Translate

Total de visualizações de página

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Hipertensão e alterações cognitivas


A demência relacionada com a idade avançada, mais comumente causada pela doença de Alzheimer ou por fatores cerebrovasculares (demência vascular), é uma grande ameaça para a saúde pública. A hipertensão arterial crônica é um fator de risco bem estabelecido para ambos os tipos de demência, mas a ligação entre hipertensão e seu tratamento e cognição permanece mal compreendida.

Nesta declaração científica, uma equipe multidisciplinar de especialistas examina o impacto da hipertensão na cognição para avaliar o estado do conhecimento, identificar lacunas e fornecer orientações futuras.

Autores com conhecimentos relevantes foram selecionados para contribuir para esta declaração da American Heart Association. Os membros do painel receberam tópicos relevantes para suas áreas de especialização, revisaram a literatura e resumiram os dados disponíveis.

Os resultados mostram que a hipertensão perturba a estrutura e a função dos vasos sanguíneos cerebrais, conduz à lesão isquêmica de regiões críticas da substância branca para a função cognitiva e pode promover a doença de Alzheimer.

Há forte evidência de uma influência deletéria da hipertensão de meia-idade na função cognitiva tardia, mas o impacto cognitivo da hipertensão tardia é menos claro.

Estudos observacionais demonstraram um efeito cumulativo da hipertensão sobre o dano cerebrovascular, mas a evidência dos ensaios clínicos de que o tratamento anti-hipertensivo melhora a cognição não é conclusiva.

Depois de analisar cuidadosamente a literatura, o grupo de especialistas concluiu que havia dados insuficientes para fazer recomendações baseadas em evidências. No entanto, o tratamento criterioso da hipertensão arterial, levando em conta os objetivos do cuidado e as características individuais (por exemplo, idade e comorbidades), parece justificado para salvaguardar a saúde vascular e, consequentemente, a saúde do cérebro.



Fonte: Hypertension, em 10 de outubro de 2016


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um pet ajuda na saúde?


Por quase 25 anos, pesquisas já mostram que viver com animais de estimação fornece benefícios para a saúde. Animais ajudam a baixar a pressão arterial, a diminuir a ansiedade, aumentam a nossa imunidade e podem até mesmo ajudar na melhoria de nossas relações sociais.

Além de proteger sua casa, algumas raças são extremamente ligadas à família, o que promove a integração e a felicidade, naturalmente afetando a saúde. Em especial os cães molossos, como o Cane Corso, o Mastin Napolitano e outros, conjugam a proteção patrimonial com esta característica ímpar de integração familiar.

Falaremos disso mais à frente. Primeiro vamos ver alguns fatos médicos.

1. Combatem alergias

Acreditava-se que se uma família tivesse um animal de estimação, as crianças eram mais propensas a se tornarem alérgicas e que se uma pessoa fizesse parte de uma família já propensa a alergias, os animais deveriam ser evitados. No entanto, um número crescente de estudos têm sugerido que crianças que crescem em uma casa com "animais peludos" - seja um gato ou um cachorro de estimação – ou em uma fazenda onde são expostas a animais de grande porte com pelos, elas terão menor risco de desenvolverem alergias e asma.

Em um estudo, o pediatra James E. Gern, da University of Wisconsin-Madison, publicou no Journal of Allergy and Clinical Immunology os resultados de sua pesquisa que analisou o sangue de bebês imediatamente após o nascimento e um ano depois. Ele estava procurando evidências de reação alérgica, mudanças de imunidade e reações a bactérias no ambiente. Se um cão vivia em casa, os bebês eram menos propensos a mostrar evidências de alergias a animais domésticos (19% contra 33%). Eles também eram menos propensos a terem eczema, uma alergia comum na pele que provoca manchas vermelhas e prurido (coceira). Além disso, eles tinham níveis mais elevados de alguns marcadores químicos do sistema imunológico - um sinal de ativação mais forte do sistema de defesa do organismo.

2. Promovem encontros sociais e amorosos

Cães são excelentes promotores de encontros sociais. Um cão é um acionador natural de conversas com outras pessoas, principalmente aquelas que também têm cães como animal de estimação. Eles colaboram muito para evitar o isolamento social ou a timidez. As pessoas perguntam sobre a raça e observam o comportamento do cão. Às vezes, a conversa não passa disso, outras vezes se torna um verdadeiro intercâmbio social e afetivo.

Um estudo realizado pela University of Warwick, da Grã-Bretanha, descobriu que 40% das pessoas relataram fazer amigos muito mais facilmente como resultado de possuir um cão.

3. Cães diminuem a ansiedade de pessoas idosas

Pesquisas têm demonstrado que pacientes com Alzheimer têm menos crise de ansiedade quando têm um animal em casa. Seus cuidadores também se sentem menos sobrecarregados quando há um animal de estimação. Além disso, fazer caminhadas com um cachorro ou apenas cuidar desse animal - para pessoas idosas que são capazes - pode proporcionar uma oportunidade de fazer exercícios físicos e com uma companhia agradável.

4. Bons para a mente e para a alma

Como qualquer atividade agradável, brincar com um cão pode elevar os níveis de serotonina e dopamina, neurotransmissores conhecidos por suas propriedades calmantes e geradoras de prazer. Pesquisas mostram que leva apenas 15 a 30 minutos com seu animal de estimação para que você se sinta mais relaxado. Psicólogos das universidades de Miami e St. Louis descobriram que os benefícios de ter um companheiro canino pode ser equivalente a ter um companheiro humano.

Existe um estudo que mostra que pacientes com AIDS que têm um cão de estimação são muito menos propensos a sofrer de depressão do que aqueles sem animais de estimação. O benefício é especialmente pronunciado quando as pessoas têm forte vínculo afetivo com seus animais.

5. Cães fazem bem ao coração

Uma outra pesquisa mostra que corretores de bolsa de valores com pressão arterial elevada (hipertensão arterial) que adotam um gato ou um cão passam a ter leituras mais baixas da pressão arterial em situações estressantes do que as pessoas sem animais de estimação.

As pessoas estressadas liberam mais cortisol e norepinefrina no organismo, essas substâncias podem afetar negativamente o sistema imunológico. Estudos mostram também uma ligação entre esses produtos químicos e o acúmulo de placa aterosclerótica em artérias, uma bandeira vermelha para doenças cardíacas.

Pacientes que apresentam ataque cardíaco e que têm animais de estimação sobrevivem mais tempo do que aqueles sem um animal para cuidar, de acordo com vários estudos. Homens que são donos de animais de estimação têm menos sinais de doença cardíaca - níveis mais baixos de triglicérides e de colesterol - do que os não-proprietários, dizem os pesquisadores.

6. Cães o ajudam a se manter mais ativo

Um benefício adicional de ter um cão é que ele incentiva você a se exercitar mais! Proprietários de cães, principalmente de cães de grande porte, são mais ativos do que aqueles que não possuem cães. Pesquisa do The Journal of Physical Activity and Health concluiu que donos de animais de estimação que fazem caminhadas andam cerca de uma hora a mais do que as pessoas que têm o hábito de caminhar, mas que não têm cães em casa.

7. Ter um cão pode fazer de você uma pessoa melhor

Passamos muito tempo cuidando de nossos cães, mas essas criaturas peludas também nos ensinam muito. Ter um cão nos ensina a ter mais paciência, ser menos egoísta, ter mais compromisso e responsabilidade, ser uma pessoa mais desprendida. Você aprende a ser menos centrado em si mesmo e mais tolerante.

Aqui voltamos à introdução do artigo. Se o cão pode fazer, além da guarda da casa, coisas como melhorar o convívio familiar e a felicidade das pessoas, é importante que você esteja atento às raças que vão ser mais adequadas, dado que alguns cães não são tão sociáveis quanto outros. É importante também saber, por exemplo, sobre a relação de uma determinada raça com crianças, para que você tenha o melhor benefício.


1. Journal of Allergy and Clinical Immunology, 2004. Effects of dog ownership and genotype on immune development and atopy in infancy. Disponível em http://www.jacionline.org/article/S0091-6749(03)02679-4/abstract - Acesso em: 23 nov. 2016.

2. PubMed - NCBI, 2000. Dogs as catalysts for social interactions: robustness of the effect. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10717771 - Acesso em: 23 nov. 2016.

3. NBC News, 2004. Puppy love -- it's better than you think. Disponível em http://www.nbcnews.com/id/4625213/ns/health-pet_health/t/puppy-love----its-better-you-think - Acesso em: 23 nov. 2016.

4. PubMed - NCBI, 1988. Cardiovascular effects of human-pet dog interactions. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3236382 - Acesso em: 23 nov. 2016.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Síndrome de Edwards


A síndrome de Edwards, também conhecida como trissomia 18, é uma doença decorrente de uma anomalia genética causada pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 18. É a segunda condição mais frequente devido a um terceiro cromossomo ao nascimento, após a síndrome de Down.

A síndrome foi denominada assim depois que John Hilton Edwards a descreveu primeiramente em 1960.

Grande parte dos casos de síndrome de Edwards deve-se à formação anormal das células reprodutivas ou a malformações ocorridas durante o desenvolvimento precoce. A frequência da doença aumenta com a idade da mãe. Depois de ter um filho com a condição, o risco de ter um segundo filho afetado é tipicamente cerca de 1%.

A síndrome de Edwards é uma anomalia cromossômica caracterizada pela presença de uma cópia extra do material genético no cromossomo 18, seja no todo (trissomia 18) ou em parte (por translocações). O cromossomo adicional ocorre antes da concepção. A síndrome de Edwards é mais prevalente nas mulheres e afeta muitas partes do corpo.

Um óvulo e um espermatozoide saudáveis contêm, cada um, 23 cromossomos, para formar uma célula normal com 46 cromossomos. Erros numéricos podem surgir nas divisões celulares e resultar num cromossomo extra. Se os ovos ou espermatozoides contêm um cromossomo a mais, resultará em trissomia.

A trissomia 18 é causada pela não-disjunção meiótica. Assim, os casos ocorrem quando as células do corpo têm uma cópia extra do cromossomo 18, resultando em uma população mista de células com um número de cromossomos diferentes do normal. Tais casos são às vezes chamados de síndrome de Edwards em mosaico.

Muito raramente, um pedaço do cromossomo 18 se liga a outro cromossomo (translocado) antes ou depois da concepção. Os indivíduos afetados têm duas cópias do cromossomo 18, mais material extra do cromossomo 18 ligado a outro cromossomo. Com uma translocação, uma pessoa tem uma trissomia parcial.

Ocasionalmente, nem todas as células possuem o cromossomo extra e os sintomas, nesses casos, podem ser menos graves. Os bebês nascidos com síndrome de Edwards muitas vezes nascem pequenos e têm malformações renais, defeitos estruturais cardíacos, onfalocele (intestinos externos ao corpo), atresia esofágica, deficiência intelectual, atrasos no desenvolvimento, deficiência de crescimento, dificuldades de alimentação e dificuldades respiratórias.

