Translate

Total de visualizações de página

quinta-feira, 31 de março de 2016

Amnésia global transitória


Amnésia global transitória é um episódio súbito, temporário, de perda de memória e de orientação temporal e/ou espacial, que não pode ser atribuído a condições neurológicas comuns, tais como epilepsia ou acidente vascular cerebral. É identificada pelo seu sintoma principal, que é a incapacidade de formar novas memórias e recordar o passado recente.

A causa ou causas integrais da amnésia global transitória permanecem desconhecidas. Parece haver alguma correlação com a enxaqueca, embora os fatores subjacentes que contribuem para ambas as condições ainda não sejam totalmente compreendidos. Alguns eventos que podem causar amnésia global transitória incluem: súbita imersão em água fria ou quente, atividade física extenuante, relação sexual, procedimentos médicos, tais como a angiografia ou endoscopia, traumatismo craniano leve e angústia emocional aguda. Os fatores de risco mais claros são a idade acima de 50 anos e história prévia de enxaqueca.

A amnésia global transitória se caracteriza pelos seguintes sinais e sintomas: início súbito, manutenção da identidade pessoal, apesar da perda de memória (a pessoa continua sabendo quem é), cognição normal, tais como a capacidade de reconhecer e nomear objetos familiares e seguir instruções simples, ausência de sinais indicando danos a uma área específica do cérebro, como paralisia dos membros, movimentos involuntários ou fala prejudicada, por exemplo.

Os sintomas adicionais e a história são de duração menor do que 24 horas, com retorno gradual da memória, ausência de convulsões e/ou de epilepsia ativa. Durante um episódio de amnésia global transitória a recordação de eventos recentes simplesmente desaparece e o paciente não se lembra de onde está ou como chegou lá. Repete as mesmas perguntas porque não se lembra das respostas que acabaram de ser dadas. O paciente não consegue reconhecer as pessoas que conhece bem. Felizmente, a amnésia global transitória é rara, aparentemente inofensiva e é improvável que se repita novamente.

O diagnóstico de amnésia global transitória implica em excluir condições mais graves que podem causar o mesmo tipo de perda de memória. Esse processo deve começar com um exame neurológico. O médico também pode fazer perguntas para testar o pensamento, julgamento e memória do paciente.

Os exames de imagens podem demonstrar alterações estruturais no cérebro, incluindo vasos sanguíneos, e compreendem a ressonância magnética, o eletroencefalograma e a tomografia computadorizada. No momento em que o problema está ocorrendo não há tratamento específico e deve-se apenas resguardar e tranquilizar o paciente para que não faça nada “errado”. Após a análise dos exames complementares, a terapia é direcionada conforme a possível causa, se esta foi de alguma forma identificada.

Nenhum tratamento é necessário ou mesmo viável para a amnésia global transitória. Ela se resolve por conta própria, sem efeitos posteriores. Se alguma doença subjacente for identificada, ela deve ser tratada.

Se o episódio de amnésia global transitória seguiu-se a uma atividade particular como, por exemplo, um exercício extenuante ou um mergulho em um lago frio, essas atividades devem ser evitadas.

A amnésia global transitória não tem complicações diretas importantes, mas pode causar sofrimento emocional ao paciente. Mas um sintoma tão dramático como a perda de memória pode indicar uma doença grave subjacente, o que gera grande preocupação. Em geral, ela gera o medo de um tumor ou de um acidente vascular cerebral.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Maconha X Cigarro: os dois são nocivos!


O uso da maconha não pode ser comparado ao uso do cigarro ou álcool em pequenas quantidades.

O cigarro nunca é saudável, mas não possui o efeito psicotrópico da maconha, e é justamente sob este aspecto que fica a diferença.

Uma pessoa que use maconha tem como finalidade alcançar um estado diferente do normal; uma pessoa que fume cigarro procura status ou prazer.

O objetivo de alcançar um estado diferente de percepção sentir-se como num sonho ou para relaxar-se, indica que existe uma deficiência psicológica: os problemas externos são muito fortes sendo necessária uma forma de compensação dessa tensão, ou o indivíduo que fuma maconha está fraco o suficiente para não enfrentar seus problemas naturais.

O uso da maconha para ambas as situações é equivocado e levará a problemas maiores.

Nesse caso o problema não está na maconha, mas no comportamento de fuga.

A adolescência é a preparação para a vida adulta que por natureza é mais difícil devido à maturidade que será alcançada com o tempo e paciência.

Quando um adolescente foge de seus problemas está plantando o hábito da fuga para a vida adulta. Talvez, através da própria maconha quando for adulto.

A maconha dificilmente é usada com a mesma intensidade do cigarro.

É comum encontrar uma pessoa que fume vinte ou trinta cigarros por dia, mas mesmo para o mais pesado usuário de maconha dificilmente chegaria a tanto.

Como os efeitos maléficos do cigarro são diretamente proporcionais a intensidade do uso, dificilmente um usuário de maconha terá os mesmos problemas do usuário do cigarro como câncer ou enfisema.

Contudo os efeitos maléficos da maconha são outros, atingem com certeza o comportamento e a personalidade dos usuários, além da síndrome não motivacional atribuída ao uso pesado e prolongada da maconha.

A maconha talvez não encurte a vida de uma pessoa como faz o cigarro, mas certamente compromete a qualidade dos anos vividos.

Efeitos Biológicos - Imediatos

Durante a fase de intoxicação que é quando se sente os efeitos considerados agradáveis o usuário apresenta um avermelhamento dos olhos, aumento do apetite, ressecamento da boca, aceleração dos batimentos cardíacos.

Os efeitos mais comumente relatados quanto ao funcionamento mental são aumento da sensibilidade aos estímulos externos revelando cores e detalhes não percebidos antes.

A percepção do tempo também é afetada passando a ser sentida como se estivesse mais lento.

Sensações de que o mundo está diferente, distante ou de que houve uma mudança em si mesmo, como se não fosse a mesma pessoa ou se estivesse sonhando.

Como efeito imediato há um prejuízo na memória de curto prazo, na amplitude da atenção, na capacidade de recordação e de reter conhecimento.

Prejuízo na capacidade de realizar tarefas que apresentem múltiplas etapas. A capacidade de traduzir em palavras o que se pensa também fica prejudicada.

As capacidades motoras também ficam prejudicadas como a capacidade de exercer a força muscular original, inibição dos reflexos, descoordenação e desequilíbrio podem ocorrer em doses mais altas. O álcool aumenta o prejuízo motor.

Efeitos Biológicos - Longo prazo

Tem sido muito estudado os prejuízos permanentes que a maconha pode causar após o uso pesado durante muito tempo, quinze anos, por exemplo.

Os achados não são conclusivos; não se pôde por enquanto confirmar nem descartar efeitos como a síndrome não motivacional.

Os testes neuropsicológicos não puderam detectar prejuízos assim como os testes de imagens também não.

A ausência de alterações nos exames não pode ser considerada como ausência de prejuízo.

Pode ser que não haja nenhum, o que é pouco provável, pode ser que só aconteça numa parte dos usuários, ou pode ser que nossos instrumentos e técnicas de pesquisa ainda não sejam capazes de localizar o problema.

Sabemos que o cérebro de uma pessoa com profundo retardo mental é absolutamente normal sob todos os exames de imagem e histopatológicos, mas é evidente que essa normalidade não corresponde à realidade dessas pessoas severamente afetadas pelo retardo.


terça-feira, 29 de março de 2016

Insuficiência respiratória


A insuficiência respiratória resulta de uma falha de troca gasosa pelo sistema respiratório, o que significa que o oxigênio ou o dióxido de carbono arterial, ou ambos, não podem ser mantidos em seus níveis normais. Um decréscimo de oxigênio transportado no sangue é conhecido como hipoxemia e um aumento nos níveis de dióxido de carbono é chamado de hipercapnia.

A insuficiência respiratória pode ser classificada como do tipo I ou do tipo II. O tipo I é aquele em que há hipoxemia sem hipercapnia. No tipo II ocorre hipoxemia com hipercapnia.

A insuficiência respiratória é causada por doenças ou condições que dificultam a respiração. Esses distúrbios podem afetar diretamente os pulmões ou os músculos, nervos, ossos ou tecidos envolvidos na respiração. Nessas condições, os pulmões não podem mover-se facilmente e/ou os tecidos orgânicos pertinentes não estão aptos para angariar a dose normal de oxigênio e remover o dióxido de carbono do sangue. Isto pode ocorrer por danos aos tecidos e costelas em torno dos pulmões, problemas com a coluna, drogas ou overdose de álcool, doenças e condições agudas ou crônicas do pulmão.

Assim, normalmente a insuficiência respiratória é causada por um desequilíbrio entre a ventilação e a perfusão. Ou seja, o volume de ar que entra e sai dos pulmões não é combinado com o fluxo de sangue para os pulmões.

A deficiência de oxigênio pode acontecer porque:

(1) O oxigênio ambiente esteja baixo como, por exemplo, em grandes altitudes.
(2) Porque haja um desequilíbrio ventilação-perfusão, em que partes do pulmão recebem o oxigênio normal, mas não a quantidade de sangue suficiente para absorvê-lo como, por exemplo, na embolia pulmonar.
(3) Porque haja hipoventilação alveolar como, por exemplo, na doença neuromuscular aguda.
(4) Se houver problema de difusão, em que o oxigênio não pode entrar nos capilares devido à doença do parênquima, por exemplo, na pneumonia.
(5) Por haver um shunt arteriovenoso, em que o sangue oxigenado se mistura com sangue não-oxigenado.

O tipo II da insuficiência respiratória é causado por ventilação alveolar inadequada, em que o oxigênio e o dióxido de carbono são afetados. As causas subjacentes incluem:

(1) O aumento da resistência das vias respiratórias como na doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, asfixia, etc.
(2) Menor esforço respiratório, por efeito de drogas, lesão do tronco cerebral, obesidade extrema.
(3) Diminuição na área do pulmão disponível para a troca de gases, tal como na bronquite crônica.
(4) Problemas neuromusculares como, por exemplo, síndrome de Guillain-Barré e doença do neurônio motor.
(5) Deformações da coluna como cifoescoliose, espondilite anquilosante ou tórax instável.

Os principais sinais e sintomas da insuficiência respiratória dependem da causa subjacente e dos níveis de oxigênio e dióxido de carbono no sangue. Um baixo nível de oxigênio no sangue pode causar falta de ar. Se o nível de oxigênio é muito baixo, também pode causar uma cor azulada na pele, lábios e unhas (cianose). Um nível elevado de dióxido de carbono pode causar respiração rápida e confusão mental. Algumas pessoas com esse problema podem tornar-se sonolentas ou mesmo perder a consciência. Também podem desenvolver arritmias ou batimentos cardíacos irregulares.

O diagnóstico de insuficiência respiratória e da sua causa é feito com base no histórico médico, exame físico e resultados de exames complementares. Quanto ao histórico, o médico deve apurar as condições que possam levar à insuficiência respiratória. Durante o exame físico, procurará por sinais de insuficiência respiratória e de sua causa subjacente.

