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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Bridas intestinais


As bridas intestinais são cicatrizes internas em forma de cordões ou de faixas de tecido cicatricial fibroso que formam “pontes” ligando os órgãos abdominais entre si ou à parede do abdômen, geralmente formadas após uma cirurgia abdominal. Elas formam uma espécie de "teia de aranha" que pode ligar, por exemplo, o ovário ao intestino ou partes do intestino entre si.

As bridas intestinais podem ser congênitas ou adquiridas em cirurgias abdominais prévias e constituem aproximadamente 60% dos casos de obstrução intestinal. As bridas se desenvolvem depois de uma cirurgia abdominal na qual os órgãos são muito manuseados e são temporariamente afastados de suas posições normais.

São fatores de risco para a formação de brida intestinal: infecções intra-abdominais, isquemia tissular, corpos estranhos intra-abdominais e cirurgias abdominais, que é o fator mais comum.

As bridas são formações de tecido fibroso, que se estruturam em apenas dois dias após uma cirurgia. As manipulações de órgãos, necessárias durante uma cirurgia, se são intensas, podem levar à formação de um exsudato de fibrina, que quando não é devidamente drenado pelo próprio organismo do paciente leva à formação das bridas.

A formação de bridas intestinais é tanto maior quanto mais manipulados forem os órgãos do paciente durante uma cirurgia. Normalmente elas não causam quaisquer problemas, mas eventualmente podem causar obstrução intestinal e o intestino pode ser bloqueado total ou parcialmente.

Na dependência da sua localização, podem levar ao "estrangulamento" total do intestino e impedir a eliminação das fezes. Esse "estrangulamento" pode também limitar o fornecimento de sangue àquela região do intestino e ela pode começa a necrosar (morrer), impondo uma cirurgia de emergência.

Às vezes, uma área do intestino afetada pode ser bloqueada apenas intermitentemente, mas também pode persistir, gerando sintomas como dor abdominal intensa e obstrução intestinal duradoura. Em razão disso, o abdômen do indivíduo incha, ele sentirá fortes dores e, se a situação persiste não solucionada, podem ocorrer vômitos de fezes.

O médico deve colher atentamente a história médica do paciente, especialmente seu relato de cirurgia(s) abdominal(is) anterior(es), palpar seu abdômen e solicitar exames de imagem como, por exemplo, tomografia computadorizada. Exames de sangue, urina e radiografias podem ajudar a excluir outras situações que possam estar gerando a dor abdominal e assim ajudar a firmar o diagnóstico de bridas. Os exames de imagem também podem produzir sinais sugestivos de obstrução intestinal, se for o caso.

Se o médico concluir que as bridas não envolvem órgãos vitais e se achar que o paciente não está em boas condições para enfrentar uma cirurgia, poderá apenas receitar analgésicos e anti-inflamatórios quando as dores surgirem. Como regra, a remoção cirúrgica das bridas deve ser feita sempre que elas gerem dor abdominal intensa, produzam obstrução intestinal ou impeçam o bom funcionamento de qualquer outro órgão.

No entanto, se o médico de novo manipular muito o paciente, novas bridas poderão ser formadas e, por isso, o ideal é que elas sejam apenas seccionadas para permitir uma melhor mobilidade dos órgãos envolvidos.

A obstrução intestinal causada por bridas pode levar à morte em cerca de 5% dos casos ou mais, se não tratadas a tempo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Pólipos de Vesícula Biliar


Os pólipos da vesícula biliar são protuberâncias na mucosa, projetadas para dentro da vesícula. Em geral eles não dão sintomas e, quase sempre, são um achado incidental de uma ultrassonografia abdominal feita por outro motivo.

Pouco se sabe sobre os fatores associados à ocorrência de pólipos da vesícula biliar, mas a sua formação parece estar associada ao metabolismo das gorduras. A história familiar de alguns casos sugere a presença de um fator genético. Não parece haver qualquer relação consistente entre a formação de pólipos e idade, sexo, obesidade ou outras condições médicas, como diabetes, por exemplo. Pacientes com síndromes poliposas congênitas também podem desenvolver pólipos na vesícula biliar.

Sugere-se que haja uma relação inversa entre pólipos e cálculos da vesícula biliar. Hipotetiza-se que os pólipos possam interromper mecanicamente a formação de pedras ou então que sejam mais difíceis de serem diagnosticados radiograficamente quando as pedras estejam presentes.

O câncer da vesícula biliar é bastante raro, embora pólipos da vesícula biliar sejam comuns. A maioria dos pólipos da vesícula biliar é benigna, no entanto, a detecção precoce dos raros pólipos malignos é importante para o tratamento curativo. Os pólipos da vesícula biliar podem ser divididos em benignos e malignos e ambos são, em geral, assintomáticos.

A maioria deles, não malignos, constitui apenas alterações estruturais ou depósitos de gordura na mucosa. Os pólipos benignos mais comuns são os de colesterol, os inflamatórios e os adenomas, os quais têm a capacidade de se tornarem tumores malignos. Os pólipos malignos mais comuns são os adenocarcinomas.

A ultrassonografia abdominal, contudo, não pode afirmar com segurança se a lesão é sem risco, pré-maligna ou maligna. O médico tem que se valer de algumas considerações de acordo as características dos pólipos, como número e tamanho deles, para que se decida entre o acompanhamento ultrassonográfico periódico e a cirurgia.

Os pólipos maiores de 2 centímetros quase sempre são malignos e mesmo aqueles entre 1 e 2 cm também já apresentam mais remotamente esta possibilidade. Os cálculos de colesterol costumam ser múltiplos e têm menos de 1 cm.

Em geral, os pólipos de vesícula biliar têm sintomatologia pobre ou inexistente, inespecífica e vaga. No entanto, alguns pacientes podem sofrer náuseas e vômitos e dor ocasional no hipocôndrio direito, devido a obstruções intermitentes causadas por fragmentos de colesterol que se destacam da mucosa da vesícula biliar. Alguns pólipos se projetam obstruindo o canal cístico ou os ductos biliares primários, causando colecistite aguda ou icterícia obstrutiva, mas estas são complicações muito raras.

O diagnóstico do pólipo de vesícula costuma ser feito por meio de uma ultrassonografia incidental e a conduta terapêutica depende basicamente do aspecto do pólipo nesse exame. Se o pólipo for menor que 1 cm e não associado à presença de cálculos, deve ser acompanhado com ultrassonografia periódica.

