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quarta-feira, 29 de março de 2017
Câncer de peritônio
O câncer de peritônio é um câncer raro, que afeta o peritônio, uma membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal e recobre órgãos como o estômago e os intestinos, reto, bexiga e útero. Toda essa camada é rica em vasos do sistema linfático, que funcionam como sistema de defesa do organismo. O câncer de peritônio pode ser classificado como primário ou secundário.
É uma enfermidade que acomete algo em torno de quatro ou cinco pessoas numa população de 100 mil. Seus fatores de risco ainda não são muito bem conhecidos e a doença não apresenta sintomas específicos.
No entanto, o câncer de peritônio primário é mais comum em mulheres do que em homens. Mulheres com risco de câncer de ovário têm um risco aumentado para câncer de peritônio. Isto é ainda mais provável há o fator genético. A idade avançada é outro fator de risco para o câncer de peritônio.
O câncer de peritôneo é bastante semelhante ao câncer de ovário. Isso porque o tecido do peritônio é dos ovários são formados por células epiteliais. É comum que os dois tipos de câncer apresentem sintomas semelhantes. O tratamento para os dois casos também pode ser o mesmo.
Ele se forma na própria membrana e secundário quando ele inicia em algum órgão da região - sobretudo intestinos, ovário, útero, estômago, pâncreas ? e se implanta no peritônio.
É conhecido como mesotelioma e também pode originar-se dele um carcinoma semelhante ao câncer de ovário. Já o câncer que vem de outros órgãos e se implanta no peritônio é conhecido como carcinomatose peritoneal.
Quando progride, o câncer primário no peritônio favorece o aparecimento de nódulos, podendo causar dor abdominal e acúmulo de líquido.
Como em qualquer tumor, quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais positiva é a resposta ao tratamento. O tratamento é baseado na quimioterapia, que ataca e minimiza o tumor. Em alguns casos, após reavaliação médica, se opta por procedimentos cirúrgicos que visam remover lesões residuais e por quimioterapia intraperitoneal hipertérmica.
Os casos em que um tumor de estômago, intestino ou ovário, por exemplo, cresce, se espalha e se implanta no peritônio são mais frequentes do que os diagnósticos de câncer primário no peritônio.
Nessas situações, células tumorais se desgrudam do órgão acometido e conseguem migrar e se implantar no peritônio, contribuindo para a disseminação da doença. É o que os médicos chamam de carcinomatose peritoneal.
Quando a doença alcança esse estágio, os recursos terapêuticos abarcam desde quimioterapia até intervenções cirúrgicas.
Assim como ocorre com o câncer de ovário, o câncer de peritônio pode ser difícil de ser diagnosticado nos estágios iniciais da doença. Isso porque os sintomas não são claros, portanto difíceis de identificar. Quando os sintomas ocorrem claramente, muitas vezes é um sinal de que a doença progrediu. Muitos dos sintomas acontecem devido ao acúmulo de líquido (ascite) no abdômen.
Os sintomas do câncer de peritônio podem incluir:
Dor abdominal
Diarreia e náuseas
Massa abdominal
Aumento da circunferência abdominal
Distensão do abdômen
Ascite (fluído no abdômen)
Febre
Perda de apetite
Ganho de peso ou perda inexplicável
Fadiga
Anemia
Distúrbios digestivos
Constipação
Micção frequente
Sangramento vaginal anormal
Pode haver mais do que um tipo de tratamento para o câncer de peritôneo. O tipo de tratamento vai depender de alguns fatores principais: o estágio e grau do câncer; o tamanho e a localização do câncer e a idade e saúde em geral do paciente.
Os tratamentos para o câncer de peritôneo incluem: A cirurgia citorredutora é usada para a remoção de tumores. O objetivo da cirurgia será remover toda a doença visível. O cirurgião também pode remover os ovários, trompas e útero, além de outros tecidos e órgãos.
Quimioterapia. Os medicamentos usados para tratamento do câncer de peritônio são semelhantes aos utilizados para o câncer do ovário. Você pode receber o tratamento por injeção no hospital a cada uma, duas ou três semanas.
A quimioterapia ainda pode ser do tipo intraperitoneal, quando é realizada através de um catéter no abdómen, que foi colocado sob a pele durante a cirurgia. Isto é chamado de quimioterapia. Também é feita de três em três semanas, mas é um ciclo de tratamento mais complexo.
O tratamento de suporte pode ajudar a aliviar os sintomas de câncer peritoneal, tais como dor, perda de peso, ou o acúmulo de líquidos.
O câncer de peritôneo pode se espalhar rapidamente, porque o peritônio é rico em fluidos que são transportados pelo sangue. Após o tratamento, a recorrência do câncer de peritôneo é comum. Isso porque esse tipo de câncer é geralmente diagnosticado em um estágio avançado. Você pode precisar de mais do que um ciclo de quimioterapia ou outras cirurgias.
fonte: minhavida
segunda-feira, 13 de março de 2017
Câncer de Vesícula Biliar
A vesícula biliar é um pequeno órgão em forma de pera, localizado na porção superior direita do abdômen, logo abaixo do fígado. Se destina a armazenar a bile, que é um "fermento" utilizado no processo digestivo. A vesícula biliar lança a bile no trato digestivo apenas quando o alimento ingerido contém lipídeos, que estimulam a secreção de colecistoquinina.
Este órgão, como quase todos os órgãos do corpo humano, é susceptível a experimentar o desenvolvimento de um câncer. No entanto, o câncer de vesícula biliar é raro e difícil de diagnosticar, seja porque a vesícula biliar é um órgão um tanto escondido, seja porque ele é assintomático durante algum tempo e quando aparecem sintomas eles são inespecíficos.
Cerca de 90% dos tumores malignos de vesícula biliar são do tipo adenocarcinoma. Entre eles, o adenocarcinoma papilar merece especial destaque, pois não é intensamente propenso a se disseminar, tendo melhor prognóstico do que a maioria dos outros tipos de adenocarcinomas da vesícula biliar. No entanto, ele representa apenas cerca de 6% dos cânceres da vesícula e os outros tipos de tumores são mais frequentes, como os carcinomas adenoescamosos, os carcinomas de células escamosas, os carcinomas de pequenas células e os sarcomas.
Ainda não está esclarecido o que causa o câncer de vesícula biliar. Como em todo câncer, o da vesícula se forma quando as células saudáveis daquele órgão desenvolvem mutações em seu DNA que fazem com que elas cresçam fora de controle e formem um pequeno tumor que pode ir além da vesícula e se espalhar para outras áreas do corpo.
O câncer de vesícula biliar é mais comum em mulheres que em homens, aumenta a sua probabilidade de ocorrência com a idade, é mais comum em pessoas obesas e nas que têm uma história prévia de cálculos biliares. Outras condições que podem aumentar o risco de câncer de vesícula biliar incluem vesícula de porcelana, cisto do colédoco e infecção crônica.
Muito geralmente, o câncer de vesícula biliar evolui sem sintomas num período inicial e só se manifesta quando a doença já está em estágio evoluído. Em alguns poucos casos, no entanto, pode aparecer mais precocemente. Os sintomas mais comuns do câncer de vesícula biliar são dor localizada na parte superior direita do abdome, náuseas, vômitos, icterícia (quando o tumor bloqueia o ducto biliar) e nódulos no abdômen. Se o tumor obstruir o ducto biliar, a vesícula biliar pode inchar, tornando-se aumentada de tamanho e palpável.
O câncer de vesícula biliar também pode se disseminar para partes próximas e para o fígado, o que pode ser percebido pelo médico como nódulos no lado direito do abdome, os quais também podem ser detectados por meio de exames de imagem, como a ultrassonografia, por exemplo. Outros sintomas menos comuns podem ser perda de apetite e de peso, inchaço abdominal, febre, prurido intenso e fezes e urina escuras.
Alguns sinais e sintomas podem sugerir que uma pessoa tenha um câncer na vesícula biliar, mas serão necessários exames complementares e eventualmente anatomopatológicos para confirmá-lo.
Da história clínica do paciente deverão constar o histórico clínico completo, os sintomas apresentados, fatores de risco, histórico familiar, e outras condições clínicas complementares. Deve ser realizado também um exame físico completo, incluindo especialmente uma avaliação cuidadosa da região abdominal. Deve ser verificada a existência de sinais de icterícia (mesmo sendo leves) e examinados os gânglios linfáticos acima da clavícula e de outras regiões próximas.
Se o quadro apresentado sugerir que possa haver câncer de vesícula biliar, exames de laboratório, de imagem e biópsia serão solicitados, para confirmação do diagnóstico e avaliação do estadiamento da doença. Poderão ser solicitados exames para determinar as taxas de bilirrubina, fosfatase alcalina, albumina, TGO e TGP, que avaliam o funcionamento do fígado e/ou da vesícula biliar.