A insuficiência respiratória pode causar falta de ar, respiração rápida e uma cor azulada na pele, lábios e unhas. Usando um estetoscópio, o médico pode ouvir seus pulmões e coração, para detectar eventuais sons anormais. Para verificar os níveis de oxigênio e dióxido de carbono no sangue, pode ser feita uma oximetria de pulso e exame de gases no sangue arterial (gasometria arterial). O médico pode ainda recomendar outros exames, inclusive de imagens, para ajudar a esclarecer a causa subjacente da insuficiência respiratória.

É necessário o tratamento da causa subjacente. Sintomaticamente, pode precisar ser feita entubação endotraqueal e ventilação mecânica. A estimulação respiratória com o doxapram raramente é utilizada. Se a falha respiratória resultar de uma overdose de drogas sedativas, tais como opioides ou benzodiazepínicos, o antídoto apropriado deve ser usado. A pressão positiva contínua nas vias aéreas deve ser utilizada mesmo antes de transportar o paciente para um hospital.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Felicidade e Saúde


Saúde precária pode causar infelicidade e aumento da mortalidade.

Relatórios anteriores indicando redução da mortalidade associada à felicidade podem ser devidos ao aumento da mortalidade de pessoas que são infelizes por causa de sua saúde precária. Além disso, a infelicidade pode estar associada a fatores de estilo de vida que afetam a mortalidade.

O objetivo do UK Million Women Study foi verificar se, depois de levar em consideração a má saúde e o estilo de vida de pessoas que são infelizes, persiste qualquer evidência sólida de que a felicidade ou medidas subjetivas de bem-estar relacionam-se diretamente com a redução da mortalidade.

O estudo prospectivo com mulheres do Reino Unido, recrutadas entre 1996 e 2001 e acompanhadas eletronicamente por causa específica de mortalidade, fez um questionário de autoavaliação das mulheres sobre sua saúde, felicidade, stress, sentimentos de controle e grau de relaxamento.

As principais análises foram sobre mortalidade antes de 1º de janeiro de 2012, por todas as causas, por doença isquêmica do coração e por câncer em mulheres que não tinham doença cardíaca, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica ou câncer no momento em que responderam o questionário de base.

Foi utilizada a regressão de Cox, ajustada para fatores de autoavaliação de saúde e de estilo de vida no início do estudo, para calcular índices de mortalidade, comparando a mortalidade em mulheres que relataram infelicidade (ou seja, feliz às vezes, raramente ou nunca) com aquelas que relataram ser felizes a maior parte do tempo.

De 719.671 mulheres nas principais análises (idade média de 59 anos), 39% relataram estar feliz a maior parte do tempo, 44% geralmente felizes e 17% infelizes. Durante 10 anos de acompanhamento, 4% das participantes morreram.

A autoavaliação mostrando ter uma saúde precária no início do estudo foi fortemente associada à infelicidade. Mas após o ajuste para a autopercepção de saúde, o tratamento para hipertensão, diabetes, asma, artrite, depressão ou ansiedade e vários fatores sociodemográficos e de estilo de vida (incluindo o tabagismo, carência e índice de massa corporal), a infelicidade não foi associada à mortalidade por todas as causas, por doença isquêmica do coração ou por câncer. As observações realizadas foram igualmente nulas para medidas relacionadas, tais como estresse ou falta de controle.

Os dados deste estudo mostram que, em mulheres de meia-idade, a saúde precária pode causar infelicidade. Mas que a felicidade e as medidas complementares de bem-estar não parecem ter qualquer efeito direto sobre a mortalidade.



Fonte: The Lancet, volume 387, número 10021, de 27 de fevereiro de 2016

sábado, 26 de março de 2016

Histiocitose


A histiocitose, histiocitose das células de Langerhans (célula em forma de estrela encarregada da defesa imunitária e localizada na epiderme) ou histiocitose X, abrange um grupo de desordens orgânicas caracterizadas pelo acúmulo e infiltração de monócitos, macrófagos e células dendríticas nos tecidos afetados. Exclui-se dessa caracterização as doenças nas quais a infiltração destas células ocorre em resposta a uma patologia primária.

O termo histiócito envolve todos os tipos de macrófagos e demais células dendríticas e o termo histiocitose é normalmente usado para se referir a um grupo de doenças raras nas quais há a presença dessas células.

A etiologia da histocitose não foi elucidada até o momento. As três síndromes principais que constituem a doença (granuloma eosinofílico, síndrome de Hand-Schüller-Christian e síndrome de Letterer-Siwe) não apresentam questões genéticas ou relação com outras doenças. O problema pode ser considerado como benigno embora os pacientes que desenvolvem essa doença apresentem lesões em diversas partes do corpo.

A totalidade da fisiopatologia permanece desconhecida, mas sabe-se que os histiócitos normais se originam a partir de células estaminais pluripotentes, que podem ser encontradas na medula óssea. Sob a influência de várias citoquinas, estas células precursoras podem ficar comprometidas e diferenciarem-se para se tornar um grupo específico de células especializadas. As células-tronco comprometidas podem amadurecer para se tornarem células processadoras de antígenos, com algumas capacidades fagocíticas que possuem.

A histiocitose das células de Langerhans tem amplo espectro de manifestações clínicas, agudas e crônicas, disseminadas ou localizadas. Pode apresentar-se como uma dermatite seborreica de difícil tratamento, otite com pus que vai e volta, lesões na pele e no fígado, baço aumentado, lesões nos ossos e anemia.

A doença é mais incidente na infância e na adolescência, com ligeira predominância sobre o sexo masculino. Mais de 50% dos pacientes se apresentam inicialmente com manifestações cutâneas. As apresentações clínicas variam muito, indo desde uma forma benigna até apresentações graves, com comprometimento de vísceras e risco de vida.

Dentre as síndromes que compõem essa condição, o granuloma eosinofílico é a forma mais leve e mais frequente da doença. Em geral afeta os ossos e, em menor número, os pulmões. Embora alguns indivíduos não apresentem sintomas, neste último caso, o paciente apresenta tosse, dispneia, febre e perda de peso. É frequente que ocorra colapso pulmonar.

A síndrome de Letterer-Siwe começa na infância, por volta dos três anos de idade e costuma levar ao óbito. Os histiócitos afetam não somente os pulmões, mas também a pele, os linfonodos, os ossos, o fígado e o baço. Podem, também, resultar em um colapso pulmonar.

A síndrome de Hand-Schüller-Christian surge na primeira infância, mas pode acontecer também em indivíduos de meia idade. Os órgãos mais acometidos são os ossos (lesões osteolíticas do crânio) e os pulmões. Quando a hipófise é lesionada (raramente), pode resultar em protrusão dos globos oculares (exoftalmia) e diabetes insipidus.

O diagnóstico da histiocitose é feito por biópsia e imunohistoquímica. Os exames de imagens são muito importantes.

Como podem ocorrer lesões bucais no estágio inicial da histiocitose, com características clínicas e radiográficas semelhantes, é necessário fazer o diagnóstico diferencial da forma localizada com várias periodontites, principalmente a periodontite de início precoce e, também, com algumas infecções periapicais. O cirurgião-dentista e o médico deverão estar atentos a tais lesões e ao diagnóstico exato delas.

Apesar de não ser câncer, a histiocitose é uma doença tratada por oncologistas, pois muitas vezes as crianças precisam de quimioterapia para melhorar. O tratamento para as três principais afecções da histiocitose consiste no uso de corticoides e medicamentos citotóxicos, embora nenhum tratamento tenha se mostrado comprovadamente eficaz. Nos casos de comprometimento ósseo, o tratamento deve ser similar ao dos tumores ósseos. Normalmente, a morte decorre da insuficiência respiratória e cardíaca.

Pacientes que apresentam granuloma eosinofílico ou síndrome de Hand-Schüller-Christian podem ter regressão espontânea. Em alguns casos, a doença pode sim levar o paciente à morte, independente da idade ou do tipo da síndrome.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Os antioxidantes de que o seu corpo precisa - e o 'mito' dos suplementos


Antioxidantes são vitaminas, minerais e outras substâncias químicas que ajudam a proteger as células de substâncias prejudiciais produzidas durante seu metabolismo.

Já é comprovado que uma dieta rica em alguns antioxidantes protege contra doenças cardíacas, derrames, alguns tipos de câncer e doenças relacionadas ao envelhecimento.

Podemos então concluir que o melhor é consumir o máximo de antioxidantes possível, incluindo suplementos?

Provavelmente não.

Alguns antioxidantes podem proteger células saudáveis de danos no DNA, mas ainda não compreendemos totalmente todos os efeitos deles para a saúde.

Por um lado, é bom consumir uma grande variedade de alimentos ricos em antioxidantes, mas especialistas afirmam que, para a maioria das pessoas, não há benefício nenhum em tomar suplementos de antioxidantes.

Funcionamento

A oxidação é um processo químico normal em nossos corpos, que resulta em moléculas instáveis chamadas radicais livres.
Em pequenas quantidades, esses radicais livres são úteis para nossa saúde pois têm um papel importante nos processos normais de nossas células.

Mas em grandes quantidades eles podem causar problemas e prejudicar o funcionamento celular - um processo conhecido como "estresse oxidativo".

Nós costumamos ingerir antioxidantes como a vitamina C ou o betacaroteno para evitar o estresse oxidativo e proteger as células do corpo.

Antioxidantes conseguem proteger nossas células neutralizando estes radicais livres.

Pesquisas realizadas nos últimos dez anos mostraram que consumir alimentos ricos em antioxidantes como frutas, verduras, leguminosas e grãos tem um efeito benéfico à saúde.

Mas é importante notar que a quantidade de antioxidantes em alimentos e bebidas varia muito.

Veja abaixo os tipos de antioxidantes e onde encontrá-los.

1) Selênio

O selênio é um mineral encontrado no solo. Ele é importante para manter o funcionamento normal do sistema reprodutivo, sistema imunológico e no uso de iodo pela tireoide.

Entre as fontes de selênio estão carne vermelha, ovos, peixe, mariscos, gérmen de trigo e castanha-do-pará.

2) Vitamina C

A vitamina C é um antioxidante encontrado em muitos alimentos, especialmente frutas cítricas, frutas vermelhas e verduras.

A vitamina é particularmente importante para o funcionamento e os processos de cura dos tecidos, como a formação de colágeno.

Em alguns países, os serviços de saúde até aconselham os fumantes a consumir mais vitamina C.

E a vitamina também ajuda as pessoas a absorverem melhor o ferro.

3) Compostos fenólicos

Os compostos fenólicos são um grande grupo de compostos químicos de plantas com propriedades antioxidantes.

Entre eles estão os flavonoides como a quercetina, que é encontrada na cebola, chá, vinho tinto e chocolate; a curcumina, encontrada na mostarda e açafrão; taninos, encontrados no chá verde e no chá vermelho; isoflavonas, encontradas no leite de soja, tofu e missô e as lignanas, que podem ser encontradas nas sementes de linhaça e outros grãos.

4) Carotenoides

Os carotenoides são compostos vegetais como o betacaroteno, luteína e licopeno, que dão a frutas e verduras a coloração amarela, vermelha e laranja.

Eles ajudam a fortalecer a imunidade do corpo. Quanto mais forte a coloração, maior a concentração.

Entre as boas fontes de carotenoides estão maracujá, manga, tomate, cenouras, batata-doce e damasco.

Os betacarotenos de coloração laranja forte, encontrados na cenoura, por exemplo, também podem ter outros benefícios pois são transformados em vitamina A.

