da tecnologia na Medicina afastou o médico do paciente e tornou a relação entre ambos mais impessoal. Enfim, no afã de salvar vidas a Medicina cria novas ‘doenças’.

As causas das iatrogenias incluem efeitos colaterais de medicamentos, complicações decorrentes de procedimentos médicos, infecções hospitalares, erro médico, projeto incorreto dos instrumentos médicos, ansiedade e insegurança do médico ou da equipe de saúde em relação ao procedimento a ser executado, tratamentos desnecessários, etc.

Tais causas podem ser provocadas por médicos, farmacêuticos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, psiquiatras, cientistas de laboratório e terapeutas. A iatrogênese também pode resultar de tratamentos de medicina complementar e alternativa, envolvendo ainda outros profissionais.

As iatrogenias podem causar os mais diversos efeitos sobre as pessoas, desde uma doença que antes o paciente não tinha como, por exemplo, as ocasionadas por uma vacina, até sequelas definitivas, como uma alteração da voz numa cirurgia de laringe e mesmo a morte que pode ocorrer como acidente anestésico ou cirúrgico, por exemplo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Terapia Ocupacional: um pouco sobre ela.


A terapia ocupacional, ou praxiterapia, é uma das profissões mais recentes e, por isso, ainda pouco difundida, embora seja leiga e informalmente muito praticada.

Ela é uma ciência da saúde que emprega atividades de trabalho e lazer no tratamento de distúrbios físicos ou mentais e de desajustes emocionais e sociais, visando promover a autonomia de indivíduos com dificuldades físicas ou mentais de integrar-se à vida social.

Também faz a avaliação dessas atividades.

No Brasil, a profissão foi regulamentada em 1969.

O terapeuta ocupacional é um profissional da área da saúde, de nível superior. Ele pode atuar através da prevenção, habilitação ou reabilitação.

Os terapeutas ocupacionais utilizam a atividade não só no sentido "ocupar" e "fazer", mas como recurso terapêutico estruturado, o que depende de minuciosas e complexas técnicas.

Os principais campos de trabalho do terapeuta ocupacional incluem clínicas, casas de repouso, hospitais, instituições geriátricas, psiquiátricas e penais, centros de reabilitação, creches e empresas.

Além disso, o profissional está habilitado a prestar atendimento aos pacientes em domicílio, podendo atuar individualmente ou em grupos.

No campo da educação, o terapeuta ocupacional pode acompanhar o desenvolvimento de crianças com problemas psicomotores ou de aprendizagem e promover a inclusão de crianças com deficiência nas escolas de ensino regular.

Na gerontologia pode atuar na reabilitação e na reintegração social de idosos. Na psiquiatria e saúde mental ajuda a tratar de portadores de distúrbios psíquicos.

Na reabilitação funcional e profissional promove o restabelecimento de vítimas de acidentes ou de doenças do trabalho e presta assistência aos portadores de deficiência física. Ajuda na reintegração à sociedade de viciados em drogas, menores infratores ou carentes, etc.

Todas as pessoas que possuem uma disfunção ocupacional nas suas atividades de trabalho, lazer e auto-cuidado são passíveis de obter ganhos através da terapia ocupacional.

Também escolares com problemas psicomotores, idosos com problemas de incapacidade ou de integração social, portadores de distúrbios psíquicos, profissionais que demandam reabilitação funcional, vítimas de acidentes ou de doenças do trabalho, portadores de deficiência física, viciados em drogas, menores infratores ou carentes, etc. são todos possíveis alvos da terapia ocupacional.

Ela também pode beneficiar pessoas com disfunções devidas a doenças ou ao trabalho e condições pediátricas incapacitantes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Síndrome X Doença


Os termos síndrome (síndroma ou síndromo) e doença podem ser confusos para o leigo, no entanto, significam coisas muito diferentes. Síndrome (do grego: syndromé = reunião) em medicina descreve um estado mórbido caracterizado por um conjunto determinado de sinais e sintomas clínicos que podem ter causas diversas mas, em geral, não conhecida e não é, pois, uma doença.

Sinal é qualquer manifestação visível ou mensurável de uma alteração orgânica (uma mancha, edema, febre ou um colesterol elevado, por exemplo) que pode ser percebido por outra pessoa sem o relato ou comunicação do paciente. Já o sintoma é uma alteração da percepção de uma sensação, que pode ou não constituir-se no início de uma doença (por exemplo: sede, fome, dor, perda de apetite, fraqueza, tontura, vertigem, delírio, esquecimento, desânimo, alucinação) que somente o paciente consegue perceber.

Doença (do latim: dolentia = padecimento), por sua vez, significa um distúrbio das funções de um determinado órgão, da psique ou do organismo como um todo, que está relacionado a causas e sintomas específicos. As doenças se diferenciam das síndromes em que têm

(1) etiologia conhecida;
(2) uma fisiopatologia específica;
(3) um conjunto característico de sinais e sintomas;
(4) alterações anatômicas e/ou funcionais consistentes e
(5) tratamento específico.

Em geral, a razão de ser de uma síndrome não é conhecida. Por outro lado, a síndrome define as manifestações clínicas semelhantes de uma ou várias doenças, independentemente das suas causas. Também se chama de síndrome certas situações em que a doença ainda não está bem esclarecida com todos os seus sintomas e sinais. Exemplo: uma síndrome febril, em que há aumento da temperatura corporal, aumento dos batimentos cardíacos, taquipneia (ritmo respiratório acelerado), sudorese, secura na boca, etc. de causa não determinada.

Em contraste, a causa por trás de uma doença pode ser elucidada facilmente. Muitas vezes, certas doenças podem desencadear uma síndrome, o que complica ainda mais o assunto, embora uma síndrome não indique obrigatoriamente a presença de uma doença conhecida. Uma síndrome costuma ser chamada pelo nome do cientista que primeiro a descreveu (como síndrome de Down, por exemplo).

Outras vezes recebe o nome em referência à geografia ou história: síndrome de Estocolmo, por exemplo, em referência a um assalto que ocorreu em Estocolmo em agosto de 1973. Ou são mantidas com suas denominações originais por razões históricas, como acontece com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) que ainda é assim chamada porque o conjunto de sinais e sintomas foi descrito antes de se conhecer a natureza completa da enfermidade. Outro exemplo é a fibromialgia que era anteriormente chamada síndrome da polimialgia idiopática difusa, já que o conjunto de sinais e sintomas foi descrito antes de se conhecer a etiologia (causa) e a fisiopatologia da condição.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ácaro: o que é isso?


Os ácaros são seres muito pequenos, geralmente só visíveis ao microscópio, pertencentes à classe dos aracnídeos, subclasse acarina (do grego akares = pequeno), da qual também fazem parte os carrapatos e escorpiões.

Existe uma variedade enorme de espécies descritas (cerca de 48.000) e um número ainda maior de espécies ainda não estudadas completamente.

Embora suas características morfológicas variem muito entre as diferentes espécies, os ácaros adultos apresentam um corpo indiviso, quatro pares de pernas, pilosidades táteis na superfície do corpo e boca adaptada para perfurar. As colorações variam entre marrom, vermelho, alaranjado, preto, verde e combinações dessas várias cores.

A maioria dos ácaros é ovípara e eles vivem mais ou menos cem dias, durante os quais acasalam uma a duas vezes e põem de vinte a cinquenta ovos, preferentemente na primavera e no outono. Eles vivem numa grande variedade de habitats: no solo ou na água, como parasitas de plantas ou de animais vertebrados e invertebrados, bem como da fauna arbórea e nas camadas de húmus que cobrem florestas, gramas e solos agrícolas. Há também ácaros animais, como os dos pássaros e galinhas, entre outros.

Os ácaros domésticos são os responsáveis por diversas doenças alérgicas nos seres humanos (rinite, asma, dermatite atópica, etc.). Eles são verdadeiras pragas domésticas e vivem em colchões, tapetes, almofadas, sofás, objetos de pelúcia, roupas de camas e adoram lugares úmidos.

Por causa do seu tamanho minúsculo, são facilmente levados pelo vento, sendo comuns no pó domiciliar, embora invisíveis. Alimentam-se de escamas de pele e se reproduzem muito rapidamente. Além disto, seus excrementos e ácaros mortos dispersam-se em poeira fina, o que pode ser facilmente inalado causando alergias. Um metro quadrado de um tapete em uma residência pode conter até cem mil ácaros!