Altos níveis dos marcadores tumorais CEA e CA 19-9 são geralmente encontrados em pessoas com câncer de vesícula biliar, embora eles não sejam específicos para esse tipo de câncer. Os níveis dos marcadores também são úteis para mostrar a resposta do paciente ao tratamento instituído.
Os exames de imagem, tais como a ultrassonografia, a laparoscopia, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a colangiografia ajudam a localizar e determinar a extensão da doença. A laparoscopia combinada ao ultrassom proporciona uma melhor imagem do tumor e também é frequentemente utilizada para retirar a vesícula biliar.
A biópsia, que também pode ser feita por laparoscopia, é um procedimento no qual uma amostra de tecido é removida e encaminhada para análise de um patologista. Ela permite não só diagnosticar a doença como determinar o grau em que ela se encontra. A cirurgia é indicada, como último recurso, para remover a vesícula.
As opções de tratamento do câncer de vesícula dependem do estágio da doença, da saúde geral do paciente a até mesmo de suas preferências. O objetivo primário é remover o câncer, mas quando isso não é possível, outras terapias podem ajudar a controlar a propagação da doença e manter o paciente o mais confortável possível.
Se o câncer estiver em estágio inicial, a opção mais radical consiste em cirurgia para remover a vesícula biliar. Se o câncer já se estende para além da vesícula e para o fígado, a cirurgia deve remover também porções do fígado e dos canais biliares. Tratamentos adicionais, em casos de câncer avançado, incluem quimioterapia e radioterapia. O câncer avançado da vesícula biliar pode causar obstruções dos ductos biliares, ocasionando complicações adicionais e podem ser necessários procedimentos extras para aliviar esses bloqueios.
Muitas pessoas com câncer da vesícula biliar são definitivamente curadas. A sobrevida depois de 5 anos é muito alta. Essas taxas, no entanto, são baseadas em um grande número de pacientes, não sendo possível prever-se o que vai acontecer com cada paciente individualmente.
Outros fatores que podem afetar o prognóstico de um determinado paciente são idade, estado geral de saúde e a maneira como a doença responde ao tratamento. Entretanto, com os avanços e melhorias recentes das opções terapêuticas, o prognóstico vem se tornando cada vez mais favorável.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
INCA lança livro sobre o câncer em crianças, adolescentes e adultos jovens
O livro "Incidência, mortalidade e morbidade hospitalar por câncer em crianças, adolescentes e adultos jovens no Brasil: Informações dos registros de câncer e do sistema de mortalidade" foi lançado no dia 10 de fevereiro de 2017 pelo INCA, e preenche a lacuna de informações nacionais sobre a incidência, a mortalidade e a morbidade hospitalar relacionadas ao câncer no grupo de pessoas de zero a 29 anos.
O livro dá sequência à primeira publicação, "Câncer na Criança e no Adolescente no Brasil. Dados dos Registros de Base Populacional e de Mortalidade", de 2008, que compreendeu a faixa etária de zero a 19 anos.
A tecnologista Marceli de Oliveira Santos, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do INCA, diz que o livro é “instrumento necessário para a pesquisa e o planejamento em saúde, para a melhoria da avaliação e a gestão do controle de câncer infanto-juvenil".
Seguem os destaques da publicação:
•Este livro tem como objetivo auxiliar os profissionais de saúde não especialistas em oncologia na condução dos casos suspeitos, contribuindo para a detecção precoce e o encaminhamento para o tratamento oportuno. Além de informar a população e a sociedade como um todo.
•As neoplasias em crianças e adolescentes diferem dos tumores dos adultos quanto à forma, ao comportamento clínico e às localizações primárias e, por isso, devem ser estudadas separadamente: quase sempre, afetam as células do sistema sanguíneo e as dos tecidos de sustentação. Nos adultos, as células epiteliais, que recobrem órgãos, são as mais afetadas.
•A estimativa realizada pelo INCA, para o Brasil, prevê a ocorrência de 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos para o ano de 2017. As Regiões Sudeste e Nordeste apresentarão os maiores números de casos novos, seguidas pelas Regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. No Brasil, em 2014, ocorreram 2.724 óbitos por câncer em crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) [INCA, 2015]. As neoplasias ocuparam a segunda posição (7%) de óbitos de crianças e adolescentes em 2014, ultrapassadas somente pelos óbitos por causas externas, configurando-se como a doença que mais mata nessa faixa etária [MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014].
•No grupo de adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos), o percentual mediano de neoplasias foi de 4,3%, valor um pouco menor que o da literatura mundial. O grupo dos carcinomas foi o mais frequente (34%), seguido dos linfomas (12%) e dos tumores de pele, incluindo melanomas e carcinomas (9%). A mediana das taxas médias de incidência, ajustadas por idade, foi de 236,16 por milhão, sendo de 241,74 por milhão para o sexo feminino e de 212,71 para o sexo masculino.
•Os tumores infanto-juvenis (de 0 a 19 anos) corresponderam a 2,8% de todas as neoplasias informadas. Os tumores classificados nos grupos I e II da Cici – leucemias, doenças mieloproliferativas e doenças mielodisplásicas (30,6%) e linfomas e neoplasias reticuloendoteliais (16,6%) – foram os mais frequentes, responsáveis por 47,2% do total de casos. Em terceiro lugar, apresentaram-se os tumores do grupo III – do SNC e neoplasias intracranianas e intraespinhais (9,3%) –, seguidos das neoplasias do grupo XI – outros neoplasmas malignos epiteliais e outros melanomas malignos (9,1%).
•Para o grupo de adolescentes e adultos jovens, as maiores frequências foram observadas para os carcinomas (com exceção de pele), que representaram 38,4% dos casos, seguidos por linfomas, com 18,3%, e leucemias, com 10,9%. Juntas, essas três neoplasias somaram 67,6% do total de casos de câncer nos adolescentes e adultos jovens.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Condrossarcoma
O condrossarcoma é um tumor cartilaginoso maligno, relativamente raro, que ocorre mais frequentemente nas cartilagens das extremidades ósseas. Descrevem-se quatro tipos de condrossarcoma:
(1) primário,
(2) secundário,
(3) mesenquimal e
(4) desdiferenciado.
Desses, a maioria dos casos é de condrossarcomas primários ou secundários. O mesenquimal e o desdiferenciado são bem mais raros.
O condrossarcoma primário ocorre mais comumente depois da terceira década da vida e acomete frequentemente a pelve ou os ossos longos, particularmente o fêmur e o úmero. Os condrossarcomas primários são originariamente tumores malignos. Os condrossarcomas secundários são aqueles que aparecem devido à transformação maligna dos tumores cartilaginosos ou ósseos, geralmente na segunda metade da vida. Na verdade, o termo condrossarcoma é às vezes usado para definir um grupo heterogêneo de lesões com diversos aspectos morfológicos e comportamento clínico.
O condrossarcoma não é contagioso, mas pode ser transferido de uma pessoa para outra. Não se sabe inteiramente o que causa o condrossarcoma, mas sabe-se que certas condições hereditárias podem tornar as pessoas mais susceptíveis à doença. As pessoas afetadas por estas condições estão em maior risco, porque elas geralmente desenvolvem vários tumores ósseos benignos, que tem uma maior chance de se tornarem malignos.
Pessoas com essas condições hereditárias ou as que experimentam surtos súbitos de crescimento ou aumentos da produção hormonal, tais como na gravidez, têm um ligeiro aumento do risco de que um tumor ósseo benigno se transforme num condrossarcoma. Os adultos com doença de Paget também estão em maior risco de condrossarcoma.
O tumor surge a partir de células de cartilagem chamadas condrócitos. Quando alguém é afetado por esta condição, as células malignas começam a se desenvolver sobre a superfície do osso ou mesmo dentro dele. O crescimento do tumor pode ser lento ou rápido e muito agressivo.
O condrossarcoma é o segundo entre os tipos de câncer primário dos ossos. Durante um período inicial, o condrossarcoma pode evoluir sem sintomas. Depois disso, os sintomas que acarreta variam dependendo do seu tamanho e localização.
Normalmente, além do desenvolvimento de uma massa ou nódulo no osso, a área afetada geralmente incha e o crescimento pode tornar-se sensível ao toque. Por vezes, o paciente experimenta uma sensação de pressão ou dor na área afetada. Em algumas ocasiões o osso pode enfraquecer ou quebrar facilmente, devido à pressão. Geralmente a dor do câncer ósseo parece piorar à noite e pode ser chata e persistente, não aliviando, mesmo durante o repouso.
Se o tumor já se espalhou para os pulmões, o paciente pode começar a tossir sangue ou sentir falta de ar.
Além dos relatos do paciente, sugerindo o problema, as técnicas de imagem captam uma lesão caracterizada por uma expansão da porção medular do osso, espessamento da camada cortical e principalmente irregularidade do endotélio ósseo. A tomografia axial computadorizada e a ressonância nuclear magnética são de importância para a avaliação da extensão da massa às partes moles.