5) Vitamina E

A vitamina é um antioxidante particularmente adequado para a proteção do corpo de reações oxidantes envolvendo gordura.

Todas as células do corpo têm uma camada fina de gordura vulnerável ao ataque de radicais livres. A vitamina E intercepta os radicais livres evitando danos e mantendo a integridade da célula.

Entre as boas fontes desta vitamina estão oleaginosas (como nozes), sementes e óleos vegetais.

Suplementos

A maioria dos testes clínicos já feitos até hoje não encontraram provas de que o consumo de um antioxidante ou de uma combinação deles em forma de suplementos proteja a saúde.

Segundo o professor Tom Sanders, chefe do Departamento de Diabetes e Ciências da Nutrição do King's College de Londres, tomar suplementos de antioxidantes pode até prejudicar a saúde, a dos fumantes.

E o Cochrane Collaboration, um grupo internacional que analisa questões de saúde, também opina que os suplementos de antioxidantes podem fazer mais mal do que bem.

Em 2012, o grupo realizou uma análise de 78 teste clínicos de suplementos de antioxidantes e não identificou provas de que o consumo deles ajudasse a evitar doenças.

Um estudo realizado na década de 1990 com homens finlandeses que fumavam muito descobriu que os que consumiam doses altas de betacaroteno tinham um risco maior de desenvolver câncer de pulmão. A pesquisa de suplementos de antioxidantes com vitamina E também identificou elos entre estes suplementos e um tipo de derrame e, possivelmente, câncer na próstata.

Por sorte a natureza já fornece um pacote equilibrado de antioxidantes e certamente não há provas de que consumir muitas frutas e verduras faça mal à saúde.

Dieta colorida

Catherine Collins, nutricionista-chefe no Hospital St. George, na Grã-Bretanha, recomenda uma dieta com mais frutas, leguminosas e grãos, que são todos ricos em antioxidantes e também boa fonte de fibras.

Segundo a Associação Dietética Britânica, consumir 400 gramas de frutas e verduras por dia pode ajudar a diminuir o risco de problemas de saúde como hipertensão, obesidade e alguns tipos de câncer.

A nutricionista britânica Felicity Lyons, porta-voz da associação, afirmou que cada antioxidante tem seu papel particular no corpo então consumir muito de apenas um tipo não vai ajudar.

O conselho é diminuir o consumo de alimentos industrializados e tentar fazer sua própria comida em casa.



fonte: BBC

quinta-feira, 24 de março de 2016

Exoftalmia?


A exoftalmia, também chamada de exoftalmo, proptose ou exorbitismo (do grego: ex=fora + ophthalmos=olho) é uma condição médica em que o paciente apresenta uma protrusão de um ou dos dois olhos para fora da órbita. A exoftalmia exibe uma proporção maior do que normal da parte branca dos olhos, fazendo os olhos parecerem “arregalados”.

A exoftalmia pode ser uni ou bilateral e cada uma dessas condições têm implicações clínicas diferentes. É bilateral, por exemplo, em casos de doença de Graves e unilateral nos casos de um tumor orbital, por exemplo. A exoftalmia não é uma doença em si, mas sim um sinal de uma doença.

Em geral, a exoftalmia ocorre quando alguma massa tumoral empurra os olhos para frente. A causa mais comum é a doença de Graves, uma doença autoimune que leva ao hipertireoidismo (hiperatividade da glândula tireoide), mas pode ser devida a outros motivos, como outras causas de hipertireoidismo, celulite orbitária, tumores, infecções, sangramento nos olhos, leucemia, hemangioma e desordens vasculares. O glaucoma congênito pode causar a sensação de que os olhos são maiores e, com isso, causar a sensação de que são protuberantes e de que há exoftalmia.

Como a órbita é fechada posterior, medial e lateralmente, qualquer aumento das estruturas localizadas no seu interior fará com que o olho se desloque para frente. Assim, por exemplo, o inchaço ou agrandamento das glândulas lacrimais provoca deslocamento anterior do olho. Nos casos de exoftalmia devida à doença de Graves, o deslocamento do olho é pela deposição de tecido conjuntivo anormal na órbita e músculos extraoculares.

A exoftalmia torna-se mais preocupante quando vem acompanhada de sinais ou sintomas como perda parcial ou total de visão, visão dupla, dor e/ou vermelhidão nos olhos e dores de cabeça. A exoftalmia da doença de Graves provoca uma extrusão bilateral dos olhos. A celulite orbital, por seu turno, normalmente provoca uma proptose unilateral, vermelhidão severa e dor de intensidade moderada a grave, sinusite e uma contagem elevada de glóbulos brancos.

Um tumor intraorbital apresenta uma exoftalmia unilateral com dor severa. A insuficiência aórtica pode ocasionar uma exoftalmia pulsátil. A hemorragia retrobulbar quase sempre é consequente a um trauma da órbita e pode levar à cegueira, se não for tratada rapidamente. De um modo geral, a exoftalmia causa dor, olhos secos, irritação nos olhos, sensibilidade à luz, secreções oculares e derramamento de lágrimas, visão dupla, cegueira progressiva e dificuldade para mover os olhos.

A existência da exoftalmia pode ser reconhecida pela simples inspeção, mas o mais importante é diagnosticar o aparecimento de outros sintomas além das protrusões dos olhos e entender como eles se relacionam com a exoftalmia. Depois do exame físico dos olhos, o médico poderá pedir exames de laboratório para entender melhor a causa da exoftalmia, tais como exame na lâmpada de fenda, testes sanguíneos, dosagem dos hormônios da tireoide e exames de imagens, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O tratamento da exoftalmia varia segundo as suas causas. Além disso, corticoesteroides podem ser receitados para ajudar no controle da inflamação, se houver. As exoftalmias provocadas por infecções devem ser tratadas com antibióticos. Casos de exoftalmia pela presença de tumores podem necessitar de tratamentos mais invasivos, como por meio de cirurgia ou radioterapia, por exemplo.

Quando a exoftalmia é precocemente detectada, o prognóstico é positivo. No entanto, casos graves e/ou prolongados podem motivar vários danos decorrentes.

Se não for tratada, a exoftalmia pode fazer com que as pálpebras deixem de fechar completamente, o que leva à secura do globo ocular e a danos da córnea. Outra possível complicação é uma vermelhidão ou irritação na área acima da córnea que pode tornar-se inflamada, como resultado do aumento do atrito quando a pessoa pisca. Alguns pacientes com exoftalmia podem sofrer compressão do nervo óptico ou da artéria oftálmica, o que pode, eventualmente, afetar a acuidade visual do paciente, conduzindo à cegueira. Pessoas com exoftalmia ou proptose são mais suscetíveis a desenvolver conjuntivite.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Alimentos e medidas que aliviam a TPM (Tensão Pré-Menstrual)


A TPM ou síndrome pré-menstrual é o conjunto de sintomas que ocorre no período do ciclo menstrual que precede a menstruação. Nesse intervalo de tempo, podem aparecer sintomas psíquicos e físicos, que geralmente desaparecem no primeiro dia do fluxo menstrual ou poucos dias após.

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e também de ciclo para ciclo e os mais comuns são ansiedade, tensão, dificuldade para dormir, irritabilidade, alterações de humor, desatenção, compulsão por doces ou salgados, vontade de comer coisas diferentes do costumeiro, dores de cabeça, raiva sem razão, sentimentos perturbadores, dificuldades de concentração, lapsos de memória, baixa autoestima, sentimentos violentos, ganho de peso devido à maior retenção de líquidos, inchaço abdominal, maior sensibilidade e inchaço em mamas, mãos e pés.

Menos comumente, pode-se encontrar alteração nos hábitos intestinais, aumento da frequência urinária, fogachos ou sudorese fria, dores generalizadas, incluindo cólicas, náuseas, acne, reações alérgicas e infecções do trato respiratório. A principal causa da tensão pré-menstrual é a alteração hormonal feminina durante o período menstrual, que interfere no sistema nervoso central. Assim, essa síndrome acompanha a menstruação normal de grande parte das mulheres.

Não é possível “curar” a TPM, mas são possíveis medidas para aliviar os seus sintomas.

Quais são os alimentos que aliviam a TPM?

Alguns medicamentos são utilizados para aliviar os sintomas da tensão pré-menstrual e acredita-se que uma alimentação adequada também ajude nesse processo.

O Instituto do Coração (Incor) e a LatinMed Editora em Saúde elaboraram um cardápio especial com dicas de alimentos que ajudam a aliviar os sintomas provocados pela tensão pré-menstrual.

•Alguns grupos de alimentos como soja e vegetais ricos em antioxidantes (brócolis, couve-flor, couve e repolho) são opções indicadas para serem consumidas neste período.
•Alimentos ricos em ômega 3 (salmão, atum, truta, sardinha, cavalinha, atum, chia, linhaça, óleo de peixe) também ajudam a aliviar a tensão por conta de seus efeitos anti-inflamatórios.
•Alimentos ricos em fibras, como nozes, frutas e cereais integrais auxiliam a minimizar os sintomas da TPM, bem como outros alimentos ricos em triptofano, como feijão, carnes, peixes, leite e derivados, nozes, ovos, lentilha e ervilha, que aumentam a serotonina cerebral, substância responsável pela sensação de bem-estar.
•O consumo de leite e derivados (cálcio) e de vegetais de folhas verde escuras é indicado, principalmente, para as mulheres que sofrem com cólicas menstruais, retenção líquida e alterações do humor.
•A vitamina E (gérmen de trigo, castanha do Pará, nozes, amêndoas, milho, óleo semente de girassol) ameniza as dores nas mamas.
•A vitamina B6 (nozes, banana, gérmen de trigo, feijão, lentilha, cenoura, leite) pode melhorar o padrão de sono e o humor.
•O cromo (levedo de cerveja e alimentos integrais) ameniza a compulsão por doces.
•O chocolate amargo e a prática de atividade física produzem maior liberação de endorfinas, relaxamento muscular e maior controle da compulsão alimentar.

Outras dicas para aliviar a TPM:

•Algumas mudanças de hábitos como a diminuição do consumo de açúcares, cafeína, sal, bebidas alcoólicas e alimentos ricos em sódio (caldos de carne/frango/legumes, sopas instantâneas, embutidos, defumados, enlatados) também ajudam no controle da tensão pré-menstrual ao evitarem desequilíbrios na flora intestinal e modularem o estrogênio circulante.
•Deve-se realizar de quatro a seis refeições por dia, dando preferência a produtos integrais, e aumentar a ingestão de líquidos. No almoço e no jantar, metade do prato deve ser de verduras e legumes, um quarto de proteína magra e um quarto de carboidratos. Como sobremesa, pode ser utilizado 25g de chocolate amargo.
•Deve-se dormir pelo menos oito horas por noite para melhorar a fadiga.
•Praticar regularmente alguma modalidade de atividade física ajuda a liberar endorfinas, melhora o humor e a disposição e reduz os sintomas da TPM.
•Toda mulher deve cultivar um "hobbie" que lhe traga prazer e proporcione o aprendizado de novas habilidades. Estar aberta a novos interesses engrandece o nosso mundo interior.

terça-feira, 22 de março de 2016

Síndrome de Ehlers-Danlos


A síndrome de Ehlers-Danlos é constituída por um grupo de doenças hereditárias que afetam principalmente os tecidos conjuntivos da pele, articulações e paredes dos vasos sanguíneos.

