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sábado, 29 de abril de 2017

Estresse


O estresse é uma reação às pressões excessivas ou a outros tipos de demanda que o indivíduo se impõe ou que a vida coloca sobre ele. Essas pressões podem vir de muitas fontes diferentes e, quando o seu efeito combinado é excessivo, o estresse ocorre. Isso significa que ele não é bom para você. É um estado doentio do corpo, da mente ou de ambos.

A conhecida reação de “fuga ou luta” em resposta a um fator estressante é uma resposta a um desafio percebido e não é necessariamente ruim para o indivíduo. Pode até ser favorável para alertar sobre possíveis ameaças e preparar para a tomada de decisões importantes.

No entanto, permanecer neste estado por tempo prolongado significa que reações químicas estão ocorrendo continuamente no organismo e o resultado podem ser diversas doenças como, por exemplo, a formação de tumores malignos. Este é o estresse que faz mal às pessoas.

O que fazer para aliviar o estresse?

1. Aprenda a gerir o seu tempo de forma mais eficaz

Gastamos muito tempo fazendo tarefas sem importância, especialmente quando estamos estressados, por isso priorize no seu dia os trabalhos mais relevantes. Aqueles que podem esperar permitem que você tenha tempo para fazer outras atividades menos desgastantes. Além disso, é válido não adiar as tarefas desagradáveis. Procure fazê-las primeiro, quando você está mais descansado. Abandonar o que precisa ser feito provoca uma grande dose de estresse.

2. Adote um estilo de vida saudável

Dieta saudável, exercícios físicos regulares, sono adequado e descanso do corpo aumentam a capacidade de lidar com o estresse que possa vir a ocorrer. Se qualquer uma dessas áreas não está funcionando bem na sua vida, este pode ser um sinal de alerta. Não ignore, peça alguma ajuda.

3. Conheça os seus limites e não exagere

Causamos a nós mesmos um grande estresse porque gostamos que as pessoas nos aprovem e não queremos decepcioná-las. Assim, acabamos por fazer mais do que deveríamos. Aprenda a delegar eficazmente e ser assertivo para que você possa dizer não sem culpa, quando for necessário, sem prejudicar ou ofender outras pessoas.

4. Saiba o que lhe causa tensão

Dedique tempo para descobrir o que está preocupando você e tente mudar seus pensamentos e comportamentos para reduzir o mal estar. A avaliação do estresse pode ajudar a compreender as causas, as implicações desses sentimentos para a sua saúde e como gerenciar, lidar e fazer as alterações necessárias para alcançar uma vida mais plena e tranquila.

5. Evite conflitos desnecessários

O excesso de argumentação realmente vale o seu esforço? Não brigue com pessoas queridas. Não vale à pena. Procure uma solução positiva para ambas as partes envolvidas em uma discussão. O meio termo pode ajudar. Muitas vezes abrir mão em determinadas situações de vida é o melhor a fazer. Saiba qual é a causa real do problema e aprenda a lidar com isto.

6. Aceite as coisas que você não pode mudar

Mudar uma situação difícil, nem sempre é possível. Se este for o caso, reconheça e aceite as coisas como elas são. Concentre-se naquilo que pode ser modificado, empenhe-se no seu melhor e aceite suas falhas.

7. Tire um tempo para relaxar e recarregar as baterias

Um intervalo de uns 10 dias consecutivos por ano é recomendado para descansar e executar seu trabalho de maneira mais eficaz quando retornar. Mesmo uma curta pausa de 10 ou 15 minutos no meio da jornada de trabalho ajuda a relaxar e a concentrar melhor no que você está fazendo.

8. Encontre tempo para sair com os amigos

Amigos podem nos ajudar a ver as coisas de uma maneira diferente. As atividades que fazemos com eles nos ajudam a dar umas boas risadas e mudar o estado mental. Rir estimula o sistema imunológico que fica enfraquecido durante o estresse.

Se ficar estressado, procure se envolver em alguma atividade física. Ela libera substâncias químicas no seu corpo que amenizam o estresse. Práticas de relaxamento, exercícios de respiração, massagens e uma variedade de terapias complementares ajudam a re-equilibrar o corpo.

9. Tente ver as coisas de forma diferente, desenvolva um estilo de pensamento positivo

Se algo está te incomodando, fale sobre o seu problema com alguém antes que ele alcance proporções inaceitáveis. Muitas vezes uma conversa com um amigo ou um familiar ajuda a ver as coisas de uma perspectiva diferente e menos estressante. Considere também procurar a ajuda de um profissional experiente, a fim de alcançar o resultado desejado e evitar problemas de saúde. Um psicólogo, psicoterapeuta ou psiquiatra pode auxiliá-lo bastante nestes momentos.

10. Evite o álcool, a nicotina e a cafeína como mecanismos de enfrentamento do estresse

No longo prazo, esses mecanismos de enfrentamento das questões complexas que todos nós precisamos resolver na vida só fazem aumentar o problema ou criar um outro. A cafeína e a nicotina são estimulantes. O corpo reage a elas com o aumento da resposta ao estresse ou até mesmo causando ansiedade. O álcool é uma substância química depressiva! Todos eles não são uma boa opção, mesmo que a princípio pareçam causar alívio.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Medicina Psicossomática - Aspectos básicos


O termo psicossomático, após séculos de estruturação, surgiu no século passado, através de Heinroth, com a criação das expressões psicossomática (1918) e somatopsíquica (1928).

No entanto, o movimento consolidou-se somente em meados deste século, através das contribuições pioneiras de Franz Alexander e da Escola de Chicago. Contudo, as dúvidas referentes à relação mente corpo continuam expressas na própria denominação “psicossomática” e ainda continua a ser usada por muitos estudiosos destes fenômenos.

Para Alexander, o termo psicossomático “deve ser usado apenas para indicar um método de abordagem, tanto em pesquisa quanto em terapia, ou seja, o uso simultâneo e coordenado de métodos e conceitos somáticos - de um lado e métodos e conceitos psicológicos por outro lado”.

A. Dias (1992, p.31), refletindo a relação entre sujeito e linguagem, começa por criticar o termo psicossomático. Afirma que é um termo gasto, pois “entrou no domínio do psiquiátrico e da medicina com uma tal amplitude que, se bem que criando um novo espaço de investigação, também o diluiu noutros espaços afins”. Propõe ainda que, “a partir de algumas indicações deixadas por Bion”, há necessidade de se interrogar quanto à inespecificidade do termo psicossomático e sua pertinência.

O termo psicossomático, na expressão mais comum, pode reportar-se tanto ao quesito da origem psicológica de determinadas doenças orgânicas, quanto às “repercussões afetivas do estado de doença física no indivíduo, como até confundir-se com simulação e hipocondria, onde toma um sentido negativo”.

No sentido mais preciso, o termo circunscreve áreas específicas, sobreponíveis ou não, quando se refere à medicina psicossomática, doenças psicossomáticas ou psicossomática.

A denominação de medicina psicossomática, de acordo com seu campo epistemológico, “é um estudo das relações mente corpo com ênfase na explicação da patologia somática, uma proposta de assistência integral e uma transcrição para a linguagem psicológica dos sintomas corporais”.

Sami-Ali (1992, p.159) ao refletir sobre a ligação entre o orgânico e o relacional começa por distinguir medicina psicossomática e psicossomática. Assim, a medicina psicossomática é “uma maneira de introduzir variáveis psicológicas num domínio que se define como orgânico, adicionando variáveis psíquicas às variáveis orgânicas”.

A Psicossomática proposta por ele, no entanto, é um modelo teórico e uma metodologia específica, onde o somático é percebido em sua complexidade e não na falha psíquica. Desta forma, Sami-Ali inspira-se na psicanálise, mas a utiliza somente como ponto de partida “para a elaboração de outros conceitos”, afastando-se, desta forma, dos modelos freudianos.

O conceito de doença psicossomática, sua classificação e diagnóstico, é outra questão polêmica. Halliday (1943,1945,1946,1948, cit. Alexander, 1989, p.43) propõe que a úlcera péptica, a artrite reumatóide, a hipertensão, o hipertireodismo essencial e outras estariam inclusos nas doenças psicossomáticas. O ponto de partida deste autor firma-se na hipótese de que o fator etiológico proeminente nestas doenças é o fator psicológico.

No entanto, Alexander2 (1989) diz que, teoricamente, “cada doença é psicossomática, uma vez que fatores emocionais influenciam todos os processos do corpo, através das vias nervosas humorais e que os fenômenos somáticos e psicológicos ocorrem no mesmo organismo e são apenas dois aspectos do mesmo processo”.

Portanto, a designação de psicossomática, devido a “seu esforço de delimitação e rigor no seu objeto e métodos”, foi distanciado-se cada vez mais da Medicina Psicossomática. No entanto, “isso não significa que se caminhe no sentido da síntese de um modelo psicossomático”, contudo situa-se numa “perspectiva específica no modo de encarar os fenômenos de doença”. E tampouco significa que se tenha resolvido antigas questões do impasse das teorias monistas e dualistas da relação corpo-espírito (Cardoso, 1995, p.5).

Se partirmos do pressuposto da unidade funcional soma-psyche, na qual a psicossomática se funda, “ela constitui, mais uma vez, uma resposta à velha questão da relação corpo espírito”. (Weiss e English, 1952, cit. Cardoso, 1995, p.7), assunto provavelmente tão antigo quanto à própria humanidade, uma vez que a relação entre corpo e espírito foi e continua a ser assunto tão controvertido e fecundo.

Ao fazer referência a insônia e a influência das paixões na tuberculose, epilepsia e cancro, J. C. Heinroth, psiquiatra alemão, utiliza pela primeira vez, em 1818, o termo psicossomática. A medicina psicossomática, a partir do século passado, como reação à tradição dualista cartesiana, surge com a proposta holística na maneira de olhar a doença. Somente no século posterior, o termo psicossomática é retomado, influenciado pelo desenvolvimento da psicanálise e do modelo freudiano, iniciando, desta forma, sua estruturação.

A medicina, conhecedora “das descobertas e da teorização da psicanálise, das investigações no campo da reflexiologia por Pavlov (1976), da neurofisiologia por Cannon (1911) e da conceptualização da noção de stress por Selye (1956), utiliza destas valiosas contribuições para fazer uma nova leitura dos fenômenos.

A história da psicossomática, poderia ser dividida em duas grandes correntes: de um lado, as correntes inspiradas “nas teorias psicanalíticas e com base no conceito de doença psicossomática”; de outro lado, a “inspiração biológica, alicerçada no conceito de stress”.