Os achados radiográficos dos condrossarcomas secundários mostram também evidências das lesões benignas pré-existentes. Eventualmente, pode haver destruição do osso subjacente. Áreas de calcificação ao lado de áreas líticas também são sugestivas de transformação secundária de um tumor primário para condrossarcoma.
A cintilografia do esqueleto é de valia porque pode evidenciar as áreas com aumento de concentração e maior atividade óssea. O diagnóstico de certeza, no entanto, é dado pela biópsia, mas o papel da biópsia em lesões de baixo grau de malignização é bastante controverso, ocorrendo frequentes erros de amostragem.
O tratamento dos condrossarcomas é cirúrgico, com ressecção do segmento acometido. As margens da excisão devem sempre ser amplas porque não há resposta à radioterapia ou à quimioterapia. As chances de recorrência são grandes e as reoperações têm menores chances de erradicação total do tumor. A área removida pode ser reconstruída por meio de uma endoprótese não convencional ou osso homólogo de banco. A amputação das extremidades está indicada especialmente se o envolvimento de partes moles for extenso.
Em geral, o prognóstico para o condrossarcoma depende do grau do tumor, da excisão realizada e de outras condições do paciente, como diabetes, lúpus e problemas de coagulação, por exemplo. O risco de implantação das células cartilaginosas em outros órgãos do corpo é grande, porque o condrossarcoma não responde nem à radioterapia nem à quimioterapia.
No entanto, a ressecção do condrossarcoma de baixo grau pode virtualmente ser bem sucedida em todos os pacientes e, nestes casos, o prognóstico ser excelente após a excisão adequada. A maioria dos pacientes com condrossarcoma pouco agressivos e de baixo grau podem ser tratados com segurança com uma intervenção cirúrgica limitada.
Em alguns casos podem ocorrer fraturas ósseas ou a amputação de membros ser necessária para evitar a propagação da doença.
terça-feira, 24 de maio de 2016
O câncer renal e a sua evolução
Câncer renal, câncer dos rins, hipernefroma ou adenocarcinoma renal é um tumor maligno que afetas as células renais e que pode ficar restrito àquele órgão ou espalhar-se para outras partes do corpo.
Não são totalmente claras as causas do câncer renal. Sabe-se apenas que ele começa quando algumas células renais sofrem mutações em seu DNA, que passam a crescer e se multiplicar de forma rápida e desordenada, formando um tumor que pode se expandir para outras partes do organismo (metástases) e causar sérias complicações.
Apesar das causas do câncer renal ainda não serem conhecidas, alguns fatores parecem contribuir para ele, tais como idade avançada, tratamento para insuficiência renal, como a diálise, doença de von Hippel-Lindau (condição hereditária que afeta os vasos sanguíneos do cérebro, olhos e outras partes do corpo). Além disso, interferem negativamente também o hábito de fumar, a hipertensão arterial e a obesidade. Também algumas síndromes genéticas raras podem aumentar o risco de desenvolver câncer de rim.
Os rins são dois órgãos mais ou menos do tamanho do punho, localizados na parte posterior e superior do abdômen, atrás dos órgãos abdominais, justapostos à coluna, um de cada lado. Os rins são responsáveis pelo equilíbrio de água e sais no corpo e eliminam as substâncias nocivas metabolizadas pelo organismo. Cada rim é composto de um milhão de pequenas estruturas de filtração chamadas de néfrons.
O câncer de rim mais comum resulta da transformação das células dos túbulos que formam os néfrons, as quais passam a se proliferar de forma anormal e podem invadir o órgão e até, em alguns casos, circular pelo corpo e produzir tumores em outras partes do corpo (metástases).
Geralmente, há um único tumor, mas podem surgir dois ou mais tumores dentro de um ou de ambos os rins, simultaneamente. Uma das primeiras consequências do tumor renal é o desarranjo das funções dos rins.
O câncer renal costuma ser silencioso ou só produzir sintomas muito discretos e inespecíficos. Ele pode gerar sangramento na urina e dor na parte lateral da barriga. Sintomas mais intensos e a possibilidade de palpação do tumor só ocorrem quando a doença está mais avançada. Nesta fase, podem estar presentes dor persistente nas costas, dor abdominal, perda de peso, fadiga e febre intermitente. Em muitos casos, os primeiros sintomas ostensivos podem decorrer mais da metástase que do tumor primitivo.
Os primeiros exames e procedimentos usados para diagnosticar o câncer renal incluem exames de sangue e de urina, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Por último, pode-se fazer uma biópsia, para a remoção de uma amostra de tecido renal, a ser enviada para exame em um laboratório de patologia.
Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as chances de cura porque permite identificar o tumor nos seus estágios iniciais, ainda localizados nos rins e não espalhado para outras partes do corpo. Muitas vezes a descoberta do tumor é acidental, durante exames com outras finalidades ou mesmo em exames de rotina.
O tratamento do câncer de rim depende do tamanho do tumor e se há ou não metástases, mas a cirurgia é o único tratamento definitivo. A retirada do rim, da glândula adrenal e de linfonodos regionais é o tratamento mais comumente indicado. Quando a doença já produziu metástases, o objetivo do tratamento passa a ser frear ou retardar o avanço dela. Para isso, o tratamento deve ser com medicações que bloqueiem os processos biológicos fundamentais para a proliferação e sobrevivência das células do câncer, sobretudo a quimioterapia.
Em geral, a recuperação do paciente depende da gravidade que o câncer tenha atingido. Em cerca de um terço dos casos, o câncer já se espalhou pelo corpo e o paciente, no momento do diagnóstico, já desenvolveu metástases. Para estes pacientes, as chances de cura diminuem consideravelmente.
Não há uma maneira absoluta de evitar o câncer renal. No entanto, algumas providências parecem diminuir a incidência: não fumar, manter um peso saudável e alimentar-se adequadamente.
terça-feira, 15 de março de 2016
Prevenção do câncer
Os genes controlam a forma como as células crescem e se dividem e, quando alterados, podem levar ao câncer, uma multiplicação desordenada de células.
Um pequeno número de cânceres é causado por alterações genéticas hereditárias, mas a maioria das alterações ocorre durante a vida de uma pessoa.
A cada dia aparecem novas informações sobre a correta prevenção do câncer e muitas vezes elas são conflitantes. O assunto ainda está em evolução.
No entanto, já se conhece com segurança alguns fatores, chamados fatores de risco, que aumentam as chances de desenvolver câncer. Embora alguns desses fatores, como o envelhecimento e a genética não possam ser evitados, outros podem ser eficazmente afastados. Algumas mudanças relativamente simples no estilo de vida individual podem fazer uma grande diferença na prevenção do câncer.
Como fazer a prevenção do câncer?
Alguns fatores agressivos ao organismo devem ser evitados e outros, protetores, devem ser acrescentados. Os fatores de risco podem dever-se à história familiar, a situações pré-cancerosas ou ao estilo de vida.
NÃO USAR TABACO
O fumo tem sido associado a vários tipos de tumores, incluindo o câncer do pulmão, boca, garganta, laringe, pâncreas, bexiga, colo do útero e rim. Mesmo se a pessoa não usar diretamente o tabaco, a exposição passiva ao fumo pode aumentar o risco de câncer de pulmão.
EVITAR O ÁLCOOL
Estudos científicos têm mostrado que o consumo de álcool é ligado a um aumento do risco do câncer oral, câncer de esôfago, câncer de mama, câncer colorretal e câncer de fígado.
OBSERVAR UMA DIETA SAUDÁVEL
Uma dieta não garante a prevenção do câncer, mas pode ajudar a reduzir o seu risco. O paciente deve comer muitas frutas, legumes, grãos integrais e feijões. As mulheres que comem uma dieta mediterrânea suplementada com azeite extra-virgem e nozes mistas têm um risco reduzido de câncer de mama.
EVITAR A OBESIDADE
A manutenção de um peso saudável pode diminuir o risco de vários tipos de câncer, incluindo os de mama, da próstata, do pulmão, do cólon e do rim. Escolha menos alimentos de alto teor calórico, como açúcares refinados e gorduras de origem animal.
CONTROLAR O DIABETES
O diabetes mellitus, sobretudo quando associado a outros fatores como fumo, álcool, envelhecimento e obesidade, pode aumentar os riscos de desenvolvimento de câncer.
EVITAR CARNES PROCESSADAS
A Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu que a ingestão de grandes quantidades de carne processada pode aumentar ligeiramente o risco de certos tipos de câncer.
SER FISICAMENTE ATIVO
Além de ajudar a controlar o peso corporal, a atividade física regular pode reduzir o risco de câncer da mama e do cólon.
PROTEGER-SE DO SOL
O câncer de pele é um dos tipos mais comuns de câncer e também um dos mais facilmente evitáveis. Procure evitar o sol do meio do dia, entre dez e dezesseis horas, quando os raios solares são mais fortes. Quando estiver ao ar livre, a pessoa deve ficar na sombra, tanto quanto possível. Óculos de sol e chapéu de abas largas também ajudam. Roupas compridas que cubram o máximo de pele possível são outra opção de ajuda. Use um protetor solar quando estiver ao ar livre. As lâmpadas fluorescentes também devem ser evitadas porque elas são tão prejudiciais como a luz solar natural.
