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segunda-feira, 5 de junho de 2017
Costocondrite
Costocondrite é uma condição dolorosa da parede torácica causada por inflamação nas cartilagens que ligam as costelas ao osso esterno. O prefixo "costo" significa relacionado com as costelas, "condr" se relaciona à cartilagem e "ite" é o sufixo médico que se refere a inflamação.
Muitas vezes a costocondrite é tomada (incorretamente) como igual à síndrome de Tietze. Embora ambas as condições possam ter sintomas semelhantes, devido à inflamação, a síndrome de Tietze tende a causar inchaço das articulações e, enquanto a costocondrite ocorre mais frequentemente em mulheres e em pessoas com mais de 40 anos, a síndrome de Tietze ocorre mais em adolescentes e adultos jovens e com igual frequência em homens e mulheres. Mesmo sendo dolorosa, esta doença não é grave.
Não se conhece a causa determinante da costocondrite e, em muitos casos, a condição é dita idiopática. Às vezes, ela pode seguir-se a um trauma ou pressão no peito ou a atividades menores repetitivas a que a pessoa não esteja acostumada.
Pessoas com problemas específicos, tais como osteoartrite, artrite reumatoide, espondilite anquilosante ou fibromialgia podem apresentar também costocondrite. Da mesma forma, pessoas submetidas a grande tensão física, como levantamento de peso, exercício extenuante e tosse severa.
Também as infecções por vírus, bactérias e fungos podem infectar a junção das costelas e, bem assim como os tumores cancerosos e não cancerosos, podem causar costocondrite.
Um pouco sobre a anatomia do tórax: a caixa torácica é uma estrutura formada por ossos rígidos que protegem os pulmões. No entanto, os nossos pulmões precisam de espaço para expandir para que possamos respirar. Para que nosso peito se expanda, as cartilagens das costelas, que são de um material mais macio e flexível, precisam permitir esse movimento. As cartilagens ligam as costelas ao osso esterno e este à clavícula. As articulações entre as costelas e as cartilagens são chamadas de articulações costocondrais, daí o nome costocondrite. Nos casos em que elas se inflamam, produzem dores que se exacerbam com a movimentação.
Nenhuma pessoa específica está em maior risco de ter costocondrite que outra, mas ela tende a afetar especialmente os adultos, embora possa também afetar crianças. Ao que parece, as mulheres são afetadas com mais frequência do que os homens.
O sintoma mais chamativo da costocondrite é uma dor aguda e penetrante, sentida na frente do peito ao nível da 4ª, 5ª e 6ª costelas e que é agravada pelo movimento, esforço, respiração profunda e pressão sobre o peito.
A pressão sobre a área afetada também provoca uma exacerbação aguda da dor. A dor é normalmente limitada a uma pequena área, mas pode ser propagada para uma zona mais ampla. A dor tende a aumentar e diminuir com uma mudança de posição ou na dependência da forma de respirar.
A costocondrite é diagnosticada com base nos relatos dos pacientes sobre seus sintomas e no exame físico. Nenhum exame de laboratório é usado para confirmar o diagnóstico de costocondrite. No entanto, investigações podem ser realizadas para descartar outras causas de dor no peito, como eletrocardiograma, radiografia de tórax, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. As dores no peito são os sintomas mais preocupantes da costocondrite e as que impõem um diagnóstico diferencial mais cuidadoso, porque existem muitas causas de dor no peito e algumas são graves.
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados em casos de costocondrite para aliviar os sintomas. Para os casos graves, que não respondem a essas medicações, podem ser utilizadas injeções de corticoides ou anestésicos locais.
Em casos extremos, pode ser realizado um bloqueio do nervo intercostal. Em casos ainda mais graves e recorrentes, pode ser administrada uma série de injeções para destruir de forma permanente o nervo causador da dor.
Outras medidas, não-medicamentosas, podem ser tentadas para alívio da dor, tais como o uso de almofadas térmicas, aplicação de gelo, estimulação elétrica transcutânea, acupuntura, exercícios de alongamento e prevenção de esportes ou atividades que agravam a dor.
O prognóstico da costocondrite é muito bom. A maioria dos casos melhora em 6 a 8 semanas, com ou sem medicamentos. A costocondrite pode recidivar, mas isso é uma eventualidade improvável.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Doença de Perthes
A síndrome de Legg-Perthes, também chamada síndrome de Legg-Calvé-Perthes ou doença de Perthes, é uma doença infantil degenerativa da articulação do quadril em que ocorre destruição da cabeça do fêmur por necrose, devido à falta de vascularização.
É mais frequente em crianças dos 3 aos 12 anos, embora em casos bastante raros possa também afetar adultos. Esta síndrome pode acontecer em outras espécies animais, como em cães de pequeno porte, especialmente da raça Poodle.
As causas da síndrome de Legg-Perthes ainda são mal conhecidas. Tem-se como teoria principal a ideia de que haja uma interrupção do fornecimento de sangue para a extremidade proximal do fêmur. Além disso, infecções ou lesões traumáticas desta articulação também podem estar implicadas. Com a interrupção do fornecimento de sangue (temporária ou permanentemente), a cabeça femoral começa a morrer e, assim, quebra mais facilmente.
A interrupção da ciculação para a extremidade proximal do fêmur seria devido ao desaparecimento precoce da artéria do ligamento da cabeça desse osso, a qual é responsável por irrigar a cabeça do fêmur nas crianças, antes que a artéria femoral circunflexa medial assuma essa função.
A síndrome de Legg-Perthes evolui caracteristicamente em quatro fases:
•(1) durante a primeira, há o surgimento da inflamação que se instala com a diminuição do aporte sanguíneo;
•(2) na fase seguinte, de necrose, ocorre destruição mais ou menos acentuada da cabeça do fêmur;
•(3) na terceira fase, de fragmentação, há a formação de um tecido de granulação entre as zonas necróticas;
•(4) este processo leva à formação de novos vasos sanguíneos, dando início à fase de remodelação, em que ocorre uma reorganização dos núcleos de ossificação.
Os sintomas da síndrome de Legg-Perthes consistem principalmente em dor no quadril ou virilha, que aumenta com a movimentação da perna, sobretudo a rotação. Pode ocorrer também dor referida no joelho e diminuição da mobilidade da perna afetada, que aliada a um mecanismo de defesa pode levar à atrofia muscular. Raramente é bilateral.
O diagnóstico da síndrome de Legg-Perthes é feito em parte com base nos sintomas. Na fase inicial não há alterações visíveis à radiografia, tornando muito difícil a sua distinção de uma sinovite transitória, mas uma ressonância magnética pode revelar edema na epífise.
Em fases subsequentes, a radiografia pode captar aumento de densidade, fragmentação e, eventualmente, subluxação da epífise, que podem constituir um sinal de risco.
No momento não há nenhum tratamento efetivo para a síndrome de Legg-Perthes, apenas tratamentos paliativos. O paciente acometido pode ser tratado com calmantes ou anti-inflamatórios. O uso de analgésicos deve ser feito com cuidado porque a supressão da dor pode levar o paciente a situações de risco.
O objetivo do tratamento é manter a cabeça do fêmur tão redonda quanto possível. Crianças abaixo de 6-7 anos podem apenas ficar em observação, fazendo tratamento sintomático com alongamento, corrida e saltos limitados, com assistência de um fisioterapeuta. Em alguns casos, a criança pode precisar usar muletas para proteger a articulação. Se houver dor intensa, um período de repouso na cama e de tração pode ajudar.
Para manter a cabeça do fêmur em sua posição normal, o médico pode recomendar um tipo especial de molde para manter as pernas amplamente afastadas. A cirurgia pode melhorar a articulação do quadril e prevenir uma futura artrite. Para crianças com mais de 6 a 8 anos, o realinhamento cirúrgico da articulação permite restaurar uma forma mais normal de articulação do quadril ou fazer a remoção de excesso de ossos ou corpos soltos.
A maior parte das crianças abaixo dos 6 anos de idade evolui bem com tratamentos conservadores. Às vezes, mais tarde é necessário fazer a substituição cirúrgica da articulação do quadril. Contudo, estas cirurgias podem ser complicadas devido a um maior risco de fratura óssea e de lesões nervosas.
Não há como prevenir a síndrome de Legg-Perthes, mas há como minimizar os seus efeitos. O paciente deve ser orientado a evitar impactos sobre a articulação comprometida.
terça-feira, 25 de abril de 2017
Artrose de coluna
A artrose na coluna é uma patologia que afeta as articulações da coluna, sendo um problema muito comum em idosos, mas que pode acontecer em qualquer idade.
Ela também é conhecida como espondilose.
A artrose na coluna é uma doença degenerativa, seu sintoma principal é a dor na coluna, quadril e pescoço.
As articulações com o tempo ficam mais fracas e o indivíduo pode perder a estrutura espinhal, por isso o problema é muito comum em idosos.
A artrose pode afetar várias regiões da coluna como a lombar, a cervical, torácica e sacral, podendo afetar todos esses lugares ou apenas uma região.
Os sintomas gerais da artrose na coluna incluem a dor que já citamos, sendo que essa dor pode piorar com o movimento.
O paciente também sente dificuldade de mover a coluna, pode ter sensação de formigamento em algumas áreas como pescoço, braços e pernas se a artrose for lombar.
Artrose Cervical – A artrose na coluna cervical é bem comum, pois a degeneração é mais precoce e susceptível, pois existe uma grande amplitude de movimento. Nesse caso os sintomas variam bastante, a dor na região é muito comum, ela também pode irradiar para outros lugares como ombros, braços, escápulas e até mão, o paciente com artrose cervical também apresenta torcicolos e dificuldade ou dor ao engolir.
