Pesquisar este blog
Mostrando postagens com marcador oftalmologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oftalmologia. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Alergias oculares
Alergias oculares são respostas exageradas do sistema de defesa do corpo (sistema imunológico) a uma determinada substância, que é chamada de alérgeno. Elas acometem os olhos ou as estruturas próximas a eles, como as pálpebras.
Um grande número de substâncias é capaz de produzir reações alérgicas, as quais são chamadas de alergenos. Quase sempre as alergias são desencadeadas por poeira, fumaça, pólen, ácaros, alimentos (camarão, lagosta e outros frutos do mar), medicamentos, produtos de beleza, tintas, solventes, agrotóxicos e inseticidas, por exemplo.
Quando essas reações afetam exclusiva ou predominantemente os olhos, são ditas alergias oculares. As alergias oculares podem afetar qualquer pessoa, mas os portadores de rinite alérgica, asma ou alergias de pele apresentam mais chances de ter o problema.
A Alergia ocular é a principal causa de coceira nos olhos. Embora na maioria das vezes a coceira nos olhos seja leve, em outras vezes ela pode ser muito intensa e incomodativa e até causar lesões na córnea que atrapalham a visão. As alergias oculares mais frequentes são as conjuntivites alérgicas, devidas à exposição a um alergeno.
Os sintomas mais comuns das alergias oculares são olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento, ardência, fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) e edema das pálpebras. A conjuntivite alérgica difere da conjuntivite infecciosa, apresenta coceira mais intensa, menos secreção, não é contagiosa e tem uma duração maior que a forma infecciosa. Além disso, a conjuntivite alérgica causa uma reação inflamatória no olho diferente da conjuntivite infecciosa em que há formação de folículos, só visualizados pelo oftalmologista através do microscópio.
As conjuntivites alérgicas são de quatro tipos:
1.Conjuntivite sazonal: é o tipo mais frequente, associada a fatores como poeira e pólen e à rinite ou asma. Costuma ter uma intensidade de leve a moderada e ao exame clínico pode-se encontrar edema da conjuntiva, hiperemia e reação papilar, sem envolvimento da córnea.
2.Ceratoconjuntivite atópica: associada à dermatite atópica.
3.Conjuntivite primaveril (ou vernal): é um quadro mais grave de alergia ocular, sendo mais acentuada nos meses da primavera e do verão. Além de afetar a conjuntiva, acomete também a córnea. Geralmente ocorre em meninos dos 5 aos 15 anos.
4.Conjuntivite papilar gigante: caracterizada pela presença de papilas gigantes na conjuntiva. Ela pode estar associada ao uso crônico de lentes de contato, principalmente as gelatinosas, ou a traumas mecânicos na superfície ocular. A presença de suturas também pode desencadear esta forma de conjuntivite.
As alergias oculares são diagnosticadas a partir dos sintomas, da história médica do paciente e do exame clínico. Às vezes, é necessário o uso do microscópio oftalmológico para determinar o tipo de alergia.
Todos os tipos de conjuntivite alérgica obedecem a um mesmo tratamento básico, com colírios e medicações sistêmicas, embora possa haver especificidades para cada tipo e para cada configuração clínica. O mais importante é evitar o contato com o alergeno, se ele for conhecido.
O tratamento da conjuntivite sazonal é realizado com colírios antialérgicos, associados a lágrimas artificiais. A conjuntivite primaveril ou vernal pode ser tratada de modo semelhante ao empregado nas conjuntivites sazonais. Já nos casos moderados a severos, especialmente nos períodos de crises, o tratamento dessa forma de conjuntivite requer o uso de corticoides tópicos, além das demais medicações.
O tratamento da conjuntivite atópica é realizado com anti-histamínicos tópicos, sendo frequente também a necessidade de usar corticoides. Algumas vezes, além das medicações tópicas, é necessário associar anti-histamínicos ou imunomoduladores sistêmicos. O tratamento da conjuntivite papilar gigante é feito com anti-histamínicos e corticoides tópicos e com a suspensão temporária das lentes de contato por alguns dias ou semanas. Em alguns casos, além do tratamento clínico pode ser necessário remover cirurgicamente as papilas.
Os portadores de conjuntivite atópica apresentam maior risco para o desenvolvimento de ceratocone e catarata. A cerato-conjuntivite vernal, se não tratada adequadamente, pode prejudicar muito a visão do paciente. Casos mais graves, persistentes por longo tempo, podem gerar lesões na córnea, as quais podem comprometer de forma irreversível a visão da pessoa.
sexta-feira, 31 de março de 2017
Mancha amarela no olho?
Pinguécula refere-se a uma elevação de coloração amarelada na junção da córnea com a esclera. Na verdade, a pinguécula é um tumor ocular benigno que se manifesta através de uma mancha amarelada em formato triangular ou através de um aumento de volume do branco do olho.
A pinguécula é causada por uma mudança repentina do tecido conjuntival normal (degenerescência da conjuntiva ocular), ocasionando o armazenamento de substâncias proteicas e lipídicas. Pode surgir também devido à exposição crônica dos olhos à luz do sol, poeira ou vento.
As pinguéculas são mais comuns do lado da córnea mais próximo ao nariz, mas também podem crescer junto à córnea, do outro lado. Uma pinguécula se forma quando o tecido da conjuntiva se altera criando um pequeno nódulo. Normalmente, esses nódulos acumulam proteína, gordura e cálcio. A razão para esta alteração não é totalmente compreendida, mas está ligada à frequente exposição à luz solar, à poeira ou ao vento. As pinguéculas também podem se tornar mais comuns com o envelhecimento. A maioria das pessoas com mais de 80 anos tem uma pinguécula.
Conforme as características de cada caso, os sintomas podem variar de leves a graves. A avaliação do quadro clínico é feita a partir do aspecto da pinguécula e da região do olho em que se localiza. A pinguécula é mais comum em indivíduos de meia idade ou idosos que foram expostos aos raios solares a maior parte da vida, embora também possa ser encontrada em crianças e jovens.
Tipicamente, surge na área de abertura palpebral que fica exposta aos raios solares. A sintomatologia da pinguécula ocular costuma ser restrita. Quando se torna elevada pode ocasionar a sensação de irritação ou de que há areia ou um corpo estranho no olho. A área atingida também pode ficar avermelhada e coçar, o que ajuda a desenvolver um quadro de inflamação, condição denominada pingueculite.
O diagnóstico da pinguécula é feito por observação. Um diferencial tem de ser feito entre as pinguéculas e os pterígios. Ambos são tumores que podem se formar no olho. São parecidos, mas têm algumas distinções bem marcadas e aspectos diferentes. Os pterígios são ovais, alongados ou redondos, têm a cor da pele e geralmente crescem em cima da córnea, diferente da pinguécula.
O tratamento depende da gravidade do quadro clínico. Os pacientes com pinguécula devem proteger a conjuntiva ocular por meio de óculos escuros adequados. Além disso, o uso de colírios lubrificantes auxilia no alívio dos sintomas brandos, enquanto os colírios com anti-inflamatórios devem ser utilizados em casos mais graves. Se houver dor no olho, o paciente pode usar uma pomada ou colírio para diminuir a irritação.
Também existe a opção de remoção cirúrgica da pinguécula nos casos mais severos, quando esta condição está afetando a visão, o ato de piscar ou o uso de lentes de contato. No entanto, raramente se retira esse tumor, sendo que em grande parte dos casos não há nem mesmo necessidade de qualquer tratamento porque a pinguécula não prejudica a córnea.
Algumas pinguéculas normalmente aparecem ao lado da córnea e podem aumentar de tamanho, mas isso só ocorre muito lenta e raramente.
Para prevenir esses tumores, indica-se o uso de óculos escuros de boa qualidade e com lentes com filtros para raios ultravioletas. Os mais indicados são aqueles com bloqueador de raios UVA e UVB. Além disso, os óculos de sol protegem os olhos de agressões externas, como a poeira e o vento. O uso de lágrimas artificiais ajuda a manter os olhos hidratados. Os óculos protetores são muito importantes em ambientes muito secos ou empoeirados.
Normalmente a pinguécula não gera complicações, embora possa ser recorrente.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Cegueira transitória pelo uso de smartphone
A cegueira transitória dos smartphones (TSB) é um fenômeno real e pode contribuir para um diagnóstico neurológico equivocado na prática clínica, sugere um novo relato de caso publicado online pelo periódico Neurology, que discute o caso de uma mulher de meia-idade que relatou perda visual monocular temporária, indolor, após usar um smartphone, enquanto deitada de lado na cama.
