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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Colangites



Colangites são inflamações dos canais biliares, tubos que transportam a bile (um líquido produzido pelo fígado) do fígado para a vesícula biliar e os intestinos.

Há três tipos de colangites:
(1) colangite ascendente, causada por infecção bacteriana, geralmente precedida por uma coledocolitíase;
(2) colangite esclerosante primária, de origem autoimune e
(3) colangite esclerosante secundária, devido a outras causas, como cálculos biliares, presença de vermes, AIDS ou complicações com endoscopias na via biliar.

Esta doença foi reconhecida em 1877 por Jean M. Charcot.

As colangites acontecem na maioria dos casos por obstruções das vias biliares em decorrência de cálculos, estenoses ou neoplasias. Menos comumente, as obstruções ocorrem por parasitas, como Ascaris lumbricoides, pela AIDS ou pela coledococele (dilatação de natureza congênita da parte terminal do colédoco).

A colangite também pode ser uma complicação da manipulação endoscópica das vias biliares para fins diagnósticos ou terapêuticos. Em raros casos, ela é consequente a um problema autoimune.

As vias biliares são constituídas por um conjunto de ductos que ligam o fígado e a vesícula biliar ao duodeno. Eles conduzem a bile do fígado à vesícula biliar, onde ela é armazenada. Posteriormente, a bile percorre as vias biliares em direção ao duodeno, onde desempenha um papel fundamental na digestão das gorduras. A inflamação das vias biliares dificulta ou impede essa circulação da bile e o acúmulo da bile produz transtornos como infecções, cirrose e hipertensão.

As colangites são enfermidades graves que podem levar facilmente à morte. Nas colangites ascendentes, a inflamação aguda dos canais que conduzem a bile é causada por bactérias que migram do intestino para as vias biliares. O fator que mais frequentemente causa esse tipo de colangite é a interrupção parcial do fluxo de bile. Essa infecção é grave e tende a progredir para infecção generalizada, podendo levar ao óbito se não tratada adequadamente.

A colangite esclerosante primária tem uma origem autoimune e leva a uma inflamação dos ductos biliares. Essa alteração rara atinge principalmente pessoas com mais de 40 anos de idade e costuma ser acompanhada de neoplasias malignas.

A colangite esclerosante secundária é uma complicação de outras enfermidades, geralmente de cálculos biliares que dificultam o fluxo da bile. A AIDS, a presença de Ascaris lumbricoides ou uma dilatação congênita do colédoco também são fatores que poderiam causar tal condição, assim como problemas durante uma endoscopia da via biliar.

A colangite ocorre mais comumente em mulheres do que homens e o início costuma ser após a idade de 55 anos. Os principais sintomas da colangite ascendente são dor, icterícia, febre, confusão mental e hipotensão arterial.

As colangites esclerosante primária e secundária comportam, além desses sintomas, sangue ou muco nas fezes, perda de peso, diarreia, fadiga, prurido e aumento hepático (hepatomegalia). Esses sintomas podem variar de moderados a graves, dependendo do local acometido e da causa.

É importante diferenciar as colangites entre si, pois seu tratamento e evolução são diferentes.

O diagnóstico de colangite começa com a história médica completa e com o exame físico do paciente, seguidos por um exame de sangue (em busca de colestase), uma colangiografia (exame de raio-X contrastado dos ductos biliares), uma ressonância magnética ou uma ultrassonografia. A colangite esclerosante primária pode requerer uma biópsia hepática para análise do material recolhido.

Muitos casos de colangite aguda respondem ao tratamento com antibióticos, mas pacientes com colangites mais graves podem não responder adequadamente ou requerer uma drenagem biliar de emergência. Uma colangiografia endoscópica ou mesmo uma cirurgia pode ser necessária para a desobstrução dos canais biliares.

A colangite, quando não tratada adequadamente, é uma infecção com potencial para causar morbidez e mortalidade significativas.

Uma das maneiras de prevenir as colangites consiste em tratar correta e prontamente os cálculos biliares, tumores e infestações de parasitas. Um stent pode ser colocado no sistema biliar para que a infecção não volte. As colangites de causas genéticas não têm como ser prevenidas.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Vias de administração de medicamentos


Via de administração é a maneira como o medicamento é introduzido no organismo. É, por assim dizer, sua porta de entrada. Os medicamentos podem entrar no nosso corpo, entre outras vias, por [1] via oral (boca), [2] via sublingual (embaixo da língua), [3] via retal (ânus), [4] via intradérmica, [5] via subcutânea, [6] via intramuscular, [7] via endovenosa, [8] via cutânea e [9] via inalatória.

01-Via oral (VO)

A administração de medicamentos por via oral consiste em que eles sejam levados à boca e, então, deglutidos juntamente com água. É importante tomar algum líquido após a medicação para “lavar” o trato digestivo, porque algumas medicações podem ficar retidas por algum tempo antes de chegar ao estômago, causando danos à mucosa.

Nos casos em que os pacientes estão usando sonda nasogástrica ou nasoenteral, as medicações a serem tomadas por via oral devem ser administradas através dessas sondas que, posteriormente, devem ser lavadas para evitar obstrução.

Os medicamentos são elaborados sob a forma de comprimidos, drágeas, cápsulas, líquidos ou comprimidos efervescentes a serem diluídos em líquidos. Para pacientes que tenham dificuldades de engolir os comprimidos inteiros, alguns deles podem ser macerados e misturados a um líquido ou alimento, mas outros não devem sê-lo. O médico deve ser consultado quanto à possibilidade de fazer isso ou não.