Para Mello Filho (1992), a evolução da psicossomática ocorreu em fases. A primeira, denominada de fase inicial ou psicanalítica, sob a influência das teorias psicanalíticas, teve seu interesse voltado para os estudos da origem inconsciente das doenças, das teorias da regressão e dos ganhos secundários da doença. A segunda, também chamada de fase intermediária, influenciada pelo modelo Behaviorista, valorizou as pesquisas tanto em homens como em animais, deixando assim grande legado aos estudos do stress. A terceira fase, denominada de atual ou multidisciplinar, valorizou o social, a interação e interconexão entre os profissionais das várias áreas da saúde.

Hipotireoidismo subclínico


O hipotireoidismo subclínico refere-se a um estado em que os pacientes não exibem sintomas de hipotireoidismo. Estes pacientes também tem níveis normais de hormônios tireóideos circulando no organismo.

A única anormalidade é um aumento de TSH no sangue. Isto mostra que a glândula hipófise está trabalhando muito para manter a produção de hormônios tireoidianos e que a tireoide requer estímulo extra da hipófise para manter a produção normal de hormônios.

A maioria dos pacientes podem esperar um progresso futuro para o hipotireoidismo, especialmente se os níveis de TSH já aumentaram além de um certo limite.

Existem alguns casos de hipotireoidismo subclínico em que são observados sintomas como fraqueza muscular e sensação de formigamento nas extremidades.

Embora haja algumas controvérsias, a maioria dos endocrinologistas concorda que estes pacientes devem ser tratados, especialmente se eles têm níveis aumentados de colesterol, uma vez que os níveis de colesterol vão mostrar melhorias com o tratamento com hormônios tireoidianos.

Se estes pacientes não se sentem mal e têm níveis de colesterol normais, eles podem ser acompanhados clinicamente, sem tratamento. Com dosagens periódicas de TSH de 4 a 6 meses de intervalo para ver se há alterações mais significativas de hipotireoidismo.

Pacientes e médicos devem conversar sobre os possíveis tratamentos, o acompanhamento a ser feito e quais são as preferências dos portadores desta condição.

O tratamento previne a evolução para o hipotireoidismo propriamente dito e as futuras elevações do TSH, pode prevenir o desenvolvimento de bócio e ajudar a eliminar sintomas e riscos do não tratamento.

Se você acha que está apresentando sinais ou sintomas de hipotireoidismo, procure ajuda médica. Vocês podem decidir juntos o que fazer.

Alguns pacientes, particularmente aqueles com TSH acima de 10mU/l podem se beneficiar do tratamento com levotiroxina da mesma maneira que aqueles com hipotireoidismo primário. Esta recomendação faz parte do atual protocolo da Association of Clinical Biochemists, British Thyroid Association e British Thyroid Foundation.

Os riscos de não tratar o hipotireoidismo subclínico são:

•Aumento do risco de infarto do miocárdio e aterosclerose.

•Aumento dos níveis de colesterol e triglicérides.

•Aumento do risco de depressão, ansiedade e ataques de pânico.

•Aumento do risco de abortamento.

•Risco aumentado de atraso de desenvolvimento de bebês nascidos de mães com hipotireoidismo subclínico durante a gestação.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Bloqueio cardíaco


Bloqueio de ramo, ou bloqueio cardíaco, é uma anomalia do sistema de condução elétrica cardíaca que impede parcial ou totalmente a condução de estímulos nervosos no coração e pode afetar separadamente o ramo direito ou esquerdo desse sistema, assim como suas respectivas fibras.

Ele acaba por causar falta de coordenação entre as contrações das câmaras superiores e inferiores do coração e pode ser subdividido em diferentes graus.

No bloqueio cardíaco de primeiro grau há um ligeiro abrandamento da transmissão nervosa através do nódulo átrio-ventricular, normalmente sem consequências clínicas maiores. O bloqueio de segundo grau implica uma falha intermitente, permanente ou temporária, ao transmitir um impulso da aurícula para o ventrículo.

A ligação entre os níveis superior e inferior do coração é normalmente mantida por um comando especial das células cardíacas. O coração tem um sistema nervoso intrínseco, o qual permite a condução de estímulos elétricos desde o nó sinusal, no teto do átrio direito, onde são gerados, até o nodo atrioventricular, no assoalho do átrio direito, e daí aos ventrículos e seus respectivos fascículos e subdivisões.

Essa estimulação ordenada permite a contração eficiente dos músculos cardíacos em todas as suas quatro câmaras, possibilitando assim a correta circulação do sangue. A condução de estímulos é feita por meio de dois ramos nervosos principais, um do lado direito e outro do lado esquerdo do coração. Em suma, é esse sistema que comanda os batimentos cardíacos.

O bloqueio cardíaco pode levar a uma baixa pulsação, porque cada batida é retardada.

A causa pode variar dependendo se o bloqueio é do ramo direito ou do esquerdo. De um modo geral, essas causas podem dever-se à pressão arterial elevada, toxicidade medicamentosa, febre reumática, excessiva ingestão de álcool, câncer de pulmão, cirurgia no coração, tumor, hiperatividade da glândula tireoide, pneumonia, inflamação do pericárdio, embolia pulmonar, sífilis e doença de Lyme.

Causas do bloqueio do ramo direito: as causas mais importantes do bloqueio do ramo direito, são, entre outras, as alterações do eletrocardiograma em um paciente normal, doença de Chagas e a comunicação interatrial (CIA). A propensão a estes bloqueios aumenta com a idade e é mais comum em idosos do que em pessoas de meia-idade ou jovens. Da mesma forma, essa propensão aumenta nas pessoas que têm pressão arterial alta ou doenças cardíacas.

Causas do bloqueio do ramo esquerdo: o bloqueio do ramo esquerdo está associado a doenças cardíacas na maioria dos casos. As principais delas são: hipertrofia ventricular esquerda, doença arterial coronariana, doença cardíaca/valvular, miocardiopatias e doença degenerativa do sistema de condução. Esse bloqueio pode se dar também com frequência cardíaca elevada e, menos frequentemente, em pacientes com estudos cardiológicos normais. O bloqueio do ramo esquerdo pode ser a primeira evidência de uma doença cardíaca não conhecida.

Os bloqueios de ramo em geral causam bradicardia. O efeito de uma batida cardíaca muito lenta limita a atividade física da pessoa e pode levá-la a ter síncopes (desmaios) ou confusão mental, por causa de um aporte insuficiente de sangue ao cérebro. Os demais sintomas da doença são tontura, palpitações e, eventualmente, morte.

Um bloqueio incompleto do ramo direito muitas vezes não chega a causar sintomas. Em pacientes com insuficiência cardíaca, o bloqueio de ramo esquerdo pode causar assincronia do ventrículo esquerdo, em que o septo e a parede lateral se contraem de forma assíncrona, piorando o prognóstico e os sintomas do paciente.

Em suma, o bloqueio cardíaco de primeiro grau pode não causar sintomas. O mesmo também é verdadeiro para muitos casos de bloqueio de segundo nível, no qual a pessoa afetada pode estar consciente de batidas espaçadas e de longas pausas entre as batidas. O bloqueio cardíaco de terceiro grau provoca uma pulsação muito baixa. Isto pode dar a sensação de que o coração parou completamente, o que é pouco provável, porque enquanto o músculo do coração tiver um aporte de sangue adequado ele continuará naturalmente a contrair.

O diagnóstico do bloqueio de ramo pode ser feito clinicamente pelos sinais e sintomas apresentados pelo paciente e é confirmado em definitivo pelos sinais típicos do eletrocardiograma.

Em si mesmo, os bloqueios do primeiro e mesmo do segundo graus não requerem um tratamento específico, mas sim a doença cardíaca que os tenha causado. Em pacientes com sintomas de síndrome coronariana aguda, o bloqueio do ramo esquerdo deve ser tratado como um infarto agudo do miocárdio. De modo geral, o tratamento do bloqueio de ramo envolve a implantação de um marcapasso artificial. Um bloqueio alternante entre o ramo direto e o esquerdo é critério de implante de um marcapasso definitivo.

Embora alguns bloqueios não precisem de tratamento, outros podem evoluir para um bloqueio coronário total (bloqueio de terceiro grau). Outra variante do bloqueio de ramo é um distúrbio do nódulo sinusal causado pela degeneração das artérias coronárias.

Muitos estudos demonstram que o prognóstico de indivíduos com bloqueio de ramo é determinado em parte pela presença ou ausência de doença cardiovascular associada, principalmente cardiopatia isquêmica. Em pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio ou insuficiência cardíaca, a presença de bloqueio de ramo indica um pior desfecho.

Em pacientes assintomáticos, o bloqueio de ramo direito parece não implicar aumento no risco de doença cardiovascular ou morte. Já os pacientes portadores de bloqueio de ramo esquerdo, têm um risco muito aumentado de morte por doença coronariana.

Nos bloqueios do ramo esquerdo, a implantação de um marcapasso e a ressincronização dos músculos cardíacos geralmente envolvem uma melhora na função ventricular e na sobrevida dos pacientes.

A principal complicação dos bloqueios de ramo é a bradicardia (frequência cardíaca lentificada), o que às vezes pode causar síncopes. Os bloqueios de ramo podem também causar morte súbita. Como o bloqueio de ramo afeta a atividade elétrica do coração, às vezes, ele pode dificultar o diagnóstico correto de outras doenças do coração e levar a atrasos na gestão adequada delas.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Artrose de coluna


A artrose na coluna é uma patologia que afeta as articulações da coluna, sendo um problema muito comum em idosos, mas que pode acontecer em qualquer idade.

Ela também é conhecida como espondilose.

A artrose na coluna é uma doença degenerativa, seu sintoma principal é a dor na coluna, quadril e pescoço.

As articulações com o tempo ficam mais fracas e o indivíduo pode perder a estrutura espinhal, por isso o problema é muito comum em idosos.

A artrose pode afetar várias regiões da coluna como a lombar, a cervical, torácica e sacral, podendo afetar todos esses lugares ou apenas uma região.

Os sintomas gerais da artrose na coluna incluem a dor que já citamos, sendo que essa dor pode piorar com o movimento.

O paciente também sente dificuldade de mover a coluna, pode ter sensação de formigamento em algumas áreas como pescoço, braços e pernas se a artrose for lombar.

Artrose Cervical – A artrose na coluna cervical é bem comum, pois a degeneração é mais precoce e susceptível, pois existe uma grande amplitude de movimento. Nesse caso os sintomas variam bastante, a dor na região é muito comum, ela também pode irradiar para outros lugares como ombros, braços, escápulas e até mão, o paciente com artrose cervical também apresenta torcicolos e dificuldade ou dor ao engolir.