Este relato segue-se a dois outros casos relatados, em 2016, por pesquisadores do Reino Unido no The New England Journal of Medicine (NEJM), também de mulheres, com idades entre 22 e 40 anos, que também apresentaram deficiência visual monocular recorrente imediatamente após o uso de smartphones na cama.
Os pesquisadores atuais apontam que a paciente inicialmente recebeu um falso diagnóstico de esclerose múltipla (EM) e foi aconselhada a iniciar tratamento para a doença. Eles reforçam que a má interpretação dos sintomas da TSB, especialmente como um distúrbio vascular ou inflamatório, pode levar a investigações e terapias desnecessárias. O Dr. Dean M. Wingerchuk, da Mayo Clinic, em Scottsdale, diz que com o uso cada vez maior de smartphones, é provável que os casos de TSB cresçam, por isso é importante que os clínicos perguntem sobre a maneira como esses dispositivos estão sendo usados, com questões sobre como, quando e onde os problemas de visão ocorreram, por exemplo.
Neste caso descrito, fica claro que o uso do smartphone, a posição do corpo e a quantidade de luz ambiente explicam o diagnóstico da cegueira transitória dos smartphones. Os sintomas da TSB são causados por níveis temporariamente discrepantes de adaptação da luz entre as duas retinas, escrevem os pesquisadores.
Eles relatam que a paciente do sexo feminino tinha 58 anos de idade e, exceto pelos sintomas de TSB, era saudável. Ela procurou a clínica médica depois de ter apresentado dois episódios de perda visual transitória monocular à direita. Nas duas vezes, a paciente tinha deitado sobre seu lado esquerdo na cama, após despertar no início da manhã e usou seu smartphone por aproximadamente 10 a 15 minutos.
Ela não usou qualquer luz diferente da fornecida pelo dispositivo. Uma vez que ela se levantou, a visão em seu olho direito de repente escureceu por cerca de 15 segundos e, em seguida, retornou dentro de um minuto mais tarde.
Ela observou que os episódios não causavam dor. Não havia sintomas neurológicos ou ortostáticos e a paciente não tinha história de enxaqueca, desordens oftalmológicas ou fatores de risco cerebrovasculares. A acuidade visual da mulher e outros exames oftalmológicos foram negativos e os exames cardiovascular e neurológico não mostraram nada de anormal.
Embora a RM do cérebro tenha mostrado algumas lesões bilaterais de substância branca cerebral, as RM cervicais e de coluna vertebral (assim como o exame do líquido cefalorraquidiano e de distúrbios metabólicos/inflamatórios) foram normais. Ainda assim, ela foi diagnosticada com esclerose múltipla por um neurologista. No acompanhamento de 6 meses, outra RM cerebral não mostrou alterações e, após uma angiografia por ressonância magnética de cabeça e pescoço normal, a TSB foi finalmente diagnosticada.
Fonte: Neurology, publicação online, de 18 de janeiro de 2017
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Moscas volantes ou "floaters"
Você talvez não saiba o nome oficial, mas já deve ter visto pequenas formas flutuando em seu campo de visão.
A percepção dessas formas, também conhecidas como "moscas volantes" (do latim Muscae volitantes) ou floaters (flutuadores, em inglês), é chamada miodesopsia.
Elas podem aparecer como pontos escuros, filamentos ou teias – e não são ilusões de ótica.
Estão lá, vagando dentro de seus olhos.
Para entender a origem dessas "moscas", vale relembrar um pouco de anatomia ocular.
Na parte da frente do olho fica a córnea (um tecido transparente), e atrás você tem a pupila (o centro escuro do olho) e a íris (a franja colorida ao redor da pupila).
Entre a córnea e a pupila há um pequeno reservatório de líquido chamado humor aquoso.
Uma camada de células sensíveis à luz no fundo de seu olho é chamada retina.
Quando os neurônios que formam a retina são estimulados pela luz, eles enviam uma mensagem pelo nervo ótico até o cérebro, entregando informações sobre o que você está vendo.
Mas entre as lentes e a retina há um "oceano" de líquido conhecido como humor vítreo ou apenas vítreo.
O vítreo é uma massa gelatinosa formada principalmente por água.
Diferentemente do humor aquoso, o humor vítreo nunca é reabastecido.
Você irá morrer, basicamente, com o mesmo vítreo com o qual nasceu.
Isso significa que se algum objeto externo entrar no vítreo (sangue ou outras células, por exemplo), ele irá ficar por lá.
E quando esses pequenos pedaços de detritos oculares tampam a passagem da luz pelo olho, eles podem lançar sombras na retina.
Essas são as sombras que percebemos como as moscas volantes.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Tracoma: o que é?
Enfermidade inflamatória crônica que atinge a conjuntiva e a córnea. Devido a repetidas infecções causadas pela bactéria Chlamydia trachomatis cicatrizes começam a se formar na conjuntiva palpebral.
Com isto, sérias complicações podem surgir como formação de entrópio (pálpebras viradas para dentro do olho) ou triquíase (cílios que tocam o globo ocular).
O atrito gerado devido a esta infecção pode também acabar levando a danos irreversíveis na córnea, como até mesmo à cegueira.
Esta é uma doença muito comum em países quentes e mais pobres como alguns do Oriente Médio e do Mediterrâneo.
Em seus estágios iniciais o tracoma é contagioso e pode ser facilmente transmitido.
O contágio é direto e ocorre de pessoa para pessoa. Objetos e roupas de cama contaminados também podem servir como fonte de infecção.
Entretanto, insetos como a mosca doméstica ou como a lambe-olhos, por exemplo, também podem agir como vetores.
Qualquer pessoa de ambos os sexos e todas as idades estão susceptíveis a desenvolver um quadro de tracoma. Embora esta bactéria não apresente alta infectividade, sua distribuição pelo mundo é bastante ampla.
Não existe imunidade adquirida e nem de imunidade natural a esta enfermidade.
O tratamento, quando do diagnóstico precoce, costuma ser bem efetivo.
Por outro lado, caso esta doença não receba a devida atenção, as sequelas podem ser graves.
O agente causador é a bactéria Chlamydia trachomatis dos sorotipos A, B, Ba e C.
Este microrganismo gram-negativo de vida intracelular obrigatória apresenta preferência por células epiteliais.
Com cerca de 200 a 300 milimicra, se instala nestas células e passa a se multiplicar gerando inclusões citoplasmáticas.
Esta mesma bactéria também é responsável por outros transtornos como o linfogranuloma venéreo e a conjuntivite de inclusão.
As infecções provocadas por este microrganismo limitam-se às superfícies mucosas.
O período de incubação leva aproximadamente 12 dias.
Após isto os primeiros sintomas começam a surgir.
Enquanto as lesões na conjuntiva estiverem ativas a transmissibilidade será possível.
Caso existam outras infecções bacterianas no local o potencial de transmissão cai consideravelmente.
Os sintomas do tracoma são bastante notáveis e característicos. Desta forma, pessoas com tais alterações logo tendem a procurar por ajuda médica. Através de uma análise clínica e do histórico do paciente o profissional começa a suspeitar de algumas enfermidades. Entretanto, exames laboratoriais deverão ser feitos para que se estabeleça um diagnóstico diferencial.
É preciso se excluir a possibilidade de outras doenças conjuntivas, como a foliculose, a conjuntivite folicular aguda e a conjuntivite folicular tóxica. Além disto, os sinais podem ser sintomas de outras complicações mais diversas como herpes simples, molusco contagioso ou adenovírus. Portanto, é importante determinar exatamente a causa do problema para que o tratamento seja o mais efetivo possível.
Além de exames laboratoriais o exame ocular externo pode trazer respostas bastante significativas. A amplificação do ácido nucleico também pode ser uma medida adotada. Após a confirmação do diagnóstico o tratamento deve ter início o quando antes, para que complicações mais graves não comecem a ocorrer. É indicado que todos realizem exames médicos de rotina para um bom monitoramento do organismo. Desta forma, uma série de doenças pode ser previamente diagnosticada e seus transtornos amenizados.
Inicialmente o tracoma se parece muito com uma conjuntivite folicular. Há hipertrofia papilar e também inflamação por toda a área conjuntiva, principalmente na parte superior. Com o tempo esta irritação leva ao surgimento de secreção e, em estágios mais avançados, cicatrizes surgem na córnea. Estas fazem com que os cílios virem para dentro e a visão fica seriamente comprometida.
Alguns dos sintomas característicos são:
Sensibilidade à luz;
Inflamação;
Lacrimejamento;
Conjuntiva com estrias brancas;
Manifestação de secreções;
Avermelhamento da córnea;
Incômodo nos olhos.
