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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Pirose


Pirose é a provavelmente a mais clássica manifestação do chamado Distúrbio de Refluxo Gastro-Esofágico e é uma denominação nem sempre compreendida, embora o próprio nome dê a entender seu real significado.

Existem muitos sinônimos, como, por exemplo, indigestão, azia e regurgitação ácida e é muito comum confundir a pirose com a azia, mas para deixar claro, a azia é a queimação localizada no epigástrio, logo abaixo do esterno e na região do estômago, algo que dá a entender que se trata de um problema gástrico ou duodenal enquanto que a pirose representa uma queimação localizada atrás do esterno (retroesternal), uma dor em queimação, de caráter ascendente (subindo!), de duração variável, culminando algumas vezes com a chegada na boca de um material de sabor ácido ou amargo (regurgitação).

Ela é provavelmente a queixa gastrointestinal mais comum na população em geral, não sendo surpresa, portanto, que muitas vezes não seja considerada como um problema da esfera médica, o que leva a consequências como a automedicação, por exemplo.

Assim, o uso de antiácidos em grande frequência ocorre em decorrência de uma "normalização" do quadro clínico, algo efetivamente perigoso, pois ignorar o quadro em si pode levar a problemas da saúde do estômago e do esôfago de graus mais acentuados.

Estatísticas comprovam que mais da metade das pessoas com estas queixas apresentam evidências de esofagite erosiva quando submetidas à endoscopia digestiva alta.

A pirose ocorre com frequência após as refeições, particularmente aquelas abundantes e ricas em gorduras e bebidas alcoólicas.

O uso de leite e antiácidos pode aliviar os casos de pirose leve, ao neutralizar o ácido refluído a partir do estômago para o esôfago, mas não resolve o problema quando se trata de um quadro de proporções maiores, podendo até mesmo agravá-lo.

Há muitas causas para o surgimento da pirose retroesternal, mas as mais comuns são o relaxamento do esfíncter inferior do esôfago, presença de alimentos ou medicamentos irritantes direto da mucosa (suco de tomate, alimentos ácidos, temperos fortes, café e medicamentos), aumento da pressão intra-abdominal (exercícios, roupa apertada, obesidade, inclinar o corpo para a frente), emoções fortes (psicossomático), diabetes, gravidez e outras enfermidades menos comuns.

Em cada caso é necessário SEMPRE o apoio médico e muitas vezes de um(a) nutricionista para reorientar a alimentação em forma e conteúdo, fazendo ajustes para que o tratamento seja efetivo, já que não adianta somente o uso de medicamentos na maioria dos casos.

Aliás, algumas vezes o medicamento nem mesmo é necessário...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Hipertensão pulmonar


O sangue venoso, rico em gás carbônico, chega da periferia do corpo à metade direita do coração, de onde é bombeado para os pulmões, para que seja feita a troca desse gás pelo oxigênio.

O sangue oxigenado então chega à metade esquerda do coração e daí é novamente bombeado para a periferia do corpo, completando a circulação.

Hipertensão pulmonar é o aumento da pressão na árvore vascular pulmonar, situada entre as metades direita e esquerda do coração, devido a um conjunto de alterações que dificultam a passagem do sangue por ela.

Normalmente, a pressão sanguínea nos vasos pulmonares é baixa quando comparada à pressão arterial sistêmica e quase metade do sangue de uma pessoa é mantida nos vasos pulmonares.

Na hipertensão pulmonar, por alguma razão, o sangue não consegue fluir bem pelos pulmões, aumentando a pressão que fazem nos vasos sanguíneos, sobrecarregando a metade direita do coração, que tem de fazer cada vez mais força para impulsioná-lo adiante.

Existem várias causas de hipertensão pulmonar, mas o elemento comum a todas elas é algum tipo de dificuldade de circulação do sangue pelos pulmões, geralmente causada por algum tipo de estreitamento vascular.

Muitas situações clínicas podem fazer com que a pressão do sangue dentro dos pulmões esteja aumentada.

Elas podem ser causadas por doenças autoimunes, defeitos no coração já ao nascimento, embolia pulmonar, HIV, insuficiência cardíaca congestiva, doenças das válvulas cardíacas, fibrose pulmonar, apneia do sono, esquistossomose e anemia falciforme, entre outras causas.

Em algumas pessoas não se consegue identificar a causa da doença e, então, ela costuma ser chamada de hipertensão pulmonar primária e as outras de hipertensão pulmonar secundária.

Quais são os principais sinais e sintomas da hipertensão pulmonar?

Com o tempo, o lado direito do coração, submetido a um trabalho maior que o comum, aumenta de tamanho e o fluxo de sangue que chega aos pulmões para ser oxigenado já não é suficiente às necessidades orgânicas.

Surge uma insuficiência cardíaca envolvendo o lado direito do coração, gerando uma condição denominada cor pulmonale.

Os principais sintomas da hipertensão pulmonar são: cansaço, que piora com o tempo, fraqueza, falta de ar, desmaios, inchaço dos tornozelos e pernas, lábios cianóticos (azulados), dor ou pressão no peito, geralmente na frente do tórax.

Os sinais mais ostensivos são: sons anormais no coração, sopro cardíaco do lado direito do coração, veias do pescoço ingurgitadas (maiores que o normal), inchaço nas pernas, no fígado e no baço.

Pessoas com hipertensão pulmonar costumam relatar que seus sintomas são oscilantes e que têm dias bons e dias ruins.

Muitas vezes o diagnóstico da hipertensão pulmonar é feito no curso da investigação de sintomas como cansaço ou falta de ar inexplicável.

O ecocardiograma ajuda muito no diagnóstico da hipertensão pulmonar, que também pode produzir alterações mais ou menos típicas na radiografia de tórax, na tomografia computadorizada do tórax, no eletrocardiograma, nos testes de funcionamento dos pulmões, na arteriografia pulmonar e nos exames de sangue.

Casos mais severos podem exigir um cateterismo da artéria pulmonar.

Em geral, não há cura para a hipertensão pulmonar de longa duração, mas algumas vezes a sua causa pode ser removida como, por exemplo, na apneia obstrutiva do sono, em certas condições pulmonares e nos distúrbios de válvulas cardíacas.

O primeiro objetivo do tratamento é prevenir danos aos pulmões. Algumas situações exigem anticoagulantes, diuréticos, vasodilatadores e medicamentos que ajudam o coração a trabalhar melhor.

Em casos extremos, um transplante de pulmão pode ser necessário.

Nem todo aumento da pressão intrapulmonar significa uma doença grave e muitas vezes reverte-se espontaneamente.

A asma e outras doenças pulmonares podem causar sintomas semelhantes à hipertensão pulmonar e devem ser descartadas.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Tracoma


Tracoma é uma doença oftalmológica infecciosa, de etiologia bacteriana, altamente contagiosa, que compromete a córnea e a conjuntiva, podendo levar à cegueira.

O tracoma é causado pela Chlamydia trachomatis, uma bactéria gram-negativa, que vive obrigatoriamente no interior das células, com tropismo especial pelas células epiteliais, transmitida por moscas caseiras, a partir de sujeiras.

A transmissão é feita pelo contato direto com as secreções oculares, nasais ou bucais de uma pessoa afetada, através de objetos em contato com essas secreções e até mesmo por meio de insetos.

Depois de uma incubação da bactéria, de cinco a doze dias, o indivíduo apresenta uma secreção mucopurulenta, corrimento ocular, pálpebras edemaciadas, fotofobia, dor e lacrimejamento.

Em sua fase inicial, o tracoma pode ter a aparência de uma ceratoconjuntivite bilateral.

Os pacientes que apresentam triquíase (crescimento das pestanas para dentro, em direção ao globo ocular), entrópio (a extremidade da pálpebra dobra para dentro e os cílios tocam a superfície do olho) ou ulceração corneana manifestam dor constante pois os cílios tocam a córnea.

Se a doença está mais avançada, pode haver a presença de cicatrizes na córnea e na conjuntiva, prejudicando a visão. Pode haver inchaço dos nódulos linfáticos que se localizam próximos aos ouvidos.

A maior ou menor gravidade da doença decorre principalmente da reincidência dos episódios e pelas conjuntivites bacterianas associadas.

O diagnóstico do tracoma pode ser feito clinicamente por meio de seus sinais e sintomas e complementado por meio de material coletado por raspagem da conjuntiva e corado para saber se há inclusões citoplasmáticas típicas das clamídias.

Pode-se também fazer uma sorologia com pesquisa da presença de anticorpos específicos.

Conforme o caso, a doença pode ser tratada com antibióticos ou sulfas de uso no local da lesão, sob a forma de colírios, cremes e pomadas ou de administração oral.

Se não for tratado a tempo e adequadamente, os sintomas se agravarão, podendo causar cegueira, em virtude da ulceração e cicatrização extensas da córnea.

A prevenção desta doença pode ser feita através da adoção de hábitos adequados de higiene, como lavar o rosto das crianças com frequência, não compartilhar objetos de uso pessoal e boas condições sanitárias.

Em virtude do alto grau de contágio da doença, as pessoas em contato com o paciente devem ser tratadas profilaticamente.

Indivíduos com tracoma grave têm maior probabilidade de desenvolverem entrópio, triquíase e opacificação de córnea.