EVITAR RADIAÇÕES
Estar exposto à radiação é uma causa conhecida de câncer. A radiação que mais causa câncer é a radiação ultravioleta da luz solar, mas também é nociva a radiação ionizante, incluindo a radiação médica usada para fins diagnósticos, como raios-x, tomografia computadorizada, fluoroscopia e os escaneamentos de medicina nuclear. Os cientistas acreditam que a radiação ionizante causa leucemia, câncer de tireoide e câncer de mama, entre outros. Estar exposto à radiação de raios-X de diagnóstico aumenta o risco de câncer em pacientes e técnicos de raios-X.
EVITAR OS MEDICAMENTOS IMUNOSSUPRESSORES
Os medicamentos imunossupressores aumentam o risco de câncer ao reduzirem a capacidade do corpo para combater as células malignas.
IMUNIZAR-SE
Alguns vírus e algumas bactérias são capazes de causar câncer. A prevenção do câncer inclui também a proteção contra certas infecções virais, como a hepatite B e o papilomavírus humano (HPV), por exemplo.
EVITAR COMPORTAMENTOS DE RISCO
Evitar os comportamentos de risco que podem levar a infecções. Recomenda-se, por exemplo: praticar sexo seguro e não compartilhar agulhas endovenosas.
RECORRER A CUIDADOS MÉDICOS REGULARES
Autoexames e rastreamentos regulares para vários tipos de câncer, como os de pele, cólon, colo do útero e mama podem aumentar as chances de descobrir precocemente o câncer, numa fase ainda tratável.
Outros fatores aos quais se atribui um papel na causa do câncer são: estar exposto a produtos químicos e outras substâncias, poluição do ar, beber água que contenha uma grande quantidade de arsênio e o contato com certos pesticidas e outros poluentes. Está em estudos a possibilidade de uma quimioprevenção, uso de substâncias para diminuir o risco de câncer ou evitar a recorrência dele em doentes de alto risco. Novas maneiras de prevenir o câncer estão sendo estudadas em ensaios clínicos e devem estar disponíveis em breve.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Prevenção do câncer de pulmão
Cerca de vinte e sete mil novos casos de câncer de pulmão são diagnosticados no Brasil todos os anos.
Em noventa por cento dos casos a enfermidade só é diagnosticada tardiamente, isto é, quando o tratamento já não é mais efetivo.
Uma das razões é que não existia, até recentemente algum tipo de recurso de laboratório que pudesse oferecer detecção precoce deste tipo de câncer.
Em um estudo promovido pelo "National Lung Screening Trial", com cerca de cinquenta e três mil pessoas, indicou que realizar uma tomografia computadorizada do tórax a cada 12 meses ajuda a flagrar a doença com antecedência.
Graças à utilização do exame houve uma redução de vinte por cento na mortalidade por câncer de pulmão, em comparação com a utilização das radiografias habituais.
Esses achados estão modificando a maneira de se rastrear tal enfermidade em todo o Planeta.
Pessoas entre 55 e 74 anos de idade que fumam ou que fumaram um maço de cigarros por dia por mais de trinta anos deveriam ser submetidas a uma tomografia computadorizada de tórax uma vez ao ano.
No Brasil um estudo com cerca de 790 pacientes analisa a efetividade desta técnica em nosso País.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Tratamento das metástases ósseas
Metástases ósseas são implantes de células malignas em um ou mais ossos a partir de um tumor cancerígeno original, situado em outro órgão. Das metástases ósseas deve-se distinguir o câncer ósseo, que é um tumor primitivamente do osso. Enquanto nesse as células malignas são células ósseas, nas metástases elas conservam as características das células do tumor original.
As metástases ósseas ocorrem quando as células de um tumor maligno se implantam num ou em vários ossos, a partir de seu local original.
Não se sabe bem porque alguns tipos de cânceres têm preferência por darem metástases nos ossos e não em outros órgãos. Quase todos os tipos de cânceres podem espalhar-se para os ossos, mas alguns tipos são mais propensos a tanto, como o câncer de mama, próstata, rim, pulmão, linfoma, mieloma e tireoide. As metástases ósseas podem ocorrer em qualquer osso, acometendo um ou mais ossos. Geralmente ocorrem, em primeiro lugar, na coluna vertebral, pelve e fêmur. Com raras exceções, o câncer que se espalhou para os ossos não pode ser curado, mas os tratamentos podem ajudar a reduzir a dor e outros sintomas de metástases ósseas.
Muitas metástases ósseas de um câncer diagnosticado permanecem assintomáticas durante longo tempo e só são detectadas num exame de controle ou feito em função de outro motivo. Outras vezes, a metástase óssea pode ser o primeiro sinal de um câncer que evolui silenciosamente ou pode ocorrer anos após o tratamento de um câncer conhecido. Quando dão sintomas, os mais comuns são dor, fratura, incontinência urinária e intestinal, fraqueza nas pernas ou braços e níveis altos de cálcio no sangue, o que pode causar náuseas, vômitos, constipação e confusão.
Além da história de um câncer prévio e dos sintomas, os exames de imagens podem ser usados, tais como radiografias, cintilografia óssea, tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET). Esses exames mostram a localização e o tamanho das metástases, além das alterações que elas causam nos ossos.
Os tratamentos para metástases ósseas incluem medicamentos, quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Os medicamentos devem ser usados, entre outros motivos, para reforço e reconstrução óssea. Estes medicamentos podem também reduzir o risco de desenvolver novas metástases ósseas.
A quimioterapia oral deve ser empregada se o câncer já se espalhou para vários ossos. A terapia de supressão hormonal pode ser usada para os cânceres que são sensíveis a hormônios e pode envolver medicamentos para baixar os níveis hormonais ou para bloquear a interação entre hormônios e células cancerosas. Outra opção é a cirurgia para remover órgãos produtores de hormônios. Em mulheres, os ovários e, em homens, os testículos.
Os medicamentos para a dor vão desde analgésicos simples até a morfina, na dependência da intensidade da dor. A radioterapia utiliza raios de energia de alta potência para matar as células cancerosas. Ela pode ser administrada em uma única grande dose ou em várias doses menores, ao longo de muitos dias.
Procedimentos cirúrgicos e colocação de placas ou parafusos podem ser necessários para estabilizar um osso que esteja em risco de fratura ou para reparar um osso já quebrado. Existem também procedimentos para matar células cancerosas com calor ou frio, se as dores não puderem ser aliviadas por medicações. Durante um procedimento chamado ablação por radiofrequência, uma agulha é inserida dentro do tumor ósseo e a eletricidade é passada através dela, para aquecer o tecido circundante. Um procedimento equivalente chamado crioablação congela o tumor. Esses processos, se necessários, podem ser repetidos várias vezes.
Para as pessoas com múltiplas metástases, certos radiofármacos (fármacos radioativos) que têm uma atração especial pelos ossos podem ser injetados por via intravenosa. Esses radiofármacos fazem uma espécie de radioterapia local. A fisioterapia pode ajudar a aumentar a força, melhorar a mobilidade do paciente e ajudá-lo a adotar alguns dispositivos auxiliares para lidar com o dia-a-dia, como uma muleta, andador ou bengala para melhorar o equilíbrio e uma cinta para estabilizar a coluna. Além disso, um fisioterapeuta também pode sugerir exercícios específicos para ajudar a pessoa a manter sua força e reduzir a dor. Existem também cirurgias preventivas para estabilização óssea que podem ser avaliadas individualmente.
A complicação mais temida das metástases ósseas é a fratura óssea, com as implicações decorrentes do osso afetado.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Mieloma Múltiplo
Mieloma múltiplo é um tipo de câncer que acomete um subtipo de células da medula óssea (os plasmócitos).
Os plasmócitos são responsáveis pela produção de anticorpos de defesa do organismo.
Quando ocorre o mieloma múltiplo, os plasmócitos estão aumentados em números e são anormais.
As células cancerígenas produzem uma proteína anormal, camada de proteína monoclonal, que pode danificar os órgãos e também levar a redução da produção de anticorpos, deixando a pessoa mais predisposta a infecções.
Acomete geralmente pessoas acima de 65 anos.
O diagnóstico é feito através de vários exames de sangue, urina, raio-x e do aspirado da medula óssea que é o mielograma.
Principais sintomas: dores ósseas, fratura aos mínimos esforços ou mesmo espontânea, fraqueza e cansaço devido à anemia, visão turva, perda de peso, náuseas, vômitos, redução do volume urinário devido à insuficiência renal, infecções principalmente sinusites e pneumonias.
Pode levar à destruição de vértebras da coluna e comprometer sua estabilidade, causando lesões na medula espinhal e risco de o paciente ficar paraplégico.