O tecido conjuntivo é uma mistura complexa de proteínas e outras substâncias que proporciona resistência e elasticidade para essas e outras estruturas do corpo.

A síndrome de Ehlers-Danlos é causada por fatores genéticos.

Os diferentes subtipos da síndrome estão associados a diferentes variedades de causas genéticas, algumas delas herdadas e passadas de pais para filhos.

Na variedade mais comum, há uma chance de 50% de a pessoa afetada passar o gene para os filhos.

A natureza e a gravidade dos sintomas da síndrome de Ehlers-Danlos podem variar de pessoa para pessoa.

Os principais sinais e sintomas incluem articulações excessivamente flexíveis e pele muito elástica e frágil.

A pessoa afetada pode ser capaz de puxar sua pele muito para cima, longe de seus músculos.

As alterações do tecido conjuntivo permitem articulações mais flexíveis, de modo que elas podem se mover muito além da amplitude do movimento.

A pele também pode ficar excepcionalmente macia e aveludada. Em sua forma mais grave, a doença pode causar ruptura das paredes de vasos sanguíneos, intestinos ou útero.

Algumas pessoas com síndrome de Ehlers-Danlos, apesar de terem articulações excessivamente flexíveis, não terão nenhum sintoma de pele.

As pessoas com o subtipo vascular da síndrome podem ter características faciais peculiares, com um nariz afilado e lábio superior muito fino, lóbulos das orelhas pequenos e olhos proeminentes.

Elas também têm pele fina, translúcida, que se fere muito facilmente. Em pessoas de pele clara, os vasos sanguíneos são muito visíveis através da pele.

Normalmente, as pequenas articulações são mais afetadas do que as grandes articulações.

A constatação de articulações extremamente frouxas, pele frágil ou elástica e uma história familiar positiva para síndrome de Ehlers-Danlos são muitas vezes o suficiente para fazer o diagnóstico.

Os testes genéticos em uma amostra de sangue podem confirmar o diagnóstico em alguns casos e ajudar a excluir outros problemas.

Não há cura para esta síndrome, mas o tratamento pode ajudar a gerir os seus sintomas e evitar complicações.

O médico pode prescrever medicamentos para ajudar a controlar a dor e a pressão sanguínea.

Exercícios para fortalecer os músculos em torno de uma articulação podem auxiliar a estabilizar e a evitar luxações.

Em casos raros, a cirurgia pode ser recomendada para reparar articulações danificadas por luxações repetidas.

No entanto, a pele e o tecido conjuntivo da articulação afetada podem não se curar corretamente após a cirurgia.

Se a pessoa se ferir, isso pode ser um problema porque se exigir pontos a pele muitas vezes não será forte o suficiente para segurá-los.

Também as articulações com tecido conjuntivo fraco são mais propensas a sofrer luxações.

O aconselhamento genético pode ajudar a compreender o padrão de herança da síndrome de Ehlers-Danlos e os riscos que ela representa para os descendentes.

As complicações da síndrome de Ehlers-Danlos dependem dos tipos de sinais e sintomas que se tem.

Por exemplo: juntas excessivamente flexíveis podem resultar em luxações e artrite precoce.

A aorta, maior artéria do coração, bem como as artérias dos rins e baço podem se enfraquecer e sofrer rupturas, o que pode ser fatal.

O subtipo da síndrome de Ehlers-Danlos vascular também pode enfraquecer as paredes do útero e do intestino grosso, que também podem se romper.

As pessoas que têm esta síndrome do tipo vascular estão em risco de ruptura frequentemente fatal dos principais vasos sanguíneos do organismo.

Alguns órgãos, tais como o útero e os intestinos, também podem se romper.

A gravidez pode aumentar estes riscos.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Uso de cocaína e risco de AVC isquêmico em jovens


Apesar de relatos de casos há muito terem identificado uma associação temporal entre o uso de cocaína e o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), poucos estudos epidemiológicos examinaram a associação do consumo de cocaína com o AVCI em adultos jovens em relação ao momento, via e frequência de uso.

Um estudo de caso-controle, de base populacional, com 1090 casos e 1154 controles foi feito para investigar a relação do consumo de cocaína e o início de um AVCI.

Os casos de AVC ocorreram entre as idades de 15 e 49 anos, em hospitais de Baltimore, Washington D.C.

A análise de regressão logística foi utilizada para avaliar a associação entre o uso de cocaína e o acidente isquêmico com e sem ajustes para possíveis fatores de confusão. O trabalho foi publicado pelo periódico Stroke.

Já ter usado cocaína em algum momento não foi associado ao acidente vascular cerebral, com 28% dos casos e 26% dos controles relatando já terem usado a droga em algum momento da vida.

Em contraste, o consumo recente de cocaína, nas últimas 24 horas que antecederam o AVC, foi fortemente associado ao aumento do risco de acidente vascular.

Dos 26 pacientes que usaram cocaína dentro de 24 horas antes do acidente vascular cerebral, 14 relataram o uso dentro de 6 horas antes do início do evento.

Os dados do presente estudo são consistentes com uma associação causal entre o uso recente de cocaína e o risco de um AVC isquêmico em jovens.



Fonte: Stroke, publicação online, de 10 de março de 2016

sábado, 19 de março de 2016

Doença hepática produzida pelo álcool


A doença hepática produzida pelo álcool define-se como a lesão do fígado causada pela ingestão excessiva de álcool.

Esta doença é um problema muito frequente para a saúde e pode ser prevenida.

Em geral, a quantidade de álcool consumido (quanto e com que frequência) determina a probabilidade e a importância da lesão hepática.

As mulheres são mais vulneráveis a desenvolver alterações no fígado que os homens.

O fígado pode ser afetado em mulheres que durante anos consumam diariamente uma reduzida quantidade de bebidas alcoólicas, equivalente a cerca de 20 centímetros cúbicos (ml) de álcool puro (200 ml de vinho, 350 ml de cerveja ou 50 ml de whiskey).

Nos homens que bebem durante anos, a lesão produz-se com quantidades de bebidas alcoólicas consumidas diariamente tão reduzidas como 50 mililitros de álcool (500 ml de vinho, 1000 ml de cerveja, ou 150 ml de whiskey).

Contudo, o volume de álcool necessário para lesar o fígado varia de pessoa para pessoa.

O álcool pode provocar três tipos de lesões hepáticas: a acumulação de gordura (fígado gordo), a inflamação (hepatite alcoólica) e o aparecimento de cicatrizes (cirrose).

O álcool fornece calorias sem nutrientes essenciais, diminui o apetite e empobrece a absorção de nutrientes, devido aos efeitos tóxicos que exerce sobre o intestino e o pâncreas.

Em razão disso, desenvolve-se desnutrição nas pessoas que regularmente o consomem sem se alimentarem adequadamente.

Sintomas e diagnóstico

Em geral, os sintomas dependem da relação entre a duração do hábito e a quantidade de álcool que é consumida. Os grande bebedores desenvolvem os primeiros sintomas até aos 30 anos e os problemas graves costumam aparecer até aos 40. Nos homens, o álcool pode produzir efeitos semelhantes aos provocados por uma situação de excesso de estrogênios e pouca testosterona, resultando na diminuição de tamanho dos testículos e aumento do volume das mamas.

As pessoas com uma lesão hepática provocada pela acumulação de gordura (fígado gordo) habitualmente não apresentam sintomas. Num terço destes casos, o fígado aumenta de volume e, por vezes, é sensível.

A inflamação do fígado relacionada com o álcool (hepatite alcoólica) pode desencadear febre, icterícia, assim como um aumento na contagem de glóbulos brancos e um fígado doloroso e inflamado. A pele pode apresentar veias em forma de aranha.

Qualquer pessoa que tenha uma doença hepática com cicatrizes (cirrose) pode apresentar poucos sintomas ou então apresenta os característicos de uma hepatite alcoólica. Do mesmo modo, o paciente pode desenvolver as complicações habituais que a cirrose alcoólica manifesta, que são: a hipertensão portal com aumento do baço, uma ascite (acumulação de líquido na cavidade abdominal), uma insuficiência renal provocada pela insuficiência hepática (síndroma hepato-renal), uma confusão (um dos principais sintomas da encefalopatia hepática) ou um cancro de fígado (hepatoma). Em alguns casos, o médico ver-se-á obrigado a praticar uma biopsia para confirmar o diagnóstico. Para isso introduz-se uma agulha através da pele e extrai-se uma pequena porção de tecido hepático para a sua análise ao microscópio.

Nos indivíduos que sofrem de uma doença hepática produzida pelo álcool, os exames de função hepática podem ser normais ou anormais. Contudo, a concentração no sangue de um enzima hepático o gamaglutamil transpeptidase, pode ser particularmente alta nas pessoas que abusam do álcool. Além disso, os glóbulos vermelhos destas pessoas costumam ser maiores que o normal, o que constitui um sinal de aviso. O número das plaquetas no sangue pode ser baixo.

Prognóstico e tratamento

No caso de persistência do consumo de álcool, a lesão hepática agrava-se e será provavelmente mortal. Se o indivíduo deixa de beber, uma parte da lesão (excepto a que resulta das cicatrizes) pode ser curada espontaneamente e há grandes probabilidades de que a pessoa viva mais tempo.

O único tratamento para a doença hepática produzida pelo álcool consiste em abandonar totalmente o seu consumo.

Isto pode ser muito difícil em muitos casos e a maioria das pessoas precisa de participar num programa formal para deixar de beber, como por exemplo o dos Alcoólicos Anônimos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Hipopituitarismo


A hipófise, pineal ou pituitária é uma pequena glândula em forma de feijão situada na base do cérebro, atrás do nariz e entre as orelhas, alojada numa reentrância da base do cérebro, chamada célula túrcica. Apesar de seu tamanho, esta glândula secreta hormônios que influenciam quase todas as partes do corpo, porque é ela quem regula todas as outras glândulas endócrinas do organismo.

O hipopituitarismo é uma condição rara em que a glândula pituitária (também chamada pineal ou hipófise) não consegue produzir um ou mais dos seus hormônios ou não os produz em quantidade suficiente.

O hipopituitarismo pode resultar de doenças hereditárias, mas mais geralmente é adquirido. Frequentemente é desencadeado por um tumor da glândula pituitária que comprime o tecido glandular e interfere com a produção de hormônios. Um tumor da hipófise também pode comprimir o nervo óptico e causar distúrbios visuais.

O hipopituitarismo também pode ser causado por outras doenças e condições que danifiquem a hipófise, tais como ferimentos na cabeça, tumores do cérebro ou da própria glândula, cirurgia cerebral, tratamento de irradiação, inflamação autoimune, acidente vascular encefálico que afete a glândula, infecções do cérebro, tuberculose, doenças infiltrativas, tais como sarcoidose, histiocitose, hemocromatose, etc, grande perda de sangue durante o parto (síndrome de Sheehan), mutações genéticas e doenças do hipotálamo.

Em alguns casos, a causa do hipopituitarismo permanece desconhecida.

A hipófise produz os hormônios estimulantes das demais glândulas endócrinas. Esses hormônios, em número de oito, são retroativamente controlados pelos hormônios produzidos pelas glândulas periféricas num regime de feedback. Por exemplo: um dos hormônios produzidos pela hipófise (TSH) estimula a tireoide a produzir, entre outros, a tiroxina. Esta, por sua vez, inibe a produção daquele hormônio da hipófise.