Existem também ácaros parasitas, que podem atingir os folículos pilosos e as glândulas sebáceas, provocando a formação de cravos, como também atingir as áreas cutâneas, causando a escabiose (sarna humana). O contato com áreas infestadas da pele pode transmitir o ácaro para outro hospedeiro humano. Há algumas espécies de ácaros que afetam a agricultura ou as plantações ornamentais, causando grandes perdas.

Os colchões, cobertores e travesseiros devem ser lavados regularmente com água quente. Os doentes asmáticos e alérgicos devem evitar travesseiros de pena devido à maior presença destes seres. As “vacinas” estão indicadas para os doentes sensibilizados quando os sintomas clínicos não são controlados com o tratamento farmacológico. Os anti-histamínicos também são úteis e eficazes na redução de sintomas alérgicos.

sábado, 30 de julho de 2016

Qual o momento da morte?


A morte acontece num instante arbitrário que depende da cultura e da tecnologia disponível.

Definir um momento exato para a ocorrência da morte não é conceito indiscutível, mas preocupação característica da cultura ocidental.

Os funerais gregos e egípcios, por exemplo, sugerem que a morte seria uma fase de transição, jamais um instante definido como a imaginamos nós.

Na civilização cristã, a ideia de transição foi substituída pela imagem do último suspiro de Jesus Cristo martirizado na cruz, símbolo máximo da passagem deste mundo para outro melhor.

Por milhões de anos, foi fácil para os médicos diagnosticar morte: bastava verificar se o doente respirava.

Mortos estariam os ineptos a essa função fisiológica essencial, a única da qual o corpo humano não pode prescindir por mais do que uns poucos minutos.

De fato, privado de oxigênio por quatro ou cinco minutos, nosso cérebro costuma sofrer danos irreversíveis. Mas outros órgãos são bem mais resistentes à anóxia.

O coração é um deles – capaz de bater por muitos minutos depois que a última molécula de oxigênio fugiu dos pulmões e até fora do corpo quando retirado cirurgicamente.

Estabelecer critérios para caracterizar a morte se tornou necessário a partir do aparecimento dos primeiros aparelhos de ventilação mecânica, que permitiram manter vivas pessoas incapazes de respirar por conta própria.

Essa necessidade se tornou mais premente com o advento dos transplantes de órgãos na década de 1960.

Discuto essas ideias menos por pretensões filosóficas do que motivado pela leitura de um artigo de E. Wijdicks, neurologista da Mayo Clinic, “O Diagnóstico de Morte Cerebral”. O autor resume a evolução dos critérios adotados para o diagnóstico de morte cerebral a partir de 1959, quando Mollaret e Goulon introduziram o termo “coma dépassé” — o coma irreversível.

Os dois médicos franceses caracterizaram essa condição com base no estudo de 23 pacientes em coma que haviam perdido a consciência, todos os reflexos do tronco cerebral e a capacidade de respirar sem aparelhos e que apresentavam eletroencefalogramas em linha reta, característicos da ausência de ondas cerebrais.

Reavaliações dos critérios de morte cerebral foram mais tarde realizadas por um comitê da Universidade Harvard (1968) e por uma conferência do Medical Royal Colleges (1976), da Inglaterra.

Ficou, então, estabelecido o consenso de que a morte deveria ser definida como “a perda completa e irreversível das funções do tronco cerebral”. A definição considerava o tronco como o epicentro das funções cerebrais humanas, porque sem ele o organismo perde a capacidade cognitiva e a possibilidade de fazer movimentos voluntários ou reagir a estímulos do ambiente. Sem atividade no tronco cerebral, a vida humana podia ser considerada extinta.

Mesmo na ausência de um tronco cerebral em funcionamento, o coração continua a repetir suas sístoles e diástoles, garantindo acesso de oxigênio ao resto do organismo para as atividades inerentes à vida vegetativa.

Em 1995, a Academia Americana de Neurologia conduziu uma revisão a respeito das dificuldades para diagnosticar a morte e adotou os seguintes princípios: “A declaração de morte cerebral requer não apenas uma série de testes neurológicos cuidadosos, mas também o esclarecimento das causas do coma, a certeza de sua irreversibilidade, a resolução de qualquer dúvida em relação aos sinais neurológicos clínicos, o reconhecimento de possíveis fatores conflitantes, a interpretação dos achados de neuroimagem e a realização dos exames laboratoriais necessários”.

Da diversidade de resistência à falta de oxigênio que os diferentes tecidos do organismo apresentam, resulta que a morte é fenômeno de alta complexidade. Não está restrita aos limites do último suspiro, como o cinema e a arte dramática nos fizeram crer. Não apenas o coração continua a bater dentro do peito, mas as unhas e os cabelos crescem, as células do revestimento interno do aparelho digestivo e da pele ainda se multiplicam e muitos hormônios, enzimas e proteínas são produzidos por minutos e até horas depois do instante que se convencionou chamar de morte.

Essa definição de morte, baseada na ausência de atividade do tronco cerebral, é prática, porém arbitrária. Pode até ser interpretada de forma contraditória. Por exemplo, aceitamos que um garoto de 18 anos atropelado seja doador de órgãos ao demonstrarmos que seu tronco cerebral está inativo, mas ficamos chocados quando uma gravidez é interrompida voluntariamente na oitava semana, fase em que não existe a menor chance de atividade cerebral coordenada no embrião.

Com a descoberta dos aparelhos de ventilação pulmonar, o conceito de morte evoluiu do último suspiro para uma hierarquia de valores na qual certas atividades do sistema nervoso central valem mais do que todas as outras do organismo. São atividades essenciais para caracterizar a condição humana. Na ausência delas, admitimos extinta a vida, mesmo que os outros órgãos continuem saudáveis.

Ao considerar a morte como passagem, os gregos e os egípcios talvez não fossem tão ingênuos.


Dráusio Varella

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O que é inflamação?


Inflamação (do latim: inflammatio = atear fogo) ou processo inflamatório é uma reação do organismo a uma infecção ou lesão dos tecidos e faz parte das defesas do indivíduo. Quando algo nocivo ou irritante afeta uma parte do corpo, há uma reação biológica de defesa que constitui os sinais e sintomas da inflamação, o que mostra que o corpo está tentando se curar.

A região inflamada fica avermelhada e quente, devido a um aumento do fluxo de sangue e demais líquidos corporais para o local. Na área inflamada também ocorre o acúmulo de células provenientes do sistema imunológico (leucócitos, macrófagos e linfócitos) e dor localizada. Os leucócitos destroem o tecido danificado e os macrófagos digerem esse tecido e os antígenos.

Inflamação nem sempre significa infecção. A infecção é causada por um agente biológico infeccioso (bactéria, vírus, fungo, etc.), enquanto que a inflamação é a resposta do corpo a ele.

A inflamação acontece quando o organismo combate uma infecção ou lesão que o atinge. Ela faz parte da ação do sistema imunológico do corpo e é uma reação do organismo ao procurar livrar-se do estímulo nocivo.

A inflamação faz parte das defesas do organismo e deflagra uma resposta inespecífica contra uma agressão. Como processo natural, ela se contrapõe à imunidade adquirida, em que o sistema imune se volta contra agentes agressores específicos, como nas vacinas, por exemplo. Nesse caso, o organismo precisa entrar em contato com o agressor, identificá-lo como estranho e potencialmente nocivo e só então produzir uma resposta.

Nas reações inflamatórias, os neutrófilos e macrófagos migram dos vasos sanguíneos para o tecido inflamado e então removem os agentes patológicos através da fagocitose e/ou da granulação. Em virtude da agressão tecidual, seguem-se dilatações dos capilares, mediadas pela histamina, e um aumento localizado e imediato da irrigação sanguínea, o que se traduz num halo avermelhado em torno da lesão. Os neutrófilos e macrófagos, por sua vez, realizam a fagocitose dos elementos que estão na origem da inflamação e produzem substâncias químicas de combate à infecção. Também o sistema de coagulação do sangue e as plaquetas são ativados, visando conter possíveis sangramentos.