Diante destes sintomas é extremamente importante que se busque por auxílio médico. O tracoma provoca cicatrizes que comprometem a córnea e podem levar até mesmo à cegueira. O tratamento quando feito de maneira correta costuma ser bastante efetivo. Casos mais sérios ou que já venham se estendendo por um tempo muitas vezes necessitam de intervenção cirúrgica ou outros métodos mais invasivos. Portanto, sempre que seu corpo lhe enviar qualquer sinal consulte um médico o quanto antes.
Por seu caráter contagioso e pela seriedade que pode adquirir, o tracoma precisa ser prevenido e todos necessitam saber dos seus riscos. É importante que escolas instruam as crianças a não colocarem as mãos sujas nos olhos e que pais procurem saber das enfermidades das crianças que convivem com seus filhos. O tracoma é uma doença que possui maior incidência entre crianças pequenas, portanto, leve seu filho a um oftalmologista para realizar exames de rotina. Através de um hábito simples como este, não somente esta, como várias outras doenças, podem ser evitadas.
Manter uma alimentação saudável ajuda na prevenção de muitas enfermidades, já que um corpo saudável é um corpo forte e protegido. Deixe sua casa sempre limpa e evite a entrada de insetos, pois estes são vetores de uma série de doenças. O rosto deve ser lavado diariamente e o lixo deve ter um destino certo. Ensine seus filhos sobre higiene pessoal e adquira você também estes costumes básicos. Diante de quaisquer sintomas procure logo por auxílio médico, a grande maioria das complicações possui cura quando diagnosticada previamente.
Quando em estágio inicial o tracoma é facilmente tratado. Pomadas antibióticas serão receitadas e deverão ser utilizadas por, em média, 6 semanas. Em alguns casos pode ser necessário a utilização de fármacos antibióticos via oral. Quando a doença produziu deformidades na pálpebra, na conjuntiva ou na córnea geralmente se faz necessário uma intervenção cirúrgica. O tracoma, quando não tratado ou quando não monitorado, pode levar até mesmo à cegueira. Portanto, não descuide de sua saúde. Algo aparentemente simples pode acabar progredindo de forma inimaginável. Consulte regularmente um médico para realizar exames de rotina, desta forma seu corpo estará sempre bem monitorado. Cuide da sua saúde. Ela deve estar em primeiro lugar.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Retinopatia Diabética
A retinopatia diabética é uma complicação microvascular que pode ocorrer no diabetes mellitus, afetando a retina, e que pode levar à perda total da visão, sendo a principal causa de cegueira entre adultos acima de 20 anos.
A retinopatia diabética ocasiona rompimento dos vasos sanguíneos da retina, causando hemorragia e infiltração de gordura em seu interior.
O diabetes tipo 1 causa complicações oculares mais frequentes e mais graves, mas o diabetes tipo 2, muito mais incidente, é responsável por um número maior de casos de pacientes com baixa visão em razão da retinopatia diabética.
O tempo de duração do diabetes mellitus é o fator de risco mais importante para a retinopatia diabética. Após 20 anos de evolução do diabetes, esta complicação está presente em praticamente todos os pacientes com diabetes tipo 1 e em 50 a 80% dos pacientes com diabetes tipo 2.
Um segundo fator de risco é o grau de hiperglicemia. Níveis normais ou perto no normal de açúcar no sangue previnem ou retardam o início da retinopatia diabética.
Outros fatores de risco são a hipertensão arterial e a nefropatia. Também a gestação, bem como a puberdade e a realização de cirurgia de catarata são condições que podem promover avanço das lesões da retinopatia diabética.
O uso de aspirina, por seu turno, não aumenta o risco de hemorragias.
O efeito do fumo é controverso, mas deve-se evitar a obesidade, o consumo de álcool, a dislipidemia e o sedentarismo.
Nos pacientes com diabetes tipo 1, a retinopatia geralmente se instala após três a cinco anos de evolução da doença e raramente surge antes da puberdade. Em contrapartida, em pacientes com diabetes tipo 2, a retinopatia pode já estar presente em algum grau no momento em que for diagnosticado o diabetes.
Um exame oftalmológico completo deve ser realizado no máximo cinco anos após o diagnóstico do diabetes e depois uma reavaliação deve ser feita a cada ano.
Os pacientes com diabetes tipo 2 devem fazer uma avaliação oftalmológica no momento do diagnóstico.
Mulheres diabéticas que desejem engravidar devem realizar, antes, uma avaliação oftalmológica completa e serem orientadas sobre o risco de desenvolvimento da retinopatia.
As grávidas devem ser devidamente acompanhadas e monitoradas até um ano após o parto. Os exames do fundo de olho e da retina são essenciais para o diagnóstico da retinopatia diabética. Normalmente, usa-se fazer:
•Exame direto de fundo de olho: as pupilas devem ser dilatadas com um colírio para que o oftalmologista possa examinar visualmente o fundo do olho, com lentes de aumento acopladas a um aparelho chamado oftalmoscópio.
•Tanometria: uso de um aparelho para medir a pressão intraocular.
•Angiografia fluoresceínica: um corante especial é injetado no braço e minutos depois são tiradas fotografias da passagem dele pelos vasos da retina, permitindo ao oftalmologista fazer uma análise desses vasos.
O controle clínico do diabetes diminui muito o aparecimento da retinopatia diabética, mas todo paciente diabético deve ser acompanhado periodicamente pelo oftalmologista.
A retinopatia diabética em qualquer grau está associada ao aumento de risco de mortalidade cardiovascular.
A presença da retinopatia diabética está fortemente associada à nefropatia diabética, sendo, portanto, recomendável a avaliação da presença de doença renal diabética em indivíduos com retinopatia.
Se iniciado precocemente, o tratamento da retinopatia diabética apresenta bons resultados. Através da fotocoagulação a laser, as áreas comprometidas da retina podem ser cauterizadas, beneficiando a maioria dos pacientes.
A vitrectomia é uma microcirurgia que visa remover os vasos anormais e corrigir o descolamento de retina. Atualmente, novas drogas, em cápsulas ou injetáveis dentro do globo ocular, estão sendo usadas com essas mesmas finalidades.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Catarata e genética
Para determinar a herdabilidade da progressão da catarata e explorar prospectivamente o efeito de micronutrientes na dieta sobre a progressão da catarata foi realizado um estudo prospectivo de coorte. Os dados estavam disponíveis para 2054 gêmeas brancas da coorte TwinsUK. O acompanhamento e as medições de catarata estavam disponíveis para 324 das gêmeas (151 monozigóticos e 173 gêmeos dizigóticos).
A catarata nuclear foi medida utilizando uma medida quantitativa da densidade nuclear obtida a partir de imagens digitais Scheimpflug. Os dados dietéticos estavam disponíveis a partir de questionários de frequência alimentar EPIC. A herdabilidade foi modelada usando a máxima verossimilhança de equações estruturais de modelagem dupla. A associação entre a mudança da catarata nuclear e os micronutrientes foi investigada usando análise de regressão linear e multinomial. O intervalo médio entre o exame inicial e o exame de acompanhamento foi de 9,4 anos.
O modelo mais apropriado estimou que a herdabilidade da progressão da catarata nuclear foi de 35% e fatores ambientais individuais explicaram os 65% restantes de variância. Dieta rica em vitamina C protegia contra ambos - catarata nuclear no início e progressão da catarata, enquanto o manganês e a ingestão de suplementos de micronutrientes foram protetores contra a catarata nuclear somente na linha de base.
Concluiu-se que os fatores genéticos explicaram 35% da variância na progressão da catarata nuclear ao longo de um período de 10 anos. Os fatores ambientais foram responsáveis pela variância restante e, em particular, uma dieta rica em vitamina C protegeu contra a progressão da catarata avaliada em cerca de 10 anos após o início do estudo.
Fonte: Ophthalmology, em abril de 2016
quinta-feira, 24 de março de 2016
Exoftalmia?
A exoftalmia, também chamada de exoftalmo, proptose ou exorbitismo (do grego: ex=fora + ophthalmos=olho) é uma condição médica em que o paciente apresenta uma protrusão de um ou dos dois olhos para fora da órbita. A exoftalmia exibe uma proporção maior do que normal da parte branca dos olhos, fazendo os olhos parecerem “arregalados”.
A exoftalmia pode ser uni ou bilateral e cada uma dessas condições têm implicações clínicas diferentes. É bilateral, por exemplo, em casos de doença de Graves e unilateral nos casos de um tumor orbital, por exemplo. A exoftalmia não é uma doença em si, mas sim um sinal de uma doença.