No caso de uma insuficiência da hipófise, essa glândula produzirá pouco TSH e, por consequência, a tireoide também produzirá pouca tiroxina. No caso de uma insuficiência primária da tireoide, a tiroxina estará baixa e o TSH, por isso, estará elevado. Quando ocorre o hipopituitarismo, um, alguns ou todos os hormônios hipofisários podem ser afetados. Se todos os hormônios são afetados, fala-se em pan-hipopituitarismo.

O hipopituitarismo geralmente é progressivo, embora os sinais e sintomas possam ocorrer repentinamente. Por vezes eles são sutis e podem ser ignorados por meses ou mesmo anos. Eles podem variar dependendo de qual ou quais hormônios hipofisários estão deficientes e quão grave é a deficiência.

Os sintomas podem incluir fadiga, perda de peso, diminuição do desejo sexual, maior sensibilidade ao frio ou dificuldade de ficar aquecido, diminuição do apetite, edema (inchaço) facial, anemia, infertilidade, perda de pelos pubianos, incapacidade de produzir leite em mulheres, diminuição de pelos em homens e baixa estatura em crianças.

Além da história clínica e dos sinais e sintomas, o médico provavelmente recomendará vários exames, inclusive exame de sangue, para verificar os níveis de hormônios em seu organismo. O exame de estimulação ou teste dinâmico verifica a secreção de hormônios depois da pessoa ter tomado certos medicamentos que podem estimular a produção de hormônios.

Imagens do cérebro, como as produzidas pela ressonância magnética podem detectar um tumor da hipófise ou outras anormalidades estruturais. Testes de visão podem determinar se o tumor prejudica a visão ou os campos visuais.

O tratamento com os hormônios apropriados é muitas vezes a primeira linha da terapêutica, mas o tratamento bem sucedido da condição subjacente ao hipopituitarismo pode levar a uma recuperação completa ou parcial da produção dos hormônios hipofisários. Os hormônios de reposição são drogas consideradas "substitutas", ao invés de “terapêuticas”, porque as dosagens são definidas para coincidir com os valores que o organismo normalmente fabricaria se não tivesse um problema na hipófise. O tratamento pode durar toda a vida.

Já o tratamento para tumores hipofisários pode envolver cirurgia, mas em alguns casos pode também ser recomendável o tratamento por irradiação. Os medicamentos de reposição hormonal incluem corticosteroides, levotiroxina, hormônios sexuais e hormônios do crescimento. Em casos de infertilidade, as gonadotrofinas (LH e FSH) podem ser administradas por injeção para estimular a ovulação em mulheres e a produção de esperma nos homens.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Queilite actinica


A queilite actínica é uma alteração pré-maligna dos lábios, que acomete principalmente o lábio inferior. Afeta principalmente indivíduos do sexo masculino com média de 50 anos de idade.

A queilite actínica tem como principal fator etiológico os raios ultravioletas do sol, em especial os raios UVB, os quais também são o principal agente etiológico do carcinoma epidermoide do lábio. O fumo também é um fator relacionado à etiopatogenia deste último. A menor frequência entre os negros ocorre pelo efeito protetor da melanina e acredita-se que, entre as mulheres, pelo uso do batom, que atuaria como fator de proteção.

Histologicamente (no microscópio) a queilite actínica se caracteriza por alterações crônicas e lesões epiteliais irreversíveis que vão desde atrofia epitelial ou hiperqueratose (excesso de queratina) em estágios iniciais, até displasias que podem ser classificadas como leve, moderada ou severa. Normalmente se caracteriza, ainda, por um epitélio escamoso, estratificado e atrófico.

As transformações sofridas pelas células resultam na infiltração de células neoplásicas ou paraneoplásicas para o tecido conjuntivo, gerando um tumor. O tecido conjuntivo subepitelial apresenta degeneração hialina e nele há desidratação das fibras elásticas, formação de material amorfo, acelular e basofílico, além da presença de um infiltrado linfoplasmocitário.

A queilite actínica é mais comum em indivíduos idosos de pele clara e que mantêm hábitos que os expõe mais à radiação actínica. Começa com áreas leucoplásicas (lesões brancas), presença de fissuras, ressecamento, aspereza e descamação ou áreas atróficas ou vesiculares, o que torna o diagnóstico clínico relativamente fácil e característico.

Nos casos agudos, o lábio fica inchado, formam-se bolhas e a pessoa sente queimação, mas a cicatrização é espontânea. Já no tipo crônico, as lesões permanecem na pele e pioram com a exposição ao sol. Em geral, o problema começa com uma pequena descamação e em seguida aparecem feridas que não cicatrizam. Contudo, a biópsia incisional é que dará o diagnóstico definitivo e o grau de modificações celulares.

O diagnóstico da queilite actínica é feito por meio da observação, levando em conta a história médica da pessoa.

O grau, o tempo de evolução e o tipo de queilite é que indicam qual tratamento deve ser adotado, desde a aplicação local de pomadas até cirurgias. A queilite actínica pode também ser tratada com ablação com laser, além da remoção cirúrgica da vermelhidão do lábio inferior. Os pacientes devem ser acompanhados por longos períodos quaisquer que tenham sido as medidas terapêuticas utilizadas, para monitorar a possibilidade de malignização.

A malignização da queilite actínica chega a 17% dos casos, ocasionando carcinomas de progressão lenta e metástases tardias. As lesões passíveis de malignização podem manter-se estáveis, regredir ou ainda sofrer transformações neoplásicas.

São recomendáveis medidas preventivas que visam atenuar exposições solares como o uso de protetores labiais, uso de bonés e diminuição no tempo de exposição ao sol em horários críticos.

A complicação mais temível da queilite actínica é a sua malignização. Em alguns casos, pode haver incômodo ao comer ou beber.

terça-feira, 15 de março de 2016

Prevenção do câncer


Os genes controlam a forma como as células crescem e se dividem e, quando alterados, podem levar ao câncer, uma multiplicação desordenada de células.

Um pequeno número de cânceres é causado por alterações genéticas hereditárias, mas a maioria das alterações ocorre durante a vida de uma pessoa.

A cada dia aparecem novas informações sobre a correta prevenção do câncer e muitas vezes elas são conflitantes. O assunto ainda está em evolução.

No entanto, já se conhece com segurança alguns fatores, chamados fatores de risco, que aumentam as chances de desenvolver câncer. Embora alguns desses fatores, como o envelhecimento e a genética não possam ser evitados, outros podem ser eficazmente afastados. Algumas mudanças relativamente simples no estilo de vida individual podem fazer uma grande diferença na prevenção do câncer.

Como fazer a prevenção do câncer?

Alguns fatores agressivos ao organismo devem ser evitados e outros, protetores, devem ser acrescentados. Os fatores de risco podem dever-se à história familiar, a situações pré-cancerosas ou ao estilo de vida.

NÃO USAR TABACO

O fumo tem sido associado a vários tipos de tumores, incluindo o câncer do pulmão, boca, garganta, laringe, pâncreas, bexiga, colo do útero e rim. Mesmo se a pessoa não usar diretamente o tabaco, a exposição passiva ao fumo pode aumentar o risco de câncer de pulmão.

EVITAR O ÁLCOOL

Estudos científicos têm mostrado que o consumo de álcool é ligado a um aumento do risco do câncer oral, câncer de esôfago, câncer de mama, câncer colorretal e câncer de fígado.

OBSERVAR UMA DIETA SAUDÁVEL

Uma dieta não garante a prevenção do câncer, mas pode ajudar a reduzir o seu risco. O paciente deve comer muitas frutas, legumes, grãos integrais e feijões. As mulheres que comem uma dieta mediterrânea suplementada com azeite extra-virgem e nozes mistas têm um risco reduzido de câncer de mama.

EVITAR A OBESIDADE

A manutenção de um peso saudável pode diminuir o risco de vários tipos de câncer, incluindo os de mama, da próstata, do pulmão, do cólon e do rim. Escolha menos alimentos de alto teor calórico, como açúcares refinados e gorduras de origem animal.

CONTROLAR O DIABETES

O diabetes mellitus, sobretudo quando associado a outros fatores como fumo, álcool, envelhecimento e obesidade, pode aumentar os riscos de desenvolvimento de câncer.

EVITAR CARNES PROCESSADAS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu que a ingestão de grandes quantidades de carne processada pode aumentar ligeiramente o risco de certos tipos de câncer.

SER FISICAMENTE ATIVO

Além de ajudar a controlar o peso corporal, a atividade física regular pode reduzir o risco de câncer da mama e do cólon.

PROTEGER-SE DO SOL

O câncer de pele é um dos tipos mais comuns de câncer e também um dos mais facilmente evitáveis. Procure evitar o sol do meio do dia, entre dez e dezesseis horas, quando os raios solares são mais fortes. Quando estiver ao ar livre, a pessoa deve ficar na sombra, tanto quanto possível. Óculos de sol e chapéu de abas largas também ajudam. Roupas compridas que cubram o máximo de pele possível são outra opção de ajuda. Use um protetor solar quando estiver ao ar livre. As lâmpadas fluorescentes também devem ser evitadas porque elas são tão prejudiciais como a luz solar natural.

EVITAR RADIAÇÕES

Estar exposto à radiação é uma causa conhecida de câncer. A radiação que mais causa câncer é a radiação ultravioleta da luz solar, mas também é nociva a radiação ionizante, incluindo a radiação médica usada para fins diagnósticos, como raios-x, tomografia computadorizada, fluoroscopia e os escaneamentos de medicina nuclear. Os cientistas acreditam que a radiação ionizante causa leucemia, câncer de tireoide e câncer de mama, entre outros. Estar exposto à radiação de raios-X de diagnóstico aumenta o risco de câncer em pacientes e técnicos de raios-X.

EVITAR OS MEDICAMENTOS IMUNOSSUPRESSORES

Os medicamentos imunossupressores aumentam o risco de câncer ao reduzirem a capacidade do corpo para combater as células malignas.

IMUNIZAR-SE

Alguns vírus e algumas bactérias são capazes de causar câncer. A prevenção do câncer inclui também a proteção contra certas infecções virais, como a hepatite B e o papilomavírus humano (HPV), por exemplo.

EVITAR COMPORTAMENTOS DE RISCO

Evitar os comportamentos de risco que podem levar a infecções. Recomenda-se, por exemplo: praticar sexo seguro e não compartilhar agulhas endovenosas.

RECORRER A CUIDADOS MÉDICOS REGULARES

Autoexames e rastreamentos regulares para vários tipos de câncer, como os de pele, cólon, colo do útero e mama podem aumentar as chances de descobrir precocemente o câncer, numa fase ainda tratável.

Outros fatores aos quais se atribui um papel na causa do câncer são: estar exposto a produtos químicos e outras substâncias, poluição do ar, beber água que contenha uma grande quantidade de arsênio e o contato com certos pesticidas e outros poluentes. Está em estudos a possibilidade de uma quimioprevenção, uso de substâncias para diminuir o risco de câncer ou evitar a recorrência dele em doentes de alto risco. Novas maneiras de prevenir o câncer estão sendo estudadas em ensaios clínicos e devem estar disponíveis em breve.