Casos mais graves ou que evoluam sem tratamento podem levar à cegueira.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Coagulação sanguínea


Coagulação é o processo de transformação do sangue líquido num coágulo sólido, o que, em casos de hemorragias, auxilia na interrupção do sangramento, fechando os vasos sanguíneos e, portanto, impedindo que o sangue extravase.

Em casos de formação de coágulos intravasculares podem ocorrer tromboses arteriais ou venosas.

A coagulação sanguínea se dá por uma sequência de eventos químicos e plaquetários (plaquetas são um dos tipos de células sanguíneas) que resultam na formação de um coágulo de fibrina que faz a hemostasia (cessação do sangramento) e ajudam a parar o sangramento e a reparar o tecido danificado.

Os componentes da coagulação incluem as plaquetas, os vasos sanguíneos e as proteínas da coagulação do sangue, entre outras coisas.

A coagulação se dá pela ativação dos chamados fatores de coagulação, numerados por algarismos romanos, de I a XII, a qual se faz por duas vias: uma intrínseca, que ocorre no interior dos vasos sanguíneos quando o sangue entra em contato com regiões da parede do vaso com alguma lesão, e outra extrínseca, quando o sangue extravasa dos vasos para os tecidos conjuntivos, no que se usa chamar "cascata da coagulação".

Ambas as vias acabam por se juntarem na formação do coágulo de fibrina. O ponto comum entre as duas vias é a conversão da protrombina em trombina.

A trombina tem várias funções, mas a principal delas é a conversão do fibrinogênio em fibrina.

O cálcio e a vitamina K são ditos cofatores da coagulação e agem facilitando o processo de coagulação sanguínea. No sentido inverso, algumas substâncias ditas anticoagulantes, agem dificultando o processo da coagulação do sangue e são utilizadas com essa finalidade em algumas situações clínicas.

A coagulação é o processo pelo qual o sangue líquido se transforma em sólido; hemostasia é o conjunto de mecanismos pelos quais se procura manter o sangue no interior dos vasos, sem extravasar.

Ela é um dos fatores de hemostasia, talvez o principal deles.

Logo iniciado o extravasamento de sangue de um vaso lesado, as plaquetas migram para o local em maior quantidade, aderem ao endotélio dos vasos e se agregam, formando um tampão local.

Em seguida, componentes do plasma, chamados fatores de coagulação, agem para formar fios de fibrina, que fortalecem esse tampão. Ao mesmo tempo, ocorre uma vasoconstrição, o que diminui a circulação local.

Quando o vaso lesado é de grande calibre esse processo não se dá, em virtude da grande quantidade de sangue jorrado e da maior pressão dele.

Conforme o problema com que esteja às voltas, o médico pode desejar facilitar ou dificultar o processo de coagulação do sangue.

Algumas enfermidades resultam de dificuldades no processo de coagulação, como a hemofilia, por exemplo, outras, ao contrário, de uma ativação anormal desse processo, como ocorre na chamada coagulação intravascular disseminada.

Muitas vezes o médico deseja prevenir a formação de trombos nas artérias e nas veias e a eventual transformação deles em êmbolos que possam vir a interromper a circulação como, por exemplo, em casos de varizes, imobilidade prolongada das pernas ou em pacientes portadores de cardiopatias.

Nos casos nos quais deseje dificultar o processo de coagulação, em geral, o médico usa os medicamentos chamados anticoagulantes.

Nos casos contrários, usa derivados sanguíneos que contenham fatores de coagulação, conforme a natureza do problema.

Os exames clássicos para avaliar a coagulação são os chamados tempo de sangramento e tempo de coagulação, exames laboratoriais que medem o tempo necessário para fazer cessar a hemorragia de um pequeno ferimento (de aproximadamente dois milímetros de profundidade).

O exame do tempo de sangramento avalia a hemostasia primária e o tempo de coagulação avalia a via intrínseca da coagulação.

Um aumento do tempo de sangramento evidencia a dificuldade na formação de um tampão hemostático, como ocorre, por exemplo, na baixa das plaquetas (plaquetopenia), uso de aspirina, mieloma múltiplo, uremia, insuficiência hepática e outras.

Um tempo de coagulação alterado atesta a presença de defeitos dos fatores da coagulação.

Valores aumentados estão presentes, por exemplo, na hemofilia e na presença de anticoagulante circulante.

O valor normal do tempo de sangramento é de até cinco minutos e o do tempo de coagulação entre quatro e dez minutos.

O tempo de sangramento pode ser medido por diversos métodos. O mais comum deles consiste em medir a duração do sangramento após uma incisão de pele.

O tempo de sangramento depende da elasticidade da parede dos vasos sanguíneos e da quantidade e capacidade funcional das plaquetas.

Em geral esse teste é usado para rastreamento pré-operatório, embora seja também efetuado em pacientes com histórias pessoais ou familiares de desordem de sangramento.

O exame tem como objetivo avaliar a função hemostática global e detectar desordens congênitas ou adquiridas de função plaquetária.

O paciente não precisa estar em jejum.

Uma pequena quantidade de sangue normalmente é colhida por meio de uma perfuração praticada com um estilete em alguma região bem vascularizada do corpo, como a polpa de um dedo, por exemplo.

Outros exames como o tempo de trombina e o tempo de tromboplastina ativada também podem ser realizados.

Desordens na coagulação podem levar a um aumento do risco de hemorragias ou, ao contrário, de formação de trombos e de embolismos.

Essas hemorragias devidas a transtornos da coagulação sanguínea ocorrem no interior das vísceras, na pele, nas mucosas do nariz, boca ou gengivas, ou então por via vaginal.

Chama-se diátese hemorrágica à tendência para sangramento sem causa aparente ou a uma hemorragia mais intensa ou prolongada do que seria normal, após um traumatismo.

Pode dever-se a uma anormalidade da parede vascular, a uma alteração das plaquetas ou do sistema de coagulação.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Hemocromatose


É um transtorno que interfere no metabolismo do ferro provocando grande acúmulo desse elemento no organismo.

O excesso de ferro resulta em danos teciduais e prejuízo funcional dos órgãos envolvidos, especialmente fígado, pâncreas, coração e hipófise.

A Hemocromatose afeta mais os homens do que as mulheres e é particularmente comum em pessoas da raça branca, originárias da parte ocidental da Europa.

Existem duas formas da doença: primária e secundária.

A hemocromatose primária tem, principalmente, causas genéticas.

Este tipo de hemocromatose é um dos transtornos genéticos mais comuns e afeta 1 em cada 200 pessoas nos Estados Unidos.

A hemocromatose secundária pode ser causada como conseqüência de outras doenças como a anemia sideroblástica, caracterizada pela produção anormal de células vermelhas, ou pela ingestão excessiva de ferro ao longo da vida.

Em certas ocasiões pode acompanhar a anemia hemolítica induzida por drogas, alcoolismo e outras afecções.

Outro fator que pode desencadear a doença é a pessoa ter recebido um grande número de transfusões de sangue, o que aumenta os níveis de ferro.

Os sintomas são mais freqüentes nos homens entre 30 e 50 anos e nas mulheres acima de 50 anos. Porém, em alguns casos os sintomas podem aparecer a partir dos 20 anos de idade.

Os principais sinais e sintomas da hemocromatose são:

- dores nas articulações

- fadiga

- falta de energia

- perda de peso

- mudança na coloração da pele (tonalidade bronzeado)

- dor abdominal

- perda do desejo sexual

- atrofia testicular

- perda de pêlo corporal

- problemas cardíacos

- sintomas relacionados com o início do diabetes.

Para diagnosticar o distúrbio, primeiramente é feito o exame físico.

Neste momento, o médico pode perceber o aumento dos órgãos afetados, assim como a mudança na coloração da pele. Para auxiliar, são realizados exames de sangue que mostram os níveis de ferro no organismo.

O diagnóstico pode se confirmar com uma biópsia do órgão com suspeita de dano.

O objetivo do tratamento em pacientes com hemocromatose é extrair o excesso de ferro do organismo e oferecer tratamento adequado aos órgãos danificados.

A remoção do ferro em excesso se faz através da flebotomia, procedimento em que se retira sangue para diminuir a quantidade de ferro no corpo.

Inicialmente a freqüência deste tratamento é maior e depois diminui progressivamente.

A freqüência deste procedimento depende dos sintomas e dos níveis de hemoglobina do paciente.

Além da flebotomia, o paciente deve seguir uma dieta especial para que os níveis de ferro não aumentem.

Esta dieta proíbe o consumo de álcool, principalmente para os pacientes que sofreram danos hepáticos, a ingestão de comprimidos ou vitaminas que contenham ferro, suplementos vitamínicos, frutos do mar crus, alimentos processados ou fortificados, além de proibir o uso de utensílios de cozinha fabricados com ferro.

O tratamento precoce garante o melhor resultado, principalmente, quando iniciado antes que algum órgão esteja afetado. Assim, afecções como doença hepática, cardiopatia, artrite e diabetes, geralmente, podem ser evitadas.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Para quem gosta de atividades físicas intensas.


O principal requisito para conseguir uma mudança na composição corporal é a adequação das 5 - 6 refeições diárias.