Em geral, a exoftalmia ocorre quando alguma massa tumoral empurra os olhos para frente. A causa mais comum é a doença de Graves, uma doença autoimune que leva ao hipertireoidismo (hiperatividade da glândula tireoide), mas pode ser devida a outros motivos, como outras causas de hipertireoidismo, celulite orbitária, tumores, infecções, sangramento nos olhos, leucemia, hemangioma e desordens vasculares. O glaucoma congênito pode causar a sensação de que os olhos são maiores e, com isso, causar a sensação de que são protuberantes e de que há exoftalmia.
Como a órbita é fechada posterior, medial e lateralmente, qualquer aumento das estruturas localizadas no seu interior fará com que o olho se desloque para frente. Assim, por exemplo, o inchaço ou agrandamento das glândulas lacrimais provoca deslocamento anterior do olho. Nos casos de exoftalmia devida à doença de Graves, o deslocamento do olho é pela deposição de tecido conjuntivo anormal na órbita e músculos extraoculares.
A exoftalmia torna-se mais preocupante quando vem acompanhada de sinais ou sintomas como perda parcial ou total de visão, visão dupla, dor e/ou vermelhidão nos olhos e dores de cabeça. A exoftalmia da doença de Graves provoca uma extrusão bilateral dos olhos. A celulite orbital, por seu turno, normalmente provoca uma proptose unilateral, vermelhidão severa e dor de intensidade moderada a grave, sinusite e uma contagem elevada de glóbulos brancos.
Um tumor intraorbital apresenta uma exoftalmia unilateral com dor severa. A insuficiência aórtica pode ocasionar uma exoftalmia pulsátil. A hemorragia retrobulbar quase sempre é consequente a um trauma da órbita e pode levar à cegueira, se não for tratada rapidamente. De um modo geral, a exoftalmia causa dor, olhos secos, irritação nos olhos, sensibilidade à luz, secreções oculares e derramamento de lágrimas, visão dupla, cegueira progressiva e dificuldade para mover os olhos.
A existência da exoftalmia pode ser reconhecida pela simples inspeção, mas o mais importante é diagnosticar o aparecimento de outros sintomas além das protrusões dos olhos e entender como eles se relacionam com a exoftalmia. Depois do exame físico dos olhos, o médico poderá pedir exames de laboratório para entender melhor a causa da exoftalmia, tais como exame na lâmpada de fenda, testes sanguíneos, dosagem dos hormônios da tireoide e exames de imagens, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.
O tratamento da exoftalmia varia segundo as suas causas. Além disso, corticoesteroides podem ser receitados para ajudar no controle da inflamação, se houver. As exoftalmias provocadas por infecções devem ser tratadas com antibióticos. Casos de exoftalmia pela presença de tumores podem necessitar de tratamentos mais invasivos, como por meio de cirurgia ou radioterapia, por exemplo.
Quando a exoftalmia é precocemente detectada, o prognóstico é positivo. No entanto, casos graves e/ou prolongados podem motivar vários danos decorrentes.
Se não for tratada, a exoftalmia pode fazer com que as pálpebras deixem de fechar completamente, o que leva à secura do globo ocular e a danos da córnea. Outra possível complicação é uma vermelhidão ou irritação na área acima da córnea que pode tornar-se inflamada, como resultado do aumento do atrito quando a pessoa pisca. Alguns pacientes com exoftalmia podem sofrer compressão do nervo óptico ou da artéria oftálmica, o que pode, eventualmente, afetar a acuidade visual do paciente, conduzindo à cegueira. Pessoas com exoftalmia ou proptose são mais suscetíveis a desenvolver conjuntivite.
sábado, 12 de março de 2016
Escotoma
Escotoma (do grego: Skotos = escuridão) é uma área de alteração do campo visual que consiste de uma diminuição parcial ou total da acuidade da visão, rodeada por um campo de visão normal ou relativamente bem preservado. As manchas do escotoma são como "buracos" escuros no campo visual em que o paciente não consegue ver nada. O escotoma não é uma doença, mas um sintoma que pode ocorrer em várias doenças.
Um escotoma pode ser um sintoma de dano a qualquer parte do sistema visual, tais como problemas na retina, em particular a sua porção mais sensível, a mácula e a degeneração da própria mácula, além de alterações desde o nervo óptico até o córtex visual.
As causas mais comuns de escotoma são as doenças desmielinizantes, a hipertensão arterial, as substâncias tóxicas, as deficiências nutricionais, os bloqueios vasculares tanto na retina, como no nervo óptico e degeneração macular, geralmente associada ao envelhecimento.
Numa grávida, o escotoma pode apresentar-se como um sintoma de pré-eclâmpsia grave. Da mesma forma, escotomas podem se desenvolver como resultado do aumento da pressão intracraniana.
Todas as pessoas têm um escotoma fisiológico em seu campo de visão, denominado “ponto cego” do olho. Este é um local sem células fotorreceptoras, constituído pelos axônios das células ganglionares retinais que formam a saída do nervo óptico. Muitas vezes, o indivíduo não tem consciência direta dos pequenos escotomas visuais ou eles são simplesmente considerados regiões de percepção reduzida dentro do campo visual. Ao invés de reconhecerem uma imagem como incompleta, os pacientes com escotomas relatam que as coisas "desaparecem" quando a imagem delas se sobrepõe à mancha escura.
O termo também é usado metaforicamente em vários campos, como neurologia, psicologia, filosofia, política e visão do mundo. Nesse sentido figurativo, significa uma lacuna na percepção, cognição ou compreensão de alguma situação. No sentido literal, no entanto, é causado pela ligação entre o sistema nervoso e a mente, através da cadeia das entradas sensoriais, a condução do nervo para o cérebro, a correlação cérebro-mente e a função psicológica. Assim, não há apenas uma incapacidade visual para ver, mas também uma incapacidade mental para conceber aquilo que é visualizado.
Na psicologia, escotoma pode referir-se à incapacidade de uma pessoa de perceber traços de personalidade em si mesma que são óbvias para os outros. E num sentido ainda mais alto de abstração, tem-se chamado de escotomas intelectuais à dificuldade de uma pessoa perceber distorções em sua visão de mundo que são óbvias para os demais.
Um escotoma patológico pode envolver qualquer parte do campo visual e pode ser de qualquer forma ou tamanho. O escotoma pode incluir e ampliar o ponto cego normal. Mesmo um pequeno escotoma que passa a afetar a visão central ou macular irá produzir uma deficiência visual grave, enquanto um grande escotoma na parte periférica do campo visual pode passar despercebido.
Raramente, os escotomas são bilaterais, mas podem ocorrer, por exemplo, quando um tumor na hipófise começa a comprimir o quiasma óptico (ponto em que os nervos provenientes dos dois olhos se unem). Normalmente o escotoma é representado por uma mancha escura, mas uma aura visual comum na enxaqueca é constituída por um escotoma cintilante. Menos comum, mas muito importantes, são os escotomas devido a tumores, tais como os que acometem a glândula pituitária, por exemplo, que podem comprimir o nervo óptico ou interferir com seu suprimento de sangue.
O principal elemento diagnóstico é o relato do próprio paciente. Os testes de campo visual, feitos no consultório do médico, captam sinais que podem sugerir o problema. Ao fazer isso, o campo visual em cada olho é "mapeado" de forma a localizar o escotoma. Um exame oftalmológico completo pode também identificar as causas do escotoma. Se o problema não for restrito ao olho, testes adicionais devem ser feitos, incluindo radiografia da cabeça, tomografia computadorizada e angiografia do olho.
O tratamento do escotoma dependerá da sua causa. Alguns escotomas se resolvem por si mesmos, enquanto outros podem chegar a necessitar de cirurgia.
Os escotomas às vezes são autorreversíveis e alguns necessitam cirurgia, na dependência das suas causas.
quinta-feira, 3 de março de 2016
Coriorretinite
A coriorretinite, ou retinocoroidite, é um processo inflamatório que envolve o trato uveal do olho. A úvea, por sua vez, é constituída por três estruturas: a íris, o corpo ciliar e a coroide. A íris é o anel colorido que circunda a pupila, esta abre e fecha como as lentes de uma máquina fotográfica. O corpo ciliar é o conjunto de músculos que controlam o cristalino para que o olho possa enfocar os objetos próximos ou distantes. A coroide é o revestimento interno do olho, que se estende desde a margem dos músculos ciliares até o nervo óptico, localizado na parte posterior do olho.
As inflamações muitas vezes são classificadas de acordo com o compartimento onde elas predominam: uveíte, coroidite, retinite.
A coriorretinite geralmente é causada por infecções congênitas e, portanto, presente no recém-nascido, embora haja outras adquiridas. Podem ser de natureza viral, bacteriana, por toxoplasma ou citomegalovírus. As infecções fúngicas também foram descritas, mas são raras. Em casos ainda mais raros, a coriorretinite é parte de um processo não infeccioso.