Mononucleose Infecciosa


A mononucleose infecciosa é uma síndrome clínica que é mais comumente associada com infecção primária pelo vírus Epstein-Barr (EBV) caracterizada pela tríade clínica de febre, faringite e linfadenopatia.

O EBV é um herpes-vírus gama com genoma de DNA de cadeia dupla de cerca de 172 kb. A infecção pelo EBV ocorre apenas em seres humanos e ocorre uma infecção ao longo da vida. Embora a grande maioria dos casos de mononucleose infecciosa ocorra durante a infecção primária pelo EBV, síndromes de mononucleose infecciosa também foram relatados em pessoas cronicamente infectadas após a depleção de linfócitos T com anticorpos monoclonais contra CD3.

Epidemiologia

Levantamentos epidemiológicos e sorológicos indicam que entre 90-95% dos adultos no mundo já foram infectados pelo EBV. Nos países industrializados e nos grupos socioeconômicos mais elevados, metade da população tem uma infecção primária pelo EBV entre 1 e 5 anos de idade, com outra grande percentagem sendo infectada na segunda década. As infecções primárias pelo EBV são raras no primeiro ano de vida, presumivelmente por causa do efeito protetor de anticorpos maternos transferidos passivamente.
Nos países em desenvolvimento e grupos socioeconômicos mais baixos, a maioria das infecções por EBV ocorre na primeira infância. Infecções primárias em crianças pequenas são muitas vezes manifestadas com sintomas inespecíficos, com sintomas típicos sendo infrequentes.
A mononucleose infecciosa mais comumente afeta aqueles que têm EBV primário durante ou após a segunda década de vida. Porque as condições econômicas e sanitárias melhoraram nas últimas décadas, a infecção por EBV na primeira infância tem se tornado menos comum, e mais crianças são suscetíveis à medida que atingem a adolescência. A incidência global de mononucleose infecciosa nos Estados Unidos é cerca de 500 casos a cada 100.000 pessoas por ano, com maior incidência na faixa etária entre 15 a 24 anos. A cada ano, cerca de 10 a 20% dos soronegativos tornam-se infectados e a mononucleose infeciosa clínica desenvolve-se em 30 a 50% dessas pessoas. Não há ciclos anuais e óbvio mudanças sazonais na incidência, e não há nenhuma predisposição aparente com base no sexo.

Patogênese

A transmissão do EBV ocorre predominantemente através da exposição à saliva infectada, frequentemente como resultado de beijo e eventualmente por transmissão sexual. O período de incubação, a partir do tempo de exposição inicial para o início dos sintomas, é estimado entre 30 a 50 dias. O EBV quando em contato com as células epiteliais da orofaringe causa uma infecção com lise das células nas tonsilas e evolui com reprodução viral em grande quantidade e os vírus invadem os linfócitos B, uma resposta vigorosa imune ao EBV é realizada pelos linfócitos T CD4 + e linfócitos T CD8 + que são expandidos em pacientes com mononucleose infecciosa, a evidência sugere que essas respostas imunes celulares limitam a infecção primária pelo EBV e controlam a infecção crônica, mas também podem contribuir para os sintomas de mononucleose infecciosa.
Os linfócitos infectados migram para o fígado, onde um processo inflamatório pode causar inflamação e aumento de transaminases. Ocorre também linfadenomegalia (principalmente cervical) e esplenomegalia. A mononucleose infecciosa é autolimi­ta­da, pois os linfócitos T destroem as células B infectadas (ou a maioria delas). O EBV fica em latência dentro de linfócitos B, e pode sofrer reativação, de forma que o vírus é eliminado pela orofaringe durante muito tempo (pode ser mais de um ano). Em pacientes imunodeprimidos, os linfócitos B infectados perdem o controle dos linfócitos T, ocorrendo proliferação do vírus, que podem causar as síndromes linfoproliferativas observadas em pacientes transplantados e HIV. Há uma infiltração maciça do fígado e medula óssea levando ao óbito por insuficiência hepática ou aplasia de medula.

Manifestações Clínicas

Os achados clínicos mais comuns são febre, dor de garganta e mal-estar ou fadiga, adenopatia acompanhados do achado laboratorial de linfocitose atípica, todos estes achados ocorrendo em mais de 80% dos pacientes. A faringite geralmente é subaguda e juntamente com a febre e linfadenopatia constituem a tríade clássica de apresentação. Achados a oroscopia incluem petéquias no palato e exsudatos orofaríngeos esbranquiçados ou acizentados.
A fadiga pode ser persistente e severa e ocorre no início do quadro em cerca de 80% dos pacientes, chegando a durar seis meses em 13% dos casos. A linfadenopatia é usualmente simétrica e envolve tanto as cadeias cervicais anteriores como posteriores, com linfonodos moderadamente aumentados e sensíveis, o pico da linfadenopatia costuma ser com uma semana de sintomas, com melhora em 2 a 3 semanas. A febre, por sua vez, costuma durar até 7 dias.
Outros achados como edema periorbital, e erupção cutânea são menos comuns. A esplenomegalia é detectada em 15 a 60% dos casos ao exame físico, mas está presente na maioria dos caso na ultrassonografia. Úlceras vaginais podem estar presentes e a faringite pode representar até 6% de todos os casos ambulatoriais
A maioria dos pacientes com mononucleose infecciosa recuperara-se sem sequelas aparentes. Estudos históricos mostram que a maioria dos achados clínicos e laboratoriais se resolvem em um mês após o diagnóstico, mas a adenopatia cervical e a sensação de fadiga podem demorar mais tempo.
A mononucleose pode ser associada a várias complicações hematológicas, sendo em geral leves e transitórias e incluem anemia hemolítica, trombocitopenia, anemia aplástica, púrpura trombocitopênica trombótica ou a síndrome hemolítico-urêmica e coagulação intravascular disseminada. Complicações neurológicas ocorrem em 1 a 5% dos casos, e incluem a síndrome de Guillain-Barré, paralisia de nervo facial, meningoencefalite, meningite asséptica, mielite transversa, neurite periférica, cerebelite, e neurite óptica. Outras complicações raras mas potencialmente fatais incluem ruptura do baço (em 0,5 a 3% dos casos) e obstrução das vias respiratórias (em 1% dos casos), devido à hiperplasia linfoide e edema da mucosa. Embora a infecção por EBV primária raramente seja fatal, pode ocorrer infecção fulminante. EBV é um comum fator precipitante infeccioso da síndrome hemofagocítica, que é caracterizada clinicamente por prolongada febre, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, erupção cutânea, disfunção hepática e citopenias. A síndrome hemofagocítica ocorre aproximadamente em 1 caso a cada 800.000 pessoas no Japão; metade de todos os casos foram associados com o EBV, com 80% dos casos ocorrendo em crianças de 1 aos 14 anos de idade.

Diagnóstico Diferencial

A infecção com estreptococos do grupo A é a causa bacteriana mais comum de faringite, representando 15 a 30% dos casos em crianças e 10% dos casos em adultos. Distinguir a infecção com estreptococos do grupo A da mononucleose infecciosa é importante, pois a terapia antimicrobiana justifica-se em casos de faringite estreptocóccica para prevenir a febre reumática aguda, diminuir complicações supurativas e reduzir a infectividade. A utilização de testes rápidos com pesquisa de antígeno ou cultura de swab da garganta.
Algumas doenças como toxoplasmose e citomegalovírus causam sintomas muito semelhantes a mononucleose infecciosa e são denominadas de síndromes mono-like, sendo caracterizadas por faringite, linfadenopatia e mal-estar, e representam um importante diagnóstico diferencial da mononucleose infecciosa.

Exames Complementares

O achado laboratorial mais comum em pacientes com mononucleose infecciosa incluem marcante linfocitose (> 50% leucócitos) com linfócitos atípicos, em geral com número de linfócitos acima de 5000 cels/mm3. A detecção de, pelo menos, 10% de linfócitos atípicos em um esfregaço de sangue periférico num doente com mononucleose tem uma sensibilidade de 75% e uma especificidade de 92% para o diagnóstico. Achados compatíveis com anemia hemolítica, trombocitopenia e coagulação intravascular disseminada podem ocorrer.
O aumento de transaminases ocorre na maioria dos pacientes, mas em geral é auto-limitado e inferior a cinco vezes o limite superior da normalidade em quase todos os casos, já hiperbilirrubinemia e icterícia são incomuns.
A infecção primária pelo EBV induz a produção de um grupo heterogêneo de anticorpos heterofilos circulantes. Estes anticorpos IgM são dirigidos contra antígenos virais, que reagem de forma cruzada com os antígenos encontrados em ovinos e células vermelhas de cavalo. Os testes rápidos (Monospot) para esses anticorpos heterófilos são usados para triagem de pacientes com mononucleose. Esses testes são negativos em 25% dos pacientes durante a primeira semana de infecção e em 5 a 10% durante ou após a segunda semana; uma vez que os anticorpos estão presentes, eles podem persistir durante um ano ou mais.
Os testes de anticorpos heterófilos são positivos em apenas 25-50% das crianças com menos de 12 anos de idade. Na presença de sintomas de mononucleose, um teste positivo de anticorpos heterófilos tem uma sensibilidade de aproximadamente 85% e uma especificidade de, aproximadamente, 94% para o diagnóstico de mononucleose infecciosa, principalmente usando os testes ELISA de última geração. Os testes para anticorpos heterófilos são geralmente negativos em pacientes que têm síndromes mono-like associadas como a infecção primária por citomegalovírus (CMV) ou Toxoplasma gondii. Os anticorpos anti-heterófilos são positivos apenas raramente em pacientes com infecção pelo HIV.
O diagnóstico de mononucleose infecciosa pode ser estabelecido na maioria dos adolescentes com base na apresentação clínica, na presença de linfócitos atípicos e em um teste de anticorpos heterófilos positivo. Contudo, pacientes com fatores de risco para infecção aguda pelo HIV devem ser rastreados com o uso de pesquisa de anticorpos específicos.
Um diagnóstico definitivo da infecção pelo EBV podem ser feito por meio de testes de anticorpos IgM e IgG específicos contra antígenos virais, entre eles os Ac anti-capsídeos virais, Ac antiantígeno nuclear. Os Ac IgM contra antígenos virais são comumente detectados na apresentação com sintomas, e evidência de tais respostas desaparece no prazo de 6 a 12 semanas; Anticorpos IgM não são detectados em associação com infecção crônica, assim sua presença é praticamente diagnóstica de infecção primária pelo EBV. Os títulos de anticorpo IgG contra antígenos capsídeos-virais são detectáveis no momento de, ou logo após, apresentação com mononucleose infecciosa e persistem em níveis reduzidos durante toda a vida.
Os anticorpos contra antígenos nucleares IgM sugerem que é provável o diagnóstico de infecção por EBV. Os Acs IgG ciclo tendem a aparecer em associação com o pico de resposta de IgM, por volta de 6 a 12 semanas, sua presença precoce excluí o diagnóstico de mononucleose infecciosa.

