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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Hipertireoidismo


A tireoide é uma glândula endócrina localizada no pescoço, logo abaixo da laringe e externamente a ela. Produz dois hormônios: a tri-iodotironina (também chamada T3) e a tiroxina (também chamada T4). Esses dois hormônios são carreados pelo sangue para todas as partes do corpo e regulam o metabolismo e outras funções orgânicas.

Por sua vez, a função da tireoide é controlada pela hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro, que produz o hormônio estimulante da tireoide (TSH), o qual induz a tireoide a produzir seus dois hormônios.

No hipertireoidismo a glândula tireoide é hiperativa e produz hormônios tireoidianos em excesso, alterando várias funções do organismo. Se não for convenientemente tratado, ele pode levar a outros problemas de saúde.

A principal causa de hipertireoidismo é a doença de Graves. Ela ocorre quando o sistema imunológico ataca a tireoide, provocando seu aumento e estimulando-a a produzir hormônios em excesso. Menos comumente o hipertireoidismo pode se dever a tumores, tireoidite subaguda, tireoidite linfocítária e tireoidite pós-parto.

O hipertireoidismo é mais comum em mulheres entre as idades de 20 a 40 anos, mas os homens também podem apresentar essa condição. Pessoas com hipertireoidismo leve e idosos podem não ter qualquer sintoma. Os sinais e sintomas mais comuns de hipertireoidismo são: sensação de calor, aumento da transpiração, fraqueza muscular, mãos trêmulas, batimentos cardíacos acelerados, cansaço/fadiga, perda de peso, diarreia ou evacuações frequentes, irritabilidade, ansiedade, problemas dos olhos, irregularidade menstrual e infertilidade.

O diagnóstico depende da história clínica, de um exame físico detalhado e de exames de sangue para medir os níveis hormonais sanguíneos. No hipertireoidismo, os níveis de T4 e T3 estão mais elevados que o normal e o nível de TSH está menor que a referência.

Para determinar o tipo de hipertireoidismo, o médico pode solicitar um exame de captação de iodo radioativo para medir o quanto de iodo a tireoide está captando do sangue. Um exame de imagem ajuda a determinar a forma e o tamanho da glândula e se existem ou não nódulos.

O tratamento do hipertireoidismo depende da causa, da idade do paciente, de sua condição física e de quão sério é o problema. Os tratamentos disponíveis incluem medicamentos anti-tireoidianos, iodo radioativo, cirurgia e betabloqueadores. Todas estas terapias têm algum risco e, portanto, devem obedecer a um estrito controle médico.

O hipertireoidismo não tratado pode levar a outros problemas de saúde, alguns dos quais envolvem o coração (batimentos cardíacos acelerados e irregulares, insuficiência cardíaca congestiva) e os ossos (osteoporose).

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Hipotireoidismo subclínico


O hipotireoidismo subclínico refere-se a um estado em que os pacientes não exibem sintomas de hipotireoidismo. Estes pacientes também tem níveis normais de hormônios tireóideos circulando no organismo.

A única anormalidade é um aumento de TSH no sangue. Isto mostra que a glândula hipófise está trabalhando muito para manter a produção de hormônios tireoidianos e que a tireoide requer estímulo extra da hipófise para manter a produção normal de hormônios.

A maioria dos pacientes podem esperar um progresso futuro para o hipotireoidismo, especialmente se os níveis de TSH já aumentaram além de um certo limite.

Existem alguns casos de hipotireoidismo subclínico em que são observados sintomas como fraqueza muscular e sensação de formigamento nas extremidades.

Embora haja algumas controvérsias, a maioria dos endocrinologistas concorda que estes pacientes devem ser tratados, especialmente se eles têm níveis aumentados de colesterol, uma vez que os níveis de colesterol vão mostrar melhorias com o tratamento com hormônios tireoidianos.

Se estes pacientes não se sentem mal e têm níveis de colesterol normais, eles podem ser acompanhados clinicamente, sem tratamento. Com dosagens periódicas de TSH de 4 a 6 meses de intervalo para ver se há alterações mais significativas de hipotireoidismo.

Pacientes e médicos devem conversar sobre os possíveis tratamentos, o acompanhamento a ser feito e quais são as preferências dos portadores desta condição.

O tratamento previne a evolução para o hipotireoidismo propriamente dito e as futuras elevações do TSH, pode prevenir o desenvolvimento de bócio e ajudar a eliminar sintomas e riscos do não tratamento.

Se você acha que está apresentando sinais ou sintomas de hipotireoidismo, procure ajuda médica. Vocês podem decidir juntos o que fazer.

Alguns pacientes, particularmente aqueles com TSH acima de 10mU/l podem se beneficiar do tratamento com levotiroxina da mesma maneira que aqueles com hipotireoidismo primário. Esta recomendação faz parte do atual protocolo da Association of Clinical Biochemists, British Thyroid Association e British Thyroid Foundation.

Os riscos de não tratar o hipotireoidismo subclínico são:

•Aumento do risco de infarto do miocárdio e aterosclerose.

•Aumento dos níveis de colesterol e triglicérides.

•Aumento do risco de depressão, ansiedade e ataques de pânico.

•Aumento do risco de abortamento.

•Risco aumentado de atraso de desenvolvimento de bebês nascidos de mães com hipotireoidismo subclínico durante a gestação.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cintilografia de tireoide


A cintilografia da tireoide é um exame destinado a avaliar o funcionamento ou lesões da glândula tireoide. Consiste em tomar uma substância radioativa que tem afinidade pela tireoide e cuja captação, por um equipamento denominado gama câmara, gera imagens que permitem a avaliação desejada.

O exame pode ser chamado de cintilografia da tireoide com iodo, pois o Iodo 123 ou 131 faz parte da substância tomada pelo paciente. A cintilografia com captação também pode ajudar a avaliar a quantidade de iodo que a tireoide captou após a injeção da mistura radioativa, dando assim uma ideia do seu funcionamento, no sentido de hipo ou hipertireoidismo.

A glândula tireoide é formada por um grande número de folículos, por essa razão ela possui células tireoidianas foliculares, que produzem os hormônios tireoidianos (T3 e T4) a partir de aminoácidos e iodo, presentes no sangue. Ou seja, as células da tireoide captam substâncias no sangue para produzirem seus hormônios. E é com base nisso que se realiza o exame de cintilografia.

A cintilografia da tireoide trabalha com radiofármacos que possuem afinidades por essa glândula. Pois bem, a glândula possui afinidade principalmente com o iodo, sendo assim, a cintilografia da tireoide é realizada principalmente com o elemento Iodo. O primeiro utilizado foi o Iodo 131. Ele, porém, emite uma dose alta de radiação e tem meia-vida longa, de oito dias. Outra alternativa é o Iodo 123, que emite doses menores de radiação e sua meia-vida é de somente 13 horas. No entanto, as imagens geradas pelo Iodo 123 são de pior qualidade. Seu custo também é mais elevado.

Também o Tecnécio 99m é captado pela tireoide e pode ser usado para produzir imagens de boa qualidade e, ademais, emite baixas doses de radiação. Por isso, hoje em dia, a maioria dos exames é realizada com o Tecnécio 99m.

O preparo para o exame consiste em evitar alimentos, medicamentos, produtos químicos e exames médicos que contenham ou utilizem iodo, segundo orientação médica. A cintilografia da tireoide pode ser feita em apenas um dia ou em dois dias. Quando é feito em apenas um dia, utiliza-se o tecnécio radioativo injetado pela veia e as imagens podem ser colhidas 20 minutos depois. No total, o exame costuma durar de 1 a 2 horas.

Quando o exame é feito em dois dias, no primeiro dia o paciente ingere a mistura com iodo 123 ou 131 ou a mistura é injetada na veia. Em seguida, são obtidas imagens da tireoide após 2 horas e após 24 horas do início do procedimento. Durante esse intervalo o paciente pode voltar às suas atividades diárias normais.

Os riscos do exame são mínimos e relacionados apenas à probabilidade de reação adversa ou alérgica aos medicamentos utilizados, não se observando nenhuma reação grave que necessite de hospitalização ou cause sequela para a saúde.

Mulheres grávidas não devem fazer cintilografia da tireoide porque a radiação envolvida é danosa para o feto. As que estejam amamentando devem suspender a amamentação por dois dias, pelo menos, após o exame.

O exame de cintilografia da tireoide serve como avaliação funcional da glândula tireoide, localização de tecido tireoidiano ectópico, avaliação de massas cervicais ou retroesternais e planejamento terapêutico com o Iodo 131, quando for o caso.

Serve também como procedimento auxiliar no diagnóstico de (1) tireoide ectópica (glândula localizada fora do seu local normal), (2) tireoide mergulhante (glândula aumentada, invadindo o tórax), (3) nódulos da tireoide, (4) hipertireoidismo, (5) hipotireoidismo, (6) tireoidite subaguda, (7) câncer da tireoide, etc.

Juntamente com esse exame o médico também pode avaliar os hormônios da tireoide, por meio de exames de sangue e pedir uma biópsia da glândula.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

"Climatério" masculino? Distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM)


É bastante conhecido o processo de menopausa na mulher, que ocorre por uma diminuição dos hormônios femininos. No entanto, pouco se fala sobre o fenômeno correspondente no homem, ou seja, a diminuição dos hormônios masculinos no processo de envelhecimento, popularmente conhecida como "andropausa".

Ao contrário do que se passa na mulher, o distúrbio androgênico do envelhecimento masculino não é um processo súbito nem universal. Apenas pouco mais de um terço dos homens acima dos 60 anos passa por esta condição.

O distúrbio androgênico do envelhecimento masculino ocorre devido à diminuição da produção dos hormônios masculinos pelos testículos, notadamente a testosterona. Parte desse processo dá-se por modificações ocorridas no sistema endócrino, que ocorre de forma gradual e sutil. Há uma diminuição nos números das células Leydig (células intersticiais que produzem a testosterona) e na sua capacidade secretora, além de uma queda nos níveis de testosterona sérica total e livre.

O mecanismo fisiológico desta progressiva deficiência dos hormônios produzidos pelos testículos é complexo e ainda não está totalmente compreendido. Na verdade, a andropausa no homem não pode ser comparada à menopausa na mulher. As mudanças que o homem experimenta são mais sutis do que as mudanças na mulher durante a menopausa. Ademais, a função reprodutiva normal no homem depende também da secreção intermitente do hormônio luteínico e do hormônio folículo estimulante, liberado pela hipófise.

Apesar da testosterona ser o inibidor primário da secreção do hormônio luteínico no homem e sua ação ser primariamente androgênica, ela possui outras funções que incluem a iniciação e manutenção da espermatogênese, a formação dos caracteres sexuais masculinos, a promoção da maturação sexual na puberdade e o controle da potência sexual. Também apresenta um efeito anabolizante, levando a um aumento da massa muscular. A grande maioria da testosterona está ligada à globulina e à albumina e somente 1 a 2% dela permanece livre e é biologicamente ativa. O declínio progressivo nos níveis de testosterona com a idade deve-se a uma diminuição da sua produção.

