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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Hemoglobina glicada: o que é?



Além dos tradicionais exames da glicemia de jejum, glicemia pós-prandial e teste de tolerância à glicose para o controle de açúcar no sangue, pode-se ter dados sobre a glicemia média estimada nos últimos dois ou três meses, através da hemoglobina glicosilada (ou hemoglobina glicada ou, ainda, hemoglobina A1C, a principal fração de hemoglobina glicosilada).

O objetivo dessa medida é um melhor controle do diabetes, mantendo os níveis de glicose no sangue o mais próximo possível do normal. A glicemia média estimada é uma avaliação da média da glicemia nos últimos dois ou três meses e não corresponde a nenhuma dosagem isolada de glicose.

A hemoglobina glicosilada foi reconhecida como uma glicoproteína em 1968, mas o uso dela para monitorar o controle do metabolismo da glicose só foi proposto em 1976.

Pacientes com diagnóstico recente de diabetes devem fazer a medição da hemoglobina glicosilada para avaliar como estão seus níveis de glicemia. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia recomenda que em pacientes diabéticos ou pré-diabéticos o teste seja feito pelo menos duas vezes por ano. O exame pode ser realizado diversas vezes até que o controle desejado seja atingido e mantido.

O exame é também usado para o diagnóstico de diabetes. Entretanto, não deve ser usado em gestantes ou em pessoas que tiveram sangramento intenso ou receberam transfusões de sangue há pouco tempo, pessoas com doença crônica renal ou hepática ou pessoas com doenças sanguíneas.

A hemoglobina glicosilada permite um melhor controle em longo prazo dos níveis de glicose no sangue e uma melhor prevenção de complicações cardiovasculares, nefropatia, neuropatia e retinopatia.

Normalmente, o açúcar presente no sangue adere à hemoglobina em valores que variam paralelamente às taxas de glicemia. Quanto maior o tempo de hiperglicemia, mais a glicose se liga à hemoglobina e maior será a taxa de hemoglobina glicosilada. Essas taxas são expressas em percentagem e devem manter-se abaixo de 7% (idealmente, abaixo de 6%). Os resultados devem obedecer ao seguinte critério:

(1) não diabéticos: a hemoglobina glicosilada deve estar entre 4,0% e 6,0% e a glicose média estimada entre 68-126 mg/dL;

(2) pré-diabetes: a hemoglobina glicosilada está entre 5,7% - 6,4% e a glicose média estimada entre 117-126 mg/dL;

(3) diabetes: a hemoglobina glicosilada está acima de 6,5% e a glicose média estimada acima de 140 mg/dL.

Uma forma de cálculo a partir dos valores da hemoglobina glicosilada permite estimar os valores médios da glicemia nos últimos 2 a 3 meses.

Isso é possível porque cada hemácia é destruída e substituída a cada quatro meses (120 dias) e antes disso, as hemácias guardam uma “memória” dos níveis de glicose a que estiveram expostas, já que a molécula de hemoglobina, uma vez glicosilada, continua indefinidamente dessa mesma forma.

Por isso, quando examinada, ela revela, através de seus valores, aplicados a uma fórmula matemática, o nível de glicose a que as hemácias estiveram expostas.

Assim, como as hemácias não são todas submetidas à lise ao mesmo tempo, a medida é referida aos três últimos meses. A percentagem de hemoglobina glicosilada é então convertida em unidades de glicemia, segundo a fórmula 28,7 × Hemoglobina glicosilada – 46,7, para que o resultado possa ser comparado aos outros resultados da glicemia, obtidos da maneira tradicional, em um laboratório. Dessa forma, para uma hemoglobina glicosilada de 6,0%, por exemplo, a glicemia média estimada é de 126 mg/dL.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Provas de Função Hepática



As provas de função hepática são exames laboratoriais feitos com o intuito de conferir se o fígado está funcionando normalmente. As verdadeiras provas de função hepática são aquelas que medem a síntese de proteínas produzidas pelo fígado ou a capacidade do fígado para metabolizar drogas. A maioria dos testes normalmente utilizados mede lesão hepatocelular, em vez de função hepática, de modo que a denominação “provas de função hepática” não é inteiramente correta, embora consagrada.