Tratamento

O tratamento usualmente é apenas de suporte com uso de paracetamol e anti-inflamatórios não hormonais, para controle de febre, dor e mal-estar. Ingestão adequada de líquidos e nutrição devem ser realizadas. Embora o repouso relativo seja recomendável, o descanso na cama é desnecessário. Os pacientes podem excretar altos níveis de EBV em sua saliva até um ano após o início da mononucleose infecciosa, mas precauções especiais contra a transmissão de EBV não são necessárias. Erupções morbilliformes são comuns em pacientes com mononucleose infecciosa tratada com ampicilina ou amoxicilina (ocorrendo em até 95% dos pacientes com exposição à droga) em um efeito semelhante ao visto na sífilis tratadas com penicilinas, portanto deve-se tomar cuidado ao introduzir antibiótico em pacientes em que mononucleose infecciosa é uma hipótese diagnóstica.
A rupturas esplênica é uma complicação muito temida da mononucleose infecciosa, e ocorrem normalmente até três semanas após o diagnóstico, mas ruptura foi relatada até sete semanas após diagnóstico. Atividade física extenuante deve ser evitada por pelo menos três semanas.
O uso de aciclovir não reduziu significativamente níveis de EBV no sangue periférico ou a duração ou gravidade dos sintomas clínicos. Alguns autores têm defendido o uso de corticoide para tratamento de mononucleose infecciosa, mas a evidência é ruim e os corticoesteroides não podem ser recomendados neste momento.
Complicações associadas à infecção primária pelo EBV incluem a síndrome hemofagocítica e o tratamento com etoposide foi associado com diminuição de mortalidade, casos refratários podem ser submetidos a transplante. A doença linfoproliferativa ligada ao X pode ser diagnosticada no exame pré-natal, e transplante de medula óssea precoce é recomendado para corrigir esse distúrbio. A infecção pelo EBV e doenças autoimunes ou neoplasias têm sido reconhecidas incluindo linfoma de Burkitt ou carcinoma nasofaríngeo. A história da mononucleose também tem sido associada com um aumento no risco de esclerose múltipla em duas vezes e para linfoma de Hodgkin em quatro vezes.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Pré-eclâmpsia



A pré-eclâmpsia ocorre quando uma mulher grávida tem pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) a qualquer momento após a sua 20ª semana de gravidez, com desaparecimento até 12 semanas pós-parto.

Além da pressão arterial elevada, outras complicações como excesso de proteína na urina e edema devem acontecer para se ter o diagnóstico de pré-eclâmpsia.

A condição também é chamada de toxemia ou doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG). Ela só ocorre durante a gravidez, sendo que em alguns casos pode ocorrer mais cedo, antes da 20ª semana. Até mesmo um ligeiro aumento da pressão arterial pode ser um sinal de pré-eclâmpsia.

O nome pré-eclâmpsia foi dado uma vez que essa condição favorece a eclâmpsia, um tipo de convulsão que acontece na gravidez e pode ser fatal para a mãe e bebê.

Se não for tratada, a pré-eclâmpsia pode levar a sérias - até mesmo fatais - complicações para a gestante e seu bebê. Se há diagnóstico de pré-eclâmpsia, grávida e equipe médica devem trabalhar para que o bebê não corra risco de complicações antes do parto ocorrer. Segundo dados do Ministério da Saúde, a hipertensão é responsável por 13,8% das mortes maternas no Brasil, sendo a principal causa de morte durante a gravidez no país.

A causa exata da pré-eclâmpsia é desconhecida. Especialistas acreditam que ela começa na placenta - o órgão que nutre o feto durante a gravidez. No início da gravidez, novos vasos sanguíneos se desenvolvem e evoluem para enviar eficientemente o sangue para a placenta. Em mulheres com pré-eclâmpsia, estes vasos sanguíneos não parecem desenvolver-se adequadamente. Eles são mais estreitos do que os vasos sanguíneos normais e reagem de forma diferente à sinalização hormonal, o que limita a quantidade de sangue que pode fluir através delas.

As causas deste desenvolvimento anormal podem incluir:

Fluxo sanguíneo insuficiente para o útero
Danos aos vasos sanguíneos
Um problema com o sistema imunológico
Certos genes
Outros distúrbios de pressão arterial elevada durante a gravidez.

A pré-eclâmpsia é classificada como uma das quatro doenças hipertensivas que podem ocorrer durante a gravidez.

Os outros três são:

Hipertensão gestacional. Mulheres com hipertensão gestacional têm pressão arterial elevada, mas sem excesso de proteína na urina ou outros sinais de danos em órgãos. Algumas mulheres com hipertensão gestacional podem, eventualmente, desenvolver préeclâmpsia

Hipertensão crônica. A hipertensão crônica é a hipertensão arterial que estava presente antes da gravidez ou que ocorre antes de 20 semanas de gravidez. Como a pressão arterial elevada geralmente não tem sintomas, pode ser difícil determinar quando começou

Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia superposta. Esta condição ocorre em mulheres que têm pressão arterial elevada crônica antes da gravidez e desenvolvem o agravamento dessa pressão com presença de proteína na urina.


Os fatores de risco para pré-eclâmpsia incluem:

Histórico familiar de préeclâmpsia
Primeira gravidez
Nova paternidade, ou seja: cada gravidez com um novo parceiro aumenta o risco de pré-eclâmpsia
Idade, sendo que o risco é maior após os 35 anos
Gravidez múltipla
Intervalo de 10 anos ou mais entre as gestações.
A presença de outras doenças também pode aumentar o risco de pré-eclâmpsia, como:

Obesidade
Hipertensão
Enxaqueca
Diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2
Doença renal
Tendência a desenvolver coágulos de sangue (trombofilias)
Doença autoimune, como a artrite reumatoide, escleroderma e lúpus.
sintomas
Sintomas de Pré-eclâmpsia
Você pode não notar um aumento da pressão arterial durante a gravidez até que ela esteja perigosamente alta. Assim, é fundamental para todas as pessoas grávidas agendarem visitas regulares com obstetra e para acompanhar e identificar os sintomas de pré-eclâmpsia precocemente.

Entre os primeiros sintomas estão:

Rápido ganho de peso, de 2 a 5 quilos em uma única semana
Inchaço da face ou extremidades, especialmente as mãos e pés.

Se a pré-eclâmpsia progride, é possível observar outros sintomas, tais como:

Dor de cabeça
Alterações da visão (visão turva, visão dupla, vendo pontos de luz)
Dor abdominal, especialmente no canto superior direito, ou meio abdômen
Urinar com menos frequência
Falta de ar
Náuseas ou vômitos
Confusão
Convulsão.

Certifique-se de fazer as consultas pré-natais para monitorar sua pressão arterial. Contate um ou uma obstetra imediatamente ou vá para uma sala de emergência se você tem dores de cabeça, visão turva, dor severa no abdômen ou grave falta de ar.

Como as dores de cabeça, náuseas e dores são queixas comuns da gravidez, é difícil saber quando novos sintomas são simplesmente parte de estar grávida e quando eles podem indicar um problema sério - especialmente se é a primeira gravidez. Se você está preocupado com os seus sintomas, avise o médico.

A pré-eclâmpsia, provavelmente, será diagnosticada durante um exame pré-natal de rotina. Especialistas que podem diagnosticar uma pré-eclâmpsia são:

Clínico geral
Ginecologista e Obstetra.
Preparar-se para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram

Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade

Se possível, peça a uma pessoa que testemunhou a convulsão para te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

É a sua primeira gravidez ou a sua primeira gravidez com o pai desse bebê?
Você já teve qualquer sintoma incomum ultimamente, tais como visão turva ou dor de cabeça?
Você já sentiu dor no abdômen superior, que parece não relacionada com os movimentos do bebê?
Você já teve a pressão arterial elevada no passado?
Você desenvolveu a pré-eclâmpsia em quaisquer gestações anteriores?
Você já teve complicações durante uma gravidez anterior?
Com quais outras condições de saúde que você está lidando?
Quais medicamentos ou suplementos você está tomando?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para pré-eclâmpsia, algumas perguntas básicas incluem:

Essa condição afetou meu bebê?
Em quais sinais prestar atenção e quando procurar ajuda médica?
Com que frequência será feito o monitoramento da gravidez e do bebê?
Que tratamentos estão disponíveis, o que você recomenda para mim?
Tenho outras condições de saúde. Como posso gerenciar tudo?
Preciso fazer quaisquer restrições de atividade?
Você tem algum material impresso que eu posso levar? Quais sites você recomenda?
Além das perguntas que você preparou, não hesite em fazer perguntas que lhe ocorrem durante a consulta.

Para diagnosticar a pré-eclâmpsia, a gestante deve apresentar pressão arterial elevada. Além disso, um ou mais dos seguintes cenários após a 20 ª semana de gravidez também pode acontecer:

Proteína na urina (proteinúria)
Contagem de plaquetas baixa
Insuficiência da função hepática
Sinais de problemas nos rins além da proteína na urina
Líquido nos pulmões (edema pulmonar)
Dores de cabeça de início recente
Distúrbios visuais.
Anteriormente, a pré-eclâmpsia era diagnosticada somente se a grávida apresentasse pressão arterial elevada e proteína na urina. No entanto, especialistas agora sabem que é possível ter pré-eclâmpsia, sem proteína na urina. Dessa forma, qualquer alteração de pressão arterial na gravidez deve ser investigada, a fim de encontrar a presença de algum outro fator e diagnosticar a pré-eclâmpsia.

A pressão arterial acima de 140/90 mmHg é anormal durante a gravidez. No entanto, uma única leitura de pressão arterial elevada não significa que você tem pré-eclâmpsia. Se você tem uma leitura na faixa anormal - ou uma leitura que é substancialmente maior do que a sua pressão arterial habitual - o médico ou médica irá observar de perto os números. Ter uma segunda medição anormal lendo quatro horas após a primeira pode confirmar a suspeita de pré-eclâmpsia.

Além das medidas de pressão, pode ser necessário fazer alguns exames, incluindo:

Exames de sangue para determinar contagem de plaquetas e funcionamento do fígado e rins
Exames de urina, para identificar altos níveis de proteína
Ultrassom fetal com estudo Doppler, para saber como está o bebê
Verificar a frequência cardíaca do bebê.

Tratamento de Pré-eclâmpsia

Se há diagnóstico de pré-eclâmpsia, o médico irá informar quantas vezes você precisa fazer consultas pré-natais - provavelmente com mais frequência do que o normalmente recomendado para a gravidez. Você também vai precisar de exames de sangue mais frequentes, ultrassonografias e monitoramento da frequência cardíaca mais vezes.

Mudanças de estilo de vida

Toda gestante hipertensa ou com alto risco de hipertensão deve inicialmente fazer mudanças em seu estilo de vida, como ingerir pouco sódio, manter o peso, dormir adequadamente e fazer caminhada regularmente. Se, mesmo com a adoção desses hábitos, a pressão persistir alta, deve-se fazer uso de medicamentos.

O repouso absoluto pode ser recomendado, com a gestante deitada sobre o lado esquerdo do corpo tempo todo ou a maior parte do tempo.

Medicamentos

Para pré-eclâmpsia, o tratamento pode incluir:

Medicamentos para baixar a pressão arterial seguros para a gravidez
Corticosteroides para casos graves ou associados a complicações hepáticas ou de plaquetas
Medicamentos anticonvulsivantes para casos graves.
Hospitalização

Pré-eclâmpsia grave pode exigir hospitalização. No hospital, seu bebê será monitorado e o volume de líquido amniótico medido frequentemente. A falta de líquido amniótico é um sinal de que o fornecimento de sangue para o bebê está deficiente.

