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segunda-feira, 6 de março de 2017
Distúrbios do equilíbrio
Equilíbrio corporal é a capacidade de manter a orientação do corpo e suas partes em relação ao espaço externo. O equilíbrio corporal é regulado principalmente por três sistemas orgânicos conjuntos, coordenados entre si: (1) o ouvido (labirinto), (2) a visão e (3) o cerebelo e depende de um delicado controle efetuado sobre os músculos e as articulações pelo sistema nervoso central, de modo a manter o corpo em determinadas posições estáticas ou a se deslocar harmoniosamente.
Esse controle é necessário de maneira constante, exceto quando a pessoa está deitada, porque como o ser humano utiliza apenas dois membros para andar tem mais dificuldade de manter o equilíbrio do corpo.
Os distúrbios do equilíbrio são transtornos na manutenção do equilíbrio normal que resultam de doenças que afetam as vias vestibulares centrais ou periféricas, o cerebelo ou as vias sensoriais envolvidas na propriocepção. Esses distúrbios costumam apresentar-se como vertigem ou ataxia.
A vertigem é a ilusão de movimento do corpo ou do ambiente. Geralmente está associada a outros sintomas, como impulsão (sensação de que o corpo está sendo arremessado ou puxado no espaço), oscilopsia (uma ilusão visual de movimento para frente e para trás), náuseas, vômitos ou ataxia de marcha.
Ataxia é incoordenação ou desajeitamento de movimento que não é resultado da fraqueza muscular. Pode ser causada por distúrbios vestibulares, cerebelares ou sensoriais (proprioceptivos). A ataxia pode afetar o movimento dos olhos, a fala, os membros, tronco, postura ou marcha.
As perturbações do equilíbrio podem ser causadas por infecções virais ou bacterianas no ouvido, um ferimento na cabeça ou distúrbios circulatórios que afetam o ouvido interno ou o cérebro. Muitas pessoas experimentam problemas com o seu senso de equilíbrio à medida que envelhecem.
Problemas de equilíbrio e tonturas também podem ser um efeito colateral de certos medicamentos. Além disso, problemas nos sistemas visual, esquelético, nervoso ou circulatório podem originar alterações de postura e equilíbrio.
Doença do sistema circulatório, tal como pressão arterial baixa, pode levar a uma sensação de tontura quando se levanta de repente. Alterações no sistema esquelético ou visual também podem causar problemas de equilíbrio. Contudo, muitos distúrbios do equilíbrio podem acontecer sem nenhuma causa óbvia.
A ataxia cerebelar é comumente associada à hipotonia, o que resulta em manutenção de uma postura defeituosa, resultando em distúrbios do equilíbrio. Os membros podem ser deslocados com facilidade e até mesmo o balanço dos braços durante a caminhada é similarmente aumentado de amplitude. Os reflexos tendinosos assumem uma qualidade pendular, de modo que várias oscilações do membro podem ocorrer após eles serem provocados. Quando os músculos são contraídos, o relaxamento compensatório não ocorre imediatamente.
Além da hipotonia, a ataxia cerebelar se associa à incoordenação dos movimentos voluntários. Essas irregularidades são mais pronunciadas durante a iniciação e término do movimento, quando o membro se aproxima do seu alvo. Movimentos compostos como andar, falar, etc, tendem a se decompor em uma sucessão de movimentos isolados em vez de um único ato motor, prejudicando a execução de sua meta.
Devido ao papel proeminente do cerebelo no controle dos movimentos oculares, as anomalias oculares são uma consequência frequente da doença cerebelar. Estes incluem nistagmo e as oscilações oculares relacionadas, paresia de olhar e movimentos defeituosos.
A vertigem deve ser distinguida de uma sensação de cabeça mareada ou pré-sincopal. A vertigem é tipicamente descrita como uma sensação de girar ou mover. Ela é, muitas vezes, provocada por mudanças na posição da cabeça. A ocorrência de sintomas de vertigem após estar deitado por tempo prolongado é uma característica comum da hipotensão ortostática, que pode ser imediatamente aliviada por sentar-se ou deitar-se. Os sintomas associados à vertigem podem ajudar a localizar a lesão que a está causando.