Várias doenças infecciosas emergentes, como a dengue, a febre Zika e o vírus Chikungunya têm sido reconhecidas como causadoras de doenças oculares, incluindo coriorretinite. Pacientes imunodeprimidos são mais sujeitos à coriorretinite, as crianças e os idosos também podem estar em risco porque seus sistemas imunológicos podem não ser capazes de lutar contra a infecção.
A coriorretinite adquirida ocorre em qualquer idade, dependendo da doença subjacente. Fora do período neonatal, a coriorretinite pode ser diagnosticada em diversas condições clínicas e pode refletir doenças recém-adquiridas ou reativação de doenças mais antigas. A extensão de envolvimento ocular pode variar muito sendo focal, extensa, uni ou bilateral.
Coriorretinites exsudativas ou uveítes podem ser encontradas em pacientes contaminados com Toxoplasma gondii. A única grande lesão de coroide com a inflamação extensiva ou endoftalmite é observada em pacientes com Toxocara canis, enquanto a ceratite intersticial ou irite é mais comum em pacientes com Treponema pallidum.
O estrabismo e a atrofia óptica podem acompanhar a coriorretinite causada por citomegalovírus. Ao contrário da infecção congênita por toxoplasma, a retinite causada pelo citomegalovírus não progride. As infecções congênitas disseminadas tais como citomegalovírus e a toxoplasmose também podem se manifestar com achados extraoculares, tais como retardo do crescimento intrauterino, microcefalia, microftalmia, catarata, uveíte, defeitos auditivos, osteomielite, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, eritropoiese dérmica, cardite e anomalia cardíaca congênita. Os pacientes com coriorretinite tendem a experimentar visão borrada e manchas pretas em sua visão.
A coriorretinite pode ser diagnosticada com uma boa história clínica e um exame físico oftalmológico. Outros exames também podem ser realizados para determinar qual é o agente infeccioso responsável pela coriorretinite, porque isto pode influenciar a escolha dos medicamentos usados no tratamento. O tratamento envolve a administração de antibióticos para exterminar a infecção bacteriana, quando presente, e corticosteroides para reduzir a inflamação. Se a coriorretinite for uma complicação de outra doença, o tratamento também deve envolver essas condições.
Em muitos casos, o paciente experimenta uma recuperação completa, sem problemas de visão duradouros. Em outros, a cicatrização pode ocorrer, provocando manchas ou visão turva de longo prazo, especialmente se a inflamação atingiu a mácula. A coriorretinite associada a infecções virais congênitas, como o citomegalovírus, por exemplo, tende a ser estável ou melhorar na infância, enquanto a coriorretinite associada à toxoplasmose congênita progride durante anos após o nascimento e é mais provável que seja clinicamente significativa numa idade mais avançada.
Se deixada sem tratamento, a coriorretinite grave pode resultar na perda parcial ou total de visão no olho afetado. O prognóstico da coriorretinite devido a infecções congênitas depende da etiologia. A mortalidade devido à coriorretinite depende da natureza e da progressão da doença subjacente.
A coriorretinite pode causar complicações de longo prazo, incluindo uma cicatrização que interfere com a visão. Se a coriorretinite atingir a mácula, o paciente pode ter problemas graves de visão e mesmo cegueira.
sábado, 10 de outubro de 2015
Catarata
O globo ocular tem o formato de uma esfera e é constituído de três camadas: esclera, coroide e retina. A imagem 1 mostra um olho normal. Ele é protegido pelas pálpebras, pregas dotadas de movimento que permitem abrir e fechar os olhos e na borda das quais estão os cílios. A íris contém pigmentos que dão cor aos olhos (azul, neste caso) e cuja abertura central é a pupila ou “menina do olho”, por onde entram os raios luminosos. A esclera ou “branco do olho” consiste numa camada dura e fibrosa, recoberta por uma membrana transparente chamada conjuntiva, que também reveste a face interna das pálpebras. A córnea é uma camada também transparente e de curvatura acentuada que se situa na frente do olho.
Ainda na imagem 1, um corte longitudinal deixa ver o cristalino, lente natural por onde passam os raios luminosos que entram pela íris, e que tem a propriedade de fazê-los convergir em direção à mácula situada na retina, a parte posterior da câmara do olho. Na retina, há neurônios capazes de captar os estímulos luminosos e enviá-los pelo nervo ótico até o cérebro, mais especificamente até o lobo ocipital, que é considerado o centro da visão, uma das maiores maravilhas da natureza.
A imagem chega invertida na retina, menor do que o objeto observado e é decomposta em vários traços que caminham através de circuitos especiais pelo nervo ótico: os horizontais por determinados neurônios, verticais e circulares por outros. No cérebro, ela é reconstituída e só então ficamos sabendo se vimos uma criança, uma planta ou um cachorro.
Catarata é um tipo de lesão ocular que pode prejudicar muito a visão, porque o cristalino, que deveria ser bem permeável à passagem da luz, torna-se opaco. Como consequência, os raios luminosos não chegam à retina onde estão os receptores fotossensíveis. Catarata tem tratamento e seus portadores podem voltar a enxergar.
Amaryllis Avakian é médica e coordena o Setor de Catarata do Departamento de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Retinopatia hipertensiva
A retinopatia hipertensiva é um dano à vascularização da retina causado pela hipertensão arterial.
A hipertensão arterial é responsável por alterações na vascularização de vários órgãos, inclusive na retina e, nessa última, pode afetar a visão.
A retinopatia hipertensiva é consequência da pressão arterial elevada, aguda ou cronicamente.
A hipertensão arterial aguda causa uma vasoconstrição geralmente reversível dos vasos sanguíneos retinianos e pode levar ao edema da mácula.
A hipertensão arterial branda ou moderada pode estar presente por vários anos sem manifestar qualquer alteração da visão e apenas apresentar alterações discretas das arteríolas retinianas.
As hipertensões mais prolongadas e severas levam a alterações vasculares exsudativas, com consequentes danos endoteliais e necrose.
Outras alterações dos vasos sanguíneos da retina como, por exemplo, espessamento da parede das arteríolas e rompimentos ou obstruções delas ou das vênulas (pequenas veias) só se manifestam depois de anos de pressão arterial elevada.
Associada à diabetes mellitus, a hipertensão aumenta muito o risco de perda da visão. O fumo é outro fator adverso e favorecedor da retinopatia hipertensiva.
Os pacientes com retinopatia hipertensiva geralmente têm também outros órgãos afetados, como coração e rins, por exemplo.
Os sintomas da retinopatia hipertensiva só se desenvolvem tardiamente e os principais são visão borrada e/ou alterações do campo visual.
Nas fases iniciais da retinopatia hipertensiva, o exame de fundo de olho identifica constrição arteriolar e uma menor extensão da área de suprimento das arteríolas retinianas.
A hipertensão arterial crônica, mal controlada, pode causar um estreitamento permanente das artérias retinianas, anormalidades arteriovenosas, arteriosclerose, modificações moderadas ou severas das paredes vasculares com hiperplasia e espessamento delas.
Às vezes pode ocorrer oclusão vascular total, precedida por um estreitamento das arteríolas.
Se a hipertensão aguda for severa, podem surgir hemorragias, isquemias, exsudatos retinianos e edemas da mácula.
O diagnóstico de retinopatia hipertensiva é feito a partir da história médica do paciente que leve em conta a duração e a severidade da hipertensão arterial, complementada pelo exame de fundo de olho, que exibe sinais mais ou menos típicos.
Não há cura para a retinopatia hipertensiva.
O tratamento consiste primariamente em controlar a hipertensão arterial sistêmica.
Se ocorrer déficit da visão, pode ser feito um tratamento do edema retiniano com laser ou com injeção de corticoides no interior do vítreo, visando paralisar o processo.
Os pacientes com hipertensão arterial devem fazer exames de fundo de olho regularmente, pelo menos uma vez por ano, com o objetivo de detectar e combater precocemente as alterações vasculares retinianas.
Os níveis pressóricos devem se manter bem controlados, em associação com a prática de exercícios físicos e alimentação balanceada.
Na medida em que o processo hipertensivo progride, podem surgir oclusões arteriais ou venosas, hemorragias e regiões de infartos da retina. Embora não haja cura para a retinopatia hipertensiva, existem formas de frear sua evolução e mesmo recuperar parte dos danos.
A complicação mais temível da retinopatia hipertensiva é a cegueira total, mas pode haver também prejuízos parciais da visão, visão borrada e estreitamento do campo visual.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Nova tecnologia para os olhos
Talvez você esteja lendo estas palavras através de um óculos ou de uma lente.
Contudo, no que depender dos canadenses da Ocumetics, você não vai mais precisar dessa ajudinha.