O aperfeiçoamento de modalidades de imagens, como tomografia computadorizada e ressonância magnética e sua aplicação mais generalizada, levaram a um aumento no diagnóstico coincidente de cálculos da vesícula biliar e pólipos da vesícula biliar. No entanto, a ultrassonografia abdominal continua sendo vista como o melhor exame disponível para o diagnóstico, pela sua boa sensibilidade e especificidade.

A ultrassonografia abdominal por vezes permite distinguir um pólipo de colesterol de um adenoma ou um adenocarcinoma. No entanto, a distinção não é fácil e o status de pólipos como benigno ou maligno não pode ser determinado com certeza.

Os pólipos de vesícula biliar devem ser tratados por meio de cirurgia, ou porque causam sintomas ou como prevenção quanto ao câncer de vesícula. Os pacientes que apresentam uma associação entre pólipos e cálculos devem ser operados, havendo ou não sintomas e independentemente do tamanho dos pólipos, já que sabidamente esta associação aumenta o risco de câncer.

O tratamento cirúrgico consiste na retirada da vesícula biliar, que pode ou não ser feita por laparoscopia.

Embora na maioria das vezes os pólipos sejam benignos, toda atenção deve ser dada ao risco de um câncer de vesícula, já que esta doença tem um prognóstico ruim.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pancreatite


A pancreatite é um processo inflamatório do pâncreas, agudo ou crônico, de variadas causas. Esta patologia pode melhorar sem deixar sequelas ou evoluir para casos mais graves, com possibilidade de levar à morte.

O pâncreas, além de produzir insulina e lançá-la na corrente sanguínea, secreta várias enzimas que atuam na digestão lançadas no intestino através do ducto pancreático. Quando essas enzimas não são excretadas e se acumulam no pâncreas, ele começa a "digeri-las", acarretando sérias consequências. Estas enzimas podem cair na circulação e lesar outros órgãos como pulmões, coração, rins, etc.

As causas da pancreatite são variadas e, em algumas ocasiões, difíceis de determinar. As mais comuns são: cálculo da vesícula biliar e consumo excessivo de álcool. Outras causas menos comuns são o uso de determinados medicamentos, infecções virais e traumatismos.

O consumo de álcool em excesso está relacionado à maioria dos casos de pancreatite.

Os sintomas da pancreatite podem ser agudos ou crônicos.

Na forma aguda, os sintomas mais comuns são:

•Dor abdominal intensa e de início abrupto que pode irradiar para as costas. A dor é chamada "dor em barra", pois toda a parte superior do abdome dói.
•Náuseas e vômitos.
•Dificuldade de eliminação das fezes e da urina.
•Icterícia (ou "amarelão") também pode estar presente.

Nas formas crônicas podem ocorrer, além dos sintomas citados:

•Diarreia com eliminação de gordura (fezes que bóiam no vaso e são brilhantes).
•Sinais e sintomas de hiperglicemia (são os sinais e sintomas do diabetes mellitus).

Além da história clínica e do exame físico do paciente, o médico pode valer-se das dosagens da lipase e da amilase (enzimas pancreáticas), de uma tomografia computadorizada ou da ecografia abdominal.

Há casos leves que podem ser tratados em casa, outros requerem internação hospitalar e cirurgia.

Ainda não existe um medicamento específico para tratar a inflamação do pâncreas. Por isso, é necessário deixar o órgão em repouso, ou seja, dependendo do caso, pode ser necessário jejum absoluto.

O tratamento visa diminuir as secreções, as enzimas e os mediadores inflamatórios pancreáticos, adequar a alimentação e adotar medidas gerais de suporte (analgésicos, hidratação, etc.).

Em casos de cálculos biliares, pode ser necessária a retirada dos mesmos.

Nas pancreatites crônicas, pode ser necessário fazer a reposição oral de enzimas pancreáticas.

O diagnóstico correto e o tratamento precoce são fundamentais para o sucesso no tratamento. Procure um médico (clínico geral, endocrinologista, cirurgião geral) para avaliar os seus sintomas.

Os casos leves curam sem sequelas. Casos mais severos podem deixar sequelas que impõem limitações à vida do indivíduo (hiperglicemia, dificuldades de digestão, etc.).

As sequelas estão relacionadas aos processos de cicatrização da inflamação pancreática. Alguns casos especialmente graves podem levar à morte.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ileostomia e Colostomia


Ostomia é o termo genérico que descreve a abertura de um órgão oco do interior do organismo (digestivos, respiratórios, urinários) na superfície da pele, criando um estoma (do grego: stóma = boca). Ileostomia ou colostomia são derivações intestinais em que o íleo (intestino delgado) ou o cólon (intestino grosso) se exteriorizam na parede abdominal, formando um novo local para a saída das fezes.

Em geral, uma ileostomia ou colostomia integram um tratamento de doenças que afetam o intestino, tais como doenças inflamatórias, câncer, obstrução e/ou perfuração do intestino, outras lesões várias do intestino (inclusive traumáticas), abscesso intestinal ou defeito de nascença. A ileostomia frequentemente é realizada para tratamento de colite ulcerativa, doença de Crohn e carcinoma de cólon.

A ileostomia ou a colostomia podem ser definitivas ou provisórias, na dependência do tipo de intervenção realizada no intestino. Se o ânus tem que ser removido, a ileostomia ou colostomia será permanente; se o ânus não necessita ser removido, pode-se voltar a ligar o intestino a ele, depois que o problema atual for resolvido. Nestes casos, a ileostomia ou a colostomia são ditas temporárias.

Após uma ileostomia ou uma colostomia, o paciente deve usar uma bolsa especial aderida à pele, para que suas fezes sejam coletadas e recolhidas. Essa bolsa deve ser mantida permanentemente, pois a vontade de evacuar pode ocorrer a qualquer momento e não haverá meios de segurá-la, ao contrário do que acontece quando há um ânus normal.

Essa bolsa deve ser trocada a cada quatro dias e higienizada diariamente. O paciente deve ser acompanhado por um nutricionista que o aconselhará quanto aos alimentos que podem causar prisão de ventre ou amolecer as fezes, promover a formação de gases, produzir ou neutralizar odores fortes, etc.

Numa ileostomia, o estoma situa-se no nível do intestino delgado (íleo), suprimindo o intestino grosso na sua totalidade. Na preparação para a cirurgia, os pacientes devem parar de fumar pelo menos duas semanas antes da cirurgia (o ideal seriam seis semanas) e receber antibióticos profiláticos. O médico deve orientar o paciente quanto aos remédios que eventualmente esteja tomando.