Os princípios ativos das medicações passam à corrente sanguínea após serem absorvidos no estômago e intestino. Um cuidado que deve ser observado após a administração do medicamento por via oral é verificar se o paciente realmente deglutiu a medicação, já que os pacientes que se recusam a tomá-la ou que estejam semi-inconscientes costumam retê-la na boca ou mesmo atirá-la para fora.

02-Via sublingual (SL)

Os medicamentos a serem administrados por via sublingual também devem ser levados à boca, mas em vez de deglutidos eles devem ser colocados sob a língua, um local de grande vascularização superficial e de muito potencial de absorção. Com isso, o começo da ação deles é bastante rápido. Os medicamentos são preparados sob a forma de líquidos ou comprimidos que se dissolvem facilmente.

Por alguns minutos, o paciente não deve conversar nem ingerir qualquer alimento. Essa via é utilizada para aplicar medicações em algumas situações de urgência, como, por exemplo, medicações para dores precordiais, para hipertensão arterial e analgésicos. Ela não deve ser utilizada em pessoas apresentando náuseas, vômitos, dificuldade de deglutição ou que estejam em jejum para cirurgia.

Saiba mais sobre "Atendimento de urgência", "Dor no peito" e "Hipertensão arterial".

03-Via retal

Os medicamentos são introduzidos no reto, através do ânus, que por ser também um local de muita vascularização, tem alto grau de absorção. Por isso, as medicações administradas por via retal agem em curto espaço de tempo.

Muitos medicamentos que são preferencialmente administrados por via oral podem também ser administrados por via retal, em forma de supositório. Eles devem ser receitados quando a pessoa não pode tomar o medicamento por via oral por estar com náuseas e vômitos ou impossibilitada de engolir. Pela via retal são aplicados também os enemas.

04-Via intradérmica (ID)

Após aspirar a medicação do frasco, ela deve ser diluída e rediluída, conforme padronização, e administrada por injeção na derme. Essa via é muito restrita, usada para pequenos volumes de medicações (de 0,1 a 0,5 ml), nos quais são testadas reações de hipersensibilidade, como à tuberculose e algumas alergias. É também utilizada para aplicação da vacina contra tuberculose (BCG). O local de aplicação mais utilizado é a face interna do antebraço.

Leia sobre "Tuberculose pulmonar", "Testes alérgicos" e "BCG".

05-Via subcutânea (SC)

Na via subcutânea (ou hipodérmica), os medicamentos são administrados por meio de injeções no tecido subcutâneo. Esta via é de absorção lenta, através dos capilares, mas de forma contínua e segura. É utilizada para administração de algumas vacinas (anti-rábica e anti-sarampo), anticoagulantes (heparina) e hipoglicemiantes (insulina), e o volume líquido não deve exceder 1,0 ml. Deve ser aplicada nas regiões superiores externas dos braços, no abdome, na região anterior das coxas e na região superior do dorso.

A via subcutânea não deve ser utilizada se o paciente tem doença vascular oclusiva e má perfusão tecidual, porque se a circulação periférica estiver prejudicada, a absorção da medicação ficará retardada. Se essa via tiver de ser usada com frequência, os locais de administração devem ser alternados para evitar uma reação local desfavorável.

06-Via intramuscular (IM)

Na administração intramuscular, a medicação é injetada diretamente no músculo, de onde a absorção para a corrente sanguínea se dá a longo prazo. Os medicamentos podem estar sob a forma de suspensões ou soluções oleosas; aqueles em soluções aquosas podem ser rapidamente absorvidos após uma injeção intramuscular.

O profissional deve realizar uma avaliação da massa muscular da área de aplicação para determinar a quantidade a ser administrada em cada músculo. Na maioria dos casos, a medicação vem em quantidades já pré-determinadas, em ampolas, mas em outros casos ela é acondicionada em frascos com mais de uma dose, que deve ser medida na seringa. Em alguns casos as substâncias vêm acondicionadas em 2 frascos diferentes e devem ser misturadas antes de serem administradas.

Os músculos de escolha para administração são o vasto lateral da coxa, glúteo e deltoide. Os dois primeiros podem receber até 5 ml de líquido, cada um, e o último, até 3 ml.

07-Via endovenosa (EV)

Por via endovenosa os medicamentos são injetados diretamente na corrente sanguínea através de uma veia, eliminando a etapa de absorção. Por isso, a ação da medicação é imediata e essa é a via de primeira opção para ministrar medicamentos durante uma situação de emergência.

A administração endovenosa pode variar desde uma dose única, como de um analgésico, por exemplo, ou doses repetidas regularmente até uma infusão contínua gradual, de longa duração, como numa rehidratação, por exemplo.

Como a absorção pela corrente sanguínea é completa e imediata, grandes doses de substâncias podem ser fornecidas, se necessário. As veias escolhidas para administração são aquelas de mais fácil acesso: veias do dorso da mão, veias dos membros superiores e veias da região cefálica.

08- Via cutânea

A pele tem uma certa capacidade absortiva e, por essa razão, alguns medicamentos podem ser administrados por meio de adesivos afixados a ela, sobretudo aqueles que devem ser administrados de forma contínua e por longos períodos. Os adesivos devem ser afixados em regiões de pele fina, previamente higienizadas e devem ser trocados periódicamente, conforme orientação médica.

09- Via inalatória

Neste método, o medicamento é levado ao trato respiratório através de nebulizadores e daí chegam aos alvéolos pulmonares, de onde atingem a corrente sanguínea. Os medicamentos fornecidos através da via respiratória podem produzir efeitos locais ou sistêmicos, à distância. Os capilares existentes nos alvéolos pulmonares são uma excelente via de absorção e a ação das medicações é bastante rápida.