Artrose Torácica – A artrose torácica não é um local muito comum de artrose, além disso ele não costuma causar muitos sintomas. Essa área tem uma maior estabilidade e menor amplitude de movimento, o sintoma principal é a dor e ela pode irradiar para as costelas.
Artrose Lombar – Esse é o local mais frequente de artrose na coluna. A região lombar tem muita mobilidade e suporta todo o peso do corpo, ela ainda faz uma grande transferência de carga entre a coluna vertebral e a bacia, por isso é mais comum ter artrose nessa região. Mesmo assim é mais comum em pessoas idosas ou indivíduos que já passaram dos 40 anos. Os sintomas mais comuns são a dor e rigidez que muitas vezes aparece na parte da manhã, a dor irradia também algumas vezes para as pernas ou uma das pernas e o paciente não tem alteração na mobilidade das pernas.
Para fazer o diagnóstico o médico vai pedir alguns exames como radiografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada. Assim que o problema for diagnosticado o tratamento começa, é importante saber que a artrose na coluna não tem cura, essa é uma doença degenerativa e piora com o envelhecimento. Mesmo assim, existe tratamentos para amenizar os sintomas.
O paciente pode tomar medicamentos para aliviar a dor, pode ser necessário fazer exercícios físicos e acupuntura. Em alguns casos a cirurgia é indicada, principalmente quando a dor não passa com remédios e exercícios, na cirurgia o mais comum é fazer a descompressão dos nervos e estabilização da coluna.
Pode-se prevenir esse problema sabendo das causas. Uma das formas de prevenção mais fáceis e interessantes é o exercício de fortalecimento, dessa forma você vai conseguir manter a cartilagem funcionando bem e sem desgaste. Observar a postura e fazer exercícios para melhorar a postura também é importante, se você já está na idade de 40 anos e ainda não se preocupou com o fortalecimento dessa área e a postura, é melhor começar a prestar mais atenção nessa área.
Exercício físico como musculação e natação ajudam muito, esse tipo de exercício trabalha o corpo todo e ajuda a fortalecer a área da coluna. Mas lembre-se de fazer exercícios com acompanhamento de um profissional. Comece a prestar mais atenção também na sua postura, observe a forma que você se senta, levanta, como abaixa para pegar objetos no chão e até a forma que anda. Se você começar a adotar uma postura correta e evitar posições erradas e forçadas não vai sobrecarregar a articulação.
Sempre que fizer atividade física mais intensa tente descansar um pouco, a articulação pode ficar comprometida depois de uma atividade física e o repouso é muito importante. Evite também carregar peso ou fazer atividades de impactos repetitivos, esse cuidado é importante principalmente se você já tem mais de 40 anos.
Por último, use calçados confortáveis e que oferecem uma boa base de apoio e evite a obesidade. A obesidade pode gerar grandes problemas para a coluna, você precisa ficar atento para que seu peso não prejudique sua saúde, a obesidade pode acarretar inúmeros problemas como diabetes, pressão alta, câncer, infertilidade, doenças no coração e também problemas na coluna como a artrose.
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Próteses de quadril
O uso de uma prótese adequada é um fator importante para que os bons resultados da artoplastia perdurem a longo prazo, de forma que os pacientes possam manter uma vida ativa e sem dor.
Da mesma forma que um quadril natural, a prótese de quadril possui basicamente 2 partes: acetabular e femoral. Existe uma grande diversidade de modelos disponíveis, variando deste o meio como se fixa a prótese ao osso até o tipo de material utilizado onde ocorre o movimento.
Para que funcione adequadamente, a prótese deve estar fixa ao osso e esta fixação pode ser alcançada através de duas técnicas. A primeira técnica não utiliza cimento ortopédico, e baseia-se no crescimento de osso do paciente para dentro de poros na superfície da prótese.
A segunda técnica envolve o uso de cimento ortopédico, o qual funciona como uma argamassa entre o implante e o osso hospedeiro. Este cimento é um polímero conhecido como polimetacrilato de metila. No momento da cirurgia ele é produzido apartir da mistura de uma porção em pó e uma líquida, adquirindo consistência pastosa. Após, o cimento é colocado no osso e solidifica em alguns minutos, permitindo a fixação do implante ao osso do paciente.
Cada parte de uma prótese de quadril é fabricada em diversos tamanhos. O cirurgião prevê o tamanho e formato a ser utilizado durante o planejamento pré-operatório. Existem próteses especiais feitas para pacientes com ossos mais estreitos, mais largos ou deformados.
Nas cirurgias de revisão de artroplastia do quadril são eventualmente necessárias próteses longas, ainda maiores ou materiais especiais.
Componentes acetabulares cimentados
Estes componentes são produzidos apartir de um tipo especial de plástico conhecido como polietileno de ultra alto peso molecular. Este plástico possui alta resistência ao desgaste e tem sido melhorado nos últimos anos através do uso de tipos especiais de radiação para aumentar as ligações entre as moléculas (polietileno “cross-linked”). Os componentes acetabulares cimentados são fabricados em diversos diâmetros, para serem usados de acordo com a anatomia do paciente. A sua superfície externa é irregular de maneira a facilitar a fixação ao osso acetabular com cimento ósseo. A superfície interna é côncava e onde a cabeça femoral irá articular.Geralmente um anel metálico está presente permitindo a identificação na radiografia.
Os componentes acetabulares não-cimentados são geralmente produzidos com titânio ou ligas especiais de titânio e fixam-se através do crescimento ósseo para dentro de microscópicos orifícios em sua superfície metálica. Este crescimento ósseo demora algumas semanas para se completar e é o que fixa definitivamente o componente acetabular ao acetábulo. Geralmente são produzidos com orifícios para a colocação de parafusos, utilizados algumas vezes para auxiliar na fixação inicial da parte metálica ao osso. Existem alguns modelos revestidos por hidroxiapatita para auxiliar a fixação definitiva ao osso.
Na parte interna do componente metálico, encaixa-se um componente de polietileno ou cerâmica que fará articulação com a cabeça femoral.
Componentes femorais cimentados
Da mesma forma que no acetábulo, os componentes femorais podem ser fixados ao osso com ou sem cimento ósseo. Os componentes cimentados são de superfície polida e geralmente compostos de ligas especiais de aço ou cromo-cobalto. Eles são produzidos em variados tamanhos e existem em formatos especiais para pacientes com fêmures deformados, muito grandes ou estreitos. Na sua parte proximal é acoplada a cabeça femoral artificial, que fará a articulação com o componente acetabular. Essa cabeça femoral pode ser metálica ou de cerâmica, e com variados diâmetros.
Para que ocorra crescimento ósseo que fixe os componentes femorais não cimentados, estas próteses são inseridas sob pressão no canal femoral. Elas são geralmente compostas por ligas especiais de titânio mais rígidas que as usadas nos componentes acetabulares. Eles são fabricados em diferentes tamanhos, com modelos especiais para pacientes com canais femorais muito estreitos, largos ou deformados. A parte proximal (superior) é o local onde a cabeça femoral é acoplada. A parte intermediaria possui microporos que devem ser preenchidos por osso para que ocorra a fixação da prótese. Também existem os componentes revestidos por materais sintéticos com composição parecida a do osso e que axiliam na fixação da prótese ao osso do paciente.
Para fazer a articulação entre os componentes acetabular e femoral, utilizam-se cabeças femorais de ligas de aço, cromo-cobalto ou cerâmica. Estas são disponíveis em diferentes tamanhos dependendo do fabricante e do componente acetabular. O cirurgião tem também a opção de cabeças que encaixam em diferentes profundidades, permitindo que se ajuste a anatomia de cada paciente. Os mesmos tipos de cabeça femoral utilizados nas próteses femorais cimentadas podem ser utilizados nas não-cimentadas.
Em casos de fratura do colo femoral em idosos com cartilagem do acetábulo preservada, eventualmente pode ser utilizado o componente femoral com uma grande cabeça femoral de metal articulando diretamente no acetábulo do paciente, com a articulação se fazendo diretamente entre a cabeça femoral metálica e a cartilagem acetabular. Nesta situação a artroplastia é conhecida como parcial, ou seja, o componente acetabular protético não é utilizado.
Os materiais utilizados em artroplastia de quadril evoluiram muito nos últimos 20 anos, especialmente considerando a resistência ao desgaste. Porém, não é somente o tipo de material implantado que determina os resultados em artroplastia do quadril. Bons resultados a longo prazo dependem muito de uma cirurgia tecnicamente bem indicada e realizada. Existem diferentes escolas no mundo que defendem diferentes materiais. Diversos trabalhos demonstram bons resultados tanto com próteses cimentadas quanto não-cimentadas. Entretanto, alguns pacientes precisam de um determinado modelo de prótese ou tem alto risco de falha com outro. Os pacientes tem diferentes idades, anatomias e níveis de atividade física, de modo que a escolha da prótese deve levar estes e outros fatores em consideração.
Em conclusão, bons resultados dependem de uma cirurgia bem indicada, bem planejada, bem realizada e do uso de material adequado.
Fonte:
Dr. Munif Hatem
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Inflamação dos discos intervertebrais
A discite é uma inflamação dos discos intervertebrais. É bem mais comum em crianças, mas também pode afetar indivíduos adultos.
Ainda não se tem clareza sobre a etiologia da discite. Contudo, muitos acreditam que ela resulta de uma infecção que ocorra em um dos platôs vertebrais e passe a acometer o disco. A origem dessa doença pode ser uma infecção viral ou bacteriana. A bactéria mais comumente implicada na discite é o Staphylococcus aureus.