É fundamental introduzir o nutriente construtor (proteínas) em todas as refeições: frango, peixe, carne bovina magra e ovos. Considere um café da manhã com ovos, refeições intermediárias com peito de frango (desfiado, grelhado, assado, moído, etc), almoço com carne bovina magra (patinho, coxão mole, alcatra, etc) e jantar com peixe magro (tilápia, merluza, pescada branca, etc). O nutriente energético (carboidrato) deve estar presente na dieta de acordo com o gasto energético e capacidade metabólica individual. Logo pela manhã, após aproximadamente oito horas de jejum, é interessante um maior consumo de carboidratos. A mesma regra vale para a refeição que antecede uma sessão de treinamento, visando otimizar a performance durante o exercício. Depois do treino, o corpo também vai precisar de uma maior ingestão de carboidratos para garantir uma ótima recuperação e síntese dos níveis de glicogênio (reserva de carboidratos do nosso organismo) que foram depletados durante o exercício. Nos demais horários, se você tiver um baixo gasto energético - trabalhe sentado, por exemplo - sua necessidade de carboidratos passa a ser menor.

A ingestão de gorduras deve ficar entre 20 - 25% da ingestão calórica total. Mesmo que você escolha cortes magros de carnes e restrinja parte das gemas dos ovos, poderá obter boa parte da necessidade diária de gorduras através de alimentos proteicos. Mas devemos complementar essa ingestão com as chamadas "boas gorduras", oleaginosas, abacate, azeite de oliva extra virgem, linhaça, semente de chia, entre outras. Vitaminas, minerais e antioxidantes, são encontrados principalmente nos legumes e verduras e não devem ser consumidos apenas no almoço e no jantar. O ideal é incluir um suco de vegetais ao longo do dia, acompanhando alguma das refeições intermediárias. É uma opção saborosa e muito nutritiva.

Sendo muito, mas muito sincero mesmo, com uma nutrição nesses moldes, a grande maioria dos frequentadores de academias atingiria seus objetivos sem qualquer tipo de suplementação. Mas, seja por falta de tempo ou de habilidade na cozinha, poucas pessoas conseguem seguir à risca uma nutrição com esse padrão. A praticidade é a grande vantagem dos suplementos alimentares. Se você não pode levar marmitas com frango, peixe ou ovos pra cima e pra baixo, um shake proteico pode ser uma excelente alternativa. Infelizmente, devido à alta carga tributária dos produtos, poucos têm acesso a uma suplementação de qualidade. Os suplementos são caros e estão longe da realidade de grande parte da população. Por outro lado, quem tem dinheiro, muitas vezes incorre no uso exagerado de suplementos. Mais do que dinheiro, o ganho de massa muscular requer acompanhamento adequado e disciplina.

Após adequar as 5 - 6 refeições diárias, é hora de introduzir uma suplementação direcionada ao treino e sua intensidade. Treine para suplementar, não o contrário. Crie um ambiente favorável para a administração de mais nutrientes. Se não houver demanda de treino, a suplementação será inútil, por melhor e mais avançada que ela seja!

Ômega 3 e vitamina C, por exemplo, são suplementos alimentares com um custo/benefício excelente. Atuam na recuperação da musculatura, o que é fundamental para praticantes de qualquer atividade física. Como pré e pós treino, utilize uma boa fonte de carboidratos (waxy maize) combinado com uma proteína de rápida absorção (whey protein isolado/hidrolisado). Seu treino ficou ainda mais intenso? É hora de acrescentar BCAAS, glutamina e creatina. Agora, tenha consciência que apenas níveis muito avançados de treino proporcionam um ambiente favorável para a introdução de suplementos como beta-alanina, arginina AKG, citrulina, magnésio glicil glutamina, sulfato de agmatine, l-carnitina, ribose, etc.

E, de uma vez por todas, pare de ir na onda daquele amigo que tomou determinado suplemento e "cresceu". Procure um nutricionista, busque orientação profissional e use suplementos adequados para o seu treino e nutrição. Não caia na armadilha de achar que, sozinha, a suplementação vai garantir o corpo dos seus sonhos. Não raro vejo pessoas deixando de comprar coisas para casa, economizando em passeios com a família, só para comprar suplementos... muitas vezes desnecessários. Treine corretamente, se alimente direito. Invista em você!


Fonte: Dr.Rodolfo Peres, nutricionista especialista em nutrição esportiva.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Síndrome de Down


Pessoas com Síndrome de Down semore foram consideradas como portadoras de atraso de desenvolvimento cognitivo incurável, mas, nos últimos anos vários laboratórios descobriram rotas metabólicas alteradas no cérebros destes pacientes que podem ser restauradas com medicamentos (fármacos).

Pelo menos dois estudos clínicos atuais estão estudando os efeitos desses tratamentos em portadores da Síndrome.

Um geneticista da John Hopkins University pode ter encotrado mais um alvo oara medicamentos, com o potencial de corrigir deficiências cognitivas (aprendizagem e memória) que são característicos da enfermidade.

Existe atualmente um enorme avanço - sem exageros, de acordo com alguns cientistas - na compreensão da neuroquímica envolvida na Síndrome de Down.

Essa melhor compreensão dos mecanismos neuro-químicos tem levado a uma série de descobertas com perspectivas terapêuticas, incluindo esta já citada.

Nesta pesquisa há um fármaco que tem o potencial de reorganizar o crescimento do cerebelo, com evidências de recuperação clínica em funções como aprendizado e memória, algo que se acreditava até recentemente serem funções ligadas a outras estrutura do sistema nervoso central, o hipocampo.

Não há convicção, ainda, de que o próprio hipocampo possa ter sido beneficiado com tal fármaco, mas de qualquer modo já se tem em mãos um passo certo de que há como recuperar ou melhorar funções cognitivas em portadores da Síndrome de Down.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Doação de sangue


Para refrescar a memória e lembrar que você também pode doar sangue!

É um gesto de amor ao próximo!

Chama-se “doação de sangue” ao procedimento médico mediante o qual uma pessoa comparece a uma unidade de saúde aparelhada para retirar certa quantidade de seu sangue, o qual deve ser conservado para ser transfundido em outra pessoa que necessite receber sangue.

Geralmente é doado o sangue total, introduzindo-se um cateter em uma veia e recolhendo-o em um saco de plástico onde há anticoagulante e conservante e que deve ser mantido em refrigeração.

O sangue pode ser repassado tal como é recolhido ou separado em componentes e derivados, para assim fazer melhor uso dele. Podem ser separados hemácias (glóbulos vermelhos), plasma, plaquetas, leucócitos (glóbulos brancos), albumina, fatores de coagulação, crioprecipitados, concentrado do fibrinogênio e imunoglobulinas.

O sangue é colhido de um doador humano e conservado no interior de uma bolsa plástica descartável contendo anticoagulante e conservante, mantida em refrigeração.

Para se fazer a doação não é necessário jejum, mas deve observar-se um intervalo mínimo de 3 horas após uma refeição copiosa. A coleta é realizada com o paciente assentado em uma poltrona confortável, semi-reclinada.

Uma de suas veias dos braços é puncionada e 400 a 450 mililitros (ml) do seu sangue é então coletado (8 ml por kg do peso corporal para a mulher e 9 ml por kg para o homem). Cerca de 40 ml de sangue são retirados para servirem a exames e tipagem do sangue.

Em virtude das limitações das técnicas empregadas no momento da doação, podem ocorrer resultados duvidosos, que devem ser reanalisados mais rigorosamente sob supervisão médica.

Na maioria das vezes o doador é encaminhado em seguida a uma sala de lanches para alimentar-se e ingerir líquido, o que diminui ou exclui algumas reações colaterais.

O processo completo de doação de sangue, incluído os exames a que o paciente e o sangue recolhido devem ser submetidos, dura aproximadamente uma hora, sendo que a coleta do sangue toma apenas 10 a 15 minutos.

Salvo o ligeiro incômodo de uma picada de agulha, o procedimento é indolor.

O doador não corre nenhum risco de contaminação se o sangue for colhido nas condições técnicas e clínicas corretas.

Todas as pessoas sadias e dentro das normas prescritas pelo Ministério da Saúde podem doar sangue. Os doadores devem ser previamente examinados para se constatar se ele está em boas condições de saúde e vários exames de laboratório devem ser feitos para confirmar o bom estado do sangue.

O doador deve:

• Ter idade entre 16 e 69 anos.

• Pesar mais de 50 quilos.

• Não ser dependente de substâncias tóxicas.

• Não estar tomando certos medicamentos a serem especificados pelo médico.

• Realizar apenas "sexo seguro".

• Antes da doação ele deve, também, ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas e estar bem alimentado. Os menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis para fazer a doação.

Uma pessoa sadia têm mecanismos biológicos para repor novamente o sangue retirado, após a doação.

No Brasil, a doação de sangue deve ser um ato espontâneo e não remunerado e embora o doador necessite apresentar documentos de identidade no momento da doação, deve permanecer anônimo para o receptor.

Algumas pessoas são definitivamente impedidas de doar sangue, enquanto para outras esse impedimento é apenas temporário

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Carbamazepina


A carbamazepina é um anticonvulsivante.