O tratamento pode ser desde observação clínica, sem tratamento, até quimioterapia seguida de transplante de medula óssea autólogo. A escolha do tratamento irá depender se o paciente é sintomático ou não, de sua idade e de outras doenças associadas.
Não existem formas de prevenção para o mieloma múltiplo. Como toda prevenção para câncer, a recomendação é manter hábitos de vida saudável, como alimentação equilibrada, rica em verduras e frutas, não fumar, praticar exercícios frequentemente e beber moderadamente.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Mais uma notícia "dura de engolir"!
A Agência Internacional de Investigação sobre Câncer (IARC), agência do câncer da Organização Mundial da Saúde, avaliou a carcinogenicidade do consumo de carne vermelha e carne processada.
Depois de uma profunda revisão da literatura científica, um grupo de 22 especialistas de 10 países reunidos pelo Programa de Monografias IARC classificou o consumo de carne vermelha como provavelmente cancerígeno para os seres humanos (Grupo 2A), com base em evidências limitadas.
Esta associação foi observada principalmente para o câncer colorretal, mas as associações também foram vistos para câncer de pâncreas e câncer de próstata.
A carne processada foi classificada como carcinogênico para humanos (Grupo 1), com base em provas suficientes de que o consumo de carne processada provoca câncer colorretal em humanos.
Os peritos concluíram que cada porção de 50 gramas de carne processada ingerida diariamente aumenta o risco de câncer colorretal em 18%.
"Para um indivíduo, o risco de desenvolver câncer colorretal por causa de seu consumo de carne processada permanece pequeno, mas este risco aumenta com a quantidade de carne consumida," diz o Dr. Kurt Straif, Chefe do Programa de Monografias IARC. "Tendo em vista o grande número de pessoas que consomem carne processada, o impacto global sobre a incidência de câncer é de importância para a saúde pública".
O estudo considerou mais de 800 estudos que investigaram associações de mais de uma dúzia de tipos de câncer com o consumo de carne vermelha ou de carne processada em muitos países e populações com diferentes dietas. A evidência mais influente veio de grandes estudos prospectivos de coorte realizados nos últimos 20 anos.
Os resultados corroboram as mais atuais recomendações de saúde pública para limitar a ingestão de carne. No entanto, a carne vermelha tem valor nutricional importante. É preciso que os governos e as agências reguladoras internacionais realizem avaliações de risco, a fim de equilibrar os riscos e os benefícios de comer carne vermelha e carne processada e para fornecer as melhores recomendações dietéticas possíveis, segundo informam os pesquisadores.
A carne vermelha refere-se a todos os tipos de carne de músculo de mamíferos, como carne bovina, vitela, porco, cordeiro, carneiro, cavalo e de cabra.
Carne processada refere-se a carne que tenha sido transformada através de salga, secagem, fermentação, fumo ou outros processos para realçar o sabor ou melhorar a preservação. Exemplos de carne processada incluem bacon, salsicha, presunto, carne enlatada, carne seca ou charque, bem como preparações à base de carne e molhos.
FOnte: World Health Organization (WHO), em 24 de outubro de 2015
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
A polêmica da fosfoetanolamina
Segundo informações divulgadas pela Anvisa, não existe processo de registro de medicamento apresentado à Agência para que a fosfoetanolamina seja considerada um medicamento. A eficácia e segurança deste produto ainda não foram avaliadas em seres humanos com base nos critérios científicos aceitos mundialmente.
Não há também um protocolo de pesquisa sobre o produto, etapa que antecede o registro de qualquer medicamento, como confirma a Nota Técnica da Anvisa sobre a substância fosfoetanolamina, que vem sendo distribuída pela Universidade de São Paulo (USP) para atender a determinações de processos judiciais movidos por doentes que já faziam uso desta substância.
De acordo com pesquisas independentes, realizadas no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da Universidade de São Paulo (USP), pelo professor aposentado Gilberto Chierice e colaboradores que fizeram parte do Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros, a fosfoetanolamina pode fazer com que células cancerosas se tornem mais visíveis para o sistema imunológico, levando o organismo a atacar as células doentes, o que constitui uma esperança para pacientes com câncer. Mas estes estudos foram realizados apenas com animais e com células humanas em laboratório. Nunca tendo sido estudada a sua segurança e eficácia para uso em seres humanos.
Em determinado momento, esta substância começou a ser produzida e doada a pacientes com câncer para que essas pessoas utilizassem a fosfoetanolamina como medicamento. Sabe-se de relatos de algumas dessas pessoas que dizem “estar curadas do câncer”. No entanto, a legislação federal brasileira proíbe a produção e a distribuição de compostos para uso medicinal sem os devidos registros ou licenças emitidas pelas autoridades competentes. E a fosfoetanolamina não possui nenhum desses registros.
O professor Gilberto Chierice diz ter entrado com vários pedidos junto à Anvisa para liberar a fosfoetanolamina, mas nunca ter tido resposta. Já a agência alega que nunca recebeu qualquer notificação.
Em meados do ano passado, o IQSC decidiu suspender a distribuição do composto aos pacientes, o que gerou forte reação por parte dos usuários da substância. Muitos deles entraram na Justiça para obter o composto. O que fez com que o Instituto de Química produzisse e distribuísse a substância para atender determinações de processos judiciais movidos por doentes que já faziam uso da fosfoetanolamina.
A substância não é fornecida com bula ou informações sobre possíveis efeitos colaterais e contraindicações associadas ao emprego do composto.
Fonte: Anvisa, em 15 de outubro de 2015
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Câncer de esôfago
O esôfago é um tubo muscular membranoso e oco que liga a garganta ao estômago. Através de contrações musculares involuntárias, chamadas peristaltismo, ele impulsiona alimentos e líquidos presentes em seu interior no sentido do estômago.
Sua parede é composta de uma camada muscular, mucosa e de tecido conjuntivo.
No câncer de esôfago as células malignas geralmente começam a desenvolver-se no revestimento interno do músculo, podendo, na sua evolução, atingir outras camadas mais profundas.
O câncer de esôfago pode ser de duas modalidades histológicas: o carcinoma espinocelular ou epidermoide e o adenocarcinoma. O primeiro implica em alterações das células escamosas e ocorre na maioria das vezes na parte inicial e média do esôfago.
O segundo envolve alterações das células glandulares e é mais frequente na porção distal do órgão. O carcinoma epidermoide escamoso é responsável por grande parte dos casos de câncer do esôfago.
O câncer de esôfago pode levar em pouco tempo a infiltrações das células cancerosas nas estruturas vizinhas e a metástases, daí ser muito importante a sua detecção precoce.
Não se conhecem exatamente as causas do câncer de esôfago, mas sabe-se que ele ocorre mais nos homens que nas mulheres, numa proporção de 3:1.
Fatores que causem refluxo gastroesofágico, como a obesidade e as cirurgias bariátricas, por exemplo, podem aumentar a incidência do câncer do esôfago.
Também o alcoolismo e o tabagismo são fatores muito importantes para o surgimento desse tipo de câncer.
De início, a sintomatologia do câncer de esôfago pode ser muito pobre ou mesmo inexistente.
No entanto, é muito importante detectá-lo precocemente porque no início a chance de cura é muito maior.
O emagrecimento, a azia, a disfagia (dificuldade na progressão dos alimentos) e a dor torácica nas costas são alguns dos sintomas mais comuns do câncer de esôfago.
A odinofagia (dificuldade para engolir acompanhada de dor) é outro sintoma frequente.
A sensação de que o alimento não “desce” normalmente pode, na realidade, ser devido a anormalidades da garganta ou dos órgãos vizinhos ou ainda a problemas musculares ou ao sistema nervoso.
Na história clínica do paciente, o médico verificará os hábitos de vida do indivíduo quanto ao fumo, álcool e alimentação. Em seguida fará um exame físico detalhado.
Ele pode solicitar uma radiografia simples do tórax ou um esofagograma, que é uma série de radiografias contrastadas do esôfago que evidenciam a estrutura da luz do órgão.
Em pessoas com suspeita de câncer de esôfago ou de alto risco para a doença, o melhor exame é a endoscopia digestiva alta, que pode ser associada à biópsia. Trata-se de um exame tranquilo e indolor, feito sob uma sedação suave.
De acordo com as peculiaridades de cada caso podem ser necessários outros exames.
Um diagnóstico diferencial deve ser feito com outras causas esofágicas de dor torácica e dificuldades de deglutir, como inflamações resultantes do refluxo gástrico (esofagite), infecções da garganta, outros tumores, substâncias químicas, distúrbios nervosos ou musculares.
O tratamento do câncer de esôfago depende do estágio de desenvolvimento da doença e pode envolver cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, de acordo com a avaliação médica.
Tumores muito pequenos, em estágios iniciais, podem ser ressecados por via endoscópica.
Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode ser unicamente paliativo, através de quimioterapia ou radioterapia.
Alguns cuidados sintomáticos também podem ser realizados, como dilatações, colocação de próteses para impedir o estreitamento do esôfago e radioterapia com a implantação de sementes (pequenas partículas) radioativas.