Em geral, o paciente receberá uma dieta pobre em resíduos, apresentada em pequenas e frequentes porções. O abdômen é marcado para a alocação correta do estoma, normalmente no quadrante inferior direito, afastado de cicatrizes, proeminências ósseas, dobras cutâneas ou fístulas. Então, é feita uma anestesia geral. Durante o procedimento, o cirurgião fará uma incisão no abdômen do paciente, cortará seu intestino, anexando a ponta solta à nova abertura no abdômen e anexará uma bolsa coletora de fezes.

A drenagem dessas fezes sempre será bastante fluidificada, devido à não absorção de líquidos, já que esta fase aconteceria no intestino grosso, agora suprimida. As fezes eliminadas por meio da ileostomia costumam ser muito agressivas para a pele circundante ao estoma, o qual deve ser frequente e corretamente vigiado.

Também são significativamente diminuídas as absorções de gordura e de vitamina B, bem como são aumentadas as perdas de sódio e potássio. Os pacientes que passam por esse tipo de cirurgia devem receber reposições intensivas de líquidos, sangue e proteínas.

Se o cólon em sua totalidade ou apenas parte dele precisar ser removida, o procedimento é chamado de colostomia. A colostomia corresponde a um procedimento cirúrgico similar à ileostomia, praticado a nível do intestino grosso. Antes da cirurgia, o paciente precisa limpar seu cólon por meio de um enema ou beber uma solução laxativa que o limpe.

Para prevenir acidentes com a colostomia ou com a ileostomia deve-se evitar esportes ou atividades que possam traumatizar o estoma.

Como com qualquer cirurgia, há os riscos (raros) inerentes à anestesia geral, além dos riscos de infecção, hemorragia ou estreitamento do estoma. Aderências podem se formar no abdômen e causar uma obstrução no intestino.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Fístulas


Uma fístula é qualquer passagem em forma de tubo que comunica anormalmente dois órgãos internos ou que conduzem de um órgão interno para a superfície do corpo.

Algumas vezes as fístulas são feitas cirurgicamente, de modo artificial, para fins de diagnóstico ou de terapia. Outras vezes ocorrem em razão de lesões, doenças ou de anomalias congênitas. As fístulas consequentes a doenças podem ser causadas por doenças como tuberculose, actinomicose, divertículos e outras doenças graves.

Exemplos de algumas fístulas comuns

(1) A fístula anal é um dos tipos mais comuns de fístulas. Geralmente ela se desenvolve como resultado de uma ruptura na parede do canal anal ou do reto ou de um abscesso naqueles locais.

(2) Em mulheres, o trabalho difícil de parto pode resultar na formação de fístula entre a bexiga e a vagina com o extravasamento de urina para dentro da vagina.

(3) Em uma fístula entre a bexiga e o intestino não há passagem de urina da bexiga para o intestino.

(4) Nas fístulas retovaginais, ligando o reto à vagina, as fezes podem passar do canal anal ou do reto para a vagina.

(5) Uma fístula arteriovenosa é uma comunicação que se realiza entre uma artéria e uma veia, quer patologicamente ou criada cirurgicamente para fins terapêuticos, como, por exemplo, para garantir um local de acesso para hemodiálise.

(6) Uma fístula abdominal é aquela que acontece entre um órgão abdominal oco e a superfície do abdômen.

(7) A fístula branquial é um pertuito persistente ligando a faringe à superfície da pele. Ela é um pequeno orifício na parte inferior da garganta. A condição é normalmente observada no primeiro ano de vida.

(8) Uma fístula broncopleural liga um brônquio à cavidade pleural, causando uma passagem de ar a esta cavidade. Muitas vezes é uma complicação de empiema, fibrose ou pneumonia.

(9) A fístula cerebrospinal ocorre entre o espaço subaracnoide e uma cavidade corporal. Ela se dá em razão de traumatismo craniano ou erosão óssea, com a passagem de fluido cerebrospinal, geralmente sob a forma de rinorreia ou otorreias.

(10) A fístula Brescia-Cimino, que liga a veia cefálica à artéria radial é uma fístula arteriovenosa feita para dar acesso à hemodiálise.

(11) Uma fístula enterovesical liga o intestino com a bexiga urinária.

(12) Uma fístula fecal liga o intestino com algum ponto da superfície externa do corpo e faz a descarga de fezes.

(13) Uma fístula gástrica pode ser uma comunicação entre o estômago e alguma outra parte do corpo ou uma passagem criada artificialmente através da parede abdominal para o estômago, geralmente para alimentação por sonda.

(14) Na fístula da janela redonda do ouvido há vazamento de perilinfa para o ouvido interno, de modo que as mudanças na pressão do ouvido médio afetam diretamente o ouvido interno, causando surdez neurossensorial.

(15) A fístula arteriovenosa pulmonar é uma fístula congênita entre os sistemas arterial e venoso, permitindo que o sangue não oxigenado passe a ter acesso à circulação sistêmica.

(16) Uma fístula retovaginal pode existir entre o reto e a vagina.

(17) Uma fístula retovesical é a que existe entre o reto e a bexiga urinária.

(18) A fístula salivar ocorre entre um ducto ou glândula salivar e a superfície cutânea ou a boca.

(19) Uma fístula torácica comunica-se com a cavidade torácica.

(20) Uma fístula urinária é qualquer comunicação entre o trato urinário e outro órgão ou a superfície do corpo.

(21) Pode haver também uma fístula vesicovaginal da bexiga para a vagina.

A fístula entre quaisquer órgãos ou entre um órgão e a superfície do corpo é dita incompleta quando tem um fundo cego.

Uma fístula pode ser, e geralmente é, um local de infecção, causando grande desconforto ao paciente.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Onfalocele: o que é?


Onfalocele é um raro defeito congênito da parede abdominal, em que o intestino, o fígado e, ocasionalmente, outros órgãos, ficam fora do abdômen, numa bolsa de peritônio, devido a um defeito no desenvolvimento dos músculos da parede abdominal.

A onfalocele desenvolve-se ainda quando o feto está em crescimento dentro do útero da mãe e parece ser causada por má rotação do intestino ao retornar de sua posição originariamente externa para o interior do abdômen, durante o desenvolvimento. Alguns casos de onfalocele são devidos a um distúrbio genético subjacente, tais como a trissomia 13 (síndrome de Patau) ou 18 (síndrome de Edward). A síndrome de Beckwith-Wiedemann também está associada à onfalocele.

Bebês que nascem com onfalocele muitas vezes têm outros defeitos de nascimento, incluindo problemas genéticos, anormalidades cromossômicas, hérnia diafragmática congênita e defeitos cardíacos.