Outras características incluem uma cabeça pequena, mandíbula pequena, punhos cerrados com dedos sobrepostos e grave deficiência intelectual. Algumas outras malformações físicas podem incluir orelhas mal ajustadas ou malformadas, mandíbula anormalmente pequena, fissura labial, palato fendido, nariz desviado da linha média, pelos curtos, mãos apertadas, cistos do plexo coróide, polegares subdesenvolvidos, olhos muito espaçados e, nos homens, não decimento normal dos testículos para a bolsa escrotal. Nas mulheres, anomalias do útero.

A anomalia intracraniana mais comum é a presença de cistos do plexo coróide. Às vezes existe também, durante a gestação, o excesso de líquido amniótico.

Depois do nascimento, a síndrome pode ser suspeitada a partir dos sinais e sintomas. No entanto, ela pode ser diagnosticada ainda numa etapa pré-natal. A ultrassonografia durante a gestação pode aumentar a suspeita para a condição, que pode ser confirmada pela amniocentese ou análise das vilosidades coriônicas.

Nenhum tratamento para a síndrome de Edwards é possível. O que pode ser feito é apenas dar suporte para as deficiências encontradas.

A síndrome é rara. A grande maioria dos bebês nasce morto e só cerca de 3% nascem vivos. Dentre os que nascem vivos, o tempo médio de vida é de cinco a 15 dias. As principais causas de morte incluem apneia e anormalidades cardíacas. Cerca de 8% dos lactentes sobrevivem mais de um ano e 1% das crianças menos graves vivem até os 10 anos de idade.

sábado, 26 de novembro de 2016

Pólipos de Vesícula Biliar


Os pólipos da vesícula biliar são protuberâncias na mucosa, projetadas para dentro da vesícula. Em geral eles não dão sintomas e, quase sempre, são um achado incidental de uma ultrassonografia abdominal feita por outro motivo.

Pouco se sabe sobre os fatores associados à ocorrência de pólipos da vesícula biliar, mas a sua formação parece estar associada ao metabolismo das gorduras. A história familiar de alguns casos sugere a presença de um fator genético. Não parece haver qualquer relação consistente entre a formação de pólipos e idade, sexo, obesidade ou outras condições médicas, como diabetes, por exemplo. Pacientes com síndromes poliposas congênitas também podem desenvolver pólipos na vesícula biliar.

Sugere-se que haja uma relação inversa entre pólipos e cálculos da vesícula biliar. Hipotetiza-se que os pólipos possam interromper mecanicamente a formação de pedras ou então que sejam mais difíceis de serem diagnosticados radiograficamente quando as pedras estejam presentes.

O câncer da vesícula biliar é bastante raro, embora pólipos da vesícula biliar sejam comuns. A maioria dos pólipos da vesícula biliar é benigna, no entanto, a detecção precoce dos raros pólipos malignos é importante para o tratamento curativo. Os pólipos da vesícula biliar podem ser divididos em benignos e malignos e ambos são, em geral, assintomáticos.

A maioria deles, não malignos, constitui apenas alterações estruturais ou depósitos de gordura na mucosa. Os pólipos benignos mais comuns são os de colesterol, os inflamatórios e os adenomas, os quais têm a capacidade de se tornarem tumores malignos. Os pólipos malignos mais comuns são os adenocarcinomas.

A ultrassonografia abdominal, contudo, não pode afirmar com segurança se a lesão é sem risco, pré-maligna ou maligna. O médico tem que se valer de algumas considerações de acordo as características dos pólipos, como número e tamanho deles, para que se decida entre o acompanhamento ultrassonográfico periódico e a cirurgia.

Os pólipos maiores de 2 centímetros quase sempre são malignos e mesmo aqueles entre 1 e 2 cm também já apresentam mais remotamente esta possibilidade. Os cálculos de colesterol costumam ser múltiplos e têm menos de 1 cm.

Em geral, os pólipos de vesícula biliar têm sintomatologia pobre ou inexistente, inespecífica e vaga. No entanto, alguns pacientes podem sofrer náuseas e vômitos e dor ocasional no hipocôndrio direito, devido a obstruções intermitentes causadas por fragmentos de colesterol que se destacam da mucosa da vesícula biliar. Alguns pólipos se projetam obstruindo o canal cístico ou os ductos biliares primários, causando colecistite aguda ou icterícia obstrutiva, mas estas são complicações muito raras.

O diagnóstico do pólipo de vesícula costuma ser feito por meio de uma ultrassonografia incidental e a conduta terapêutica depende basicamente do aspecto do pólipo nesse exame. Se o pólipo for menor que 1 cm e não associado à presença de cálculos, deve ser acompanhado com ultrassonografia periódica.

O aperfeiçoamento de modalidades de imagens, como tomografia computadorizada e ressonância magnética e sua aplicação mais generalizada, levaram a um aumento no diagnóstico coincidente de cálculos da vesícula biliar e pólipos da vesícula biliar. No entanto, a ultrassonografia abdominal continua sendo vista como o melhor exame disponível para o diagnóstico, pela sua boa sensibilidade e especificidade.

A ultrassonografia abdominal por vezes permite distinguir um pólipo de colesterol de um adenoma ou um adenocarcinoma. No entanto, a distinção não é fácil e o status de pólipos como benigno ou maligno não pode ser determinado com certeza.

Os pólipos de vesícula biliar devem ser tratados por meio de cirurgia, ou porque causam sintomas ou como prevenção quanto ao câncer de vesícula. Os pacientes que apresentam uma associação entre pólipos e cálculos devem ser operados, havendo ou não sintomas e independentemente do tamanho dos pólipos, já que sabidamente esta associação aumenta o risco de câncer.

O tratamento cirúrgico consiste na retirada da vesícula biliar, que pode ou não ser feita por laparoscopia.

Embora na maioria das vezes os pólipos sejam benignos, toda atenção deve ser dada ao risco de um câncer de vesícula, já que esta doença tem um prognóstico ruim.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Colesterol e alimentação


O colesterol (do grego: chole = bile, + estereos = sólido + sufixo químico ol, para um álcool) é uma molécula de gordura presente naturalmente no corpo, biossintetizada por todas as células animais. É um componente estrutural das membranas celulares animais. Além disso, o colesterol também serve como precursor para a formação de vários hormônios e ácidos biliares.

Embora desempenhe um papel vital no modo como cada célula funciona, o excesso de colesterol no sangue é um dos fatores de risco no desenvolvimento de doenças cardíacas. Foi identificado pela primeira vez por François Poulletier de la Salle, em forma sólida em cálculos biliares em 1769, mas só em 1815 o químico Michel Eugène Chevreul o chamou "colesterol".

Existem três tipos muito importantes do colesterol: o colesterol LDL (Low Density Lipoprotein = Lipoproteína de Baixa Densidade), o VLDL (Very Low Density Lipoprotein = Lipoproteína de Muito Baixa Densidade) e o colesterol HDL (High Density Lipoprotein = Lipoproteína de Alta Densidade). O colesterol LDL contém uma quantidade relativamente elevada de colesterol que pode se acumular nas paredes arteriais e o colesterol HDL remove e transporta o colesterol das artérias e o leva para o fígado, onde é eliminado.

Os níveis de colesterol são medidos por meio de um exame de sangue e podem indicar tanto a quantidade total de colesterol, quanto as frações de LDL, VLDL e HDL. Como sofre uma influência muito grande da alimentação, deve-se observar um jejum de 12 horas antes da coleta do sangue.

Embora o ideal seja manter o colesterol total baixo (menor que 200mg/dl. Idealmente, menos que 180mg/dl), a proporção de HDL e LDL é importante pois cada um deles exerce uma função diferente no organismo. O LDL ótimo deve ficar abaixo de 100mg/dl e o HDL deve ser de, no mínimo, 40mg/dl. Como se sabe, o HDL devolve o colesterol para o fígado e o LDL, que se acumula nas paredes das artérias, é amplamente conhecido como um dos fatores de risco no desenvolvimento de doenças cardíacas.

O colesterol é essencial para a vida animal. Cada célula o sintetiza por meio de um complexo processo que termina com a conversão de lanosterol em colesterol. Um homem médio, pesando 68 kg, normalmente sintetiza cerca de um grama de colesterol por dia e seu corpo contém cerca de 35 gramas dele, principalmente contido dentro das membranas celulares.

A maior parte do colesterol ingerido é esterificado e pouco absorvido. O colesterol pode provir de um fonte externa através da alimentação (colesterol exógeno) ou ser elaborado no próprio organismo (colesterol endógeno). O corpo compensa qualquer absorção de colesterol reduzindo a sua síntese. Por isso, sete a dez horas após a ingestão de alimentos, o colesterol exógeno tem pouco efeito sobre as concentrações de colesterol no sangue.

O colesterol é reciclado no corpo e o fígado o excreta em uma forma não esterificada, no trato digestivo, através da bile. Cerca de 50% de todo o colesterol excretado é reabsorvido pelo intestino delgado e volta para a corrente sanguínea. O colesterol compõe cerca de 30% de todas as membranas de células animais e modula a sua fluidez.

Nesse papel estrutural, o colesterol também reduz a permeabilidade da membrana plasmática a solutos neutros, íons de hidrogênio e íons de sódio. Dentro da membrana celular, o colesterol funciona no transporte intracelular e na condução nervosa. O colesterol e os fosfolipídios facilitam a velocidade de transmissão de impulsos elétricos ao longo do tecido nervoso.

No interior das células, o colesterol é uma molécula precursora para várias vias bioquímicas. Por exemplo, é a molécula precursora para a síntese de vitamina D e todos os hormônios esteroides, incluindo os hormônios das glândulas adrenais, cortisol e aldosterona, bem como os hormônios sexuais progesterona, estrogênios, testosterona e seus derivados.

Para reduzir o seu colesterol independentemente de medicação ou em auxílio a ela, três coisas podem ajudar:

1.Fazer exercícios físicos regulares.
2.Manter uma dieta equilibrada.
3.Controlar o peso corporal.

Em pessoas com níveis ligeiramente elevados de colesterol, simples alterações na dieta podem reduzir ou até mesmo evitar o uso de medicamentos contra o colesterol alto. Como regra geral, deve-se evitar gorduras saturadas trans e preferir as insaturadas, principalmente as monoinsaturadas, encontradas em alimentos como azeite, canola, abacate, amendoim e nozes. Os alimentos favoráveis são leite e iogurte desnatados, queijos brancos, carnes brancas ou vermelhas grelhadas ou cozidas, frutas, sucos naturais, verduras e legumes. Devem ser evitados leite e iogurte integrais, queijos amarelos (prato, catupiry, mozarela, etc.), mortadela, salame, presunto, carnes gordurosas, refrigerantes e frituras.

Alimentos como alho, alcachofra, berinjela, cenoura e óleo de camelina são ótimos para controlar o colesterol LDL naturalmente, assim como os alimentos ricos em ômega 3. Os sucos de frutas naturais também são ótimos aliados. Não é preciso cortar carnes da dieta, mas dê preferência a peixes e aves. A carne de soja também é um ótimo substituto para as carnes de origem animal.