Foi originalmente usado, e continua sendo, para o tratamento da epilepsia, mas encontra bons resultados para o controle do Transtorno Afetivo Bipolar (antigo PMD).

Além desta indicação pode também ser usado para controlar a agressividade em pacientes com outros tipos de transtornos mentais, como a demência, o retardo mental e com pacientes psicóticos.

Também pode ser usada para tratar a síndrome das pernas inquietas, a abstinência alcoólica e a neuralgia do trigêmio, de acordo com estudos publicados em revistas científicas.

A dose recomendada varia entre 400 e 800mg por dia, acima disto apenas com indicação médica.

Pela sonolência que pode causar é recomendável dar a maior parte da dose a noite.

Reações alérgicas na pele com pequenas placas avermelhadas é relativamente comum, mas não há necessidade de se interromper o tratamento por isso.

Sedação, descoordenação motora, tonteiras, cansaço, enjôo e visão borrada são mais comuns de acontecer.

Não deve ser usado durante o primeiro trimestre da gestação, há evidências de má formação fetal.

Só deve ser usado quando o médico responsável julgar que os benefícios compensam os riscos.

O fato de se ter identificado má formações não significa que isto aconteça sempre, mas somente numa pequena parcela das mães que tomam esse remédio.

Não deve ser usado junto a antidepressivos do tipo IMAO irreversível.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Escarlatina


A escarlatina é uma doença infecciosa aguda e contagiosa que atinge principalmente crianças em idade escolar, de 5 a 15 anos, ocorrendo principalmente durante o outono e a primavera.

Ela já foi considerada uma doença infantil muito grave, mas depois da era dos antibióticos é facilmente tratável.

Quase sempre a escarlatina é uma complicação das infecções da garganta e da pele, causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, a mesma que causa amigdalite, faringite e febre reumática, entre outras.

A transmissão da escarlatina acontece por gotículas de saliva ou outras secreções infectadas que são expelidas por via nasal, pela tosse ou por espirros e respiração ou ainda através do contato com vestuário e objetos contaminados.

Os principais sinais e sintomas da escarlatina são: palidez, vermelhidão na pele e na língua, pequenos pontos vermelhos no céu da boca, febre, dores na garganta, dificuldades de deglutir, inapetência, dor no corpo e na cabeça, náuseas, vômitos, descamação da pele.

A erupção primeiramente aparece no pescoço e no peito e se espalha posteriormente por todo o corpo. A textura da erupção em "lixa" é mais importante para o diagnóstico que a aparência dela.

Em alguns casos a língua fica com pequenas bolhas, que dão a ela um aspecto de framboesa, conhecida como “língua em framboesa”.


Em virtude da dor de garganta, a criança pode precisar de uma alimentação mais pastosa, de mais fácil deglutição. Sorvetes e picolés podem ajudar a aliviar a dor ao engolir.

O diagnóstico da escarlatina é basicamente clínico, baseado nos sinais e sintomas típicos da enfermidade.

A cultura e o teste rápido de pesquisa do estreptococo no esfregaço da garganta (pesquisa de antígenos) ajudam a identificar a bactéria e estabelecer um diagnóstico diferencial.

O tratamento da escarlatina é feito através da administração de antibióticos, sendo a penicilina o medicamento de primeira escolha, mas também se pode utilizar a amoxicilina, a eritromicina ou a azitromicina.

Analgésicos e antitérmicos podem ser usados para alívio de sintomas como febre e dores.

No caso de coceiras deve-se dar banho na criança com maisena e após o banho passar uma loção de calamina ou qualquer outra loção calmante.

Quando começar a descamação da pele, aplicar vaselina ou óleo mineral massageando delicadamente a região.

É importante não expor a criança ao sol caso tenha passado qualquer tipo de óleo pelo corpo.

A grande eficiência do tratamento antibiótico tornou a mortalidade, que no passado era comum, próxima de zero nesse século.

Como prevenir a escarlatina?

•A melhor maneira de prevenir a escarlatina é tratar adequadamente as infecções por estreptococos.

•As pessoas infectadas não devem frequentar aglomerações nem compartilhar copos ou talheres com outras pessoas.

•Lenços usados por pessoas infectadas devem ser descartáveis e descartados em locais apropriados.

•Lavar bem as mãos antes e depois de tocar o rosto de uma pessoa com a doença ajuda a evitá-la.

•Como a vacina específica é pouco eficiente e muito cara, essa forma de prevenção costuma só começar após um surto.

Quais são as complicações mais comuns da escarlatina?

O início rápido do tratamento é fundamental para evitar complicações graves como a meningite, o reumatismo infeccioso e a glomerulonefrite. Geralmente a pessoa melhora em torno do terceiro dia após o início do antibiótico, mas não deve abandonar o tratamento até que o seu término seja concluído, conforme prescrição médica.

Não tratada, a escarlatina pode causar hemorragias no estômago, no baço e no intestino delgado, bem como podem ocorrer convulsões, inflamação nos rins e nos tímpanos, dores nas articulações e problemas cardiovasculares.

Podem ocorrer também sequelas permanentes nos rins e febre reumática.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Diabetes e Depressão


Existe importante relação entre as complicações crônicas da Diabete e Depressão.

As complicações crônicas aumentam quatro vezes a prevalência de depressão moderada ou grave em diabéticos de tipo I e II, segundo assinalaram autores no VIII Congresso Latino-americano sobre Vasculopatias de 2003.

Estes investigadores compararam a 52 diabéticos que apresentavam complicações que no eram graves - como a dor neuropática, insuficiência renal ou retinopatia em estados iniciais - com 66 pacientes diabéticos sem complicações.

A media da idade de todos os pacientes foi de 57,9 anos e a media da idade da Diabete foi de 12,2 anos antes.

As pontuações no questionário de depressão de Beck mostraram uma Depressão moderada a grave (pontuações maiores de 20) em 21,3% dos pacientes diabéticos com complicações crônicas, contra apenas 5% dos diabéticos sem complicações.

Mas a Depressão Grave (pontuações maiores de 25) só apareceu em 8,5% desses pacientes com complicações crônicas, segundo Zulema Stolarza (Hospital Francês, Buenos Aires), autora principal do estudo.

Segundo refere Stolarza, o questionário de depressão de Beck e outras escalas relacionadas para avaliar a Depressão poderiam converter-se em uma ferramenta habitual dos médicos que tratam aos pacientes diabéticos. Reconhece Zulema Stolarza que a detecção precoce e o tratamento da Depressão melhorará, sem duvida, o controle metabólico da Diabete.

Ficou inconclusiva a polêmica se a Depressão aparece principalmente como resultado das complicações da Diabete ou se, ao contrário, se a Depressão prévia propicia a aparecimento dessas complicações. Alguns autores acreditam que o mais provável e que exista uma combinação de ambos fatores.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Notícia interessante



Lígia Formenti - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A médica cubana Ramona Matos Rodríguez ingressou nesta sexta-feira, 14, com uma ação na Justiça reivindicando que o governo federal pague R$ 149 mil de indenização pelo período em que trabalhou no Mais Médicos. Ramona, que abandonou o programa na semana passada e pediu abrigo na liderança do DEM, pede que o valor seja bloqueado das contas da União liminarmente, até que o mérito da causa seja analisado.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uso de corticóides em crises de asma


A dexametasona tem sido proposta como uma terapia equivalente à prednisona/prednisolona para crises da asma aguda em pacientes pediátricos.

Apesar de existirem vários pequenos ensaios clínicos sobre o tema, os dados de consenso ainda não são claros.

Esta revisão sistemática e meta-análise teve como objetivo determinar se a dexametasona intramuscular ou oral é equivalente ou superior a um curso de cinco dias de prednisona ou prednisolona.

O desfecho primário de interesse foi o retorno a consultas ou reinternações hospitalares.

A busca no PubMed (Medline) foi feita até 19 de outubro de 2013 usando as palavras-chave dexametasona, decadron, asma ou estado de mal asmático, identificando os estudos potenciais.

Seis estudos randomizados e controlados, realizados em departamento de emergência de crianças ≤ 18 anos de idade, comparando dexametasona com prednisona/prednisolona para o tratamento da asma aguda grave foram incluídos.

Os dados foram extraídos por quatro autores e verificados por um outro autor. Dois revisores avaliaram a qualidade do estudo de forma independente.

Não houve diferença no risco relativo de recaída entre os dois grupos em nenhum momento.

Os pacientes que receberam dexametasona eram menos propensos aos vômitos, tanto no departamento de emergência quanto em casa.

Os profissionais de saúde devem considerar os regimes de tratamento com dose única ou com duas doses de dexametasona como uma alternativa viável ao curso de cinco dias de prednisona/prednisolona em crianças com crises de exacerbação da asma.

Fonte: Pediatrics, publicação online de 10 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Hipertensão porta


Hipertensão porta é a hipertensão da veia porta e suas tributárias (veias que levam o sangue dos órgãos abdominais para o fígado), que fica igual ou maior que 10-12 mmHg e leva a vários transtornos orgânicos, alguns sérios e potencialmente mortais.

A pressão venosa portal normalmente fica entre 5 e 10 mmHg.

As causas da hipertensão porta são várias, mas a principal delas é a cirrose.

Em países com baixo índice de desenvolvimento, a maior causa costuma ser a esquistossomose.