A perda auditiva ou zumbido sugere um distúrbio do aparelho vestibular periférico. Disartria, disfagia, diplopia, fraqueza ou perda sensorial focalizadas apontam para uma possível lesão central. A ataxia associada à vertigem sugere um distúrbio vestibular, enquanto a ataxia com dormência ou formigamento nas pernas é comum em pacientes com ataxia sensorial. Como os déficits proprioceptivos podem ser compensados por outros sinais sensoriais, os pacientes com ataxia sensorial podem relatar que seu equilíbrio está melhorando e já podem andar usando bengala ou o braço de um companheiro para apoio. Esses pacientes são muito mais instáveis no escuro, sem apoio da visão, e podem ter dificuldade especial na descida de escadas.
O modo de início e o curso do transtornos do equilíbrio podem ajudar a identificar a causa deles. O início súbito é mais comum em casos de infartos e hemorragias no tronco cerebral ou cerebelo. Desequilíbrios episódicos de início agudo sugerem ataques isquêmicos transitórios na artéria basilar, vertigem posicional benigna ou doença de Ménière. Em geral, eles são acompanhados de déficits do nervo craniano, sinais neurológicos nos membros ou ambos. A doença de Ménière é geralmente associada com perda progressiva da audição e zumbido, bem como vertigem.
O desequilíbrio crônico e progressivo é mais sugestivo de um distúrbio tóxico ou nutricional. A evolução progressiva ao longo de meses ou anos é característica de uma degeneração espinocerebelar herdada. Alguns outros sintomas que podem ocorrer são tontura ou vertigem, sentir como se estivesse caindo, desmaios, sensação de flutuação, visão turva, confusão ou desorientação, náuseas e vômitos, diarreia, alterações do ritmo cardíaco e da pressão arterial, ansiedade ou pânico. Algumas pessoas também se sentem fatigadas, deprimidas ou incapazes de se concentrarem.
sábado, 4 de março de 2017
Esclerose múltipla: resultados do transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas
Neste estudo, efetuado com 281 pacientes com formas predominantemente progressivas de esclerose múltipla (EM), submetidos a transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas, entre 1995 e 2006, a mortalidade relacionada ao transplante foi de 2,8% nos 100 dias de transplante e a sobrevida livre de progressão neurológica foi de 46% aos 5 anos de acompanhamento.
Os critérios para submeter o paciente ao estudo foram o recebimento de transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas (AHSCT) para o tratamento da EM entre janeiro de 1995 e dezembro de 2006 e a disponibilidade de um conjunto de dados mínimos pré-especificados que incluía o subtipo de doença na linha de base, o escore "Expanded Disability Status Scale" (EDSS) na linha de base, informação sobre o regime de condicionamento administrado e a manipulação do enxerto e pelo menos uma visita de acompanhamento ou relatório após o transplante.
A última visita foi em 1º de julho de 2012. Para evitar viés, todos os pacientes elegíveis foram incluídos na análise independentemente da duração do seguimento. A análise dos dados foi realizada de 1º de setembro de 2014 a 27 de abril de 2015.
As exposições demográficas relacionadas a doenças e ao tratamento foram consideradas variáveis de interesse, incluindo idade, subtipo de doença, escore EDSS basal, número de tratamentos prévios modificadores da doença e intensidade do regime de condicionamento. Os resultados primários foram a sobrevivência livre de progressão da EM e a sobrevida global. As probabilidades de sobrevida livre de progressão e sobrevida global foram calculadas usando curvas de sobrevivência de Kaplan-Meier e modelos multivariados de análise de regressão de riscos proporcionais de Cox.
Os dados válidos foram obtidos de 25 centros em 13 países para 281 pacientes avaliáveis, com mediana de seguimento de 6,6 anos.
Setenta e oito por cento (218 de 281) dos pacientes tinham formas progressivas de EM.
Neste estudo observacional de pacientes com EM tratados com AHSCT, quase metade deles permaneceu livre de progressão neurológica por cinco anos após o transplante.