Existem múltiplas causas fisiológicas para a diminuição da produção de testosterona com o envelhecimento: algum grau de falência testicular, envelhecimento testicular, uma diminuição das células de Leydig, disfunção na perfusão testicular e um aumento moderado nos níveis do hormônio luteínico. Existe uma grande variação individual nos níveis de testosterona entre idosos sadios e, dessa forma, nem todos os idosos apresentam hipogonadismo.

A deficiência de testosterona pode causar alterações de humor, cansaço, sensação de perda de energia, perda de massa óssea e massa muscular, diminuição da libido e disfunção erétil, além de doenças metabólicas e cardiovasculares, tais como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão arterial e colesterol alto. Além disso, há provas consistentes de que a deficiência de testosterona tem influência significativa na piora dos níveis de glicose e lipídeos no sangue. Os principais sintomas psicológicos são depressão, irritabilidade e dificuldade de concentração. Também está ligada à diminuição da massa óssea e muscular. A queda dos níveis desse hormônio no organismo masculino associada ao avanço da idade está ligada também a problemas que afetam a qualidade de vida, como a disfunção erétil e a falta de libido.

O diagnóstico do distúrbio androgênico do envelhecimento masculino deve basear-se nos sintomas, nas eventuais alterações em determinados exames e na dosagem da testosterona no sangue.

A terapia de reposição hormonal pode reduzir os sinais do distúrbio androgênico do envelhecimento masculino. No entanto, ela só deve ser feita sob orientação médica, quando o homem apresenta sintomas e níveis baixos de testosterona no sangue. Existem algumas contraindicações como, por exemplo, policitemia (distúrbio que resulta da multiplicação anormal de certas células sanguíneas), câncer de mama no homem, câncer de próstata não tratado, sintomas urinários graves e apneia do sono grave. Quando o paciente faz uso de reposição hormonal, deve ser regularmente monitorado quanto a eventuais efeitos adversos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Punção da tireóide: quando é necessário?


A biópsia da tireoide consiste na análise histopatológica de tecido orgânico retirado de nódulos tireoidianos, para decidir se eles são malignos ou não. A maneira mais simples de fazer isso é a aspiração de células com agulha fina a partir do nódulo tireoidiano em causa, conhecida por punção aspirativa por agulha fina ou PAAF. As células aspiradas são posteriormente enviadas para análise em um laboratório de patologia.

Há outras modalidades e indicações de biópsia da tireoide, mas elas são bem mais raras.

O preparo necessário para a biópsia da tireoide consiste, praticamente, em suspender medicação anticoagulante, se for o caso. A biópsia tanto pode ser realizada em consultório como em hospital.

Primeiramente, deve identificar e demarcar os nódulos e o local mais adequado para realizar a punção. A agulha, guiada por ultrassonografia, é inserida diretamente em duas ou três partes diferentes no nódulo, para obter amostras de diversas áreas dele e aspirar algumas gotas de líquido contendo células, bem como células de áreas sólidas do nódulo.

As aspirações por agulha fina podem não ser conclusivas, tornando necessária uma biópsia cirúrgica para obter uma amostra maior de tecido. Geralmente é feita uma lobectomia (remoção de um lobo da tireoide). Essas biópsias cirúrgicas têm de ser feitas num hospital, com o paciente sob anestesia geral.

Quando há mais de um nódulo, todos eles devem ser biopsiados. Em outras alterações menos comuns, uma biópsia aberta é feita para obtenção de amostras de tecido tumoral e exame imunohistoquímico do tecido retirado.

A biópsia da tireoide está indicada para o diagnóstico citológico dos nódulos tireoidianos, independentemente do tamanho e características deles. Cerca de 70% dos nódulos da tireoide são benignos e o câncer só é claramente diagnosticado em apenas cerca de 5% das aspirações por agulha fina.

Acidentes ou complicações de punções tireoidianas, além de dor no local da punção, são muito raros.

sábado, 12 de novembro de 2016

Teste de tolerância à glicose


No teste de tolerância à glicose uma dose pré-estabelecida de glicose é administrada usualmente por via oral e várias amostras de sangue são colhidas a intervalos pré-determinados para verificar a rapidez com que ela é eliminada do sangue. O teste de tolerância à glicose foi descrito pela primeira vez, em 1923, por Jerome W. Conn, baseado na premissa de que um paciente normal alimentado com glicose retornaria rapidamente aos níveis normais de glicose no sangue após um pico inicial, aos 60 minutos.

Mais recentemente, o teste de tolerância à glicose vem sendo substituído pela hemoglobina glicosilada, que tem mostrado uma relação mais consistente com as complicações do diabetes.

O teste de tolerância à glicose é recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes para o diagnóstico de diabetes mellitus e da pré-diabetes. O teste também é usado para testar resistência à insulina, função da célula beta do pâncreas que é produtora de insulina e, às vezes, hipoglicemia reativa e acromegalia ou outros distúrbios mais raros do metabolismo de carboidratos. O teste de tolerância à glicose está também indicado entre a 24ª e 28ª semanas de gestação em todas as gestantes sem diagnóstico anterior de diabetes ou de diabetes gestacional.

Mais comumente, o teste de tolerância à glicose consiste em administrar uma dose padrão de glicose, ingerida pela boca, e verificar os níveis sanguíneos duas horas mais tarde. Outras variações do teste foram concebidas ao longo dos anos para várias finalidades, com diferentes doses padrão de glicose, diferentes vias de administração, diferentes intervalos e outras substâncias medidas além da glicemia.

Em preparação, não é necessário restringir a ingestão de carboidratos nos dias que antecedem o teste, mas ele não deve ser feito na vigência de uma doença, porque ela pode interferir nos resultados. O paciente deve manter a atividade física habitual nos dias que precedem o exame, observar jejum de 8 horas no dia anterior ao exame (sendo permitida a ingestão de água), não fumar ou caminhar durante o período do exame.

A dose de glicose recomendada para adultos é de 75 gramas, as quais devem ser consumidas num período de 5 minutos, devendo ser ajustada para crianças. A dose total comumente usada para adultos não deve ser administrada a uma pessoa com peso inferior a 42,6 kg.

O teste de tolerância à glicose deve ser realizado pela manhã, uma vez que a tolerância à glicose pode apresentar uma diminuição significativa na parte da tarde. Em seguida, é retirada uma amostra de sangue antes da ingestão da glicose (tempo zero). Logo após, dá-se ao paciente para beber uma dose padrão de solução de glucose. O sangue, então, é extraído em intervalos variáveis de acordo com a finalidade do teste, para a medição da glicemia (açúcar no sangue) e, por vezes, dos níveis de insulina. Conforme a finalidade do teste, o laboratório pode continuar coletando sangue de hora em hora, por até seis horas.

Uma variante é frequentemente utilizada na gravidez para detectar diabetes gestacional.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Câncer de tireoide


A tireoide é uma glândula que produz hormônios que regulam a frequência cardíaca, a pressão arterial, a temperatura corporal e o peso.

Ela possui formato de borboleta e fica localizada na base do pescoço, logo abaixo do pomo de Adão. O câncer de tireoide é a proliferação maligna de células desta glândula e que pode alterar suas funções. Embora o câncer de tireoide não seja muito comum, as taxas parecem estar em aumento.

Não se sabe com clareza o que causa o câncer de tireoide.

Ele ocorre quando as células da tireoide sofrem mutações, permitindo que as células cresçam e se multipliquem rapidamente e percam a capacidade de morrer, como as células normais. Estas células cancerosas se acumulam e formam um tumor que pode invadir ou comprimir tecidos ou órgãos próximos e se espalhar por todo o corpo.

O câncer de tireoide ocorre mais frequentemente em mulheres do que em homens e nas pessoas que se expõem a níveis elevados de radiação. Síndromes genéticas que incluem neoplasia endócrina múltipla e polipose adenomatosa familiar também aumentam o risco de câncer de tireoide.

As formas mais conhecidas de câncer de tireoide são:

(1) carcinoma papilífero.

(2) carcinoma folicular surge a partir de células foliculares, que produzem o hormônio tireoidiano.

(3) câncer de células Hurthle é um tipo raro e potencialmente mais agressivo de câncer da tireoide folicular.

(4) câncer medular da tireoide começa nas células da tireoide, chamadas células C, as quais produzem o hormônio calcitonina.

(5) câncer anaplásico da tireoide normalmente ocorre em adultos acima de 60 anos.

(6) linfoma da tireoide é uma forma rara de câncer que começa nas células do sistema imunológico da glândula e cresce muito rapidamente.

Inicialmente, o câncer da tireoide não causa quaisquer sinais ou sintomas, mas como ele cresce, pode vir a causar um nódulo que pode ser sentido através da pele, assim como pode causar também mudanças de voz, rouquidão, dificuldade de deglutição, dor no pescoço e na garganta e inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço.

O câncer papilar de tireoide pode ocorrer em qualquer idade, mas na maioria das vezes isso afeta pessoas com idades entre 30 e 50 anos. O carcinoma folicular surge em pessoas com idade maior do que 50 anos. O linfoma da tireoide normalmente ocorre em adultos mais velhos. Algumas pessoas com câncer medular da tireoide podem ter alterações genéticas que podem ser associadas a outros tumores endócrinos.

O diagnóstico do câncer de tireoide deve partir do exame físico, em que o médico examinará a glândula, e seguir-se com exames de sangue para ajudar a determinar se a tireoide está funcionando normalmente.

A ultrassonografia é normalmente usada para detectar a precisa localização e extensão do nódulo canceroso. Outros exames de imagens, com o mesmo objetivo, incluem tomografia computadorizada e a tomografia por emissão de pósitrons (PET). A história familiar do paciente pode tornar necessários que sejam feitos testes genéticos para procurar genes que aumentam o risco de câncer. O diagnóstico deve ser complementado por uma biópsia.

O tratamento do câncer de tireoide depende do tipo e estágio da doença, da saúde geral do paciente e das preferências dele e do médico. A maioria das pessoas com câncer de tireoide se submetem à cirurgia para remover a maior parte ou a totalidade da glândula, bem como os gânglios linfáticos no pescoço, a fim de examiná-los com vistas à presença ou não de células malignas. Em certas situações em que o câncer de tireoide é muito pequeno, pode ser feita a remoção de apenas um lobo da tireoide. Depois da retirada da tireoide, o paciente deve tomar a levotiroxina pelo resto da vida.

O tratamento com iodo radioativo usa grandes doses desse produto para combater o câncer e é frequentemente utilizado após a tireoidectomia para destruir qualquer tecido remanescente. Esse tratamento pode também ser utilizado para tratar o câncer da tireoide que se repete.

A radioterapia também pode ser feita externamente. Além disso, deve ser feito quimioterapia, em que produtos químicos viajam por todo o corpo, matando as células que tenham escapado do tumor. A quimioterapia não é comumente usada no tratamento de câncer de tireoide, mas pode beneficiar algumas pessoas que não respondem a outras terapias.