A bolsa que contém as vísceras é formada a partir do peritônio e se sobressai na linha média do abdômen, através do cordão umbilical. Normalmente, os intestinos se projetam para fora do abdômen, no cordão umbilical, até aproximadamente a décima semana de gravidez e, após esse tempo, migram para dentro do abdômen fetal; mas se os músculos da parede abdominal (anel umbilical) não se fecham adequadamente, o intestino pode ficar fora da parede abdominal, gerando a onfalocele. A onfalocele pode ser leve, com apenas uma pequena parte dos intestinos para fora, ou grave, com a exteriorização da maioria dos órgãos abdominais, como fígado e baço, por exemplo.

A onfalocele pode ser nitidamente percebida, porque o conteúdo abdominal fica saliente através do umbigo. Existem onfaloceles de diferentes tamanhos. Nas pequenas, apenas o intestino permanece fora do corpo, mas nas maiores, o fígado ou baço podem também estarem fora.

A onfalocele frequentemente é detectada antes do nascimento através de uma ultrassonografia fetal detalhada. Caso contrário, ao nascer, um exame físico da criança é suficiente para diagnosticar esta condição. Geralmente não são necessários exames complementares.

As onfaloceles são reparadas com cirurgia, embora nem sempre imediatamente. Uma bolsa sintética é usada para proteger o conteúdo abdominal e permitir que outros eventuais problemas mais graves (como defeitos cardíacos, por exemplo) sejam tratados em primeiro lugar. Essa bolsa é então cosida no lugar e, lentamente, conforme o bebê cresce, seu conteúdo é empurrado para dentro do abdômen. Depois que a onfalocele possa caber confortavelmente dentro da cavidade abdominal, a bolsa é removida e o abdômen é fechado. Em casos graves, o tratamento cirúrgico é mais difícil porque o abdômen da criança torna-se anormalmente pequeno, uma vez que não teve necessidade de expandir-se para acomodar os órgãos em desenvolvimento e pode acontecer de a onfalocele não poder ser colocada de volta para dentro do abdômen da criança. Então, a pele ao redor dela cresce e, eventualmente, cobre toda a onfalocele. Nesses casos, os músculos abdominais e a pele podem ser reparados mais tarde, com vistas a um melhor resultado estético.

A onfalocele está associada a uma elevada taxa de mortalidade (25%) e a outras malformações graves. Cerca de um terço das crianças com onfalocele têm outras anomalias congênitas. As onfaloceles maiores quase sempre estão associadas a defeitos cardíacos.

As possíveis complicações da onfalocele são a morte do tecido intestinal e a infecção intestinal.

sábado, 16 de abril de 2016

Ritidoplastia


Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a ritidoplastia (ou lifting facial) é um procedimento cirúrgico para melhorar sinais visíveis de envelhecimento no rosto e no pescoço, vincos profundos abaixo das pálpebras inferiores e ao longo do nariz, gordura que se tenha deslocado, perda de tônus muscular no terço inferior da face, pele frouxa e/ou excesso de gordura sob o queixo e a mandíbula.

Outros procedimentos de rejuvenescimento tipicamente executados juntamente com a cirurgia da face costumam ser o lifting de testa, para corrigir a flacidez ou testa franzida e a cirurgia de pálpebras, para rejuvenescer os olhos.

Com o envelhecimento, a pele do rosto começa a perder a rigidez e a tonificação, causando seu estiramento e flacidez, o que leva ao aparecimento de rugas no rosto, linhas na testa e nas laterais dos lábios. As alterações ocasionadas pelo envelhecimento facial trazem problemas estéticos, psicológicos e sociais para os pacientes. Afora isso, as rugas também estão relacionadas com fatores hereditários ou exposições prolongadas ao sol. Esses motivos aceleram o processo natural de envelhecimento.

A ritidoplastia é a cirurgia plástica de maior sucesso em corrigir estes danos causados à pele. Geralmente, a ritidoplastia é realizada em conjunto com outros tratamentos plásticos, como rinoplastia, peeling ou tratamentos a laser, por exemplo, visando complementar o rejuvenescimento da face. Esta cirurgia não é uma forma de proporcionar ao paciente uma aparência nova e perfeita, mas sim de otimizar suas anteriores características naturais.

Anteriormente à cirurgia, deve haver uma discussão inicial entre o paciente e o médico sobre as expectativas da pessoa e os detalhes do procedimento, como se preparar para ele, informar o cirurgião acerca de qualquer doença que sofra e problemas como alergia, pressão arterial elevada, diabetes, problemas de coagulação, etc. Geralmente a cirurgia é realizada com anestesia geral, embora em alguns casos possa ser feita sob anestesia local com sedação, dependendo das condições clínicas e das preferências do cirurgião e do cliente.

Normalmente a cirurgia dura de duas a três horas. A técnica utilizada varia de um cirurgião para outro. A internação varia entre 12 a 24 horas, podendo ser por mais tempo, em alguns casos. Alguns médicos operam cada metade da face em uma sessão cirúrgica distinta, mas outros passam de vez de uma metade para outra, numa mesma sessão cirúrgica.

Geralmente, as cicatrizes resultantes das incisões são facilmente escondidas pela linha do cabelo e pelo contorno da orelha. Se a cirurgia envolver o pescoço, as incisões devem ser feitas sob o queixo. Em seguida à incisão, o médico ajusta a membrana e os músculos e estica a pele para trás, retirando todos os excessos. Depois de fechadas as incisões, o médico coloca um pequeno tubo sob a pele para que o sangue e os fluidos não se acumulem.

No período pós-operatório, o paciente deve usar cabeceira da cama elevada e colírios oftalmológicos por tempo individualizado. Os pontos podem ser retirados após cinco dias e o paciente pode retomar às atividades mais leves depois de uma semana. Após a cirurgia, o paciente deve evitar atividades árduas, como exercícios físicos, trabalho doméstico, sexo, etc, pelo menos durante duas semanas. Durante vários meses o paciente deve evitar beber álcool, frequentar saunas e tomar banhos de vapor.

Os resultados desse procedimento variam de acordo com a idade, sexo, tipo de pele e peso corporal, dentre outros, e serão melhores se o paciente tiver boa elasticidade da pele e estiver em boa saúde física. Em geral, a recuperação é surpreendentemente rápida. Ocorre algum inchaço durante os primeiros dias, mas isso irá diminuir depois de uma semana. Alguns pacientes sentirão certo formigamento e dormência na face, o que desaparece após algumas semanas. O grau de satisfação obtido com a cirurgia depende de um bom diagnóstico e das expectativas prévias do paciente e do cirurgião.