Muitas medicações são administradas diretamente nos próprios locais onde devem fazer efeito, ditas, portanto, medicações tópicas. As mais comuns e importantes são, entre outras, medicações que devem ser aplicadas na pele, nos olhos, no nariz, na vagina, no interior das articulações. Em geral elas são preparadas sob a forma de pomadas, cremes, colírios, aerossois ou soluções.

Em casos excepcionais, podem ainda haver outras formas de administração de medicações. É o caso, por exemplo, da medicação administrada localmente através de uma sonda, que procura resolver o sangramento de uma úlcera gástrica ou duodenal.

terça-feira, 7 de março de 2017

Trombofilia - Formação "espontânea" de trombos


A trombofilia é definida como a tendência à trombose decorrente de alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação ou da fibrinólise, que levam a um estado pró-trombótico.

A trombofilia é classificada como hereditária quando se demonstra a presença de uma anormalidade hereditária que predispõe à oclusão vascular, mas que requer a interação com outro componente, hereditário ou adquirido, para desencadear o episódio trombótico.

As trombofilias hereditárias são, na maior parte dos casos, decorrentes de alterações ligadas aos inibidores fisiológicos da coagulação (antitrombina, proteína C, proteína S e resistência à proteína C ativada) ou de mutações de fatores da coagulação (FV G1691A ou Fator V Leiden e mutação G20210A da protrombina).

A trombofilia é adquirida quando é decorrência de outra condição clínica, como neoplasia, síndrome antifosfolípide, imobilização, ou do uso de medicamentos, como terapia de reposição hormonal, anticoncepcionais orais e heparina. Níveis plasmáticos moderadamente elevados de homocisteina também podem ser responsáveis por episódios vaso-oclusivos.

Importante consideração a ser feita é o território vascular (venoso e/ou arterial) de ocorrência do(s) evento(s) trombótico(s), já que isto implica em mecanismos fisiopatológicos diversos, com investigação laboratorial e tratamento também diferentes.

Clinicamente, as trombofilias hereditárias geralmente manifestam-se como tromboembolismos venosos, mas com algumas características próprias:

a) ocorrência em indivíduos jovens (< 45 anos);
b) recorrência freqüente;
c) história familiar de eventos trombóticos;
d) trombose migratória ou difusa ou em local pouco comum, e
e) episódio trombótico desproporcionalmente grave em relação ao estímulo desencadeante.

Os defeitos trombofílicos podem também causar várias complicações obstétricas, como dificuldade para engravidar, gestações complicadas, retardo do crescimento fetal, abortamentos e perdas fetais.

A investigação laboratorial deve ser realizada em todas as situações mencionadas.

Este estudo, sempre realizado temporalmente distante do evento trombótico agudo, inclui a quantificação funcional dos inibidores da coagulação, a quantificação da homocisteína plasmática, as pesquisas das mutações FV G1691A e G20210A da protrombina, e da presença dos anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico e anticardiolipina).

Segundo alguns autores, a presença de hiperfunção plaquetária (Síndrome da plaqueta viscosa) também deveria ser investigada rotineiramente, por ser causa de tromboses arteriais e / ou venosas.

Como em algumas situações clínicas a investigação laboratorial pode não alterar a conduta terapêutica que será instituída, deve-se levar em conta a relação custo/benefício deste estudo.

Porém, duas observações merecem ser feitas:

a) a presença de associações de defeitos trombofílicos implica em maior potencial trombogênico e
b) a demonstração da presença ou ausência de anticorpos antifosfolípides orienta quanto ao tempo e a intensidade da anticoagulação.

Por fim, deve-se ainda considerar que, por serem defeitos hereditários, a demonstração de um defeito trombofílico congênito determina qual será a investigação dos familiares e aqueles que forem portadores assintomáticos deverão receber orientação adequada em situações de risco, visando evitar a ocorrência de eventos trombóticos.


Revista da Associação Médica Brasileira

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Vai para a sauna? Leia algumas informações!


A sauna consiste em uma cabine, tipo uma pequena sala ou quarto, muito aquecida, na qual as pessoas permanecem por alguns minutos, após o que frequentemente se segue um banho de chuveiro (ducha) de água fria. Há basicamente dois tipos de sauna: "sauna a vapor" (sauna úmida ou banho turco), geralmente aquecida por vapor de água e "sauna seca" (banho finlandês), que utiliza pedras aquecidas ou outro material também aquecido, sem liberar vapor.

Mais comumente as saunas são construídas em clubes e hoteis e, mais raramente, em residências. Elas podem ser saunas a vapor, saunas secas ou ambas.

Dentro de uma sauna úmida (a vapor), um dispositivo adequado ferve água e libera no ar o vapor resultante. Uma sala de vapor é quase hermética, o interior dela é revestido de azulejo e a umidade chega a atingir os 100 por cento. O ar úmido e aquecido faz com que a água condense nas paredes e no teto. Por isso, as salas de vapor têm geralmente tetos inclinados, de modo que a água condensada escorra para baixo e desça pelas paredes e não goteje sobre os usuários.

Numa sauna seca, um aquecedor aquece uma pilha de pedras que irradia calor para o cômodo. Na maioria das saunas secas, o usuário pode derramar água sobre as rochas aquecidas para gerar vapor e aumentar um pouco a umidade, embora ela ainda fique longe do nível atingido numa sala de vapor. O interior das saunas secas deve ser revestido de madeira, porque a madeira absorve a umidade existente e impede a dissipação do calor. Também os assentos são construídos de madeira, porque isso mantém suas superfícies mais frias e utilizáveis. Do contrário, bancos de metal ou paredes de azulejos se aqueceriam ao ponto de não poderem ser utilizados.