Enfim, estes fatores, e ainda outros, atuam em conjunto para levar aos eventos da inflamação: aumento do calibre dos capilares, produzindo hiperemia (pelo maior afluxo de sangue), aumento da temperatura local; edema, que ocorre a partir do aumento da permeabilidade vascular; dor, causada primariamente pela estimulação das terminações nervosas por algumas das substâncias liberadas durante o processo inflamatório; hiperalgesia (aumento da sensibilidade dolorosa) promovida pelas prostaglandinas e pela bradicinina e, em parte, pela compressão relacionada ao edema.

A inflamação pode ser de dois tipos principais:

(1) aguda, que se instala rapidamente, após um acidente, por exemplo; ou
(2) crônica, que se instala de forma lenta e insidiosa, como, por exemplo, nas doenças reumáticas.

A diferença clínica entre a inflamação aguda e a crônica, além do tempo, está na intensidade dos sintomas e no tempo que a inflamação leva para ser curada.

Na inflamação aguda, os sinais típicos da inflamação, como calor, vermelhidão, inchaço e dor estão sempre presentes; na inflamação crônica, por sua vez, os sintomas não são tão específicos. Esta classificação nada diz a respeito da gravidade do processo, mas apenas se refere à sua velocidade de instalação.

A inflamação se caracteriza ainda, além dos seus sintomas cardinais, pela eventual perda de função da parte afetada. Além disso, podem surgir outros sinais e sintomas, na dependência do local e da natureza da inflamação, como glândulas inchadas, febre e liberação de líquidos. As doenças autoimunes geralmente assumem uma característica inflamatória, com manifestações clínicas diversas, de acordo com o tecido ou sistema afetado.

Existem medicamentos anti-inflamatórios hormonais e não hormonais capazes de interferir no processo reacional de defesa do organismo de modo a minimizar a agressão dos próprios tecidos frente ao agente agressor e dar maior conforto ao paciente. Os anti-inflamatórios hormonais, também conhecidos como corticoides ou corticoesteroides, são agentes inibidores da produção das prostaglandinas e dos leucotrienos. Os anti-inflamatórios não hormonais também inibem a produção de prostaglandinas, mas não interferem com a geração de leucotrienos.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Comer gordura para emagrecer?


Protocolos atuais de combate à obesidade podem estar errados, segundo relatório divulgado na Inglaterra...

Uma grande revisão das diretrizes oficiais sobre alimentação atualmente recomendadas, realizada pelo National Obesity Forum (NOF) e pela Public Health Collaboration, diz que a mensagem de consumo com baixo teor de gordura nas dietas, que tem sido a política oficial de recomendações dietéticas no Reino Unido desde 1983, foi baseada em "ciência imperfeita" e resultou em um aumento do consumo de junk foods e de carboidratos.

A ciência precisa repensar as orientações do The Eatwell Guide, segundo o que orientam os autores do relatório do NOF. Faz-se necessário um retorno aos “alimentos naturais”, tais como carnes, peixes e produtos lácteos integrais, bem como alimentos saudáveis com alto teor de gordura como abacates, por exemplo. É importante mudar a mensagem ao público para reverter a obesidade e o diabetes tipo 2, a nova mensagem deve ser voltada a “não termos medo de comer gordura.”

O relatório, que provocou uma ampla reação entre a comunidade científica, também argumenta que a gordura saturada não causa doença cardíaca, enquanto produtos lácteos integrais como leite, iogurte e queijo podem realmente proteger o coração.

Segundo os autores, a prova das falhas das atuais recomendações está nos alarmantes níveis de obesidade e diabetes mellitus nunca antes vistos. Alimentos processados rotulados como "baixo teor de gordura", "light", "baixo colesterol" devem ser evitados a todo o custo e as pessoas com diabetes tipo 2 devem comer uma dieta rica em gordura, ao invés de uma dieta baseada em hidratos de carbono, segundo o relatório.

Outros pontos relatados no relatório do NOF são que os lanches entre as refeições são uma das principais causas de obesidade atualmente e que a adição de açúcar deve ser evitada por não ter nenhum valor nutritivo. A contagem de calorias também é prejudicial quando se trata de controlar a obesidade, pois as calorias provenientes de diferentes alimentos têm "efeitos metabólicos completamente diferentes sobre o corpo humano, tornando essa definição inútil". Da mesma forma, os autores afirmam ser "incorreto" pensar que a solução para a obesidade é queimar mais calorias do que as que são consumidas. Eles alegam que a obesidade é um distúrbio hormonal que leva à compartimentalização anormal de energia e que não pode ser resolvida apenas aumentando-se a quantidade de exercício realizada.

No entanto, cientistas de diversas áreas têm criticado o relatório e questionam a sua base probatória. Estes falam que as descobertas do NOF estão "cheias de ideias e opiniões”, que não podem ser consideradas uma revisão abrangente das evidências atuais e que não conhecemos totalmente as causas da epidemia de obesidade mundial, então simplesmente dizer às pessoas que comam mais gordura é uma recomendação altamente controversa e que pode ter consequências adversas para a saúde pública.

Principais conclusões do relatório do National Obesity Forum:

•Comer gordura não torna você gordo.
•Evidências de vários ensaios revelam que uma dieta com maior teor de gordura e baixo teor de carboidrato é superior a uma dieta com poucas gorduras para a perda de peso e redução do risco cardiovascular.
•Pare de contar calorias. Calorias de alimentos diferentes têm diferentes efeitos metabólicos no corpo, por isso, a contagem de calorias não faz sentido.
•Você não pode neutralizar os efeitos de uma má alimentação.
•A obesidade é um distúrbio hormonal que leva a compartimentalização de energia anormal, que não pode ser apenas resolvida aumentando a quantidade de exercícios realizada.
•As gorduras saturadas não causam doenças cardíacas e produtos lácteos em suas versões integrais podem até mesmo proteger o coração.
•Evite a todo o custo alimentos processados rotulados como de "baixo teor de gordura", "light", "baixo colesterol" ou "redutores de colesterol".
•Nenhuma evidência atual demonstra que a redução de gordura saturada na dieta reduz também eventos cardiovasculares e morte.
•Lanches entre as refeições fazem você engordar.
•O aumento da frequência das refeições desempenha igual, se não maior, papel na obesidade e isso tem sido largamente ignorado.



Fonte: National Obesity Forum (NOF)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Hiperventilação: conhece?


A síndrome de hiperventilação constitui-se numa emergência médica relativamente comum. É uma condição na qual a frequência respiratória (ventilação) por minuto excede as demandas metabólicas, resultando em alterações hemodinâmicas e químicas que produzem sintomas característicos, os quais também podem ser produzidos pela hiperventilação voluntária. A melhor denominação para esta síndrome pode ser falta de ar comportamental ou dispneia psicogênica, com a hiperventilação sendo vista como uma consequência e não uma causa da condição.

O mecanismo subjacente pelo qual alguns pacientes desenvolvem hiperventilação permanece desconhecido. Uma teoria sugere que certos fatores podem provocar uma resposta respiratória exagerada. Vários destes fatores foram identificados, incluindo perturbação emocional, excesso de lactato de sódio, cafeína, isoproterenol, colecistoquinina e dióxido de carbono.

Uma predisposição para a síndrome de hiperventilação também pode ter raízes na infância, como pais superprotetores, por exemplo. Uma situação estressante súbita mais tarde na vida também pode incitar o primeiro episódio da síndrome. Além disso, tem sido demonstrado que níveis elevados de dióxido de carbono também induzem sintomas de pânico e de hiperventilação, na maioria dos pacientes com predisposição para distúrbios do pânico.

A razão da síndrome de hiperventilação encontra-se parcialmente apoiada na mecânica respiratória. Pacientes com essa síndrome tendem a respirar através do tórax superior ao invés de usar o diafragma. O volume corrente normal de ar respirado varia entre 35 a 45% da capacidade vital, mas a retração da parede torácica resiste à hiperinsuflação dos pulmões e a inspiração para além destes níveis é percebida como esforço. Quando o estresse induz a uma respiração mais profunda, ela é percebida como dispneia, criando ansiedade e, novamente, respiração profunda, num círculo vicioso. Outra teoria é que os pacientes com transtorno do pânico têm um limiar mais baixo para a resposta de luta ou fuga, sendo mais suscetíveis à hiperventilação, mesmo diante de tensões menores. A incidência da síndrome de hiperventilação é maior em parentes de primeiro grau do que na população em geral, mas nenhum fator genético claro foi ainda identificado.