Essas duas condições causam uma obstrução da circulação do sangue pelo sistema da veia porta.

As obstruções podem ocorrer em qualquer lugar ao longo do sistema e são divididas em:

•Obstruções antes do fígado: causadas por trombose da veia esplênica ou trombose da veia porta, por exemplo.

•Obstruções dentro do fígado: causadas pela cirrose, esquistossomose, sarcoidose, fibrose hepática congênita ou fibrose alcoólica, por exemplo.

•Obstruções depois do fígado: causadas por insuficiência cardíaca à direita ou pericardite constritiva, por exemplo.

Os principais sinais e sintomas da hipertensão porta são: ascite (acúmulo de líquido na região abdominal), aparecimento de hemorroidas, sangramento de varizes esofágicas, presença de sangue nas fezes, varizes no esôfago e estômago, aumento do baço, insuficiência hepática, veias dilatadas, pés inchados.

As anastomoses anorretais dão origem às chamadas hemorroidas. No umbigo forma-se a chamada "cabeça-de-medusa" e as anastomoses esofagogástricas formam as varizes gástricas e esofágicas, principal consequência da hipertensão porta e a principal área de hemorragias.

O diagnóstico da hipertensão porta é feito através da história clínica, do exame físico e por meio de exames laboratoriais como dosagens que revelem a função hepática (hepatograma), endoscopia do esôfago e do estômago, ultrassonografia do fígado e do sistema venoso portal e doppler da veia porta e da veia esplênica.

Uma biópsia do fígado ajuda a diagnosticar a hipertensão e a avaliar as condições funcionais do órgão.

O tratamento medicamentoso da hipertensão porta visa, em primeiro lugar, reduzir a tensão no sistema porta e, consequentemente, a pressão das varizes, objetivando evitar os possíveis sangramentos.

De início, ele pode ser feito com medicações e, quando mais evoluído, por meio de um "shunt" (desvio) intra-hepático, que é a criação de uma conexão entre o sistema venoso portal e o sistema venoso sistêmico ou por um “shunt” esplenorrenal.

Pode ser feita, também, uma esclerose endoscópica das varizes esofágicas, para evitar sangramentos.

Casos muito graves podem exigir um transplante de fígado.

A hipertensão porta já é uma complicação de condições que causam obstruções do sistema circulatório da veia porta.

As principais consequências secundárias da hipertensão porta são a ascite, a encefalopatia hepática, o aumento do risco de peritonite bacteriana e da síndrome hepatorrenal, o aumento de tamanho do baço e a formação de anastomoses porto-cava.

Outra complicação séria da hipertensão porta é a hemorragia gastrointestinal.

As hemorragias gastrointestinais mais abundantes provêm do rompimento das varizes causadas pela hipertensão porta, que às vezes são fulminantes e mortais.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Peritonite




O que é peritonite?

Peritonite é uma inflamação do peritônio, membrana serosa que reveste parte da cavidade e das vísceras abdominais.

Pode ser localizada ou generalizada, e resulta, mais frequentemente de uma infecção ou, mais raramente, de um processo inflamatório não-infeccioso.

Quase sempre a peritonite é uma complicação grave de outra enfermidade abdominal.

As causas possíveis da peritonite são tão variadas que quase se poderia incluir entre elas todas as doenças das estruturas anatômicas contidas na cavidade abdominal.

A inflamação da membrana peritoneal costuma ser consequência de uma infecção, mas mesmo quando por outras causas, a elas geralmente se sobrepõe uma infecção secundária. Mais comumente, a peritonite pode ser desencadeada por:

•Extensão de uma infecção localizada numa víscera abdominal.

•Perfuração ou ruptura de uma víscera abdominal.

•Traumatismo da parede abdominal.

São, pois, vários os distúrbios que podem dar lugar a uma peritonite: apendicite, úlcera gastroduodenal, pancreatite aguda, distúrbios inflamatórios intestinais, inflamação da vesícula biliar, processos infecciosos dos órgãos genitais, doenças cancerosas, alterações vasculares que perturbem a irrigação do intestino e do peritônio, hérnias estranguladas, etc.

Os principais sinais e sintomas da peritonite são dor abdominal aguda e hipersensibilidade abdominal intensa, as quais são exacerbadas por quaisquer movimentações do peritônio, como acontece ao tossir, na flexão dos quadris e no pressionar e liberar a mão sobre o abdome, por exemplo.

A princípio a dor pode ser localizada na área em que o problema se inicia, mas logo depois se generaliza por todo o abdome.

Além disso, ocorre também distensão abdominal, rigidez abdominal difusa, chamado “abdome em tábua”, febre e calafrios, acúmulo de líquido no abdome, taquicardia, paralisia intestinal, dificuldades de respirar, náuseas e vômitos.

Embora em geral a peritonite seja decorrente de uma condição mórbida abdominal, algumas vezes é a primeira manifestação dela a aparecer.

O exame físico revela dados bastante típicos. Em geral há alguns sinais semiológicos característicos, como o sinal de Blumberg (dor aguda ao pressionar e liberar a mão sobre o abdome), por exemplo, mas muitos pacientes sequer deixam o médico tocar-lhes a barriga, tal a exacerbação da dor.

Testes sanguíneos, radiografias e tomografias computadorizadas podem ser realizadas. O líquido removido do abdome por meio de uma punção pode ser enviado ao laboratório para exame.

Em alguns casos só durante a cirurgia é possível determinar-se com precisão a causa da peritonite.

A peritonite representa uma emergência médica.

O paciente deve estar ou ser internado; em muitos casos, inclusive, numa Unidade de Terapia Intensiva. Identificada a causa da peritonite, ela deve ser tratada adequada e rapidamente.

Certos cuidados gerais são importantes, tais como:

•Rehidratação do paciente, para compensar a perda de líquidos feita pelo sequestro abdominal e pelos vômitos.

•Colocação de uma sonda nasogástrica para aliviar a distensão abdominal.

•Administração de oxigênio.

•Devem ser realizadas as possíveis transfusões de sangue, quando necessárias.

•A inflação do peritônio em si será tratada com doses elevadas de antibióticos, por via venosa. Analgésicos podem ser administrados para aliviar a dor. Durante a intervenção cirúrgica deve-se fazer uma profusa lavagem do peritônio com soro fisiológico.

•Se houver muito fluido o médico deve remover um pouco desse líquido. A maioria dos casos exigirá uma cirurgia para tratar a causa imediata, como, por exemplo, uma úlcera péptica ou uma diverticulite perfurada, uma apendicite etc. Se tratados adequadamente, os casos típicos são corrigíveis.

A peritonite é sempre uma situação grave. Sua taxa de mortalidade é de cerca de 10% em pacientes jovens e saudáveis e sobe para cerca de 40% em pacientes idosos ou com doença subjacente significativa.

Se não for pronta e adequadamente tratada, a peritonite generalizada é quase sempre fatal.

O único meio de prevenir a peritonite é tratar adequadamente e a tempo as enfermidades que podem causá-la.

Algumas das complicações possíveis da peritonite são:

•Sequestro de fluidos e eletrólitos, devido ao extravasamento de líquido para o abdome e suas consequências.

•Se a infecção não for rapidamente debelada, a evolução do processo infeccioso se disseminará por todo o organismo, causando uma septicemia (infecção generalizada).

•Abscesso peritoneal e sepse podem se desenvolver, por isso as culturas de sangue devem ser obtidas.

•O líquido acumulado no abdome pode comprimir o diafragma, causando dificuldades respiratórias.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

AVC em mulheres


Nova diretriz sobre fatores de risco exclusivos das mulheres e sobre prevenção cardiovascular para o sexo feminino.

Esta diretriz se concentra nos fatores de risco para acidente vascular cerebral (AVC) exclusivos para as mulheres, tais como fatores reprodutivos, e naqueles que são mais comuns em mulheres, incluindo a enxaqueca com aura, a obesidade, a síndrome metabólica e a fibrilação atrial.

Os membros do grupo que escreveram a diretriz foram nomeados com base em seus trabalhos anteriores em tópicos relevantes nesta área e foram aprovados pela American Heart Association (AHA) Stroke Council’s Scientific Statement Oversight Committee e pelo AHA’s Manuscript Oversight Committee.

O painel revisou artigos relevantes da literatura médica até 15 de maio de 2013.

O documento passou por extensa revisão interna na AHA, no Stroke Council Leadership e Scientific Statements Oversight Committee antes da apreciação e aprovação pela AHA Science Advisory e pelo Coordinating Committee.

Evidências atuais foram fornecidas, assim como foram preenchidas lacunas de pesquisa e recomendações sobre o risco de acidente vascular cerebral relacionado à pré-eclâmpsia, uso de anticoncepcionais orais, menopausa e reposição hormonal, bem como para os fatores de risco mais comuns em mulheres, tais como a obesidade/síndrome metabólica, a fibrilação atrial e a enxaqueca com aura.