A empresa afirma estar desenvolvendo um dispositivo que deverá ser implantado no olho e não só vai corrigir qualquer problema de visão, como também torná-la melhor, superior à visão humana padrão.
De acordo com a CBC, a Ocumetics Bionic Lens pode ser implantada no olho em uma micro cirurgia de 8 minutos.
O material do dispositivo não afeta a fisiologia do olho e torna a visão cerca de três vezes melhor.
Uma placa que uma visão saudável não enxerga a 10 metros, ficará nítida a 30 metros de distância, por exemplo.
O "gadget" promete ainda acabar com os sintomas de dores de cabeça e desconforto enfrentados por muita gente ao assistir a filmes 3D.
Qual é a mágica por trás disso?
A Ocumetics não detalha a tecnologia por trás de seu produto, mas afirma que está pronta para iniciar testes em animais e estima que o dispositivo esteja disponível comercialmente já em 2017.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Gonioscopia
Gonioscopia é um exame usado pelos oftalmologistas para ajudar no diagnóstico e no acompanhamento de algumas enfermidades oculares, principalmente o glaucoma.
Esse exame ajuda a avaliar o ângulo da câmara anterior dos olhos, a íris e a superfície do cristalino usando lentes de aumento, colocadas em contato com a córnea.
Ele também determinará se o glaucoma já está instalado e qual é o seu tipo, orientando o diagnóstico e o tratamento específicos para cada um.
A gonioscopia não analisa somente o glaucoma, apesar de esta ser sua função mais comum.
Ela também é utilizada para verificar outras anormalidades oculares, como tumores, cistos, aderências da íris ou algum possível trauma nos olhos.
Para realização do exame o paciente deve remover eventuais lentes de contato que esteja utilizando.
Serão usados dois colírios, um deles anestésico e outro gelatinoso, que embaça a visão.
Nenhum colírio para dilatação pupilar deve ser usado antes ou durante a gonioscopia.
O exame deve ser realizado em condição de luminosidade adequada, determinada pelo oftalmologista.
Em seguida, o paciente será posicionado em frente ao gonioscópio, um aparelho constituído por uma lente em forma de um cone truncado, que contém um espelho inclinado, e que é combinado com uma lâmpada de fenda, permitindo o estudo do ângulo formado entre a íris e a córnea.
Usando uma substância gelatinosa o médico coloca esse aparato em contato com a córnea do paciente, que precisa manter o seu olhar fixo, e examina o interior da câmara anterior do olho, verificando o ângulo anterior, onde a íris e a córnea se encontram.
O paciente deve comparecer ao exame acompanhado de outra pessoa, porque poderá ter dificuldade em enxergar com nitidez por umas duas horas após o exame, em razão dos colírios que deverá usar, os quais embaçam a visão.
O exame causa algum desconforto e deverá ser feito com fixação do olhar, o que faz com que seja algo difícil de ser realizado em crianças pequenas e em adultos pouco colaborativos.
A gonioscopia é indispensável para o diagnóstico e seguimento do glaucoma, basicamente para diferenciar casos de glaucomas de ângulo estreito de casos de glaucomas de ângulo aberto.
É pelo ângulo da câmara anterior do olho que é drenado o humor aquoso, líquido que preenche a câmara anterior do olho e cujo acúmulo leva ao glaucoma.
A gonioscopia também pode ser usada para diagnosticar cistos, aderências ou tumores da íris e corpo ciliar, além de ser indicada em pós-operatório de cirurgias intraoculares e no acompanhamento de lesões traumáticas dos olhos.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Síndrome de Sjögren
A síndrome de Sjögren é uma desordem crônica do sistema imunológico em que as células do sistema imune destroem as glândulas salivares e lacrimais, resultando em diminuição da produção de lágrimas e saliva.
Muitas vezes ela acompanha outras desordens do sistema imune, tal como artrite reumatoide e lúpus eritematoso.
A síndrome de Sjögren é uma desordem autoimune. Isso significa que o sistema imunológico ataca erroneamente as células e tecidos do próprio corpo.
Não se sabe ao certo o motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem a síndrome de Sjögren e outras não.
Certos genes parecem colocar algumas pessoas em alto risco de contrair a doença, mas verifica-se que um mecanismo de disparo, como uma infecção, por exemplo, é necessário para produzir esta condição.
Embora qualquer pessoa possa desenvolver a síndrome de Sjögren, ela normalmente ocorre em pessoas com um ou mais fatores de risco conhecidos.
Ela incide mais em pessoas com mais de 40 anos.
As mulheres são muito mais propensas a esta doença que os homens.
É comum que as pessoas que tenham a síndrome de Sjögren também tenham uma doença reumática, como a artrite reumatoide ou o lúpus eritematoso, por exemplo.
O alvo principal da síndrome de Sjögren são as glândulas da boca, secretoras de umidade, mas ela também pode danificar outras partes do corpo, como as articulações, a tireoide, os rins, o fígado, os pulmões, pele e nervos.
Normalmente, a síndrome é identificada por seus dois sintomas mais comuns:
1.Olhos secos, como se houvesse areia neles.
2.Boca seca, dificultando a deglutição e a fala.
Outros sintomas podem estar presentes como dores articulares, secura vaginal, vergões na pele, pele seca, tosse seca e fadiga.
A síndrome de Sjögren pode ser difícil de diagnosticar porque os sinais e sintomas variam de pessoa para pessoa e podem ser semelhantes aos causados por outras doenças.
Os efeitos secundários de alguns medicamentos também podem imitar sinais e sintomas desta patologia.
Os exames de sangue podem ajudar o médico a avaliar os níveis de diferentes tipos de células sanguíneas, a detectar a presença de anticorpos comuns na síndrome de Sjögren e de condições inflamatórias, assim como problemas no fígado ou nos rins.
Em um exame oftalmológico, o médico pode medir a secura dos olhos, usar uma lâmpada de fenda ou dilatar as pupilas para um exame mais acurado.
Para avaliar a saliva pode ser solicitado um sialograma ou uma cintilografia salivar.
Por último, o médico pode ver a necessidade de se fazer uma biópsia.
Como a síndrome de Sjögren não tem cura, o tratamento visa aliviar os sintomas. Muitas pessoas podem gerenciar o olho seco e a boca seca usando colírios ou lágrimas artificiais, além de fazer uma hidratação mais intensa ingerindo água em abundância.
Podem ser usados medicamentos para aumentar a produção de saliva.
Se ocorrem complicações como artrite ou infecções secundárias, outros medicamentos podem ser necessários.
Às vezes são prescritas medicações que suprimem o sistema imunológico.
Algumas pessoas podem precisar até mesmo de cirurgia, mas ela só estará indicada em poucos casos, para selar os canais lacrimais que drenam as lágrimas.
Alternativamente, o médico pode usar um laser para selar permanentemente os canais lacrimais.
As complicações mais comuns da síndrome de Sjögren são cáries dentárias frequentes, infecções fúngicas e problemas de visão.
Complicações menos comuns podem afetar os pulmões, rins ou fígado.
Uma pequena porcentagem de pessoas com síndrome de Sjögren desenvolve câncer dos gânglios linfáticos (linfoma).
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Ptose palpebral
A ptose palpebral é a queda uni ou bilateral da pálpebra superior a partir de sua posição normal.
Com isso, a pálpebra superior encontra-se constantemente cobrindo o olho mais do que o normal. Além do comprometimento estético, a ptose palpebral pode diminuir o campo de visão.
A ptose palpebral pode ser congênita ou adquirida.
A ptose palpebral congênita, em que a criança já nasce com ela, é, em geral, a uma distrofia do músculo elevador da pálpebra ou a uma paralisia do nervo.
A ptose palpebral adquirida, em que a queda da pálpebra ocorre após o nascimento, pode dever-se a um processo evolucional ou senil, a miopatias diversas, inclusive miastenia gravis ou, ainda, ter origem neurogênica, traumática ou mecânica.
A causa mais comum da ptose palpebral é a desinserção do tendão do músculo elevador da pálpebra da calha tarsal. Isso faz com que toda a pálpebra caia, mas o movimento da pálpebra fica preservado.
A ptose pode também resultar de uma atividade reduzida dos músculos que elevam as pálpebras.
Os sinais e sintomas da ptose palpebral dependem da intensidade da queda da pálpebra e ela tanto pode ser assintomática como causar dificuldades visuais, peso sobre os olhos e ambliopia (olho preguiçoso).
Frequentemente o paciente é levado a adotar uma posição anômala da cabeça na tentativa de enxergar melhor e muitas vezes tenta compensar a queda da pálpebra por meio da contração da musculatura frontal, elevando os supercílios e produzindo sulcos horizontais na fronte e/ou testa.