Ainda pode ser usada a injeção de álcool em pequenos nódulos, guiada por ultrassonografia e terapia com medicamentos que atacam vulnerabilidades específicas das células cancerosas.

A maioria dos casos de câncer de tireoide pode ser curada, quando adequadamente tratado.

Não há nenhuma maneira de prevenir o câncer de tireoide. Adultos e crianças com mutação genética hereditária têm o risco de câncer muito aumentado e por isso são muitas vezes aconselhados a retirar a tireoide para prevenir o câncer. Sempre que possível, deve-se evitar a exposição a radiações.

O câncer de tireoide pode recidivar, mesmo que a tireoide tenha sido removida. Isso pode acontecer por causa das células cancerosas que já tinham se espalhado antes da tireoide ser removida. Essas recorrências, na maioria das vezes, ocorrem nos primeiros cinco anos após a cirurgia, mas pode ocorrer décadas depois.

O câncer de tireoide pode ainda reaparecer em gânglios linfáticos do pescoço, restos de tecido tireoidiano deixados durante a cirurgia ou em outras áreas do corpo. Exames de sangue e exames de tireoide periódicos devem ser feitos para verificar sinais de uma possível recorrência do câncer de tireoide. O câncer de tireoide que se repete pode ser novamente tratado.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Nódulos tireoidianos: recordação


Nódulos da tireoide resultam em crescimentos anormais de células da tireoide, que formam protuberâncias dentro da glândula, normalmente visíveis sob a pele do pescoço.

Não se sabe exatamente o que provoca nódulos na tireoide, embora eles sejam extremamente comuns. Metade das pessoas de mais de 60 anos têm um nódulo de tireoide, mais de 90% dos quais são benignos.

A tireoidite de Hashimoto (inflamação crônica da tireoide), a causa mais comum de hipotiroidismo, pode estar associada a um risco aumentado de nódulos da tireoide. A deficiência de iodo, atualmente muito rara, também pode causar nódulos nesta glândula.

O câncer da tireoide é uma causa mais rara de nódulos tireoidianos. Em geral, ele acontece abaixo dos 30 ou acima dos 60 anos, em uma pessoa que tenha história prévia de exposição à radiação na cabeça ou pescoço.

Quase nunca os nódulos da tireoide causam sintomas, nem produzem hormônios. Muitas vezes, eles são descobertos acidentalmente em exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ultrassonografia do pescoço feito por outras razões ou, ocasionalmente, os próprios pacientes percebem um caroço em seu pescoço. Os resultados anormais da função da tireoide podem ocasionalmente levar à suspeita e descoberta de nódulos na tireoide.

Os nódulos da tireoide podem produzir quantidades excessivas de hormônio da tireoide (tiroxina) e causar um hipertireoidismo. No entanto, a maioria dos nódulos da tireoide são não funcionantes e os exames dos hormônios tireoidianos são normais ou até baixos. Normalmente, os sintomas só aparecem se um nódulo for grande o bastante para comprimir órgãos vizinhos. É muito raro que os pacientes com nódulos da tireoide se queixem de dor no pescoço, mandíbula ou ouvido.

Se forem muito grandes, os nódulos podem comprimir a traqueia e/ou esôfago, causando falta de ar ou dificuldade em engolir. Em alguns casos, os nódulos da tireoide que produzem tiroxina podem causar sintomas de hipertiroidismo: perda de peso, intolerância ao calor, tremor, nervosismo, batimentos cardíacos rápidos ou irregulares, etc.

Muitas vezes a pessoa nem percebe que tem um nódulo na sua tireoide até que ele seja detectado num exame de rotina ou que se torne grande o suficiente para ser visível ou causar dificuldades de engolir ou respirar. Uma vez descoberto o nódulo, o médico deverá determinar se a tireoide continua saudável ou se foi afetada por hiper ou hipotireoidismo.

Os exames laboratoriais iniciais incluem a medição no sangue da tiroxina ou T4 (hormônio da tireoide) e do TSH (hormônio estimulante da tireoide). Mesmo que esses hormônios estejam em níveis normais, ainda não é possível determinar se o nódulo é benigno ou maligno. Essa avaliação demanda outros exames especializados, como ultrassonografia da tireoide e biópsia por agulha.

A ultrassonografia permite obter imagens da tireoide e determinar o tamanho de um nódulo e se ele é sólido ou preenchido por líquido (cisto). Ela pode, também, ajudar a detectar nódulos ainda demasiado pequenos e para identificar nódulos suspeitos de malignidade, uma vez que algumas características deles são mais frequentes nos nódulos cancerosos que em nódulos não cancerosos. A ultrassonografia é usada, ainda, para orientar a agulha de punção em direção a um nódulo e para monitorar os nódulos que não requerem cirurgia, para determinar se eles estão crescendo ou diminuindo ao longo do tempo.

Os nódulos malignos ou suspeitos devem ser removidos cirurgicamente para que seja feita uma biópsia. Os nódulos benignos e os muito pequenos devem ser vigiados de perto com exames de ultrassonografia e exame clínico a cada 6 a 12 meses. Mesmo os cânceres da tireoide (nódulos malignos) são curáveis e raramente apresentam uma ameaça à vida. A cirurgia pode ainda ser usada mesmo para um nódulo benigno, se ele continuar a crescer.

Alguns nódulos tireoidianos podem permanecer sem crescimento e mesmo involuir. A grande maioria dos nódulos da tireoide não são graves e não causam sintomas. O câncer de tireoide é responsável por apenas uma pequena porcentagem dos nódulos da tireoide.

As complicações dos nódulos tireoidianos incluem problemas para engolir ou respirar e hipertireoidismo. Adicionalmente, as complicações potenciais de hipertireoidismo incluem fibrilação atrial, osteoporose e crise tireotóxica.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Hipófise: um pouquinho sobre esta importante glândula


A hipófise, uma glândula do tamanho de uma ervilha que está situada por baixo do cérebro, produz uma grande quantidade de hormônios, cada um dos quais afeta uma parte específica do corpo (o órgão ao qual se dirige a hormona). Como a hipófise controla o funcionamento da maioria das outras glândulas endócrinas, com frequência recebe o nome de glândula principal.

A hipófise controla, em grande parte, o funcionamento das outras glândulas endócrinas e é, por sua vez, controlada pelo hipotálamo, uma região do cérebro que se encontra por cima da hipófise.

A hipófise consta de dois lobos, o anterior (adreno-hipófise) e o posterior (neuro-hipófise).

O hipotálamo exerce o controle das atividades do lobo anterior mediante a emissão de substâncias semelhantes às hormonas que são lançadas nos vasos sanguíneos que ligam diretamente as duas zonas. Por sua vez, controla o lobo posterior mediante impulsos nervosos.

O lobo anterior produz (segrega) hormonas que, em última instância, regulam o funcionamento da glândula tiroide, das glândulas supra-renais, dos órgãos reprodutores (ovários e testículos), a produção do leite (lactação) nas mamas e o crescimento corporal. Também produz as hormonas que causam a pigmentação escura da pele e que inibem a sensação de dor. O lobo posterior segrega os hormônios que regulam o equilíbrio da água, estimulam a descida do leite para as mamas de mulheres com crianças lactentes e estimulam as contrações do útero.

Mediante a detecção dos valores hormonais produzidos pelas glândulas que estão sob o controlo da pituitária (glândulas-alvo), o hipotálamo ou a hipófise determinam quanta estimulação ou diminuição da secreção pode precisar a hipófise para reajustar a atividade das glândulas que controla.

As hormonas produzidas pela hipófise (e pelo hipotálamo) não se segregam, todas elas, de uma forma contínua. A maioria será libertada de súbito em períodos de uma a três horas, alternando períodos de atividade e de inatividade. Alguns destes hormônios, como a adreno-corticotropina (que controla as glândulas supra-renais), o hormônio do crescimento (que controla o crescimento) e a prolactina (que controla a produção de leite), seguem um ritmo circadiano.

Quer dizer, as suas concentrações sobem e descem de maneira previsível durante o dia, atingindo o seu nível mais alto justamente antes do momento de despertar e chegando aos valores mais baixos antes do adormecer. As concentrações de outros hormônios variam segundo outros fatores.

Por exemplo, nas mulheres, a quantidade de hormônio luteinizante e a de folículo-estimulante, os quais controlam as funções reprodutoras, variam durante o ciclo menstrual. De qualquer modo, a secreção excessiva ou insuficiente de uma ou mais hormônio hipofisários provoca uma ampla variedade de sintomas.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Nódulos tireoidianos benignos: como deve ser o acompanhamento?


A detecção de nódulos da tireoide assintomáticos aumentou. Não há consenso sobre a melhor maneira de acompanhar as lesões comprovadamente benignas na citologia e os nódulos não suspeitos à ultrassonografia. As diretrizes atuais recomendam exames de ultrassonografia seriados e reavaliação da citologia em caso de observação de crescimento significativo.

Para determinar a frequência, a magnitude e os fatores associados a alterações no tamanho de nódulos da tireoide foi realizado um estudo publicado pelo The Journal of the American Medical Association (JAMA).

O estudo observacional, prospectivo, multicêntrico, envolveu 992 pacientes com 1 a 4 nódulos de tireoide detectados por ultrassonografia ou citologia, benignos e assintomáticos. Os pacientes foram recrutados a partir de oito centros de referência em doenças da tireoide, na Itália, entre 2006 e 2008. Os dados recolhidos durante os primeiros cinco anos de acompanhamento, até janeiro de 2013, foram analisados.

O crescimento do nódulo (desfecho primário) foi avaliado com exames anuais de ultrassonografia da tireoide. As alterações de tamanho foram consideradas significativas quando havia um aumento de 20% ou mais no crescimento, registrado em pelo menos dois diâmetros dos nódulos, com um aumento mínimo de dois milímetros. Foram identificados fatores associados ao crescimento. Os desfechos secundários foram a detecção ultrassonográfica de novos nódulos e o diagnóstico de câncer da tireoide durante o acompanhamento.

O crescimento do nódulo ocorreu em 153 pacientes. 174 dos 1567 nódulos originais aumentaram de tamanho, com uma média de aumento de diâmetro em cinco anos de 4,9 mm; passando de 13,2 mm a 18,1 mm. O crescimento do nódulo foi associado à presença de múltiplos nódulos, a volumes de nódulos maiores do que 0,2 ml e ao sexo masculino, enquanto que uma idade de 60 anos ou mais foi associada a um menor risco de crescimento do que a idade mais jovem que 45 anos.

Em 184 indivíduos os nódulos regrediram espontaneamente. O câncer de tireoide foi diagnosticado em cinco nódulos originais, apenas dois tinham crescido. Um câncer incidental foi encontrado na tireoidectomia em um nódulo não visualizado. Novos nódulos se desenvolveram em 93 pacientes, com a detecção de um câncer.