Devido às dificuldades alimentares e aos efeitos colaterais do tratamento, alguns pacientes podem necessitar receber nutrientes na veia por uma sonda, até que sejam capazes de comer normalmente.
A prevenção do câncer de esôfago pode ser feita evitando-se o fumo, o álcool e o uso excessivo de bebidas quentes.
Além disso, os sucos naturais, frutas, legumes e verduras são fatores que estimulam a proteção do esôfago contra o câncer.
A vitamina C e os carotenoides (alimentos de cor amarela, alaranjada, vermelha e verde) são outros fatores importantes de proteção.
Deve-se evitar também o consumo de alimentos defumados, que, aliás, também são agentes causadores de câncer de estômago!
sábado, 16 de junho de 2012
Novidades em tecnologia médica

Câncer pode ser diagnosticado pelo hálito
Exames de diagnóstico de câncer são caros, complexos e invasivos, mas este cenário pode estar prestes a mudar. Uma nova tecnologia permite que a detecção da doença seja feita a partir da análise do hálito do paciente.
A nova técnica (que foi apresentada na reunião deste ano da American Society of Clinical Oncology) pode ser capaz de detectar câncer de mama e pulmão. Ainda é necessário que a técnica seja testada clinicamente. Se sua eficácia for comprovada ela poderá reduzir custos drasticamente, além de permitir a expansão do exame em países com infraestrutura inadequada ou onde mamografias são tabu.
A tecnologia foi desenvolvida no Georgia Institute of Technology.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Câncer de Reto
Detecção precoce ou screening para um tipo de câncer é o processo de procurar um determinado tipo de câncer na sua fase inicial, antes mesmo que ele cause algum tipo de sintoma. Em alguns tipos de câncer, o médico pode avaliar qual grupo de pessoas corre mais risco de desenvolver um tipo específico de câncer por causa de sua história familiar, por causa das doenças que já teve ou por causa dos hábitos que tem, como fumar, consumir bebidas de álcool ou comer dieta rica em gorduras.
A isso se chama fatores de risco e as pessoas que têm esses fatores pertencem a um grupo de risco. Para essas pessoas, o médico pode indicar um determinado teste ou exame para detecção precoce daquele câncer e com que freqüência esse teste ou exame deve ser feito. Para a maioria dos cânceres, quanto mais cedo (quanto mais precoce) se diagnostica o câncer, mais chance essa doença tem de ser combatida.
O tubo digestivo é composto de várias partes diferentes, começando pela boca, passando pelo esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso ou cólon, o reto e terminando no ânus. O cólon e o reto têm a função de absorver a água que é ingerida com os alimentos e transformar a massa de substância ingerida e não aproveitada pelo corpo, em fezes para que seja eliminada.
Essas duas porções do tubo digestivo são muito semelhantes no que diz respeito à camada que reveste o seu interior e a sua função.
Assim, os tumores que acometem essas regiões são chamados, normalmente, de câncer coloretal, e tratados como uma única doença.
Esses tumores podem ser diagnosticados precocemente de várias formas. O exame oculto das fezes e os exames que vêem o intestino por dentro, como a colonoscopia e a retosigmoidoscopia são os exames mais frequentemente utilizados para se fazer um diagnóstico precoce desse tumor.
Como o médico faz este exame?
Exame Oculto das Fezes:
Nesse exame, o paciente, após realizar uma dieta específica para realizá-lo, evacua num recipiente fornecido pelo laboratório e lá os técnicos procuram por sangue que tenha se exteriorizado do tubo digestivo junto com as fezes. Os estudos mostram que se as pessoas entre 50 e 80 anos de uma determinada população realizarem esse exame anualmente, ou de dois em dois anos, diminui as mortes decorrentes desse tipo de tumor naquela população.
Retosigmoidoscopia:
Nesse exame, o médico introduz pelo ânus um fino tubo com uma câmara na ponta para dentro do reto à procura de pólipos ou lesões sugestivas de terem sofrido alguma transformação compatível com um tumor. Os estudos mostram que se as pessoas acima de 50 anos de uma determinada população realizarem esse exame regularmente, diminui as mortes decorrentes desse tipo de tumor naquela população. O intervalo ideal que deve ser feito esse exame (de quanto em quanto tempo) ainda não foi determinado e o paciente deve discutir com o seu médico, que avaliará os seus fatores de risco e o resultado do primeiro exame para determinar o intervalo ideal.
Colonoscopia:
Esse exame é um exame endoscópico semelhante à Retosigmoidoscopia, porém com um aparelho mais fino e mais flexível, que consegue visualizar as porções do cólon, além do reto e do sigmóide, como o anterior. Apesar de os tumores coloretais localizarem-se mais freqüentemente nas suas porções mais próximas ao ânus, boa parte dos tumores pode se localizar nas porções iniciais do cólon e, por isso mesmo, serem mais difíceis de se diagnosticar e causarem menos sintomas. Como o exame anterior, estudos demonstraram que esse exame feito em pessoas acima de 50 anos, realizado regularmente, pode diminuir as mortes relacionadas com esse tipo de tumor.
Quais os fatores de risco mais comuns associados ao câncer coloretal?
Idade
O risco de desenvolver o câncer de cólon e reto aumenta com a idade após os 50 anos.
História familiar
Algumas famílias têm um tipo de doença que acomete o cólon, a Adenomatose Poliposa Familiar. Essa doença faz com que a pessoa desenvolva vários pólipos no seu intestino. Essas pessoas têm mais risco de desenvolver esse tipo de câncer. Outras doenças que alguns familiares possam ter tido também aumenta a chance dessas pessoas de ter esse tipo de câncer, e uma delas é o próprio câncer coloretal ou mesmo uma história de Adenoma (tumor benigno do intestino, que provavelmente é a forma anterior do tumor maligno) de cólon antes dos 60 anos.
História Patológica Passada ou Atual
Dependendo do tipo de doenças que uma pessoa já teve, a chance de ela desenvolver câncer coloretal é maior. Essas doenças incluem o próprio câncer de cólon prévio, câncer de ovário, endométrio ou de mama, além de história de adenomas (pólipos) do intestino grosso. Outra doença que está associada ao risco de ter esse tipo de câncer é a Doença de Crohn ou a Retocolite Ulcerativa, doenças em que há uma inflamação crônica dos intestinos.
Vários estudos têm demonstrado que todas as pessoas que tem mais de 50 anos devem fazer algum tipo de exame para detectar precocemente lesões que podem evoluir para câncer coloretal ou para retirar lesões malignas iniciais. Com isso, a mortalidade devida a esse tipo de neoplasia diminui para toda a população.
A frequência com que se deve realizar esse exame depende dos seus fatores de risco e de sua história pessoal. Um médico deve ser consultado para definir com o paciente o tipo de exame e o intervalo ideal para realizá-lo, e quando deve parar de fazê-lo de forma periódica.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Leucemias
A leucemia é um câncer que afeta a medula óssea, produtora de glóbulos sanguíneos, afetando as células brancas do sangue. As células anormais jovens passam a ser produzidas em tal profusão e com tal velocidade que podem suprimir a produção de células normais.
Há dois tipos clínicos de leucemias, conforme as linhagens de glóbulos brancos afetados, as linfoides e as mieloides.
As leucemias linfoides afetam as células da medula óssea que originam linfócitos. São chamadas de leucemia linfoide, linfocítica ou linfoblástica.
As leucemias mieloides afetam as células que dão origem às plaquetas, eritrócitos e outros elementos figurados do sangue. São chamadas mieloide ou mieloblástica.
Qualquer uma das duas pode ser aguda, caracterizada pela rápida proliferação de células imaturas do sangue e com quadro clínico que se agrava rapidamente, ou crônica, na qual os sintomas são brandos e vão se agravando gradualmente.
A leucemia linfocítica aguda é mais comum nas crianças e a leucemia linfocítica crônica ocorre mais depois dos 55 anos. Já a leucemia mieloide crônica é mais comum em adulto e a mieloide aguda pode acometer tanto adultos, como crianças.
A causa das leucemias ainda não é totalmente conhecida e talvez cada tipo da doença possua sua própria causa. Na verdade, sabe-se de alguns fatores que parecem estar ligados à etiologia ou ao desencadeamento delas, dentre os quais estão a herança genética, a contaminação por certos tipos de vírus, a radiação, a poluição e o tratamento quimioterápico, dentre outros.
Os sintomas das leucemias são extremamente variáveis. Suas manifestações são dependentes da infiltração nos tecidos do organismo (amígdalas, linfonodos, pele, baço, rins, sistema nervoso, etc.) de células sanguíneas imaturas e a ocupação por elas da medula óssea, o que pode causar:
• Uma síndrome anêmica (por diminuição das hemácias).
• Uma síndrome hemorrágica (em virtude de uma trombocitopenia).
• Uma síndrome leucopênica (diminuição de leucócitos normais).