Artrose Torácica – A artrose torácica não é um local muito comum de artrose, além disso ele não costuma causar muitos sintomas. Essa área tem uma maior estabilidade e menor amplitude de movimento, o sintoma principal é a dor e ela pode irradiar para as costelas.

Artrose Lombar – Esse é o local mais frequente de artrose na coluna. A região lombar tem muita mobilidade e suporta todo o peso do corpo, ela ainda faz uma grande transferência de carga entre a coluna vertebral e a bacia, por isso é mais comum ter artrose nessa região. Mesmo assim é mais comum em pessoas idosas ou indivíduos que já passaram dos 40 anos. Os sintomas mais comuns são a dor e rigidez que muitas vezes aparece na parte da manhã, a dor irradia também algumas vezes para as pernas ou uma das pernas e o paciente não tem alteração na mobilidade das pernas.

Para fazer o diagnóstico o médico vai pedir alguns exames como radiografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada. Assim que o problema for diagnosticado o tratamento começa, é importante saber que a artrose na coluna não tem cura, essa é uma doença degenerativa e piora com o envelhecimento. Mesmo assim, existe tratamentos para amenizar os sintomas.

O paciente pode tomar medicamentos para aliviar a dor, pode ser necessário fazer exercícios físicos e acupuntura. Em alguns casos a cirurgia é indicada, principalmente quando a dor não passa com remédios e exercícios, na cirurgia o mais comum é fazer a descompressão dos nervos e estabilização da coluna.

Pode-se prevenir esse problema sabendo das causas. Uma das formas de prevenção mais fáceis e interessantes é o exercício de fortalecimento, dessa forma você vai conseguir manter a cartilagem funcionando bem e sem desgaste. Observar a postura e fazer exercícios para melhorar a postura também é importante, se você já está na idade de 40 anos e ainda não se preocupou com o fortalecimento dessa área e a postura, é melhor começar a prestar mais atenção nessa área.

Exercício físico como musculação e natação ajudam muito, esse tipo de exercício trabalha o corpo todo e ajuda a fortalecer a área da coluna. Mas lembre-se de fazer exercícios com acompanhamento de um profissional. Comece a prestar mais atenção também na sua postura, observe a forma que você se senta, levanta, como abaixa para pegar objetos no chão e até a forma que anda. Se você começar a adotar uma postura correta e evitar posições erradas e forçadas não vai sobrecarregar a articulação.

Sempre que fizer atividade física mais intensa tente descansar um pouco, a articulação pode ficar comprometida depois de uma atividade física e o repouso é muito importante. Evite também carregar peso ou fazer atividades de impactos repetitivos, esse cuidado é importante principalmente se você já tem mais de 40 anos.

Por último, use calçados confortáveis e que oferecem uma boa base de apoio e evite a obesidade. A obesidade pode gerar grandes problemas para a coluna, você precisa ficar atento para que seu peso não prejudique sua saúde, a obesidade pode acarretar inúmeros problemas como diabetes, pressão alta, câncer, infertilidade, doenças no coração e também problemas na coluna como a artrose.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Artrite Reumatoide


A artrite reumatoide (AR) é uma doença sistêmica crônica.

Por ser sistêmica, significa que ela pode afetar diversas partes do organismo (embora atinja principalmente as articulações); por ser crônica, não se consegue obter a sua cura (e sim o seu controle).

A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que é autoimune, ou seja, os tecidos são atacados pelo próprio sistema imunológico do corpo.

A doença afeta entre 0,5% e 1% da população mundial adulta e cerca de três vezes mais mulheres do que homens. Um estudo de 2004 mostrou que a incidência da AR no Brasil é de 0,46%. Além disso, pessoas com histórico familiar de artrite reumatoide têm mais risco de desenvolvê-la, devido a uma maior predisposição genética.

Os principais sintomas são: dor, inchaço, rigidez e inflamação nas membranas sinoviais e nas estruturas articulares. Com a progressão da doença – e se esta não for tratada adequadamente –, os pacientes podem desenvolver incapacidade para a realização de suas atividades cotidianas.

Na artrite reumatoide, o sistema imunológico, responsável por proteger o nosso organismo de vírus e bactérias, também ataca os tecidos do próprio corpo –especificamente a membrana sinovial, uma película fina que reveste as articulações.

O resultado desse ataque é a inflamação das articulações e consequente dor, inchaço e vermelhidão, principalmente nas mãos e nos pés. É importante lembrar que, por ser sistêmica, ela pode ocorrer em outras articulações, tais como joelhos, tornozelos, ombros e cotovelos, além de outras partes do organismo (pulmão, olhos, coluna cervical). Em outras palavras, embora a principal característica da artrite reumatoide seja a inflamação das articulações, várias regiões do corpo também podem ser comprometidas.

Se não for tratada adequadamente, a inflamação persistente das articulações pode levar ao comprometimento das juntas, provocando deformidades e limitações nas atividades do dia a dia.

Apesar dos avanços nas pesquisas, a causa da artrite reumatoide ainda é desconhecida. Porém, a maioria dos cientistas concorda que a combinação de fatores genéticos e ambientais é a principal responsável.

Foram identificados marcadores genéticos que provocam uma probabilidade dez vezes maior de manifestar a doença. Entretanto, há quem possua esses genes e não desenvolva a AR, assim como nem todas as pessoas com a doença têm esses genes.

Pesquisas sugerem que agentes infecciosos, como vírus ou bactérias, podem provocar a doença em quem tem propensão genética para desenvolvê-la. Além da resposta do organismo a eventos estressantes, como trauma físico ou emocional, outra possibilidade são os hormônios femininos, uma vez que a incidência é maior nas mulheres.

Fumar também pode ser um causador, pois há um alto risco de pessoas com um gene específico desenvolverem artrite reumatoide, além de ser um vício que pode aumentar a gravidade da doença e reduzir a eficácia do tratamento.

sábado, 22 de abril de 2017

Tratamento de ferimentos no corpo


Uma ferida é uma interrupção na continuidade de um tecido corpóreo, geralmente a pele. As feridas podem ser classificadas de diversas maneiras:

•Quanto à profundidade: feridas superficiais, quando atingem apenas as camadas mais superficiais da pele (derme e epiderme), ou feridas profundas, quando atingem níveis mais profundos.

•Quanto à complexidade: feridas simples, que, em geral, são superficiais e livres de sinais de infecção, demandando apenas cuidados com curativos ligeiros e menos frequentes, e feridas complexas, mais profundas, comprometendo tipos diferentes de tecidos além da pele (ossos, cartilagens, tecido adiposo, fáscias musculares, tendões, ligamentos, vasos sanguíneos, tecido nervoso, etc.), muitas vezes infectadas ou com algum grau de necrose.

•Quanto ao formato: ◦Ferida puntiforme, geralmente causada por instrumento perfurante de pequena área de secção transversal, como espinhos, pregos, agulhas, etc.
◦Ferida incisa, de formato linear e bordas regulares, quase sempre causada por lâminas como facas, lâminas de barbear, etc.
◦Ferida cortocontusa, de formato irregular, com diversos segmentos ulcerados e áreas de equimoses adjacentes, normalmente causadas por objetos que tanto produzem lesões por corte e por impacto, como machados, foices, aresta de um tijolo, etc.
◦Ferida perfurocontusa, de formato quase regular e bordas ligeiramente irregulares. Possibilidade de se observar áreas de equimoses e hematomas adjacentes, normalmente causadas por objetos que penetram a pele mediante impacto, como um projétil de arma-de-fogo, por exemplo.
◦Ferida perfuroincisa, de formato e bordas habitualmente regulares, normalmente causada por objetos que penetram a pele com pouco impacto mas com bom potencial de divulsão de tecidos, como uma lâmina de um punhal, por exemplo.

Além dessas, há as feridas não traumáticas: ◦Ferida causada por queimadura de formato irregular e extensão variável, seja causada por radiação ionizante, fonte de calor, abrasão ou produto químico. A queimadura é dita de primeiro grau se há apenas "avermelhamento" do local, sem produção de ferimento; de segundo grau quando há formação de bolhas que se ulceram e formam feridas superficiais; de terceiro grau quando há necrose da derme e tecido adiposo ou de quarto grau quando há necrose de tecidos profundos como ossos, cartilagens, músculos, etc e formação de lesões ulceradas.
◦Ferida causada pelo frio, cujo formato irregular depende da área de pele exposta à baixa temperatura. Muitas vezes pode assumir as mesmas características das queimaduras, apenas com "avermelhamento" local ou com a formação de bolhas ou necrose de tecidos mais superficiais ou profundos.
◦Ferida causada por fatores endógenos como pênfigo, vasculites, psoríase, xeroderma, etc. Têm formatos diversos, na dependência da patologia causadora. Variam de "rachaduras" em determinadas áreas de pele até lesões evolutivas que surgem como pequenos pontos avermelhados ou escurecidos e se desenvolvem em feridas de dificílima cicatrização.

Cada ferida exigirá uma preparação específica, mas há alguns princípios básicos:

•Lavar as mãos antes e depois do procedimento.

•Comunicar previamente ao paciente o procedimento que será realizado.

•Limpar a ferida com soro fisiológico 0,9%.

•Usar técnica estéril ou limpa.

•Aplicar a medicação prescrita.

•Não secar o leito da ferida.

•Utilizar coberturas que favoreçam a cicatrização.

•Preencher as cavidades.

•Proteger as bordas da ferida.

•Ocluir com material hipoalergênico.

•Desbridar quando necessário.

O médico ou o enfermeiro deve registrar em prontuário o procedimento realizado e a evolução da ferida, descrevendo seus aspectos principais.

O tratamento das feridas depende da natureza de cada uma delas e pode ser tão simples como apenas colocar uma cobertura sobre elas ou tão complexo que requeira conhecimentos especializados. Em geral, essa atividade cabe à equipe de enfermagem. Cerca de 80% dos casos são atendidos em nível ambulatorial, mas outros casos tornam necessários conhecimentos teóricos mais aprofundados para um tratamento eficaz, o que faz do tratamento de feridas uma área especializada da enfermagem. Alguns casos têm mesmo de ser tratados por médicos, em hospitais.

Alguns fatores atuam de modo a favorecer o desenvolvimento de uma ferida e a dificultar seu tratamento: diabetes, hipertensão, tabagismo e obesidade. Esses fatores comprometem a perfusão tecidual, aumentando o risco de desenvolver lesões e dificultando a cicatrização quando as mesmas ocorrem.