Alguns pontos de destaque são:

•Pré-eclâmpsia: a hipertensão arterial é um fator de risco modificável para o acidente vascular cerebral. A pré-eclâmpsia é a hipertensão arterial específica da gravidez. Segundo as recomendações desta diretriz, mulheres com histórico de hipertensão arterial devem ser consideradas por seus médicos para o uso de baixas doses de aspirina e suplementação de cálcio para evitar a pré-eclâmpsia. A hipertensão arterial aumenta o risco de AVC durante a gravidez e após o parto este maior risco acompanha a mulher ao longo de vários anos de vida.

•Uso de contraceptivos orais: os fatores de risco cardiovasculares podem ser desencadeados pelo uso de pílulas anticoncepcionais orais. Para evitar tais riscos, antes de iniciar o uso deste tipo de medicação, as mulheres devem ser avaliadas e orientadas por seus médicos sobre fatores de risco tais como tabagismo, pressão alta e história familiar de acidentes vasculares cerebrais.

•Enxaqueca com aura: mulheres que sofrem com crises intensas de dor de cabeça que vem precedida de um sintoma visual (aura) têm um risco aumentado para AVCs e devem ser acompanhadas por seus médicos, além de abandonarem o cigarro, caso tenham este hábito.

•Depressão: a depressão é mais comum em mulheres do que em homens. Ela é também um fator de risco para doenças cardiovasculares. É importante avaliar as medidas preventivas que podem ser realizadas neste grupo de pacientes.

Concluiu-se que para refletir com mais precisão sobre o risco de derrame em mulheres durante toda a vida, bem como sobre as lacunas existentes nos escores de risco atuais, um escore de risco de acidente vascular cerebral específico para o sexo feminino é justificado.



Fonte: Stroke (American Heart Association/American Stroke Association), publicação online de 6 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

TCC para esquizofrenia


Os medicamentos antipsicóticos são geralmente a primeira linha de tratamento para a esquizofrenia, no entanto, muitos pacientes recusam ou interrompem o tratamento farmacológico.

O objetivo do presente trabalho foi verificar se a terapia cognitiva foi efetiva na redução dos sintomas psiquiátricos em pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia que tinham escolhido não tomar drogas antipsicóticas.

Foi realizado um ensaio clínico simples cego randomizado e controlado em dois centros do Reino Unido entre 15 de fevereiro de 2010 e 30 de Maio de 2013.

Os participantes com idades entre 16 e 65 anos, com transtornos do espectro da esquizofrenia, que escolheram não tomar medicamentos antipsicóticos para a psicose, foram distribuídos aleatoriamente (1:1) por um sistema informatizado, com tamanhos de blocos permutados de quatro ou seis anos, para receber a terapia cognitiva mais o tratamento como é habitual ou o tratamento usual sozinho.

O resultado primário foi a pontuação na escala Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS), que foi avaliada no início do estudo e nos meses 3, 6, 9, 12, 15 e 18.

A análise foi por intenção de tratamento, com um modelo ANCOVA ajustado para local, idade, sexo e os sintomas iniciais.

Os 74 indivíduos foram aleatoriamente designados para receber a terapia cognitiva mais tratamento usual ou o tratamento como de costume sozinho.

Escores médios da PANSS foram consistentemente mais baixos no grupo da terapia cognitiva do que no grupo que recebeu tratamento como de costume.

Foram registrados oito eventos adversos graves: dois em pacientes no grupo da terapia cognitiva (uma tentativa de overdose e um paciente que representa risco para os outros pacientes, ambos após a terapia) e seis naqueles do grupo em tratamento habitual (dois óbitos, sendo que ambos eram considerados alheios à participação no estudo ou à saúde mental; três internações compulsórias em hospital para tratamento sob a Lei de Saúde Mental e uma tentativa de overdose).

A terapia cognitiva reduziu significativamente os sintomas psiquiátricos e parece ser uma alternativa segura e aceitável para pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia que optaram por não fazer uso de medicações antipsicóticas.

Tratamentos baseados em evidências devem estar disponíveis para estes indivíduos. É necessário que um estudo maior e definitivo seja realizado.

Fonte: The Lancet, publicação online de 6 de fevereiro de 2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Gravidez ectópica


O termo “ectópico” significa “fora do lugar”.

Chama-se ectópica à gravidez que acontece fora da cavidade uterina.

Geralmente ela se desenvolve numa das trompas de Falópio e, mais raramente, no ovário, no colo do útero ou na superfície de um órgão próximo.

As trompas de Falópio são duas estruturas tubulares, uma de cada lado do corpo, que conduzem o óvulo dos ovários até o útero.

Quando ocorre a gravidez, o espermatozoide fertiliza o óvulo no interior da trompa, a meio caminho em direção ao útero.

Normalmente, o ovo assim formado continua seu caminho e se aninha no interior do útero, onde se desenvolve.

Se, por qualquer razão ele fica fixado nas trompas, a gravidez se desenvolve aí e é chamada “gravidez tubária”, um tipo, pois, de gravidez ectópica.

Às vezes a causa da gravidez ectópica é desconhecida, mas quase sempre ela acontece em decorrência da obstrução total ou parcial da trompa de Falópio ou devido à diminuição da motilidade dela, que impede o óvulo fertilizado de seguir sua trajetória até o útero.

Essa obstrução pode ser causada por uma inflamação da trompa (salpingite), após um aborto ou parto ou pelo uso do DIU (dispositivo intrauterino).

A gravidez ectópica também pode ocorrer por infecções abdominais, tumores pélvicos, cicatrização após cirurgia abdominal e aderências de cirurgias próximas. Embora isso aconteça raramente, ela pode ser por um defeito congênito das trompas.

Os sintomas da gravidez ectópica aparecem duas a quatro semanas após o atraso menstrual.

Os primeiros sinais são constituídos por sangramentos vaginais, seguidos por dores em um dos lados da porção inferior do abdome.

Juntamente com esses sintomas pode haver também sintomas de uma gravidez normal: aumento da sensibilidade nos seios, náuseas, vômitos etc.

A gravidez ectópica sempre é inviável e pode ter complicações sérias e até fatais para a mulher, se não for prontamente tratada.

A principal delas é o rompimento da trompa, ocasionando um sangramento abundante no interior do abdome, coisa que também pode acontecer nas gestações que começam no ovário ou no colo do útero.

Uma dor repentina e muito forte, no baixo ventre e nas costas, acompanhada de elevação da frequência cardíaca, são sinais de rompimento de uma gravidez ectópica.

Uma gravidez ectópica às vezes é suspeitada no curso de um exame pélvico em virtude de queixas ginecológicas inespecíficas.

Pode ser detectado um inchaço em um dos lados, no exame de toque, e os movimentos do útero ou dos ovários durante esse exame podem causar dor.

Esses sintomas fazem aumentar as chances do diagnóstico de gravidez ectópica se estiverem associados com uma história clínica que indique a possibilidade de gravidez.

Um teste de gravidez pode ser utilizado para confirmar a situação.

A ultrassonografia pélvica pode revelar a localização da gravidez ectópica. O sangue resultante do sangramento de uma gravidez ectópica pode ser colhido no fundo do peritônio, por uma agulha introduzida abaixo do colo do útero (culdocentese).

Além disso, o hematócrito e as dosagens sanguíneas de gonadotrofina coriônica e de progesterona ajudarão a compor o diagnóstico.

O diagnóstico de certeza pode ser feito por meio de um laparoscópio (um tubo fino contendo uma fonte de luz) inserido na cavidade abdominal por uma incisão na região umbilical, o qual permite ao médico localizar precisamente a gravidez ectópica.

Uma gravidez ectópica às vezes é suspeitada no curso de um exame pélvico em virtude de queixas ginecológicas inespecíficas.

Pode ser detectado um inchaço em um dos lados, no exame de toque, e os movimentos do útero ou dos ovários durante esse exame podem causar dor.

Esses sintomas fazem aumentar as chances do diagnóstico de gravidez ectópica se estiverem associados com uma história clínica que indique a possibilidade de gravidez.

Um teste de gravidez pode ser utilizado para confirmar a situação. A ultrassonografia pélvica pode revelar a localização da gravidez ectópica.

O sangue resultante do sangramento de uma gravidez ectópica pode ser colhido no fundo do peritônio, por uma agulha introduzida abaixo do colo do útero (culdocentese).

Além disso, o hematócrito e as dosagens sanguíneas de gonadotrofina coriônica e de progesterona ajudarão a compor o diagnóstico.

O diagnóstico de certeza pode ser feito por meio de um laparoscópio (um tubo fino contendo uma fonte de luz) inserido na cavidade abdominal por uma incisão na região umbilical, o qual permite ao médico localizar precisamente a gravidez ectópica.

O tratamento da gravidez ectópica é a remoção cirúrgica do embrião.

Muitas vezes também a trompa de Falópio e o ovário envolvidos precisam ser removidos, mas em outras vezes é possível remover apenas as partes afetadas e reconstruir a trompa de modo que continuem funcionando.

Com os recursos diagnósticos e terapêuticos atuais, a morte resultante de gravidez ectópica é rara.

Diante de um caso de gravidez ectópica a mulher deve ser hospitalizada imediatamente, em virtude das possibilidades de complicações graves.

A mulher que teve uma gravidez ectópica e que não sofreu retirada das trompas ou que não teve danos sérios a elas é capaz de engravidar posteriormente.