A fisiopatologia subjacente da síndrome de hiperventilação ainda não foi claramente elucidada. A infusão venosa de lactato provoca sintomas de pânico e hiperventilação em 80% dos pacientes com prévios episódios de transtorno de pânico. O metabolismo anormal de lactato parece estar envolvido na patogênese, embora a anormalidade ainda não tenha sido exatamente caracterizada. Além disso, níveis elevados de dióxido de carbono tem se demonstrado capazes de induzir sintomas de pânico na maioria dos pacientes propensos. Proprioceptores localizados na parede do pulmão e do tórax sinalizam ao cérebro com um "alarme de sufocação" e isso desencadeia a liberação de neurotransmissores excitatórios que são responsáveis por muitos dos sintomas, tais como tremor, palpitações, ansiedade e disforia.

Os sintomas da síndrome de hiperventilação e do transtorno do pânico se sobrepõem consideravelmente, embora as duas condições sejam distintas. Metade ou mais dos doentes com distúrbio do pânico e agorafobia sofrem de hiperventilação manifesta. A síndrome de hiperventilação pode ser aguda ou crônica. Embora a forma aguda represente apenas 1% dos casos, é mais facilmente diagnosticada. A forma crônica pode apresentar-se com uma miríade de sintomas respiratórios, cardíacos, neurológicos ou gastrointestinais, sem mostrar maior esforço respiratório. A hipocapnia (diminuição de dióxido de carbono no sangue) pode ser mantida mesmo sem qualquer alteração evidente na frequência respiratória se o paciente apresenta frequentes suspiros, intercalados com a respiração normal. Os sintomas mais comuns incluem sensação de asfixia, agitação, hiperpneia (aceleração e intensificação dos movimentos respiratórios), taquipneia (aceleração do ritmo respiratório), dor no peito, dispneia, tonturas, palpitações, dores tetânica, parestesias (sensação anormal e desagradável sobre a pele que assume diversas formas, como queimação, dormência, coceira etc), fraqueza generalizada e síncope.

Alguns pacientes recebem um diagnóstico errado de problema orgânico, sobretudo cardiológico, e são considerados incapacitados pelos seus sintomas. Alguns chegam a ser submetidos a melindrosos e desnecessários testes diagnósticos na tentativa de descobrir as causas orgânicas de suas queixas.

O diagnóstico da síndrome de hiperventilação crônica é muito mais difícil do que a da síndrome aguda porque a hiperventilação não costuma ser clinicamente evidente. Muitas vezes, esses pacientes já foram submetidos a extensas investigações médicas e foram atribuídos a eles vários diagnósticos enganosos. Os pacientes com história prévia de síndrome de hiperventilação podem não precisar de qualquer avaliação laboratorial quando de uma recorrência, bastando o reconhecimento da sintomatologia típica. Os estudos de imagem só são úteis para ajudar na exclusão de quadros assemelhados.

Os pacientes são tratados com psicoterapia e reciclagem da respiração e vários medicamentos psicotrópicos, como, por exemplo, benzodiazepínicos e inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

A síndrome de hiperventilação pode começar quando criança e continuar no mesmo padrão na idade adulta. Muitos pacientes têm distúrbios associados, como a agorafobia, por exemplo, que podem dominar o quadro clínico.

As complicações encontradas nos pacientes com esta síndrome estão relacionadas principalmente aos procedimentos invasivos e a investigações que são empregados para excluir outras doenças. No entanto, as complicações também podem ocorrer como resultado de sintomas produzidos pela hiperventilação, como uma queda, por exemplo, durante um episódio de síncope.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

“Jet lag”


“Jet lag” (descompensação horária ou dissincronose) é a alteração rápida dos ritmos biológicos dia/noite que ocorre após as mudanças em grandes amplitudes de fusos horários em longas viagens de avião, caracterizada por problemas físicos e psíquicos, especialmente do ciclo do sono. Quando uma pessoa viaja de avião, mudando rapidamente de meridiano (sentido leste-oeste ou vice-versa), pode ocorrer que o dia ou a noite fique mais curto ou mais longo e provoque o fenômeno chamado “Jet lag”.

O “Jet lag” ocorre como consequência de viagens através de diferentes fusos horários, o que se tornou mais comum com as viagens a jato, donde o nome “Jet lag”, porque em inglês jet = jato e lag = diferença de horário. Essa condição não é baseada no tamanho ou duração do voo, se ele é feito dentro do mesmo meridiano ou de meridianos próximos, no sentido norte-sul (ou vice-versa), mas pela distância viajada no sentido leste-oeste (ou vice-versa).

As viagens para o leste geralmente são piores que para o oeste. O “Jet lag” se deve, entre outras coisas, ao distúrbio dos níveis hormonais de hidrocortisona ocasionado pelas mudanças no ritmo circadiano. Outra causa pode ser o fato de a pessoa passar várias noites consecutivas acordada, pois o organismo habitua-se a dormir a uma dada hora e demora a recuperar as horas de sono perdidas e o retorno ao estado normal.

Vários funcionamentos do organismo são integrados com condições ambientais em termos de latitude e longitude, com a rotação da Terra e com a alternância regular do ritmo claro/escuro. Nesses casos estão as secreções hormonais, certos ritmos orgânicos, como a frequência cardíaca e o peristaltismo, por exemplo, os horários de dormir e acordar, os hábitos alimentares, etc.

Quando essas condições mudam, o organismo reage e leva algum tempo para se readaptar às novas condições. Ademais, uma viagem de longa duração que implica em grandes mudanças de fuso horário, implica também em outras mudanças e transtornos que acabam colaborando com o “Jet lag”: voo a grande altitude, com pressão barométrica mantida artificialmente, permanência assentado por muito tempo, mudanças nos hábitos de alimentação e sono, mudanças de clima, situação psicológica especial, etc.

Normalmente, os sintomas do “Jet lag” só se manifestam mais ostensivamente quando a diferença de fuso horário for superior a duas horas. Após uma viagem passando por vários fusos horários, a pessoa sente que seu relógio biológico não está sincronizado com o horário do local.

As alterações provocadas pelo “Jet lag” são diferentes para cada pessoa, podem durar apenas horas ou dias e provocar uma mudança no funcionamento do organismo, principalmente distúrbios do sono e nas horas de refeição, de repouso e da regulação hormonal, que não correspondem mais ao ambiente. A rapidez com que o corpo se ajusta ao novo horário também varia de pessoa para pessoa: algumas pessoas demoram muitos dias para se adaptar ao novo horário, outras demoram poucas horas para fazê-lo. Parece que crianças com menos de três anos de idade não sofrem de “Jet lag”.

Os sintomas principais do “Jet lag” são fadiga, falta de motivação, cefaleia, cansaço, alterações da temperatura corporal, do ritmo cardíaco, dos níveis pressóricos arteriais, de padrões de comportamento e dificuldades de concentração e desorientação. Os sintomas de “Jet lag” são um fator importante nas performances negativas de executivos, desportistas e turistas em geral.

Não há um tratamento consistente, mas medicações homeopáticas e a melatonina têm sido usadas, sendo o emprego delas ainda controverso. Pílulas para dormir não são aconselhadas. A terapia com luzes consiste na exposição da pessoa a 3.000 lux no início do dia, para quem viaja para o leste, ou no final do dia, para quem viaja para oeste, mas é cara e inconveniente.

Nos quatro dias que antecedem a viagem, a pessoa deve passar a se alimentar de acordo com os horários do destino e procurar dormir bem na noite anterior ao voo. Durante a viagem, a pessoa deve beber bastante líquido, evitando café, chá e bebidas alcoólicas. Deve consumir com moderação a comida oferecida a bordo e fazer exercícios de alongamento, especialmente para as pernas e, se for possível, fazer algumas pequenas caminhadas pelo corredor do avião.

sábado, 25 de julho de 2015

Embolia gasosa


Fala-se em embolia gasosa sempre que há uma bolha de ar aprisionada em um vaso sanguíneo. A embolia tanto pode ser arterial (embolia arterial) como venosa (embolia venosa), mas em ambos os casos é uma ocorrência rara.