Frequentemente, a discite está associada a outra doença, chamada osteomielite, uma infecção de ossos ou da medula óssea que pode afetar também a coluna, comprometendo os discos intervertebrais. Pode também ocorrer em consequência de uma doença autoimune.
Os fatores de risco mais importantes são crianças com menos de dez anos de idade, pessoas com doenças autoimunes ou com sistema imunológico debilitado, usuários de drogas injetáveis e pós-operatório.
A inflamação causa inchaço nos pequenos espaços entre os discos intervertebrais, coloca pressão sobre eles e gera a dor e os demais sintomas.
A discite é relativamente incomum e afeta principalmente crianças pequenas. A primeira manifestação clínica da discite é a dor, sobretudo na parte inferior e superior das costas, que pode ser leve ou intensa e que se agrava com a realização de qualquer movimento. Pode ser dor local ou propagar-se para o abdômen, quadril ou pernas.
Alguns pacientes podem apresentar também sintomas radiculares (como fraqueza e dormência, por exemplo), além de febre e calafrios. Outros sintomas podem incluir dor ou desconforto abdominal, mudanças posturais, febre, rigidez ou desconforto nas costas e dificuldade para executar tarefas que exijam mobilidade.
O diagnóstico da discite deve basear-se na história clínica, em radiografias da coluna, que evidenciarão aproximação do espaço discal com o platô da vértebra contígua, ressonância magnética e exames de sangue. Existe a possibilidade de realização de uma biópsia, mas este procedimento não é indicado para crianças. Para jovens e adultos ele é especialmente indicado quando há suspeita do envolvimento desses pacientes com drogas, o que amplia em muito a possibilidade da presença de outros microrganismos além do Staphylococcus aureus.
O médico poderá usar também a cintilografia óssea a fim de examinar internamente os ossos para analisar a vitalidade deles.
O tratamento adequado para a discite tem sido objeto de alguma discussão. A maior parte dos médicos recomenda imobilizar a coluna com coletes e alguns acham que também deve ser feito o uso de antibióticos, pois o mais provável é que haja a presença de uma infecção bacteriana do disco. Também pode-se usar anti-inflamatórios, conforme o caso, bem como analgésicos.
Há a possibilidade do tratamento cirúrgico, mas este só é indicado quando o diagnóstico for inconclusivo, se houver suspeitas de tumor, para descompressão da estrutura neural quando houver abscesso, fraqueza, dormência e alterações da bexiga ou do intestino e, em raros casos, para fundir uma coluna instável.
O médico também pode fazer recomendações quanto a mudanças nas atividades diárias e repouso no leito.
Se a discite for consequência de uma infecção, espera-se que os pacientes se recuperem integralmente. Para os casos que envolvem doença autoimune, essa condição poderá ser mais persistente do que a discite.
Embora rara, a dor crônica nas costas é uma complicação que pode ser associada à discite. O paciente também poderá apresentar efeitos colaterais desagradáveis dos medicamentos.
domingo, 9 de abril de 2017
Doença de Osgood-Schlatter
A doença de Osgood-Schlatter (DOS) é uma das causas mais comuns de dor do joelho em adolescentes.
É comum em atletas jovens que praticam atividades que envolvem corrida, chutes e saltos.
O principal sintoma é dor no joelho, mais exatamente abaixo da patela que surge durante ou após a atividade física e, tipicamente, melhora com o repouso.
Os pacientes apresentam dor e edema no tubérculo tibial (sendo portanto uma doença extra-articular). Os movimentos do joelho não são afetados.
Em 1903, o ortopedista norte-americano Robert Osgood, e o cirurgião suíço Carl Schlatter, publicaram quase que simultaneamente trabalhos independentes que descreviam a possível patofisiologia da doença que foi batizada com seus nomes.
A DOS é uma apofisite, mais comumente diagnosticada em atletas jovens, ligados a esportes que envolvem corridas e saltos, tais como futebol, basketball, dança e ginástica.
Afeta geralmente meninos na faixa de 10-15 anos, e meninas entre 8-13 anos, coincidindo com estirão de crescimento.
Nesta fase, o crescimento ósseo é mais rápido do que o de tecidos moles, resultando em encurtamento muscular ao redor da articulação com perda da flexibilidade.
Sob estas circunstâncias, o stress mecânico da contração do quadríceps pode resultar em avulsão parcial do centro de ossificação.
Eventualmente ocorre formação óssea heterotópica no tendão próximo à sua inserção, produzindo uma calosidade visível. Aproximadamente 25% dos pacientes tem lesão bilateral.
A dor é geralmente a queixa principal. A dor pode ser reproduzida pela extensão do joelho contra resistência, ou agachamento com flexão total do joelho.
Correr, Saltar, ajoelhar e subir/descer escadas pioram a dor. Alívio dos sintomas ocorre com repouso.
Durante a inspeção pode-se observar a presença de edema sobre a tuberosidade tibial anterior, dor à palpação da tuberosidade tibial e tendão patelar podem estar presentes. A dor é reproduzida por extensão do joelho contra resistência.
A avaliação dos movimentos articulares é geralmente normal, alguns pacientes podem apresentar hipotrofia de quadríceps.
Existem algumas abordagens bastante úteis para o tratamento da DOS. Podem ser usados: Acupuntura, Hidroterapia, Bandagem Funcional e Eletroterapia.
No entanto, em meio a tantas possibilidades, três condutas são unanimidade: Repouso, Gelo e Alongamento.
Recomenda-se interromper, ou pelo menos reduzir as atividades físicas que causem dor por um período de 4-8 semanas, assim como crioterapia regular por 20 minutos várias vezes ao dia.
Se o repouso não for possível (talvez você esteja tratando um atleta de alto nível que NÃO pode ficar sem treinar por tanto tempo), então o recomendável é o uso de bandagem ou um "brace infrapatelar" durante o treinamento, assim como compressa de gelo durante 20 minutos imediatamente antes e imediatamente após a atividade física, além de prosseguir com a crioterapia várias vezes ao longo do dia. Naturalmente o paciente também deve fazer uso dos anti-inflamatórios prescritos pelo médico.
Um programa de alongamento de isquiotibiais, quadríceps e dos flexores de quadril deve ser iniciado.
O alongamento do quadríceps é essencial, visto que o aumento do seu comprimento muscular irá reduzir a tensão aplicada sobre a inserção do tendão patelar na tuberosidade tibial.
Estes alongamentos devem ser bilaterais para evitar desequilíbrio muscular e para prevenir o desenvolvimento da DOS no membro contralateral.
Ainda não há comprovação se energia muscular é superior a contrair-relaxar ou ao o estiramento mantido. Sendo assim, a escolha da técnica é do terapeuta.
Os objetivos iniciais do tratamento são o alívio da dor e da inflamação.
O retorno à atividade esportiva é avaliada de acordo com os testes funcionais, os quais podem e devem ser realizados periodicamente.
O uso de certas atividades específicas do esporte do paciente também são uma boa forma de avaliar a recuperação (atenção para avaliar de uma forma progressiva, do mais fácil para o mais difícil.
Ex: avaliar a presença de dor durante o salto de um jogador de Voley pedindo para o paciente saltar baixo, evoluindo para um salto alto e terminando com uma corrida seguida de salto simulando uma cortada. Se o paciente for capaz de realizar os testes funcionais e as atividades específicas com força total e de forma agressiva como tem de ser numa partida, sem medo de lesão ou dor, então o paciente já pode retornar totalmente aos treinos e mesmo competições.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Osteogênese imperfeita
Osteogênese imperfeita, doença de Lobstein ou doença de Ekman-Lobstein é uma doença rara dos ossos (1:25.000), de origem genética e hereditária, em que os ossos ficam extremamente frágeis, sendo que muitas crianças já nascem mortas ou com fraturas devido às contrações uterinas e não sobrevivem por muito tempo.
Os pacientes com osteogênese imperfeita nascem sem uma proteína essencial à formação do colágeno dos ossos ou sem a capacidade de sintetizá-la. Uma vez que o colágeno é um importante componente estrutural dos ossos, estes se tornam anormalmente frágeis e quebradiços.
É uma enfermidade que apresenta distintos graus de gravidade, podendo ocorrer desde a forma gravíssima, que leva à morte do bebê ainda no útero materno, até formas leves, que só se manifestam mais tardiamente, como uma pequena diminuição da resistência óssea. A falta de colágeno não afeta apenas os ossos, mas altera muitas outras estruturas do corpo que utilizam essa proteína como, por exemplo, a pele e os vasos sanguíneos. No entanto, o sinal mais evidente da doença é a quebra fácil dos ossos.
Habitualmente, eles são tão frágeis que podem fraturar mesmo com uma pequena queda, pancada, esbarrão, ou, nos casos mais graves, com um simples movimento brusco do corpo. Existem até mesmo fraturas que ocorrem sem nenhuma causa aparente, somente com o peso ou trações do próprio corpo.
Nos portadores de osteogênese imperfeita, ocorre regeneração mais rápida do osso e encurtamento destes, além de angulações dos membros, resultando em crescimento anormal e atrofiado. Além disso, ocorrem sintomas como esclerótica ocular azulada, dentes acinzentados e frágeis, diminuição da acuidade auditiva, baixa estatura, encurvamento dos ossos, aumento da flexibilidade, sudorese aumentada e hipotonia muscular.
Em virtude dos diferentes graus de gravidade da doença, nem todos os pacientes possuem todas essas características. A doença já presente antes mesmo do nascimento representa maior gravidade do que aquela só diagnosticada na vida adulta. Em casos leves, pode ocorrer uma grande melhora dos sintomas durante a puberdade, porém, ocorre agravamento na menopausa.
