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domingo, 9 de abril de 2017
Doença de Osgood-Schlatter
A doença de Osgood-Schlatter (DOS) é uma das causas mais comuns de dor do joelho em adolescentes.
É comum em atletas jovens que praticam atividades que envolvem corrida, chutes e saltos.
O principal sintoma é dor no joelho, mais exatamente abaixo da patela que surge durante ou após a atividade física e, tipicamente, melhora com o repouso.
Os pacientes apresentam dor e edema no tubérculo tibial (sendo portanto uma doença extra-articular). Os movimentos do joelho não são afetados.
Em 1903, o ortopedista norte-americano Robert Osgood, e o cirurgião suíço Carl Schlatter, publicaram quase que simultaneamente trabalhos independentes que descreviam a possível patofisiologia da doença que foi batizada com seus nomes.
A DOS é uma apofisite, mais comumente diagnosticada em atletas jovens, ligados a esportes que envolvem corridas e saltos, tais como futebol, basketball, dança e ginástica.
Afeta geralmente meninos na faixa de 10-15 anos, e meninas entre 8-13 anos, coincidindo com estirão de crescimento.
Nesta fase, o crescimento ósseo é mais rápido do que o de tecidos moles, resultando em encurtamento muscular ao redor da articulação com perda da flexibilidade.
Sob estas circunstâncias, o stress mecânico da contração do quadríceps pode resultar em avulsão parcial do centro de ossificação.
Eventualmente ocorre formação óssea heterotópica no tendão próximo à sua inserção, produzindo uma calosidade visível. Aproximadamente 25% dos pacientes tem lesão bilateral.
A dor é geralmente a queixa principal. A dor pode ser reproduzida pela extensão do joelho contra resistência, ou agachamento com flexão total do joelho.
Correr, Saltar, ajoelhar e subir/descer escadas pioram a dor. Alívio dos sintomas ocorre com repouso.
Durante a inspeção pode-se observar a presença de edema sobre a tuberosidade tibial anterior, dor à palpação da tuberosidade tibial e tendão patelar podem estar presentes. A dor é reproduzida por extensão do joelho contra resistência.
A avaliação dos movimentos articulares é geralmente normal, alguns pacientes podem apresentar hipotrofia de quadríceps.
Existem algumas abordagens bastante úteis para o tratamento da DOS. Podem ser usados: Acupuntura, Hidroterapia, Bandagem Funcional e Eletroterapia.
No entanto, em meio a tantas possibilidades, três condutas são unanimidade: Repouso, Gelo e Alongamento.
Recomenda-se interromper, ou pelo menos reduzir as atividades físicas que causem dor por um período de 4-8 semanas, assim como crioterapia regular por 20 minutos várias vezes ao dia.
Se o repouso não for possível (talvez você esteja tratando um atleta de alto nível que NÃO pode ficar sem treinar por tanto tempo), então o recomendável é o uso de bandagem ou um "brace infrapatelar" durante o treinamento, assim como compressa de gelo durante 20 minutos imediatamente antes e imediatamente após a atividade física, além de prosseguir com a crioterapia várias vezes ao longo do dia. Naturalmente o paciente também deve fazer uso dos anti-inflamatórios prescritos pelo médico.
Um programa de alongamento de isquiotibiais, quadríceps e dos flexores de quadril deve ser iniciado.
O alongamento do quadríceps é essencial, visto que o aumento do seu comprimento muscular irá reduzir a tensão aplicada sobre a inserção do tendão patelar na tuberosidade tibial.
Estes alongamentos devem ser bilaterais para evitar desequilíbrio muscular e para prevenir o desenvolvimento da DOS no membro contralateral.
Ainda não há comprovação se energia muscular é superior a contrair-relaxar ou ao o estiramento mantido. Sendo assim, a escolha da técnica é do terapeuta.
Os objetivos iniciais do tratamento são o alívio da dor e da inflamação.
O retorno à atividade esportiva é avaliada de acordo com os testes funcionais, os quais podem e devem ser realizados periodicamente.
O uso de certas atividades específicas do esporte do paciente também são uma boa forma de avaliar a recuperação (atenção para avaliar de uma forma progressiva, do mais fácil para o mais difícil.