A idade mais jovem, a forma recorrente de EM, menos imunoterapias prévias e o escore EDSS basal mais baixo foram fatores associados aos melhores resultados.
Os resultados justificam que mais estudos clínicos randomizados de AHSCT para o tratamento da EM sejam realizados.
Fonte: JAMA Neurology, publicação online de 20 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
Automedicação
Quem nunca tomou um remédio sem prescrição após uma dor de cabeça ou febre? Ou pediu opinião a um amigo sobre qual medicamento ingerir em determinadas ocasiões?
automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina.
A medicação por conta própria é um dos exemplos de uso indevido de remédios, considerado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINTOX), em 2003, os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação.
O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sintomas.
Se o remédio for antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada. O uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de micro-organismos (formação das chamadas "super bactérias"), o que compromete a eficácia dos tratamentos.
Outra preocupação em relação ao uso do remédio refere-se à combinação inadequada. Neste caso, o uso de um medicamento pode anular ou potencializar o efeito do outro.
O uso de remédios de maneira incorreta ou irracional pode trazer, ainda, consequências como: reações alérgicas, dependência e até a morte.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existe o uso racional de medicamentos (URM) quando “os pacientes recebem medicamentos apropriados às suas necessidades clínicas, em doses e períodos adequados às particularidades individuais, com baixo custo para eles e sua comunidade”. A definição foi proferida durante Conferência de Nairobi, Quênia, em 1985.
Tipos de Uso Irracional de Medicamentos
- Uso abusivo de medicamentos (polimedicação);
- Uso inadequado de medicamentos antimicrobianos, freqüentemente em doses incorretas ou para infecções não-bacterianas;
- Uso excessivo de injetáveis nos casos em que seriam mais adequadas formas farmacêuticas orais;
- Prescrição em desacordo com as diretrizes clínicas;
- Automedicação inadequada, frequentemente com medicamento que requer prescrição médica.
Estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS)
- Em todo o mundo, mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou são vendidos de forma inadequada.
- Cerca de 1/3 da população mundial tem carência no acesso a medicamentos essenciais.
- Em todo mundo, 50% dos pacientes tomam medicamentos de forma incorreta.
O Ministério da Saúde criou, em março de 2007, um Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos (URM) – uma instância colegiada, representativa de segmentos governamentais e sociais afins ao tema e com caráter deliberativo.
O Comitê tem como papel propor estratégias e mecanismos de articulação, de monitoramento e de avaliação de ações destinadas à promoção do URM. Para garantir as implementações das ações, foi criado o Plano de Ação, composto por vertentes em quatro áreas: regulação, educação, informação e pesquisa.
quinta-feira, 2 de março de 2017
Usuários de cocaína podem acumular ferro no cérebro, divulgado pelo Translational Psychiatry
Dado o papel importante que o ferro desempenha na saúde e na doença, o metabolismo do ferro é normalmente estritamente regulado. O uso prolongado de cocaína, no entanto, parece perturbar esse controle, o que pode causar danos significativos.
A cocaína é uma das drogas ilícitas mais usadas no mundo ocidental e é altamente viciante. Um relatório realizado no ano passado pelo "Conselho Consultivo do Reino Unido sobre o Uso Indevido de Drogas" descobriu que quase um em cada dez de todos com idades entre 16 e 59 anos, usaram cocaína em sua vida. O consumo de cocaína foi implicado em, mas não necessariamente foi a causa de, 234 mortes na Escócia, Inglaterra e País de Gales em 2013.
No entanto, apesar de avanços significativos na compreensão da biologia da dependência - incluindo como o cérebro de pessoas viciadas em cocaína pode diferir na estrutura - atualmente não existe tratamento médico para a dependência a esta droga. A maioria das pessoas é tratada com terapia cognitiva ou psicoterapia.