Nos pacientes acamados ou em uso de cadeira de rodas, os cuidados devem ser redobrados para evitar o surgimento de lesões por pressão que normalmente surgem nos pontos de proeminências ósseas. E, paralelamente, o paciente pode apresentar problemas que interferem no processo de cicatrização como idade e seu estado nutricional.

A cicatrização é um processo sistêmico, que depende do organismo como um todo e, portanto, tanto dos cuidados de enfermagem quanto do tratamento médico das condições subjacentes à ferida e do estado nutricional, emocional, psicossocial e ambiental do paciente.

Numa ferida pode-se encontrar diversos tipos de tecidos, alguns bons que fazem parte do processo normal de cicatrização (tecido de granulação, tecido de epitelização, fibrina, etc.) e outros ruins e que devem ser retirados (tecido macerado, tecido esfacelado, tecido de necrose, etc.).

Por um processo natural, chamado desbridamento autolítico, o organismo realiza a desintegração das células desvitalizadas. Porém, nas feridas crônicas, este mecanismo muitas vezes é insuficiente e a retirada desses tecidos ruins tem de ser feita artificialmente, porque esses tecidos desvitalizados aumentam o risco de infecção e dificultam o processo de cicatrização. Nesses casos, pode ser necessário fazer um desbridamento artificial.

O desbridamento cirúrgico é realizado em centro cirúrgico, pelo cirurgião, e está indicado para casos de necrose. O desbridamento instrumental consiste na remoção do tecido desvitalizado em diversas sessões e pode ser realizado a beira do leito ou em sala de curativos com a utilização de material como bisturi, tesouras e pinças. Esta técnica pode ser realizada por enfermeiro devidamente capacitado com conhecimento e formação específica. O desbridamento enzimático consiste na aplicação tópica de substâncias enzimáticas e proteolíticas que atuam como desbridantes diretamente em tecidos necróticos.

Feito isso, um cuidado especial deve ser dado às coberturas específicas para cada tipo de lesão. O profissional deve escolher a cobertura mais adequada para cada caso, com o objetivo de facilitar o processo de cicatrização.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Próteses de quadril



O uso de uma prótese adequada é um fator importante para que os bons resultados da artoplastia perdurem a longo prazo, de forma que os pacientes possam manter uma vida ativa e sem dor.


Da mesma forma que um quadril natural, a prótese de quadril possui basicamente 2 partes: acetabular e femoral. Existe uma grande diversidade de modelos disponíveis, variando deste o meio como se fixa a prótese ao osso até o tipo de material utilizado onde ocorre o movimento.


Para que funcione adequadamente, a prótese deve estar fixa ao osso e esta fixação pode ser alcançada através de duas técnicas. A primeira técnica não utiliza cimento ortopédico, e baseia-se no crescimento de osso do paciente para dentro de poros na superfície da prótese.


A segunda técnica envolve o uso de cimento ortopédico, o qual funciona como uma argamassa entre o implante e o osso hospedeiro. Este cimento é um polímero conhecido como polimetacrilato de metila. No momento da cirurgia ele é produzido apartir da mistura de uma porção em pó e uma líquida, adquirindo consistência pastosa. Após, o cimento é colocado no osso e solidifica em alguns minutos, permitindo a fixação do implante ao osso do paciente.


Cada parte de uma prótese de quadril é fabricada em diversos tamanhos. O cirurgião prevê o tamanho e formato a ser utilizado durante o planejamento pré-operatório. Existem próteses especiais feitas para pacientes com ossos mais estreitos, mais largos ou deformados.

Nas cirurgias de revisão de artroplastia do quadril são eventualmente necessárias próteses longas, ainda maiores ou materiais especiais.

Componentes acetabulares cimentados

Estes componentes são produzidos apartir de um tipo especial de plástico conhecido como polietileno de ultra alto peso molecular. Este plástico possui alta resistência ao desgaste e tem sido melhorado nos últimos anos através do uso de tipos especiais de radiação para aumentar as ligações entre as moléculas (polietileno “cross-linked”). Os componentes acetabulares cimentados são fabricados em diversos diâmetros, para serem usados de acordo com a anatomia do paciente. A sua superfície externa é irregular de maneira a facilitar a fixação ao osso acetabular com cimento ósseo. A superfície interna é côncava e onde a cabeça femoral irá articular.Geralmente um anel metálico está presente permitindo a identificação na radiografia.



Os componentes acetabulares não-cimentados são geralmente produzidos com titânio ou ligas especiais de titânio e fixam-se através do crescimento ósseo para dentro de microscópicos orifícios em sua superfície metálica. Este crescimento ósseo demora algumas semanas para se completar e é o que fixa definitivamente o componente acetabular ao acetábulo. Geralmente são produzidos com orifícios para a colocação de parafusos, utilizados algumas vezes para auxiliar na fixação inicial da parte metálica ao osso. Existem alguns modelos revestidos por hidroxiapatita para auxiliar a fixação definitiva ao osso.


Na parte interna do componente metálico, encaixa-se um componente de polietileno ou cerâmica que fará articulação com a cabeça femoral.


Componentes femorais cimentados

Da mesma forma que no acetábulo, os componentes femorais podem ser fixados ao osso com ou sem cimento ósseo. Os componentes cimentados são de superfície polida e geralmente compostos de ligas especiais de aço ou cromo-cobalto. Eles são produzidos em variados tamanhos e existem em formatos especiais para pacientes com fêmures deformados, muito grandes ou estreitos. Na sua parte proximal é acoplada a cabeça femoral artificial, que fará a articulação com o componente acetabular. Essa cabeça femoral pode ser metálica ou de cerâmica, e com variados diâmetros.


Para que ocorra crescimento ósseo que fixe os componentes femorais não cimentados, estas próteses são inseridas sob pressão no canal femoral. Elas são geralmente compostas por ligas especiais de titânio mais rígidas que as usadas nos componentes acetabulares. Eles são fabricados em diferentes tamanhos, com modelos especiais para pacientes com canais femorais muito estreitos, largos ou deformados. A parte proximal (superior) é o local onde a cabeça femoral é acoplada. A parte intermediaria possui microporos que devem ser preenchidos por osso para que ocorra a fixação da prótese. Também existem os componentes revestidos por materais sintéticos com composição parecida a do osso e que axiliam na fixação da prótese ao osso do paciente.


Para fazer a articulação entre os componentes acetabular e femoral, utilizam-se cabeças femorais de ligas de aço, cromo-cobalto ou cerâmica. Estas são disponíveis em diferentes tamanhos dependendo do fabricante e do componente acetabular. O cirurgião tem também a opção de cabeças que encaixam em diferentes profundidades, permitindo que se ajuste a anatomia de cada paciente. Os mesmos tipos de cabeça femoral utilizados nas próteses femorais cimentadas podem ser utilizados nas não-cimentadas.


Em casos de fratura do colo femoral em idosos com cartilagem do acetábulo preservada, eventualmente pode ser utilizado o componente femoral com uma grande cabeça femoral de metal articulando diretamente no acetábulo do paciente, com a articulação se fazendo diretamente entre a cabeça femoral metálica e a cartilagem acetabular. Nesta situação a artroplastia é conhecida como parcial, ou seja, o componente acetabular protético não é utilizado.


Os materiais utilizados em artroplastia de quadril evoluiram muito nos últimos 20 anos, especialmente considerando a resistência ao desgaste. Porém, não é somente o tipo de material implantado que determina os resultados em artroplastia do quadril. Bons resultados a longo prazo dependem muito de uma cirurgia tecnicamente bem indicada e realizada. Existem diferentes escolas no mundo que defendem diferentes materiais. Diversos trabalhos demonstram bons resultados tanto com próteses cimentadas quanto não-cimentadas. Entretanto, alguns pacientes precisam de um determinado modelo de prótese ou tem alto risco de falha com outro. Os pacientes tem diferentes idades, anatomias e níveis de atividade física, de modo que a escolha da prótese deve levar estes e outros fatores em consideração.

Em conclusão, bons resultados dependem de uma cirurgia bem indicada, bem planejada, bem realizada e do uso de material adequado.


Fonte:
Dr. Munif Hatem

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cada nome... Gastrite enantematosa! O que é?


A gastrite enantematosa, assim com a gastrite comum, é uma inflamação na parede do estômago, causando vermelhidão e inchaço, que provoca uma série de incômodos estomacais nos indivíduos acometidos. A diferença dela para a gastrite comum é que ela afeta, além da mucosa, o epitélio estomacal, gerando um ferimento na parede do estômago.

A gastrite enantematosa pode ser provocada pela presença da bactéria Helicobacter pylori, por doenças autoimunes, pelo consumo de álcool e pelo uso frequente de aspirinas, remédios anti-inflamatórios ou corticoides.

Os sintomas da gastrite enantematosa surgem geralmente após as refeições, podendo durar cerca de duas horas, sendo os mais comuns dor de cabeça, dor e queimação no estômago, enjoo, indigestão, gases e arrotos, falta de apetite e vômito ou ânsia de vômito. Pode, ainda, aparecer sangue nas fezes. Os sintomas se iniciam de maneira leve e podem ir se agravando ao longo das horas.

A gastrite enantematosa pode ser classificada de acordo com a região afetada do estômago: cárdia, corpo, antro e fundo. Assim, por exemplo, fala-se de gastrite enantematosa antral quando a inflamação ocorre na parte final do estômago, o antro.

Segundo a gravidade, fala-se em gastrite enantematosa leve quando a inflamação ainda está no início, não prejudicando muito o estômago. Em casos mais sérios, a gastrite enantematosa é classificada em moderada ou severa.

O diagnóstico deve começar a ser feito pelos sintomas e ser confirmado por uma endoscopia digestiva alta, através da qual o médico especialista consegue visualizar a parte interna do estômago e identificar a presença da inflamação.

O tratamento para gastrite enantematosa inclui medicamentos antiácidos ou protetores gástricos, antibióticos para eliminar a bactéria Helicobacter pylori, quando essa for a causa da gastrite e alteração dos hábitos alimentares, evitando alimentos gordurosos e outros que irritam o intestino. Deve-se manter uma dieta adequada que seja recomendada pelo médico ou por um nutricionista.

• De um modo geral, são considerados alimentos não recomendados:

Alimentos gordurosos e frituras; frutas ácidas; temperos; picles; doces concentrados; frutas secas e cristalizadas; frutas oleaginosas; feijão e outras leguminosas; pepino; tomate; couve; couve-flor; brócolis; repolho; pimenta; pimentão; nabo; rabanete; café; chá preto; mate e chocolate; linguiça; salsicha; patês; mortadela; presunto; bacon; carne de porco; carnes gordas; alimentos enlatados e em conserva; bebidas alcoólicas e gasosas.