Cerca de um terço das mulheres que tiveram uma gravidez ectópica podem voltar a tê-la novamente.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ansiedade de separação na infância


As crianças com Ansiedade de Separação podem ser incapazes de permanecer em um quarto sozinhas, podem exibir um comportamento muito adesivo à pessoa de forte vínculo afetivo (normalmente a mãe), costumam andar juntos como uma sombra atrás dos pais, não só fora do lar como até por toda a própria casa e sofrem muito diante da possibilidade de ficarem separadas.

Sintomas de ansiedade são relativamente comuns em crianças e adolescentes, e a ansiedade patológica, incluindo o Transtorno de Separação na Infância é um problema clínico freqüente nesta faixa etária.

Por estas razões, todos os profissionais que lidam com crianças e adolescentes devem estar conscientizados sobre as possíveis manifestações de ansiedade nesta faixa etária.

Esse apelo é especialmente dirigido aos pediatras, inegavelmente os primeiros a tomarem contacto com a criança ansiosa e, infelizmente, os maiores responsáveis pelo não tratamento da ansiedade nesses pacientes.

Exceto alguma coisa do tipo maracujá, dificilmente são capazes (normalmente por ignorarem) de recomendar o tratamento correto.

O problema fica mais grave na medida em que as famílias jamais contestam a conduta do pediatra de seus filhos e, quando eles acham que criança não deve tomar nenhum medicamento psiquiátrico, o assunto está definitivamente encerrado.

As diretrizes a seguir podem auxiliar os pediatra ou médico da família médicos a determinar se há justificativa para um encaminhamento para serviço de saúde mental:

1. A criança apresenta sintomas que excedem o que seria esperado no desenvolvimento.

2. A ansiedade cria comprometimento significativo em alguma área das funções da criança.

3. Os sintomas de ansiedade persistem por um tempo inadequado.

Os transtornos ansiosos podem ser debilitantes para crianças e adolescentes e estressantes para as famílias, podem comprometer significativamente o desenvolvimento e o equilíbrio emocional.

Por isso, o tratamento rápido e apropriado pode ser efetivo em aliviar os sintomas e ajudar o jovem a retornar à função normal.

A Ansiedade de Separação é, provavelmente, o transtorno ansioso mais comum em crianças.

A característica essencial do Transtorno de Ansiedade de Separação é a ansiedade excessiva envolvendo o afastamento de casa ou de pessoas com forte vínculo afetivo, normalmente a mãe.

O medo é uma emoção humana universal e, tanto as crianças e adolescentes, quanto os adultos podem (e devem) experimentá-lo fisiologicamente.

O medo até é benéfico na conservação da espécie, na medida em que serve de resposta adaptativa em muitas situações adversas.

Portanto, a simples presença de medo de separar-se da mãe, pai ou qualquer outra figura de forte ligação afetiva não é um sinal de patologia emocional, é um fenômeno normal no desenvolvimento infantil, existindo naturalmente dos 10 meses de idade até a idade pré-escolar.

Mas, em outros casos, as reações de medo e ansiedade diante da separação ou perspectiva de separação podem comprometer a adaptação e o desenvolvimento infantil.

Para o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade de Separação há necessidade de que a ansiedade diante da separação ou perspectiva de separação da figura de mais contacto afetivo (normalmente a mãe) seja exagerada, que a criança apresente algum sofrimento significativo ou algum prejuízo social, escolar ou de outra área importante de sua vida.

Portanto, para o diagnóstico é importante que as crianças com ansiedade de separação tenham dificuldades em realizar suas atividades cotidianas normais, freqüentar a escola, ficar na casa de amigos, ir à excursões e, até, manter hábitos de sono normais.

As crianças com este transtorno experimentam um sofrimento excessivo quando separados de casa ou de pessoas de vinculação afetiva importante, bem como podem sofrer antecipadamente diante da simples possibilidade de futura separação.

Quando os pacientes são separados da casa ou dessas pessoas de vinculação afetiva, precisam insistentemente saber de seu paradeiro e sentem necessidade de permanecer em contato constante, como por exemplo, através de telefonemas repetidos.

Embora teoricamente a Ansiedade de Separação possa ocorrer em qualquer idade, o transtorno é mais freqüentemente diagnosticado na pré-puberdade.

Isso porque, possivelmente, em idades anteriores o problema possa ser menos valorizado pela família.

A proporção entre meninos e meninas para a Ansiedade de Separação é pouco conhecida, embora alguns estudos epidemiológicos relatem mais casos femininos.

Dos 9 aos 12 anos as crianças com costumam suportar mais a angústia excessiva no momento da separação.

Os adolescentes com o transtorno entre 13 e 16 anos podem recusar ir à escola e apresentar queixas físicas.

Pesadelos sobre separação também são freqüentemente em crianças mais jovens.

Algumas crianças com Transtorno de Ansiedade de Separação sentem saudade extrema e chegam a sentir-se doentes (com febre, diarréia, vômito, etc.) devido ao desconforto por estarem longe de casa ou quando a pessoa de maior vínculo afetivo está ausente (viagens, trabalho...).

Outros sintomas incluem preocupação fora da realidade com algo de mal que possa acontecer a si mesma ou aos pais, recusa em ir à escola, relutância em dormir sozinha ou longe dos pais, pesadelos repetidos com temas de separação e queixas físicas (cefaléias, dores de estômago, náuseas, vômitos) nos momentos de separação ou antecipadamente, diante da possibilidade de separação.

Esses pacientes freqüentemente expressam o medo anormal de se perderem e jamais reverem seus pais. Devido ao desconforto que sentem quando se ausentam de casa, costumam evitar de ir a qualquer lugar sozinhas.

Pode, inclusive, haver relutância ou recusa a irem à escola ou outro tipo de atividade fora de casa, assim como, visitar ou pernoitar em casa de amigos.

Outro sinal marcante do transtorno de separação que essas crianças apresentam é a freqüente dificuldades para dormir sozinhas, sendo habitual a insistência para que alguém (normalmente a mãe) permaneça ao lado até adormecerem.

Durante a noite podem ir à cama dos pais ou de outra pessoa significativa, como um irmão.

Também pode haver pesadelos cujo conteúdo expressa os temores fantasiosos da criança, como por exemplo, a destruição da família, assassinato ou outra catástrofe.

Quando essas crianças com Transtorno de Ansiedade de Separação estão fora de casa, elas podem exibir um certo retraimento social, apatia, tristeza ou dificuldade para concentrar-se no trabalho, estudo ou em brincadeiras.

Dependendo da idade, elas podem ter medo de animais, monstros, do escuro, de ladrões, bandidos, seqüestradores, acidentes automobilísticos, viagens aéreas e outras situações percebidas como perigosas para a integridade, sua própria ou da família. Preocupações com a morte e o morrer são comuns.

A recusa de irem à escola pode acarretar dificuldades escolares e até evitação social.

As crianças podem queixar-se de que ninguém gosta delas e, muitas vezes, até afirmar que desejariam estar mortas.

Quando extremamente perturbadas frente à perspectiva de separação, podem apresentar raiva ou às vezes agredir fisicamente a pessoa que está forçando a separação.

Quando sozinhas, especialmente à noite, as crianças pequenas podem relatar experiências perceptivas incomuns, tais como, ver pessoas dentro do quarto, criaturas assustadoras que tentam pegá-las, sensação de olhos que as vigiam.

As excessivas exigências da criança em relação à atenção, carinho e amor freqüentemente se transformam em uma fonte de frustração para os pais, provocando ressentimento e conflito na família.

Às vezes, as crianças com o transtorno são descritas como excessivamente meticulosas, obedientes e ávidas por agradar.

Um humor depressivo em geral está presente nos portadores de Transtorno de Ansiedade de Separação, justificando um diagnóstico adicional de Transtorno Distímico ou Transtorno Depressivo Maior.

O transtorno pode preceder o desenvolvimento de Transtorno de Pânico.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Polidactilia


A polidactilia (do grego polys = "muitos" e daktilus = "dedos") é uma anomalia que consiste na alteração quantitativa anormal dos dedos das mãos (quirodáctilos) ou dos pés (pododáctilos).

A pessoa afetada tem mais de cinco dedos em cada mão ou pé.

O caso mais extraordinário registrado até hoje é de uma criança japonesa que nasceu em 2010 com 16 dedos nos pés e 15 dedos nas mãos.

Essa condição varia muito, desde a presença de um ou mais dedos extras completamente desenvolvidos, até a de uma simples protrusão carnosa excepcional.

Basicamente há dois tipos de polidactilia:

•Polidactilia pós-axial: acomete o lado ulnar da mão (lado do osso do braço chamado ulna) ou o lado peroneal do pé (lado do osso da perna chamado perôneo-lateral).

•Polidactilia pré-axial: acomete o lado radial da mão (lado do osso do braço chamado rádio) ou o lado tibial do pé (lado do osso da perna chamado tíbia-medial).

A polidactilia que poderia ser chamada central, em que o dedo extra se localiza entre os dedos indicador, anular e médio, é muito rara.

Este quadro é devido a uma mutação genética e é causada por um alelo autossômico dominante com penetrância incompleta.

Há 50% de chance de passar de pai para filho se um dos pais tem o problema e até mesmo 100% caso ambos os pais tenham.

Ela envolve apenas um gene que pode causar diversas variações.