Quando a pálpebra fica abaixo da pupila, a ptose palpebral pode impedir a integridade da visão. A ptose involucional ou senil ocorre principalmente a partir dos 60 anos de idade.
Muitos casos de ptose podem ser diagnosticados clinicamente. Vários sinais e manobras são utilizados pelo especialista para reconhecer o tipo de ptose.
Contudo, os exames de imagens são importantes para detectar patologias que possam estar associadas ao quadro, como aneurismas, tumores ou outras anormalidades estruturais.
Exames de sangue ou biópsias musculares podem ser úteis, dependendo dos sintomas adicionais.
Deve-se avaliar também o tipo de evolução, já que ela pode ajudar a esclarecer o tipo de ptose.
O tratamento depende da sua causa.
Muitas vezes a ptose melhora com o tratamento das condições subjacentes.
Quando a ptose palpebral não é uma manifestação transitória, o tratamento é cirúrgico e pode ser feito por motivos estéticos, funcionais (quando há interferência na visão do paciente), ou por ambos, o que é mais comum.
A cirurgia palpebral nos adultos é realizada sob anestesia local.
Na ptose palpebral congênita, a cirurgia deve ser realizada precocemente quando existir risco de ambliopia devido à queda acentuada da pálpebra.
Normalmente, o pós-operatório da correção da ptose palpebral é muito simples.
A correção cirúrgica está contraindicada nos casos em que a ptose for transitória, devida a doenças sistêmicas.
As ptoses palpebrais secundárias a enfermidades sistêmicas normalmente cedem quando estas são curadas. As correções cirúrgicas geralmente são bem sucedidas. Outras podem não ter correções.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Miopia
Uma visão normal depende, dentre outros fatores, de que as estruturas do olho façam os raios luminosos captados no exterior convergirem exatamente sobre os pontos sensíveis da retina.
A miopia (ou hipometropia) é um dos mais frequentes distúrbios de refração visual. Ela faz com que a imagem dos objetos focalizados seja formada à frente da retina, seja por uma menor distância focal do cristalino, seja por um alongamento anormal do olho ou por uma curvatura anormal da córnea, o que faz com que a pessoa míope veja os objetos distantes como se estivessem embaçados (desfocados), embora os mais próximos possam ser vistos com melhor nitidez.
A pessoa míope enxerga melhor de perto do que de longe. Por isso é comum que ela procure aproximar dos olhos aqueles objetos que deseja visualizar ou contraia os olhos na tentativa de ver com mais clareza. A palavra “miopia” vem do grego e significa "olho fechado", numa alusão a esta atitude das pessoas míopes de apertar os olhos para enxergar melhor à distância.
Ela afeta igualmente homens e mulheres. Alguns especialistas acreditam que as causas mais comuns da miopia são ambientais e, raramente, genéticas, mas há quem discorde. Parece provável que a miopia seja o resultado de uma complementariedade entre esses fatores. Durante o crescimento, os vários fatores que afetam o estado refrativo do olho combinam-se para que o resultado final seja a emetropia (estado do olho que forma as imagens corretamente sobre a retina). Contudo, parece fora de dúvidas que prolongados períodos de leitura e a deficiência de luz solar podem facilitar a ocorrência da miopia. Também há evidências que essa exposição aos raios solares estimula a produção de dopamina que inibe o alongamento da esfera ocular. Duas a três horas diárias ao ar livre seriam o suficiente para prevenir esse efeito.
Outros fatores que têm sido apontados como favorecedores da miopia são:
• Uma dieta rica em hidratos de carbono.
• Má iluminação.
• Estresse.
• Dormir muito.
A miopia em pessoas idosas parecer ser devido a uma alteração do índice de refração do cristalino. Trata-se de um caso de catarata incipiente em que o cristalino ainda se mantém transparente.
A pessoa míope se queixa de má visão ao longe, enquanto que a visão de perto se conserva normal.
Se um indivíduo tem muitos graus de miopia, mesmo para ver bem de perto tem que aproximar-se muito daquilo que deseja ver, um fato que se torna muito incômodo para ele. No ambiente caseiro, aquela dificuldade de enxergar pode aparecer como uma dificuldade para ver televisão, ler ou executar outras tarefas cotidianas. Na escola, muitos alunos podem apresentar baixo rendimento nos estudos devido às suas dificuldades de enxergar bem, antes que sejam diagnosticados como míopes.
Outros sintomas das pessoas míopes, além da visão turva, são o constante pestanejar, dores de cabeça e tensão ocular. O fato de cerrar os olhos para verem ao longe parece melhorar um pouco a acuidade visual delas.
Na maioria dos casos, os olhos com miopia são saudáveis, mas um pequeno número de pessoas com miopia grave pode desenvolver uma forma de degeneração da retina, glaucoma ou catarata.
A princípio, o médico diagnostica a miopia a partir das queixas do paciente e confirma o diagnóstico por meio de um autorrefrator ou de um retinoscópio, que permite uma avaliação objetiva do olho.
Em seguida pode ainda se valer de instrumentos mais sofisticados que, além de constatar a miopia, indicam o seu grau, medido em dioptrias. Isso é necessário para refinar a prescrição de óculos ou lentes de contato que o oftalmologista fará ao paciente.
Na maioria das vezes, o oftalmologista irá prescrever lentes divergentes que joguem mais para frente a formação de imagens, fazendo-as coincidir com a retina. Estas lentes podem vir sob a forma de óculos ou lentes de contato. Alguns casos de miopia podem ser corrigidos por cirurgia, mas isso é mais raro. A cirurgia visa melhorar o foco do olho “reformando” a porção central da córnea.
Outros procedimentos técnicos podem ser utilizados, de acordo com avaliação especializada, mas só devem ser usados em casos específicos porque, de um modo geral, significam abandonar uma técnica simples por outra mais complexa. Defensores de terapias alternativas recomendam exercícios para os olhos e técnicas de relaxamento. Entretanto, a eficácia destas práticas é contestada por cientistas.
Não há como prevenir as miopias relacionadas a fatores genéticos.
Algumas medidas, se não podem prevenir a miopia, podem tornar mais lenta a sua progressão, como reduzir o esforço para focalizar objetos, usar óculos de leitura, relaxar os músculos ciliares, etc.
A luz do dia pode prevenir a miopia, restringindo o crescimento do globo ocular, que é responsável pela miopia.
A Associação Americana de Optometria refere-se a estudos que indicam a eficácia das lentes bifocais como o método de controle da miopia, mas outros estudos não mostraram diferenças significativas na alteração da progressão da miopia com o uso dessas lentes.
Nas correções cirúrgicas, um dos possíveis perigos é a infecção.
Nas correções por lentes de contato, as complicações possíveis são as ulcerações e/ou infecções na córnea.
Em casos raros, as pessoas com miopia grave não tratada podem desenvolver descolamento da retina, glaucoma, catarata ou degeneração macular.
sábado, 30 de junho de 2012
Colírios com corticóides podem causar problemas
Os corticoesteróides são medicamentos antiinflamatórios potentes usados em diversas doenças como artrite reumatóide e outras doenças reumáticas, asma e outras doenças pulmonares, alergias, inflamações diversas, transplantes e após algumas cirurgias. Os corticóides mais usados na práticas médica são prednisona, prednisolona, hidrocortisona, dexametasona, metilprednisolona e beclometasona (via inalatória).
Em oftalmologia também são medicamentos muito usados em quadros como uveítes, em algumas conjuntivites e em pós operatórios. Em oftalmologia, os corticóides utilizados na forma de colírios são a prednisolona e a dexametasona.
Esses medicamentos são muito potentes e para certas doenças são a melhor e as vezes única opção de tratamento mas também apresentam muitos e importantes efeitos colaterais
No olho dois desses efeitos colaterais são muito importantes: catarata e glaucoma.
A catarata é uma doença que causa diminuição progressiva da visão e necessita de cirurgia para sua correção. Os corticóides podem causar um tipo de catarata chamada subcapsular posterior que é uma catarata de progressão rápida.
Tanto os corticóides usados por via oral, usados por via nasal (spray nasal para asma ou bronquite) ou como forma de colírios podem causar a catarata.
O glaucoma é uma doença que apresenta aumento da pressão ocular e lesa o nervo óptico causando uma cegueira irreversível se a pressão não for tratada. O uso dos corticóides causa aumento da pressão ocular podendo levar ao glaucoma. Muitas vezes a pressão ocular volta ao normal após o paciente interromper o uso dos corticóides mas em raros casos a pressão ocular pode continuar elevada, necessitando o uso de alguns colírios específicos para abaixar e controlar a pressão ocular.