O diagnóstico dessa doença pode ser feito ainda na gravidez, por meio da ecografia. Os casos muito ligeiros só vêm a ser detectados na adolescência ou ainda mais tarde. A confirmação diagnóstica é feita a partir de critérios clínicos e exames complementares, especialmente o estudo radiológico e da densitometria do esqueleto e dos marcadores do metabolismo ósseo e do colágeno.
O tratamento da fragilidade óssea é feito através de vários produtos, dentre os quais os bifosfonatos e a calcitonina se destacam, por inibirem a reabsorção óssea, mas os melhores efeitos são obtidos através da fisioterapia e da alimentação. As fraturas são tratadas de maneira habitual. Em alguns casos, pode ser necessária a cirurgia ortopédica. Porém, não há cura para essa doença.
As crianças que sobrevivem ao nascer, em geral já têm múltiplas fraturas e o crânio mole e quase sempre não sobrevivem por muito mais tempo. As que continuam vivendo, vão sofrendo durante a vida diversas fraturas e não crescem como as crianças sem a doença, tornando-se pequenas e deformadas. Porém, as capacidades mental e motora dessas pessoas não são alteradas.
Não há como prevenir a osteogênese imperfeita, mas pode-se minorar os efeito dela fazendo exercícios físicos orientados por fisioterapeutas, ingerindo alimentos naturais e saudáveis, evitando o consumo de álcool, alimentos gordurosos, cafeína e refrigerantes.
As formas gravíssimas podem causar a morte do bebê ainda no útero materno e as mais leves manifestam-se tardiamente, como uma pequena diminuição da resistência óssea. As formas intermediárias podem deixar sequelas ósseas irreversíveis e deformidades no esqueleto. Quando acontece fratura de crânio pode ocorrer lesão cerebral e morte.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Doença de Blount
A doença de Blount é um distúrbio do desenvolvimento no qual há alterações do crescimento da parte interna da extremidade superior da tíbia, as quais levam a deformidades ósseas, causando curvatura para o exterior, com angulação ligeiramente abaixo do joelho. A deformidade consiste em uma tíbia vara e rotação interna da tíbia, bem como deformidade do fémur distal. Walter Blount, em 1937, foi o primeiro a identificar as características clínicas, radiológicas e patológicas desses casos.
As causas da doença de Blount são controversas: ela parece ser uma doença multifatorial, mas a contribuição dos fatores genéticos ainda é desconhecida. Sabe-se, contudo, que a obesidade infantil e a marcha precoce são fatores predisponentes para o seu desenvolvimento. Em geral, a doença de Blount é mais comum entre crianças do sexo feminino e de origem africana ou naquelas que tenham um membro da família com o problema.
A tíbia (osso da canela) está localizada no mesmo lado que o dedo grande do pé. Quando ficamos em pé, é a tíbia que suporta a maior parte do peso do corpo. A fíbula é o osso mais fino da perna, localizado no mesmo lado que o dedo mínimo do pé. Há uma placa de crescimento na parte superior da tíbia, feita de cartilagem, chamada de fise.
A função da fise é permitir o crescimento e o alongamento do osso. Às vezes, porém, a fise é levada a suportar mais pressão do que pode suportar e isto pode iniciar uma série de eventos patológicos na parte superior da tíbia. A parte interior, logo abaixo do joelho, fica anormalmente comprimida e sofre arqueamento e pode até parar de crescer em sua parte interna, embora a parte externa continue a crescer normalmente. É este crescimento irregular que faz com que a tíbia se curve para fora em vez de crescer em linha reta.
Em cerca de 60% dos casos, a doença de Blount provoca problemas nas pernas e dificuldade de marcha na criança. Os pacientes com doença de Blount apresentam abaulamento e diferença no comprimento das pernas. A doença só pode ser reconhecida em crianças maiores de dois anos de idade, mas a deformidade grave, não tratada precocemente, pode levar à artrite degenerativa do joelho. Ela, pode levar a alterações patológicas irreversíveis, especialmente na porção medial da epífise tibial proximal.
Reconhece-se duas formas da doença de Blount: (1) doença de Blount infantil, reconhecida entre 1 e 3 anos de idade, não associada à obesidade e muitas vezes bilateral e (2) doença de Blount tardia, subcategorizada em (2.a) juvenil, que ocorre na idade de 4 a 10 anos e (2.b) do adolescente, ocorrendo a partir dos 10 anos. A doença de Blount tardia é mais comumente associada à obesidade e, mais frequentemente, unilateral.
O sinal mais evidente da doença Blount é uma curvatura da perna, logo abaixo do joelho. Em crianças, isso geralmente não é doloroso, mas em adolescentes pode ser. Ao longo do tempo, a doença de Blount também pode levar à artrite da articulação do joelho e, em casos muito graves, dificuldade para caminhar. Em casos raros, uma perna também pode ser ligeiramente mais curta do que a outra.
Inicialmente, o diagnóstico da doença de Blount é clínico. Se as pernas começam se curvando e a pessoa tem dor no joelho, que não se justifica por uma lesão, o médico deve considerar a possibilidade da doença de Blount. O ortopedista deve fazer um exame físico completo e solicitar uma radiografia das pernas. Os raios X ajudarão o médico a olhar os padrões de crescimento anormal do osso que são indicativos da doença de Blount.
A doença de Blount deve ser diferenciada das pernas tortas comuns em bebês. Neles, a curvatura quase sempre se endireita quando a criança começa a andar, entre as idades de 1 e 2 anos. Na doença Blount, por outro lado, essa curvatura não se corrige nesse tempo e só piora, se não tratada.
O tratamento da doença de Blount deve ser adaptado a cada caso individual e um programa ortopédico deve ser inicialmente estabelecido, porém casos mais graves associados à dor podem necessitar de intervenção cirúrgica.
O desalinhamento da tíbia pode causar problemas como mudança na forma da perna e rotação da tíbia para dentro, levando os pés a apontarem para dentro, ao invés de apontarem para fora.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Miopatias: o que são?
Miopatia (do grego: myo = músculo + páttheia = padecença, doença) é a designação genérica de várias afecções e doenças musculares. São enfermidades musculares alheias a qualquer distúrbio da inervação ou da junção neuromuscular. Nelas, as fibras musculares não funcionam normalmente, o que resulta em sintomas de diversas naturezas.
As miopatias têm várias causas, incluindo etiologia congênita ou herdada, infecciosa, metabólica, inflamatória, endócrina e/ou tóxica, induzida por drogas. Quando não há possibilidade de se determinar uma etiologia, a miopatia se diz idiopática. Pensa-se que as miopatias idiopáticas são imunomediadas ou associadas a doenças do tecido conjuntivo (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, poliarterite nodosa, etc).
Há também uma miopatia alcoólica aguda, mas, além da síndrome aguda, o álcool pode provocar uma miopatia mais crônica. Um defeito genético também tem sido associado a estas doenças.
As miopatias congênitas ou hereditárias são, na sua maioria, doenças crônicas, lentamente progressivas. As miopatias por causas metabólicas, inflamatórias, endócrinas e tóxicas podem ser agudas ou subagudas.
Algumas miopatias podem ocasionar paralisias periódicas devido a mudanças nas taxas sanguíneas de potássio, levando à disfunção muscular. Um defeito genético do canal de íons de sódio nas membranas das células do músculo também pode ser responsável pela paralisia, o que pode durar de horas a dias.
Os sintomas mais comuns da miopatia incluem fraqueza muscular, dores musculares e hipotonia. Os sinais e sintomas gerais são fraqueza muscular proximal simétrica, mal-estar, fadiga, urina escura devido à presença de mioglobinúria e/ou febre. Geralmente não há queixas sensoriais ou parestesias. No entanto, os reflexos tendíneos profundos podem estar diminuídos ou ausentes nas paralisias por deficiências de potássio.
Pode haver uma miopatia alcoólica aguda em pacientes com o hábito de consumir álcool, que se apresenta com dor muscular que envolve principalmente fraqueza dos membros e mioglobinúria. A significância da miopatia alcoólica aguda é que a precipitação de mioglobina nos túbulos renais pode causar necrose tubular aguda.
As suspeitas clínicas devem levantar a hipótese de miopatia, a ser confirmada pelos testes laboratoriais de creatina quinase, níveis de isoenzimas e de eletrólitos, cálcio e magnésio, níveis de mioglobina e creatinina sérica, ureia no sangue e níveis de nitrogênio.
O exame de urina revela a presença de mioglobinúria com poucas células vermelhas na avaliação microscópica. Além disso, deve ser feito um hemograma completo, taxa de sedimentação de eritrócitos, testes de função da tireoide, níveis de aspartato aminotransferase, eletrocardiografia, níveis de anticorpos antinucleares, testes genéticos e eletromiografia.
A ressonância magnética pode ser usada para avaliar complicações ou descartar a doença neurológica. Em último lugar, a biópsia muscular define o diagnóstico.
O tratamento de uma miopatia depende da sua etiologia e pode variar de simples suporte à terapia sintomática para as condições específicas. Não existe, pois, um tratamento único para todas as miopatias.
Os tratamentos atuais para os vários tipos de miopatias compreendem a terapia medicamentosa, fisioterapia, massagens, acupuntura e até mesmo cirurgia. Tais tratamentos podem incluir gestão das vias respiratórias e hidratação adequadas. Hidratação agressiva e, ocasionalmente, administração de manitol e furosemida para aumentar a diurese são essenciais para manter a função renal.
A avaliação cardiológica e respiratória é essencial em todos os casos de miopatia, pois muitas distrofias musculares se acompanham de comprometimento do músculo cardíaco e de redução da capacidade vital.
A morbidade e mortalidade das miopatias estão relacionadas à etiologia e à gravidade da doença, bem como à presença de comorbidades.