A embolia gasosa venosa geralmente é iatrogênica, causada pela circulação extracorpórea ou por outras intervenções intravasculares. Ela pode acontecer de várias maneiras, tais como injeções e procedimentos cirúrgicos ou a introdução de ar através de uma seringa ou cateter.

Nas cirurgias cerebrais quase sempre ocorrem embolias gasosas, no entanto, os médicos conseguem detectá-las e corrigi-las antes que elas se tornem um problema mais sério.

Outra situação em que pode ocorrer a embolia gasosa é a “síndrome de descompressão”, que ocorre quando um mergulhador retorna muito rapidamente à superfície. A embolia aérea pode também ocorrer se houver trauma no pulmão ou através de lesões devidas a uma explosão.

Uma embolia gasosa pode ocorrer se as veias ou artérias são expostas e a pressão força o ar a penetrar nelas. Outro mecanismo ocorre nos mergulhos: os cilindros com ar comprimido levam oxigênio e nitrogênio. O corpo usa o oxigênio, mas o nitrogênio é dissolvido no sangue, onde permanece durante o mergulho.

Quando a pessoa nada rapidamente de volta à superfície, a pressão da água em torno diminui e se essa transição ocorre muito rapidamente, o nitrogênio não tem tempo para ser eliminado do sangue, então forma bolhas no interior de tecidos e do sangue, causando embolismo. Esta é a chamada doença de descompressão.

Quando se desloca ao longo de uma artéria, o êmbolo gasoso passa a vasos cada vez mais estreitos, até bloquear uma artéria pequena e cortar o fornecimento de sangue a uma área específica do corpo. As embolias venosas de ar podem causar a morte, se uma grande bolha de gás atingir o coração e impedir que o sangue flua do ventrículo direito para os pulmões.

Pequenas quantidades de ar arterial podem causar morte por obstrução das artérias coronárias ou cerebrais. Uma embolia aérea nas artérias do cérebro pode causar perda imediata dos sentidos, convulsões ou acidente vascular cerebral.

Os sintomas de uma embolia aérea podem variar desde nenhum sintoma até a morte e podem incluir dificuldade em respirar ou insuficiência respiratória; dor no peito ou insuficiência cardíaca; acidente vascular cerebral; alterações mentais, como confusão; pressão arterial baixa e pele azulada.

Os principais sintomas da doença de descompressão incluem dor nas articulações, tonturas, fadiga extrema, formigamento ou dormência, fraqueza nos braços ou pernas, erupções cutâneas e perda de consciência ou paralisias, em casos graves.

A suspeita da embolia gasosa deve partir dos sintomas e de algo que tenha acontecido que possa causar essa condição. O médico pode usar equipamentos que monitoram os sons das vias aéreas e do coração, taxa de respiração e pressão arterial para detectar embolias de ar durante as cirurgias. Uma ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ajudar a determinar onde se localiza a embolia.

O tratamento para a embolia gasosa visa três objetivos:

1.Paralisar a fonte da embolia.
2.Impedi-la de danificar órgãos do corpo.
3.Aplicar técnicas de ressuscitação, se necessário.

O médico pode pedir ao paciente que se assente, para ajudar que a embolia não se desloque para o cérebro, coração e pulmões. Se possível, o médico irá remover a embolia aérea através de uma cirurgia. Outra opção de tratamento é a terapia de oxigênio hiperbárico (pressão maior que o normal). Este procedimento pode fazer uma embolia aérea encolher e ser absorvida na corrente sanguínea.

Grandes embolias gasosas podem causar acidentes vasculares cerebrais ou ataques cardíacos e serem fatais.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Medicamentos genéricos


O termo genérico usa-se para descrever as versões mais baratas de produtos de marcas muito conhecidas e muito utilizadas. Para alguns alimentos e produtos domésticos, o termo genérico implica pagar menos, mas também obter um nível inferior de qualidade e de eficácia. De modo geral, isso não acontece com os produtos farmacêuticos.

Os fármacos são conhecidos, muitas vezes, por vários nomes.

Quando se descobre pela primeira vez um fármaco, dá-se-lhe um nome químico, uma versão simplificada do nome químico ou um nome em código criado para facilitar a referência entre os investigadores.

Se os organismos de saúde oficiais (responsáveis por garantir a segurança e a eficácia) aprovarem o fármaco para prescrição geral, atribuem-lhe dois nomes adicionais: um nome genérico (nome oficial) e um nome comercial (também denominado patente ou marca registada), que o identifica como propriedade exclusiva de uma determinada companhia.

O governo, os médicos, os investigadores e aqueles que escrevem sobre o novo composto usam o nome genérico do fármaco porque só se referem ao próprio fármaco e não a uma marca concreta de uma companhia farmacêutica nem de um produto específico. No entanto, nas receitas escreve-se, normalmente, o nome comercial.

Os nomes genéricos são, geralmente, mais complicados e difíceis de lembrar que os comerciais.

Muitos nomes genéricos são uma forma abreviada do nome químico, da estrutura ou da fórmula do fármaco.

A característica mais importante de um nome genérico é a sua individualidade.

Os nomes comerciais também devem ser únicos e são, geralmente, chamativos e relativamente fáceis de recordar.

Eles indicam, frequentemente, uma característica particular do fármaco.

Por exemplo, o Lopressor diminui a pressão arterial, o Vivactil é um antidepressivo que anima o doente, o Glucotrol diminui a concentração elevada de açúcar no sangue (glicose) e o Skelaxin é um relaxante musculoesquelético.

Por outro lado, o nome comercial Minocin é simplesmente uma versão reduzida de minociclina, o nome genérico do fármaco.

Os organismos competentes devem assegurar que os nomes genéricos e comerciais sejam únicos e não possam confundir-se com outros fármacos.

Os nomes demasiado semelhantes podem induzir em erros na prescrição e na distribuição de um fármaco.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Cogitações sobre o cérebro


O Romano Marco Túlio Cícero disse por volta de 65 antes de Cristo... "O exercício fisico que sustenta o espírito e mantém o vigor da mente"

O que ingerimos apresenta impacto real nas funções cerebrais. Isso significa dizer que os nutrientes têm, sim, o poder de aumentar nossa inteligência,memória, coordenação e até de nos proteger de doenças caracterizadaspor desequilíbrios bioquímicos, como a depressão.

Não há dúvida de que os alimentos são como um composto farmacêutico, um remédio, que atua sobre o cérebro.

Podem elevar nosso potencial de raciocínio eaprimorar muitas outras funções.

Em 1 quilo e 200 gramas de cérebro, o peso médio da massa encefálica de um adulto, 100 bilhões de células nervosas estão em atividade.

Cada uma se liga a milhares de outras em mais de 100 trilhões de conexões.

Dos 30 anos em diante, o cérebro perde algo em torno de 10 Mil neurônios por dia.

Isso mesmo – 300 Mil por mês, 3,6 milhões por ano.

Mas os estudos mais recentes, feitos a partir de exames de ultimíssima geração, capazes de flagrar o cérebro em pleno funcionamento, trazem notícias alentadoras. Conforme a idade avança, ocorrem, sim, perdas de células cerebrais.

Elas implicam, contudo, danos menos severos do que se imaginava.

A morte de neurônios não explica os apagões de memória, a queda na acuidade visual e auditiva, a lentidão na tomada de decisões ou o
comprometimento das funções motoras.

Hoje, os neurocientistas têm por certo que essas perdas funcionais estão diretamente relacionadas às ligações entre os neurônios.

À velocidade e eficiência com que as informações trafegam de uma célula nervosa para outra. Os neurônios comunicam-se entre si por intermédio de ramificações chamadas dendritos.

Essas ramificações se estabelecem no dia-a-dia.

Se as vivências são ricas e intensas, os dendritos tendem a ser mais longos e abundantes. Conseqüentemente, mais fortes serão as conexões entre as células nervosas.

Com o avançar da idade, alguns dendritos se encurtam, outros morrem.

É inevitável. Se essa fatalidade reverterá em diminuição ou perda da capacidade cognitiva, depende da quantidade e qualidade das conexões estabelecidas durante a infância e a juventude.

Recentemente, jogou-se uma pá de cal sobre um dos mais antigos dogmas da neurociência.

O de que os neurônios seriam as únicas células humanas incapazes de se multiplicar.