Como o ar ou o vapor quentes sempre sobem, devido à sua menor densidade, quanto mais alto a pessoa se sentar, mais calor ela obterá. As saunas geralmente têm um respiradouro perto do chão, que permite a entrada de algum ar fresco. As saunas secas são consideravelmente mais quentes do que as saunas a vapor, embora por causa da variação na umidade, a pessoa possa não se dar conta dessa diferença.

Idealmente, deve-se tomar duas sessões por semana já que os efeitos do banho de sauna permanecem por cerca de três dias no organismo. Cada sessão deve durar de 10 a 15 minutos, não sendo recomendável fazer três ou mais sessões por semana. A sauna úmida raramente ultrapassa os 60ºC, mas a umidade pode chegar a 100%, fazendo a pessoa se sentir muito mais quente. Já na sauna seca, o corpo humano pode tolerar temperaturas superiores a 80°C, com um nível de umidade de 5 a 30%.

Normalmente usa-se temperaturas menores que estas. A temperatura usual para a sauna a vapor fica entre os 40 e 50ºC, e para a sauna seca, 60ºC. O ideal é usar-se o mínimo de roupa possível e estar descalço. Os homens costumam usar uma sunga e as mulheres um biquíni. Em alguns países, e mesmo no Brasil, se as circunstâncias permitem, adota-se a completa nudez. A pessoa deve estar com o intestino e a bexiga vazios, retirar do corpo todos os objetos metálicos e interpor uma toalha entre o assento e o corpo.

Numa sessão de sauna perde-se de 0,5 Kg a 2,5 Kg de peso corporal, devido ao suor intenso, representado, principalmente, por líquidos e sais. Por isso, deve-se criar o hábito de ingerir sucos ou outras bebidas não alcoólicas e comida com mais sal depois de cada sessão de sauna. A sauna não desidrata, unicamente reduz temporariamente o nível de umidade corporal. Cuidado com as bebidas alcoólicas durante as sessões de sauna, porque elas, sim, são desidratantes!

A sauna alivia as dores de coluna devidas à má postura, aumenta a circulação sanguínea, promove a hidratação da pele e a transpiração que causa a desobstrução dos poros, combate o estresse e a hipertensão arterial, aumenta a temperatura interna, produzindo os efeitos positivos da chamada "febre curativa", elimina o ácido lácteo e o ácido úrico e é um bom sedativo para pessoas com insônias. Além disso, relaxa a musculatura, limpa e desobstrui as vias respiratórias e, através do suor, expulsa impurezas do organismo e combate algumas doenças do sistema respiratório.

As saunas a vapor podem ser mais confortáveis para pessoas com alergias ou congestionamento no peito ou nos seios nasais. As saunas secas são a melhor escolha para pessoas com condições que possam ser agravadas pela umidade, como a artrite reumatoide, por exemplo. Além disso, a sauna tem a virtude de promover o convívio social entre seus frequentadores e melhorar o humor do usuário. No entanto, a frequência habitual ou prolongada em saunas deve ser orientada por um médico, pois certas patologias respiratórias e circulatórias não se beneficiam com a permanência no ambiente quente das saunas, ou até pioram.

Não há nenhuma evidência para sustentar a afirmação popular de que esses "banhos de calor" sirvam para desintoxicar o corpo. Da mesma forma, a crença de que as saunas ajudam a perder peso é muito exagerada. A sudorese que a sauna provoca é suficiente para levar a uma diminuição no peso, mas a perda é somente momentânea e quase totalmente de água e sais.

A sauna é contraindicada para pessoas com deficiências cardíacas ou circulatórias graves e para pessoas que sofram de hipotensão arterial ou arteriosclerose e não deve ser frequentada durante o período de digestão, durante a menstruação ou gestação, nem por pessoas que tenham qualquer doença contagiosa.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Colonoscopia: algumas informações


Colonoscopia é um exame que permite a visualização direta do interior do reto, cólon e parte do íleo terminal através de um tubo flexível introduzido pelo ânus, contendo em sua extremidade uma minicâmera de TV que transmite imagens coloridas, podendo ser fotografadas ou gravadas em vídeo.

O paciente é posicionado em uma maca, deitado sobre o seu lado esquerdo. Depois de leve sedação, às vezes procedida por um anestesista, o interior do cólon é acessado através do tubo flexível introduzido pelo ânus. Para isso, o cólon deve estar limpo de fezes e resíduos alimentares, o que exige um preparo prévio que consiste em uma dieta líquida nas 24 horas que antecedem o exame, bem como no uso de laxativos e de um produto chamado Manitol, conforme orientação médica. Em raros casos, esse preparo envolve uma lavagem intestinal. O aparelho é introduzido lenta, suavemente e de maneira progressiva no interior do cólon, permitindo o exame cuidadoso da mucosa. Durante o procedimento, pequenas quantidades de ar são injetadas dentro do intestino para melhorar a visualização, o que pode causar cólicas após o procedimento.

Alguns medicamentos que o paciente esteja tomando podem ser continuados normalmente, enquanto outros devem ser suspensos 48 a 72 horas antes do início do exame. Quaisquer condições especiais de saúde devem ser informadas ao médico.

Geralmente o exame é realizado em regime ambulatorial, sem necessidade de internação, durando de 20 a 30 minutos. Além de seu potencial diagnóstico direto, a colonoscopia também permite realizar biópsias da mucosa, corrigir pequenos sangramentos e retirar eventuais pólipos intestinais. O exame é inócuo e não ocasiona dor. Geralmente é aplicada uma sedação ligeira para deixar o paciente mais calmo e colaborativo. Em crianças muito pequenas (geralmente abaixo de quatro anos), pode ser necessária uma anestesia geral superficial.

O paciente deve ir ao exame acompanhado pois os sedativos que tomará podem deixá-lo sonolento mesmo após o exame. Ele não deve dirigir ou voltar a trabalhar logo após o exame.