Entre os pacientes estudados com nódulos benignos e assintomáticos, diagnosticados por ultrassonografia ou citologia, a maioria dos nódulos não exibiu aumento de tamanho significativo durante cinco anos de acompanhamento e o câncer de tireoide foi raro nesses pacientes. Estes resultados apoiam uma revisão nas recomendações das diretrizes atuais para o seguimento de nódulos assintomáticos da tireoide.



Fonte: The Journal of the American Medical Association (JAMA), volume 313, número 9, de 3 de março de 2015

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Andropausa


O termo "andropausa" não corresponde exatamente aos fenômenos ocorridos no homem maduro, mas já ganhou popularidade e, em função disso, utilizarei tal denominação neste texto.

A andropausa é o conjunto de alterações hormonais, fisiológicas e químicas que ocorre com os homens por volta dos 40 aos 55 anos de idade. Alguns homens podem apresentar sintomas, mas a andropausa não tem um sintoma típico como ocorre com o fim das menstruações nas mulheres na menopausa.

Ela é ocasionada pela diminuição natural e progressiva do hormônio testosterona.

A testosterona é responsável pelo vigor sexual masculino, mas tem outras importantes funções no organismo, entre as quais estimular a produção de glóbulos vermelhos do sangue. A produção da testosterona apresenta um declínio gradual e progressivo com o envelhecimento. No entanto, nem todos os homens com deficiência de testosterona apresentam sinais e sintomas evidentes; o quadro de baixa produção de testosterona atua sutilmente, de forma lenta e progressiva. A produção desse e dos outros hormônios depende da integridade do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas, sistema que integra o hipotálamo e a glândula hipófise no cérebro, e as gônadas.

A queda do hormônio masculino no envelhecimento não é um processo generalizado e só afeta 33% dos homens acima dos 60 anos. Por isso, a diminuição desse hormônio é pouco abordada entre o público leigo.

Os sintomas da andropausa não são os mesmos em todos os homens, mas aqueles que apresentam uma significativa queda hormonal de testosterona revelam algum dos principais sintomas. A andropausa se instala lenta e progressivamente e consta, em geral, de mudanças de atitude e humor, fadiga, perda de energia, diminuição da libido e da agilidade física. Esse período, no homem, pode se estender por décadas.

O declínio da testosterona pode acarretar riscos de doenças cardíacas ou maior fragilidade dos ossos. Além dos sintomas sexuais, a deficiência de testosterona também ocasiona queda do desempenho físico e mental, depressão, ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração, entre outros. Muitas vezes esses sintomas não são reconhecidos como devidos à baixa de testosterona e são atribuídos ao estresse ou a outras causas fortuitas.

Eventualmente, alguns homens podem sentir ondas de calor, suores, sensação de frio e palpitações. Entre os sinais e sintomas da andropausa, um dos maiores é a ausência de ereções espontâneas pela manhã. Pode haver também mudanças do padrão masculino de distribuição de pelos, perda de massa muscular e aumento do acúmulo de gordura no abdômen. Com a redução da produção da testosterona há a diminuição na produção de espermatozoides e, consequentemente, a possibilidade de infertilidade.

O diagnóstico laboratorial da andropausa depende de um exame de sangue, no qual os níveis de testosterona estejam baixos. Outros exames também são feitos para excluir outras razões para a queda de testosterona, como dosagem da prolactina e das gonadotrofinas e teste de função tireoidiana.

A reposição hormonal da testosterona é uma opção, no entanto, ela não deve ser vista como o resgate da juventude do paciente. Essa reposição deve ser monitorada pela avaliação dos sintomas e em exames de sangue. Fatores como apneia do sono e câncer de próstata devem ser levados seriamente em consideração. A eficácia do tratamento de reposição hormonal exige um controle rigoroso por parte do médico urologista.

Com a idade, os níveis de testosterona decrescem em praticamente todos os homens, mas não há maneira de predizer quem vai ter sintomas e que intensidade eles terão e nem mesmo se será ou não preciso procurar ajuda médica. Se os sinais e sintomas da andropausa não forem adequadamente tratados, podem evoluir para osteopenia e mesmo osteoporose, levando a um aumento do risco de fraturas.

Não há como prevenir a andropausa, pois ela é uma condição natural e irreversível. É possível evitar maiores disfunções e repercussões patológicas por meio de um monitoramento médico adequado.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Hipopituitarismo


A hipófise, pineal ou pituitária é uma pequena glândula em forma de feijão situada na base do cérebro, atrás do nariz e entre as orelhas, alojada numa reentrância da base do cérebro, chamada célula túrcica. Apesar de seu tamanho, esta glândula secreta hormônios que influenciam quase todas as partes do corpo, porque é ela quem regula todas as outras glândulas endócrinas do organismo.

O hipopituitarismo é uma condição rara em que a glândula pituitária (também chamada pineal ou hipófise) não consegue produzir um ou mais dos seus hormônios ou não os produz em quantidade suficiente.

O hipopituitarismo pode resultar de doenças hereditárias, mas mais geralmente é adquirido. Frequentemente é desencadeado por um tumor da glândula pituitária que comprime o tecido glandular e interfere com a produção de hormônios. Um tumor da hipófise também pode comprimir o nervo óptico e causar distúrbios visuais.

O hipopituitarismo também pode ser causado por outras doenças e condições que danifiquem a hipófise, tais como ferimentos na cabeça, tumores do cérebro ou da própria glândula, cirurgia cerebral, tratamento de irradiação, inflamação autoimune, acidente vascular encefálico que afete a glândula, infecções do cérebro, tuberculose, doenças infiltrativas, tais como sarcoidose, histiocitose, hemocromatose, etc, grande perda de sangue durante o parto (síndrome de Sheehan), mutações genéticas e doenças do hipotálamo.

Em alguns casos, a causa do hipopituitarismo permanece desconhecida.

A hipófise produz os hormônios estimulantes das demais glândulas endócrinas. Esses hormônios, em número de oito, são retroativamente controlados pelos hormônios produzidos pelas glândulas periféricas num regime de feedback. Por exemplo: um dos hormônios produzidos pela hipófise (TSH) estimula a tireoide a produzir, entre outros, a tiroxina. Esta, por sua vez, inibe a produção daquele hormônio da hipófise.

No caso de uma insuficiência da hipófise, essa glândula produzirá pouco TSH e, por consequência, a tireoide também produzirá pouca tiroxina. No caso de uma insuficiência primária da tireoide, a tiroxina estará baixa e o TSH, por isso, estará elevado. Quando ocorre o hipopituitarismo, um, alguns ou todos os hormônios hipofisários podem ser afetados. Se todos os hormônios são afetados, fala-se em pan-hipopituitarismo.

O hipopituitarismo geralmente é progressivo, embora os sinais e sintomas possam ocorrer repentinamente. Por vezes eles são sutis e podem ser ignorados por meses ou mesmo anos. Eles podem variar dependendo de qual ou quais hormônios hipofisários estão deficientes e quão grave é a deficiência.

Os sintomas podem incluir fadiga, perda de peso, diminuição do desejo sexual, maior sensibilidade ao frio ou dificuldade de ficar aquecido, diminuição do apetite, edema (inchaço) facial, anemia, infertilidade, perda de pelos pubianos, incapacidade de produzir leite em mulheres, diminuição de pelos em homens e baixa estatura em crianças.

Além da história clínica e dos sinais e sintomas, o médico provavelmente recomendará vários exames, inclusive exame de sangue, para verificar os níveis de hormônios em seu organismo. O exame de estimulação ou teste dinâmico verifica a secreção de hormônios depois da pessoa ter tomado certos medicamentos que podem estimular a produção de hormônios.

Imagens do cérebro, como as produzidas pela ressonância magnética podem detectar um tumor da hipófise ou outras anormalidades estruturais. Testes de visão podem determinar se o tumor prejudica a visão ou os campos visuais.

O tratamento com os hormônios apropriados é muitas vezes a primeira linha da terapêutica, mas o tratamento bem sucedido da condição subjacente ao hipopituitarismo pode levar a uma recuperação completa ou parcial da produção dos hormônios hipofisários. Os hormônios de reposição são drogas consideradas "substitutas", ao invés de “terapêuticas”, porque as dosagens são definidas para coincidir com os valores que o organismo normalmente fabricaria se não tivesse um problema na hipófise. O tratamento pode durar toda a vida.

Já o tratamento para tumores hipofisários pode envolver cirurgia, mas em alguns casos pode também ser recomendável o tratamento por irradiação. Os medicamentos de reposição hormonal incluem corticosteroides, levotiroxina, hormônios sexuais e hormônios do crescimento. Em casos de infertilidade, as gonadotrofinas (LH e FSH) podem ser administradas por injeção para estimular a ovulação em mulheres e a produção de esperma nos homens.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Gordura abdominal


"Adiposidade abdominal" ou simplesmente "gordura abbominal" é o acúmulo de gordura na parte da frente do abdome, tornando a pessoa “barriguda”.

Ela contribui para elevar os níveis de colesterol ruim (LDL) e de triglicerídeos, aumentar a resistência à insulina e reduzir o bom colesterol (HDL).

Além disso, é o principal risco para doenças cardíacas.

A gordura abdominal masculina localiza-se atrás do músculo reto abdominal. Esse mesmo tipo de gordura também afeta mulheres depois da menopausa.

A gordura abdominal não pode ser retirada por lipoaspiração porque está dentro do abdômen e envolve as vísceras do aparelho digestivo.

Ela aumenta o nível de ácidos graxos na circulação e ocasiona uma maior resistência à insulina, gerando um esgotamento das células de Langerhans, podendo conduzir ao diabetes mellitus.

Esses ácidos também provocam uma disfunção do endotélio das artérias (espécie de capa de revestimento interno das artérias), produzindo dilatação e constrição desses vasos.

Essa disfunção pode elevar a pressão arterial e favorecer a obstrução dos vasos.

Dessa forma, esse conjunto de alterações aumenta os riscos de doenças cardiovasculares.

A maior quantidade de adipócitos (células gordurosas) do organismo está localizada no abdômen e por isso ele tem grande tendência a acumular mais gordura que outras partes do corpo.

Alguns fatores externos favorecem o acúmulo de gordura abdominal: má alimentação, com excesso de alimentos gordurosos e ausência de frutas, verduras e legumes, falta de atividade física, cigarro e bebidas alcoólicas.

A adiposidade abdominal favorece ou causa problemas de coluna, pressão alta, acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e outros problemas cardíacos, câncer nos órgãos afetados pelo excesso de gordura, colesterol aumentado, artrite, diabetes, problemas respiratórios, ronco, riscos com anestésicos em operações e alterações menstruais nas mulheres.

Melhor que “perder a barriga” é não deixá-la formar-se.

Para evitá-la, o paciente deve manter-se no peso ideal ou emagrecer caso esteja acima do peso, praticar exercícios físicos periódicos, de preferência os aeróbicos (caminhada, corrida, etc.), comer mais frutas, verduras e legumes, evitando os alimentos gordurosos.

No entanto, se já se formou uma barriga volumosa, a pessoa deve fazer um esforço para perdê-la. Não há como queimar gordura em apenas uma parte do corpo.