O ômega 3 é um tipo de gordura encontrada em peixes gordos, principalmente salmão, nas sementes de linhaça, óleo de linhaça, óleo de canola, óleo de soja e nozes. Nozes, amêndoas, avelã, pistache e castanha são boas opções para redução do colesterol LDL. O chá verde comprovadamente reduz os níveis de LDL e assim, também, o consumo regular de alimentos ricos em fibras.

Os óleos vegetais como azeite, soja, girassol, canola, milho, algodão e arroz não possuem gordura saturada e são ótimas fontes de gordura saudável. Enquanto o chocolate comum costuma aumentar os níveis de colesterol, o chocolate amargo é rico em flavonoides, substâncias que diminuem o LDL. O pão integral e cereais de aveia, milho ou trigo são indicados.

Hoje em dia há remédios muito eficientes para baixar os níveis de colesterol, que devem ser usados se essas medidas não derem resultado ou se houver um risco elevado de doenças cardiovasculares. Mas sempre devem ser prescritos por médicos

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Punção da tireóide: quando é necessário?


A biópsia da tireoide consiste na análise histopatológica de tecido orgânico retirado de nódulos tireoidianos, para decidir se eles são malignos ou não. A maneira mais simples de fazer isso é a aspiração de células com agulha fina a partir do nódulo tireoidiano em causa, conhecida por punção aspirativa por agulha fina ou PAAF. As células aspiradas são posteriormente enviadas para análise em um laboratório de patologia.

Há outras modalidades e indicações de biópsia da tireoide, mas elas são bem mais raras.

O preparo necessário para a biópsia da tireoide consiste, praticamente, em suspender medicação anticoagulante, se for o caso. A biópsia tanto pode ser realizada em consultório como em hospital.

Primeiramente, deve identificar e demarcar os nódulos e o local mais adequado para realizar a punção. A agulha, guiada por ultrassonografia, é inserida diretamente em duas ou três partes diferentes no nódulo, para obter amostras de diversas áreas dele e aspirar algumas gotas de líquido contendo células, bem como células de áreas sólidas do nódulo.

As aspirações por agulha fina podem não ser conclusivas, tornando necessária uma biópsia cirúrgica para obter uma amostra maior de tecido. Geralmente é feita uma lobectomia (remoção de um lobo da tireoide). Essas biópsias cirúrgicas têm de ser feitas num hospital, com o paciente sob anestesia geral.

Quando há mais de um nódulo, todos eles devem ser biopsiados. Em outras alterações menos comuns, uma biópsia aberta é feita para obtenção de amostras de tecido tumoral e exame imunohistoquímico do tecido retirado.

A biópsia da tireoide está indicada para o diagnóstico citológico dos nódulos tireoidianos, independentemente do tamanho e características deles. Cerca de 70% dos nódulos da tireoide são benignos e o câncer só é claramente diagnosticado em apenas cerca de 5% das aspirações por agulha fina.

Acidentes ou complicações de punções tireoidianas, além de dor no local da punção, são muito raros.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Alimentos laxativos e constipantes


Alimentos laxativos ou constipantes são aqueles que têm a propriedade de “soltar” ou “prender” o intestino, respectivamente. Isto é, de aumentar ou diminuir a frequência das evacuações.

A constipação intestinal, mais conhecida como prisão de ventre, é caracterizada pelo número de evacuações inferior a três por semana, pela diminuição do número de evacuações considerado usual nos últimos meses ou por dificuldades para evacuar normalmente. Por outro lado, o intestino solto corresponde às diarreias, cuja frequência das evacuações é extremamente variável, indo de umas poucas até várias em cada dia.

Quando o intestino é preso, as fezes se acumulam no reto e se apresentam endurecidas, muitas vezes gerando dificuldades e dores ao evacuar e, eventualmente, ferindo o reto ou o ânus, provocando sangramentos. Isso acontece porque devido a uma maior permanência das fezes no intestino, há uma maior absorção de água.

A constipação intestinal pode ser um sintoma de doença gastrointestinal ou somente consequência de uma alimentação pobre em fibras. Também uma idade mais avançada, o sexo feminino e indivíduos sedentários influenciam favoravelmente na eclosão do problema. Descartada a doença, a solução mais eficaz é a suplementação de fibras naturais através dos alimentos. O uso de medicamentos laxativos deve ser abolido e visto como prejudicial.

A constipação intestinal causa transtornos consideráveis ao organismo: de início, inchaço e dor abdominal e mais tarde, mal humor, irritabilidade, cansaço, pele oleosa, gases e hemorroidas. A mais longo prazo ainda, podem aparecer apendicite, câncer de cólon, obesidade e diabetes.

De uma maneira geral, para evitar a constipação intestinal deve-se dar preferência aos alimentos laxativos e evitar os constipantes, como rotina alimentar. São laxativos, por exemplo: verduras, aveia, abacate, azeitona, ameixa, abóbora, óleos vegetais, abacaxi, cebola, feijões, lentilha, repolho, creme de leite, pepino, tomate, chocolate, iogurte, quiabo, grão de bico, manteiga, sorvete, mamão, laranja, castanhas, manga, limão e pêra.

Nas diarreias, as fezes são de consistência mais mole ou inteiramente liquefeitas e podem ou não exibir mal cheiro, de acordo com a causa da diarreia. Pode haver várias evacuações no mesmo dia.

Nesses casos, deve-se dar preferência aos alimentos constipantes, que prendem o intestino, que são: arroz, chá preto ou mate, batata, chuchu, cará, inhame, ovo cozido, pães, caju, goiaba, maçã, bolachas, cenoura cozida, mandioca, amido de milho, banana, biscoito cream cracker, biscoito de polvilho, cará, cevada, creme de arroz e maisena. Além disso, pães e biscoitos de farinha de trigo integral. Devem ser evitados alimentos crus, doces e gorduras.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Aderências


Uma aderência é uma faixa anormal de tecido que se forma após determinados eventos clínicos, traumáticos ou cirúrgicos e que une indevidamente dois órgãos ou tecidos do corpo, como se fosse uma cicatriz, frequentemente causando prejuízos ao funcionamento de um deles ou de ambos. Geralmente é denominada a partir de sua localização como, por exemplo, aderência pélvica, aderência intraperitoneal, aderência intrauterina, etc.

As aderências acontecem como uma resposta do organismo a fatores como cirurgia, infecção, trauma ou radiação. Se um órgão passa por um desses processos, o reparo orgânico por meio das aderências pode ligar um órgão a outro ou uma parte dele a outra parte, gerando prejuízos funcionais.

As aderências podem aparecer como folhas finas de tecido semelhante a um envoltório plástico ou como bandas fibrosas de maior espessura. Esse tecido se desenvolve quando os mecanismos de reparo do corpo respondem a uma perturbação do tecido, como cirurgia, infecção, trauma ou radiação.

As localizações mais comuns das aderências são o abdômen, a pelve e o coração, embora as aderências possam ocorrer em qualquer lugar.

Os sintomas ocasionados por aderências são extremamente variáveis e dependem da localização e do órgão ou órgãos envolvidos. Com o passar do tempo, as aderências ficam mais rígidas e podem aumentar de tamanho, passando a causar problemas que antes não causavam.

Na maior parte das vezes não geram sintomas, mas, dependendo do local em que ela ocorra, pode afetar nervos, vasos ou ductos e causar alguns sintomas, inclusive dor. Mas deve-se ter em conta que nem toda a dor nesses locais é causada por aderência e que nem todas as aderências causam dor.

Em alguns casos, os problemas causados pelas aderências podem se constituir numa emergência cirúrgica como, por exemplo, uma aderência que cause obstrução intestinal. Muitos sintomas às vezes atribuídos a elas são, antes, devidos ao problema que as causou. Em si mesmas, as aderências raramente causam sintomas.

O médico deve levar em grande conta a história médica passada do paciente. Geralmente ele reconhece a existência de uma aderência durante um procedimento cirúrgico como, por exemplo, uma laparoscopia ou um exame endoscópico. Se for o caso, o médico pode retirá-la durante esse mesmo procedimento. Conforme o caso, exames de sangue, radiografias e tomografias computadorizadas podem ajudar a revelar aderências no corpo.

O tratamento das aderências varia dependendo da localização, da extensão e das complicações que estejam causando. É comum que as aderências se desfaçam por si mesmas e, portanto, só será necessária a retirada delas se houver sintomas ou uma emergência. Em caso de necessidade, há duas técnicas para removê-las, escolhidas segundo as especifidade de cada caso: (1) laparoscopia, em que o médico atua por meio de pequenos furos na pele do paciente e (2) laparotomia, em que ele faz uma incisão maior que lhe permite ver e tratar diretamente as aderências.

As aderências normalmente começam a se formar nos primeiros dias após a cirurgia, mas inicialmente podem não produzir sintomas, só o fazendo depois de meses ou mesmo anos, por vários mecanismos, como deslocamento ou repuxamento do órgão, obstrução, restrição do fluxo sanguíneo, levando à morte do tecido, etc.

Algumas medidas podem ser adotadas pelo cirurgião durante uma cirurgia para evitar a formação de aderências:

1.Redução do tempo cirúrgico.
2.Manutenção dos tecidos umedecidos durante a cirurgia.
3.Manuseio suave dos tecidos ou órgãos durante um procedimento cirúrgico.
4.Utilização de produtos para tentar ajudar a prevenir a formação de aderências durante a cirurgia.

As aderências podem não ter qualquer expressão clínica, mas podem gerar sintomas se ocasionam compressão, tração ou obstrução de órgãos. A dor costuma ser o principal deles.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Distúrbios do sono podem agravar depressão em adolescentes


Segundo a pesquisadora Ellie McGlinchey, do Columbia University Medical Center, em Nova Iorque, já se sabe que há consequências emocionais da privação de sono em adultos.

Em adolescentes que já são vulneráveis esta privação também pode exacerbar suas labilidades emocionais. Por isso, os pesquisadores queriam verificar se uma redução nos distúrbios do sono dos adolescentes poderia ajudar a melhorar a depressão.

Foram realizados dois ensaios clínicos randomizados. Em ambos os estudos, descobriu-se que o curso da depressão era muito pior quando os transtornos do sono persistiam mesmo após o tratamento. A pesquisa foi apresentada na Anxiety and Depression Association of America (ADAA) Conference 2016.

O primeiro estudo, que incluiu 63 adolescentes, comparou a psicoterapia interpessoal versus tratamento usual. O segundo estudo, intitulado Treatment for Adolescent Depression Study (TADS), incluiu 439 adolescentes e comparou a terapia cognitivo-comportamental (TCC) vs terapia com fluoxetina vs TCC mais fluoxetina vs placebo.

Em ambos os ensaios, os participantes foram avaliados durante todo o tratamento e no pós-tratamento para sintomas de depressão autorreferidos, sintomas de insônia e melhora clínica geral.