Ex: avaliar a presença de dor durante o salto de um jogador de Voley pedindo para o paciente saltar baixo, evoluindo para um salto alto e terminando com uma corrida seguida de salto simulando uma cortada. Se o paciente for capaz de realizar os testes funcionais e as atividades específicas com força total e de forma agressiva como tem de ser numa partida, sem medo de lesão ou dor, então o paciente já pode retornar totalmente aos treinos e mesmo competições.
sábado, 8 de abril de 2017
Síndrome de Wolff-Parkinson-White
A Síndrome de Woll-Parkinson-White uma doença congênita (de nascimento) em que há uma conexão elétrica adicional entre os átrios e os ventrículos. Os portadores dessa doença podem ter episódios de batimentos cardíacos extremamente acelerados.
A maioria sente palpitações, e alguns sentem fraqueza ou falta de ar.
O diagnóstico é estabelecido em função do eletrocardiograma.
Geralmente, os episódios podem ser interrompidos por técnicas que estimulam o nervo vago, reduzindo a frequência cardíaca.
A síndrome de Wolff-Parkinson-White é a mais frequente das diversas perturbações que implicam em uma condução atrioventricular adicional (acessória).
Essas perturbações denominam-se taquicardias supraventriculares por reentrada atrioventricular.
Essa via de condução adicional aumenta as possibilidades de ocorrência de taquiarritmias.
As arritmias que a alteração congênita provoca apresentam-se, geralmente, durante a segunda década de vida ou no início da terceira.
No entanto, as arritmias podem surgir durante o primeiro ano de vida ou depois dos 60 anos.
É uma causa frequente da taquicardia paroxística supraventricular.
Em ocasiões muito raras, essa síndrome provoca uma frequência cardíaca muito rápida e potencialmente fatal durante a fibrilação atrial.
Quando crianças apresentam arritmias devido a essa síndrome, podem apresentar dificuldades respiratórias, letargia, perda de apetite ou ter palpitações rápidas e visíveis no tórax. Pode causar, também, insuficiência cardíaca.
Quando adolescentes ou pessoas no início dos 20 anos têm, pela primeira vez, um episódio de arritmia devido a essa síndrome, ela se apresenta caracteristicamente como um episódio de palpitações de início súbito, geralmente durante atividade física.
O episódio pode durar apenas alguns segundos ou persistir por várias horas. Para a maioria das pessoas, a frequência cardíaca extremamente acelerada é desconfortável e muito angustiante. Algumas pessoas desmaiam.
Em idosos, episódios de taquicardia paroxística supraventricular causados pela síndrome de Wolff-Parkinson-White, tendem a produzir outros sintomas, como desmaios, falta de ar e dor torácica.
Como a síndrome de Wolff-Parkinson-White altera o padrão cardíaco de ativação elétrica, pode ser diagnosticada por eletrocardiograma, ao registrar a atividade elétrica do coração.
Muitas vezes, os episódios de taquicardia paroxística supraventricular devido à síndrome de Wolff-Parkinson-White podem desaparecer por meio de uma ou várias técnicas de estímulo do nervo vago, que estimulam o nervo vago, reduzindo a frequência cardíaca.
Essas técnicas são mais eficazes se efetuadas logo no início do episódio de arritmia. Se essas técnicas não produzirem o efeito esperado, medicamentos como verapamila ou adenosina são usados por via intravenosa para interromper a arritmia.
Os medicamentos antiarrítmicos devem continuar em uso por tempo indeterminado para evitar os episódios da aceleração da frequência cardíaca.
Nos bebês e nas crianças menores de 10 anos, a digoxina pode ser utilizada para interromper episódios de taquicardia paroxística supraventricular causados pela síndrome de Wolff-Parkinson-White.
Adultos com essa síndrome não devem, no entanto, usar digoxina, pois ela pode facilitar a condução pela via de condução elétrica adicional, aumentando as chances da fibrilação atrial se tornar um fibrilação ventricular.
Por essa razão, a administração da digoxina é geralmente suspensa em pessoas com essa síndrome antes de chegarem à puberdade.