• Considerados alimentos permitidos:

Chá de camomila; erva-doce; erva-cidreira; melissa; espinheira santa; sopas magras; carnes magras desfiadas, picadas, moídas, ensopadas, cozidas, assadas ou grelhadas; ovos cozidos, poches ou quentes; verduras e legumes bem cozidos; frutas; pães brancos, bolachas maria, maisena e água e sal; arroz; macarrão simples; batata, mandioca, mandioquinha e cozidos.

A duração do tratamento depende da gravidade da inflamação e das suas causas, devendo sempre ser orientado pelo médico.

Como evitar os sintomas da gastrite enantematosa?

• Evitar alimentos irritativos da mucosa gástrica.
• Evitar o consumo de alimentos prontos, como congelados, industrializados e empacotados.
• Evitar o fumo e as bebidas alcoólicas.
• Evitar ingerir grandes quantidades de alimentos antes de se deitar.
• Evitar alimentos muito quentes.
• Evitar goma de mascar.
• Evitar fazer refeições volumosas a qualquer hora do dia.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jean-Martin Charcot


Jean-Martin Charcot (1825-1893) teve uma influência notável sobre o jovem Freud, na medida em que até deu o nome de seu primeiro filho por causa dele. A estadia de Freud com Charcot por quatro meses entre 1885-1886 deixou uma impressão que levou algum tempo para desaparecer.

Fortemente interessado em hipnose na época, Freud tinha abordado o grande mestre, com o objetivo de melhorar a sua própria técnica.

De origem parisiense, Charcot era o protótipo do grande mestre da medicina da época, o tema de todas as conversas.

É na Salpêtrière, onde se estabeleceu em 1862, que a sua gloriosa carreira verdadeiramente começou, deixando fortes marcas na neurologia e psiquiatria moderna. Acumulando títulos de prestígio, Charcot se tornou uma celebridade reconhecida universalmente, chamada em todo o mundo à beira do leito de aristocratas e pessoas endinheiradas.

Mesmo que Charcot tenha concebido uma obra de autoridade em vários campos da medicina, é por seu trabalho sobre a histeria que ele é especialmente reconhecido hoje.

Aplicando à histeria o método de observação e descrição metódica emprestado da neurologia, o objetivo de Charcot era estabelecer as regras universais do grande ataque histérico.

Por meio de hipnose, Charcot induzia um ataque histérico em seus pacientes encontrando seus padrões. O problema era que seus pacientes, assim como seus colaboradores, estavam mais inclinados para confirmar as ideias dele, o que comprometia a verdadeira pesquisa científica.

Ao final de sua vida, o próprio Charcot questionou seu próprio trabalho sobre a histeria, o que não impediu uma controvérsia longa e animada com a escola de Nancy, sob a liderança de Liebeault e Bernheim .

Toda a história preserva Freud sendo impressionado com uma conversa privada com Charcot, revelando-lhe que há sempre um segredo íntimo subjacente à histeria.

No outono de 1885, impaciente com o que ele poderia aprender em Viena, Freud viajou para Paris. Ele tinha ganhado uma bolsa para estudar com o renomado médico Jean Charcot, um dos maiores neurologistas da época. No auge de sua fama, Jean Charcot foi chamado de “Napoleão das neuroses.” Charcot, Freud escreveu à Martha, é “um homem cujo senso comum beira a genialidade.”

“Charcot era este homem atraente, carismático e Freud sempre foi atraído por homens convincentes , carismáticos. O ponto de viragem para Freud era realmente seu ano em Paris e o trabalho com Charcot.
– Elisabeth Young-Bruehl

Muitos dos pacientes de Charcot sofriam de uma variedade bizarra de problemas físicos e emocionais, os sintomas de uma intrigante aflição médica chamado de “histeria”.

Freud se tornou profundamente interessado na situação dos pacientes, geralmente mulheres, que sofriam de histeria. Através do estudo da histeria, Charcot iria introduzir o jovem Freud para o mistério que ele passaria o resto de sua vida tentando entender – o poder das forças mentais escondidas da percepção consciente.

Os textos médicos da época descrevem os sintomas da histeria que vão desde a gagueira e tiques faciais para os principais sintomas motores, arquear para trás em uma cama, a rigidez total do corpo, desmaiar e perder a consciência, incapacidade de engolir, e dormência. Os exames médicos não conseguiam encontrar uma causa orgânica para os sintomas, o que tornava o paciente impotente. A causa da histeria era desconhecida. Incapaz de encontrar uma explicação física, os médicos foram frustrados, muitas vezes acusando bruscamente seus pacientes de “fingir.”

FREUD: “Uma mulher histérica [está] quase como certa a ser tratada como uma golpista, como em séculos anteriores, ela teria sido determinada a ser julgada e condenada como uma bruxa ou como possuída pelo diabo … [Charcot coloca] todo o peso de sua autoridade no lado dos gênios e objetividade dos fenômenos histéricos “.

YOUNG-BRUEHL: A sabedoria comum era que a histeria era uma doença para a qual não havia cura. As pacientes eram colocadas em um hospital psiquiátrico e era o fim delas. Era uma sentença de morte este diagnóstico. E pensar em termos de ser capaz de curar a histeria era muito radical.

BERGMANN: Histéricos costumava ser o desespero do médico. Freud em um ponto disse, quando um paciente é uma histérica e o médico acaba de examiná-la, não há alteração no paciente, mas há uma mudança significativa no médico.

O enigma de histeria animava o interesse de Freud. Se ele pudesse revelar a sua causa desconhecida, ele poderia ganhar o reconhecimento que há muito tempo esperava. Charcot tratava histeria com a hipnose. Sob o seu feitiço hipnótico, seus pacientes iriam seguir suas sugestões, e uma paralisia desapareceria, um tique iria diminuir, apenas para reaparecer mais tarde, quando o transe desbotava.

GAY: “Aqui está este grande médico francês com uma grande reputação que usa o hipnotismo. Hipnotismo era um tipo de coisa que você fazia em feiras e jogos que você jogava com o crédulo. Esta era uma coisa muito “não-respeitável” para fazer.

Freud foi atingido pela demonstração contundente de Charcot do poder da mente sobre o corpo. Ele retornou a Viena desnorteado, em busca de um tratamento mais eficaz. Freud se voltou ao conselho de um novo mentor, Joseph Breuer, um médico brilhante que também havia feito experiências com a hipnose em seus próprios pacientes.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Afasias


A afasia é a perda total ou parcial da capacidade de comunicar-se (falar e compreender).

Geralmente é causada por uma má irrigação do cérebro.

Os especialistas em linguagem distinguem os distúrbios da fala, que incluem dificuldades de pronunciação e de articulação, dos distúrbios da linguagem, que se manifestam pela dificuldade em encontrar palavras e formular frases.

A afasia reúne esses dois distúrbios.

Diferentes tipos de afasia:

As áreas de linguagem geralmente estão localizadas no hemisfério esquerdo do cérebro.

Ele é atravessado por uma das três principais artérias do cérebro, a artéria silviana.

Fala-se de afasia quando essa artéria sofre danos. No entanto, existem diferentes tipos de afasia, dependendo da parte afetada.

A área de Broca se situa no lobo frontal. Quando ela é atingida, ocorre a afasia motora ou a afasia de Broca. Afeta principalmente a expressão: estilo telegráfico, baixa fluidez, problemas de sintaxe e gramática, vocabulário reduzido, dificuldade em encontrar as palavras certas, problemas de articulação...

A afasia de Wernicke é causada por danos na área de Wernicke, perto do córtex auditivo primário. A pessoa afetada não tem dificuldade em falar, mas utiliza palavras inadequadas e sem construção lógica com uma alta fluidez, o que torna a sua fala seja incompreensível. Sua compreensão oral e escrita também é perturbada. No entanto, ela não tem consciência da sua doença.

Existem outros tipos mais raros de afasia, como afasia mista, a afasia global (esta é a forma mais grave), a afasia de condução, a afasia transcortical motora e a afasia sensorial transcortical.

Causas da afasia:

A afasia geralmente é causada por um acidente vascular cerebral (AVC) devido à má irrigação do cérebro, causada por uma hemorragia (quando há o sangramento de um vaso sanguíneo) ou isquemia (quando um vaso sanguíneo entope). Entre as possíveis origens da afasia, há também o traumatismo craniano (devido a um choque violento ou a um coma), um tumor no cérebro ou uma doença degenerativa como o mal de Alzheimer.

O tratamento da afasia baseia-se na reeducação ortofônica. Ele deve começar o mais cedo possível, no início dos sintomas, e ser seguido de forma intensiva (4 ou 5 sessões por semana) para que se possa ter a perspectiva de recuperar a capacidade da linguagem e da compreensão quase normais. Atividades como teatro ou o canto também são boas maneiras complementares para trabalhar a comunicação e a expressão.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Inflamação dos discos intervertebrais


A discite é uma inflamação dos discos intervertebrais. É bem mais comum em crianças, mas também pode afetar indivíduos adultos.

Ainda não se tem clareza sobre a etiologia da discite. Contudo, muitos acreditam que ela resulta de uma infecção que ocorra em um dos platôs vertebrais e passe a acometer o disco. A origem dessa doença pode ser uma infecção viral ou bacteriana. A bactéria mais comumente implicada na discite é o Staphylococcus aureus.

Frequentemente, a discite está associada a outra doença, chamada osteomielite, uma infecção de ossos ou da medula óssea que pode afetar também a coluna, comprometendo os discos intervertebrais. Pode também ocorrer em consequência de uma doença autoimune.

Os fatores de risco mais importantes são crianças com menos de dez anos de idade, pessoas com doenças autoimunes ou com sistema imunológico debilitado, usuários de drogas injetáveis e pós-operatório.

A inflamação causa inchaço nos pequenos espaços entre os discos intervertebrais, coloca pressão sobre eles e gera a dor e os demais sintomas.

A discite é relativamente incomum e afeta principalmente crianças pequenas. A primeira manifestação clínica da discite é a dor, sobretudo na parte inferior e superior das costas, que pode ser leve ou intensa e que se agrava com a realização de qualquer movimento. Pode ser dor local ou propagar-se para o abdômen, quadril ou pernas.

Alguns pacientes podem apresentar também sintomas radiculares (como fraqueza e dormência, por exemplo), além de febre e calafrios. Outros sintomas podem incluir dor ou desconforto abdominal, mudanças posturais, febre, rigidez ou desconforto nas costas e dificuldade para executar tarefas que exijam mobilidade.