Nos dois estudos, os adolescentes cujos distúrbios do sono persistiram ao longo do tempo apresentaram sintomas depressivos significativamente piores, disse McGlinchey, não importando o tratamento que recebiam. A coordenadora destaca que os distúrbios do sono devem ser alvo de atenção em todos os tipos de modalidades de tratamento usados para a depressão.

A Dra. McGlinchey observou que hipnóticos não são indicados em pacientes jovens, porque a pesquisa sugere que essas medicações podem prejudicar o cérebro em desenvolvimento. A melhor abordagem é oferecer aos adolescentes, que são candidatos para tratamento, um programa de tratamento comportamental estruturado do sono. É importante ter em mente que alguns antidepressivos podem piorar os distúrbios do sono.



Fonte: Anxiety and Depression Association of America (ADAA) Conference 2016

sábado, 19 de novembro de 2016

Hipertensos no mundo passaram de 594 milhões em 1975 para mais de 1,1 bilhão em 2015


Uma análise combinada de 1479 estudos de base populacional com 19,1 milhões de participantes foi realizado e publicado pelo periódico The Lancet.

A pesquisa mostra que o maior aumento na prevalência ocorreu em países de baixa e média rendas no sul da Ásia e na África subsaariana, enquanto a prevalência caiu em países de alta renda, como os Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. A pressão arterial permanece "persistentemente" alta na Europa Central e Oriental.

O aumento da pressão arterial é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares e doença renal crônica.

Pesquisadores do NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC) avaliaram as tendências mundiais de pressão arterial sistólica média, de pressão arterial diastólica média e a prevalência e o número de pessoas com pressão arterial elevada, definida como pressão arterial sistólica de 140 mmHg ou superior ou pressão arterial diastólica de 90 mmHg ou superior.

Para esta análise, foram reunidos estudos populacionais nacionais, subnacionais ou comunitários que mediram a pressão arterial em adultos com idade igual ou superior a 18 anos. Foi utilizado um modelo hierárquico bayesiano para estimar as tendências mundiais entre 1975 e 2015 na média da pressão arterial sistólica e na média da pressão arterial diastólica e a prevalência de pressão arterial elevada em 200 países. Calculou-se as contribuições das mudanças na prevalência versus crescimento populacional e envelhecimento populacional para o aumento do número de adultos com pressão arterial elevada.

Foram reunidos 1479 estudos que mediram a pressão arterial de 19,1 milhões de adultos. A pressão arterial sistólica média global padronizada por idade em 2015 foi 127,0 mmHg em homens e 122,3 mmHg em mulheres.

A pressão arterial diastólica média padronizada por idade foi 78,7 mmHg para homens e 76,7 mmHg para mulheres. A prevalência global padronizada por idade da pressão arterial elevada foi 24,1% em homens e 20,1% em mulheres em 2015.

A média da pressão arterial sistólica e diastólica diminuiu substancialmente entre 1975 e 2015 nos países de alta renda do Oeste e da Ásia-Pacífico, levando esses países a terem uma das maiores taxas de pressão arterial mundial em 1975 e mudando para a menor em 2015. A média da pressão arterial também diminuiu em mulheres da Europa Central e Oriental, da América Latina e do Caribe e, mais recentemente, da Ásia Central, do Oriente Médio e do Norte da África, mas as tendências estimadas nessas super-regiões tinham maior incerteza do que nas super-regiões de alta renda.

Em contraste, a pressão arterial média pode ter aumentado no leste e no sudeste da Ásia, no sul da Ásia, na Oceania e na África subsaariana. Em 2015, a Europa Central e Oriental, a África Subsaariana e a Ásia do Sul tiveram os níveis de pressão arterial mais elevados. A prevalência de aumento da pressão arterial diminuiu nos países de renda elevada e em alguns países de renda média e permaneceu inalterada nos outros lugares. O número de adultos com pressão arterial elevada aumentou de 594 milhões em 1975 para 1,13 bilhões em 2015, com o aumento ocorrendo principalmente em países de baixa renda e de renda média. O aumento global do número de adultos com pressão arterial elevada é um efeito líquido de aumento devido ao crescimento populacional e ao envelhecimento e diminuição devido ao declínio da prevalência por idade específica.

Durante as últimas quatro décadas, os níveis mais altos de pressão arterial mundial passaram de países de alta renda para países de baixa renda no sul da Ásia e na África Subsaariana devido a tendências opostas, enquanto a pressão arterial tem sido persistentemente alta na Europa Central e Oriental.


Fontes:

NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC)

The Lancet, de 15 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Prevenção do câncer de mama


O câncer de mama é o que mais incide na população feminina, no Brasil, em 2016, são esperados 57.960 novos casos.

Apesar da maior parte dos casos acontecer por mutações genéticas causadas pelo envelhecimento, seguem algumas dicas para preveni-lo.

Apesar de não haver uma causa específica, existem fatores que estão ligados ao aumento do risco de desenvolvimento da doença. Como método de prevenção, confira a lista com dicas para prevenir o câncer de mama:

1. Varie a alimentação ao máximo. Frutas, legumes, verduras e leguminosas, como grão-de-bico, lentilha e feijão branco, são alimentos de origem vegetal que ajudam a prevenir o câncer de mama. Além de inibir a chegada de compostos cancerígenos às células, tais alimentos têm o poder de consertar o DNA danificado quando a agressão já estiver iniciada ou de pelo menos interromper a multiplicação desordenada, caso o conserto não seja possível;

2. Mulheres acima dos 40 anos já devem se preocupar mais com o câncer de mama e fazer a mamografia anualmente. Se houver algum histórico de caso na família, em parentes de primeiro grau como pai, mãe, irmãos e filhos o controle deve começar antes.

3. Não é aconselhável que mulheres na menopausa com histórico familiar de câncer de mama façam reposição hormonal. Caso necessite, faça sempre sob orientação estrita de um médico;

4. Não fume. Estudos científicos garantem que fumar, a longo prazo, aumenta o risco de incidência da doença em algumas mulheres;

5. Faça o auto-exame. O câncer de mama é silencioso, o que torna difícil a detecção de sintomas. Além de consultar um ginecologista, nunca dispense fazer o auto-exame, pois é através dele que mais de 80% dos tumores são descobertos;

6. Evite ingerir bebida alcoólica. O consumo de álcool, por menor que seja, pode aumentar o risco de desenvolvimento do câncer. A possibilidade se torna ainda maior quando a bebida alcoólica é associada ao tabaco;

7. Pratique uma atividade física regularmente que lhe dê prazer e saia do sedentarismo. Pessoas obesas produzem mais estrogênio, um hormônio feminino responsável pelo aparecimento do câncer de mama;

8. Um banho de sol de 10 minutos, antes das 10 horas ou após as 16 horas, não faz mal a ninguém. Pelo contrário. A leve exposição aumenta a produção de vitamina D, que ajuda a evitar a doença;

9. Amamente o máximo de tempo possível. As mães que amamentam seus bebês por pelo menos um ano reduzem o risco de desenvolver o câncer de mama futuramente.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Doença de Blount


A doença de Blount é um distúrbio do desenvolvimento no qual há alterações do crescimento da parte interna da extremidade superior da tíbia, as quais levam a deformidades ósseas, causando curvatura para o exterior, com angulação ligeiramente abaixo do joelho. A deformidade consiste em uma tíbia vara e rotação interna da tíbia, bem como deformidade do fémur distal. Walter Blount, em 1937, foi o primeiro a identificar as características clínicas, radiológicas e patológicas desses casos.

As causas da doença de Blount são controversas: ela parece ser uma doença multifatorial, mas a contribuição dos fatores genéticos ainda é desconhecida. Sabe-se, contudo, que a obesidade infantil e a marcha precoce são fatores predisponentes para o seu desenvolvimento. Em geral, a doença de Blount é mais comum entre crianças do sexo feminino e de origem africana ou naquelas que tenham um membro da família com o problema.

A tíbia (osso da canela) está localizada no mesmo lado que o dedo grande do pé. Quando ficamos em pé, é a tíbia que suporta a maior parte do peso do corpo. A fíbula é o osso mais fino da perna, localizado no mesmo lado que o dedo mínimo do pé. Há uma placa de crescimento na parte superior da tíbia, feita de cartilagem, chamada de fise.

A função da fise é permitir o crescimento e o alongamento do osso. Às vezes, porém, a fise é levada a suportar mais pressão do que pode suportar e isto pode iniciar uma série de eventos patológicos na parte superior da tíbia. A parte interior, logo abaixo do joelho, fica anormalmente comprimida e sofre arqueamento e pode até parar de crescer em sua parte interna, embora a parte externa continue a crescer normalmente. É este crescimento irregular que faz com que a tíbia se curve para fora em vez de crescer em linha reta.

Em cerca de 60% dos casos, a doença de Blount provoca problemas nas pernas e dificuldade de marcha na criança. Os pacientes com doença de Blount apresentam abaulamento e diferença no comprimento das pernas. A doença só pode ser reconhecida em crianças maiores de dois anos de idade, mas a deformidade grave, não tratada precocemente, pode levar à artrite degenerativa do joelho. Ela, pode levar a alterações patológicas irreversíveis, especialmente na porção medial da epífise tibial proximal.

Reconhece-se duas formas da doença de Blount: (1) doença de Blount infantil, reconhecida entre 1 e 3 anos de idade, não associada à obesidade e muitas vezes bilateral e (2) doença de Blount tardia, subcategorizada em (2.a) juvenil, que ocorre na idade de 4 a 10 anos e (2.b) do adolescente, ocorrendo a partir dos 10 anos. A doença de Blount tardia é mais comumente associada à obesidade e, mais frequentemente, unilateral.

O sinal mais evidente da doença Blount é uma curvatura da perna, logo abaixo do joelho. Em crianças, isso geralmente não é doloroso, mas em adolescentes pode ser. Ao longo do tempo, a doença de Blount também pode levar à artrite da articulação do joelho e, em casos muito graves, dificuldade para caminhar. Em casos raros, uma perna também pode ser ligeiramente mais curta do que a outra.

Inicialmente, o diagnóstico da doença de Blount é clínico. Se as pernas começam se curvando e a pessoa tem dor no joelho, que não se justifica por uma lesão, o médico deve considerar a possibilidade da doença de Blount. O ortopedista deve fazer um exame físico completo e solicitar uma radiografia das pernas. Os raios X ajudarão o médico a olhar os padrões de crescimento anormal do osso que são indicativos da doença de Blount.

A doença de Blount deve ser diferenciada das pernas tortas comuns em bebês. Neles, a curvatura quase sempre se endireita quando a criança começa a andar, entre as idades de 1 e 2 anos. Na doença Blount, por outro lado, essa curvatura não se corrige nesse tempo e só piora, se não tratada.

O tratamento da doença de Blount deve ser adaptado a cada caso individual e um programa ortopédico deve ser inicialmente estabelecido, porém casos mais graves associados à dor podem necessitar de intervenção cirúrgica.