A destruição da via de condução elétrica adicional por meio de ablação por radiofrequência (aplicação de energia em uma frequência específica por um cateter eletrodo inserido no coração) é eficaz em mais de 95% das pessoas.
O índice de mortalidade durante esse procedimento é inferior a 1 em 1.000.
A ablação (como se fosse uma retirada "cirúrgica") por radiofrequência é particularmente eficaz em jovens que, sem o procedimento, talvez precisem usar medicamentos antiarrítmicos por toda a vida.
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Dor miofascial
A dor fascial ou Síndrome Dolorosa Miofascial é uma síndrome caracterizada por dor muscular crônica desencadeada quando um ponto específico do corpo, chamado ponto gatilho, é pressionado. Essa é uma das causas mais comuns de dor musculoesquelética. Pontos gatilho são nódulos musculares ou na fáscia que desencadeiam, quando palpados, dor, endurecimento, pseudo-fraqueza e limitação de amplitude de movimento do músculo. A dor, bastante significativa, pode ser referida a um local à distância do ponto gatilho.
A fisiopatologia da dor miofascial ainda é um mistério. Acredita-se que os pontos gatilho podem se desenvolver a partir de microlesões musculares repetitivas, ou tensão excessiva sobre um determinado músculo ou grupo muscular, ligamento ou tendão, ou por todos esses fatores em conjunto. Parece que a lesão crônica acaba gerando o ponto gatilho que, por sua vez, causa a dor.
A dor pode também estar associada a condições como diabetes, doenças da tireoide, depressão, anemia, doenças reumatológicas e neurológicas, etc, ou ser desencadeada por bruxismo, distúrbios comportamentais ou do sono.
A dor miofascial pode ocorrer em ambos os sexos e é mais comumente observada em atletas e nas pessoas acima dos 30 anos de idade. Ocorre também em qualquer músculo ou fáscia e pode resultar em uma variedade de sintomas locais. Apesar de ser mais comum nas costas, ombros e pescoço, ela também pode aparecer em qualquer outra parte do corpo.
Geralmente, a dor muscular é profunda, em aperto, contínua, mal localizada sobre músculos ou articulações. Dependendo da intensidade e da localização dos pontos gatilho, pode variar desde uma dor leve até outra de forte intensidade. Ela tende a ser despertada ou se agravar com o exercício, embora possa ocorrer mesmo no repouso. Além disso, ocorre rigidez muscular no músculo dolorido, diminuição da amplitude de movimento, exacerbação da dor ao pressionar o ponto dolorido, contração do músculo ao realizar a palpação e alívio da dor ao realizar o alongamento do músculo.
Os nódulos dos pontos gatilho são muitas vezes palpáveis através da pele. A dor sentida pelo paciente pode ser experimentada em local diferente de onde está o ponto gerador (“gatilho”) devido ao fenômeno da dor referida. Além da dor, as pessoas com essa síndrome também podem sofrer de depressão, fadiga, distúrbios comportamentais e outras coisas mais, como em todas as condições de dor crônica.
O diagnóstico da dor miofascial é eminentemente clínico. O diagnóstico depende apenas da história clínica, da avaliação dos fatores causais e do achado dos pontos gatilho, com reprodução da dor ao exame físico.
A dor miofascial tem cura. O objetivo do tratamento não visa simplesmente o alívio da dor mas busca, além da analgesia, a diminuição do desconforto, a melhora da funcionalidade do paciente e da sua qualidade de vida. A tentativa de controle dos sintomas deve ser realizada com terapias farmacológicas (analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares), não farmacológicas (agulhamento, acupuntura, etc), alongamentos e técnicas de liberação miofascial que podem ser realizadas pela fisioterapia e reabilitação.
Além disso, os indivíduos podem também recorrer à crioterapia ou eletroterapia, ultrassonografia ou laser, massagens e auto-massagens. O músculo em causa deve ser mantido em repouso até a melhora total da dor.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Creatinofosfoquinase ou CPK
A Creatina Quinase (CK), Creatinofosfoquinase ou Creatina Fosfoquinase (CPK) é uma enzima presente em vários tecidos e tipos de célula.