O diagnóstico da discite deve basear-se na história clínica, em radiografias da coluna, que evidenciarão aproximação do espaço discal com o platô da vértebra contígua, ressonância magnética e exames de sangue. Existe a possibilidade de realização de uma biópsia, mas este procedimento não é indicado para crianças. Para jovens e adultos ele é especialmente indicado quando há suspeita do envolvimento desses pacientes com drogas, o que amplia em muito a possibilidade da presença de outros microrganismos além do Staphylococcus aureus.

O médico poderá usar também a cintilografia óssea a fim de examinar internamente os ossos para analisar a vitalidade deles.

O tratamento adequado para a discite tem sido objeto de alguma discussão. A maior parte dos médicos recomenda imobilizar a coluna com coletes e alguns acham que também deve ser feito o uso de antibióticos, pois o mais provável é que haja a presença de uma infecção bacteriana do disco. Também pode-se usar anti-inflamatórios, conforme o caso, bem como analgésicos.

Há a possibilidade do tratamento cirúrgico, mas este só é indicado quando o diagnóstico for inconclusivo, se houver suspeitas de tumor, para descompressão da estrutura neural quando houver abscesso, fraqueza, dormência e alterações da bexiga ou do intestino e, em raros casos, para fundir uma coluna instável.

O médico também pode fazer recomendações quanto a mudanças nas atividades diárias e repouso no leito.

Se a discite for consequência de uma infecção, espera-se que os pacientes se recuperem integralmente. Para os casos que envolvem doença autoimune, essa condição poderá ser mais persistente do que a discite.

Embora rara, a dor crônica nas costas é uma complicação que pode ser associada à discite. O paciente também poderá apresentar efeitos colaterais desagradáveis dos medicamentos.

sábado, 15 de abril de 2017

Vacinação contra a gripe pode prevenir mortes associadas à influenza em crianças e adolescentes


O acompanhamento de óbitos pediátricos associados à gripe confirmados em laboratório desde 2004 mostrou que a maioria das mortes ocorre em crianças não vacinadas. Este estudo com publicação online pelo periódico Pediatrics avaliou se a vacinação contra a gripe reduziu o risco de morte associada à influenza em crianças e adolescentes.

Realizou-se uma análise de coorte comparando a adoção de vacinação entre crianças que apresentaram mortes associadas à gripe confirmadas laboratorialmente com a cobertura vacinal estimada entre as coortes pediátricas nos Estados Unidos. A vacinação de casos e o estado de alto risco foram determinados por investigação de caso. As estimativas de cobertura da vacinação contra a gripe foram obtidas a partir de dados de pesquisas nacionais ou de uma base de dados nacional de planos de saúde.

Foram estimados odds ratios de regressão logística comparando as probabilidades de vacinação entre os casos e controles. Utilizou-se métodos bayesianos para calcular intervalos de confiança (IC) de 95% para a eficácia da vacina (VE), calculada como (1 - odds ratio) × 100.

De julho de 2010 a junho de 2014, 358 mortes pediátricas associadas à gripe confirmadas por laboratório foram relatadas entre crianças de 6 meses a 17 anos. O estado de vacinação foi determinado para 291 mortes; 75 (26%) receberam a vacina antes do início da doença.

A cobertura média de vacinação nas coortes da pesquisa foi de 48%. A VE global contra a morte foi de 65% (IC 95%, 54% a 74%). Entre 153 mortes em crianças com condições médicas subjacentes de alto risco, 47 (31%) foram vacinadas. A VE entre crianças com alto risco foi de 51% (IC 95%, 31% a 67%), comparado com 65% (IC 95%, 47% a 78%) entre crianças sem condições de alto risco.

Conclui-se que a vacinação contra a gripe foi associada com a redução do risco de morte pediátrica associada à gripe confirmada laboratorialmente. O aumento da vacinação contra a gripe poderia prevenir mortes associadas à influenza em crianças e adolescentes.



Fonte: Pediatrics, publicação online de 03 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Entorse de joelho


Existem quatro ligamentos na articulação do joelho;

No centro da articulação estão os dois ligamentos cruzados – anterior e posterior (LCA e LCP). Nos lados da articulação existem os dois ligamentos colaterais – o medial e o lateral (LCM e LCL).

Estes cabos fibrosos trabalham juntos para manter estável a articulação do joelho e protegê-lo de lesões.

Um entorse no joelho significa simplesmente que pelo menos um dos ligamentos foi esticado além do limite fisiológico e que algumas ou todas as fibras foram danificadas.

Isso ocorre per uma força aplicada sobre a articulação, como por exemplo uma torção súbita do joelho, como quando você cair de maneira desajeitada ou durante a prática de esportes.

Raramente as crianças tem uma entorse no joelho, em função da elasticidade dos tecidos que envolvem a articulação.

Existem 3 tipos de entorse no joelho:

1º Grau – algumas fibras (inferior a 10%) são danificadas e / ou rasgadas, geralmente cicatriza naturalmente
2º Grau – muitas fibras são rasgadas, mas o ligamento ainda está intacto
3º Grau – quando o ligamento está completamente roto (rompido). Neste caso existe uma indicação para a cirurgia.

O entorse do joelho pode ser causado por:

Uma torção forçada do joelho, por movimento brusco e/ou impacto

Movendo o peso durante a execução de uma corrida;

Uma parada de mal jeito depois de um salto;

Um trauma na parte exterior ou interior do joelho e

Um traumatismo na parte da frente do joelho quando o joelho é dobrado e o pé está firmemente plantado no chão.

Fatores de Risco para o entorse de joelho

- Praticar alguns tipos de esportes, por exemplo, futebol, voleibol, esqui e basquete, raramente ocorre com a bicicleta;

- Má coordenação;

- Perda de equilibrio;

- Insuficiente flexibilidade ou força dos músculos e ligamentos e

- Frouxidão ligamentar.

Os sinais e sintomas

Os sintomas mais comuns de um entorse no joelho são: dor, inchaço e hematoma. Se a lesão é grave, pode haver instabilidade da articulação e o sujeito sente que o joelho cede.
A lesão pode causar um ruído semelhante a um crack, nesse caso talvez existem lesões do menisco ou ligamentos.
Os sintomas podem ser sentidos imediatamente ou após o acidente, mas às vezes ocorre dois dias mais tarde.

Os sintomas são os seguintes:

O joelho é dolorido;

Inchaço, vermelhidão, calor ou hematomas podem ser encontrados ao redor do joelho;

A amplitude de movimento do joelho é reduzida, o paciente sente dor mesmo em movimentos de hiper-reflexão ou hiperextensão passiva;

A pessoa não é capaz de inclinar-se sobre a perna lesionada, também não consegue esticar ou dobrar completamente o joelho quando está de pé;

Há algum grau de rigidez rigidez na articulação do joelho e

Normalmente o paciente não tem febre.

Diagnóstico do entorse do joelho

O médico perguntar ao paciente os sitomas e como aconteceu a lesão;

O joelho deve ser monitorizado durante a consulta para avaliar se a articulação é estável e quanto é grave a dor;

A localização da dor pode ajudar a determinar qual ligamento do joelho é esticado;

Se a dor no joelho é medial (lado interior do joelho) indica o ligamento colateral médial (MCL), este é o mais comum;

A dor no lado externo do joelho indica um estiramento do ligamento colateral lateral.

O teste de gaveta anterior é utilizado para avaliar o ligamento cruzado anterior. Para executar este teste, o paciente deve deitar-se em decúbito dorsal, o joelho deve ser dobrado em noventa graus e o pé deve ser estabilizado na cama. O examinador deve agarrar a parte de trás da tíbia acima do músculo da panturrilha, em seguida, puxa para a frente com uma força constante. Se a tíbia se move para a frente mais do que o normal, o teste é positivo. Você tem que fazer a comparação com o joelho saudável porque algumas pessoas têm uma frouxidão ligamentar. Se o teste for positivo, indica a lesão do ligamento cruzado anterior.

O teste de gaveta posterior é utilizado para avaliar o ligamento cruzado posterior. Para executar este teste, o paciente deve estar em decúbito dorsal sobre a cama, os joelhos devem ser dobrados a 90 graus e o pé deve ficar parado e descansando sobre a cama. Deve contar com a área frontal da tíbia acima da tuberosidade da tíbia e empurrar para a frente (passando posteriormente a tíbia) com uma força constante. Se o deslocamento da tíbia posterior é maior do que o normal, o teste é positivo. Isto é indicativo de uma ruptura do ligamento cruzado posterior.

O Teste de estresse em valgo ou adução da tíbia é utilizado para avaliar o ligamento colateral medial. Para executar este teste, coloque o joelho em flexão de cerca de trinta graus. Estabilizar o joelho, segurar o tornozelo e empurrar a tíbia para o exterior. Se a adução do joelho é maior do que o normal (em comparação com a perna não lesionada), o teste é positivo. Isto é indicativo de um rasgo do ligamento colateral medial.

O teste de estresse em varo ou abdução da tíbia é usado para ver se o ligamento colateral lateral está intacto. Este teste é realizado com o joelho dobrados a 30 graus de flexão. Estabilizar o joelho e o tornozelo. Se a adução é maior do que o normal, o teste é positivo. Isto é indicativo de um rasgo do ligamento colateral lateral. Se o ligamento é afetado por um entorse, será danificado também o menisco.

Um dos principais testes para a ruptura do menisco é o teste de McMurray. Com o paciente deitado de costas e a extremidade inferior elevada, o médico dobra o joelho e em seguida estende a perna enquanto roda o joelho. Este teste provoca um alongamento do menisco. Na presença de uma lesão no menisco, este movimento faz com que um tique-taque . O joelho deve “clicar” todas as vezes que o médico realiza o teste.

Exames

- A radiografia é um exame que utiliza radiação para criar imagens de estruturas internas do corpo, especialmente dos ossos (para avaliar possíveis fraturas).
- Uma ultrassonografia não é muito útil porque pode avaliar só os ligamentos colaterais.
- A ressonância magnética é um exame que utiliza um campo magnético para imprimir as imagens no interior do corpo para ver se tem um ligamento rasgado completamente, ou se ele está desgastado.
- A artroscopia é um procedimento cirúrgico que utiliza um pequeno endoscópio para olhar dentro do joelho, é o mais confiável, mas é um exame invasivo.