A avaliação dos exames é mais importante quando se analisa a taxa de mudança ao longo do tempo, correlacionando com dados clínicos dos pacientes. Por exemplo, se há flutuação leve, aumento ou diminuição progressiva.

As provas de função hepática frequentemente fazem parte da linha de investigação de um grande número de diferentes situações clínicas. Elas não são específicas para sistemas e doenças determinadas, mas a anormalidade delas pode indicar condições significativas ou graves. No entanto, quando combinadas com uma história clínica, medicamentos ou a presença de quaisquer sintomas, geralmente é possível desenvolver um diagnóstico diferencial.

Provas de função hepática anormais não indicam necessariamente qualquer anormalidade subjacente da função hepática. Os valores "normais" admitem um desvio de ± 2, de uma escala normalmente distribuída. Assim, 95% de pessoas sem patologias estarão dentro da "faixa normal", mas 2,5% estarão acima dela e 2,5% abaixo dela.

As principais substâncias medidas para avaliar as funções do fígado são:

1. Bilirrubina

A bilirrubina é derivada da destruição das hemácias, células vermelhas do sangue, e é responsável por ajudar na digestão de gorduras. Está presente no organismo em duas formas: indireta ou não conjugada e direta ou conjugada. A forma indireta está presente primariamente no sangue, enquanto a forma direta já passou pelo fígado, onde foi conjugada, e está pronta para atuar na digestão. Quando se fala na forma total refere-se à soma das duas (indireta+direta). É excretada pela urina.

2. Albumina

A albumina conjugada e não conjugada pode ser medida pelas frações da bilirrubina direta e indireta, respectivamente. A albumina é um marcador sensível da função hepática, embora não seja útil na fase aguda, uma vez que tem meia-vida longa (20 dias). Níveis baixos de albumina podem ser em função de problemas nutricionais ou perda de proteínas devido à doença renal, insuficiência de síntese de proteínas e algumas condições inflamatórias do fígado.

3. Proteína total

A proteína total mede o total de albumina e globulinas, as duas proteínas principais. É geralmente normal em doenças do fígado, em que os níveis de globulina tendem a aumentar e os de albumina tendem a cair. Valores altos são vistos em hepatites crônicas ativas, hepatites alcoólicas e em pessoas com hiperatividade do sistema imunitário, tais como infecção aguda, doença inflamatória crônica e mieloma múltiplo.

4. Aminotransferase

As aminotransferases (alanina aminotransferase - TGP e aspartato aminotransferase - TGO) são enzimas presentes dentro das células do fígado e portanto sua alteração está diretamente ligada com disfunções neste órgão. Com a morte destas células, por doença hepática ou outros motivos, essas enzimas saem de dentro das células e vão parar no sangue, aparecendo aumentadas no exame laboratorial. São medidas, pois, para indicar vazamento de células danificadas devido à inflamação ou morte celular.

5. Creatinina quinase

A creatinina quinase (CK) pode ajudar a determinar a origem das transferases aumentadas. Níveis muito elevados de CK (>1000 UI/L) sugerem hepatite induzida por drogas, hepatite viral aguda, isquemia ou hepatite autoimune. Além disso, a proporção TGO/TGP pode dar algumas pistas adicionais sobre a causa: na doença hepática crônica a TGP>TGO, enquanto a cirrose é estabelecida por TGO>TGP.

6. Gama-glutamil transferase

A Gama-glutamil transferase (GGT) pode se apresentar alterada em todas as doenças hepáticas. Os níveis de GGT podem ser duas a três vezes maiores do que o valor de referência em pacientes com doença hepática crônica e podem estar associados à lesão do ducto biliar e fibrose. A especificidade da GGT não é grande, mas de alta sensibilidade para a doença do fígado, o que torna essa enzima bastante útil.

7. Fosfatase alcalina

A fosfatase alcalina (ALP) é uma enzima distribuída por diversas partes do corpo como fígado, intestinos, ossos, rins, placenta, entre outros. Seus valores normais são altamente dependentes da idade e sexo do paciente, sendo mais altos em idosos, crianças e gestantes. A dosagem de uma segunda enzima, a Gama-Glutamiltranspeptidase – Gama GT – indica se ela vem ou não do fígado.