A CK catalisa a conversão da creatina e consome trifosfato de adenosina (ATP) para criar fosfocreatina (PCr) e difosfato de adenosina (ADP).
Esta reação da enzima CK é reversível e, assim, o ATP pode ser gerado a partir de PCr e ADP.
Ou seja, é uma enzima, uma proteína envolvida com a geração de energia em nosso organismo.
Em tecidos e células que consomem ATP rapidamente (músculo esquelético, cérebro, fotorreceptores da retina, células ciliadas do ouvido interno, espermatozóides e músculo liso) a fotocreatina serve como um reservatório de energia para regeneração rápida in situ, bem como para transporte de energia intracelular pelo circuito PCr.
Isso torna essa enzima importante para esses tecidos.
Clinicamente, a Creatina quinase é usada em testes de sangue como um marcador do infarto do miocárdio, rabdomiólise, distrofia muscular, inflamações musculares autoimunes e falência renal aguda.
São várias as causas de CPK elevada, estando entre elas:
Miopatias (doenças musculares)
Esclerose Lateral Amiotrófica - Há um pequeno aumento nos níveis de CPK em pouco mais da metade dos casos;
Atrofia Muscular Espinhal - Pequena elevação em cerca de 30% dos casos;
Distrofia muscular de Duchenne - Os níveis de CPK podem estar 20 a 200 vezes acima do normal.
Exercício físico intenso (atletas, trabalhadores braçais). Após exercício físico, a CPK fica imediatamente elevada, podendo permanecer alterada por até 7 dias
Injeção intramuscular, acupuntura, eletromiografia de agulha
Alcoolismo Crônico
Traumas musculares
Uso de medicamentos como estatinas, clofibrato
Hipotireoidismo
Hipertermia Maligna
Acidente vascular cerebral (AVC)
Infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco)
Edema pulmonar
Trabalho de parto.
A CPK (creatinofosfoquinase) é encontrada em concentrações relativamente altas nos tecidos do coração, músculo esquelético e cérebro. Depois de alguma isquemia, lesão ou inflamação muscular, a CPK é liberada na corrente sanguínea, deixando os seus níveis elevados.
Entretanto, o exame de CPK serve principalmente para diagnosticar lesões e doenças da musculatura esquelética, além de infarto agudo do miocárdio.
terça-feira, 4 de abril de 2017
Psicoterapia
Psicoterapia (do grego: psykhē = mente + therapeuein = curar) é uma técnica de tratamento de problemas psicológicos, visando restabelecer o funcionamento psíquico ótimo do paciente e permitindo que ele compreenda as causas do que lhe aflige, para encontrar recursos psíquicos para lidar com as dificuldades, redefinir traços de personalidade e solucionar problemas pontuais e questões de cunho existencial mais geral.
O termo psicoterapia cobre um espectro muito amplo de campos de abrangência e de modalidades técnicas (psicoterapia individual, de casal, de grupo, psicoterapia breve, psicoterapia de crise, psicoterapia psicanalítica, psicoterapia comportamental-cognitiva e muitas outras). O texto a seguir se refere apenas ao processo bipessoal que se passa entre terapeuta e paciente.
Da psicoterapia deve-se diferenciar tanto uma boa relação médico/terapeuta-paciente como um diálogo exortativo que seja edificante e reconfortante. Conquanto essas coisas possam ter um papel útil e uma grande significação na melhoria dos pacientes, têm efeitos menos específicos que a psicoterapia.
Chamada às vezes de “cura pela fala”, a psicoterapia se baseia no diálogo entre o paciente e um profissional, tradicionalmente um psiquiatra ou psicólogo preparado para esse mister. Na linguagem usual costuma-se chamar de psicoterapia toda tentativa de resolver problemas por meio de conversa. A psicoterapia, porém, é um diálogo especial, com regras específicas, em que o bom senso não é um ingrediente suficiente.
Existem vários tipos de psicoterapia, cada qual com formas e métodos próprios, mas que, na média, possuem algumas características em comum.