Tratamento para entorse do joelho


1) Protocolo RICE, geralmente, o melhor tratamento nos primeiros dois dias é seguir os princípios do tratamento da inflamação aguda: proteção, repouso, gelo, compressão, elevação.
Este tratamento é utilizado para reduzir a dor, o inchaço e acelerar a cicatrização.
Para a dor você pode tomar os anti-inflamatórios em comprimidos (por exemplo, Advil, Voltaren) ou você pode aplicar uma pomada com anti-inflamatório ou arnica montana.

2) Fisioterapia e reabilitação: viável - você tem que executar determinados exercícios para recuperar a força, movimento e função do joelho. Para obter informações sobre os exercícios e como promovê-los de forma adequada para retornar à funcionalidade completa você tem que seguir o conselho de um fisioterapeuta experiente.
A reabilitação em piscina é indicada se o paciente tem dificuldade a ficar em pé.
Existem alguns instrumentos que ajudam você a recuperar mais rapidamente, por exemplo o ultra-som, tratamento com laser e terapia magnetica são úteis se o joelho está inchado e para reduzir a dor.

3) O médico pode recomendar uma joelheira para reduzir a dor e ter uma maior estabilidade após um entorse no joelho. Normalmente a joelheira é bastante simples, o preço é baixo. Se você precisa de mais apoio, as joelheiras avançados são úteis.
Se o seu médico diz que o problema é um simples entorse no joelho e não necessita de testes para avaliar melhor o caso, quase certamente, a lesão não é muito grave e provavelmente é um entorse de grau 1 ou 2.
O rasgo do terceiro grau (ruptura completa) pode ser tratado muitas vezes da mesma maneira como um entorse de primeiro e segundo grau, mesmo que demore mais tempo para cicatrizar. No entanto, a cirurgia é recomendada se o joelho tende a ser instável após a realização de um programa de exercícios de reabilitação.

4) Acupuntura.

Em caso de lesão do menisco ou ligamentos, você deve considerar o tempo de cura específico, especialmente no caso de cirurgia.
Geralmente, no caso de um entorse de primeiro grau, no prazo de 7/10 dias a dor desaparece, enquanto a duração do inchaço é variável. Em alguns casos, o joelho fica inchado enquanto em outros o derrame articular (líquido) pode permanecer por algumas semanas.
Você pode andar, mas não exagere para não alongar o tempo de recuperação.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Mais sobre as nossas unhas


As unhas refletem a saúde do organismo. Elas são anexos cutâneos formados por diferenciação de alguns segmentos da pele.

Possuem muita queratina (A queratina é uma proteína fibrosa que constitui diversas partes do corpo humano, entre elas, os cabelos e unhas. Formada por aminoácidos, representa cerca de 90% do fio, é responsável pela integridade dos cabelos e, por isso é usada em diversos tratamentos capilares em salões de beleza. Funciona como uma proteção e preenchimento das falhas ocasionadas por processos externos ou deficiência orgânica) e estão envolvidas no processo de proteção do organismo em relação ao meio externo e tem função estética.

O crescimento delas é contínuo e recebe estímulos hormonais e nutricionais diversos. A unha pode interromper seu crescimento ou apresentar alterações de estrutura uma vez que, em casos de doenças graves, o organismo reservar sua fonte de proteínas, vitaminas e de defesa para os órgãos vitais.

Os nutrientes ficam escassos primeiramente nas unhas e nos cabelos e ambos ficam enfraquecidos, opacos e sem vida nestas situações.

Através da observação de alterações do leito ungueal é possível identificar doenças sistêmicas, facilitando o diagnóstico e permitindo um tratamento precoce.

A unha normal é transparente, lisa, suave, permanecendo colada ao seu leito e apresentando crescimento contínuo.

As unhas crescem, em média, 3 milimetros por mês, mas isso pode variar bastante. As unhas das mãos demoram, em média, de 4 a 6 meses para crescer da base até a ponta; e as dos pés, de 6 a 12 meses. As unhas dos homens crescem mais rápido do que as das mulheres (exceto na gravidez, quando as unhas crescem mais). É bom lembrar que existem variações individuais, relacionadas à raça, idade, ambiente, ocupação, etc.

Diversas alterações na cor, aparência, superfície e crescimento podem significar problemas internos.

Na maioria dos casos, a presença de unhas fracas, quebradiças ou que descolam na sua parte distal ocorre por manipulação excessiva, como o uso demasiado de esmaltes, fortalecedores contendo formol, microtraumatismo em unhas (por exemplo: unhas de digitadoras).

O tratamento geralmente é simples. Podem ser usadas cápsulas de gelatina, ferro, solução fortalecedora como o casco de cavalo (que contém substâncias endurecedoras), hidratantes com ureia e silicone e banhos de silicone (que formam uma película protegendo temporariamente a lâmina ungueal).

Quais as alterações das unhas que devem ser examinadas por um dermatologista pois podem estar presentes em doenças sistêmicas?

•Anemia: unhas quebradiças, secas, opacas, com vários sulcos transversais, formato côncavo da unha (coiloniquia), descolamento distal (onicólise).

•Doenças cardíacas: unhas curvadas para baixo, alargadas, coloração arroxeada e pontos arroxeados.

•Doenças renais: engrossamento das unhas, coloração amarelada ou cinzenta, linhas transversais esbranquiçadas, unha metade marrom, metade clara.

•Doenças hepáticas: na cirrose estão presentes as chamadas “Unhas de Terry”- de cor esbranquiçada na parte proximal e coloração normal na parte distal, unha pálida, amarelada, arredondamento e aumento da unha.

•Doenças gastrointestinais: unhas doloridas, frágeis e que se descolam da parte distal ou descamam. Presença de pontos hemorrágicos.

•Diabetes: unhas grossas, avermelhadas e com visualização de vasos na pele. É comum a presença de micoses, engrossamento e endurecimento das pontas dos dedos.

•Hipertireoidismo: afinamento e enfraquecimento das unhas, descolamento da parte distal e abaulamento.

•Hipotireoidismo: unhas opacas e grossas.

•Lúpus eritematoso: manchas brancas na unha, depressões puntiformes e descolamento da parte distal da unha. Hemorragia da cutícula.

•Reumatismo: unhas amareladas, com sulcos transversais, lúnula (mancha esbranquiçada e semilunar presente na base da unha) avermelhada e engrossamento sob a unha.

•Leucemia: unha quebradiça, hiperqueratose (engrossamento) ou perda total da unha.

•AIDS: é frequente o acometimento da unha por infecções causadas por fungos, cândida, vírus e herpes e também a presença do sarcoma de Kaposi (tumor vascular) na unha.

•Unheiro: é o edema da cutícula. Pode ser causado por cândida (em pessoas que mexem muito com água ou umidade) ou por bactéria (geralmente após um traumatismo, como tirar a cutícula).

•Micoses: a mais característica é a unha que vai ficando porosa, descolando e formando uma massa por baixo. É importante salientar que não é pega só em pedicure, como muitos pensam. Homens que nunca vão à pedicure são os mais acometidos. A causa é o fungo que existe no ar agravado pela predisposição familiar, diabetes, suor excessivo nos pés e uso contínuo de sapatos fechados. Microtraumatismos vão descolar a unha e facilitar a umidade debaixo dela, onde o fungo se acomodará. Existem atualmente antifúngicos orais muito eficientes. No caso de micose inicial, cortar bem a unha e usar antifúngicos locais.

•Unhas encravadas: são defeitos constitucionais, em que a unha se encurva muito e entra dentro da carne, incomodando muito o paciente. É agravada com a idade e o corte errôneo da unha. Deve-se preventivamente cortar a unha reta, evitar sapatos apertados e evitar tirar muito a cutícula nos cantos. Em casos mais intensos recorre-se à cirurgia, que tira a matriz da unha responsável pelo seu crescimento naquele canto.

•Deficiência de vitamina A: unha com aspecto de casca de ovo, esbranquiçada e quebradiça.

•Deficiência de vitamina B12: linhas longitudinais escurecidas, cor azul enegrecida.

•Deficiência de vitamina C: hemorragia subungueal, com a presença de pontos avermelhados no leito ungueal.

•Deficiência de zinco: coloração acinzentada, cutícula seca e engrossada, descamação intensa ao redor das unhas, linhas transversais bem acentuadas.

•Deficiência de nicotinamida – vitamina B3 (pelagra - doença dos alcoólatras): linhas transversais esbranquiçadas, ausência de brilho e descolamento da parte distal da unha.


Medicamentos que causam alterações no leito ungueal:

•Minociclina: cor azulada nas unhas.

•Tetraciclina: cor marrom e descolamento distal.

•Anticonvulsivantes: diminuição do tamanho das unhas.

•Antidepressivos: unhas com manchas brancas.

•Retinoides: afinamento das unhas, pontos brancos.


Como fortalecer as unhas fracas?

A saúde das unhas está muito ligada à alimentação da pessoa: uma dieta rica em proteínas, nutrientes e oligoelementos é muito importante para mantê-las saudáveis.

•Uma pessoa que lava louças sem luvas pode enfraquecer ou manchar suas unhas. Seria interessante uma mudança desse hábito durante um mês para observar se as unhas melhoram. Caso isso não aconteça, o ideal é procurar um dermatologista para saber se existe relação com alguma doença.

•Usar esmalte que não tenha ingredientes corrosivos ou que não cause alergia. Produtos como o tolueno e o formaldeído são compostos químicos que estão na composição do esmalte e que podem causar alergia em algumas pessoas. O esmalte protege a unha, funcionando como uma camada protetora, mas precisa ser de boa qualidade.

•Podemos cortar e lixar as unhas sem problema algum. Entretanto, não devemos retirar as cutículas, pois elas servem de proteção contra doenças.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Unhas quebradiças


As unhas são constituídas por uma placa retangular queratinizada, apoiada sobre o leito ungueal, a qual é formada por três camadas e tem a função de proteger as extremidades dos dedos. Sua matriz geradora, situada em sua raiz, é a estrutura reprodutiva que dá origem à lâmina ungueal e é constituída por um epitélio que a fixa ao seu leito.

O crescimento das unhas se dá pela adição de novas células queratinizadas, oriundas dessa matriz. Essa matriz aparece como uma formação de coloração branca, semi-oval, na base da unha, chamada lúnula. A parte dorsal da matriz forma a cutícula, cuja importância é impedir o acesso de fragmentos e microrganismos à área próxima à matriz.

As afecções ungueais que envolvem e destroem a matriz levam a sequelas permanentes, sob a forma de defeitos das unhas.

Para entender como as unhas se tornam quebradiças, é necessário aprender um pouco mais sobre o processo de crescimento natural delas. As unhas das mãos e dos pés crescem a partir do fino semicírculo branco na sua base, conhecido como lúnula, a taxas de três milímetros por mês, as unhas das mãos, e de 1 a 1,5 mm por mês as dos pés.