O desalinhamento da tíbia pode causar problemas como mudança na forma da perna e rotação da tíbia para dentro, levando os pés a apontarem para dentro, ao invés de apontarem para fora.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Fases da infância


A infância é a etapa da vida que vai do nascimento até aproximadamente o 11º ano. Trata-se de um período em que há comparativamente o maior desenvolvimento físico e mental de uma pessoa, caracterizado por um marcante ganho de volume do corpo (altura e peso) e aquisição de novas capacidades físicas fomo andar e falar, por exemplo, especialmente nos primeiros três anos de vida.

Do ponto de vista da psicologia individual, a criança, nesse período, experimenta grandes mudanças no comportamento e forma as bases da sua personalidade.

A repartição da infância em fases ou períodos varia de um autor para outro, bem como entre diferentes correntes de pensamento. Por isso, a que apresentamos a seguir é apenas uma delas, entre várias outras possíveis. O que ocorre é que, seja qual for a divisão adotada, ela aponta sempre um mesmo sentido. Essas divisões obedecem a fins didáticos, embora tenham também grande aplicação prática.

Conhecer essas fases permite aos adultos cuidar mais adequadamente das crianças e estimular seu desenvolvimento físico, intelectual e social, entendendo o que elas vivenciam a cada momento. Ao mesmo tempo, ajuda a advertir os adultos sobre que cuidados devem ter com elas. Na verdade, esta é uma maneira de dizer como a criança está se movendo no sentido do seu crescimento e desenvolvimento.

De 1 a 18 meses

Durante todo esse período, o bebê é totalmente dependente de outras pessoas para quaisquer coisas (locomoção, alimentação, brincadeiras, higiene, etc). No entanto, já nos primeiros dezoito meses de vida, a criança faz um progresso “milagroso”. Neste período, ela aprende a sentar, a gatinhar, a andar e começa a pronunciar alguns sons.

Até o sexto mês de vida, a alimentação deve ter-se constituído apenas de leite materno, porque assim ela estará recebendo anticorpos e outros fatores para protegê-la de infecções. Os primeiros cabelos, os primeiros dentes e as primeiras palavras começam a aparecer neste estágio. Este período é marcado por acentuado egocentrismo e o bebê age como se o mundo girasse em torno de si.

De 18 meses a 3 anos

Nesta fase a criança já consegue correr uma curta distância por si mesma, comer sem a ajuda de terceiros e falar algumas palavras significativas e simples como, por exemplo, mamã, papá, bola, etc. A ocorrência mais notável desta faixa etária é o desenvolvimento gradual da fala e da linguagem. Aos três anos de idade, uma criança já possui um vocabulário de aproximadamente 800 a mil palavras.

De 3 a 4 ou 5 anos

Pesquisas recentes da fisiologia do cérebro indicam que entre o nascimento e os três anos de idade estão os anos mais importantes do desenvolvimento da criança. Ao fim dessa etapa, as crianças começam a desenvolver os aspectos básicos de responsabilidade e independência e estão constantemente explorando o mundo à sua volta. Começam a aprender a socialização e a abandonar o egocentrismo e passam a compreender que suas ações podem afetar as pessoas à sua volta.

Tem início o processo chamado identificação, onde os exemplos passam a ser imitados e incorporados ao arsenal comportamental da criança. As crianças passam a identificar-se com pessoas com quem tenham laços afetivos de amizade e com seus “ídolos”. É nessa etapa que a maioria das crianças abandona as fraldas, ganhando maior autonomia. Durante os anos pré-escolares elas vão estar ocupadas com cortar, colar, pintar e cantar. Muitas vezes é nessa fase que a criança começa a ir ao jardim de infância.

De 5 a 9 anos

Embora a criança continue a se desenvolver fisicamente, nesse período ocorre um marcante desenvolvimento cognitivo, social, emocional e mental. As crianças já aprenderam as regras e padrões básicos de comportamento da sociedade em que vivem e já são capazes de julgar se uma dada ação é certa ou errada.

A vida social da criança torna-se cada vez mais importante e é comum nesta idade o que se chama de “melhor amigo”. Assim, diminui a importância dos pais e aumenta a importância dos amigos e dos professores. Habitualmente, querem saber as razões e os porquês de todos os problemas e fatos. Aos 6 anos, mais ou menos, ocorre a idade dos intermináveis “por quês”.

Os dentes de leite começam a cair geralmente no sexto ano de vida e continuam até a adolescência ou ainda mais tarde, mas o acontecimento mais significativo dessa etapa é o surgimento da capacidade para ler e escrever. A curiosidade e vontade de explorar coisas novas é intensa nessa fase e continua a crescer.

De 10 a 13 anos

A partir dos 10 anos de idade as crianças entram na chamada pré-adolescência. Aí, as crianças passam a ter mais responsabilidades, ao mesmo tempo em que passam a querer e a exigir mais respeito dos adultos. Nesta fase, a participação num grupo de amigos que possuem interesses e gostos em comum torna-se muito importante para a criança e o modelo dado pelos amigos começa a ter precedência em relação ao modelo dado pelos pais.

Começam as preocupações da criança com relação a ser ou não aceita por um grupo e ela procura minimizar as diferenças em relação a outras crianças da mesma idade. Muitos pré-adolescentes sentem-se rejeitados pela sociedade, podendo isso desencadear problemas psicológicos. A pré-adolescência é também marcada pelo aumento do ritmo de crescimento corporal e pelo amadurecimento dos órgãos sexuais. Está começando a puberdade e a adolescência, com seus novos problemas típicos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Método de Busquet: o que é?


O método de Busquet é um método fisioterápico inovador, que permite poporcionar ao paciente um tratamento personalizado, abrangente e coerente para desfazer tensões musculares e torná-lo mais relaxado e confortável. O método foi criado pelos fisioterapeutas franceses Leopold Busquet e Michele Busquet.

O funcionamento do corpo é geneticamente programado, baseado na anatomia e fisiologia. Chamam-se cadeias fisiológicas aos circuitos anatômicos através dos quais se propagam as forças organizadoras do corpo que regulam a postura estática e dinâmica e as compensações dela. Assim, também a coreografia dos movimentos depende dessas cadeias.

Há dois tipos de cadeias fisiológicas: (1) as cadeias musculares dinâmicas e (2) as cadeias conjuntivas, viscerais e neurovasculares estáticas. Há também dois sistemas de autorregulação e homeostase: (1) o sistema proprioceptivo e (2) o sistema nervoso autônomo.

Um funcionamento saudável depende do bom desempenho dessas cadeias e sistemas, mas elas também podem causar tensões musculares que perturbam o funcionamento do corpo.

O método de Busquet usa, basicamente, a manipulação manual que deve ser adequada às necessidades do paciente, seja ela terapêutica, preventiva ou relaxante. Deve-se fazer uma avaliação prévia das cadeias musculares estática, de flexão, de extensão, de abertura e de fechamento, visceral e neurovascular.

O método das cadeias fisiológicas coloca em evidência os pontos de tensão em diferentes partes do corpo, ao nível de cada uma das cadeias. Ao contrário do Pilates, por exemplo, a primeira preocupação do método de Busquet é com a terapia manual para soltar as tensões e dar liberdade de movimento. Os movimentos, se necessários, vêm depois.

O fisioterapeuta baseia-se na observação dos pontos de tensão em diferentes partes do corpo do paciente e aplica, em seguida, um método de tratamento manual com objetivo de liberar as zonas de tensão, devolver boa mobilidade aos tecidos, melhorar o funcionamento do corpo e buscar uma melhor estática. O método reduz e elimina as sobrecargas corporais acumuladas no dia a dia, produz relaxamento corporal, diminui o estresse e trata as lesões. Quando as cadeias fisiológicas estão livres e equilibradas, a estática é perfeita e os movimentos são fáceis.

O método consiste numa combinação de técnicas de massagens e alongamentos leves e progressivos sem que haja dor. Desfeitas as tensões, as funções corporais normais entram em ação, eliminando tensões estruturais que estejam na base de disfunções, deformações e dores. O tratamento deve sempre respeitar a idade do paciente, do bebê ao adulto. As sessões demoram cerca de 50 minutos, em média, e devem ser realizadas uma vez por semana, com pelo menos 12 sessões.

O método de Busquet é aplicável a todos aqueles que sofrem disfunções, deformações e/ou dores musculares. O método permite o tratamento de pacientes desde o nascimento até uma idade bem avançada, mais frequentemente:

1.Nos recém-natos trata as tensões geradas pelo nascimento.
2.Nas crianças que apresentam deformações.
3.Nos desportistas para melhorar a confiabilidade e a performance.
4.Nas pessoas de idade, com o intuito de prevenir ou atenuar as disfunções físicas, orgânicas, assim como os efeitos da artrose.

De um modo geral, o método de Busquet não tem contraindicações. No entanto, se há uma doença da base, ela deve ser associadamente tratada pelo médico. Além de ser aplicado para melhorar a postura, reduzir as tensões musculares e melhorar os desempenhos gerais, o método de Busquet pode também ser usado em dores musculares crônicas, dores de cabeça, fibromialgias, contraturas, estiramentos, tendinites, entre outros estados patológicos. O método de Busquet é superior ao RPG e ao Pilates por ser mais global e completo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Enxaqueca do final do período menstrual


Estudo observacional retrospectivo, publicado pelo periódico Headache, descreve o que parece ser um transtorno comum de dor de cabeça ainda não tipificado anteriormente, a "enxaqueca do final do período menstrual" (EFPM), assim chamada pela sua ocorrência mensal e imediata aos dias terminais de sangramento menstrual.

Pesquisadores do Carolina Headache Institute Durham, na Carolina do Norte, avaliaram a base de dados clínicos sobre enxaqueca de ocorrência no final do período menstrual (EFPM), consultando pacientes com enxaqueca, menstruação regular e com o código de EFPM utilizado no local do estudo, significando que a afirmação da paciente de que ela tinha enxaqueca no final de cada menstruação eram confirmados pelos dados de calendário menstrual. Os níveis séricos de ferritina estavam disponíveis para todas as mulheres com EFPM.

Entre as 119 mulheres estudadas, 85 tinham menstruação regular e um diagnóstico de enxaqueca, sendo, portanto, apropriadas para esta avaliação. Nesta população selecionada, 30 mulheres (35,3%) tiveram a EFPM confirmada. Vinte e oito dessas 30 pacientes (93,3%) tiveram níveis de ferritina que caíram abaixo do limite desejado de 50 ng/mL (média=21,9 ng/mL) - metade das mulheres tinham níveis que caíram abaixo de 18 ng/mL, o mínimo estabelecido para mulheres.

Os estudiosos esclarecem que a enxaqueca que ocorre no final do período menstrual - nos últimos dias de sangramento ou após o fim do sangramento - não é a mesma coisa que a enxaqueca relacionada ao período menstrual, a qual geralmente ocorre no período entre dois dias antes ou dois dias depois do primeiro dia do sangramento menstrual mensal e é conhecida por ser mediada hormonalmente.