Uma equipe de pesquisadores liderada pela Dra. Karen Ersche, do Departamento de Psiquiatria de Cambridge, examinou o cérebro de 44 pessoas viciadas em cocaína e 44 voluntários de controle saudáveis. No grupo da cocaína, eles detectaram quantidades excessivas de ferro em uma região do cérebro conhecida como globo pálido, que normalmente age como um "freio" para inibir o comportamento.
Particularmente notável foi o fato de que a concentração de ferro nessa área estava diretamente ligada à duração do consumo de cocaína - mais tempo de consumo, maior acúmulo de ferro. Ao mesmo tempo, o aumento da concentração de ferro no cérebro foi acompanhado por uma ligeira deficiência de ferro no resto do corpo, sugerindo que a regulação do ferro em geral é interrompida em pessoas com dependência à cocaína.
O ferro é usado para produzir glóbulos vermelhos, que ajudam a armazenar e transportar oxigênio no sangue. Assim, a sua deficiência no sangue significa que órgãos e tecidos podem não obter tanto oxigênio como necessitam. Por outro lado, sabemos que o excesso de ferro no cérebro está associado à morte celular, que é o que frequentemente é visto em doenças neurodegenerativas.
Os pesquisadores de Cambridge agora pretendem identificar os mecanismos precisos pelos quais a cocaína interage com a regulação do ferro. A Dra. Ersche acredita que o mecanismo mais provável é que a cocaína perturbe o metabolismo do ferro, possivelmente reduzindo a absorção de ferro dos alimentos e aumentando a permeabilidade da barreira hematoencefálica para que mais ferro entre no cérebro, onde pode se acumular.
Embora o excesso de ferro no cérebro esteja associado à neurodegeneração, não há sugestão de que o vício da cocaína leve a um risco aumentado de doenças como Alzheimer ou Parkinson. O mecanismo subjacente ao aumento de ferro no cérebro na doença de Parkinson, por exemplo, é diferente do que no vício de cocaína, assim como as regiões cerebrais afetadas.
Como um micronutriente essencial, o ferro é obtido através da dieta e não pode ser excretado, exceto através de perdas sanguíneas. Os pesquisadores também querem descobrir se os meios de corrigir as interrupções no metabolismo do ferro pode retardar ou até mesmo reverter o acúmulo de ferro no cérebro e, finalmente, ajudar os indivíduos afetados a se recuperarem com sucesso do vício da cocaína.
Este trabalho foi financiado pelo Medical Research Council e foi realizado no NIHR Cambridge Biomedical Research Center e no Behavioral and Clinical Neuroscience Institute.
Fonte: Translational Psychiatry, publicação online, de 21 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
Personalidade histriônica
A personalidade histriônica é um transtorno da personalidade caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento sedutor inapropriado. Estes comportamentos se iniciam ostensivamente a partir do início da idade adulta, mas já tem seus precursores na infância, os quais, no entanto, só são reconhecidos retrospetivamente, a posteriori.
Tais indivíduos são vívidos, dramáticos, animados, exuberantes, flertadores e alternam entre estados entusiásticos e pessimistas.
A personalidade histriônica não é uma doença e nem sempre pode, com facilidade, ser chamada de transtorno porque o seu feitio faz uma fronteira fluida e gradual com o normal. Pode, no entanto, tornar-se incômoda para a própria pessoa ou para aquelas que vivem ao seu lado.
A causa exata deste transtorno não pode ser determinada, mas eventos da infância ou doenças dos pais, que resultam em ansiedade constante, divórcio ou problemas de relacionamento, além de fatores genéticos, podem estar envolvidos.
Pessoas com personalidade histriônica na maioria das vezes são capazes de conviver normalmente com as demais e até mesmo de alcançarem sucesso profissional em áreas específicas, afins às suas características, embora tenham baixo índice de sucesso social ou só se saem bem em círculos sociais restritos de pessoas que conseguem manipular e no qual conseguem se tornar o centro das atenções. Mesmo aí, quase sempre acabam por embaralhar tais relacionamentos, sejam eles sociais, profissionais, românticos ou mesmo familiares.