Os sintomas experimentados pelo indivíduo serão, então, em graus e associações variáveis, os próprios de cada uma dessas síndromes.
O médico (clínico geral, pediatra, hematologista, geriatra) fará uma história clínica e o exame físico que podem ser sugestivos de uma primeira suspeita. O hemograma pode reforçar essa suspeita.
O mielograma, um exame das células da medula óssea, extraídas preferencialmente do osso ilíaco ou do esterno, é muito importante para determinar a forma das células e proceder ao exame citoquímico delas.
Uma punção lombar pode ser feita tanto para análise do líquor, quanto para introdução de quimioterapia. Pode-se proceder também à pesquisa de alguns marcadores de superfície das células imaturas. Alguns exames de imagem (radiografia e tomografia computadorizada) também podem ajudar no diagnóstico.
O tratamento das leucemias tem o objetivo de destruir as células neoplásicas, para que a medula óssea volte a produzir células normais. Isso é feito através de medicamentos quimioterápicos e, eventualmente, radioterapia.
Deve se feito o controle das complicações infecciosas e hemorrágicas e a prevenção ou combate à afetação do sistema nervoso central. Durante o tratamento o paciente recebe frequentes transfusões de hemácias e plaquetas. Mesmo depois de normalizada a contagem de células, o tratamento deve continuar por um ou dois anos para destruir completamente as células anormais residuais. Em alguns casos, um transplante de medula é necessário.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Câncer de mama
Câncer de mama: novas informações sobre fatores de risco estudados pelo Institute of Medicine
A fundação Susan G. Komen for the Cure solicitou ao Institute of Medicine (IOM) uma revisão das evidências atuais de interações entre genética e ambiente em relação ao câncer de mama e dos desafios de pesquisas, uma exploração das ações baseadas em evidências para reduzir o risco desse tumor e recomendações de novas diretrizes para as pesquisas futuras.
De maneira geral, o IOM descobriu que grandes avanços foram feitos na compreensão do câncer de mama e de seus fatores de risco, mas que precisamos aprender mais sobre suas causas e como evitá-lo. As informações sugerem que as mulheres podem ser mais suscetíveis a alguns fatores de risco durante certas fases da vida.
Dos fatores ambientais analisados, aqueles com evidências mais consistentes de uma associação com um risco aumentado para o câncer de mama incluem: radiação ionizante, terapia hormonal combinada com estrogênio e progestina, ganho de peso principalmente na pós-menopausa. Também foi observado que quanto maior a atividade física realizada, menor o risco. Para outros fatores, as evidências de estudos em humanos são limitadas, contraditórias ou ausentes.
O IOM concluiu que as mulheres têm algumas oportunidades para reduzir seu risco de câncer de mama por meio de ações pessoais, tais como:
• Evitar radiações ionizantes desnecessárias ao longo da vida.
• Evitar o uso da terapia hormonal combinada, quando possível.
• Evitar o cigarro.
• Limitar o consumo de álcool.
• Aumentar a atividade física.
• Minimizar o ganho de peso, principalmente na pós-menopausa.
Para fazer uma abordagem de estudos sobre o câncer de mama nos diferentes estágios de vida de uma mulher, foram feitas recomendações de pesquisa que incluem o desenvolvimento de melhores ferramentas para pesquisas epidemiológicas e testes com produtos químicos e outras substâncias que possam causar o câncer, além do desenvolvimento de intervenções eficazes de prevenção, melhores abordagens para modelagem de riscos do câncer de mama e melhor comunicação sobre os riscos de desenvolver este tipo de tumor.
Fonte: Institute of Medicine of the National Academies
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Ansiedade no Paciente com Câncer
Na trajetória do câncer, a ansiedade se manifesta precocemente, mesmo durante os diversos momentos do diagnóstico. Depois, continua durante o tratamento e pós-tratamento. E, ao contrário do que possam pensar clínicos menos sensíveis, não se trata de um "problema do paciente" se ele estiver demasiadamente ansioso. Isso porque a ansiedade pode comprometer significativamente o sucesso do tratamento e, conseqüentemente, comprometer o sucesso do médico.
Portanto, atender às questões emocionais do paciente corresponde a melhorar substancialmente o tratamento clínico.
Os pacientes podem começar a experimentar ansiedade moderada ou severa enquanto esperam os resultados dos exames de diagnóstico.
Para os pacientes que estão recebendo o tratamento, a ansiedade também pode aumentar a possibilidade de sofrer mais dor, bem como uma série de outros sintomas, desde a angústia e depressão, até as incoercíveis náusea e vômitos agravados pelas emoções.
Tem-se demonstrado que a ansiedade, independentemente de seu grau, pode reduzir substancialmente a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, podendo ainda favorecer a morte prematura do paciente. Assim sendo, a atenção terapêutica da ansiedade é uma das medidas fundamentais durante o tratamento do câncer.
É extremamente variável o grau de ansiedade em pacientes com câncer, podendo aumentar segundo a evolução da doença ou conforme a agressividade do tratamento oncológico. Os investigadores têm descoberto que 44% desses pacientes têm declarado experimentar alguma ansiedade. Deles, 23% experimentam um grau de ansiedade mais significativo.
A ansiedade, como atitude psico-fisiológica, pode ser parte da adaptação normal da pessoa à sua doença. Na maioria dos casos, as reações de ansiedade mais intensas são limitadas no tempo (circunstanciais) e acabam sendo até benéficas, no sentido de motivar pacientes e familiares a procurar medidas de alívio, como por exemplo, obter mais informação sobre os benefícios do tratamento, novas atitudes diante da vida, etc. Entretanto, as reações de ansiedade que se prolongam por muito tempo ou são muito intensas podem comprometer a adaptação. Nesses casos elas se classificam como Transtornos de Ajustamento.
Estes transtornos podem comprometer a qualidade de vida e dificultar a capacidade de funcionamento social e emocional do paciente com câncer. Nessa fase a ansiedade requer intervenção terapêutica (Razavi, 1994). Outros transtornos específicos da ansiedade, tais como a Ansiedade Generalizada, a Fobia e o Transtorno do Pânico, podem ser comuns entre estes pacientes e costumam preceder o diagnóstico da doença. O estresse causado por um diagnóstico de câncer e seu tratamento pode precipitar a recaída de um Transtorno de Ansiedade preexistente. Estes transtornos podem incapacitar e dificultar até o tratamento, motivo pelo qual requerem um diagnóstico imediato e um controle eficaz.
Alguns outros fatores podem aumentar a probabilidade de Transtornos de Ansiedade durante o tratamento de câncer. Entre eles se incluem os antecedentes pessoais de Transtornos de Ansiedade, concomitância de quadros dolorosos intensos, concomitância de limitações funcionais ou de carência de apoio social e consciência do avanço da doença.
Observa-se que certos fatores demográficos e sociais também parecem influir no grau da ansiedade do paciente oncológico, como por exemplo, ser mulher, desenvolver câncer em idade precoce, pacientes com problemas de relacionamento com suas famílias, pacientes problemas de relacionamento com amigos e médicos.
Os pacientes da oncologia costumam apresentar ansiedade patológica tanto na época do diagnóstico quanto (e principalmente) durante o tratamento. Outros, já possuidores de Transtorno Específico da Ansiedade antes de adoeceram, muito possivelmente terão recorrência do quadro. Os sintomas somáticos da ansiedade podem incluir dispnéia, transpiração, enjôo e palpitações.
Dentro do espectro da ansiedade os pacientes com câncer podem manifestar qualquer um dos seguintes Transtornos da Ansiedade:
Transtornos de Ajustamento,
Transtorno de Pânico,
Transtorno Fóbico-Ansioso,
Transtorno Obsessivo-Compulsivo,
Transtornos por Estresse Pós-Traumático,
Transtornos da Ansiedade Generalizada e;
Transtornos da Ansiedade Causados por Outras Afecções Médicas Gerais.
Mas isso tudo é caso para se estudar ítem a ítem em outra oportunidade.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Células de gordura podem aumentar a propagação do câncer no ovário.
Pesquisa realizada na Universidade de Chicago, publicada na revista Nature Medicine, destaca que células de gordura presentes no omento (dobra do peritôneo que se estende do estômago ao intestino) fornecem nutrientes que aceleram a propagação e o crescimento do câncer de ovário.
O câncer de ovário é de difícil diagnóstico e no momento em que a doença é diagnosticada, em cerca de 80% dos casos, ela já se espalhou para o omento (O omento maior é uma grande dobra de peritônio (ou peritoneu) que se pendura abaixo do estômago e se estende do estômago até ao cólon transverso; O omento menor é uma camada dupla de peritônio que inicia no duodeno e se estende do fígado até a curvatura menor do estômago). Esta membrana é rica em lipídeos (células de gordura) e age como uma fonte de energia para a propagação do tumor. O crescimento do tumor no omento excede o crescimento do tumor ovariano original.