As últimas pesquisas mostram que o cérebro produz neurônios durante toda a vida – até na velhice.

Contudo, a eficiência com que eles se conectarão uns aos outros depende também do tanto que o cérebro foi estimulado em anos anteriores.

A base estabelecida até a juventude é quase tudo, mas não é tudo.

Boas conexões neuronais podem ser feitas em qualquer época da vida.

Evidentemente, depois da maturidade o esforço é maior, como sabe qualquer quarentão que esteja aprendendo uma nova língua.

O importante é manter a atividade intelectual.

Inclusive para preservar o que foi conquistado lá atrás.

O cérebro estimulado com leitura, resolução de problemas matemáticos ou em tarefas prosaicas, como fazer palavras cruzadas, escrever de próprio punho, podem evitar que uma pessoa sofra de problemas típicos do envelhecimento.

Uma pesquisa realizada no "Hospital Francês de Buenos Aires", no fim da década de 80, mostra a importância da atividade intelectual para a saúde do cérebro.

Ao analisarem dois grupos de pacientes com mais de 65 anos, os médicos verificaram que a incidência do mal de Alzheimer, doença degenerativa do sistema nervoso, era cinco vezes maior entre aqueles que não tinham diploma universitário.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Notícias do Planalto Central


Capital estrangeiro na Saúde

Um fato marcante que merece debate é a aprovação, em dezembro, da Medida Provisória 656.

Inicialmente, tratava de matéria tributária e financeira, contudo foi enxertada com mais de trinta temas que não possuem qualquer pertinência à tributação.

Um deles é a autorização para o ingresso de capital estrangeiro nos hospitais e clínicas. Em 1988, nossa Constituição vedava a participação de empresa ou capital estrangeiro na assistência à saúde, com poucas exceções, como doações ou cooperação técnica. Progressivamente, foi liberada a participação em seguradoras, planos de saúde, laboratórios e agora se abre a possibilidade de atuar diretamente nas ações e serviços de saúde.

O tema é polêmico, pois de um lado traz novos recursos com a perspectiva de melhoria tecnológica e ampliação da capacidade de investimento.

Por outro, não há duvida de que estes recursos vêm em busca de lucro, o que pode levar a um viés no interesse de investir em áreas com maior potencial lucrativo, sem necessariamente estar alinhado às necessidades de nossa população.

Uma coisa parece certa: dificilmente estes recursos serão aplicados no Sistema Único de Saúde, cujos hospitais são altamente deficitários.

Mais uma vez, convivemos com a política de subfinanciar o SUS e estimular a aquisição de planos de saúde, na contramão daquilo que a população considera prioritário.

Fonte: Associação Paulista de Medicina

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Cuidador de idosos


O progressivo envelhecimento da população e os recentes progressos da medicina têm feito surgir um contingente populacional de idosos cada vez mais frágeis e dependentes da ajuda de outras pessoas.

Há indivíduos que envelhecem com certa independência, mas mesmo eles podem precisar de auxílio para executar as atividades cotidianas de que não sejam mais capazes de realizar por si mesmos ou para executarem o seu processo de reabilitação, quando for o caso.

Outros tornam-se totalmente dependentes como, por exemplo, os portadores da doença de Alzheimer e de Parkinson em estágios avançados, certos tipos de sequelados de acidentes vasculares cerebrais e acamados em geral, e precisam de ajuda permanente.

A vida social atual raramente permite que um familiar possa estar disponível para a tarefa de assistir o idoso. Assim, vai surgindo aos poucos a nova profissão de “cuidador de idosos”.

Baseada de início em princípios intuitivos, a profissão requer hoje o estabelecimento de algumas regras e conhecimentos a serem seguidos por todos os “cuidadores”, de modo que ele se torne um profissional cada vez mais habilitado para seu mister.

Como grande número de idosos são também doentes ou portadores de sequelas, o cuidador ideal deve reunir algumas habilidades de enfermagem com outras de acompanhante diligente.

O requisito principal é gostar da função de ajudar e não estar apenas cumprindo uma tarefa que, em si, pode ser desinteressante e às vezes difícil.

Ou seja, cuidar com cuidado e atenção.

Por outro lado, esta função requer paciência, tolerância e compreensão, qualidades que o cuidador ou tem ou não tem de maneira espontânea e que dificilmente podem ser treinadas ou adquiridas.

O cuidador não deve ser simplesmente uma pessoa que “faz pelo outro”, mas que seja capaz de estimular aquilo que o outro sabe fazer e fazer por ele apenas o que ele mesmo não consegue mais realizar.

Antes de tudo, a pessoa que deseja ser cuidador deve considerar se o seu perfil pessoal é adequado às tarefas que vai desempenhar e então buscar os conhecimentos e informações que vai necessitar.

Cada idoso apresenta características muito diferentes uns dos outros, especialmente se está sadio ou doente.

Uma das peculiaridades mais comum aos idosos é a de não tolerar mudanças ou novidades.

Eles se apegam a uma rotina costumeira em seus hábitos e ambiente e desejam que ela seja cumprida sem variações.

Assim, reagem negativamente às mudanças de seus horários, à disposição de seus afazeres e mesmo a uma simples mudança da posição de seus móveis.

Terem de se adaptar a uma ligeira modificação nos seus horários ou a uma nova disposição de seus móveis constitui para eles uma grande dificuldade.

Isso lhes impõe novas tarefas, para as quais não estão dispostos, nem preparados.

Em geral, eles têm um entendimento das coisas e uma reação a elas diferente das demais pessoas e muitas coisas que parecem óbvias para todos não parecem assim para o idoso.

Outro comportamento muito comum aos idosos é o esquecimento, principalmente de fatos recentes, e a repetição dos casos que conta.

Ele pode querer que se explique e re-explique várias vezes uma mesma coisa simples, explicação da qual se esquecerá em seguida.

Com a progressão da perda de memória também os fatos antigos serão esquecidos, mas muitos idosos guardam excelentes recordações do passado quando já não conseguem mais lembrar-se de acontecimentos recentes.

Do ponto de vista afetivo, alguns idosos são bem humorados, alegres ou mesmo divertidos, enquanto outros apresentam-se mal humorados, carrancudos, tristes e até agressivos.

Algumas outras características embora não sejam comuns a todos, são frequentes em muitos deles.

Alguns idosos costumam alimentar a suspeita injustificada de que as pessoas estão lhe subtraindo objetos ou valores; outros se tornam avarentos e não concordam em fazer gastos, mesmo dentro de suas possibilidades e em proveito próprio.

Muitas vezes o idoso usa próteses, órteses ou tem de valer-se de acessórios como bengalas, muletas, andadores, cadeiras de rodas, tubos de aeração, sondas, etc., que o cuidador deve saber como manejar adequadamente.

Obviamente nem todo idoso precisa dos mesmos cuidados e uma das primeiras tarefas do cuidador deve ser a de reconhecer o que é necessário para cada indivíduo.

O cuidador deve:

•Conseguir que o idoso mantenha uma orientação tempo-espacial da melhor forma possível.
•Ter cuidados com a alimentação, tanto em termos de higiene quanto de qualidade.
•Zelar pela boa hidratação da pele, pois a maioria dos idosos apresenta pele bastante frágil e que necessita de uma hidratação especial.
•Manter cuidados com o vestuário.
•Cuidar da higiene pessoal, observando a escovação dos dentes, os banhos diários, os cabelos penteados, as unhas limpas e cortadas, etc.
•Estimular atividades que enriqueçam o lazer e tragam prazer de viver, tais como passear, tomar sol, ler, ir ao teatro e ao cinema, por exemplo.
•Administrar os medicamentos de forma correta e nos horários prescritos pelo médico do idoso.
•Ser vigilante com a prevenção de escaras (úlceras por pressão). Principalmente no caso de idosos acamados, que devem ser mudados frequentemente de posição, para que não tenham escaras.
•Comunicar à família qualquer observação relevante na rotina dos idosos.

O idoso deve estar informado de onde se encontra, bem como de qual é o atual período do dia (manhã, tarde ou noite). Em pacientes demenciados a desorientação é uma das causas de confusão e agitação. Se possível, um calendário e um relógio devem ser mantidos ao alcance deles.

Por outro lado, os idosos devem manter certas rotinas que demarquem o tempo como, por exemplo, assistir programas periódicos de televisão, trocar a roupa de cama em um dia certo da semana, comparecer à missa aos domingos, etc.