Da mesma forma que na catarata, todas as formas de administração dos corticóides (oral, spray nasal e colírios) podem aumentar a pressão ocular.
Vale ressaltar que só algumas pessoas vão apresentar esses efeitos colaterais e que esses efeitos dependem do tempo de uso e da dosagem usada. Quanto mais tempo usar, mais chance de desenvolver esses efeitos colaterais.
Caso você use corticoesteróides, não interrompa o uso sem antes conversar com seu médico. Mas converse com ele sobre esses possíveis efeitos colaterais (que ele logicamente sabe que existem) e veja se há outra medicação que possa ser usada.
E o mais importante: Não pratique automedicação. Diversos colírios usados popularmente contém corticóides e podem fazer mais mal do que bem.
Os corticoesteróides tem muitos outros efeitos colaterais sistêmicos (em outros órgãos que não o olho). Já disse que esses medicamentos quando usados por via oral ou spray nasal podem causar os efeitos colaterais no olho mas o contrário é muito difícil de acontecer. Ou seja, usar colírios de corticóides dificilmente causarão efeitos colaterais sistêmicos.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Conjuntivites
Conjuntivite é uma inflamação da membrana transparente e fina que reveste o branco dos olhos e o interior das pálpebras (conjuntiva). Pode atacar um só ou ambos os olhos ao mesmo tempo e durar, em média, de três a quinze dias. Normalmente, cura sem deixar sequelas.
Ela pode ser causada por fatores alérgicos, irritativos ou infecciosos e cada um deles necessita de um tratamento específico.
A conjuntivite alérgica ocorre nas pessoas que sofrem de outras alergias como rinite ou bronquite.
A conjuntivite irritativa pode dar-se pelo contato direto dos olhos com alguma substância irritante (fumaça, produtos de limpeza, poluentes industriais, etc.).
A conjuntivite infecciosa é transmitida por vírus, fungos ou bactérias. Quando infecciosa, ela é altamente contagiante, sendo comuns casos simultâneos em uma mesma residência, colégio ou local de trabalho.
Das infecciosas, a mais comum é a de origem viral.
Estar em companhia de pessoas infectadas, em ambientes fechados, o uso comum de objetos, o contato direto com pessoas contaminadas ou mesmo a água da piscina são fatores que favorecem a contração da conjuntivite infecciosa.
As mãos são os vetores mais comuns na transmissão das conjuntivites infecciosas.
As conjuntivites alérgicas ou irritativas dependem de contatos com alérgenos ou fatores irritativos, respectivamente.
Quando se observa uma pessoa com conjuntivite, nota-se que o olho está avermelhado, inchado, lacrimejante, pruriginoso (coçando) e, às vezes, com secreção - e a pessoa tem a sensação de que há um corpo estranho no olho.
As conjuntivites alérgicas e irritativas geralmente afetam os dois olhos ao mesmo tempo.
As irritativas são episódicas e as alérgicas têm períodos de melhorias e reincidências. Ela é benigna por não envolver a córnea e ocorre geralmente em regiões ou épocas mais frias.
A conjuntivite por infecção geralmente começa por um dos olhos podendo, subsequentemente, afetar também o outro e este fato é muito comum. Nas infecções bacterianas há secreção purulenta que se acumula no canto dos olhos ou mesmo em toda área dos olhos.
O diagnóstico das conjuntivites e a determinação de seu tipo são realizados pelas características clínicas.
A presença ou não de secreção e seu aspecto são fatores que indicam o tipo das conjuntivites.
Nas que ocorrem por alergia ou irritação, a secreção tende a ser clara. Na conjuntivite viral, há mais lacrimejamento do que secreção.
No caso de conjuntivite bacteriana, a secreção geralmente é purulenta e acumula no canto dos olhos.
Consulte um oftalmologista antes de usar qualquer colírio nos olhos.
As conjuntivites bacterianas devem ser tratadas com antibióticos tópicos de amplo espectro.
Para as conjuntivites virais, o tratamento consiste na utilização de compressas frias, vasoconstritores tópicos e lágrimas artificiais.
As conjuntivites alérgicas devem ser tratadas com anti-histamínicos e estabilizadores de mastócitos. Deve-se evitar o contato com os alérgenos ou fatores irritativos.
NUNCA use colírio com corticosteróides sem orientação médica.
Para evitar as conjuntivites deve-se:
• Lavar frequentemente as mãos.
• Evitar as aglomerações.
• Não frequentar piscinas ou praias.
• Não coçar os olhos.
• Trocar com frequência as toalhas e os sabonetes ou usar toalhas de papel.
• Trocar diariamente as fronhas dos travesseiros.
• Não compartilhar o uso de instrumentos ou maquiagem.
• Evitar o contato direto com outras pessoas contaminadas.
• Não ficar em ambientes onde haja bebês e não colocá-los muito próximos ao amamentar.
Quais os cuidados a serem tomados se eu estiver com conjuntivite?
• Não usar lentes de contato.
• Não frequentar aglomerações, nem piscinas ou praias.
• Evitar a luminosidade intensa, pois essa pode fazer com que o olho contaminado venha a doer mais.
• A água boricada NÃO deve ser usada.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Olho seco
O olho seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou deficiência em alguns de seus componentes.
Os sintomas são de ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, dificuldade para ficar em lugares com ar condicionado ou em frente ao computador e olhos embaçados ao final do dia.
Estima-se que cerca de 10% da população adulta apresente sintomas ou sinais de olho seco. A maioria dos casos está ligada à diminuição da produção lacrimal associada ao envelhecimento e alterações hormonais que ocorrem na menopausa e andropausa. Olho seco também pode estar relacionado a trauma (queimaduras térmica e química), doenças reumatológicas, algunsmedicamentos, uso de lentes de contato e outras doenças do sistema imunológico. Os sintomas podem piorar quando há exposição a determinadas condições do meio ambiente (poluição, ar condicionado e computador).
O diagnóstico é baseado na combinação das informações do paciente, exame oftalmológico e dos resultados de um ou mais testes. É importante que os testes sejam realizados numa seqüência lógica para minimizar alterações nos testes subseqüentes.
R.Holzchuh em colaboração de oftalmologistas do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, analisam a influência do tratamento feito com a oclusão parcial punctal térmica na superfície ocular do olho seco relacionados com a síndrome de Sjögren.
Trinta e sete olhos de 19 pacientes (3 do sexo masculino e 16 do sexo feminino, 49,11 ± 14,33 anos de idade) com ceratoconjuntivite seca foram incluídos neste estudo. Superior e inferior
A oclusão parcial superior e inferior foram realizados em ambos os olhos sob anestesia tópica usando a ponta de cautério térmico.As avaliações foram antes e após 24 semanas e após 24 meses do procedimento. Todas as medições foram realizadas sob clima controlado.
Os valores médios dos testes melhoraram após 24 semanas e manteve-se estável após 24 meses mostrando ser um adequado tratatamento da sindrome do olho seco relacionado com a síndrome de Sjögren*.
* Síndrome de Sjögren ou síndrome de Goujerot-Sjögren é uma desordem autoimune na qual as células imunes atacam e destróem as glândulas exócrinas que produzem lágrimas e saliva. A condição recebe o nome em homenagem ao oftalmologista sueco Henrik Sjögren (1899-1986), primeira pessoa a descrevê-la. A síndrome é também associada com distúrbios reumáticos como a artrite reumatóide e é positiva para fator reumatóide em 90% dos casos. Os sintomas-chave da síndrome de Sjögren são a boca seca (xerostomia) e olhos secos. Além disso, a síndrome de Sjögren pode causar secura da pele, nariz e vagina, podendo afetar outros órgãos do corpo, incluindo os rins, vasos sanguíneos, pulmões, fígado, pâncreas e cérebro. Nove em cada dez pessoas com a síndrome são mulheres e a idade média de início da síndrome é o final da quarta década de vida. No entanto, a síndrome pode ocorrer em todos as faixas etárias e em ambos os sexos. Estima-se que atinja 4 milhões de pessoas nos Estados Unidos, sendo no país a segunda doença reumática auto-imune mais comum.
Fonte :: Curr Eye Res. 2011 Jun; 36 (6) :507-12
Assinar:
Postagens (Atom)
-
A cirurgia anti-refluxo pode ser convencional ou laparoscópica, ambas operações de fundoplicatura, que é uma técnica que modifica a regiã...
-
O Cymbalta (duloxetina) é um novo antidepressivo, fabricado pelo laboratório norte-americano Eli Lilly. Pertence a uma classe de drogas conh...
-
A Arginina parece ter algum efeito na redução da memória e capacidade de concentração, dificuldade de aprendizagem, fadiga, na astenia fí...



