Em geral a psicoterapia se processa em encontros regulares entre o terapeuta e o cliente, quase sempre uma vez por semana, com duração de cerca de 50 minutos cada sessão. De início deve ser feito um diagnóstico consensual do problema a ser enfrentado, que pode ou não comportar testagem psicológica, o qual pode sofrer modificações ao longo do processo.
Em seguida deve ser estabelecido um contrato verbal de trabalho em que fiquem explicitadas as condições em que o tratamento decorrerá: dias, horários, papeis do terapeuta e do paciente, honorários, admissão ou não de outras pessoas, etc. O desenvolvimento do trabalho psicoterapêutico propriamente obedece as linhas teóricas a que cada profissional esteja filiado e segue certas regras procedimentais gerais.
A psicoterapia é indicada para tratar problemas psicológicos que não tenham uma causação orgânica ostensiva, como depressões reacionais, ansiedade, comportamentos neuróticos e dificuldades de relacionamento, entre outros problemas de saúde mental. Mesmo pessoas tidas como “normais” podem se beneficiar de uma psicoterapia ao ampliar o autoconhecimento e adquirir novos parâmetros de pensamento.
É muito importante que o processo se dê por vontade do paciente e não de pessoas relacionadas a ele ou do terapeuta, casos em que ele não seria efetivo. Para que tenha êxito, a psicoterapia deve transcorrer num clima de ampla aceitação e moderada amistosidade, observadas algumas regras:
1.O psicoterapeuta nunca deve propor temas a serem discutidos nem iniciar uma fala. A iniciativa da conversa deve sempre caber ao paciente. No máximo, o psicoterapeuta pode suscitar um assunto que lhe pareça estranhamente ausente da conversação ou excessivamente presente. No entanto, ao fazer isso o profissional não estará cobrando uma mudança de atitude do paciente, mas assinalando um ponto que lhe parece significativo para que o paciente considere. Se ocorrer alguma mudança, ela deve ser de inteira iniciativa do paciente.
2.O psicoterapeuta irá assinalar incongruências, incoerências, lacunas e contradições na fala e no pensamento do paciente, às quais frequentemente não são percebidas por ele. Às vezes, o psicoterapeuta destacará e fará ênfase sobre algum elemento da própria fala do paciente que lhe pareça significativo para que ele reflita sobre ele. Nunca, no entanto, entrará em discussão verbal com o paciente, quer ele aceite ou não suas intervenções.
3.O psicoterapeuta nunca falará de si próprio, nem dará conselhos ou transmitirá experiências, evitando colocar-se na posição daquele que sabe mais que o paciente. A psicoterapia não deve converter-se numa espécie de ensinamento. O psicoterapeuta apenas aduzirá dados que lhe pareçam estar faltando, para que o paciente faça suas próprias conclusões.
4.O psicoterapeuta não fará anotações, a não ser de dados de identificação do paciente e datas de início e término do tratamento. Além de uma questão de segurança e sigilo, eventuais anotações apenas poderiam reproduzir dados, nunca o contexto emocional em que foram produzidos. O arquivo do psicoterapeuta é sua própria memória, razão pela qual ele deve ter, de cada vez, um número limitado de clientes.
5.O terapeuta nunca deve se colocar como modelo para o paciente, mas aceitar que ele seja uma pessoa diversa de si. Isso implica em não querer impor valores, concepções ou experiências de vida. O psicoterapeuta nunca fará apreciações de ordem moral nem crítica às escolhas e preferências do paciente, sejam elas quais forem. Esse é o chamado “princípio da neutralidade”.
A duração de uma psicoterapia é muito variável em função de fatores imponderáveis, como o grau de dificuldades do paciente em fazer mudanças, a severidade das questões a serem abordadas, as técnicas utilizadas, etc. Tudo que se pode dizer é que em geral a psicoterapia é um processo longo. Não é como tomar um antibiótico, em que os resultados já são notórios na semana seguinte.