Com relação ao vestuário, deve-se ficar atento às variações da temperatura ambiente, evitar chinelos, pois eles facilitam quedas, dando preferência a calçados antiderrapantes e livres de cadarços.

Devem ser retirados do chão os tapetes, sapatos e fios, as três coisas que mais causam tombos nos idosos dentro de casa. Além de brinquedos no chão, caso o idoso viva na mesma casa em que se encontrem crianças.

O cuidador deve acompanhar o idoso nas consultas médicas, para que possa prestar atenção às recomendações médicas.

O cuidador deve ser também capaz de prestar pequenos serviços de enfermagem, como tomar a temperatura ou a pressão arterial, fazer pequenos curativos, auxiliar o idoso em suas necessidades fisiológicas, dar banhos, etc.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Biópsia Renal


Uma biópsia é um procedimento mediante o qual se colhe um fragmento de tecido orgânico ou uma pequena quantidade de células (“amostra”) para posterior determinação da sua natureza, em laboratório.

Como a biópsia analisa apenas uma minúscula parte do tecido em causa, às vezes, por azar, esse pequeno fragmento do parênquima orgânico não apresenta sinais de doença, embora ela exista.

Nesses casos, havendo fortes suspeitas de doença é conveniente repetir a biópsia, na tentativa de se acessar uma região que esteja acometida.

Fala-se em biópsia renal quando essa técnica é aplicada ao rim. A biópsia renal é utilizada pelos nefrologistas sempre que outros exames não são capazes de esclarecer com precisão a doença renal com que estejam às voltas.

Nela retira-se um fragmento do rim, de um a dois centímetros de comprimento, por meio de uma agulha apropriada.

A análise microscópica desse fragmento permite, em muitos casos, estabelecer diagnósticos, tratamentos e prognósticos apropriados.

Antes da biópsia renal deve ser tomada uma história clínica que verifique fatores que favoreçam sangramentos, entre eles, o uso de anticoagulantes, antiagregantes plaquetários ou anti-inflamatórios.

Se o paciente estiver tomando alguma dessas drogas ela deve ser suspensa pelo menos uma semana antes do procedimento.

Podem ser feitas também análises de sangue para avaliar a coagulação e diminuir a incidência de hemorragias e análises de urina para avaliar a presença de infecção urinária, uma das contraindicações para a biópsia.

O paciente deve fazer também uma ultrassonografia renal antes da biópsia, porque ela descarta a presença de rim único, tumores, cistos, rins fibróticos ou atrofiados, outras contraindicações para a biópsia renal percutânea.

A biópsia renal é feita em um ambiente hospitalar. Previamente, deve ser feita limpeza da pele na região em que a agulha de biópsia será introduzida e feita uma anestesia local.

Em crianças ou em pacientes não colaborativos pode-se fazer uma sedação.

Com o paciente deitado em uma maca em decúbito ventral (“de barriga para baixo”) é introduzida em seu flanco, através da pele (biópsia renal percutânea) uma agulha apropriada, especialmente longa para atingir o rim, do qual então é aspirada certa quantidade de células.

Uma ultrassonografia localiza o rim e o ponto a ser biopsiado.

Em geral a agulha é introduzida na região lombar, abaixo da última costela.

Ela tem em sua extremidade um mecanismo automático que ao ser acionado pelo médico retira um fragmento do tecido renal.

O processo é repetido mais de uma vez, para que se obtenha pelo menos duas amostras de locais diferentes do rim.

Quando bem feito, o procedimento é praticamente indolor e a única coisa que o paciente sente é uma pequena dor ou desconforto no local da punção, depois que cessar o efeito da anestesia. Todo o procedimento dura cerca de 20 a 30 minutos.

Após o procedimento, o paciente deve manter-se em observação por pelo menos doze horas, em repouso absoluto, devido ao risco de sangramento.

A biópsia renal deve ser feita nos casos de doenças dos rins cuja natureza não se consiga elucidar simplesmente com avaliação clínica e laboratorial.

Na maioria das vezes, a biópsia renal é indicada quando há proteinúria significativa, hematúria ou insuficiência renal de causas desconhecidas, suspeita de glomerulonefrites, alterações da creatinina com hematúria e proteinúria, sem causa evidente.

A biópsia renal também pode ser utilizada no acompanhamento dos resultados dos transplantes renais, sendo o modo mais preciso para detectar a rejeição.

A biópsia renal não deve ser feita por paciente que:
•Tenha rim único, rins atrofiados ou rins policísticos.
•Tenha alterações da coagulação sanguínea.
•Use drogas que alterem a coagulação.
•Sofram de hipertensão arterial não controlada.
•Apresentem infecção urinária ou hidronefrose.

Não se deve biopsiar o rim quando a causa da lesão renal for óbvia como no diabetes mellitus de longa data, por exemplo, ou de outras enfermidades.

O médico assistente pode indicar outras situações em que a biópsia renal não deva ser feita.

Todos os pacientes sangram, em maior ou menor grau.

Como o rim é um órgão muito vascularizado é praticamente impossível não se atingir um pequeno vaso sanguíneo com a agulha de biópsia.

A maior parte dos pacientes apresenta hematúria (sangue na urina), em alguns casos hematúria visível a olho nu.

Em alguns poucos casos pode ser necessária uma transfusão de sangue e mais raramente pode ser preciso uma cirurgia para controlar a hemorragia e mais raramente ainda pode-se ter que remover o rim.

Como em todo procedimento médico invasivo, existem riscos inerentes ao próprio ato.

Em alguns poucos casos pode ser necessária uma transfusão de sangue, pode ser preciso uma cirurgia para controlar a hemorragia e mais raramente pode-se ter de remover o rim.

Em cerca de dois casos em mil, o paciente pode inclusive vir a óbito em virtude de complicações da biópsia renal.

A complicação mais frequente e geralmente quase única da biópsia renal é o sangramento. É importante que o sistema de coagulação do organismo esteja normal e interrompa o sangramento.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ácido úrico


O ácido úrico é uma substância produzida normalmente pelo organismo.

Ele é um produto que resulta do metabolismo da purina (uma proteína contida em vários alimentos e no próprio organismo) e é eliminado principalmente pela urina e, em menores quantidades, pela bile e pelas fezes.

O nível de ácido úrico no sangue depende do ritmo da sua produção e eliminação, mas a concentração excessiva ou o déficit dele causam sintomas.

Seu excesso provoca o depósito de cristais em vários órgãos do corpo, principalmente articulações, causando gota, e rins, causando cálculos.

Níveis baixos de ácido úrico indicam a possibilidade de doença de Wilson ou câncer, bem como o uso de certos fármacos.

A dosagem sanguínea do ácido úrico é usada também para fornecer uma noção indireta do estado da filtração renal.

O excesso de ácido úrico, por ingestão excessiva ou produção aumentada, ocasiona o depósito de cristais de urato de sódio nas articulações, sob a pele, nos rins e em vários outros órgãos do corpo.

O depósito de ácido úrico nas articulações ocasiona uma artrite dolorosa que pode afetar todas as articulações, mas que predomina nas dos membros inferiores.

O depósito nos rins ocasiona a formação de cálculos renais (litíase renal) ou leva à insuficiência renal aguda ou crônica (nefropatia úrica).

Níveis altos de ácido úrico podem ser indicativos de gota, insuficiência renal, anorexia, leucemias, infecções agudas, eclampsia, choque, cetose diabética, intoxicação por chumbo, acidose metabólica, estresse, alcoolismo, exercício vigoroso, policitemia, psoríase.

Contudo, a enfermidade mais típica do excesso de ácido úrico é a gota (veja imagem acima), em que os cristais de ácido úrico são depositados nas articulações ou nos rins.

Aproximadamente 90% dos pacientes com gota são homens acima dos 40 anos de idade.

A medida da concentração de ácido úrico pode ser feita no sangue e na urina e só deve ser realizada após um jejum prévio de 8 horas.

Os valores normais da concentração de ácido úrico no sangue humano variam entre 2,4 e 6 mg/dl, nas mulheres; e entre 3,4 e 7,0 mg/dl, nos homens.

Na urina, entre 0,24 e 0,75 g/dia. Esses valores podem ser mais baixos nos vegetarianos, que ingerem menos proteína animal.