As conclusões da pesquisa mostram que a EFPM é uma queixa comum em mulheres avaliadas para a enxaqueca relacionada ao período menstrual, contudo este novo tipo de enxaqueca ocorre muitos dias após a queda do estrogênio que precipita a enxaqueca relacionada ao período menstrual. Os autores não acreditam que a EFPM seja mediada hormonalmente, mas sim que está causalmente relacionada à perda de sangue menstrual, resultando em uma breve anemia relativa com consequente enxaqueca.

Estudos mais aprofundados são necessários para fundamentar essa associação, pesquisando fatores de confusão e avaliando a resposta à terapia com ferro.


Fonte: Headache (The Journal of Head and Face Pain), publicação online, de 5 de outubro de 2016

sábado, 12 de novembro de 2016

Teste de tolerância à glicose


No teste de tolerância à glicose uma dose pré-estabelecida de glicose é administrada usualmente por via oral e várias amostras de sangue são colhidas a intervalos pré-determinados para verificar a rapidez com que ela é eliminada do sangue. O teste de tolerância à glicose foi descrito pela primeira vez, em 1923, por Jerome W. Conn, baseado na premissa de que um paciente normal alimentado com glicose retornaria rapidamente aos níveis normais de glicose no sangue após um pico inicial, aos 60 minutos.

Mais recentemente, o teste de tolerância à glicose vem sendo substituído pela hemoglobina glicosilada, que tem mostrado uma relação mais consistente com as complicações do diabetes.

O teste de tolerância à glicose é recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes para o diagnóstico de diabetes mellitus e da pré-diabetes. O teste também é usado para testar resistência à insulina, função da célula beta do pâncreas que é produtora de insulina e, às vezes, hipoglicemia reativa e acromegalia ou outros distúrbios mais raros do metabolismo de carboidratos. O teste de tolerância à glicose está também indicado entre a 24ª e 28ª semanas de gestação em todas as gestantes sem diagnóstico anterior de diabetes ou de diabetes gestacional.

Mais comumente, o teste de tolerância à glicose consiste em administrar uma dose padrão de glicose, ingerida pela boca, e verificar os níveis sanguíneos duas horas mais tarde. Outras variações do teste foram concebidas ao longo dos anos para várias finalidades, com diferentes doses padrão de glicose, diferentes vias de administração, diferentes intervalos e outras substâncias medidas além da glicemia.

Em preparação, não é necessário restringir a ingestão de carboidratos nos dias que antecedem o teste, mas ele não deve ser feito na vigência de uma doença, porque ela pode interferir nos resultados. O paciente deve manter a atividade física habitual nos dias que precedem o exame, observar jejum de 8 horas no dia anterior ao exame (sendo permitida a ingestão de água), não fumar ou caminhar durante o período do exame.

A dose de glicose recomendada para adultos é de 75 gramas, as quais devem ser consumidas num período de 5 minutos, devendo ser ajustada para crianças. A dose total comumente usada para adultos não deve ser administrada a uma pessoa com peso inferior a 42,6 kg.

O teste de tolerância à glicose deve ser realizado pela manhã, uma vez que a tolerância à glicose pode apresentar uma diminuição significativa na parte da tarde. Em seguida, é retirada uma amostra de sangue antes da ingestão da glicose (tempo zero). Logo após, dá-se ao paciente para beber uma dose padrão de solução de glucose. O sangue, então, é extraído em intervalos variáveis de acordo com a finalidade do teste, para a medição da glicemia (açúcar no sangue) e, por vezes, dos níveis de insulina. Conforme a finalidade do teste, o laboratório pode continuar coletando sangue de hora em hora, por até seis horas.

Uma variante é frequentemente utilizada na gravidez para detectar diabetes gestacional.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Os tipos de fibras musculares


O corpo humano é formado por mais de 600 músculos esqueléticos que permite ao homem ser capaz de se movimentar rapidamente, reagir a estímulos em velocidade, gerar potência durante um chute ou um soco e suportar horas de exercício físico, como uma prova de maratona ou iron man.

A massa muscular do corpo humano é composta por dois tipos principais de fibras musculares que são as vermelhas e as brancas. As fibras vermelhas são também chamadas de Tipo I ou de contração lenta e as brancas de Tipo II ou de contração rápida. A classificação das fibras foi feita por pesquisadores através das suas características contráteis e metabólicas.

De forma resumida você pode ver as diferenças entre os dois tipos de fibra:

FIBRAS DE CONTRAÇÃO LENTA (Tipo I)
- Sistema de energia utilizado: AERÓBICO;
- Contração muscular lenta;
- Capacidade oxidativa (utiliza o oxigênio como principal fonte de energia);
- Coloração: Vermelha (devido ao grande número de mioglobina e mitocôndrias);
- São altamente resistentes à fadiga;
- São mais apropriadas para exercícios de longa duração;
- Predomina em atividade aeróbicas de longa duração como natação, corrida.

FIBRAS DE CONTRAÇÃO RÁPIDA (Tipo II)
- Sistema de energia utilizado: ANAERÓBICO;
- Alta capacidade para contrair rapidamente (a velocidade de contração e tensão gerada é 3 a 5 vezes maior comparada às fibras lentas);
- Capacidade glicolítica (utiliza a fosfocreatina e glicose);
- Coloração: Branca;
- Fadigam rapidamente;
- Gera movimentos rápidos e poderosos;
- Predomina em atividades anaeróbicas que exigem paradas bruscas, arranques com mudança de ritmo, saltos. Ex.: basquete, futebol, tiros de até 200 metros, musculação, entre outros.

Os dois tipos estão presentes em todos os grupos musculares do organismo, no entanto, há o predomínio de um tipo sobre o outro dependendo do músculo e de fatores genéticos. Durante uma partida de futebol, por exemplo, ambos os tipos de fibra contribuem para a execução do movimento, o que difere é o número de unidades motoras (junção de inúmeras fibras musculares) de cada tipo que serão recrutadas.


fonte: Nivia de Oliveira Junqueira

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Glicemia pós-prandial? O que é isso?


A palavra pós-prandial significa depois de uma refeição. A glicemia pós-prandial é a medida da glicose no sangue algum tempo depois do consumo de alimentos contendo carboidratos. As concentrações de glicose começam a subir cerca de 10 minutos após o início de uma refeição. A hiperglicemia pós-prandial é uma das primeiras anormalidades da glicemia associada ao diabetes tipo 2 e é marcadamente exagerada em pacientes diabéticos que apresentam hiperglicemia de jejum.

O perfil da glicose pós-prandial é determinado pela absorção de carboidratos, secreção de insulina e glucagon e seus efeitos no metabolismo da glicose no fígado e nos tecidos periféricos. O pico de concentração de glicose no plasma depende de vários fatores, incluindo tempo, quantidade e composição da refeição.

Em indivíduos normais, as concentrações de glicose plasmática atingem seu pico cerca de 60 minutos após o início de uma refeição, raramente excedem 140 mg/dl (miligramas por decilitros) e retornam aos níveis pré-prandiais dentro de 2 ou 3 horas. Mesmo que as concentrações de glicose tenham retornado aos níveis pré-prandiais, a absorção do carboidrato ingerido continua por pelo menos 5 ou 6 horas após uma refeição.

Como as pessoas com diabetes tipo 1 não têm secreção endógena de insulina, o tempo e a altura das concentrações máximas de insulina e os níveis de glicose resultantes dependem da quantidade, tipo e via de administração da insulina. Em diabéticos tipo 2, os níveis máximos de insulina são retardados e são insuficientes para controlar adequadamente as metabolizações da glicose pós-prandial.

Nos indivíduos diabéticos tipo 1 e tipo 2, anormalidades na secreção de insulina e glucagon, captação de glicose hepática, supressão da produção de glicose hepática e captação periférica de glicose contribuem para maiores e mais prolongados níveis glicêmicos pós-prandiais que em indivíduos não diabéticos. Em geral, a glicemia pós-prandial é medida 2 horas após o início de uma refeição. Em condições clínicas específicas, esse prazo pode ser reduzido para 1 hora.

O exame de glicemia pós-prandial consiste em medir o nível de glicose no sangue depois de um tempo determinado após uma refeição normal. Ele é feito por meio de uma coleta do sangue da pessoa a ser testada, em geral duas horas depois dela ter iniciado uma refeição que contenha carboidratos. Neste intervalo, apenas água em pequenas quantidades pode ser ingerida. Duas horas depois de uma refeição, o nível de glicose no sangue em indivíduos saudáveis deve ser inferior a 140 mg/dl. Pacientes com diabetes tipo 2, no entanto, apresentam nível superior a 200 mg/dl.

Se o médico solicitar também glicemia de jejum, a coleta do sangue deve ser feita neste mesmo dia, no período da manhã. Os níveis da glicemia de jejum devem ficar entre 70 e 100 mg/dl. Pacientes com diabetes tipo 2 não tratada apresentam níveis superiores a 125 mg/dl.

Se o paciente estiver fazendo uso de algum hipoglicemiante, ele deverá interrompê-lo, seguindo orientação médica. As bebidas alcoólicas devem ser evitadas.

As razões mais comuns para a glicemia estar elevada incluem comer exageradamente, ser menos ativo que o comum, estar doente ou sob estresse ou necessitar de ajustes nos medicamentos contra a diabetes mellitus. Quando a glicose no sangue está elevada o paciente pode apresentar boca seca, sede, vontade frequente de urinar, cansaço e visão turva.

Se a glicemia estiver baixa pode ser que a pessoa esteja tomando algum medicamento hipoglicemiante, esteja comendo menos ou mais demoradamente que o normal, esteja fisicamente mais ativa do que o habitual, dentre outras razões. O paciente pode apresentar nervosismo, tremedeira, sudorese fria ou cansaço.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pancreatite


A pancreatite é um processo inflamatório do pâncreas, agudo ou crônico, de variadas causas. Esta patologia pode melhorar sem deixar sequelas ou evoluir para casos mais graves, com possibilidade de levar à morte.

O pâncreas, além de produzir insulina e lançá-la na corrente sanguínea, secreta várias enzimas que atuam na digestão lançadas no intestino através do ducto pancreático. Quando essas enzimas não são excretadas e se acumulam no pâncreas, ele começa a "digeri-las", acarretando sérias consequências. Estas enzimas podem cair na circulação e lesar outros órgãos como pulmões, coração, rins, etc.

As causas da pancreatite são variadas e, em algumas ocasiões, difíceis de determinar. As mais comuns são: cálculo da vesícula biliar e consumo excessivo de álcool. Outras causas menos comuns são o uso de determinados medicamentos, infecções virais e traumatismos.

O consumo de álcool em excesso está relacionado à maioria dos casos de pancreatite.

Os sintomas da pancreatite podem ser agudos ou crônicos.

Na forma aguda, os sintomas mais comuns são:

•Dor abdominal intensa e de início abrupto que pode irradiar para as costas. A dor é chamada "dor em barra", pois toda a parte superior do abdome dói.
•Náuseas e vômitos.
•Dificuldade de eliminação das fezes e da urina.
•Icterícia (ou "amarelão") também pode estar presente.