A colonoscopia devia se constituir num exame preventivo a ser realizado periodicamente (mas não muito frequentemente) por todas as pessoas acima dos 50 anos, idade em que estão mais sujeitas ao câncer e aos pólipos intestinais. Ela permite a avaliação da mucosa do intestino grosso (onde em geral o câncer intestinal começa) e do calibre da luz dessa porção intestinal. Permite também a coleta de material para biópsia, a realização de retirada de pólipos, a descompressão de volvo intestinal e a hemostasia de sangramentos. Pode ainda ser realizada para diagnóstico e acompanhamento de tumores, para o diagnóstico de doença inflamatória e esclarecimento de outras patologias intestinais.

Em geral, o exame é indicado em casos de:

Dor abdominal de origem desconhecida
Sangramentos retais não precisados
Diarreia ou constipação crônica não esclarecida
Suspeita de neoplasias, de diverticulose ou de hemorragia digestiva baixa
Rastreamento de cânceres, de pólipos e de doenças inflamatórias intestinais
Além de outras condições menos comuns, a juízo médico
Quais são os riscos e as contraindicações desse exame?

Quase todo procedimento médico envolve riscos. A colonoscopia realizada por um profissional experiente torna rara a possibilidade de riscos. A combinação da experiência do profissional com a modernização dos equipamentos faz da colonoscopia um procedimento simples e seguro. As raras complicações se referem à possibilidade de sangramentos ou perfurações intestinais devido mais às condições das paredes intestinais do paciente do que ao exame em si.

As contraindicações absolutas da colonoscopia são:

Suspeita de abdome agudo
Suspeita de diverticulite aguda
Suspeita de megacólon tóxico
As contraindicações relativas mais importantes são:

Infarto recente do miocárdio
Embolia pulmonar recente
Neutropenia significativa
Terceiro trimestre da gravidez
Aneurisma da aorta
Esplenomegalia
O exame deve ser adiado para uma ocasião mais propícia em pacientes que estejam sofrendo algum tipo de coagulopatia ou que estejam tomando anticoagulantes.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Síncope vasovagal



Síncope, ou desmaio, é uma perda transitória da consciência e da força muscular, associada à incapacidade de manter-se de pé, caracterizada por um início brusco e de curta duração, com recuperação espontânea. Os termos populares "desmaio" ou "desfalecimento" são sinônimos muito utilizados do termo médico “síncope”. A síncope não é uma doença em si, mas sim um sintoma que pode ocorrer em diversas condições patológicas.

A síncope vasovagal ou síndrome vasovagal, também chamada de síncope neuro-mediada ou síncope neurocardiogênica, pode ser considerada de duas formas:

1.Episódios isolados de perda de consciência, não anunciados por quaisquer sintomas de alerta.
2.Síncope recorrente com sintomas complexos associados.

A síndrome vasovagal pode ser precipitada pelo jejum, exercício, esforço abdominal ou circunstâncias que promovem vasodilatação, como o calor e o álcool, por exemplo. Os ambientes fechados e de aglomeração de pessoas, como elevadores, igreja e salão de beleza tendem a desencadear a síndrome. A síncope vasovagal quase sempre ocorre em resposta a um fator desencadeador. Os gatilhos mais típicos são o tempo prolongado em pé ou sentado, durante a micção; levantar-se muito rapidamente; procedimentos médicos como uma biópsia; estresse; trauma; taquicardia ortostática; estímulos dolorosos ou desagradáveis, como cólicas menstruais intensas, por exemplo; hipersensibilidade à dor; atividades excitantes ou estimulantes; emoções extremas e súbitas; privação de sono; desidratação; estado de fome; exposição a altas temperaturas; compressão em certos lugares do corpo, como na garganta, seios e olhos; uso de certos fármacos e substâncias tóxicas como cocaína, álcool, maconha, inalantes e opiáceos; ver sangue e baixa taxa de açúcar no sangue.

A síndrome vasovagal está relacionada à ativação inapropriada do nervo vago, que faz parte do sistema nervoso parassimpático. Normalmente, o volume de sangue circulante é relativamente baixo, se a pessoa, por exemplo, tem uma dieta com pouco sal ou tem uma tendência a não retenção de sal, o que facilita os ataques.

A vasodilatação promovida pelo calor agrava ainda mais esse efeito. Há também uma etapa adrenérgica: se há medos ou ansiedade agudos ou fobias, o coração é demandado a bombardear mais sangue. Esta resposta é colocada em movimento por meio do sistema nervoso simpático. A elevada atividade simpática é modulada pelo nervo vago, que nestes casos compensa com a desaceleração excessiva da frequência cardíaca. Se mesmo assim o coração for incapaz de cumprir o requisito do bombeamento necessário, haverá um baixo volume de sangue, com diminuição do aporte para o cérebro e desmaio consequente.

A síndrome vasovagal pode ocorrer em qualquer faixa etária, no entanto, é mais comum em jovens entre 10 e 30 anos. Os episódios em geral são recorrentes e invariavelmente ocorrem quando a pessoa está na posição vertical. Quase sempre ocorrem quando a pessoa predisposta é exposta a um gatilho específico. Antes de perder a consciência, o indivíduo experimenta tonturas, náuseas, a sensação de estar quente ou frio, sudorese, zumbido, sensação desconfortável no coração, pensamentos difusos, confusão, uma ligeira incapacidade de falar, fraqueza, distúrbios visuais e sentimento de nervosismo. Esses sintomas duram por alguns segundos e normalmente acontecem quando a pessoa está sentada ou em pé. Quando caem no chão ou se deitam, o fluxo sanguíneo para o cérebro é imediatamente restaurado e as pessoas se recuperam rapidamente (menos que cinco minutos), habitualmente sem sonolência ou confusão mental.

