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terça-feira, 11 de abril de 2017

Vias de administração de medicamentos


Via de administração é a maneira como o medicamento é introduzido no organismo. É, por assim dizer, sua porta de entrada. Os medicamentos podem entrar no nosso corpo, entre outras vias, por [1] via oral (boca), [2] via sublingual (embaixo da língua), [3] via retal (ânus), [4] via intradérmica, [5] via subcutânea, [6] via intramuscular, [7] via endovenosa, [8] via cutânea e [9] via inalatória.

01-Via oral (VO)

A administração de medicamentos por via oral consiste em que eles sejam levados à boca e, então, deglutidos juntamente com água. É importante tomar algum líquido após a medicação para “lavar” o trato digestivo, porque algumas medicações podem ficar retidas por algum tempo antes de chegar ao estômago, causando danos à mucosa.

Nos casos em que os pacientes estão usando sonda nasogástrica ou nasoenteral, as medicações a serem tomadas por via oral devem ser administradas através dessas sondas que, posteriormente, devem ser lavadas para evitar obstrução.

Os medicamentos são elaborados sob a forma de comprimidos, drágeas, cápsulas, líquidos ou comprimidos efervescentes a serem diluídos em líquidos. Para pacientes que tenham dificuldades de engolir os comprimidos inteiros, alguns deles podem ser macerados e misturados a um líquido ou alimento, mas outros não devem sê-lo. O médico deve ser consultado quanto à possibilidade de fazer isso ou não.

Os princípios ativos das medicações passam à corrente sanguínea após serem absorvidos no estômago e intestino. Um cuidado que deve ser observado após a administração do medicamento por via oral é verificar se o paciente realmente deglutiu a medicação, já que os pacientes que se recusam a tomá-la ou que estejam semi-inconscientes costumam retê-la na boca ou mesmo atirá-la para fora.

02-Via sublingual (SL)

Os medicamentos a serem administrados por via sublingual também devem ser levados à boca, mas em vez de deglutidos eles devem ser colocados sob a língua, um local de grande vascularização superficial e de muito potencial de absorção. Com isso, o começo da ação deles é bastante rápido. Os medicamentos são preparados sob a forma de líquidos ou comprimidos que se dissolvem facilmente.

Por alguns minutos, o paciente não deve conversar nem ingerir qualquer alimento. Essa via é utilizada para aplicar medicações em algumas situações de urgência, como, por exemplo, medicações para dores precordiais, para hipertensão arterial e analgésicos. Ela não deve ser utilizada em pessoas apresentando náuseas, vômitos, dificuldade de deglutição ou que estejam em jejum para cirurgia.

Saiba mais sobre "Atendimento de urgência", "Dor no peito" e "Hipertensão arterial".

03-Via retal

Os medicamentos são introduzidos no reto, através do ânus, que por ser também um local de muita vascularização, tem alto grau de absorção. Por isso, as medicações administradas por via retal agem em curto espaço de tempo.

Muitos medicamentos que são preferencialmente administrados por via oral podem também ser administrados por via retal, em forma de supositório. Eles devem ser receitados quando a pessoa não pode tomar o medicamento por via oral por estar com náuseas e vômitos ou impossibilitada de engolir. Pela via retal são aplicados também os enemas.

04-Via intradérmica (ID)

Após aspirar a medicação do frasco, ela deve ser diluída e rediluída, conforme padronização, e administrada por injeção na derme. Essa via é muito restrita, usada para pequenos volumes de medicações (de 0,1 a 0,5 ml), nos quais são testadas reações de hipersensibilidade, como à tuberculose e algumas alergias. É também utilizada para aplicação da vacina contra tuberculose (BCG). O local de aplicação mais utilizado é a face interna do antebraço.

Leia sobre "Tuberculose pulmonar", "Testes alérgicos" e "BCG".