A queima de todas as gorduras do corpo eliminará consequentemente a gordura da área desejada, no caso, a barriga. Sempre, a combinação de duas coisas é super importante: (1) alimentação saudável e balanceada e (2) exercícios físicos.

De modo geral, a alimentação deve conter menos alimentos ricos em açúcar e em gordura para que assim a pessoa gaste a energia acumulada em forma de gordura corporal.

Algumas estratégias para ajudar a emagrecer e perder barriga, são: acelerar o metabolismo, tomar dois litros de água por dia, queimar gordura por meio de exercícios aeróbicos como caminhada, corrida ou ciclismo, por exemplo, ingerir alimentos sem gordura saturada, trocar o açúcar por adoçantes ou, se possível, eliminá-lo da dieta e comer alimentos ricos em fibras.

Para não voltar a ganhar uma barriga volumosa essas providências devem ser mantidas, de modo a se tornarem um hábito permanente de vida.

A melhor motivação para isso são os bons resultados obtidos quando se segue rigorosamente essas recomendações.

Outras providências são: mastigar bem os alimentos para facilitar a digestão, fazer cinco a seis refeições diárias para não chegar à mesa “morrendo de fome”, evitar comer tudo o quê vê pela frente, tomar consciência do que é fome e do que é apenas vontade de comer, dar preferência a alimentos de mais fácil digestão.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Selênio baixo pode estar associado ao aumento da prevalência de doenças na tireoide


O professor Bingyin Shi e colaboradores do Departamento de Endocrinologia do The First Affiliated Hospital of Xi'an Jiaotong University Health Science Center, na China, estudaram as concentrações de selênio no organismo e sua relação com a prevalência de doenças da tireoide.

Estudos epidemiológicos têm apoiado a premissa de que uma ingestão adequada de selênio é essencial para o bom funcionamento da glândula tireoide. Com o objetivo de investigar se a prevalência de doenças da tireoide difere em duas áreas semelhantes, porém diferentes apenas nas concentrações de selênio no solo/cultura agrícola, foi realizado um estudo transversal observacional em dois condados da província de Shaanxi, na China, aqui definidas como áreas de consumo adequado ou baixo de selênio.

Um total de 6.152 participantes foi selecionado por amostragem estratificada cluster. Os participantes preencheram questionários demográficos e dietéticos e foram submetidos a exames de ultrassonografia da tireoide e exame físico.

As amostras de soro foram analisadas para os parâmetros da função da glândula tireoide e da concentração de selênio. O selênio no soro foi comparado entre as diferentes categorias demográficas, alimentares e de estilo de vida nos dois condados. A relação entre o estado dos níveis de selênio, fatores dietéticos e as condições patológicas da tireoide foi explorada por meio de regressão logística.

Conjuntos de dados completos estavam disponíveis para 3.038 participantes com adequada ingestão de selênio e para 3.114 participantes com baixa ingestão de selênio nos quais a mediana (intervalo interquartílico) das concentrações de selênio diferiu quase duas vezes (P=0,001).

A prevalência de patologias da tireoide (hipotiroidismo, hipotireoidismo subclínico, tireoidite auto-imune e aumento da tireoide) foi significativamente menor no condado com ingestão adequada de selênio do que no condado com baixo consumo de selênio (18,0 vs 30,5%, P<0,001).

As medidas superiores de selênio sérico foram associadas à menor proporção de chances (intervalo de confiança de 95%) de tireoidite auto-imune, hipotireoidismo subclínico, hipotireoidismo e aumento da glândula tireoide.

Concluiu-se neste trabalho que o baixo status de selênio está associado ao aumento do risco de doenças da tireoide. O aumento da ingestão de selênio pode reduzir este risco em áreas de baixa ingestão de selênio que existem não só na China, mas também em muitas outras partes do mundo.

Exemplos de alimentos ricos em selênio são: castanha do Pará, semente de girassol, aveia, cogumelos, carne de frango, carne bovina, camarão e queijo.



Fonte: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, volume 100, número 11, de 25 de agosto de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nódulos tireoidianos benígnos


A detecção de nódulos tireoidianos assintomáticos aumentou. Falta consenso sobre o acompanhamento ideal de lesões benignas comprovadas por citologia e nódulos não suspeitos à ultrassonografia. As diretrizes atuais recomendam exames de ultrassonografia em série e reavaliação da citologia se um crescimento significativo for observado.

Com o objetivo de determinar a frequência, magnitude e fatores associados a alterações no tamanho dos nódulos da tireoide, foi realizado um estudo prospectivo, multicêntrico, observacional, envolvendo 992 pacientes com um a quatro nódulos tireoideanos consecutivos assintomáticos, detectados por ultrassonografia e com citologia benigna. Os pacientes foram recrutados a partir de oito centros hospitalares italianos, de referência em patologias da tireoide, entre 2006 e 2008. Os dados coletados durante os primeiros cinco anos de acompanhamento, até janeiro de 2013, foram analisados.

O crescimento do nódulo inicial (desfecho primário) foi avaliado com exames anuais de ultrassonografia de tireoide. As alterações de tamanho foram consideradas significativas para o crescimento quando havia um aumento de 20% ou mais em pelo menos dois diâmetros dos nódulos, com um aumento mínimo de 2 milímetros. Foram identificados os fatores associados ao crescimento dos nódulos. Os desfechos secundários foram a detecção ultrassonográfica de novos nódulos e o diagnóstico de câncer de tireoide durante o acompanhamento.

Concluiu-se que entre pacientes com nódulos tireoideanos assintomáticos, detectados por ultrassonografia e com citologia benigna comprovada, a maioria dos nódulos não exibiu aumento significativo de tamanho durante cinco anos de acompanhamento e o câncer de tireoide foi raro. Estes resultados suportam a consideração de revisão das diretrizes atuais para acompanhamento de nódulos tireoidianos benignos assintomáticos.

Fonte: The Journal of the American Medical Association (JAMA), volume 313, número 9, de 3 de março de 2015

Tireoidite de Hashimoto



A tireoidite de Hashimoto (ou tireoidite linfocítica crônica) é uma doença autoimune crônica que pode causar hipotireoidismo. O seu nome foi dado em homenagem ao médico japonês Hakura Hashimoto, que descreveu a doença pela primeira vez em 1912.

A doença parece ter a participação de um fator genético entre as suas causas. Pode aparecer numa mesma família em várias gerações sucessivas e faz aumentar em até sete vezes a possibilidade de hipotireoidismo. Entre as tireoidites existentes é a mais comum. Acomete mais as mulheres que os homens, na terceira ou quarta décadas da vida, e sua incidência aumenta à medida que as pessoas envelhecem, sendo rara em crianças. Na tireoidite de Hashimoto o organismo fabrica anticorpos que atacam a tireoide e provocam a destruição da sua estrutura funcional, ocasionando a redução da sua atividade e provocado um aumento de volume da glândula (bócio difuso).

Os principais sinais e sintomas da tireoidite de Hashimoto tanto podem ser locais como gerais. Os sinais e sintomas locais são representados pelo aumento de volume da glândula, às vezes muito grande, geralmente indolor ou apenas com uma dor ligeira, com ou sem hipotireoidismo desde seu início. Podem ocorrer também hiperpigmentação cutânea, edema periférico, constipação intestinal, cefaleias, fadiga, anovulação e demais sintomas próprios do hipotireoidismo. Essa fase geralmente é precedida por um hipertireoidismo temporário, devido a uma estimulação inicial da glândula pelo processo inflamatório que a acomete.

O diagnóstico da tireoidite de Hashimoto depende da história clínica e do exame físico, que em geral mostra uma glândula aumentada de tamanho e endurecida, bem como da avaliação laboratorial (dosagem do TSH, T4 livre e pesquisa de anticorpos antitireoide, dentre outros). Uma ecografia do pescoço ajudará a conhecer as características da tireoide. Ante a presença ou suspeita de nódulos, pode ser feita uma punção para confirmar o diagnóstico (PAAF ou punção aspirativa por agulha fina). Um diagnóstico diferencial deve ser feito com outras formas de tireoidites agudas, sobretudo de natureza virótica.

Se houver hipotireoidismo deve-se fazer o tratamento específico para esse quadro. Se a função tireoidiana for normal deve-se fazer um controle periódico da glândula e da sua função e tratar conforme o quadro que se manifestar. Com tratamento adequado pode haver redução do tamanho da tireoide e desaparecer a sensação de pressão no pescoço.

A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de aumento da tireoide em mulheres entre os 20 e 40 anos de idade.

Geralmente ocorrem, desde o início ou surgem ao longo do tempo, anomalias em outras glândulas (suprarrenal, paratireoides, pâncreas, gônadas) e órgãos (pele, fígado, etc.).

A tireoidite de Hashimoto pode ser detectada e tratada precocemente, avaliando os pacientes dos grupos de risco, evitando-se assim as consequências do hipotireoidismo.

Sendo uma doença autoimune, não se conhecem métodos de prevenção para a tireoidite de Hashimoto, contudo podem ser prevenidas ou minimizadas algumas de suas consequências, sobretudo o hipotireoidismo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Estrógenos naturais


REVERTENDO A DOMINAÇÃO ESTROGÊNICA.

O Dr. John Lee (acima) acha que muitas mulheres estão sofrendo os efeitos em função do excesso de estrogênios ou “dominação estrogênica”. Ele observa que o stress, deficiências nutricionais, xenoestrogênios e estrogênios sintéticos causam um desbalanceamento entre estrogênio e progesterona. Esta dominância estrogênica significa que o estrogênio começou a sombrear os outros atores, criando uma dissonância bioquímica. Obviamente, uma solução fundamental é reduzir o excesso de estrogênio nas fontes se elas forem drogas sintéticas ou xenoestrogênios. Alimentar-se para obter equilíbrio hormonal é outra alternativa, discutida abaixo. Entretanto, o Dr. Lee está também disposto a auxiliar mulheres a equilibrarem os efeitos da dominação estrogênica através do uso de um creme dermal de progesterona natural que pode corrigir este problema: a deficiência de progesterona. Auxilia a aliviar sintomas típicos da menopausa como calorões e secura vaginal. A progesterona natural, um derivado do colesterol, é feito de inhames selvagens mexicanos ou da soja cujos ingredientes ativos têm a mesma estrutura molecular que a progesterona própria do organismo humano (nt.: nos últimos anos, o Dr.Lee constatou que a soja não apresenta as mesmas características do que o inhame, não seria bio-idêntica e sim mimetizadora natural. Assim reavalia suas recomendações. Ver sites do Dr. John Lee na internet). Desconhece-se efeitos colaterais, são não-patenteáveis e baratas. (Utilizar o creme sob supervisão de um fornecedor habilitado em saúde. Questione a firma para estar segura de que o produto contém progesterona, algumas marcas não a contêm).