Em geral, não há complicações sérias da ritidoplastia. Pode ocorrer sangramento, hematoma, infecção, deiscência de pontos, ectrópio, alterações visuais, sofrimento de pele, assimetrias, alterações motoras e de sensibilidade. Além disso, existe o risco de que os nervos da face fiquem paralisados temporariamente ou do paciente ter uma reação adversa à anestesia.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Rotura do baço


O baço é um órgão friável que se encontra na parte superior esquerda do abdômen, logo abaixo do diafragma e por isso qualquer pancada forte no abdômen pode rompê-lo, rasgando a membrana que o recobre e o seu tecido interno. Nos casos de esplenomegalia, isto é, quando o baço encontra-se aumentado de tamanho, aumentam as chances de ocorrer uma ruptura de baço.

A ruptura do baço é uma lesão grave, frequentemente causada por um trauma sobre o abdômen, como nos acidentes de trânsito, lesões desportivas, socos em brigas ou quaisquer tipos de pancadas na barriga. Ele pode romper imediatamente após o evento causador ou dias e até semanas após. As infecções como a mononucleose, doença hepática e o câncer no sangue, por vezes, causam um aumento do baço, o que pode torná-lo mais susceptível a uma ruptura.

O baço é um órgão responsável em parte pela produção e destruição de células sanguíneas e participa do sistema de defesa do organismo. No feto, o baço fabrica as hemácias e leucócitos, mas após o nascimento esta função é interrompida. Porém, ela pode ser reiniciada posteriormente caso apareça alguma doença que debilite esta função na medula óssea. Este órgão é parte do sistema linfático e vascular, eliminando microrganismos patogênicos e destruindo hemácias anômalas ou envelhecidas. Ele também retira o ferro da hemoglobina dos glóbulos vermelhos para seu posterior uso pelo organismo, assim como substâncias residuais como os pigmentos biliares para sua excreção, na forma de bile. O baço também fabrica anticorpos contra diversos organismos infecciosos. Nos seres humanos, ele ainda atua como reservatório de sangue e de células sanguíneas. Depois da retirada do baço, o paciente fica mais susceptível a infecções.

Quando se rompe, o baço pode derramar uma grande quantidade de sangue no abdômen. Se esse sangue derramado for volumoso e ocorrer de forma aguda, ele causa intensa dor abdominal e, como reflexo, a musculatura abdominal se contrai e se torna tensa. Se a perda do sangue for gradual, os sintomas podem não se manifestar até que o extravasamento de sangue cause uma queda importante da pressão arterial ou o aporte de oxigênio para cérebro e coração se torne insuficiente.

Além das queixas de dor no quadrante superior esquerdo do abdome, pode ocorrer em alguns casos uma dor referida no ombro esquerdo.

Uma queda importante da pressão arterial e a taquicardia devem ser sinal de alerta ao médico.

A suspeita diagnóstica é feita pelos sintomas e pela história clínica do paciente. Pode extrair-se líquido abdominal com uma agulha e analisá-lo para confirmar se contém sangue. Ultrassonografias e radiografias do abdômen podem ser solicitadas para melhor avaliação do paciente. A tomografia computadorizada revolucionou o tratamento dos traumatismos no baço, pois além de identificar a presença de sangue na cavidade abdominal, ela também verifica se há lesões em outros órgãos.

Como o médico trata a ruptura do baço?

A ruptura do baço representa uma emergência que exige transfusões de sangue imediatas e uma intervenção cirúrgica para deter a perda de sangue. Quando há suspeitas de ruptura do baço, deve-se realizar uma intervenção cirúrgica de emergência para deter a perda de sangue que, em caso contrário, pode causar um choque hipovolêmico e levar o paciente à morte.

Habitualmente, o baço é extraído por completo, mas por vezes, se a ruptura é pequena, os cirurgiões podem apenas fechá-la, sem remover todo o órgão. Antes da extração do baço, devem-se aplicar, sempre que possível, vacina contra o pneumococo. Depois da intervenção, em que o sistema de defesa do organismo fica enfraquecido, o paciente deve tomar vacinas anuais contra a gripe e, segundo alguns médicos, também fazer profilaxia com antibióticos.

Muitas lesões não exigem cirurgia e apenas tratamentos conservadores em hospital para que os médicos monitorem as condições do paciente e administrem cuidados não cirúrgicos, como transfusões de sangue, por exemplo.

Como evolui a ruptura do baço?

Sem um tratamento adequado e de emergência, a ruptura do baço pode causar hemorragia interna com risco de vida. Mesmo sem o baço, o paciente pode viver uma vida normal e ativa, mas estará mais em risco de contrair infecções graves. O médico provavelmente vai sugerir uma vacina contra pneumonia, como também vacinas anuais contra a gripe. Ele também pode receitar antibiótico como uma medida preventiva, principalmente se houver quaisquer outras condições que possam levar a infecções.

Como prevenir a ruptura do baço?

Se a pessoa tem uma esplenomegalia, deve evitar atividades que possam causar traumas ou solavancos abdominais.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Laparoscopia


O termo “laparos” vem do grego e significa abdome. Laparoscopia se referia, a princípio, a uma maneira de olhar dentro do abdome. Hoje em dia, contudo, ela se refere a uma intervenção cirúrgica minimamente invasiva, muito utilizada em cirurgias ginecológicas e urológicas ou outras (mesmo fora do abdome), mas consagrada para a retirada da vesícula biliar, que foi seu primeiro uso, em 1987, embora já houvesse antecedentes menos ambiciosos desde 1960.

Atualmente, graças à evolução da tecnologia, pode-se acessar praticamente todos os órgãos do corpo humano com aparelhos contendo, na extremidade que é introduzida no corpo, uma minicâmera que transmite imagens em alta resolução para monitores de vídeo e que podem ser gravadas para estudos posteriores. Este procedimento é chamado, então, videolaparoscopia. Usada primitivamente quase só para fazer diagnósticos, a videolaparoscopia atual permite colher material para biópsias e praticar intervenções cirúrgicas antes só possíveis a céu aberto (cirurgias abertas).