As complicações mais comuns das miopatias são arritmia cardíaca, hipertensão arterial, disfagia, dilatação gástrica aguda, parada respiratória, endocrinopatias, catarata, perda auditiva neurossensorial, convulsões, displasias cerebrais e morte precoce.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Condrossarcoma
O condrossarcoma é um tumor cartilaginoso maligno, relativamente raro, que ocorre mais frequentemente nas cartilagens das extremidades ósseas. Descrevem-se quatro tipos de condrossarcoma:
(1) primário,
(2) secundário,
(3) mesenquimal e
(4) desdiferenciado.
Desses, a maioria dos casos é de condrossarcomas primários ou secundários. O mesenquimal e o desdiferenciado são bem mais raros.
O condrossarcoma primário ocorre mais comumente depois da terceira década da vida e acomete frequentemente a pelve ou os ossos longos, particularmente o fêmur e o úmero. Os condrossarcomas primários são originariamente tumores malignos. Os condrossarcomas secundários são aqueles que aparecem devido à transformação maligna dos tumores cartilaginosos ou ósseos, geralmente na segunda metade da vida. Na verdade, o termo condrossarcoma é às vezes usado para definir um grupo heterogêneo de lesões com diversos aspectos morfológicos e comportamento clínico.
O condrossarcoma não é contagioso, mas pode ser transferido de uma pessoa para outra. Não se sabe inteiramente o que causa o condrossarcoma, mas sabe-se que certas condições hereditárias podem tornar as pessoas mais susceptíveis à doença. As pessoas afetadas por estas condições estão em maior risco, porque elas geralmente desenvolvem vários tumores ósseos benignos, que tem uma maior chance de se tornarem malignos.
Pessoas com essas condições hereditárias ou as que experimentam surtos súbitos de crescimento ou aumentos da produção hormonal, tais como na gravidez, têm um ligeiro aumento do risco de que um tumor ósseo benigno se transforme num condrossarcoma. Os adultos com doença de Paget também estão em maior risco de condrossarcoma.
O tumor surge a partir de células de cartilagem chamadas condrócitos. Quando alguém é afetado por esta condição, as células malignas começam a se desenvolver sobre a superfície do osso ou mesmo dentro dele. O crescimento do tumor pode ser lento ou rápido e muito agressivo.
O condrossarcoma é o segundo entre os tipos de câncer primário dos ossos. Durante um período inicial, o condrossarcoma pode evoluir sem sintomas. Depois disso, os sintomas que acarreta variam dependendo do seu tamanho e localização.
Normalmente, além do desenvolvimento de uma massa ou nódulo no osso, a área afetada geralmente incha e o crescimento pode tornar-se sensível ao toque. Por vezes, o paciente experimenta uma sensação de pressão ou dor na área afetada. Em algumas ocasiões o osso pode enfraquecer ou quebrar facilmente, devido à pressão. Geralmente a dor do câncer ósseo parece piorar à noite e pode ser chata e persistente, não aliviando, mesmo durante o repouso.
Se o tumor já se espalhou para os pulmões, o paciente pode começar a tossir sangue ou sentir falta de ar.
Além dos relatos do paciente, sugerindo o problema, as técnicas de imagem captam uma lesão caracterizada por uma expansão da porção medular do osso, espessamento da camada cortical e principalmente irregularidade do endotélio ósseo. A tomografia axial computadorizada e a ressonância nuclear magnética são de importância para a avaliação da extensão da massa às partes moles.
Os achados radiográficos dos condrossarcomas secundários mostram também evidências das lesões benignas pré-existentes. Eventualmente, pode haver destruição do osso subjacente. Áreas de calcificação ao lado de áreas líticas também são sugestivas de transformação secundária de um tumor primário para condrossarcoma.
A cintilografia do esqueleto é de valia porque pode evidenciar as áreas com aumento de concentração e maior atividade óssea. O diagnóstico de certeza, no entanto, é dado pela biópsia, mas o papel da biópsia em lesões de baixo grau de malignização é bastante controverso, ocorrendo frequentes erros de amostragem.
O tratamento dos condrossarcomas é cirúrgico, com ressecção do segmento acometido. As margens da excisão devem sempre ser amplas porque não há resposta à radioterapia ou à quimioterapia. As chances de recorrência são grandes e as reoperações têm menores chances de erradicação total do tumor. A área removida pode ser reconstruída por meio de uma endoprótese não convencional ou osso homólogo de banco. A amputação das extremidades está indicada especialmente se o envolvimento de partes moles for extenso.
Em geral, o prognóstico para o condrossarcoma depende do grau do tumor, da excisão realizada e de outras condições do paciente, como diabetes, lúpus e problemas de coagulação, por exemplo. O risco de implantação das células cartilaginosas em outros órgãos do corpo é grande, porque o condrossarcoma não responde nem à radioterapia nem à quimioterapia.
No entanto, a ressecção do condrossarcoma de baixo grau pode virtualmente ser bem sucedida em todos os pacientes e, nestes casos, o prognóstico ser excelente após a excisão adequada. A maioria dos pacientes com condrossarcoma pouco agressivos e de baixo grau podem ser tratados com segurança com uma intervenção cirúrgica limitada.
Em alguns casos podem ocorrer fraturas ósseas ou a amputação de membros ser necessária para evitar a propagação da doença.
sábado, 13 de agosto de 2016
"Canelite"?
A canelite é o nome popular da síndrome de estresse do músculo medial da tíbia ou periostite medial de tíbia, uma inflamação que acomete esse osso da perna ou os tendões e músculos que o cercam. A tíbia é o principal osso da perna e a canelite é muito comum, afetando principalmente atletas e dançarinos.
A musculatura da tíbia trabalha de encontro aos grandes músculos da panturrilha e é a última musculatura a aquecer e a primeira a esfriar durante atividades físicas. Portanto, ela é a que mais sofre com o aquecimento e desaquecimento. Já que os músculos da região da tíbia são os últimos a aquecer, vestir meias de cano longo pode ajudar no aquecimento.
As canelites frequentemente afetam os corredores iniciantes, que se empolgam com os treinos e começam a aumentar rapidamente a intensidade dos mesmos. Elas podem ser causadas simplesmente por músculos irritados e inchados, em razão do uso excessivo; por pequeninas rachaduras nos ossos inferiores da perna (fraturas por estresse); por “pés chatos” ou fraqueza nos músculos estabilizadores do quadril.
Outras causas, no entanto, podem levar ao desenvolvimento de canelites: inchaço ou inflamação da camada fina de tecido que cobre a tíbia e síndrome do compartimento anterior, que afeta a parte externa frontal da perna. Alguns fatores que podem contribuir para desencadear a síndrome são a pronação dos pés, a prática de esportes em terreno muito rígido, o uso de calçados inadequados e fatores genéticos.
A canelite é um problema bastante comum nas pessoas que praticam exercício físico sem proteger-se corretamente. É caracterizada principalmente pela dor que provoca. Essa dor pode ocorrer após uma corrida diária ou simplesmente após uma corridinha para pegar o ônibus, por exemplo.
O diagnóstico pode ser feito a partir do histórico clínico do paciente. Muitas vezes, nem envolve um médico, mas se você precisar de um, ele pode pedir radiografia ou cintilografia óssea para detectar eventuais fraturas.
Um primeiro recurso do tratamento é o repouso, pois suas canelas precisam de tempo para cicatrizar as lesões existentes. Muitas vezes, as dores nas canelas curam por sua própria conta. A aplicação de gelo, 20 a 30 minutos a cada 3 ou 4 horas, durante 2 a 3 dias (ou até que os sintomas cessem), pode aliviar a dor e o inchaço. Os analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides também ajudam a aliviar a dor e o inchaço.
O uso de órteses para os pés, feitas sob medida, também pode ajudar a tornar os exercícios ou as caminhadas mais confortáveis. Você deve fazer também os exercícios de alongamento que seu médico recomendar.
Um fisioterapeuta pode ajudar a identificar e tratar problemas que possam estar causando as dores e tratá-las por meio da prescrição correta do uso do calor e do frio e pela aplicação de recursos como o ultrassom terapêutico e o laser, bem como ajudar no seu retorno ao esporte. Raros casos podem precisar de cirurgia.
Não há como predizer exatamente quanto tempo suas dores vão durar porque isso depende do que as esteja causando. As durações, contudo, costumam ficar entre 3 a 6 meses.
Para prevenir a canelite, use calçados com bom estofamento, aqueça-se antes do treino, procure melhorar a mobilidade em seus tornozelos e quadris, alongue os músculos das pernas e pare de se exercitar logo que você sentir dor nas pernas. Se você tem a chance de correr em pisos de terra batida ou grama, dê preferência a eles. Correr na grama ou na terra batida diminui o risco de lesões.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Estiramento da virilha
Os músculos adutores da coxa são estabilizadores do quadril e desempenham importante papel durante da corrida. O estiramento destes músculos é relativamente frequente e acomete entre 10 e 18 % dos esportistas.
A lesão aguda geralmente ocorre durante a atividade física e caracteriza-se por um movimento de abdução forçada contra a resistência (afastamento lateral da coxa). Neste momento o atleta apresenta uma dor súbita na região da virilha, irradiando para a parte medial (interna) da coxa e às vezes para a região abdominal baixa. O hematoma após a lesão é frequente e pode às vezes atingir grandes proporções.
Alguns fatores de risco podem ser apontados nas lesões dos adutores, como a diminuição da força, a limitação no afastamento das coxas e o baixo condicionamento muscular.
Além disto podemos encontrar anormalidades biomecânicas nos membros inferiores, como a pronação excessiva dos pés, a assimetria dos membros inferiores (diferenças de comprimento), o desequilíbrio muscular e a fadiga.