É interessante observar-se de que na América do Sul e Ásia onde as mulheres comem estes inhames selvagens ou soja, a expressão “calorões” não existe em suas línguas locais enquanto a metade de todas as mulheres da América do Norte (tipo ocidentais), na fase da menopausa, sofre deste problema. As mulheres japonesas têm a metade de fraturas ósseas por causa da osteoporose em relação às norte-americanas (também comem menos proteína e fazem mais trabalhos físicos com esforço). Estudos preliminares sugerem que a soja pode auxiliar na retenção da massa óssea. Dr. Lee acredita que o uso da progesterona natural em conjunção com mudanças na dieta e no estilo de vida podem não só estancar a osteoporose mas revertê-la em mulheres com setenta anos ou mais.

Comer de forma correta pode realmente ser um dos nossos melhores escudos de defesa.


ALTERNATIVAS SADIAS - FITOESTROGÊNIOS.

Plantas estrogênicas, chamadas de fitoestrôgenas, possuem compostos naturais que são encontrados em centenas de plantas alimentícias incluindo perenes e anuais que podem atuar como estrogênios naturais no organismo com o auxílio da flora bacteriana intestinal, de enzimas, vitaminas e minerais. Em torno de vinte fitoestrôgenos foram identificados em plantas como o trigo, a aveia, centeio, cevada, arroz e soja; maçã, cereja, ameixa e romã; batata, cenoura, ervilha, feijão; salsinha, sálvia, alho e café. Efeitos variam enormemente dependendo da idade, do sexo e outros fatores. Fetos e bebês podem ser bastante sensíveis, negativamente, ao excesso de plantas estrogênicas. Os adultos podem auxiliar a redução nos riscos de saúde quanto aos xenoestrogênios e aos sintéticos, diminuindo o período, no ciclo de vida, a exposição ao estrogênio. Os fitoestrogênios competem com os outros para se conectarem aos receptores estrogênicos bem como influenciam, positivamente, no metabolismo estrogênico. Como os hormônios naturais, os fitoestrogênios são facilmente metabolizados por nossos organismos e atravessam nossos sistemas orgânicos, em um curto espaço de tempo.

Uma dieta normal utilizando fitoestrogênios parece constituir-se numa proteção, em humanos, contra canceres de mama e do sistema reprodutivo além de poderem ser empregados como tratamento para a menopausa e a osteoporose. Atuam como estrogênios fracos e parecem produzir nas mulheres tanto os efeitos estrogênicos na fase pós-menopausa e como os de antiestrogênio na fase pré-menopausa. Fitoestrogênios têm então habilidade para atuarem como “equilibradores”, elevando e baixando os níveis de estrogênio e trocar um estrogênio forte por um fraco. Efeitos sobre o desenvolvimento do pré-natal ou do neonato estão pouco claros, sugerindo precaução quanto a fórmulas infantis feitas de soja, bem como a certos suplementos nutricionais, ervas e mesmo a alguns tipos de alimentos durante a gravidez.

As isoflavonas da soja são uma das fontes de fitoestrogênios melhor estudadas. Uma de suas formas, a “genistein”, demonstrou ter atividade citostática contra uma série de células de câncer de mama humanas in vitro e suprimiram, em recentes pesquisas, tumores mamários em ratas. Produtos feitos de soja presentes na dieta alimentar, na Ásia, podem ser a razão para as baixas incidências de câncer de mama. Uma pesquisa feita em 1992 demonstra que mulheres japonesas, com uma dieta rica em baixas calorias e soja, tinham mil vezes mais fitoestrogênios em sua urina do que mulheres norte-americanas e finlandesas. A soja também contém proteínas de alta qualidade, é fonte de ácidos graxos ômega-3, cálcio e anti-oxidantes para proteger as células dos danos causados pelos radicais livres, altamente cancerígenos. Os peptídeos da soja podem estimular o sistema imunológico, auxiliando o organismo a lutar contra enfermidades. Numerosas pesquisas revelam que a população que se alimenta com produtos de soja tem menores riscos de desenvolver câncer de mama, pulmão, cólon e próstata, do que aquela que não os utiliza. Outras já atestam as propriedades que a soja tem de diminuir o colesterol, principalmente naquelas pessoas com altos níveis. A proteína da soja vai mais facilmente para os rins do que a proteína animal além de prevenir ou diminuir danos aos rins em pessoas com função renal desequilibrada. Esteja segura de adquirir somente soja produzida organicamente em vez de outras, transgênicas ou pulverizadas com agrotóxicos. Atenção, observe que o shoyu, a proteína de soja, o tofú, a carne de soja e o óleo poderão não ser boas fontes, em razão de como foram processados.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Estrógenos sintéticos


ESTROGÊNIOS SINTÉTICOS.

Os estrogênios sintéticos, encontrados em produtos farmacêuticos, “tiveram suas estruturas moleculares alteradas somente para poderem ser patenteados. Eles têm a tendência de ser mais potentes do que os estrogênios do próprio corpo e mais tóxicos”. [12]


A PÍLULA.

Hoje, são milhões de mulheres que tomam anticoncepcionais hormonais (de forma oral, implantada ou injetada). São produzidos com diferentes quantidades e potências de estrogênios sintéticos, progestinas ou ambos, os quais o organismo não metaboliza com facilidade. Trabalham primeiramente mantendo altos níveis de estrogênios no organismo para prevenir a ovulação. Suprimindo com estes sintéticos a presença de hormônios naturais, literalmente estanca a menstruação. O sangramento ocorre, a cada mês, só porque os hormônios sintéticos não são ingeridos por sete dias do ciclo, podendo ser melhor denominado de um “sangramento fugidio”, não menstruação. Não há provas científicas assegurando de que a pílula é segura. De acordo com Nancy Beckham em seu trabalho Menopausa – uma passagem positiva utilizando terapias naturais: “As mulheres que ingerem a pílula têm uma grande tendência a disfunções no fígado e mais alergias. Os níveis de vitamina A podem crescer no sangue, e as vitaminas B12 e C ..... caírem.”

Embora os ensaios iniciais fossem imperfeitos, a primeira geração das pílulas foi amplamente comercializada como um método efetivo, seguro e conveniente de controle da natalidade. Um impacto ao qual, já nos primórdios, pesquisadores como a Dra. Ellen Grant, autora do livro A pílula amarga e a química sexual, avaliou de que os hormônios sintéticos deveriam ter sido retirados do mercado em razão de seus conhecidos efeitos colaterais. De acordo com o Dr. Samuel Epstein do Programa de Prevenção ao Câncer de Mama, dezenas de estudos confirmam efeitos colaterais como o risco de ataques cardíacos, derrames cerebrais, diabetes, doenças da vesícula biliar, câncer de fígado e expondo os tecidos mamários a excessos de estrogênios, eleva dez vezes o risco de câncer de mama, especialmente pelo uso precoce ou prolongado. [8]

Foram propostas alterações, desde o início dos anos sessenta, para se fazer uma segunda geração de pílulas – etinil estradiol – mais segura. Mas, na verdade conecta-se aos receptores estrogênicos naturais na mama, sendo quarenta vezes mais potente do que o estradiol. A pílula combinada também aumenta o risco de doenças da artéria coronária, do câncer de mama e pressão alta. Os efeitos colaterais incluem náusea, vômito, dores de cabeça, flacidez das mamas, aumento de peso, mudanças na libido, depressão, coagulação sangüínea e o aumento de incidência de vaginites. Também mulheres que apresentam quadros de epilepsia, asma, enxaqueca ou doenças cardíacas podem constatar pioras em seus sintomas. Muitos destes efeitos podem persistir muito tempo mesmo após o uso descontínuo da pílula. Além disso, fumar enquanto toma-se a pílula, acentua estes riscos. A terceira geração, implante de pílulas somente com progestinas, também é problemática. São centenas de processos contra o fabricante Norplant já que várias pesquisas demonstram que o produto injetável Depo-Provera, com progestina, aumenta os riscos de câncer de mama. [8]


A TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL – TRH (ESTROGÊNICA).

Talvez nada cause mais confusão entre as mulheres do que a terapia de reposição hormonal, a maior promoção de drogas hormonais depois da pílula. As mulheres na fase da menopausa tornaram-se outro lucrativo mercado para os hormônios sintéticos, agora disponíveis em emplastos e implantes. Um dos mais populares é o Premarin, feito da urina de éguas prenhes.

Proclamado como um ingrediente primário ausente para as mulheres na menopausa, o estrogênio é também fortemente recomendado pela medicina moderna para a prevenção de doenças cardiovasculares e osteoporose. A maioria dos médicos, hoje em dia, adverte as mulheres para os riscos da passagem pela menopausa e para o tempo, os dias da pós-menopausa, sem a proteção do estrogênio. Outras opiniões não podem ser oferecidas. Em razão da TRH (terapia de reposição hormonal) ser oferecida em doses menores do que a pílula, os efeitos colaterais são normalmente muito mais subtis e mais lentos para serem detectados.

As mulheres precisam pensar com muito mais cuidado a respeito de sua decisão quanto à TRH. Mesmo que a maioria dos médicos esteja, sinceramente, preocupada com suas pacientes, muita de sua formação profissional e das informações sobre os produtos, têm diretamente como fonte as indústrias farmacêuticas. Já que a maioria das mulheres não tem uma perfeita consciência a respeito de suas opções, as decisões sobre a menopausa podem ficar bem mais difíceis. No seu livro O que o seu médico não pode lhe contar a respeito da menopausa, o Dr. John Lee compilou uma lista de efeitos colaterais que podem resultar da opção pela reposição hormonal. Incluem: aumento do risco de câncer endometrial, aumento da gordura corporal, retenção de sal e líquidos, depressão e dores de cabeça, descontrole da presença de açúcar no sangue (hipoglicemia), perda de zinco e retenção de cobre, redução dos níveis de oxigênio em todas as células, adensamento da bile e promoção de doenças da vesícula biliar, aumento das probabilidades de fibrocistos mamários e fibróides uterinos, interferência na atividade da glândula tireóide, diminuição da libido, excessiva coagulação sangüínea, redução do tono vascular, endrometriose, cãibras uterinas, infertilidade e limitação da função osteoclástica (necessária para a saúde e a reconstituição óssea). De acordo com o Dr. Epstein, a reposição hormonal também promove os cânceres de mama, de fígado e de ovários, ganho de peso e outros sintomas. Ele recomenda soluções não hormonais: se empregada a TRH, tomar baixas doses somente por pouco tempo evitando o fumo e as bebidas alcoólicas. [12]

O intenso efeito formador de estrogênio pelo álcool pode ser desastroso, especialmente para mulheres com a TRH. Vários estudos demonstram que o álcool aumenta o risco de câncer de mama. Mesmo meia taça de vinho pode dobrar o estrogênio no sangue da mulher em TRH e, surpreendentemente, aumentando o risco de câncer de mama. [8]

OUTRAS DROGAS.