Geralmente o paciente é internado e submetido à anestesia geral e, conforme a cirurgia, pode deixar o hospital no mesmo dia ou um pouco mais à frente. A laparoscopia consiste em que o médico faça uma pequena incisão na região a ser examinada ou tratada, por onde introduz o laparoscópio (aparelho por meio do qual irá visualizar e tratar a região abordada), que consiste em um fino tubo de fibras óticas, através do qual pode visualizar os órgãos internos e fazer intervenções diagnósticas ou terapêuticas. Outras pequenas incisões podem ser necessárias para introduzir os instrumentos cirúrgicos. Os instrumentos usados na videolaparoscopia são idênticos aos usados nas cirurgias tradicionais, só que mais delicados. Se a cirurgia for no abdome, uma certa quantidade de gás (dióxido de carbono) é introduzida dentro da cavidade abdominal a fim de expandi-la e criar um campo de trabalho para se realizar a cirurgia. Esta técnica tem a vantagem de ser minimamente invasiva e ocasionar, assim, um menor trauma cirúrgico, menos sangramento intraoperatório, menor dor pós-operatória, recuperação pós-cirúrgica mais rápida e retorno mais cedo às atividades habituais e ao trabalho, além de menores cicatrizes. Ela reduz a taxa de infecções e a ocorrência de aderências pós-operatórias e também pode ser utilizada em outros tipos de cirurgias, como em operações nas articulações (artroscopias), por exemplo, principalmente em cirurgias no joelho. Além dessas, praticamente todas a cirurgias ginecológicas (cistos de ovário, dilatação das trompas, torção de ovário, gravidez ectópica, etc.) e urológicas podem ser realizadas por laparoscopia. A retirada e os prolapsos do útero, bem como a cistocele (prolapso da bexiga – “queda da bexiga”) ou retocele (prolapso do reto) também podem ser tratadas por laparoscopia.

A laparoscopia, como quase todo procedimento, envolve riscos, mas desde que feita por um profissional experiente eles são de muito baixa incidência e altamente compensados pelas vantagens das cirurgias endoscópicas em relação às outras, a céu aberto. O risco de maior gravidade é a perfuração de órgãos como o intestino, estômago, aorta, etc., ou a ocorrência de hemorragias abdominais ou de peritonites. Ademais, produz algum desconforto em razão da distensão abdominal que acarreta e pode gerar hemorragia vaginal, problemas respiratórios e arritmias cardíacas.

Pacientes com doenças cardíacas ou respiratórias, obesos, portadores de hérnia diafragmática ou de doença inflamatória pélvica, grávidas, etc., merecem atenção especial do médico intervencionista.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Hemorragia Digestiva Alta


Define-se como hemorragia digestiva alta aquela hemorragia que se origina das partes superiores do trato digestivo (boca, faringe, esôfago, estômago e duodeno). Em sua forma aguda é uma emergência que implica em risco potencial de vida. É cerca de quatro vezes mais comum que o sangramento do trato digestivo inferior e é uma das principais causas de morbidade e mortalidade. Esse artigo não trata das varizes esofagianas, tratadas num texto à parte, porque os mecanismos subjacentes de sangramento são diferentes, comportam expressões clínicas diferentes e exigem tratamentos diferentes.

Afora as varizes esofagianas, a úlcera péptica é a causa mais comum das hemorragias digestivas altas. Outras causas são a gastrite ou esofagite erosiva, o câncer gástrico e o leiomioma gástrico ulcerado. Causas raras incluem fístula aortoentérica, ectasia vascular gástrica, angiectasias e síndrome de Osler-Weber-Rendu. Pacientes com história de úlceras têm um risco aumentado para a hemorragia digestiva alta, especialmente quando colocados em terapia com aspirina ou ácido acetilsalicílico.

Os mecanismos subjacentes de sangramento, excluídas as varizes esofagianas, envolvem hemorragias arteriais ou venosas de baixa pressão, já que na hemorragia varicosa sempre há uma pressão venosa elevada, a partir do sistema porta. A úlcera péptica continua a ser a causa mais comum de hemorragia digestiva alta. A úlcera pode penetrar profundamente na mucosa gastroduodenal e provocar necrose da parede arterial, produzindo hemorragia por ruptura, mas a hemorragia também pode estar relacionada com vômitos, estresse, gastrite aguda, malformação vascular do estômago proximal e uso de anti-inflamatórios não esteroides.

Ela está fortemente associada à infecção pelo Helicobacter pylori, um microrganismo que provoca o rompimento da barreira mucosa, reduzindo as defesas dessa barreira e afrouxando as junções celulares. As úlceras duodenais são mais comuns do que as úlceras gástricas, mas a incidência de sangramento é a mesma em ambos os casos. Na maioria dos casos, a hemorragia é causada pela erosão de uma artéria na base da úlcera.

Durante os vômitos, os movimentos do esôfago e do estômago são invertidos de sentido e isso, associado à violência desse tipo de movimentação, pode levar a uma ruptura da mucosa desses órgãos, com consequente sangramento. A gastrite aguda de estresse pode alterar as barreiras de proteção e resultar em erosões difusas da mucosa gástrica. Os principais mecanismos envolvidos são a diminuição do fluxo sanguíneo da mucosa e a elevação da acidez gástrica luminal. Os anti-inflamatórios não esteroides provocam ou agravam úlceras gástricas e duodenais porque diminuem as defesas das mucosas.

A história clínica e o exame físico do paciente proporcionam informações cruciais para a avaliação inicial dos pacientes. Os relatos da história clínica geralmente incluem fraqueza, tonturas, síncope, além da hematêmese (vômitos sanguinolentos) e melena (fezes escurecidas e com mau odor).

Os pacientes podem ter uma história prévia de dispepsia, úlcera, saciedade precoce ou uso de aspirina. Alguns sintomas que serão referidos dizem respeito à úlcera do paciente. A hemorragia pode apresentar em uma fase mais subaguda, com uma história de dispepsia e sangue oculto nas fezes ou anemia por deficiência de ferro. O uso crônico de álcool aumenta o risco de hemorragias. A presença de hipotensão postural indica perda rápida e grave de sangue.

O diagnóstico de hemorragia digestiva alta pode ser suspeitado a partir dos dados da história médica do paciente, por exames de laboratório e de imagens, os quais ajudam a determinar a intensidade e a fonte da hemorragia. Esse diagnóstico evoluiu muito a partir do uso da endoscopia digestiva alta. O exame físico do paciente ajuda a avaliar a perda de sangue e se há choque. Uma avaliação da instabilidade hemodinâmica e dos sinais clínicos de má perfusão deve ser feita e corrigida de início, se isso for factível.

O objetivo mais imediato nas hemorragias digestivas altas é corrigir o choque e as eventuais anomalias da coagulação sanguínea, para que uma avaliação e tratamento mais aprofundados possam prosseguir. Muitos tratamentos podem ser feitos por meio da endoscopia, mas as tentativas endoscópicas de fazer homeostase nem sempre têm sucesso, sobretudo se os vasos são maiores.

Os pacientes com Helicobacter pylori devem ser tratados para esta infecção. Outros podem exigir um procedimento cirúrgico, se o sangramento for recorrente ou profuso. Os pacientes que tiveram sangramentos em virtude de estarem tomando anti-inflamatórios não esteroides devem receber supressão ácida contínua com um inibidor da bomba de prótons, para proteção da mucosa.