Parto

Se o diagnostico da pré-eclâmpsia ocorre perto do fim da sua gravidez, pode ser recomendada uma indução do trabalho de parto. As condições do colo uterino - se está começando a abrir (dilatar), afinar e suavizar (amadurecer) - também podem ser um fator para determinar se ou quando o trabalho será induzido.

Em casos graves, pode não ser possível considerar a idade gestacional do seu bebê ou as condições do seu colo do útero. Se não for possível esperar, o médico pode induzir o parto ou agendar uma cesárea. Durante o parto, você pode receber sulfato de magnésio por via intravenosa para prevenir convulsões.

Após o parto

Após o parto, deve-se esperar a pressão arterial voltar ao normal dentro de 12 semanas, mas geralmente isso ocorre muito mais cedo. Se a paciente precisar de medicação para aliviar a dor após a sua entrega, confira com o médico o que pode ser ou não ingerido. A pré-eclâmpsia pode exigir que você fique mais tempo no hospital depois de dar à luz. A doença geralmente não aumenta o risco de pressão alta no futuro.

Complicações possíveis

Quanto mais grave a pré-eclâmpsia for e quanto mais cedo ela ocorre, maiores serão os riscos para a gestante e seu bebê. A pré-eclâmpsia pode exigir trabalho de parto induzido ou parto cirúrgico (cesariana), este último não sendo sempre vantajoso a não ser que outros problemas estejam presentes. Se você tiver pré-eclâmpsia grave ou se estiver com menos de 30 semanas de gestação, uma cesárea pode ser necessária.

As complicações da pré-eclâmpsia podem incluir:

Falta de fluxo sanguíneo para a placenta
Descolamento prematuro da placenta
Síndrome HELLP, caracterizada pela elevação das enzimas hepáticas e baixa contagem de plaquetas
Doença cardiovascular no futuro.
Quando a pré-eclâmpsia não é controlada, pode ocorrer a eclâmpsia - que são essencialmente convulsões decorrentes da pré-eclâmpsia. Os sintomas que sugerem eclâmpsia iminentes incluem dor abdominal superior direito, dores de cabeça, problemas de visão e alteração do estado mental, tais como a diminuição do alerta. Pelo fato de que a eclâmpsia pode ter consequências graves para a mãe e o bebê, o parto torna-se necessário, independentemente do estágio da gravidez.

Expectativas
Descobrir que você tem uma complicação potencialmente grave da gravidez pode ser assustador. Se o diagnóstico de pré-eclâmpsia acontece no final de sua gravidez pode ser preocupante, uma vez que o parto pode começar a ser induzido imediatamente. Se você é diagnosticado mais cedo em sua gravidez, você pode ter várias semanas para se preocupar com a saúde do seu bebê.

Grupos de suporte e materiais informativos podem ajudar a entender melhor essa condição. Além de conversar com o médico, faça alguma pesquisa. Certifique-se de entender quando é necessário buscar ajuda médica, como você deve monitorar o bebê e sua condição.

Prevenção

A pré-eclâmpsia, que pode evoluir para eclampsia, pode interferir com a capacidade da placenta de fornecer oxigênio e nutrição para o feto. O bebê pode nascer com peso menor que o normal, pode ter outros problemas de saúde, e pode precisar sofrer um parto prematuro.

Como se não se exatamente qual a causa da pré-eclâmpsia, é muito difícil saber como evitá-la. Mas uma vez que a pré-eclâmpsia foi identificada, existem passos que você pode tomar para evitar a eclâmpsia, a forma mais grave de pré-eclâmpsia, bem como reduzir a chance de que a pré-eclâmpsia prejudique o desenvolvimento do bebê. Estes incluem:

Repouso
Monitorização cuidadosa da mãe e do bebê
Parto quando necessário.
Pesquisas mostram que a aspirina tem um efeito protetor em mulheres com fatores de risco para a pré-eclâmpsia. Se você tem fatores de risco significativos e uma história de pré-eclâmpsia, o seu médico pode recomendar que você tome uma dose baixa de aspirina diariamente desde o início da gravidez.

Uma vez que o bebê nasceu, a pressão arterial deve voltar ao normal.

sábado, 12 de março de 2016

Escotoma


Escotoma (do grego: Skotos = escuridão) é uma área de alteração do campo visual que consiste de uma diminuição parcial ou total da acuidade da visão, rodeada por um campo de visão normal ou relativamente bem preservado. As manchas do escotoma são como "buracos" escuros no campo visual em que o paciente não consegue ver nada. O escotoma não é uma doença, mas um sintoma que pode ocorrer em várias doenças.

Um escotoma pode ser um sintoma de dano a qualquer parte do sistema visual, tais como problemas na retina, em particular a sua porção mais sensível, a mácula e a degeneração da própria mácula, além de alterações desde o nervo óptico até o córtex visual.

As causas mais comuns de escotoma são as doenças desmielinizantes, a hipertensão arterial, as substâncias tóxicas, as deficiências nutricionais, os bloqueios vasculares tanto na retina, como no nervo óptico e degeneração macular, geralmente associada ao envelhecimento.

Numa grávida, o escotoma pode apresentar-se como um sintoma de pré-eclâmpsia grave. Da mesma forma, escotomas podem se desenvolver como resultado do aumento da pressão intracraniana.

Todas as pessoas têm um escotoma fisiológico em seu campo de visão, denominado “ponto cego” do olho. Este é um local sem células fotorreceptoras, constituído pelos axônios das células ganglionares retinais que formam a saída do nervo óptico. Muitas vezes, o indivíduo não tem consciência direta dos pequenos escotomas visuais ou eles são simplesmente considerados regiões de percepção reduzida dentro do campo visual. Ao invés de reconhecerem uma imagem como incompleta, os pacientes com escotomas relatam que as coisas "desaparecem" quando a imagem delas se sobrepõe à mancha escura.

O termo também é usado metaforicamente em vários campos, como neurologia, psicologia, filosofia, política e visão do mundo. Nesse sentido figurativo, significa uma lacuna na percepção, cognição ou compreensão de alguma situação. No sentido literal, no entanto, é causado pela ligação entre o sistema nervoso e a mente, através da cadeia das entradas sensoriais, a condução do nervo para o cérebro, a correlação cérebro-mente e a função psicológica. Assim, não há apenas uma incapacidade visual para ver, mas também uma incapacidade mental para conceber aquilo que é visualizado.

Na psicologia, escotoma pode referir-se à incapacidade de uma pessoa de perceber traços de personalidade em si mesma que são óbvias para os outros. E num sentido ainda mais alto de abstração, tem-se chamado de escotomas intelectuais à dificuldade de uma pessoa perceber distorções em sua visão de mundo que são óbvias para os demais.

Um escotoma patológico pode envolver qualquer parte do campo visual e pode ser de qualquer forma ou tamanho. O escotoma pode incluir e ampliar o ponto cego normal. Mesmo um pequeno escotoma que passa a afetar a visão central ou macular irá produzir uma deficiência visual grave, enquanto um grande escotoma na parte periférica do campo visual pode passar despercebido.

Raramente, os escotomas são bilaterais, mas podem ocorrer, por exemplo, quando um tumor na hipófise começa a comprimir o quiasma óptico (ponto em que os nervos provenientes dos dois olhos se unem). Normalmente o escotoma é representado por uma mancha escura, mas uma aura visual comum na enxaqueca é constituída por um escotoma cintilante. Menos comum, mas muito importantes, são os escotomas devido a tumores, tais como os que acometem a glândula pituitária, por exemplo, que podem comprimir o nervo óptico ou interferir com seu suprimento de sangue.

O principal elemento diagnóstico é o relato do próprio paciente. Os testes de campo visual, feitos no consultório do médico, captam sinais que podem sugerir o problema. Ao fazer isso, o campo visual em cada olho é "mapeado" de forma a localizar o escotoma. Um exame oftalmológico completo pode também identificar as causas do escotoma. Se o problema não for restrito ao olho, testes adicionais devem ser feitos, incluindo radiografia da cabeça, tomografia computadorizada e angiografia do olho.

O tratamento do escotoma dependerá da sua causa. Alguns escotomas se resolvem por si mesmos, enquanto outros podem chegar a necessitar de cirurgia.

Os escotomas às vezes são autorreversíveis e alguns necessitam cirurgia, na dependência das suas causas.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Algumas considerações sobre reações a medicamentos


Um erro frequente é considerar que os efeitos farmacológicos se podem dividir claramente em dois grupos: efeitos desejados ou terapêuticos e não desejados ou secundários.

Na realidade, a maioria dos medicamentos produz efeitos vários.

No entanto, o médico pretende que o doente experimente só um (ou alguns) deles.

Os outros efeitos podem ser classificados como não desejados.

Apesar de quase toda a gente, incluindo os médicos e o pessoal de saúde, se referir ao efeito secundário, o termo reação adversa ao medicamentos é mais apropriado para os efeitos não desejados, desagradáveis, ou potencialmente nocivos.

Não deve surpreender-nos o facto de as reações adversas aos medicamentos serem frequentes.

Calcula-se que em alguns países cerca de 10 % das admissões nos hospitais são devidas a reações adversas aos fármacos.

Entre 15 % a 30 % dos doentes hospitalizados apresentam, no mínimo, uma reação adversa a algum fármaco.

Embora muitas destas reações sejam relativamente leves e desapareçam ao suspender-se a sua administração ou ao modificar-se a dose, outras são mais graves e de maior duração.

É possível dividir as reações adversas aos fármacos em dois grupos principais.

O primeiro compreende as reações que representam um excesso dos efeitos farmacológicos e terapêuticos que se conhecem e se esperam de um fármaco determinado.

Por exemplo, um doente que está em tratamento com um medicamento para reduzir a pressão arterial elevada pode sofrer enjôos ou vertigens se esta diminuir excessivamente.

Um diabético pode manifestar falta de forças, suor, náuseas e palpitações se a insulina ou o fármaco hipoglicemiante reduzir em excesso o nível do açúcar no sangue.

Este tipo de reação adversa ao medicamento, embora previsível, às vezes é inevitável.

Uma reação adversa ocorre se a dose de um fármaco for excessiva, se o doente for demasiado sensível a este, ou se outro fármaco retardar o metabolismo do primeiro, aumentando assim a sua concentração no sangue.

O segundo grupo são as reações que resultam de alguns mecanismos que ainda não se compreendem muito bem.

Este tipo de reação adversa a um determinado fármaco é imprevisível até que o médico obtenha informação sobre outros doentes com reações semelhantes.

Exemplos dessas reações adversas consistem em erupções cutâneas, icterícia (lesão do fígado), anemia, diminuição do número de glóbulos brancos, lesões do rim e lesões nervosas com possíveis alterações visuais e auditivas.

No entanto, essas reações afetam só um grupo reduzido.

Essas pessoas podem ser alérgicas ou hipersensíveis a um medicamento, devido a diferenças genéticas no metabolismo do fármaco ou à resposta do organismo à sua ação.

Alguns efeitos secundários dos medicamentos não se ajustam facilmente a nenhum dos dois grupos.

Estas reações são previsíveis e os mecanismos envolvidos são amplamente conhecidos.

Por exemplo, a irritação gástrica e a hemorragia surgem, muitas vezes, se se tomar continuadamente aspirina ou outros anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, quetoprofeno e naproxeno.