O grupo de células contido na lúnula produz um composto chamado queratina, que forma as unhas que protegem os leitos ungueais. Quando o corpo está saudável, as unhas crescem com força e de forma uniforme. No entanto, se essa base é frágil, fendida ou se há mudanças na cor, isso pode indicar um desequilíbrio ou doença que está alterando a produção de queratina e, consequentemente, das unhas.

Unhas quebradiças são unhas que quebram espontaneamente ou com muita facilidade, ante pequenos traumas, e parecem rachadas, lascadas ou descamadas nas pontas, tendo dificuldades para crescer. O problema é mais comum em mulheres, embora possa acontecer também em homens. Basicamente, as unhas podem ser frágeis e quebradiças por se tornarem muito secas ou em virtude de estarem constantemente submetidas a muita umidade.

As unhas se tornam quebradiças quase sempre por um ressecamento extremo ou por um excesso de umidade. Algumas doenças internas ou condições ambientais desfavoráveis que podem causar esse problema são hipotireoidismo, fenômeno de Raynaud, doenças da pele como, por exemplo, psoríase, dermatite atópica e eczemas, doenças endócrinas e desnutrição.

Além disso, algumas pessoas tem uma predisposição genética a este tipo de problema e o envelhecimento torna as unhas mais frágeis e secas. Também o ar seco do verão ou o uso intensivo de ar condicionado podem causar ressecamento da unha.

Alguns outros fatores podem aumentar a chance de uma pessoa apresentar unhas frágeis: lavagem frequente das mãos, exposição prolongada ao frio seco, queimadura solar, exposição excessiva a produtos químicos e lesão repetida das pontas dos dedos.

O diagnóstico de unhas quebradiças já é trazido pelo próprio paciente. Ao médico cabe diagnosticar as possíveis condições causais subjacentes. A deficiência de ferro costuma ser uma causa frequente.

Várias vitaminas e sais minerais já foram avaliados para o tratamento de unhas quebradiças, mas nenhum deles se mostrou muito eficaz. Quando há uma causa subjacente identificada, o tratamento, obviamente, deve ser focalizado nela.

Como evitar ou diminuir o problema das unhas quebradiças?

•Limitar o tempo de exposição das unhas à água e à quantidade de sabão utilizado para lavar as mãos.

•Hidratantes podem ser de grande auxílio. Após as mãos estarem bem secas, deve-se aplicar um hidratante na pele e nas unhas. Podem ser hidratantes cosméticos, para pessoas com unhas levemente frágeis ou cujo problema se manifeste de forma intermitente, ou um hidratante terapêutico, que age como uma barreira, impedindo a evaporação da água das unhas. Os hidratantes devem ser passados principalmente quando as unhas estão sem esmaltes.

•Usar luvas protetoras ao lavar louças com detergentes.

•Evitar exposição prolongada das unhas à água (como o nadar, por exemplo).

•Evitar exposição a produtos químicos que irritem as unhas.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Vias de administração de medicamentos


Via de administração é a maneira como o medicamento é introduzido no organismo. É, por assim dizer, sua porta de entrada. Os medicamentos podem entrar no nosso corpo, entre outras vias, por [1] via oral (boca), [2] via sublingual (embaixo da língua), [3] via retal (ânus), [4] via intradérmica, [5] via subcutânea, [6] via intramuscular, [7] via endovenosa, [8] via cutânea e [9] via inalatória.

01-Via oral (VO)

A administração de medicamentos por via oral consiste em que eles sejam levados à boca e, então, deglutidos juntamente com água. É importante tomar algum líquido após a medicação para “lavar” o trato digestivo, porque algumas medicações podem ficar retidas por algum tempo antes de chegar ao estômago, causando danos à mucosa.

Nos casos em que os pacientes estão usando sonda nasogástrica ou nasoenteral, as medicações a serem tomadas por via oral devem ser administradas através dessas sondas que, posteriormente, devem ser lavadas para evitar obstrução.

Os medicamentos são elaborados sob a forma de comprimidos, drágeas, cápsulas, líquidos ou comprimidos efervescentes a serem diluídos em líquidos. Para pacientes que tenham dificuldades de engolir os comprimidos inteiros, alguns deles podem ser macerados e misturados a um líquido ou alimento, mas outros não devem sê-lo. O médico deve ser consultado quanto à possibilidade de fazer isso ou não.

Os princípios ativos das medicações passam à corrente sanguínea após serem absorvidos no estômago e intestino. Um cuidado que deve ser observado após a administração do medicamento por via oral é verificar se o paciente realmente deglutiu a medicação, já que os pacientes que se recusam a tomá-la ou que estejam semi-inconscientes costumam retê-la na boca ou mesmo atirá-la para fora.

02-Via sublingual (SL)

Os medicamentos a serem administrados por via sublingual também devem ser levados à boca, mas em vez de deglutidos eles devem ser colocados sob a língua, um local de grande vascularização superficial e de muito potencial de absorção. Com isso, o começo da ação deles é bastante rápido. Os medicamentos são preparados sob a forma de líquidos ou comprimidos que se dissolvem facilmente.

Por alguns minutos, o paciente não deve conversar nem ingerir qualquer alimento. Essa via é utilizada para aplicar medicações em algumas situações de urgência, como, por exemplo, medicações para dores precordiais, para hipertensão arterial e analgésicos. Ela não deve ser utilizada em pessoas apresentando náuseas, vômitos, dificuldade de deglutição ou que estejam em jejum para cirurgia.

Saiba mais sobre "Atendimento de urgência", "Dor no peito" e "Hipertensão arterial".

03-Via retal

Os medicamentos são introduzidos no reto, através do ânus, que por ser também um local de muita vascularização, tem alto grau de absorção. Por isso, as medicações administradas por via retal agem em curto espaço de tempo.

Muitos medicamentos que são preferencialmente administrados por via oral podem também ser administrados por via retal, em forma de supositório. Eles devem ser receitados quando a pessoa não pode tomar o medicamento por via oral por estar com náuseas e vômitos ou impossibilitada de engolir. Pela via retal são aplicados também os enemas.

04-Via intradérmica (ID)

Após aspirar a medicação do frasco, ela deve ser diluída e rediluída, conforme padronização, e administrada por injeção na derme. Essa via é muito restrita, usada para pequenos volumes de medicações (de 0,1 a 0,5 ml), nos quais são testadas reações de hipersensibilidade, como à tuberculose e algumas alergias. É também utilizada para aplicação da vacina contra tuberculose (BCG). O local de aplicação mais utilizado é a face interna do antebraço.

Leia sobre "Tuberculose pulmonar", "Testes alérgicos" e "BCG".

05-Via subcutânea (SC)

Na via subcutânea (ou hipodérmica), os medicamentos são administrados por meio de injeções no tecido subcutâneo. Esta via é de absorção lenta, através dos capilares, mas de forma contínua e segura. É utilizada para administração de algumas vacinas (anti-rábica e anti-sarampo), anticoagulantes (heparina) e hipoglicemiantes (insulina), e o volume líquido não deve exceder 1,0 ml. Deve ser aplicada nas regiões superiores externas dos braços, no abdome, na região anterior das coxas e na região superior do dorso.

A via subcutânea não deve ser utilizada se o paciente tem doença vascular oclusiva e má perfusão tecidual, porque se a circulação periférica estiver prejudicada, a absorção da medicação ficará retardada. Se essa via tiver de ser usada com frequência, os locais de administração devem ser alternados para evitar uma reação local desfavorável.

06-Via intramuscular (IM)

Na administração intramuscular, a medicação é injetada diretamente no músculo, de onde a absorção para a corrente sanguínea se dá a longo prazo. Os medicamentos podem estar sob a forma de suspensões ou soluções oleosas; aqueles em soluções aquosas podem ser rapidamente absorvidos após uma injeção intramuscular.

O profissional deve realizar uma avaliação da massa muscular da área de aplicação para determinar a quantidade a ser administrada em cada músculo. Na maioria dos casos, a medicação vem em quantidades já pré-determinadas, em ampolas, mas em outros casos ela é acondicionada em frascos com mais de uma dose, que deve ser medida na seringa. Em alguns casos as substâncias vêm acondicionadas em 2 frascos diferentes e devem ser misturadas antes de serem administradas.

Os músculos de escolha para administração são o vasto lateral da coxa, glúteo e deltoide. Os dois primeiros podem receber até 5 ml de líquido, cada um, e o último, até 3 ml.

07-Via endovenosa (EV)

Por via endovenosa os medicamentos são injetados diretamente na corrente sanguínea através de uma veia, eliminando a etapa de absorção. Por isso, a ação da medicação é imediata e essa é a via de primeira opção para ministrar medicamentos durante uma situação de emergência.

A administração endovenosa pode variar desde uma dose única, como de um analgésico, por exemplo, ou doses repetidas regularmente até uma infusão contínua gradual, de longa duração, como numa rehidratação, por exemplo.

Como a absorção pela corrente sanguínea é completa e imediata, grandes doses de substâncias podem ser fornecidas, se necessário. As veias escolhidas para administração são aquelas de mais fácil acesso: veias do dorso da mão, veias dos membros superiores e veias da região cefálica.

08- Via cutânea

A pele tem uma certa capacidade absortiva e, por essa razão, alguns medicamentos podem ser administrados por meio de adesivos afixados a ela, sobretudo aqueles que devem ser administrados de forma contínua e por longos períodos. Os adesivos devem ser afixados em regiões de pele fina, previamente higienizadas e devem ser trocados periódicamente, conforme orientação médica.

09- Via inalatória

Neste método, o medicamento é levado ao trato respiratório através de nebulizadores e daí chegam aos alvéolos pulmonares, de onde atingem a corrente sanguínea. Os medicamentos fornecidos através da via respiratória podem produzir efeitos locais ou sistêmicos, à distância. Os capilares existentes nos alvéolos pulmonares são uma excelente via de absorção e a ação das medicações é bastante rápida.



Muitas medicações são administradas diretamente nos próprios locais onde devem fazer efeito, ditas, portanto, medicações tópicas. As mais comuns e importantes são, entre outras, medicações que devem ser aplicadas na pele, nos olhos, no nariz, na vagina, no interior das articulações. Em geral elas são preparadas sob a forma de pomadas, cremes, colírios, aerossois ou soluções.

Em casos excepcionais, podem ainda haver outras formas de administração de medicações. É o caso, por exemplo, da medicação administrada localmente através de uma sonda, que procura resolver o sangramento de uma úlcera gástrica ou duodenal.