Esses indivíduos começam bem seus relacionamentos, porém tendem a ter dificuldades quando eles se tornam mais profundos e duradouros, alternando entre extremos de idealização e desvalorização das pessoas. Caracterizam-se por uma infidelidade contumaz e inconsequente em relações afetivas, inclusive amorosas. Na esfera da sexualidade tendem a ser inapropriadamente provocativos, embora sintam dificuldades de verdadeiros envolvimentos sexuais.
Expressam emoções de uma forma impressionável, mas também são facilmente influenciados por outros. Sua linguagem costuma ser cheia de superlativos e de floreios exuberantes. Outras características psicológicas presentes são um acentuado egocentrismo, desorganização psíquica, auto-indulgência, anseio contínuo por admiração e comportamento persistentemente manipulativo para alcançar seus objetivos.
Frequentemente não conseguem ver em si mesmas sua condição pessoal e tendem a dramatizar e exagerar suas dificuldades, muitas vezes atribuindo-as aos outros. No trabalho, entediam-se facilmente e têm problemas em lidar com frustrações e críticas, pelo que mudam com frequência de objetivos.
Em resumo:
•Têm um padrão exibicionista de comportamento;
•Buscam constantemente apoio ou aprovação;
•Dramatizam;
•Manifestam exageradamente as emoções;
•Têm sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações;
•Se orgulham da própria personalidade e relutam em mudar porque qualquer tentativa de mudança é vista como ameaça;
•Possuem aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor;
•Mostram sintomas somatiformes e se utilizam destes sintomas como meio de chamar atenção;
•Necessitam ser o centro das atenções;
•Apresentam baixa tolerância à frustração;
•Sentem angústia provocada pela possibilidade de que as próprias mentiras insustentáveis sejam descobertas;
•Variam rapidamente de estados emocionais, que podem parecer a outrem superficiais ou exagerados;
•Tendem a acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o são;
•Tomam decisões precipitadas;
•Difamam pessoas que competem com a sua atenção.
Todos esses traços fazem uma transição gradativa com o normal, mas se chegam a ser incômodos ou a prejudicarem o funcionamento ideal da personalidade, o tratamento está indicado, da mesma forma que nos transtornos fóbico, obsessivo, paranoide, etc.
Não há um teste específico para confirmar o diagnóstico de personalidade histriônica. Para estabelecer o diagnóstico devem ser julgados o comportamento, a aparência e o histórico da pessoa. Como o critério é subjetivo, algumas pessoas podem ser erroneamente diagnosticadas como sendo portadoras do transtorno de personalidade histriônica, enquanto outras com esse transtorno podem deixar de ser diagnosticadas como tal.
O "Diagnostic and Statistic Manual IV" (DSM-IV) da OMS estabelece, entre outros, os seguintes critérios para o diagnóstico: sente-se desconfortável em situações nas quais não seja o centro das atenções; demonstra mudanças rápidas e superficiais de emoções a respeito de outros, principalmente seus críticos; utiliza sua aparência física e vestimenta elegante ou ousada para chamar atenção; tem um estilo de discurso excessivamente impressionável e falho em detalhes; demonstra dramatização, teatralidade e expressão exagerada de emoções; é muito sugestionável por outrem ou pelas circunstâncias; tendem a considerar seus relacionamentos mais íntimos do que realmente são; superficialidade intelectual, etc.
O tratamento do transtorno de personalidade histriônica deve ser fundamentalmente psicoterápico e de longo prazo. A medicação tem pouco efeito neste transtorno. Ela se destina, principalmente, a combater algum sentimento de ansiedade ou depressão associados e geralmente se inicia quando da dissolução de algum relacionamento romântico.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Agora são dez porções ao dia de frutas e vegetais para prevenir mais mortes prematuras
A ingestão de frutas e vegetais acima de cinco porções por dia mostra grande benefício na redução do risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, câncer e morte precoce. Esta é a descoberta de uma nova pesquisa, liderada por cientistas do Imperial College London, que analisou 95 estudos sobre a ingestão de frutas e vegetais.
A equipe descobriu que, embora as cinco porções recomendadas de frutas e vegetais por dia reduzissem o risco de doença, o maior benefício vinha de comer 800g por dia (aproximadamente 10 porções de frutas ou vegetais, sendo uma porção definida como 80 gramas).