Uma história médica detalhada é essencial. Os exames médicos realizados para uma avaliação precisa podem ser teste de inclinação ortostática, eletrocardiograma, monitor Holter, ecocardiograma e eletroencefalografia. Um diagnóstico diferencial deve ser feito com outras condições médicas que também produzem desmaios. Por exemplo, uma duração da perda da consciência maior que cinco minutos e um despertar confuso e desorientado podem sugerir o diagnóstico de epilepsia. Desmaios também podem estar associados a problemas mais graves, como arritmias cardíacas e crises convulsivas.

Não existe um tratamento específico para a síndrome vasovagal. Geralmente os cuidados são comportamentais e centram-se no controle dos gatilhos e na restauração do fluxo sanguíneo para o cérebro durante um episódio iminente e medidas que interrompam ou impeçam o mecanismo fisiopatológico que leva aos desmaios.

Se o gatilho é mental ou emocional, como, por exemplo, a visão de sangue, exercícios baseados em exposição progressiva, orientados por terapeutas experientes, apresentam uma grande redução das síncopes. No entanto, se o gatilho é um medicamento específico, a supressão dele é o tratamento recomendado.

O paciente pode mover ou cruzar as pernas ou contrair os músculos delas para evitar que a pressão arterial caia drasticamente. Antes dos eventos conhecidos que normalmente desencadeiam o episódio o paciente deve aumentar o consumo de sal e líquidos para aumentar o volume de sangue. Alguns medicamentos têm sido prescritos, como betabloqueadores e estimulantes do sistema nervoso central, no entanto, eles têm-se mostrado de pouca eficácia. Além disso, eles podem até mesmo se tornar causas de novas síncopes por redução da pressão arterial e da frequência cardíaca. Para pessoas com a síncope vasovagal em que há um componente cardioinibitório, o implante de marcapasso permanente pode ser benéfico ou mesmo curativo.

No geral, as pessoas com síndrome vasovagal têm uma vida normal, mas se não forem tomados os devidos cuidados, aumentam-se os riscos de fraturas decorrentes das quedas por desmaio e a sensação de insegurança.

Os pacientes devem ser instruídos sobre como reagir a novos episódios de síncope, especialmente se eles experimentam sinais que antecedem as crises. Algumas orientações básicas são:

•Deitar e levantar as pernas, para restabelecer o fluxo sanguíneo para o cérebro.
•Não ficar em pé por períodos longos.
•Beber bastante água.
•Evitar bebidas desidratantes, como bebidas alcoólicas.
•Evitar ambientes quentes e fechados.
•Movimentar as pernas e panturrilhas enquanto estiver em pé.
•Deitar-se com as pernas elevadas, se sentir que vai desmaiar.

Uma das complicações possíveis são os ferimentos e fraturas devidos a quedas abruptas. Essas quedas devem ser prevenidas quando há sintomas prodrômicos que antecedem os desmaios.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Hemorragias


Chama-se hemorragia ou sangramento à perda de sangue do sistema circulatório para dentro das cavidades ou tecidos do próprio organismo ou para fora dele, devido à laceração ou ruptura de vasos sanguíneos.

São hemorragias típicas aquelas que ocorrem após acidente ou traumatismo, rompimento de um aneurisma ou de varizes, esfoladura da pele, etc.

Uma hemorragia pode ser pequena e pouco significativa ou importante e até letal. Um dos critérios usados para classificar as hemorragias é dividi-las em quatro classes, de acordo com o volume de sangue perdido.

Quando o extravasamento de sangue se dá para o interior de cavidades do corpo, usa-se o termo “hemorragia interna” e quando se dá para o exterior, “hemorragia externa”.

As primeiras são muito mais difíceis de diagnosticar porque, não sendo visíveis, têm de ser pensadas indiretamente por certos sinais e sintomas.

As hemorragias podem ser arteriais, venosas ou capilares, conforme os vasos que sejam afetados.

A hemorragia deve-se à laceração ou ruptura de vasos sanguíneos, com extravasamento de sangue para o interior do próprio organismo ou para fora dele e possui diversas causas.

Pode haver hemorragia aguda devido ao rompimento abrupto de um grande vaso, como nos acidentes ou no rompimento de um aneurisma, por exemplo.

Elas também podem ser crônicas, pela perda persistente de pequenas quantidades de sangue, como em um sangramento de uma úlcera gástrica ou uma moléstia renal.

A gravidade da hemorragia se mede pela quantidade e rapidez de sangue extravasado.

Os sinais e sintomas das hemorragias podem ser gerais, pela deficiência de sangue ocasionada por toda hemorragia, ou específicos, dependentes do tipo de sangramento.

O mecanismo compensatório do sistema circulatório à perda aguda de sangue é uma vasoconstrição generalizada para tentar manter o fluxo sanguíneo para órgãos importantes como rins, coração e cérebro. A taquicardia tenta manter o débito cardíaco e costuma ser o primeiro sinal de um choque hipovolêmico.

A pessoa vai ficando pálida, com o coração disparado, pulso fino e difícil de palpar. Pessoas com perdas sanguíneas importantes e que demoram a receber socorro médico podem ter isquemias temporárias dos tecidos, com a liberação de substâncias típicas do metabolismo anaeróbico. Não sendo revertido o processo, finalmente ocorre a morte.