Existe principalmente nas células que revestem os ductos biliares, mas também nos ossos. A elevação acentuada é típica de colestase, com GGT elevada, ou doenças ósseas, com GGT geralmente normal. Se a GGT é normal, um elevado resultado de ALP sugere doença óssea. A ALP é fisiologicamente aumentada quando há um aumento da renovação óssea, como, por exemplo, na adolescência e no terceiro trimestre da gravidez.

8. Gama-Glutamiltranspeptidase

A Gama GT é uma enzima presente em diversos órgãos como rins, pâncreas, baço e coração, entre outros. É um sensível indicador de doença do fígado, porém, pode estar aumentada por doenças em outros órgãos.

Além desses, podem ainda ser feitos exames do tempo de protrombina, sorologia viral, tela de auto-anticorpos, imunoglobulinas, ferritina sérica, saturação de transferrina, alfa-fetoproteína, cobre/ceruloplasmina e alfa-1 antitripsina, todos eles indicadores de algumas patologias.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O que é a 'cistoscopia'?


Cistoscopia (ou ureteroscopia) é um exame endoscópio das vias urinárias baixas que possibilita uma visibilização ótica dos segmentos uretrais, do interior da bexiga e da porção terminal dos ureteres.

O preparo para esse exame é muito simples. O paciente deve estar em jejum de quatro horas, suspender cerca de sete dias antes qualquer anticoagulante que faça uso e fazer um exame de urina, pois se houver infecção urinária a cistoscopia está contraindicada.

O exame dura cerca de vinte minutos. O aparelho utilizado para sua realização é o cistoscópio. Há dois tipos de cistoscópio, eles consistem em um tubo delgado que pode ser introduzido na uretra; um deles é semirrígido e o outro é flexível.

Na maioria das vezes o exame é realizado com anestesia local, em forma de gel, mas pode necessitar anestesia geral, conforme o caso. Normalmente, é feito em ambulatório, não necessitando de internação. Habitualmente, o paciente estará deitado em decúbito ventral (cistoscópio semirrígido), com os joelhos semifletidos (numa posição semelhante à posição ginecológica), ou em decúbito dorsal (cistoscópio flexível).

O cistoscópio é então introduzido pela uretra até a bexiga. A escolha do tipo de cistoscópio, se rígido ou semiflexível, depende do objetivo do exame. Então, o médico introduz água através do cistoscópio até encher a bexiga e permitir uma melhor visualização de suas paredes. O cistoscópio carrega em sua extremidade lâmpadas de xenon e halógenas e uma minicâmera que transmite por fibra ótica imagens para um monitor.

O aparelho pode também, em casos de necessidade, retirar fragmentos de tecidos para biópsias. Durante o exame pode haver algum desconforto na introdução do cistoscópio pela uretra, a qual deverá estar lubrificada e anestesiada. Depois de enchida a bexiga, o paciente pode sentir intensa vontade de urinar, a qual precisa ser tolerada durante a realização do exame. Se for feita biópsia, o paciente pode sentir uma sensação de pinçamento no momento da retirada do tecido.

Depois de retirado o cistoscópio é possível que a uretra fique dolorida, que se sinta ardor ao urinar ou que a urina esteja sanguinolenta, se foi feita biópsia. O paciente poderá retornar para casa depois do procedimento.

As principais indicações da cistoscopia são: diagnóstico e acompanhamento de distúrbios das vias urinárias, diagnóstico e acompanhamento dos tumores da bexiga ou da uretra, diagnóstico de infecções recorrentes da bexiga, resolução de problemas criados por cálculos na bexiga e realização de biópsia endoscópica da bexiga ou da uretra, quando necessárias. Outras indicações menos comuns são ainda possíveis, como avaliação do tamanho da próstata, divertículos da uretra ou da bexiga, fístulas, corpo estranho dentro da bexiga, etc.