O estudo, que foi uma meta-análise de todas as pesquisas disponíveis em populações de todo o mundo, incluiu até 2 milhões de pessoas e avaliou até 43.000 casos de doença cardíaca, 47.000 casos de acidente vascular cerebral, 81.000 casos de doenças cardiovasculares, 112.000 casos de câncer e 94.000 mortes.
Na pesquisa, publicada no International Journal of Epidemiology, a equipe estima que cerca de 7,8 milhões de mortes prematuras em todo o mundo poderiam ser potencialmente prevenidas a cada ano se as pessoas comessem 10 porções ou 800 gramas de frutas e legumes por dia.
Os resultados revelaram que mesmo uma ingestão diária de 200g estava associada a um risco reduzido de 16% de doença cardíaca, de 18% de acidente vascular cerebral e um risco reduzido de 13% de doença cardiovascular. Este montante, que equivale a duas porções e meia, também foi associado com 4% de risco reduzido de câncer e 15% de redução no risco de morte prematura.
Outros benefícios foram observados com maiores ingestões. Comer até 800g de frutas e legumes por dia - ou 10 porções - foi associado com:
•Um risco reduzido de 24% de doença cardíaca.
•Um risco reduzido de acidente vascular cerebral de 33%.
•Um risco reduzido de 28% de doença cardiovascular.
•Um risco reduzido de 13% de câncer total.
•E uma redução de 31% na morte prematura.
Este risco foi calculado em comparação com não comer qualquer fruta e legume.
As diretrizes atuais do Reino Unido orientam comer pelo menos cinco porções ou 400g por dia. No entanto, menos de um em cada três adultos do país atingem este objetivo.
A equipe não foi capaz de investigar a ingestão superior a 800 g por dia, uma vez que este foi o extremo superior do intervalo entre os estudos.
Uma porção de 80g de frutas e vegetais é igual a aproximadamente uma banana pequena, maçã ou pera. Três colheres cheias de legumes cozidos, como espinafre, ervilhas, brócolis ou couve-flor contam como uma porção.
Os resultados sugerem que, embora cinco porções de frutas e legumes seja bom, dez por dia é ainda melhor, segundo o Dr. Dagfinn Aune, autor principal do estudo. Os pesquisadores também examinaram os tipos de frutas e legumes que podem reduzir o risco de doenças específicas e descobriram que as seguintes frutas e vegetais podem ajudar a prevenir doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e morte precoce: maçãs e peras, frutas cítricas, saladas e vegetais de folhas verdes, como espinafre, alface e chicória e vegetais crucíferos como brócolis, repolho e couve-flor. Vegetais verdes, como espinafre ou feijão verde, legumes amarelos, como pimentões e cenouras, e vegetais crucíferos podem reduzir o risco de câncer.
Associações semelhantes foram observadas para vegetais crus e cozidos em relação à morte precoce, no entanto, estudos adicionais são necessários sobre os tipos específicos de frutas e legumes e os métodos de preparação dos alimentos. A equipe diz que o número de estudos foi mais limitado para essas análises e a possibilidade de que outras frutas e vegetais específicos também possam reduzir o risco não pode ser excluída.
O Dr. Aune disse que vários mecanismos potenciais podem explicar porque frutas e legumes têm benefícios tão profundos para a saúde. Frutas e legumes têm demonstrado reduzir os níveis de colesterol, pressão arterial e aumentar a saúde dos vasos sanguíneos e do sistema imunológico, devido à complexa rede de nutrientes que possuem. Por exemplo, eles contêm muitos antioxidantes, que podem reduzir danos ao DNA e levar a uma redução no risco de câncer.
Ele acrescentou que compostos chamados glucosinolatos em vegetais crucíferos, como brócolis, ativam enzimas que podem ajudar a prevenir o câncer. Além disso, frutas e legumes também podem ter um efeito benéfico sobre as bactérias que habitam naturalmente o nosso intestino.