Outros sinais e sintomas podem depender também do grau de gravidade da hemorragia:

•Hemorragia Classe I - Sinais e sintomas mínimos. Leve aumento da frequência cardíaca.
•Hemorragia Classe II - Frequência cardíaca ≥ 100 batimentos por minuto (bpm), respiração rápida, pulso fino e leve, diminuição da diurese.
•Hemorragia Classe III - Além dos sintomas da hemorragia classe II, apresenta sinais clássicos de hipoperfusão. Existe diminuição do nível de consciência, palidez e sudorese fria.
•Hemorragia Classe IV - Taquicardia extrema, marcada queda da pressão sistólica e dificuldade para perceber-se a pulsação. O débito urinário estará próximo a zero. Perda total da consciência.

Nas hemorragias arteriais o sangue é vermelho vivo e a perda é pulsátil, conforme as contrações do coração. Esse tipo de hemorragia leva a uma perda rápida de sangue e, por isso, é particularmente grave. Quase sempre resulta do rompimento de uma artéria ocasionado por um ferimento ou acidente como os produzidos por cortes, armas de fogo ou acidentes automobilísticos.

Nas hemorragias venosas o sangue é vermelho escuro e a perda se dá de forma contínua. São menos graves, porém a demora no tratamento pode ocasionar sérias complicações. Muitas vezes são hemorragias internas como as causadas pelas varizes portais ou esofagianas ou pelas hemorroidas.

Nas hemorragias capilares são pequenas as perdas de sangue. Elas ocorrem em vasos de pequeno calibre que recobrem a superfície do corpo. Em geral, são hemorragias “em lençol”, como as que ocorrem nas arranhaduras de pele ocasionadas por um tombo. O sangue parece minar da pele.

Existem tipos comuns e especiais de hemorragias:

•Epistaxe: sangramento provocado pelo rompimento de um vaso sanguíneo do nariz.
•Hematêmese: sangramento proveniente do esôfago ou do estômago e eliminado pela boca, sob a forma de vômitos.
•Hemoptise: sangramento proveniente das vias respiratórias. Geralmente eliminado sob a forma de golfadas.
•Menstruações: sangramento fisiológico e recorrente a cada 28 dias em média, que cessa espontaneamente, proveniente da camada endometrial do útero.

Muitas vezes as hemorragias recebem denominações de acordo com o local que afetam. Por exemplo: hemartrose quando afeta uma articulação ou enterohemorragia quando afeta o intestino.

Nas hemorragias externas o sangue é diretamente visível. Nas internas, o médico se orienta pelos sinais e sintomas clínicos e por alguns exames de imagem, os quais embora forneçam sinais indiretos, tornam-se bastante consistentes quando associados aos dados clínicos.

A primeira providência consiste em deter ou diminuir o sangramento. Chama-se hemostasia ao conjunto de manobras que visam conter a hemorragia. Para isso, pode-se adotar algumas providências:

•Elevar a região acidentada: diminui e mesmo estanca pequenas hemorragias nos membros e em outras partes do corpo por dificultar a chegada do fluxo sanguíneo.
•Tamponamento: obstrução do fluxo sanguíneo, com as mãos ou com um pano limpo ou gaze esterilizada, fazendo-se um curativo compressivo. É o melhor método de estancar hemorragias pequenas, médias e grandes.
•Compressão arterial: comprimir as grandes artérias que irrigam a região afetada faz diminuir o fluxo sanguíneo.
•Torniquete: é uma medida extrema, a ser usada apenas quando as anteriores não deram resultado. Consiste em aplicar uma faixa de constrição a um membro, acima do ferimento, de maneira tal que se possa ser apertada até deter a passagem do sangue arterial.

Na fase de assistência médica, o volume sanguíneo deve ser inicialmente reposto através de soluções salinas. O choque hipovolêmico deve ser tratado com volume, isto é, com soro fisiológico e solução de Ringer. Casos mais graves podem requerer soluções gelatinosas, mas existe um volume máximo desta solução que se ultrapassado intoxica e mata o paciente. Ao mesmo tempo devem ser feitas tentativas de interromper a perda sanguínea, incluindo cirurgias visando a hemostasia. Em alguns casos torna-se necessária uma transfusão sanguínea para manter a vida do paciente.

A evolução de uma hemorragia depende da sua natureza e de sua intensidade. As pequenas hemorragias, uma vez estancadas a tempo, não têm repercussão clínica. As médias hemorragias podem deixar consequências que se curam dentro de um tempo. Hemorragias muito volumosas dependem da rapidez com que sejam estancadas. Algumas são letais.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Para ajudar do tratamento da Hipertensão Arterial


Aveia

A aveia faz parte do grupo dos carboidratos e é uma excelente fonte de fibras, vitaminas e minerais. O alimento auxilia no processo de emagrecimento por retardar o esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade.
Desse modo, ele auxilia no controle da glicose sanguínea, sendo uma importante ferramenta para hipertensos. Além disso, a aveia contém magnésio que, em união com o cálcio, ajuda no relaxamento da musculatura, diminuindo o inchaço do corpo.

Amêndoa e noz

Por serem boas fontes de magnésio, amêndoas e nozes atuam como vasodilatadores, ou seja, ampliadores dos vasos sanguíneos, o que auxilia no controle da pressão arterial. Esses alimentos também são ricos em vitamina E, um dos principais antioxidantes naturais existentes, que ajudam a retardar o envelhecimento e diversas complicações cardíacas.

Alimentos ricos em ômega 3

Presente em alimentos como sardinha, salmão, atum, linhaça e azeite, os ácidos graxos ômega 3 devem ser consumidos por pessoas com hipertensão em uma dose acima do valor diário recomendado normalmente, aponta a nutricionista Cátia Medeiros. Estudos comprovam que a ingestão dessa substância está intimamente relacionada à diminuição da vasoconstrição e ao aumento da vasodilatação. Em outras palavras, o ômega 3 não só dificulta a síntese responsável por contrair os vasos sanguíneos como ainda facilita a síntese que promove a sua abertura.