Embora não haja estudos controlados para comprovar os últimos fatores predisponentes, programas de prevenção têm focado em alguns destes fatores, propiciando uma prevenção mais efetiva destas lesões.
O exame físico é marcado pela dor localizada na região da virilha ou na parte medial da coxa (região interna), palpação dolorosa da musculatura envolvida e dor na realização do movimento ativo de adução (aproximação das coxas).
Devemos lembrar que outras lesões podem simular os mesmos sintomas e sinais do estiramento dos adutores, como a compressão do nervo obturatório no quadril, a sinfisite púbica e outras doenças do quadril.
A localização da lesão também apresenta implicação na evolução do tratamento, pois aquelas localizadas na transição músculo-tendão, que são as mais frequentes, apresentam maiores condições de reparo do que nas áreas de transição tendão-osso onde a vascularização é mais limitada.
Os exames de imagem como o ultrassom e a ressonância magnética podem ser usados para identificar e confirmar o diagnóstico formulado durante a história e o exame clínico.
Lesões de grandes proporções (superiores a 50 % do músculo apresentam tendência a sequelas, como formação de áreas de fibrose, dolorimento tardio e perda da flexibilidade local.
O tratamento deve incluir repouso relativo, permitindo as atividades de vida diária suportadas pelo paciente, uso de muletas na fase aguda, bolsas de gelo sobre o local doloroso, anti-inflamatórios não esteroides e analgésicos sob prescrição médica e fisioterapia (crioterapia eletroterapia, massagem, exercícios ativos progressivos, hidroterapia).
Finalmente o atleta retorna ao esporte em 3 a 8 semanas dependendo da lesão e da forma de tratamento empregada.
Nas lesões crônicas não tratadas, o uso dos anti-inflamatórios não tem se mostrado eficiente na literatura. A fisioterapia através de vários métodos pode levar meses até que as sensações de dor e limitação dos movimentos sejam normalizadas, o que algumas vezes pode não acontecer definitivamente.
As lesões dos músculos adutores podem ser recorrentes e muitas vezes são causadas por retorno precoce ao esporte, sem que a lesão tenha sido adequadamente diagnosticada e tratada. A ausência de dor no repouso ou nos movimentos de baixa intensidade não significa que a lesão está curada. O mais comum nestas lesões é a pessoa voltar a sentir dor em 2 a 3 semanas após o primeiro episódio.
O tratamento cirúrgico está indicado nos casos de dor crônica após 6 meses de tratamento conservador e está indicado em condições especiais após avaliação criteriosa de um especialista.
Devemos atentar para os fatores predisponentes no sentido de evitar que tais complicações voltem a ocorrer, pois as lesões subsequentes podem causar limitações mecânicas e também emocionais para a continuidade do esporte.
Portanto, trate suas lesões o mais rapidamente possível para evitar sequelas!
Dr. Lucas Nogueira Mendes
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Infiltrações Articulares
As infiltrações articulares são procedimentos realizados em reumatologia ou em ortopedia para diagnóstico e/ou tratamento de artropatias inflamatórias, com a retirada de líquido intra-articular e a aplicação de substâncias terapêuticas, tais como corticoides e ácido hialurônico, por exemplo. Os radioisótopos são pouco utilizados. As infiltrações articulares são utilizadas desde 1951, mas ainda hoje muitas pessoas têm dúvidas quanto à utilização delas.
Diversas são as técnicas utilizadas para cada local de infiltração, além de variações nos medicamentos utilizados. A técnica usualmente utilizada consiste na adequada limpeza e antissepsia da pele e na aplicação de uma anestesia local. Em seguida, faz-se a introdução na articulação da substância com ação anti-inflamatória e analgésica pela mesma agulha da anestesia.
O paciente deve permanecer em repouso por 24 a 48 horas para prolongar ao máximo a difusão do fármaco injetado e potencializar a sua eficácia. Com uma agulha, podem ser retirados e analisados líquidos intra-articulares e remédios podem ser colocados diretamente no local, com uma ação mais rápida e efetiva do que teriam por via oral.
As medicações injetadas através das infiltrações articulares ajudam na destruição parcial ou total da membrana inflamada e proliferada, responsável pela invasão das demais estruturas articulares, diminuindo com isso a inflamação, a dor e o edema locais, colaborando para a melhora funcional da articulação infiltrada. Essas aplicações, contudo, não devem ser frequentes, nem regulares, sob risco de produzirem consequências graves.
As infiltrações articulares podem ser realizadas nas articulações periféricas, como ombros, joelhos, punhos e tornozelos, entre outras, ou axiais, como as sacroilíacas e interapofisárias de coluna, por exemplo. Em articulações periféricas, a intervenção pode ser feita em ambulatório, podendo ser realizada às cegas ou guiadas por métodos de imagem como a ultrassonografia.
Algumas estruturas e articulações periféricas de mais difícil acesso devem necessariamente ser guiadas por imagens, como a articulação do ombro, coxofemoral e algumas articulações do pé. Nas infiltrações axiais é sempre necessário o auxílio de radioscopia para guiar o acesso, pois se tratam de articulações mais profundas e de mais difícil acesso.
As infiltrações intra-articulares são utilizadas para o tratamento de casos de artrites, sinovites, bursites, derrames articulares, gota e dor articular inflamatória refratária às medicações convencionais. As infiltrações também são usadas em casos de osteoartrite, com uso do ácido hialurônico intra-articular. O ácido hialurônico para tratamento da osteoartrite melhora a viscosidade do líquido das articulações e tem também efeito anti-inflamatório, melhorando a dor e a função articular.
A duração dos efeitos benéficos de uma infiltração articular é variável de noventa dias a mais de um ano, na dependência da doença, da articulação infiltrada, da medicação utilizada e do repouso articular após o procedimento. As infiltrações articulares podem ser utilizadas, ainda, em pacientes com contraindicações a algumas medicações orais.
Se bem indicadas e aplicadas com a técnica correta, as infiltrações são um procedimento seguro. Infelizmente, por vezes são mal utilizadas no meio esportivo, em que se deseja resultados imediatos em lesões traumáticas agudas, o que pode causar danos articulares irreparáveis. Os atletas podem não sentir dores, mas muitas vezes a lesão piora ainda mais. Em alguns casos, o uso excessivo da técnica pode até romper o tecido lesionado, além de gerar efeitos colaterais perigosos.
Além disso, a indicação inadequada da infiltração articular pode ser responsável por resultados terapêuticos insatisfatórios.
sábado, 6 de agosto de 2016
Os joelhos que estalam
Tecnicamente falando, o estalido no joelho se deve a uma crepitação (ruído) provocada pelo atrito da patela (antigamente conhecida como rótula) contra outros ossos da articulação do joelho.
Na observação, o estalo corresponde a um som característico, ouvido pelo próprio paciente e pelas pessoas próximas e sentido como um encaixe de uma engrenagem defeituosa.
O estalido no joelho pode não ser nada sério, mas também pode denunciar uma situação médica importante.
Por isso, é preciso que um médico especialista em ortopedia investigue a situação dos ossos, tendões e ligamentos envolvidos nessa articulação.
O joelho é a articulação do corpo que suporta a maior carga, seja pelo peso normal do corpo (imagine se o indivíduo é obeso!), seja quando o indivíduo tem que carregar muito peso.
Por isso, problemas nos joelhos são comuns e só conseguem melhorar se o indivíduo deixar de ser obeso ou parar de carregar peso.
Com o passar do tempo, a sobrecarga sofrida agrava a situação da articulação e quase certamente surgirão doenças articulares mais graves.
O estalo do joelho pode ter sua causa também em doenças reumáticas e degenerativas, como a artrose, ou ser devido a uma pancada forte que cause inflamação.
Além disso, com a idade, a cartilagem que se encontra na superfície da articulação pode sofrer um processo de desgaste e causar uma doença conhecida como condromalácia patelar.
Outras causas podem ser a presença de um pedaço de cartilagem solto na articulação (geralmente um pedaço do menisco) e outras alterações na cartilagem.
Uma das causas mais comuns dos estalos nos joelhos é a perda da cartilagem que envolve a patela. A função desse revestimento é permitir o deslizamento da patela no fêmur durante o movimento de flexão e extensão do joelho.
Com o aparecimento de lesões na cartilagem, os ossos se atritam uns contra os outros.
A condromalácia patelar atinge em média 15 a 33% da população adulta e 21 a 45% dos adolescentes.
No entanto, o tecido cartilaginoso é desprovido de terminações nervosas e a dor que acompanha os estalidos no joelho normalmente é causada pela sobrecarga ou lesão do osso subcondral.
Isso pode acontecer sempre que os joelhos sejam submetidos a uma carga superior à que deveriam aguentar.
Na artrose, há um desgaste da articulação, que pode acontecer devido a uma pancada, traumatismo ou idade avançada. Um desalinhamento do corpo, mesmo que microscopicamente, também pode deixar os joelhos estalando, por um mecanismo de compensação.
Quais são as principais características clínicas do joelho que estala?
O estalo no joelho pode ser indicativo de algo simples ou de algo que inspire cuidados.
É uma condição comum em atletas, mas também pode surgir nas pessoas em geral.
Na maioria das vezes, não é indicativo de problemas graves, mas é necessário observar o surgimento de outros sintomas que podem indicar problemas mais sérios.
Na maioria das vezes, os estalos acontecem quando o indivíduo flexiona os joelhos: agacha, sobe escadas, corre ou simplesmente caminha. Se o joelho estala em virtude de uma condição mais grave, o paciente pode sentir dor ao flexionar os joelhos, edema leve na região e travamento do movimento.