Geralmente, o exame não implica em riscos significativos, no entanto, podem ocorrer infecção, sangramento excessivo causado pela biópsia e ruptura da parede da bexiga. É normal que apareça uma pequena quantidade de sangue na urina após o procedimento, o qual deve desaparecer rapidamente.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Laringoscopia direta: o que é?


A laringoscopia é um exame realizado para a análise do nariz, da laringe, da faringe e da boca. Estes locais são observados com o uso de um pequeno tubo flexível que recebe o nome de endoscópio. Este aparelho consegue gerar imagens ampliadas do local e em alta resolução.

Geralmente ele é composto por uma fonte de luz somada a um reprodutor de imagem. Esta imagem pode ser gerada via fibra óptica ou através de micro-câmeras, por exemplo.

Além da visão dos locais em alta resolução, o endoscópio permite ainda que biópsias sejam feitas para uma análise posterior. Durante o procedimento, médico e paciente podem acompanhar as imagens através de uma pequena tela.

A laringoscopia é, portanto, um excelente método para análise e para biópsias, podendo ser até mesmo realizada sem gerar quaisquer incômodos ao paciente.

Este procedimento permite uma análise cuidadosa da boca, do nariz, da laringe e da faringe. Através do endoscópio o médico pode analisar o estado das mucosas, lesões, fazer biópsias para análise e diagnosticar diversas doenças como rinites, faringites, entre outras.

Quando o paciente reclama de rouquidão, de refluxos, de dor local, de tosse e de falta de ar, por exemplo, este exame pode ser solicitado pelo médico. Este pode solicitar o exame sempre que necessário e sempre que houver suspeitas de alguma doença na região, como a existência cânceres.

O endoscópio é introduzido na boca do paciente e levado para o local da análise. Pode gerar certo desconforto, apesar da anestesia local. Caso haja muita resistência por parte do paciente, o médico pode decidir pelo uso de algum sedativo, por este motivo não é aconselhado que a pessoa compareça ao exame desacompanhada.

Alguns pacientes são mais sensíveis que outros e a introdução do aparelho pode gerar reações diferentes. Caso uma biópsia seja necessária é mais indicado que o procedimento ocorra em ambiente hospitalar.

Geralmente, o exame leva apenas 10 minutos. Entretanto, devido à anestesia e à sedação o paciente deve permanecer no local por cerca de meia hora.

Antes da laringoscopia é aconselhável comer algo bem leve até 8 horas antes do exame.

A ingestão de água também deve ser evitada por cerca de 6 horas.

Após a aplicação do anestésico no local, evite tossir, assuar o nariz ou pigarrear durante 1 hora, para que este faça efeito na região.

Converse com o seu médico a respeito dos medicamentos que você toma diariamente, para que ele possa decidir sobre interromper ou não o uso dos mesmos para o exame.

Caso haja algum tipo de alergia, também se deve informar ao médico. Jovens menores de 18 anos de idade devem comparecer ao local com os responsáveis.

Pode permanecer por algum tempo uma estranha sensação na região. Caso esteja com dor na garganta ou rouquidão, realize gargarejos ou chupe pastilhas anti-sépticas.

As pessoas que receberem sedativo devem ficar no local caso estejam sozinhas. Fica proibido dirigir e ingerir bebidas alcoólicas nas próximas 12 horas.

Ao chegar em casa o repouso deve ser absoluto também pelas próximas 12 horas. A alimentação deve ser leve e comidas muito quentes precisam ser evitadas.

Em algumas pessoas mais sensíveis pode ser que o endoscópio crie temporariamente alguns transtornos locais. Inflamações ou inchaço na garganta são algumas possibilidades.

No dia do exame é aconselhável fazer compressas geladas no local e, nos dias posteriores ao mesmo, compressas quentes.

Caso haja necessidade, também pode se aplicar pomadas anti-inflamatórias na região.

Se os transtornos persistirem ou algo de errado estiver transparecendo, entre imediatamente em contato com o seu médico.

Somente ele poderá avaliar o que houve de errado e se há alguma atitude para ser tomada.

Normalmente a laringoscopia não apresenta riscos alarmantes, porém sempre existem fatores variantes.