Os pesquisadores injetaram células tumorais no abdome de cobaias fêmeas saudáveis e descobriram que elas chegam ao omento em apenas 20 minutos, isto deve-se à presença de proteínas emitidas pelas células de gordura presentes nesta membrana peritoneal. A proteína conhecida como proteína de ligação de ácidos graxos (FABP4 = fatty acid binding protein 4), um transportador de gordura, pode ser crucial para este processo. Quando foram injetados inibidores dessas proteínas a doença diminuiu em pelo menos 50%.
Uma vez que as células cancerosas chegam ao omento, elas reprogramam o metabolismo com os lipídeos adquiridos das células de gordura e podem espalhar o câncer de ovário para todo o omento.
Eles acreditam que este processo possa contribuir para o desenvolvimento de câncer em outros ambientes em que este tipo de células possa ser encontrado, como no caso do câncer de mama. Eles observaram que as células cancerígenas perto das células de gordura do omento produziram altos níveis de FABP4 e as distantes não faziam o mesmo.
Quando a FABP4 era inibida, a transferência de nutrientes a partir de células de gordura para as células do câncer foi reduzida drasticamente. A inibição da proteína também reduziu o crescimento do tumor e a habilidade do tumor gerar novos capilares sanguíneos, ou seja, houve inibição da angiogênese tumoral, processo fundamental para que haja progressão do tumor e formação de metástases.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
DIU pode reduzir em cerca de 50% o risco de câncer de colo de útero.
A utilização de um dispositivo contraceptivo intra-uterino (DIU) pode proteger contra o risco de desenvolver câncer cervical, embora não proteja contra a infecção cervical pelo papilomavírus humano (HPV), de acordo com estudo realizado pelo Instituto Catalão de Oncologia, na Espanha, publicado pelo The Lancet Oncology.
Uma análise combinada de 26 estudos epidemiológicos mostrou que o uso de dispositivo intra-uterino (DIU) pode reduzir o risco de desenvolver câncer cervical em cerca de 50%, mas não protege contra a infecção pelo vírus HPV.
Foi realizada uma análise combinada de dados individuais a partir de dois grandes estudos da International Agency for Research on Cancer e do Institut Català d'Oncologia – Barcelona, na Espanha. Um estudo incluiu dados de dez estudos caso-controle de câncer cervical feito em oito países e os outros dados incluídos vieram de 16 estudos de prevalência de HPV em mulheres da população geral em 14 países. Um total de 2.205 mulheres com câncer de colo do útero e 2.214 mulheres no grupo controle que não tinham câncer cervical foram incluídas a partir dos estudos de caso-controle e 15.272 mulheres saudáveis a partir de pesquisa com o HPV. Informações sobre o uso do DIU foram obtidas por entrevista pessoal. O HPV foi testado pela técnica de PCR.
Após o ajuste para covariáveis relevantes, foi encontrada uma forte associação inversa entre o uso de DIU e o câncer cervical, em relação aos tipos mais comuns do tumor – redução de probabilidade de desenvolvimento de carcinoma de células escamosas em 44% e adenocarcinoma ou carcinoma adenoescamoso em 54%. O DIU não afetou o risco de infecção pelo HIV. O período de tempo que as mulheres usavam o DIU não alterou significativamente o risco, uma vez que o risco foi reduzido quase pela metade no primeiro ano de utilização e o efeito protetor permaneceu significativamente o mesmo após 10 anos de uso do dispositivo.
Os dados sugerem que o uso de DIU pode agir como um cofator de proteção na carcinogênese cervical. Os cientistas, liderados pelo pesquisador Xavier Castellsague, acreditam que no processo de inserção ou remoção deste dispositivo as células pré-cancerosas possam ser destruídas ou que haja uma inflamação responsável por provocar aumento da imunidade celular.
Estes podem ser alguns dos vários mecanismos que poderiam explicar os achados.
Fonte: The Lancet Oncology
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Linfoma não-Hodgkin
O linfoma não-Hodgkin é um câncer do tecido linfoide, que inclui os linfonodos (gânglios), o baço e outros órgãos do sistema imunológico.
Outros nomes: Linfoma - não Hodgkin; linfoma linfocítico; Linfoma histiocítico; Linfoma linfoblástico; Câncer – linfoma não-Hodgkin.
Os glóbulos brancos chamados linfócitos são encontrados nos tecidos linfáticos. A maioria dos linfomas começa em um tipo de glóbulo branco chamado de linfócito B, ou célula B.
O sistema imunológico protege o corpo contra substâncias potencialmente perigosas. A resposta inflamatória (inflamação) é parte da imunidade inata. Ocorre quando os tecidos são lesados por bactérias, trauma, toxinas, calor ou qualquer outra causa.
Para a maioria dos pacientes, a causa desse câncer é desconhecida. Entretanto, os linfomas podem se desenvolver em pessoas com o sistema imunológico debilitado. Por exemplo, o risco de linfoma aumenta depois de um transplante de órgão ou em pessoas infectadas pelo HIV.
Existem muitos tipos diferentes de linfomas não-Hodgkin. Eles são classificados de acordo com a velocidade de propagação do câncer.
º O câncer pode ser de um grau baixo (crescimento lento), grau médio ou grau alto (crescimento rápido). O linfoma de Burkitt é um exemplo de linfoma de alto grau.
º O câncer é ainda subclassificado de acordo com a aparência das células no microscópio, por exemplo, se estão presentes certas proteínas ou marcadores genéticos.
De acordo com a American Cancer Society, há uma probabilidade de 1 em 50 de que uma pessoa desenvolva linfoma não-Hodgkin. Na maioria das vezes, este câncer afeta adultos. Porém, as crianças podem ter algumas formas de linfoma. Os grupos de risco são aqueles que receberam um transplante de órgão ou que têm o sistema imunológico debilitado.
Este tipo de câncer é ligeiramente mais comum em homens do que em mulheres.
Sintomas
O linfoma não-Hodgkin pode causar uma série de sintomas. Os sintomas dependem da área do corpo afetada pelo câncer e por sua velocidade de crescimento.
Os sintomas podem incluir:
Suores noturnos (ensopando os lençóis e pijamas mesmo que a temperatura ambiente não seja muito alta)
Febre e calafrios que vêm e vão
Coceira grave que não pode ser explicada
Linfonodos inchados no pescoço, axilas, virilha ou outras áreas
Perda de peso não intencional e perda de apetite
Pode haver tosse e falta de ar se o câncer afetar o timo ou os linfonodos do peito, o que pode pressionar a traqueia ou outras vias aéreas.
Alguns pacientes podem ter dor abdominal ou inchaço, que pode levar a perda do apetite, constipação, náusea e vômito.
Se o câncer afetar as células do cérebro, a pessoa pode ter dor de cabeça, problemas de concentração, alterações na personalidade e convulsões.
Exames e testes
O médico realizará um exame físico e verificará áreas do corpo com linfonodos para ver se estão inchadas. Os exames para diagnosticar e determinar o estágio do linfoma não-Hodgkin incluem:
Exame de perfil metabólico, incluindo níveis de proteína, exame de função hepática, exame de função renal e nível de ácido úrico
Aspiração e biópsia da medula óssea
Hemograma completo para detectar anemia e baixa contagem de leucócitos
Tomografias computadorizadas do tórax, abdome e pélvis
Varredura com gálio
Biópsia de linfonodos
Tomografia por emissão de pósitrons
Radiografia
Tratamento
O tratamento principal depende de:
Tipo de linfoma
Estágio do câncer quando é feito o diagnóstico
Idade e saúde geral
Sintomas, incluindo perda de peso, febre e suores noturnos
A radioterapia pode ser usada para a doença limitada a uma região do corpo.
A quimioterapia é normalmente usada como a principal forma de tratamento. Na maioria das vezes, são usadas diferentes drogas combinadas.
Outra droga, chamada rituximab, é usada com frequência para tratar o linfoma não-Hodgkin de células B.
A radioimunoterapia pode ser usada em alguns casos. Isso envolve ligar uma substância radioativa a um anticorpo que ataca as células cancerosas e injetar a substância no corpo.
As pessoas com um linfoma que reincide depois do tratamento ou que não responde ao tratamento podem receber quimioterapia de alta dosagem seguida de um transplante autólogo de medula óssea (usando células-tronco do próprio paciente).
Os tratamentos adicionais dependem dos demais sintomas. Eles podem incluir:
Transfusão de derivados do sangue, como plaquetas ou hemácias, para combater a baixa contagem de plaquetas e a anemia
Antibióticos para combater a infecção, principalmente se houver febre
Evolução (prognóstico)
O linfoma não-Hodgkin de baixo grau geralmente não pode ser curado somente com a quimioterapia. Porém, a forma de baixo grau deste câncer progride lentamente, e pode levar muitos anos até que a doença piore ou inclusive para que ela precise de qualquer tratamento.
A quimioterapia frequentemente é capaz de curar muitos tipos de linfoma de alto grau. Entretanto, se o câncer não responder às drogas quimioterápicas, a doença pode levar rapidamente à morte.
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