Alguns sinais de gravidade são dor intensa ao apoiar o pé no chão, grande inchaço, dor intensa ao flexionar ou estender os joelhos, surgimento de deformidades nos membros inferiores, como fraturas, por exemplo, diminuição ou perda de sensibilidade na perna, sinais de inflamação ou infecção (vermelhidão, calor e sensibilidade ao toque).
Para diagnosticar as causas dos estalidos nos joelhos, o médico pode valer-se de manobras semióticas ortopédicas durante o exame físico e de exames de imagens como radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética e, eventualmente, artroscopia.
Em casos de infecções, o exame de sangue e a cultura do líquido sinovial podem ajudar a determinar o agente patógeno.
Se você sofreu uma queda, bateu os joelhos, sofreu uma entorse ou travou os joelhos, deve mantê-los em repouso, evitando qualquer movimento que cause dor.
É importante que você deixe de pegar peso e aplique gelo para controlar o inchaço.
Além disso, o gelo funciona como anti-inflamatório e é um analgésico natural. Após a aplicação do gelo, use uma joelheira ou uma faixa de compressão e mantenha os joelhos elevados para reduzir o inchaço.
Caso os sintomas não melhorem, procure um médico que provavelmente vai receitar-lhe analgésicos e anti-inflamatórios orais.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Ombro dolorido: é bursite?
Bursite é uma doença ortopédica caracterizada pela inflamação da bursa, uma bolsa cheia de líquido, existente no interior das articulações, cuja finalidade é amortecer o atrito entre ossos, tendões e músculos. A bursite pode acontecer em qualquer articulação, mas é mais comum no ombro, a tal ponto que as pessoas leigas chegam a pensar que ela só existe nesta localização.
A bursite do ombro, também chamada de bursite subacromial, bursite subdeltoidea ou simplesmente bursite, é, pois, a inflamação da bolsa do ombro.
As causas mais comuns das bursites são traumatismos ou infecções articulares, uso excessivo e repetitivo das articulações, lesões por esforços, artrites e gota. Nem sempre as causas da bursite podem ser determinadas e muitas vezes elas surgem aparentemente “do nada”.
A bursite no ombro pode ser causada pelo uso excessivo dos braços, mas também pode ocorrer em razão de lesões na articulação do ombro, problemas articulares, como gota ou artrite reumatoide, pancadas diretas no ombro e infecções no ombro, após cirurgia, por exemplo. A bursite no ombro também ocorre em indivíduos que fazem movimentos repetitivos com os braços, como pintar por várias horas, digitar no computador, costurar ou limpar janelas.
O ombro é uma das mais complexas articulações do nosso corpo. Dela participam três ossos e diversos músculos, tendões e ligamentos que permitem que o braço se movimente de forma multiaxial e possibilitam uma grande amplitude de movimentos. Para diminuir o atrito, amortecer o impacto e permitir o deslizamento entre as estruturas anatômicas do ombro existe a bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido, localizada abaixo do acrômio (extremidade superior do osso escápula) e do músculo deltoide. A bursite do ombro é a inflamação desta bursa.
A bursite do ombro provoca dor na parte externa ou na frente do ombro, que pode irradiar para o braço, e incapacidade de movimentar a articulação do ombro, principalmente elevar os braços além da cabeça ou levá-los às costas. Pode haver ainda um aumento da sensibilidade local à pressão, calor e inchaço.
Geralmente a bursite do ombro acomete desportistas que fazem movimentos do braço acima da cabeça, tais como nadadores, tenistas e arremessadores de peso. Também pode ocorrer em atividades como carpintaria, costura e pintura.
A bursite do ombro faz parte de um quadro chamado de síndrome do impacto do ombro, que é uma patologia do ombro na qual não apenas a bursa encontra-se inflamada, mas também os músculos que passam pelo espaço subacromial apresentam sinais de tendinite (inflamação dos tendões).
A dor da bursite do ombro localiza-se na parte superior do braço, ao longo do músculo deltoide, podendo irradiar-se até quase o cotovelo. A dor tende a iniciar-se de forma leve e acentuar-se progressivamente durante dias ou semanas, agravando-se com a movimentação do braço, principalmente quando se tenta levantá-lo acima da linha do ombro. Esse movimento pode mesmo se tornar impossível. Essa dor no ombro e dificuldade para mover o braço são os sintomas mais comuns da bursite subacromial e da síndrome do impacto do ombro.
O diagnóstico da bursite do ombro a partir dos sintomas é relativamente simples, desde que seja colhida uma boa história clínica e feito um correto exame físico. Havendo dúvidas, o médico pode ainda solicitar uma radiografia, uma ultrassonografia ou uma ressonância nuclear magnética do ombro.
Outras informações podem ser vistas nos artigos sobre "Bursite", "Dores no ombro", "Lesão por esforço repetitivo ou L.E.R." e "Artrite".
Quando o indivíduo segue corretamente o tratamento fisioterapêutico e se vale dos tratamentos médicos sintomáticos, esta é uma doença habitualmente curável.
O tratamento da bursite aguda do ombro deve obedecer ao repouso absoluto ou relativo daquela articulação, na dependência da gravidade do problema, imobilização temporária da articulação e administração de analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides, relaxantes musculares e aplicação de gelo. Os exercícios de fisioterapia ajudam a fortalecer os músculos da articulação e a restaurar a amplitude dos movimentos.
Em alguns casos, de bursite crônica, pode ser necessário extrair líquido da articulação e injetar corticoides, para reduzir a inflamação. Se a causa da bursite for uma infecção bacteriana, deverá ser tratada com antibióticos. A drenagem cirúrgica raramente é necessária.
Não podemos deixar de citar a Acupuntura como tratamento de primeira escolha para a bursite de ombro.
A bursite do ombro tem uma tendência a recidivar, a voltar.
Para prevenir novas crises, assim que houver uma melhora do quadro clínico, a pessoa deve começar a praticar exercícios leves e ir aumentado o esforço gradualmente.
Mesmo com o tratamento adequado a cura total pode levar meses. Após a cura, o indivíduo deve continuar a prática de exercícios ou esporte de que goste, para manter a articulação bem lubrificada e os músculos fortalecidos.
Para tentar prevenir a bursite do ombro, a pessoa deve aquecer e alongar os músculos do ombro antes de submetê-los a exercícios. Os exercícios repetitivos devem ser pausados por pelo menos dez minutos a cada hora.
Se a bursite no ombro não for tratada nas suas fases iniciais, ela tende a se tornar crônica e de mais difícil solução. A inflamação prolongada da bursa pode levar à calcificação, enrijecimento e perda da sua capacidade de proteger a articulação.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Espinha bífida
A espinha bífida (do latim: spina bífida = espinha bifurcada) é uma grave anormalidade congênita do tubo neural, a qual se desenvolve nos dois primeiros meses de gestação. Representa um defeito grave na formação dessa estrutura. A espinha bífida é uma das lesões congênitas mais comuns da medula espinhal.
Algumas vértebras que recobrem a medula espinhal permanecem abertas e sem que suas diversas partes se fundam completamente. Se essa abertura for suficientemente grande, ela permitirá que parte da medula espinal se projete por ela, formando uma protuberância mole, sem proteção de um arcabouço ósseo.
Há três tipos clínicos de espinha bífida:
1.Espinha bífida oculta: a forma menos grave da anomalia. Nela, a parte exterior de algumas vértebras não está completamente fechada, mas o espaço nas vértebras é tão mínimo que a medula espinal não se projeta para o exterior.
2.Meningocele: a forma menos comum de espinha bífida. Nela, as vértebras se desenvolvem normalmente, mas a meninge é forçada nas lacunas entre as vértebras.
3.Mielomeningocele: o tipo mais comum e mais grave. É uma malformação em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas.
A espinha bífida é causada pela falha no fechamento do tubo neural, que deveria ocorrer durante o primeiro mês do desenvolvimento do feto. Ela não segue padrões diretos de hereditariedade.
Alguns medicamentos, como anticonvulsivantes e antidiabéticos, a obesidade, o aumento da temperatura corporal ou o fato de ter um parente portador podem aumentar as chances de um bebê nascer com espinha bífida. A meningocele pode ser devido a tumores, além da síndrome de Currarino.
A medula cervical, segmento medular contido entre as vértebras C1 a C8, controla os movimentos da região do pescoço e dos membros superiores; a medula torácica, entre T1 e T12, controla a musculatura do tórax, abdômen e parte dos membros superiores; a coluna lombar, entre L1 e L5, controla os movimentos dos membros inferiores; e o segmento medular sacral, entre S1 e S5, controla parte dos membros inferiores e o funcionamento da bexiga e intestino.
Nos casos de espinha bífida, os nervos envolvidos podem ser incapazes de controlar os músculos correspondentes, determinando paralisias. Conforme o nível da afecção fala-se de paralisia alta, média ou baixa.
Embora a espinha bífida possa ocorrer em qualquer nível da coluna vertebral, é mais comum na região lombossacra.
Quando as raízes dos nervos que emergem ao nível lombossacral estão envolvidas, podem ocorrer graus variáveis de paralisia da musculatura servida por esses nervos. A sensibilidade (sensação de pressão, fricção, dor, calor, frio) também pode estar prejudicada. A ausência de sensibilidade pode ocasionar úlceras de pressão (escaras).
Ainda se pode verificar ausência de controle urinário e fecal.
Os sinais físicos de espinha bífida podem então incluir fraqueza e paralisia nas pernas, pé torto, luxação do quadril, escoliose, incontinência ou infecção urinária, escaras, irritações da pele e movimento ocular anormal. Muitas crianças com espinha bífida têm também graus variáveis de alergia ao látex, às vezes, implicando em risco de vida.