Ervas

O que a salsa, a cebolinha, o coentro, o alecrim, a sálvia, o manjericão, o louro e o tomilho têm em comum? Todos são ótimos temperos naturais e, por isso, podem substituir como nenhum outro alimento o uso do sal. Reduzindo o sal, também há diminuição da ingestão de sódio, um dos principais vilões dos hipertensos. O sódio favorece a retenção de líquidos no organismo, aumentando a pressão arterial e elevando o risco de doenças renais e cardiovasculares.

Cereais integrais

Eles reduzem as chances de diabetes, previnem o câncer, ajudam a manter o peso e ainda são grandes combatentes da hipertensão. Motivos não faltam para incluir cereais integrais, como farelo de aveia e gérmen de trigo, na sua dieta. O grande mérito desses alimentos é a concentração de magnésio, que estimula a dilatação dos vasos sanguíneos, reduzindo, por tabela, o inchaço típico de pessoas que retêm líquidos.

Alimentos ricos em potássio

Se, por um lado, o sódio estimula a retenção de líquidos no organismo, aumentando a circulação sanguínea e, consequentemente, a pressão arterial, o potássio age como um natriurético, estimulando a eliminação do sódio presente no corpo. Assim, alimentos ricos nesse elemento são muito recomendados para hipertensos. O potássio está presente no inhame, no feijão preto, na abóbora, na cenoura, no espinafre, no maracujá, na laranja, na banana e em diversos outros alimentos.

Leite e derivados

Importantes fontes de cálcio, leite e derivados não podem ficar de fora da dieta de pessoas com hipertensão. O cálcio funciona como hipotensor, ou seja, atua na diminuição da pressão sanguínea, uma vez que estimula a eliminação de sódio. A grande vantagem desses alimentos é o fato de pequenas porções apresentarem grande concentração do mineral. Há, ainda, recomendação para que sejam consumidas as versões desnatadas e com baixo teor de gordura, como o queijo branco.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Síndrome Metabólica


Chama-se síndrome metabólica a um conjunto de fatores individuais que aumentam muito o risco de desenvolver doenças cardiovasculares ou diabetes tipo 2.

Ela foi primeiramente aventada na década de 80, por um pesquisador chamado Reaven, o qual observou que doenças cardiovasculares frequentes estavam muitas vezes associadas à obesidade.

A síndrome metabólica parece se dever sobretudo a uma dieta desequilibrada associada a um estilo sedentário de vida e a fatores constitucionais do indivíduo.

Caracteriza-se pela observação de que condições como a obesidade, a hipertensão arterial, as alterações na glicose, nos triglicerídeos e no colesterol estão unidas por um elo comum, chamado resistência insulínica e relacionadas com doenças cardiovasculares.

Essa resistência corresponde à dificuldade que tem esse hormônio de exercer suas ações.

A insulina é responsável por passar a glicose do sangue às células, participando também do metabolismo das gorduras, além de ter outras funções.

As dificuldades de ação da insulina correspondem a um conjunto de doenças que têm como base comum a resistência insulínica.

O conjunto de sintomas da síndrome metabólica está intimamente correlacionado e uns levam aos outros, formando um ciclo complexo e difícil de ser interrompido.

Do mesmo modo, a melhoria de um deles implica em melhoria dos outros.

Os dados constituintes da síndrome, que em si já são patológicos (obesidade, hipertensão, alterações dos níveis da glicose sanguínea, dos triglicerídeos, do colesterol e a presença de albuminúria), podem ainda desencadear infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2, insuficiência renal, cataratas, etc.

Além disso, aumenta a coagulação sanguínea e as consequências decorrentes dela.

Não há um critério unanimemente aceito em todas as partes do mundo para definir a síndrome.

No Brasil existe o Consenso Brasileiro sobre Síndrome Metabólica, documento referendado por diversas entidades médicas e que a define mediante a presença de pelo menos três de cinco pontos:

•Obesidade central: circunferência da cintura superior a 88 centímetros na mulher e 102 centímetros no homem.
•Hipertensão arterial: pressão arterial sistólica maior que 130 mmHg e pressão diastólica maior que 85 mmHg.
•Glicemia: acima de 110 mg/dl ou diagnóstico de diabetes mellitus.
•Triglicerídeos: maior que 150 mg/dl, dosados no sangue.
•HDL colesterol (“colesterol bom”): abaixo de 40 mg/dl em homens e de 50 mg/dl em mulheres, dosado no sangue.

Alguns pesquisadores acrescentam, ainda, a albuminúria, que é a perda de albumina na urina.

Cada componente da síndrome deve ser tratado individualmente, para diminuir os riscos de eventos cardiovasculares.

É fundamental uma mudança do estilo de vida para um modo mais saudável, mesmo que menos prazeroso. Deve-se promover a perda de peso, evitar o fumo e realizar atividades físicas orientadas.

Em alguns casos pode ser feito uso de medicações, sob orientação médica, para controlar a hipertensão, os níveis de colesterol, de açúcar e outros sinais ou sintomas.

Os indivíduos acometidos pela síndrome metabólica estão mais sujeitos às doenças cardiovasculares e ao diabetes tipo 2 e têm uma menor expectativa de vida.

É importante formar hábitos alimentares saudáveis desde a infância, controlar o peso, fazer exercícios físicos, não fumar e manter controle laboratorial sobre os níveis de colesterol, glicose e triglicerídeos.

As pessoas acometidas pela síndrome metabólica estão sob o risco de morte por problemas cardiovasculares duas a três vezes maior que a população geral.

A síndrome metabólica também aumenta o risco de diabetes tipo 2 e das complicações decorrentes desta patologia.