O término de uma psicoterapia em geral deveria ser decidido em comum acordo entre o cliente e o profissional. O psicoterapeuta não deve insistir na continuidade do tratamento se o paciente demonstra uma decidida vontade de encerrá-lo, nem deve interrompê-lo por um ato de vontade unilateral. É essencial que o processo transcorra por vontade do paciente e não do terapeuta, caso em que ele não perdura e não é efetivo.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Osteogênese imperfeita
Osteogênese imperfeita, doença de Lobstein ou doença de Ekman-Lobstein é uma doença rara dos ossos (1:25.000), de origem genética e hereditária, em que os ossos ficam extremamente frágeis, sendo que muitas crianças já nascem mortas ou com fraturas devido às contrações uterinas e não sobrevivem por muito tempo.
Os pacientes com osteogênese imperfeita nascem sem uma proteína essencial à formação do colágeno dos ossos ou sem a capacidade de sintetizá-la. Uma vez que o colágeno é um importante componente estrutural dos ossos, estes se tornam anormalmente frágeis e quebradiços.
É uma enfermidade que apresenta distintos graus de gravidade, podendo ocorrer desde a forma gravíssima, que leva à morte do bebê ainda no útero materno, até formas leves, que só se manifestam mais tardiamente, como uma pequena diminuição da resistência óssea. A falta de colágeno não afeta apenas os ossos, mas altera muitas outras estruturas do corpo que utilizam essa proteína como, por exemplo, a pele e os vasos sanguíneos. No entanto, o sinal mais evidente da doença é a quebra fácil dos ossos.
Habitualmente, eles são tão frágeis que podem fraturar mesmo com uma pequena queda, pancada, esbarrão, ou, nos casos mais graves, com um simples movimento brusco do corpo. Existem até mesmo fraturas que ocorrem sem nenhuma causa aparente, somente com o peso ou trações do próprio corpo.
Nos portadores de osteogênese imperfeita, ocorre regeneração mais rápida do osso e encurtamento destes, além de angulações dos membros, resultando em crescimento anormal e atrofiado. Além disso, ocorrem sintomas como esclerótica ocular azulada, dentes acinzentados e frágeis, diminuição da acuidade auditiva, baixa estatura, encurvamento dos ossos, aumento da flexibilidade, sudorese aumentada e hipotonia muscular.
Em virtude dos diferentes graus de gravidade da doença, nem todos os pacientes possuem todas essas características. A doença já presente antes mesmo do nascimento representa maior gravidade do que aquela só diagnosticada na vida adulta. Em casos leves, pode ocorrer uma grande melhora dos sintomas durante a puberdade, porém, ocorre agravamento na menopausa.
O diagnóstico dessa doença pode ser feito ainda na gravidez, por meio da ecografia. Os casos muito ligeiros só vêm a ser detectados na adolescência ou ainda mais tarde. A confirmação diagnóstica é feita a partir de critérios clínicos e exames complementares, especialmente o estudo radiológico e da densitometria do esqueleto e dos marcadores do metabolismo ósseo e do colágeno.
O tratamento da fragilidade óssea é feito através de vários produtos, dentre os quais os bifosfonatos e a calcitonina se destacam, por inibirem a reabsorção óssea, mas os melhores efeitos são obtidos através da fisioterapia e da alimentação. As fraturas são tratadas de maneira habitual. Em alguns casos, pode ser necessária a cirurgia ortopédica. Porém, não há cura para essa doença.
As crianças que sobrevivem ao nascer, em geral já têm múltiplas fraturas e o crânio mole e quase sempre não sobrevivem por muito mais tempo. As que continuam vivendo, vão sofrendo durante a vida diversas fraturas e não crescem como as crianças sem a doença, tornando-se pequenas e deformadas. Porém, as capacidades mental e motora dessas pessoas não são alteradas.
Não há como prevenir a osteogênese imperfeita, mas pode-se minorar os efeito dela fazendo exercícios físicos orientados por fisioterapeutas, ingerindo alimentos naturais e saudáveis, evitando o consumo de álcool, alimentos gordurosos, cafeína e refrigerantes.
As formas gravíssimas podem causar a morte do bebê ainda no útero materno e as mais leves manifestam-se tardiamente, como uma pequena diminuição da resistência óssea. As formas intermediárias podem deixar sequelas ósseas irreversíveis e deformidades no esqueleto. Quando acontece fratura de crânio pode ocorrer lesão cerebral e morte.
sábado, 1 de abril de 2017
Quando uma criança começa a falar?