Nas formas crônicas podem ocorrer, além dos sintomas citados:

•Diarreia com eliminação de gordura (fezes que bóiam no vaso e são brilhantes).
•Sinais e sintomas de hiperglicemia (são os sinais e sintomas do diabetes mellitus).

Além da história clínica e do exame físico do paciente, o médico pode valer-se das dosagens da lipase e da amilase (enzimas pancreáticas), de uma tomografia computadorizada ou da ecografia abdominal.

Há casos leves que podem ser tratados em casa, outros requerem internação hospitalar e cirurgia.

Ainda não existe um medicamento específico para tratar a inflamação do pâncreas. Por isso, é necessário deixar o órgão em repouso, ou seja, dependendo do caso, pode ser necessário jejum absoluto.

O tratamento visa diminuir as secreções, as enzimas e os mediadores inflamatórios pancreáticos, adequar a alimentação e adotar medidas gerais de suporte (analgésicos, hidratação, etc.).

Em casos de cálculos biliares, pode ser necessária a retirada dos mesmos.

Nas pancreatites crônicas, pode ser necessário fazer a reposição oral de enzimas pancreáticas.

O diagnóstico correto e o tratamento precoce são fundamentais para o sucesso no tratamento. Procure um médico (clínico geral, endocrinologista, cirurgião geral) para avaliar os seus sintomas.

Os casos leves curam sem sequelas. Casos mais severos podem deixar sequelas que impõem limitações à vida do indivíduo (hiperglicemia, dificuldades de digestão, etc.).

As sequelas estão relacionadas aos processos de cicatrização da inflamação pancreática. Alguns casos especialmente graves podem levar à morte.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Urticárias


Urticária é uma lesão de pele, cuja principal característica é a formação de urticas ou pápulas (elevações circulares, salientes e bem demarcadas), circundadas por vergões vermelhos (eritema) e inchaço (edema).

As placas de urticária costumam coçar muito. Elas podem surgir de repente, em qualquer região do corpo, e desaparecer espontaneamente para ressurgir depois noutro local.

Em geral, seu aparecimento está associado à ação da histamina, substância liberada pelos mastócitos, células do tecido conjuntivo responsáveis pela dilatação e permeabilidade dos pequenos vasos sanguíneos.

Há casos em que a urticária vem acompanhada por angioedema, um inchaço proveniente das camadas mais profundas da derme que atinge sobretudo pálpebras, lábios, orelhas, pés, mãos e genitais.

Embora pouco comum, o angioedema pode afetar a mucosa da boca e da garganta, a ponto de promover um bloqueio nas vias aéreas superiores e edema de glote (edema de Quinck), complicações graves da doença que põem a vida em risco.

A urticária é um distúrbio bastante comum. Estudos mostram que cerca de 20%, 25% das pessoas já manifestaram pelo menos um episódio da doença na vida. Estudos recentes apontam que, na maioria dos casos, a manifestação da urticária não está correlacionada com um processo alérgico.

Tipos/classificação

Dependendo do tempo de evolução e das características da crise, a urticária pode ser classificada de diferentes formas:

urticária aguda – com duração inferior a seis semanas, constituída por um único episódio transitório e autolimitado, que não deixa marcas nem cicatrizes, mas pode ressurgir mais tarde, em outras áreas do corpo;
urticária crônica – quando a afecção persiste por mais de seis semanas, podendo permanecer ativa por meses ou anos.
A forma crônica pode apresentar-se de duas maneiras diferentes:

urticária crônica induzida – quando os sinais são desencadeados por um agente externo (frio, calor, pressão por roupas muito justas ou elásticos (dermografismo), vibrações, , sol, água, exercícios físicos, entre outros);
urticária crônica espontânea/idiopática – surge sem que se identifique um fator desencadeante, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento. Essa forma da doença afeta mais as mulheres do que os homens . Embora possa manifestar-se em pessoa de qualquer idade, o mais comum é manifestar-se entre os 20 e os 40 anos.

Causas

Ainda não está completamente esclarecida a(s) causa(s) das crises de urticária.

Pesquisas mostram que a forma aguda pode ser desencadeada por estímulos de origem imunológica ou não imunológica. Nas não imunológicas, que incluem a urticária aguda alérgica e a urticária crônica induzida, a erupção cutânea é consequência de uma reação alérgica aguda a agentes físicos, tais como: certos medicamentos (AAS, diclofenaco, penicilina, anti-hipertensivos,etc.), alguns alimentos (frutos do mar, ovos, nozes, leite, chocolate, conservas, etc.), picadas de inseto, ou ainda como reação à exposição direta da pele ao frio, ao calor, a raios solares, à água quente ou fria, e a exercícios físicos. As lesões podem surgir, também, em áreas da pele que estiveram sujeitas à fricção ou foram mantidas sob pressão (dermografismo).

É muito difícil definir o fator desencadeante de grande parte dos episódios de urticária crônica espontânea. Estudos recentes indicam que muitos desses quadros podem estar associados a uma doença autoimune, que se instala quando o sistema imunológico produz anticorpos que agridem o próprio organismo.

Sintomas

Coceira intensa e ardor são sinais que podem preceder o aparecimento das urticas, isto é, de pequenas elevações rosadas, com o centro mais claro, delimitadas por vergões avermelhados e inchaço.

O tamanho das lesões varia muito (de poucos milimetros a muitos centímetros). Elas podem irromper isoladas na pele ou formando placas. Embora desapareçam sem deixar marcas, podem voltar a manifestar-se em qualquer outra região do corpo.

Sintomas como falta de ar e dificuldade para engolir e falar, apesar de raros, são considerados complicações graves, tanto da urticária quanto do angioedema, e exigem atendimento médico imediato.

Diagnóstico

A história clinica do paciente, os hábitos alimentares, o uso de medicamentos e o aspecto das lesões são dados importantes para diagnóstico da urticária. Exames de sangue e testes cutâneos podem ser úteis para identificar a causa e os fatores desencadeantes. Também é importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras enfermidades para orientar o tratamento.

No entanto, nem sempre é possível determinar a causa da urticária crônica. Quando isso acontece, a doença é classificada como urticária crônica espontânea idiopática e apresenta reflexos negativos no comportamento do dia a dia dos pacientes.

Tratamento

A urticária crônica não tem cura, mas as crises podem ser controladas com medicamentos. O objetivo é a melhora dos sintomas que interferem diretamente na qualidade de vida dos portadores da doença.

O tratamento é estabelecido, individualmente, de acordo com as necessidades de cada doente. Medicação de uso local não costuma apresentar resultados eficazes para o controle da doença.

Quando é possível identificar a causa das lesões, como ocorre nas urticárias agudas e nas crônicas induzidas, a primeira medida terapêutica consiste em suspender o contato com o agente desencadeante das crises.

Medicamentos anti-histamínicos (conhecidos como antialérgicos), por via oral, são úteis para aliviar os sintomas, porque inibem a ação dos receptores de histamina. Em algumas situações, pode ser necessário incluir a prescrição de drogas com corticoides em sua fórmula, por períodos curtos, em virtude dos efeitos adversos que podem provocar, e imunossupressores. Casos mais graves, especialmente quando associados ao angioedema, podem exigir a aplicação de adrenalina por via subcutânea.

O tratamento da urticária crônica espontânea idiopática é realizado em etapas, com anti-histamínicos introduzidos em doses que podem ser aumentadas gradativamente. Considerando a resposta do paciente à medicação, outras classes de drogas podem ser introduzidas.

Em dezembro de 2015, a Anvisa aprovou o omalizumabe ( nome fantasia Xolair), um medicamento imunobiológico para o tratamento da urticária crônica espontânea grave e refratária aos tratamentos convencionais. Ele modifica a resposta imune do organismo e pode ser indicado para adultos e crianças acima dos doze anos que, no geral, respondem bem a essa nova medicação que, anteriormente, era utilizada nos casos de asma alérgica grave.

Como o SUS não disponibiliza o omalizumabe para os pacientes, seu alto custo pode inviabilizar sua aplicação no tratamento da urticária.

Recomendações

* Fique atento. Se você já sabe qual é o agente que desencadeia os surtos de urticária, afaste-se dele. Essa é a maneira mais segura de prevenir as crises;

* Evite coçar a pele, particularmente nas áreas em que se desenvolveram as lesões;

* Aplique compressas frias sobre as lesões para aliviar a coceira, que costuma ser o principal sintoma da urticária;

* Leve imediatamente a pessoa para atendimento médico-hospitalar se, além dos sintomas característicos da urticária, ela apresentar dificuldade para respirar, falar ou engolir;

* Verifique se você não é alérgico ao pigmento amarelo chamado tartrazina, ou E102, utilizado pela indústria para dar cor a remédios e alimentos;

* Não se automedique nunca. Siga rigorosamente as orientaçoes médicas;

* Relaxe. Estresse não é causa primeira para o aparecimento da urticária, mas pode piorar os sintomas.

Observação importante: Quando a crise de urticária aguda é desencadeada por alimentos ou remédios, no máximo uma hora depois que foram ingeridos, pode ser sinal de uma reação alérgica que requer atendimento médico de urgência

Fontes:

www.drauziovarella.com.br

www,dermatologia.net – doenças da pele

www.asbai.org.br/revistas/Vol286/urticarias

http//urticaria.org.br

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Consumo de álcool entre mulheres já é quase igual ao dos homens


O estudo foi conduzido pela Universidade de New South Wales, na Austrália.

Historicamente, o uso de álcool e seus efeitos nocivos são mais prevalentes em homens do que nas mulheres. No entanto, a evidência emergente sugere que a epidemiologia do uso de álcool está mudando em populações mais jovens.

O objetivo foi resumir sistematicamente a literatura publicada sobre as mudanças observadas nas taxas de relação entre sexo masculino e sexo feminino em indicadores de consumo do álcool e de seus efeitos nocivos.

Foram identificados 68 estudos que preencheram os critérios de inclusão. Foram calculadas taxas do sexo masculino em relação ao sexo feminino para três grandes categorias de uso de álcool e seus danos (qualquer consumo de álcool, uso problemático de álcool e os efeitos nocivos relacionados ao álcool), estratificadas por coortes de nascimentos de cinco anos, que vão de 1891 a 2001.

Houve uma diminuição linear ao longo do tempo na proporção entre os sexos para todas as três categorias de uso de álcool e de seus efeitos nocivos. Entre os nascidos no início de 1900, os homens foram 2,2 vezes mais propensos do que as mulheres a consumir álcool, 3,0 vezes mais propensos a beber álcool em formas sugestivas de uso problemático e 3,6 vezes mais propensos a sofrer danos relacionados ao consumo de álcool.

Entre coortes nascidas no final dos anos de 1900, os homens foram 1,1 vezes mais propensos do que as mulheres a consumir álcool, 1,2 vezes mais propensos a beber álcool em formas sugestivas de uso problemático e 1,3 vezes mais propensos a sofrer danos relacionados ao consumo de álcool.