05-Via subcutânea (SC)

Na via subcutânea (ou hipodérmica), os medicamentos são administrados por meio de injeções no tecido subcutâneo. Esta via é de absorção lenta, através dos capilares, mas de forma contínua e segura. É utilizada para administração de algumas vacinas (anti-rábica e anti-sarampo), anticoagulantes (heparina) e hipoglicemiantes (insulina), e o volume líquido não deve exceder 1,0 ml. Deve ser aplicada nas regiões superiores externas dos braços, no abdome, na região anterior das coxas e na região superior do dorso.

A via subcutânea não deve ser utilizada se o paciente tem doença vascular oclusiva e má perfusão tecidual, porque se a circulação periférica estiver prejudicada, a absorção da medicação ficará retardada. Se essa via tiver de ser usada com frequência, os locais de administração devem ser alternados para evitar uma reação local desfavorável.

06-Via intramuscular (IM)

Na administração intramuscular, a medicação é injetada diretamente no músculo, de onde a absorção para a corrente sanguínea se dá a longo prazo. Os medicamentos podem estar sob a forma de suspensões ou soluções oleosas; aqueles em soluções aquosas podem ser rapidamente absorvidos após uma injeção intramuscular.

O profissional deve realizar uma avaliação da massa muscular da área de aplicação para determinar a quantidade a ser administrada em cada músculo. Na maioria dos casos, a medicação vem em quantidades já pré-determinadas, em ampolas, mas em outros casos ela é acondicionada em frascos com mais de uma dose, que deve ser medida na seringa. Em alguns casos as substâncias vêm acondicionadas em 2 frascos diferentes e devem ser misturadas antes de serem administradas.

Os músculos de escolha para administração são o vasto lateral da coxa, glúteo e deltoide. Os dois primeiros podem receber até 5 ml de líquido, cada um, e o último, até 3 ml.

07-Via endovenosa (EV)

Por via endovenosa os medicamentos são injetados diretamente na corrente sanguínea através de uma veia, eliminando a etapa de absorção. Por isso, a ação da medicação é imediata e essa é a via de primeira opção para ministrar medicamentos durante uma situação de emergência.

A administração endovenosa pode variar desde uma dose única, como de um analgésico, por exemplo, ou doses repetidas regularmente até uma infusão contínua gradual, de longa duração, como numa rehidratação, por exemplo.

Como a absorção pela corrente sanguínea é completa e imediata, grandes doses de substâncias podem ser fornecidas, se necessário. As veias escolhidas para administração são aquelas de mais fácil acesso: veias do dorso da mão, veias dos membros superiores e veias da região cefálica.

08- Via cutânea

A pele tem uma certa capacidade absortiva e, por essa razão, alguns medicamentos podem ser administrados por meio de adesivos afixados a ela, sobretudo aqueles que devem ser administrados de forma contínua e por longos períodos. Os adesivos devem ser afixados em regiões de pele fina, previamente higienizadas e devem ser trocados periódicamente, conforme orientação médica.

09- Via inalatória

Neste método, o medicamento é levado ao trato respiratório através de nebulizadores e daí chegam aos alvéolos pulmonares, de onde atingem a corrente sanguínea. Os medicamentos fornecidos através da via respiratória podem produzir efeitos locais ou sistêmicos, à distância. Os capilares existentes nos alvéolos pulmonares são uma excelente via de absorção e a ação das medicações é bastante rápida.



Muitas medicações são administradas diretamente nos próprios locais onde devem fazer efeito, ditas, portanto, medicações tópicas. As mais comuns e importantes são, entre outras, medicações que devem ser aplicadas na pele, nos olhos, no nariz, na vagina, no interior das articulações. Em geral elas são preparadas sob a forma de pomadas, cremes, colírios, aerossois ou soluções.

Em casos excepcionais, podem ainda haver outras formas de administração de medicações. É o caso, por exemplo, da medicação administrada localmente através de uma sonda, que procura resolver o sangramento de uma úlcera gástrica ou duodenal.
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