O sangramento da gastrite por estresse normalmente é suave, autolimitado e raramente progride para uma hemorragia ameaçadora da vida. São fatores de risco para a recidiva de sangramento de uma úlcera, após a terapia endoscópica, uma idade superior a 60 anos, a presença de choque no momento da admissão, dificuldades de coagulação do sangue, sangramento ativo pulsátil e presença de doença cardiovascular.

A intervenção cirúrgica só deve ser considerada em pacientes com uma víscera perfurada.

Em aproximadamente 80% dos pacientes, o sangramento de uma úlcera péptica cessa espontaneamente. Uma taquicardia de mais de 100 batimentos por minuto, pressão sanguínea sistólica inferior a 90 mmHg, extremidades frias e síncope são sinais evidentes de choque e representam mau prognóstico.

Uma hemorragia digestiva alta que seja intensa pode gerar hipotensão grave e outras complicações, principalmente em pacientes mais idosos, e pode mesmo levar à morte.

sábado, 11 de julho de 2015

Abdominoplastia


Abdominoplastia, também chamada dermolipectomia de abdômen ou plástica de abdômen, é a cirurgia plástica realizada no abdômen para retirar o excesso de pele, gordura e estrias, ocasionados por vários motivos, e propiciar a recuperação da firmeza dos músculos da região abdominal.

A abdominoplastia é feita para corrigir a protrusão abdominal que decorre da flacidez muscular ou dos depósitos de gordura acumulados no abdômen, bem como para retirar as estrias da região da barriga.

Com as gravidezes ou perdas significativas de peso, os músculos retos da parede abdominal têm tendência para se afastar, conferindo um aspecto mais arredondado ao abdome.

Nessas situações, a pele também fica com pregas cujo aspecto físico pode ser melhorado com a abdominoplastia.

A abdominoplastia pode ser feita apenas por motivos estéticos ou ser terapêutica. Em primeiro lugar, os candidatos a uma abdominoplastia estética devem estar saudáveis e estarem em boa forma, porque em pacientes cuja musculatura abdominal seja muito fraca, a sutura muscular realizada durante a cirurgia pode ficar comprometida.

Em geral, a abdominoplastia é requisitada principalmente por mulheres que tiveram múltiplas gestações, por pessoas que experimentaram um processo de grande emagrecimento e pessoas que geneticamente possuem acúmulo de gordura na região da barriga.

Mulheres que pretendam engravidar ou pessoas em que é previsto um grande ganho de peso após a cirurgia, porque essas condições dependem de uma grande distensão do abdômen.

A presença de cirurgias anteriores também pode reduzir a eficácia da abdominoplastia.

Pessoas com doenças do colágeno, as que têm cicatrizes na região abdominal e alguns fumantes precisam ser avaliados individualmente.

Em pessoas magras, com gorduras localizadas, a abdominoplastia pode ser substituída por um procedimento mais simples, a lipoaspiração, para fazer a retirada das gorduras excedentes.

A abdominoplastia não deve ser feita simplesmente por pessoas que desejam emagrecer porque ela não é uma técnica de emagrecimento.

Em geral, a cirurgia é feita com anestesia raqui ou peridural, com sedação, e o paciente permanece no hospital por dois a quatro dias. Somente deve utilizar-se a anestesia geral se o procedimento for mais extenso ou associado a outros procedimentos.

O cirurgião já terá feito uma avaliação prévia do abdômen do paciente e determinado as correções a serem feitas.

Normalmente, a abdominoplastia requererá duas incisões: a primeira será feita horizontalmente, levemente curvada para cima, no baixo abdômen, logo acima dos pelos pubianos; a segunda incisão é vertical, próxima ao umbigo.

A pele é então separada das partes profundas da parede abdominal e os músculos abdominais são suturados, tornando-se mais rígidos, proporcionando uma barriga mais plana e uma cintura mais bem definida. A pele em excesso é retirada e o umbigo é recolocado em sua posição normal.

Feito isso, as incisões da cirurgia poderão ser completamente suturadas.

A duração da cirurgia é muito variável, dependendo da complexidade dela, mas a maioria dos procedimentos dura cerca de duas e não mais de cinco horas.

Após a cirurgia, são colocados drenos de aspiração na parte inferior da barriga, para evitar o acúmulo de líquidos na região abdominal que podem causar desconforto ou infecções. Esses drenos podem posteriormente ser retirados no próprio consultório do cirurgião. Feito isso, as incisões da cirurgia poderão ser completamente fechadas.

No período pós-operatório é necessário o uso de uma cinta de compressão.

Imediatamente depois da cirurgia o/a paciente (geralmente é uma mulher) vai estar edemaciado(a), com hematomas e alguma dor, que melhoram gradativamente nos dias seguintes.

O abdômen pode parecer estar apertado e o paciente vai sentir necessidade de se dobrar um pouco na cintura para ter mais conforto, mas dentro de dez a quinze dias vai retomar a vida normal.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Apendicite em crianças


Apendicite é uma inflamação do apêndice. O apêndice é uma bolsa longa e fina que tem o formato de um dedo, localizada no início do intestino grosso, onde ele faz transição com o intestino delgado.

A apendicite em crianças é bem mais rara que em adultos, sendo excepcional antes dos três anos de idade.

Em geral a apendicite, em adultos ou em crianças, ocorre como consequência de uma obstrução do apêndice por fezes, por corpo estranho (semente de fruta, por exemplo), por um parasita ou, em raras ocasiões, por um tumor.

A apendicite pode ser do tipo crônico, com uma evolução mais lenta, ou do tipo agudo. Ela pode ocorrer em crianças, adolescentes ou adultos, mas na infância é mais provável que afete crianças mais velhas do que bebês ou crianças pequenas.

Nas crianças, os sintomas são menos típicos que nos adultos e variam muito, confundindo os pediatras, e são diferentes em cada caso, dependendo da idade da criança. Muitas vezes os sintomas, que de início são inespecíficos, podem fazer pensar em enfermidades da bexiga ou da vesícula.

Os sintomas mais comuns são dor de barriga, que pode começar ao redor do umbigo e depois passar para o lado direito do baixo ventre e que piora com a caminhada e a tosse, vômitos, febre moderada, calafrios ou tremores, prisão de ventre ou diarreia e perda de apetite.

Se acontecer a ruptura do apêndice, a dor pode diminuir por um tempo, mas uma vez que a peritonite começa, a dor aumenta muito. Portanto, um eventual alívio dos sintomas não significa uma melhora do quadro clínico, mas, ao contrário, um agravamento dele.