O que fica claro com o presente trabalho é que uma alta ingestão de frutas e legumes detêm enormes benefícios para a saúde, por isso devemos tentar aumentar a sua ingestão em nossa dieta.
Fonte: Imperial College London, em 23 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Iatrogenia
Iatrogenia (do grego: iatros = curador + genesis = origem) refere-se ao efeito negativo sobre o paciente, resultante de qualquer procedimento curativo realizado por um profissional de saúde ao aplicar produtos ou serviços pretensamente benéficos, como sondagens, intubações, cirurgias e medicamentos. Alguns efeitos iatrogênicos são facilmente constatáveis como, por exemplo, um linfedema resultante de uma cirurgia de câncer de mama. Outros são menos óbvios, tais como algumas interações medicamentosas.
Um efeito iatrogênico nem sempre é prejudicial como, por exemplo, uma cicatriz criada por uma cirurgia. Um lugar especial entre as iatrogenias deve ser concedido aos erros médicos (imperícia, imprudência e/ou negligência) pois são adventícios, enquanto as demais iatrogenias são inerentes e até mesmo inevitáveis a certos atos médicos.
De um modo geral pode-se dizer que a Medicina comporta duas grandes dimensões: (1) uma curativa, que tem por objetivo reparar as doenças e (2) outra preventiva, que visa evitar que elas ocorram. Ao lado delas convive inevitavelmente a Medicina Iatrogênica, aquela que, independentemente da vontade do profissional, causa danos aos pacientes decorrentes dos próprios atos curativos ou propedêuticos.
A iatrogenia é inerente à prática médica, ainda que o médico ou a equipe médica sejam muito competentes e disponham dos melhores recursos tecnológicos. Amputar um membro, por exemplo, pode significar, a um só tempo, salvar a vida do paciente e mutilar seu organismo. Michael Balint, que foi um expoente da relação médico-paciente, afirma que todo médico é, em graus variáveis, sempre iatrogênico. Ao receitar alguma medicação produz também efeitos indesejáveis, ao realizar uma cirurgia produz uma cicatriz, ao fazer um exame propedêutico pode provocar uma reação desagradável, etc.
As iatrogenias abrangem não só os danos materiais mas também os psicológicos, tanto causados pelo médico como por enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas e demais profissionais que tratem o paciente.
Os limites da iatrogenia com outros efeitos dos procedimentos médicos são fluidos e oscilantes. Eles tanto se confrontam com os erros médicos como com os problemas devido a um inadequado aparelhamento dos serviços de saúde que obrigam os profissionais a trabalharem em situações não ideais.
Por outro lado, o progresso da tecnologia médica e seu emprego em procedimentos terapêuticos e propedêuticos causa às pessoas problemas subsidiários antes inexistentes. Novos medicamentos levam a novos efeitos colaterais e a incompatibilidades ainda não conhecidas, novas cirurgias conduzem a novas sequelas, a medicina nuclear expõe às radiações, etc. A atual avalanche de introdução da tecnologia na Medicina afastou o médico do paciente e tornou a relação entre ambos mais impessoal. Enfim, no afã de salvar vidas a Medicina cria novas ‘doenças’.
As causas das iatrogenias incluem efeitos colaterais de medicamentos, complicações decorrentes de procedimentos médicos, infecções hospitalares, erro médico, projeto incorreto dos instrumentos médicos, ansiedade e insegurança do médico ou da equipe de saúde em relação ao procedimento a ser executado, tratamentos desnecessários, etc.
Tais causas podem ser provocadas por médicos, farmacêuticos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, psiquiatras, cientistas de laboratório e terapeutas. A iatrogênese também pode resultar de tratamentos de medicina complementar e alternativa, envolvendo ainda outros profissionais.
As iatrogenias podem causar os mais diversos efeitos sobre as pessoas, desde uma doença que antes o paciente não tinha como, por exemplo, as ocasionadas por uma vacina, até sequelas definitivas, como uma alteração da voz numa cirurgia de laringe e mesmo a morte que pode ocorrer como acidente anestésico ou cirúrgico, por exemplo.
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