Como diminuir a concentração sanguínea do ácido úrico?

• Beber bastante água para ajudar o organismo a eliminar o ácido úrico.
• Ingerir bastante leite e derivados, que melhoram a eliminação do ácido úrico.
• Evitar o estresse físico.
• Evitar alimentos industrializados e ter uma dieta rica em frutas e verduras.
• Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente de cerveja, que é rica em purina.
• Evitar o uso de diuréticos e anti-inflamatórios.
• Evitar alimentos ricos em purina (carne vermelha, frutos do mar e miúdos).
• Usar, quando indicado por um médico, medicamentos que inibem a produção ou aumentam a excreção de ácido úrico.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Pranayama: um exercício respiratório


De um ponto de vista (muito) simplificado, poderíamos dizer que pranayama é um prática ou execício respiratório.

Isto é sem dúvida uma definição demasiadamente limitada, mas vamos começar por aí.

A palavra “pranayama” poderia ser interpretada como extensão ou alongamento da energia vital (ayama = extensão / prana = energia vital). Alguns interpretam como sendo o controle do prana, pois yama significa controle.

Controle, extensão… Não importa. Importa o objetivo, a idéia por traz deste conceito.

Respiração, Mente e Prana estão fortemente relacionados.

Você já observou o que acontece quando sua respiração está irregular ou superficial ou rápida demais?

Sua mente, seus pensamentos acompanham o mesmo padrão, e certamente você não deverá estar se sentindo com muito vigor.

Quando estamos ansiosos, agitados ou nervosos nossa respiração tende a fica mais rápida e irregular.

Quando estamos desviltalizados, tristes, depressivos, a respiração fica mais superficial, fraca.

A respiração é um processo vital do corpo, influenciando as atividades de cada célula, e em especial o desempenho do cérebro.

Um ser humano respira em média 15 vezes por minuto, totalizando cerca de 21.600 vezes em um dia!

Então não é difícil perceber a importância e o impacto da respiração em nossas vidas.

Respirar de forma ritmada, lenta e profunda traz vários benefícios como a calma, o contentamento.

A recíproca também é verdadeira.

Quando nos sentimos tranqüilos e felizes, nossa respiração segue o mesmo padrão.

Assim, podemos utilizar a respiração para controlar nossos estados mentais.

Mas isso requer um pouco de prática e dedicação, pois apesar de respirarmos sem parar raramente fazemos isso com consciência.

E uma boa prática começa aí: consciência no ato de respirar, ser o observador da sua respiração.

Por si, isto já traz a mente para o estado presente e disciplina nossos pensamentos.

Existem vários pranayamas, praticados de forma diferente e com objetivos específicos, como kapalabhati, bhastrika, anuloma-viloma (respiração polarizada), dentre outros.

Apesar de parecer simples, pois estamos “apenas respirando”, algumas práticas possuem contra-indicações, e se executadas de modo incorreto podem trazem prejuízos a saúde.

Por isso, é importante procurar sempre pelas instruções e orientações de um profissional com conhecimentos das práticas e do caminho do Yoga.



fonte: Arte do Bem Viver

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Melatonina


Além de induzir o sono, a Melatonina é um poderoso agente antioxidante que, como outros antioxidantes, pode retardar o processo de envelhecimento.

Como antioxidante a Melatonina possivelmente reduz o nível do hormônio catabólico cortisol.

Existem também evidencias de que a Melatonina estimula a produção de HGH - Hormônio do Crescimento.

É um neuro-hormônio produzido pelas glândula pineal e, acredita-se, apresenta como principal função regular o sono.

Esse hormônio é produzido a partir do momento em que fechamos os olhos.

Na presença de luz, entretanto, é enviada uma mensagem neuro-endócrina bloqueando a sua formação, portanto, a secreção dessa substância é quase exclusivamente determinada por estruturas fotossensíveis, principalmente à noite.

A Melatonina é uma substância classificada como indolamina e tem como precursora a serotonina, um importante neurotransmissor.

Especula-se que a as estruturas fotoreceptivas, da retina e da glândula pineal, produzem a Melatonina, modificando a via de síntese da serotonina através de uma enzima, a serotonina-N-acetiltransferase.

O declínio da produção de Melatonina pode ter várias causas, entre elas:

> desnutrição;
> interação de drogas e medicamentos;
> stress; (uma pessoa sob stress produz normalmente mais adrenalina e cortisol)
> envelhecimento;
> Para termos um sono reparador é necessário que a Melatonina seja secretada adequadamente pela pineal e supõe-se que outras funções sejam exercidas pela Melatonina, tais como a de regulação térmica do organismo e alterações do comportamento sexual.

Outras funções desempenhadas pela Melatonina:

> Tem influência significativa na velocidade de síntese e manutenção dos ossos em idosos;
> É um agente de manutenção da harmonia e do funcionamento do Sistema Imunológico.

Fontes Naturais:

A melatonina existe em pequenas quantidades em frutos e vegetais como a cebola, a cereja e a banana, em cereais como o milho, a aveia e o arroz, em plantas aromáticas como a hortelã, a verbena, a salva e o tomilho, e no vinho tinto.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Vacina Salk


A vacina Salk contra a poliomielite (paralisia infantil) é feita de vírus inativados, para aplicação intramuscular ou subcutânea.

Em crianças pequenas geralmente é aplicada na região glútea ou na região anterolateral superior da coxa e em crianças maiores ou adultos na região do músculo deltoide.

A primeira e segunda doses devem ser aplicadas aos 2 e 4 meses de idade, respectivamente, e a terceira dose entre 6 e 12 meses após a segunda dose.

No Brasil, o Ministério da Saúde vai substituir gradualmente a gotinha Sabin (vírus vivo atenuado) pela injeção Salk (vírus morto) nas campanhas de vacinação.

Essa vacina foi desenvolvida pelo médico norte-americano Jonas Salk em 1954 e desde 2000 é a única vacina contra poliomielite utilizada nos Estados Unidos.

A paralisia infantil ou poliomielite (polio = cinzenta; mielos = medula, ite = sufixo que indica inflamação) é resultante de uma infecção viral que afeta principalmente crianças pequenas, mas que pode também acometer adultos.

Quando ataca o sistema nervoso, essa infecção pode causar paralisias musculares e deformidades no corpo.

Em alguns casos a infecção pelo vírus pode ser mortal, embora a maioria das pessoas infectadas não apresente sintomas, mas continue contaminando outras pessoas.

Graças à simplicidade das vacinas atualmente existentes (Salk - 1955; Sabin - 1962) e às eficientes campanhas de vacinação, a paralisia infantil quase foi erradicada em todo o mundo, embora ainda seja comum em certos países da África e da Ásia.

Há tempos atrás, anteriormente às vacinas, os hospitais pediátricos viviam repletos de casos graves, muitas vezes dependendo de recursos mecânicos para sobreviver, sobretudo os chamados “pulmões de aço”, recurso a que muitas crianças lúcidas se viam presas para poderem respirar.

A vacina Salk pode ser aplicada a pacientes imunodeficientes em geral, a contatos domiciliares de indivíduo imunodeficientes e para fazer a profilaxia da poliomielite em crianças sadias.

Ambas as vacinas existentes contra a poliomielite, a Salk (injetável) e a Sabin (“gotinha”) são igualmente eficazes.

A Salk oferece proteção de 85 a 100% após duas doses e 100% após as três doses.

Os adultos não vacinados, quando viajarem para áreas de risco, devem receber pelo menos as duas primeiras doses da vacina Salk.

Existem duas vacinas contra a poliomielite: a vacina Salk, de vírus inativados, e a vacina Sabin, de vírus atenuados.

A vacina Salk tem sobre a vacina Sabin a vantagem de não gerar cepas mutantes do vírus e é, portanto, sem risco de causar a paralisia, podendo ser usada com segurança em imunodeficientes.

As principais desvantagens da vacina Salk em relação à vacina Sabin reside no fato de ela ser injetável e de custo mais elevado.

Os efeitos colaterais da vacina Salk são muito raros e de pouca significação.

Podem ocorrer eritema e endurecimento no local da aplicação e algum grau de dor dentro de 48 horas após a aplicação. Têm sido descritos também sonolência, choro e diminuição do apetite.