A espinha bífida pode ser associada a outras dismorfias, mas na maioria dos casos é uma malformação isolada. Pode haver a ocorrência de hidrocefalia e, em alguns casos, anormalidades do córtex cerebral.
Na meningocele, como o sistema nervoso permanece intacto, nem sempre ocorrem problemas de saúde em longo prazo. Muitas pessoas com espinha bífida oculta nem sequer sabem que a possuem, porque a doença é assintomática na maioria dos casos.
A espinha bífida pode ser diagnosticada ainda durante a gravidez, através de uma ultrassonografia.
O aumento dos níveis de alfafetoproteína no soro materno (MSAFP) no segundo trimestre da gravidez pode significar que o feto tenha um defeito no tubo neural.
Como este não é um exame específico para o diagnóstico da espinha bífida, o médico pode solicitar uma ultrassonografia ou uma amniocentese.
Depois do nascimento, a espinha bífida pode ser reconhecida pela simples inspeção.
Não há cura para a espinha bífida. Para evitar maiores danos ao tecido nervoso e para prevenir infecções, os médicos podem realizar operações para fechar a abertura da coluna vertebral, logo após o nascimento. No entanto, ele não fará retomar as funções da medula espinhal que já tenham sido afetadas. Em alguns casos, essa cirurgia pode ser realizada ainda na etapa fetal, mas a efetividade e a segurança dela ainda estão em estudos.
A atenção precoce às técnicas de reabilitação ajuda na preservação das possíveis deformidades ortopédicas, como pé torto, deslocamento coxofemoral, diminuição das amplitudes articulares, deformidades do tronco, entre outras. Pesquisas recentes indicam que a ingestão de ácido fólico nas semanas que antecedem a concepção e nas primeiras semanas da gestação reduz de modo significativo a incidência de espinha bífida.
Sendo uma malformação congênita, não há como prevenir totalmente a espinha bífida.
O risco de ela ocorrer pode ser reduzido em até 70% com a suplementação de ácido fólico antes da gravidez.
Pode-se, também, tentar minorar ou prevenir algumas consequências dela.
As escaras eventualmente decorrentes da espinha bífida podem ser prevenidas com constantes mudanças de posição corporal, manutenção da higiene e hidratação da pele.
Para evitar-se o desenvolvimento da alergia, o essencial é evitar o contato com produtos que contenham látex, como luvas de exame, preservativos e exames de cateterismo, por exemplo.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Radiculopatias e a Eletroneuromiografia
A radiculopatia é o acometimento da raiz nervosa (L. radicula = pequena raiz; pathos = doença).
As raízes nervosas são nervos que saem da medula espinhal e carreiam a informação desta até os membros, controlando assim áreas específicas de sensibilidade e movimentos específicos de grupos musculares a depender de qual nível da medula espinhal a raiz nervosa sai.
Sendo assim, a compressão desses nervos pode causar dores tanto na região da coluna quanto em membros, além de fraquezas, parestesias (dormência, formigamento), sensação de choque, queimor e dificuldade de coordenação de movimentos.
Diversos são os fatores que podem irritar ou inflamar a raiz nervosa, como, por exemplo, hérnias e abaulamentos discais, estenoses foraminais, osteofitose, entre outros.
As radiculopatias mais comuns são as lombares e as cervicais.
O diagnóstico de radiculopatias é clínico e pode ser confirmado com estudo neurofisiológico (eletroneuromiografia - ENMG).
Radiculopatias cervicais e lombossacras são condições clínicas que afetam raízes espinais de causas variadas sendo, a mais freqüente, a hérnia do núcleo pulposo e conseqüente compressão radicular em sua saída do canal medular, junto ao forame de conjugação.
Outras causas de radiculopatias incluem a estenose de canal medular (em geral, degenerativa), e processos inflamatórios ou infecciosos acometendo raízes espinhais ou neoplasias.
Apesar das diferentes causas, a apresentação clínica das radiculopatias podem ser idênticas.
A patologia que afeta os nervos periféricos, a junção neuromuscular e os músculos pode ser avaliada de forma reprodutível e clara pela eletroneuromiografia (ENMG).
Este exame é composto por 2 fases essenciais: o estudo da neurocondução e a eletromiografia com agulha. A neurocondução avalia a velocidade de condução do potencial de ação nervoso ao longo do nervo periférico e pode ser útil na determinação etiológica das alterações dessa propriedade nervosa, ou pode ser útil também na delimitação topográfica da lesão, especialmente nas síndromes compressivas. Por outro lado, a eletromiografia é realizada com agulha que é introduzida em regiões específicas dos músculos e permite a avaliação da contração muscular, junção neuromuscular e miopatias.
A ENMG é empregada no diagnóstico de radiculopatia desde 1950 como método de diagnóstico complementar por gerar importantes informações para o esclarecimento diagnóstico, planejamento de tratamento e acompanhamento terapêutico.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Artrite Séptica ou Artrite Infecciosa
A artrite séptica, ou artrite infecciosa, é uma infecção dolorosa em uma articulação, pela invasão de um microrganismo patógeno (bactéria, vírus ou fungo).
A infecção que causa a artrite séptica pode vir através da corrente sanguínea, a partir de outra parte do corpo ou de uma lesão penetrante que permite a entrada de germes diretamente na articulação. A artrite séptica pode ser causada por infecções bacterianas, virais ou fúngicas. A infecção bacteriana por Staphylococcus aureus é a mais comum, mas uma mesma articulação pode ser infectada por mais de uma bactéria diferente.
A infecção bacteriana pode se desenvolver quando uma infecção da pele ou do trato urinário, por exemplo, se espalha através da corrente sanguínea para uma articulação ou, menos comumente, uma perfuração, injeção de drogas ou cirurgia próxima a uma articulação abre caminho para germes que alcançam o espaço da articulação.
A inflamação pode aumentar a pressão no interior da articulação e reduzir o fluxo de sangue dentro dela, contribuindo para o dano. As infecções articulares crônicas são muitas vezes provocadas por bacilos da tuberculose ou fungos.
Assim que o agente microbiano penetra na articulação, ele inicia uma série de reações inflamatórias que ativam a liberação de citocinas e outras enzimas colágeno degradantes, o que pode levar a um permanente dano articular ou à sua total destruição. Essas substâncias podem induzir proliferação da membrana sinovial, granulação tecidual, neovascularização e infiltrações por células polimorfonucleares, o que pode resultar, se não for tratado, na destruição do osso e da cartilagem.
O dano articular pode progredir mesmo depois da erradicação dos microrganismos, pois a persistência dos antígenos bacterianos e proteinases dentro da articulação continuarão promovendo uma resposta inflamatória.
A artrite séptica atinge mais o sexo masculino e os extremos de idades (crianças e idosos). Quando o médico julga que o paciente possa estar com artrite infecciosa, deve tentar localizar logo a “porta de entrada”. Embora existam várias “portas de entrada” possíveis, as mais comuns são feridas na pele, infecção de garganta, infecção urinária, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), lesões de pele e drogas injetáveis.
Em geral, os sintomas da infecção se manifestam intensamente e de forma aguda. Os fungos ou as micobactérias costumam causar sintomas de menor intensidade e afetar apenas uma articulação, raramente várias simultaneamente. Os joelhos são as articulações mais comumente afetadas, mas a artrite séptica também pode acometer outras articulações, como os quadris e ombros, por exemplo.
A infecção pode danificar rápida e severamente a cartilagem envolvida, bem como o osso dentro da articulação, de modo que o pronto tratamento é crucial. A artrite séptica normalmente provoca extremo desconforto e dificuldade de usar a articulação afetada. A articulação pode se apresentar inchada, vermelha e quente e o paciente pode ter febre.
A história clínica e o exame físico constituem o passo inicial para o diagnóstico da artrite séptica, mas ele pode ser complementado pelos seguintes testes de laboratório: análise e cultura do líquido articular (cor, consistência, volume e composição); exames de sangue; exames de imagem (radiografias e outros). Quando há artrite, este líquido assume aspecto leitoso ou amarelado-esverdeado, frequentemente purulento, contendo grande número de células brancas e bactérias.
A artrite séptica tem cura, mas seu tratamento deve ser iniciado o mais prontamente possível, geralmente num hospital, com o uso de antibióticos venosos e drenagem da articulação, para não deixar sequelas. Após isso, o tratamento deve ser continuado com fisioterapia para recuperar a integridade funcional da articulação comprometida.
A drenagem pode remover o líquido articular através de agulha, artroscopia ou cirurgia aberta. Esse procedimento tanto é um recurso terapêutico como diagnóstico, servindo para análise laboratorial do líquido. Para selecionar o antibiótico mais eficaz, o médico deve fazer identificar em laboratório o micróbio causador da infecção.
De início, os antibióticos para combater a infecção são dados por via venosa, porém mais tarde, quando a infecção cedeu um pouco, passam a ser dados oralmente. As infecções causadas por fungos tratam-se com medicamentos antimicóticos e as tuberculosas com uma combinação de antibióticos. As infecções virais costumam melhorar de forma espontânea e só é necessária terapia para a dor e a febre. Uma “lavagem” articular pode ser necessária para que um grande número de bactérias e produtos da inflamação sejam rapidamente retirados da articulação.
O prognóstico da artrite séptica gonocócica é melhor que o da artrite séptica não gonocócica.
Na maioria dos casos tratados precocemente, a evolução é favorável. No entanto, o atraso no diagnóstico e no tratamento pode fazer com que a artrite séptica evolua para uma perda total da cartilagem, levando à rigidez articular e anquilose.
Se o tratamento for delongado, a artrite séptica pode levar à degeneração e a danos permanentes da articulação, sobretudo se houver pus.
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