Os resultados confirmam que os indicadores femininos estão cada vez mais próprios aos observados em homens e que isso se torna mais evidente quando se considera populações mais jovens, por volta dos 30 ou 40 anos de idade.



Fonte: BMJ Open, volume 6, número 10, de 24 de outubro de 2016

sábado, 5 de novembro de 2016

Intolerância a glúten?


O glúten é uma mistura de proteínas (gliadina e glutenina) que se encontra na semente de muitos cereais como o trigo, a cevada, o centeio, o malte e a aveia. Uma vez ingerido, o glúten, no íleo (porção do intestino delgado), é transformado em uma espécie de cola e adere às vilosidades existentes em suas paredes, podendo danificá-las.

Ele está presente em muitos dos alimentos comuns ao brasileiro, como pães, biscoitos, bolos, macarrão, etc. e, embora seja inconveniente para todas as pessoas, é mais deletério para algumas pessoas específicas, que reagem a ele de modo especial.

A intolerância ao glúten é a incapacidade ou dificuldade permanente de digestão do glúten.

Isso acontece mais nitidamente nos indivíduos que têm uma doença geneticamente determinada, chamada “doença celíaca”, na qual o glúten danifica as vilosidades intestinais (paredes do intestino delgado) e provoca má absorção de outros nutrientes.

Essa doença se manifesta quando é iniciada a introdução de cereais na dieta do bebê, no entanto pode surgir mais tarde, na idade adulta. Embora geralmente seja genética, a intolerância ao glúten pode também ser devido à permeabilidade intestinal alterada por outras causas.

Os principais sinais e sintomas da intolerância ao glúten já podem ser observados no bebê, a partir de quando haja introdução de cereais na sua alimentação. Eles são muito variados, podendo ser leves e pouco específicos ou constituírem um quadro clássico de má absorção intestinal. Os mais comuns são: diarreias frequentes (fezes volumosas e espumosas, de aparência oleosa e tendência à flutuação na água e de odor desagradável), vômitos, irritabilidade, perda do apetite, emagrecimento, dor abdominal, abdômen globoso, palidez, anemia ferropriva (por deficiência na absorção de ferro e ácido fólico), diminuição da massa muscular e óssea.

Muitos pacientes, sobretudo no início da enfermidade, podem ter queixas inespecíficas como, por exemplo, desconforto abdominal, flatulência, aftas bucais e, paradoxalmente, constipação. Em alguns casos, pode não haver nenhum destes sintomas e a intolerância ao glúten só pode ser descoberta pelas manifestações e consequências da doença celíaca, tais como: baixa estatura, anemia refratária aos tratamentos convencionais, artralgias (dores nas articulações),prisão de ventre crônica, osteoporose e esterilidade.

Uma história clínica plena de sintomas típicos leva naturalmente à suspeição do distúrbio e da doença celíaca. Pode-se testar esse diagnóstico alternando por dois a três meses uma dieta com e sem glúten e verificando se o paciente piora e melhora, coincidentemente. Um dos primeiros exames a ser feito visa detectar alterações na pele e nas unhas. Além disso, devem ser feitos hemogramas, testes sorológicos que diagnostiquem a doença celíaca, provas de absorção intestinal, exames de fezes e de imagens que ajudem a confirmar ou descartar o diagnóstico. Uma biópsia duodenal endoscópica poderá ser necessária para confirmação do diagnóstico.

Um diagnóstico diferencial rigoroso deve ser feito com várias outras doenças que se assemelham à intolerância ao glúten como, por exemplo, a doença de Crohn, a síndrome de Zollinger-Ellison e a intolerância à lactose.

O tratamento consiste na abstinência total de alimentos que contenham glúten. Uma única “escapada” pode botar a perder uma abstinência de vários dias. Os alimentos que não contêm glúten tampouco devem ser preparados ou servidos nas mesmas vasilhas em que forem preparados os alimentos que o contenham.

A dieta, no entanto, não é fácil de ser seguida, porque o glúten está presente em muitos alimentos comuns no dia a dia das pessoas (pães, biscoitos, bolos, pasteis, alguns legumes, massas, etc). Algumas medicações sintomáticas podem ser utilizadas em momentos de crise ou para corrigir efeitos secundários da doença, mas elas têm pouco efeito e são apenas paliativas. Deve também ser feita a reposição das carências originadas pela deficiência da absorção intestinal.

Não existe cura para a intolerância ao glúten e ela pode persistir vida afora ou sumir e reaparecer mais tarde, na adolescência, idade adulta ou na terceira idade.

A doença celíaca, principal causa de intolerância ao glúten, pode apresentar sintomas pouco intensos ou ocasionais por longos períodos da vida, sendo às vezes de diagnóstico difícil. Pacientes sem sintomas ou com poucos sintomas podem apresentar como primeiras queixas as consequências dessa doença, como anemia e osteoporose, por exemplo.

Se não for adequadamente controlada, a forma mais grave do distúrbio pode levar a uma desnutrição séria do paciente.

Dicas para aqueles que sofrem de intolerância ao glúten:

•A expressão "contém glúten", nas embalagens de alguns produtos alimentícios visa alertar as pessoas intolerantes ou alérgicas a essa proteína para que não os consumam. No sentido contrário, as frases "não contém glúten" ou “glúten free” indicam que podem ser consumidos.
•Fubá, amido de milho, creme de arroz, polvilho e farinha de mandioca não contêm glúten.
•Em casos de dúvidas, se o alimento contém ou não glúten, ele não deve ser consumido.

A única prevenção possível do distúrbio consiste em não comer alimentos que contenham glúten.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Atividade física em idosos e melhorias cognitivas


O estudo Study of Mental and Resistance Training foi realizado para determinar se as melhorias na capacidade aeróbica e os ganhos de força após treinamento de resistência progressiva (TRP) mediam melhorias na função cognitiva de idosos.

O estudo científico contou com a participação de idosos (com idade ≥55 anos), com comprometimento cognitivo leve (CCL), que receberam TRP e treinamento cognitivo (TC), de 2 a 3 dias por semana, durante 6 meses.

As medições aferidas foram a subescala Alzheimer's Disease Assessment Scale–cognitive (ADAS-Cog), domínios global, executivo e de memória, pico de força (uma repetição máxima) e controle de oxigenação sanguínea.

O treinamento aumentou a força da parte superior do corpo, da parte inferior e do corpo como um todo e também aumentou a variação percentual no pico de oxigênio significativamente mais do que o exercício simulado.

Escores mais elevados de força, mas não picos maiores de oxigênio foram significativamente associados com melhorias na cognição.

TRP de alta intensidade resulta em melhorias significativas na função cognitiva, força muscular e capacidade aeróbica em idosos com comprometimento cognitivo leve.

Ganhos de força, mas não alterações na capacidade aeróbica, mediam os benefícios cognitivos do TRP.



Fonte: Journal of the American Geriatrics Society, publicação online, de 24 de outubro de 2016

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ileostomia e Colostomia


Ostomia é o termo genérico que descreve a abertura de um órgão oco do interior do organismo (digestivos, respiratórios, urinários) na superfície da pele, criando um estoma (do grego: stóma = boca). Ileostomia ou colostomia são derivações intestinais em que o íleo (intestino delgado) ou o cólon (intestino grosso) se exteriorizam na parede abdominal, formando um novo local para a saída das fezes.

Em geral, uma ileostomia ou colostomia integram um tratamento de doenças que afetam o intestino, tais como doenças inflamatórias, câncer, obstrução e/ou perfuração do intestino, outras lesões várias do intestino (inclusive traumáticas), abscesso intestinal ou defeito de nascença. A ileostomia frequentemente é realizada para tratamento de colite ulcerativa, doença de Crohn e carcinoma de cólon.

A ileostomia ou a colostomia podem ser definitivas ou provisórias, na dependência do tipo de intervenção realizada no intestino. Se o ânus tem que ser removido, a ileostomia ou colostomia será permanente; se o ânus não necessita ser removido, pode-se voltar a ligar o intestino a ele, depois que o problema atual for resolvido. Nestes casos, a ileostomia ou a colostomia são ditas temporárias.

Após uma ileostomia ou uma colostomia, o paciente deve usar uma bolsa especial aderida à pele, para que suas fezes sejam coletadas e recolhidas. Essa bolsa deve ser mantida permanentemente, pois a vontade de evacuar pode ocorrer a qualquer momento e não haverá meios de segurá-la, ao contrário do que acontece quando há um ânus normal.

Essa bolsa deve ser trocada a cada quatro dias e higienizada diariamente. O paciente deve ser acompanhado por um nutricionista que o aconselhará quanto aos alimentos que podem causar prisão de ventre ou amolecer as fezes, promover a formação de gases, produzir ou neutralizar odores fortes, etc.

Numa ileostomia, o estoma situa-se no nível do intestino delgado (íleo), suprimindo o intestino grosso na sua totalidade. Na preparação para a cirurgia, os pacientes devem parar de fumar pelo menos duas semanas antes da cirurgia (o ideal seriam seis semanas) e receber antibióticos profiláticos. O médico deve orientar o paciente quanto aos remédios que eventualmente esteja tomando.

Em geral, o paciente receberá uma dieta pobre em resíduos, apresentada em pequenas e frequentes porções. O abdômen é marcado para a alocação correta do estoma, normalmente no quadrante inferior direito, afastado de cicatrizes, proeminências ósseas, dobras cutâneas ou fístulas. Então, é feita uma anestesia geral. Durante o procedimento, o cirurgião fará uma incisão no abdômen do paciente, cortará seu intestino, anexando a ponta solta à nova abertura no abdômen e anexará uma bolsa coletora de fezes.

A drenagem dessas fezes sempre será bastante fluidificada, devido à não absorção de líquidos, já que esta fase aconteceria no intestino grosso, agora suprimida. As fezes eliminadas por meio da ileostomia costumam ser muito agressivas para a pele circundante ao estoma, o qual deve ser frequente e corretamente vigiado.

Também são significativamente diminuídas as absorções de gordura e de vitamina B, bem como são aumentadas as perdas de sódio e potássio. Os pacientes que passam por esse tipo de cirurgia devem receber reposições intensivas de líquidos, sangue e proteínas.

Se o cólon em sua totalidade ou apenas parte dele precisar ser removida, o procedimento é chamado de colostomia. A colostomia corresponde a um procedimento cirúrgico similar à ileostomia, praticado a nível do intestino grosso. Antes da cirurgia, o paciente precisa limpar seu cólon por meio de um enema ou beber uma solução laxativa que o limpe.

Para prevenir acidentes com a colostomia ou com a ileostomia deve-se evitar esportes ou atividades que possam traumatizar o estoma.

Como com qualquer cirurgia, há os riscos (raros) inerentes à anestesia geral, além dos riscos de infecção, hemorragia ou estreitamento do estoma. Aderências podem se formar no abdômen e causar uma obstrução no intestino.