Outras drogas podem também ser hormonalmente ativas: Tamoxifen, por exemplo, e seu correlato Raloxifene, que são fármacos hormonais sintéticos indicados para a prevenção de câncer de mama, mas ensaios demonstraram sérios riscos de ambos efeitos, estrogênico e antiestrogênico. Vários anti-hipertensivos, drogas para diminuição de colesterol, antibióticos, antiácidos, drogas psicoterapêuticas, drogas para o câncer e a maconha podem também ser preocupantes. [8]


XENOESTROGÊNIOS (Pseudoestrogênios).

A expressão “xenoestrogênios” é aplicada livremente a uma série de substâncias químicas tóxicas produzidas pelo homem que confundem os receptores celulares dos estrogênios no organismo, interferindo nas mensagens bioquímicas naturais. Podem ser compostos tipo estrogênios ou terem a habilidade de mimetizar ou bloquear a atividade dos hormônios naturais. Podem também alterar a forma como os hormônios e seus receptores protéicos são elaborados, metabolizados e em sua atuação. Pesquisas profundas revelam uma situação alarmante gerada pela dispersão planetária destes mimetizadores hormonais.

Em razão de se degradarem tão lentamente, espalharam-se por todo o planeta tanto pelo ar como pelas águas, passando integrar os tecidos vivos. Atualmente contaminam todos os ecossistemas e os organismos vivos. Continuarão assim por décadas e décadas. Dificilmente excretadas, são lipossolúveis, acumulando-se nos tecidos gordurosos, no cérebro, no aparelho reprodutor e outros órgãos. Grandes volumes destas substâncias biomagnificam na cadeia alimentar com as piores concentrações no seu topo, onde estão os seres que se alimentam de animais como os humanos e outros mamíferos, além de pássaros e répteis. Numa espécie de gaivota da região dos Grandes Lagos, entre EUA e Canadá, por exemplo, a família dos xenoestrogênios PCB’s encontra-se em concentrações, com sérios resultados, vinte cinco milhões de vezes acima daquelas encontradas nos sedimentos. [3]

Alterando as funções principais dos estrogênios e androgênios, podem desencadear uma torrente de excepcionalidades na saúde da reprodução e do desenvolvimento, evidenciadas por pesquisas feitas com cobaias de laboratório, em culturas de células, na vida selvagem e com os humanos. Theo Colborn e os outros autores do livro O Futuro Roubado, identificaram 51 famílias de produtos sintéticos que geram distúrbios no sistema endócrino, ou hormonal, incluindo 209 PCB’s, 75 dioxinas e 135 furanos. Estão conectados não só com a descoberta da queda de 50% no número de espermatozóides humanos, globalmente, entre os anos de 1938 e 1990, mas também às alterações no comportamento sexual, à depressão imunológica, a deformidades genitais, a canceres de mama, ovários, útero, de próstata e testicular além de desordens neurológicas. A doença fibrocística da mama, a síndrome policística ovariana, endometriose, fibróides uterinos e doenças inflamatórias pélvicas também estão sob suspeita. Estes problemas podem ser influenciados pelas exposições, crônicas ou de desenvolvimento, através do ciclo da vida.

As conseqüências potenciais desta superexposição pipocarão especialmente sobre as futuras gerações. Os embriões e os fetos cujos crescimento e desenvolvimento são altamente controlados pelo sistema endócrino, recebem os contaminantes na fase pré-natal ainda no ovo (anfíbios, répteis e pássaros) ou no útero (mamíferos). Mesmo que adultos expostos não apresentem nenhum efeito deletério, seus descendentes poderão apresentar, em toda sua vida, anormalidades reprodutivas ou em sua saúde. Além do que foi citado acima, efeitos incluem masculinização das fêmeas e feminização dos machos (redução no tamanho do pênis e dos testículos) além da retenção dos testículos e da alteração na densidade e na estrutura dos ossos. A exposição de recém nascidos, como os nenês lactentes, concentra-se além dos limites do corpo.

Os xenoestrogênios são na maioria das vezes gerados pela indústria petroquímica e, desafortunadamente para nossa saúde, os produtos petroquímicos estão, hoje em dia, por todos os lugares deste planeta. Máquinas, carros e mesmo algumas usinas termoeléctricas, movem-se com petroquímicos como a gasolina, o diesel, o gás natural e similares. Muitos dos mimetizadores hormonais são organoclorados produzidos pela reação do gás cloro com hidrocarbonetos do petróleo. São utilizados em plásticos, agrotóxicos, solventes, agentes de branqueamento (para roupas e outras), refrigeração e em outros produtos químicos. Milhares são subprodutos do tratamento de água, do branqueamento do papel e da incineração de produtos clorados. Milhões de produtos, incluindo vários plásticos (polivinil cloreto/PVC e policarbonatos/PC, ambos encontrados em mamadeiras para nenês, brinquedos infantis, filmes transparentes para embalar alimentos e garrafas de água mineral), PCB’s (nt.: policloretos bifenilos ou “ascarel”), medicamentos, roupas, alimentos, alvejantes domésticos, desodorizantes de ar, produtos de higiene pessoal (cosméticos, perfumes, antiperspirantes, sabonetes, pastas dentifrícias e higienizadores bucais), agrotóxicos e herbicidas (como DDT, dieldrin, aldrin, hepacloro, etc.) também contém ou são feitos dos petroquímicos. Muitos de nós trabalhamos ou vivemos em áreas altamente contaminadas onde os efeitos sinérgicos podem apresentar doses “seguras” (aceitáveis) de diferentes substâncias químicas, medicamentos, radiações, freqüências eletromagnéticas e outras, e que são milhares de vezes mais tóxicas quando estão juntas.

Dezesseis substâncias sintéticas persistentes (conhecidas de “POP’s”- poluentes orgânicos persistentes) foram identificadas para ação prioritária da ONU. Embora o Canadá tenha banido muitos deles décadas atrás (DDT, PCB’s e outros conhecidos por causarem teratogênese - lesões em fetos -, colapso na reprodução e a quase extinção de ampla variedade de espécies), continuam a ser manufaturados e empregados em todo o planeta. Pelo menos seis – PCB’s, dioxinas, furanos, hexaclorobenzeno (HCB), lindano e cadeias curtas de parafinas cloradas – são ainda geradas, produzidas e utilizadas no Canadá. A água potável pode estar contaminada por outro composto comprovadamente estrogênicos o nonilfenol (nt.: em inglês: nonylphenol, sigla: NP) e o endosulfan que continuam sendo utilizados em plásticos e agrotóxicos, além de estarem presentes na composição também de detergentes líquidos domésticos e de lavanderias, alvejantes multi-uso, sabonetes e shampoos. Compostos mimetizadores de hormônios como os ftalatos são utilizados como plastificantes no PVC, em tinta para escrever/imprimir, para pintar e em colas. O lixo plástico pode ser a fonte mais importante da presença do bisfenol-A – estabilizante tóxico empregado no PVC – nos efluentes líquidos lixiviados pelos aterros de lixo. E será mais terrível ainda se este lixo for incinerado.

As cinzas voláteis originárias das indústrias, dos incineradores de lixos domésticos ou resíduos perigosos, têm altas quantidades de mimetizadores hormonais e cancerígenos como a dioxina (uma das mais violentas) além de chumbo, mercúrio e cádmio, estes também mimetizadores estrogênicos. Estas cinzas depositam-se sobre as plantas que comemos além de contaminar os animais domésticos e os peixes, concentrando substâncias tóxicas no ser humano. A poeira doméstica, velhas tintas e a água parada em tonéis são outras fontes comuns de chumbo. Tal qual como com os petroquímicos, a queima de combustíveis fósseis libera mercúrio e cádmio. Mercúrio pode também ser um sério perigo em obturações de dentes. Dois por cento da população de cidades, acima de um milhão de habitantes, têm níveis dez vezes maiores de mercúrio no sangue, no limiar de gerarem efeitos neurológicos.

Nossa alimentação é um dos caminhos mais inconscientes quanto à contaminação por mimetizadores hormonais. O alimento processado, na maioria das vezes com excesso de açucares e gorduras hidrogenadas, enfraquece o sistema imunológico e atinge, hoje, 80% de nosso suprimento alimentar. Embalagens, conservantes, colorantes e flavorizantes artificiais, podem ser todos perigosos. Por exemplo, "Red Dye” nº. 3, um poderoso cancerígeno, é amplamente empregado em todo o mundo. Envases plásticos, copos de poliestireno (PS), filmes para embalar alimentos ou revestimento plástico interno de latas, podem conter PVC’s, alquifenóis, nonilfenóis, bisfenol-A e ftalatos. Todos são conhecidos estrogênios sintéticos (xenoestrogênios) que migram para o alimento quando aquecido ou guardado por longos períodos. Um destes ftalatos, sigla DEHP ou DOP, é encontrado em alguns filmes transparentes para embalar alimentos. Estudos feitos pela indústria e pelo governo dos EUA conectaram o DEHP e efeitos sobre o desenvolvimento em animais. Em alguns filmes plásticos que embalam queijos nos EUA foram encontrados níveis que excedem o limite governamental num fator de 300.000 vezes. O DEHP pode também estar contaminando outros alimentos embalados com filmes transparentes, especialmente aqueles com altos teores de gordura como carnes. O plastificante, enrijecedor plástico, bisfenol-A, encontrado no policarbonato de mamadeiras infantis, foi identificado em um relatório do governo dos EUA de 1997, como um disruptor endócrino químico que se libera, incontestavelmente, da resina policarbonato para o líquido quando aquecido (pesquisas minuciosas e replicadas encontraram efeitos biológicos mesmo em níveis extremamente baixos). Um trabalho feito em 1999 pela Consumer’s Union/União dos Consumidores difundiu esta descoberta da FDA/Food and Drugs Administration–Administração de Fármacos e Alimentos dos EUA, conclamando de que os pais deveriam procurar mamadeiras feitas com quaisquer outros materiais que não a resina de policarbonato. Ao mesmo tempo, doze grupos peticionaram para que a FDA e as indústrias de plástico eliminassem ou reduzissem drasticamente a exposição de crianças a esta resina. [8]

Também a produção agrícola apresenta riscos. Numa média de 25% (talvez mais) de toda a produção regular, no Canadá, plantada e importada, constata-se resíduos de agrotóxicos, declara o relatório de 1999 do novo Comissário Canadense do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Muitos são ou contém mimetizadores hormonais. O World Wildlife Fund Canada (WWFC) questionou o Ministro da Saúde canadense, Allan Rock, para agir em relação aos doze agrotóxicos considerados mimetizadores hormonais. A maioria está registrada para culturas alimentícias e alguns para uso interno em residências, escolas e creches. Numerosas áreas, no Canadá, estão severamente contaminadas pelos produtos agrícolas, pelos empregados em campos de golfe e pelos de uso corrente em cosméticos.