Uma das coisas que dificulta o diagnóstico nas crianças é que algumas delas ainda não sabem verbalizar o que sentem. Contudo, um exame físico bem feito por um médico experiente permite uma suspeita bem fundamentada de apendicite.

Mas ele pode ser complementado com exames de sangue (para observação do número de glóbulos brancos) e urina e exames de imagens, como uma ultrassonografia ou uma tomografia computadorizada.

Na verdade, nenhum teste pode dizer com certeza absoluta se uma criança tem ou não apendicite, mas o médico pode usar os resultados do exame físico, dos sintomas e dos exames complementares para estabelecer a probabilidade dela estar ocorrendo.

O tratamento da apendicite consiste na cirurgia para remover o apêndice. Ela pode ser feita por uma cirurgia aberta, durante a qual o médico faz um corte na barriga perto do apêndice e através dele remove o apêndice inflamado, ou por meio da cirurgia videolaparoscópica, em que o médico faz alguns pequenos cortes na barriga, pelos quais introduz ferramentas cirúrgicas finas e um "laparoscópio", instrumento que leva em sua extremidade uma câmera de TV, a qual envia imagens para a tela de um monitor.

Através dessas imagens, o médico pode saber onde cortar e o que remover. Se o apêndice tiver se rompido, o médico fará, além da cirurgia para removê-lo, uma lavagem para limpar a área em torno do apêndice e as secreções que tenham saído dele. A apendicite aguda necessita intervenção cirúrgica imediata, porque pode levar à gangrena e à morte, por expansão da infecção ao restante da cavidade abdominal, podendo mesmo ocorrer o rompimento do apêndice.

A apendicite aguda se desenvolve rapidamente, entre 48 e 72 horas. Se o diagnóstico for tardio, as chances de ocorrer uma ruptura do apêndice se multiplicam. Em geral a apendicite é facilmente solucionável, mas pode tornar-se uma ocorrência grave, porque o apêndice pode se romper e causar uma infecção abdominal.

A principal e mais temível complicação da apendicite é a ruptura do apêndice inflamado, com um quadro consequente de peritonite. Além disso, há a possibilidade das complicações (raras) de qualquer cirurgia.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sudorese excessiva: simpatectomia


O sistema nervoso simpático faz parte do sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle involuntário dos músculos lisos e das vísceras.

O sistema nervoso autônomo é constituído por fibras nervosas localizadas perto das vértebras e das costelas e por uma cadeia de 23 pares de gânglios, dos quais partem fibras que se dirigem aos músculos lisos das vísceras e à musculatura do coração.

A outra parte do sistema nervoso autônomo é chamado parassimpático. O sistema nervoso autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia e o sistema nervoso autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes.

A simpatectomia consiste na remoção cirúrgica de partes específicas do nervo simpático principal, geralmente realizada para tratamento da hiperidrose (sudorese excessiva) nas mãos, axilas e/ou planta dos pés, mas também com outros objetivos terapêuticos, como tratar o rubor facial, algumas dores crônicas e a síndrome de Raynaud.

Trata-se de uma cirurgia simples, de médio porte, feita sob anestesia geral.



O nível da cadeia simpática em que a intervenção se dará depende do resultado visado.

Os gânglios que controlam o suor das mãos e axilas estão localizados no tórax, enquanto os que controlam o suor nos pés estão localizados na região lombar.

O efeito da cirurgia é imediato e já pode ser observado ao despertar da anestesia: as mãos, axilas ou pés já se apresentam quentes e secos.

Inicialmente, os pacientes devem ser orientados quanto a qual é a sua probabilidade de sucesso, possíveis complicações, ocorrência de dor pós-operatória e da sudorese compensatória tardia.

O paciente deve informar ao médico sobre todos os medicamentos que esteja tomando e seguir as orientações quanto a dever suspendê-los ou não.

Há várias técnicas cirúrgicas à disposição do cirurgião, mas hoje em dia geralmente a cirurgia é feita por via endoscópica e deve ser realizada sob anestesia geral.

No pós-operatório das cirurgias de simpatectomia torácica deve ser realizada uma radiografia de tórax, pois ela é útil no diagnóstico de possíveis aderências pulmonares.

Normalmente, não havendo complicações, o paciente deixa o hospital dentro de menos de 24 horas após a cirurgia.

Na maioria dos casos, há um pouco de dor pós-operatória que necessita do uso de medicação por alguns dias.

No início, a simpatectomia lombar era utilizada apenas para tratar as alterações isquêmicas e dolorosas dos membros inferiores, porém atualmente tem sido empregada também no tratamento da hiperidrose plantar e na hiperidrose severa das mãos ou das axilas.

A simpatectomia de parte da cadeia simpática é uma terapêutica radical para tratar a hiperidrose, indicada para pessoas que suam excessivamente, sobretudo nas mãos ou nas axilas.

Para esse problema existem terapêuticas não-invasivas, mas o resultado delas não é satisfatório.

Essa cirurgia também pode ser usada para tratar outras situações clínicas, como síndrome dolorosa regional complexa e fenômenos vasculares isquêmicos do membro superior ou inferior, por exemplo, e pode ser feita por via endoscópica com bons resultados e poucas complicações.

A simpatectomia possui eficácia em mais de 95% dos casos. Quanto mais alto se intervir na cadeia ganglionar, maiores serão as chances de ocorrer uma hiperidrose reflexa, compensatória, que é aquela que aparece no pós-operatório e que é muito desagradável.

Além dos riscos implicados em qualquer cirurgia (sangramentos, infecções, dor etc.), a simpatectomia implica em alguns raros riscos específicos, mas se realizada pela técnica adequada e por um cirurgião experiente é um procedimento bastante seguro.

Uma das complicações da simpatectomia é a já citada hiperidrose compensatória, com aumento da sudorese em outras áreas do corpo, como dorso, nádegas e coxas.

No entanto, isso não deve ser creditado a qualquer deficiência do processo porque se trata de um fenômeno fisiológico praticamente inevitável. A razão desta hiperidrose compensatória ainda não está integralmente esclarecida, mas talvez se deva à função termorregulatória que tem o suor.

Contudo, a hiperidrose compensatória costuma ser bem mais leve e menos incomodativa que a original.

Outros problemas que podem ocorrer na simpatectomia torácica, embora sejam raros, é a queda irreversível da pálpebra, o colabamento pulmonar e a perfuração do pulmão.

As complicações pós-operatórias podem ser o pneumotórax ou o hemotórax residual.