O momento em que a criança começa a falar é um dos marcos mais importantes do seu desenvolvimento. No entanto, a função da fala se instala gradativamente e com o seu desenvolvimento e aquisição de diferentes palavras a criança vai ganhando maior autonomia e vai deixando aos poucos de ser um bebê.
A fala é precedida pelo choro, como a primeira forma de comunicação tematizada do bebê. A mãe geralmente sabe quando ele chora por estar com fome, com frio ou com dor, sendo que, em cada caso, seu choro é diferente. Aos 3 meses, ocorrem os primeiros balbucios de sons, como ”aah!” e “ooh!”, seguidos por sílabas como “da-da”, “ma-ma”, que prenunciam as primeiras palavras e que são um enorme passo a caminho da socialização e da independência.
Por volta dos 7 meses, a criança já começa a articular “baba”, “papa” ou “mama”. A articulação de palavras integrais, propriamente, começa um pouco antes ou um pouco depois do primeiro aniversário. Ao fim de 12 meses, o bebê já pode estar articulando pelo menos quatro palavras, já compreende e responde uma ordem.
Ao término do segundo ano, é capaz de formar uma frase com duas ou três palavras e tem um vocabulário de cerca de 50 palavras. Aos 3 anos de idade, esse estoque verbal aumenta para 200 palavras e a criança já é capaz de manter uma conversação básica. Contudo, esses são apenas números médios e num caso particular podem ser um pouco maiores ou um pouco menores, sem que isso signifique problema. Muitas crianças normais falam um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde.
É importante estimular o bebê nas suas tentativas de falar, mas é igualmente importante não ser apressado. A fala ocorrerá naturalmente, sob o comando da natureza de cada criança. Depois de algum tempo, as crianças se igualam nessa função e falarão igualmente, quer tenham começado mais cedo ou mais tarde. Paralelamente, outras funções estão se desenvolvendo e colaboram com a fala, como a coordenação motora, a aquisição de força e equilíbrio, a apuração da sensibilidade e das percepções, etc.
Os atrasos na fala do bebê podem se dever apenas à falta de estímulo pelos pais e cuidadores, como costuma acontecer em orfanatos e outras instituições de abrigo de crianças ou como resultado de uma doença, tais como surdez ou autismo, por exemplo. É comum também ver pais atendendo muito prontamente aos pedidos da criança, sem dar-lhes tempo suficiente para colocarem em palavras o que desejam.
No entanto, demorar para falar pode significar que a criança tenha algum transtorno neste processo. Pode haver também: causas genéticas ou cognitivas; dificuldades na motricidade oral em crianças que respiram mal ou que tem adenoides aumentadas, por exemplo; autismo; mutismo seletivo; distúrbio específico de linguagem; apraxia da fala, etc.
Nestes casos, é importante observar se o bebê apresenta apenas pouco desenvolvimento da fala ou se tem outros sintomas, correspondentes àquelas condições.
Além do atraso, pode ocorrer também dificuldades ou defeitos na fala, mesmo sem uma doença subjacente, como uma dificuldade na aquisição do próprio processo. É, pois, tão importante estimular o bebê a falar como ajudá-lo a falar bem e corretamente.
Os pais podem ajudar a criança a falar bem adotando alguns comportamentos como:
(1) Comunicar-se com o bebê desde cedo, falando e cantando para ele. Os pais devem fazer perguntas, explicar o que estão fazendo, cantando ou apontando para os objetos dizendo o seu nome, por exemplo.
(2) Ler para o bebê é uma ótima forma de aumentar o vocabulário dele e ajudá-lo a entender o sentido das palavras.
(3) Responder ao que o bebê fala, pois isso faz com que ele fique mais estimulado para continuar conversando.
(4) Usar uma linguagem correta ao falar com o bebê, evitando diminutivos ou palavras ditas ou repetidas ao modo infantil como, por exemplo, “papato” no lugar se sapato, “aca” no lugar de água, etc.
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