Alimentos de origem animal são a maior fonte de substâncias hormonalmente ativas em nossos alimentos e nos lençóis freáticos. A gordura animal e de laticínios tem alta concentração – carne bovina e produtos lácteos são os piores com altos resíduos de DDT e de outros agrotóxicos organoclorados além de antibióticos, drogas veterinárias e hormônios sexuais de estímulo de crescimento. Hormônios implantados na orelha de praticamente todos os animais de corte são totalmente sem regulamentação. Resíduos 300 vezes acima dos limites legais, comumente encontrados em carne, vem via de regra destes implantes, aplicados ilegalmente no músculo do animal para resultados mais rápidos. O hormônio de crescimento “rBGH” em gado leiteiro produz altas quantidades do “fator de crescimento tipo insulina” que encoraja a divisão celular e a virulência do câncer de mama. No entanto não consta nos rótulos dos produtos dos EUA contaminados com este hormônio. [8] (Rotular está fora da regulamentação por um acordo com a Monsanto, produtora do “rBGH”. Por ação de cidadãos, este produto foi, temporariamente, banido no Canadá). Os agrotóxicos acumulam-se na gordura animal. Por exemplo: cada quinze libras (nt.: cada libra representa 453,9 g.) de grãos produz uma libra de carne, concentrando assim a contaminação por agrotóxicos. Nitratos presentes em presunto e bacon transformam-se em potentes cancerígenos pela formação de nitrosaminas no corpo. Peixes originários da pesca industrial estão contaminados com uma vasta gama de pseudo-estrogênios. Por exemplo, todos os salmões dos Grandes Lagos, entre Canadá e EUA, apresentam, nos últimos anos, dilatações em suas glândulas tiróides. [6]

Tomando isto como um degrau à frente, os hormônios sintéticos também entram nos lençóis hídricos através da urina das mulheres e daí na cadeia alimentar. Isto também elevou nossos níveis de exposição aos estrogênios ambientais.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Estrógenos: algumas considerações


Enquanto a história dos hormônios vai se complexando, cada vez é mais importante conhecê-la. As últimas décadas tornaram-se tão perigosas para nosso delicado sistema endócrino de tal forma que muitos médicos ainda não conseguem perceber. Novas substâncias químicas que geram disfunções hormonais presentes em nosso alimento, no baú de remédios e ao ambiente representam uma ameaça devastadora tanto para os seres humanos como para a vida selvagem. Barradas pela desinformação, pelas lendas e pela propaganda, não é de se admirar que a maioria de nós estejamos completamente confusas sobre nossa saúde pessoal e de nosso ambiente. No entanto como cidadãs informadas, podemos assumir cada vez maiores responsabilidades por nossa saúde e de nossas comunidades.

Este trabalho enfocará o hormônio feminino estrogênio ou estrógeno cujo papel central nesta discussão está relacionado a sua função no organismo e como nós podemos fazer muito mais pelo nosso próprio bem ou prejuízo. Milhares de medicamentos e produtos químicos sintéticos, de largo uso, são estrogênicos por natureza ou em seus efeitos.

São disruptores hormonais e podem afetar seriamente nossa saúde e, muito mais, a de nossos descendentes. Estão conectados com os dramáticos crescimentos de efeitos como a infertilidade, das deformações genitais e dos cânceres de origem hormonal como os de mama e de próstata, bem como com a queda do número de espermatozóides, a hiperatividade e outros distúrbios neurológicos. Observou-se que “os produtos sintetizados pelo homem imiscuem-se em toda a sorte de mensagens hormonais” atingindo duramente as glândulas supra-renais e da tiróide, de acordo com Linda Birnbaum do US Environmental Protection Agency/EPA (Agência norte-americana de proteção ambiental). Níveis deprimidos de hormônios da tiróide foram conectados ao câncer de mama tanto como foi o aumento de estrogênio. [19]

A extensa exposição ao estrogênio, no decorrer da vida (especialmente nas formas sintéticas) é o maior fator de risco à saúde. Em alguns casos, existem escolhas mais seguras, efetivas e naturais de se fazer o balanceamento estrogênico no organismo. Químicos disruptores hormonais no ambiente são uma história bem mais complexa. Almeja-se que te tornes mais habilitada e utilizes estas informações para colocares sérios questionamentos àqueles que lidam com a saúde, a indústria e a administração pública para que investiguem métodos alternativos realmente seguros.

TIPOS DE ESTROGÊNIOS:

Existem quatro tipos de estrogênios:

>> os que ocorrem naturalmente no organismo;
>> os que são sintetizados para serem ingeridos como medicamento;
>> os “xenoestrogênios” ou externos, gerados pelas modernas indústrias químicas e presentes em produtos de uso doméstico;
>> os fitoestrogênios presentes em plantas alimentícias, muitos dos quais promovem importantes benefícios à saúde.

ESTROGÊNIOS NATURAIS.

Algumas das cinqüenta moléculas hormonais conhecidas carregam instruções de mais do que uma dúzia de tecidos e glândulas endócrinas para células distribuídas em todo o corpo para controlarem muitas funções orgânicas, incluindo a reprodução, o desenvolvimento sexual, o crescimento, a manutenção do metabolismo e respostas aos estímulos externos.

Os estrogênios naturais fazem parte de um grupo de vários hormônios esteróides lipossolúveis produzidos, primariamente nos ovários femininos e nos testículos masculinos (mas também em outros centros do organismo) em humanos e outros vertebrados, originários do colesterol ou acetil coenzima-A. Conhecidos como hormônios femininos (presentes mais plenamente nas mulheres), eles não só externalizam as características femininas e controlam os ciclos reprodutivos como geralmente também exercem influência sobre o crescimento, o desenvolvimento e o comportamento. Atuam também nos sistemas imunológico e cardiovascular além de influir na pele, nos ossos, no fígado e mesmo no cérebro, assegurando a normalidade nos sistemas orgânicos. Os estrogênios estimulam o crescimento dos tecidos ao promover a proliferação celular nos órgãos sexuais femininos (seios e útero), aumentando o tamanho das células (como durante a puberdade com o seio feminino e os músculos masculinos), e pela elaboração de proteínas específicas. Nos machos, desempenha um papel secundário em relação aos androgênios, destacadamente o hormônio testosterona que define as características masculinas (muito estrogênio pode feminilizar os machos). O tempo de exposição, no ciclo da vida, aos estrogênios naturais também varia de acordo com a dieta e os exercícios. A partir do estoque de estrogênios na gordura (especialmente abdominal), aumenta a exposição pela obesidade.

Somente três estrogênios estão naturalmente presentes em quantidades significativas: estradiol, estrona e estriol. O estradiol é o hormônio estrogênico mais abundante e potente. É doze vezes mais forte que o estrona e oitenta do que o estriol, um derivativo do estrona. Existem as “boas” e as “más” formas de estrogênios (as “más” podem desencadear o câncer). [5] O organismo busca manter ótimos níveis no sangue através das respostas das glândulas hipotálamo e pituitária aos níveis baixos, estimulando tanto os ovários femininos para secretarem estradiol e progesterona como os testículos masculinos a secretarem testosterona (em excesso transforma-se em estrogênios) até que um certo nível sangüíneo seja alcançado. Este elo de auto-alimentação é influenciado pelo fígado quando metaboliza do sistema, em algum tempo, alguns hormônios naturais desnecessários.

Antes do nascimento, ambos os hormônios, placental e fetal, atuam sobre o desenvolvimento do bebê. Para os machos, após a determinação cromossômica sexual lá pela sétima semana, a masculinização depende do correto suprimento de estímulos hormonais originários dos testículos. Nas fêmeas, os ovários desenvolvem-se do terceiro para o quarto mês quando sintetizarão estrogênios. No entanto quantidades mínimas de substâncias estrogênicas estranhas, em estágios críticos pré-natais, podem interferir nos desenvolvimentos sexual, reprodutivo, comportamental e neurológico. O livro “Our Stolen Future” de Theo Colborn e outros (nt.: publicado no Brasil pela L&PM Editores com o título “O Futuro Roubado”, em 1997), destaca: “ao mesmo tempo em que os hormônios estão conduzindo, pelo menos, alguns aspectos do desenvolvimento sexual, também orquestram o crescimento dos sistemas nervoso e imunológico dos nenês , programando órgãos e tecidos tais como fígado, sangue, rins e músculos com funções diferentes em homens e mulheres ..... Para todos estes sistemas, o desenvolvimento normal depende de haver a correta mensagem hormonal, na quantidade exata, no local adequado e no tempo certo .... Se alguma coisa gera disfunções neste fornecimento durante um período crítico do desenvolvimento, podem ocorrer conseqüências muito sérias para a prole.” Estrogênios e compostos que enganem os receptores estrogênicos são elementos chave em certos estágios, como nos primeiros anos de vida e novamente na puberdade quando uma crítica divisão celular ocorre.

Nas fêmeas, a puberdade, o ciclo menstrual, a gravidez e a menopausa são eventos importantes relacionados aos estrógenos. Em torno dos dez anos, o hipotálamo estimula os ovários a produzirem estrogênio e progesterona que ativam mudanças físicas tais como a formação dos seios, o crescimento dos pelos pubianos, aumentando a altura e o peso além de alterações na pele. Normalmente, a menstruação principia aos doze anos. Hormônios são liberados, em drásticos diferentes níveis, durante o ciclo menstrual de vinte e oito dias. Para os primeiros oito dias indo até o décimo primeiro, os ovários produzem grandes quantidades de estrogênio, declinando no décimo terceiro dia quando a progesterona começa a aumentar e a ovulação acontece (a progesterona causa a libido ovular). Depois de dez ou doze dias se a fertilização não ocorre, a progesterona ovariana cai dramaticamente, desencadeando a menstruação e o ciclo se renova. No entanto, se ocorre a fertilização, um bloqueio do estrogênio precede uma gestação rica em progesterona que mantém a gravidez e matura, permanentemente, as células do seio (a dividir-se mais lentamente). Por vários meses depois do parto, o fluido dos seios tem baixos níveis de estrogênio. A gravidez, antes dos trinta anos, parece proteger as células das mamas das mudanças anormais que podem ser causadas pelos excedentes de estrogênios e dos disruptores hormonais. A progesterona se opõe à ação do estrogênio de estimulador do crescimento no organismo.

Entre quarenta e cinqüenta anos, a interação entre os hormônios se altera, propiciando o aparecimento da menopausa. Como menos folículos ovulares são estimulados, a quantidade de estrogênio e progesterona produzidos pelos ovários declina. A menstruação torna-se falha e errática, eventualmente cessando. Entretanto, em outras áreas do corpo, como as glândulas supra-renais, a pele, os músculos, o cérebro, a glândula pineal, os folículos capilares e gordura corporal, são capazes de produzir nossos hormônios, possibilitando ao organismo feminino fazer ajustes saudáveis no balanço hormonal após a menopausa. Isto ocorrerá com as mulheres que cuidaram de si durante o período pré-menopausa com um estilo de vida sensato, dieta alimentar, e atenção às saúdes mental e emocional. Entre outros fatores, a obesidade e a vida sedentária promovem uma puberdade precoce e uma menopausa tardia, aumentando enormemente tanto a exposição ao “mau” estrogênio como aos riscos correspondentes.

No próximo post, mais informações sobre os estrógenos!