O sinal mais evidente da polidactilia é a presença de dedos em número superior a cinco em cada mão ou pé.

A polidactilia pós-axial é aproximadamente dez vezes mais comum em indivíduos negros do que em caucasianos.

A polidactilia pré-axial compreende diversos tipos de defeitos, como polidactilia do polegar, polidactilia do dedo indicador, associação com a sindactilia (dedos unidos), entre outros.

É uma enfermidade que geralmente ocorre sem quaisquer outros sintomas ou doenças.

Dedos extras podem funcionar bem ou apresentarem desenvolvimento e funcionamento ruim.

A polidactilia pode vir acompanhada de uma doença genética mais grave.

O diagnóstico da polidactilia é feito pela simples inspeção visual.

Uma radiografia da extremidade afetada ajuda a avaliar a estrutura interna.

Essa condição pode ser diagnosticada já durante a gravidez, por meio de uma ultrassonografia do feto.

A polidactilia não costuma causar problemas a quem a possui, mas como a anomalia traz certo espanto, aconselha-se fazer a cirurgia para a retirada do(s) dedo(s) extranumerário(s).

A remoção cirúrgica é fácil e geralmente sem complicações.

Quando os dedos extras são rudimentares, muitas vezes sem osso, e pediculados, podem ser removidos no momento do nascimento.

Muitas vezes, simplesmente amarrar um fio apertado em torno da base pode fazer com que o dedo caia.

Dedos maiores e mais completamente formados requerem uma cirurgia mais delicada, realizada por um especialista em cirurgia de mão em data posterior, geralmente a partir de três anos de idade.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hepatite C


A hepatite C é uma doença infecciosa que afeta sobretudo o fígado e que pode ser aguda, mais raramente, ou crônica, mais frequentemente.

Existem seis genótipos de vírus denominados de 1 a 6 sendo o genótipo 1 o mais comum e o mais difícil de tratar.

A hepatite C é causada pelo vírus da hepatite C, o VHC.

O contágio do vírus é feito sobretudo pelo uso compartilhado de seringas, transfusões de sangue, material médico mal esterilizado ou práticas clínicas pouco seguras. Num certo número de casos a causa do contágio permanece desconhecida.

Outras formas menos frequentes de transmissão envolvem relações sexuais, piercings, tatuagens e compartilhamento de objetos de uso pessoal.

As pessoas em maiores riscos são as que estiveram em diálise renal, as que têm contato com sangue, como os profissionais de saúde, as que têm contato sexual não protegido, as que compartilham seringas com outras pessoas, as que receberam transfusão de sangue não analisado, as que fazem tatuagem ou acupuntura, as que receberam derivados do sangue ou órgãos sólidos, as que compartilham itens pessoais, como escovas de dente, barbeadores etc. e as que nasceram de uma mãe infectada com hepatite C.

A hepatite C muitas vezes fica assintomática durante alguns anos.

Passados 20 a 30 anos, a infecção crônica pode levar à cirrose do fígado, à insuficiência hepática ou ao câncer do fígado.

Cerca de 15% das pessoas acometidas apresentam sintomas agudos, os quais, no entanto, são pouco intensos e imprecisos: falta de apetite, fadiga, náuseas, dores musculares ou nas articulações e perda de peso.

Em alguns casos a infecção pode desaparecer por si só, o que ocorre com mais frequência em indivíduos jovens do sexo feminino. A maioria das pessoas expostas ao vírus contraem uma infecção crônica.

Durante anos os infectados não notam qualquer sintoma.

Às vezes há uma ligeira fadiga, dificilmente atribuível à doença. Outros sintomas que podem ocorrer, com a característica de que às vezes passam desapercebidos ou são atribuídos a outras causas, são: dor abdominal ligeira, urina escura, febre, prurido, icterícia, inapetência, náuseas, fezes pálidas e vômitos, entre outros.

A cirrose e câncer do fígado desenvolvem-se mais frequente entre alcoolistas e em indivíduos do sexo masculino.

O diagnóstico da hepatite C normalmente se inicia com um exame de sangue que detecte a presença de anticorp

os do VHC e níveis elevados das enzimas hepáticas, os quais, no entanto, guardam pouca relação com a intensidade da doença. Esses exames não conseguem fazer a distinção entre infecções agudas ou crônicas.

O diagnóstico definitivo da hepatite C e da fibrose que ela pode causar é feito pela biópsia hepática.

Hoje em dia há exames de imagens que procuram substituir a biópsia, avaliando o grau de fibrose do fígado.

Os danos hepáticos causados pela hepatite C e suas complicações podem ser avaliados e acompanhados pelas provas de função hepática e pelo tempo de protrombina.

O tratamento da hepatite C geralmente é feito com uma combinação de interferon com antivirais.

A taxa de sucesso do tratamento está entre 50 e 80%.

Aqueles indivíduos que desenvolvam cirrose ou câncer do fígado podem vir a necessitar de transplante de fígado, embora o vírus possa voltar a se manifestar.

Os portadores de hepatite C devem ser aconselhados a evitar bebidas alcoólicas e quaisquer medicamentos que apresentem toxicidade para o fígado.

Pacientes que tenham cirrose devem manter vigilância do hepatograma, através da ecografia.

As respostas favoráveis ao tratamento medicamentoso variam conforme o genótipo do vírus.

Os pacientes com hepatite C parecem ser mais sensíveis à hepatite A e B e por isso devem tomar as vacinas contra essas formas da hepatite.

Ainda não há uma vacina eficaz contra a doença, no entanto, existem algumas em fase de desenvolvimento.

É importante o rastreio adequado dos doadores de sangue ou órgãos e adesão das unidades de saúde aos princípios básicos de precaução.

As complicações maiores e mais temíveis da hepatite C são a cirrose hepática e o câncer de fígado.

Pode haver complicações da cirrose que representam risco imediato de vida, como as varizes gastroesofagianas.

A cirrose hepática pode levar à hipertensão porta, acúmulo de líquidos no abdome, hemorragias e encefalopatia.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

World Cancer Report


A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (International Agency for Research on Cancer), a agência especializada da OMS para estudos sobre o câncer, lançou o "World Cancer Report 2014”.

Este relatório revela como o câncer está crescendo a um ritmo alarmante e enfatiza a necessidade de implementação urgente de estratégias de prevenção eficazes para conter a doença. Em 2012, os novos casos de câncer por ano eram cerca de 14 milhões, um número que deve subir para 22 milhões por ano nas próximas duas décadas.

Os principais fatos relatados pelo World Cancer Report 2014 são:

•O câncer está entre as principais causas de morte no mundo, sendo responsável por 8,2 milhões de mortes em 2012.

•Os tumores de pulmão, fígado, estômago, colorretal, mama e câncer de esôfago são os tipos que causam mais mortes por câncer a cada ano.

•Os tipos mais frequentes de câncer diferem entre homens e mulheres.

•Cerca de 30% das mortes por câncer são decorrentes de cinco principais riscos comportamentais e dietéticos: índice de massa corporal elevado, baixa ingestão de frutas e legumes, falta de atividade física, tabagismo e uso de álcool.

•O cigarro é o fator de risco mais importante para o câncer, causando mais de 20% das mortes globais por câncer e cerca de 70% das mortes globais por câncer de pulmão.

•Os cânceres causados por infecções virais, como HBV (vírus da hepatite B), HCV (vírus da hepatite C) e HPV (papilomavírus humano) são responsáveis por até 20% das mortes por câncer em países de rendas baixa e média.

•Mais de 60% do total de casos novos anuais do mundo ocorrem na África, Ásia e América Central e do Sul. Estas regiões são responsáveis por 70% das mortes por câncer no mundo.

•Espera-se que os casos anuais de câncer aumentarão de 14 milhões em 2012 para 22 milhões nas próximas duas décadas.

Câncer é um termo genérico para um grande grupo de doenças que podem afetar qualquer parte do corpo. Outros termos utilizados são tumores malignos e neoplasias.

Uma característica marcante do câncer é a criação rápida de células anormais que crescem além de seus limites habituais, e que podem, em seguida, invadir partes adjacentes do corpo e se espalhar para outros órgãos.

Este processo é conhecido como metástase. As metástases são a principal causa de morte por câncer.

O câncer surge de uma única célula. A transformação de uma célula normal numa célula tumoral é um processo que engloba várias etapas, geralmente começando pela progressão de uma lesão pré-cancerosa.

Essas mudanças são o resultado da interação entre fatores genéticos individuais e três categorias de agentes externos, incluindo:

•Carcinógenos físicos, tais como a radiação ultravioleta e ionizante.

•Produtos químicos cancerígenos, como amianto, componentes da fumaça do tabaco, a aflatoxina (um contaminante de alimentos) e arsênico (um contaminante de água potável).

•Carcinógenos biológicos, tais como infecções por certos vírus, bactérias ou parasitas.

O envelhecimento é outro fator fundamental para o desenvolvimento de câncer.

A incidência de câncer aumenta drasticamente com a idade, provavelmente devido a uma acumulação de riscos específicos para o câncer.

Esta acumulação do risco está combinada à uma tendência de diminuição da eficácia de mecanismos de reparação celular que ocorre com o envelhecimento.

São fatores de risco para câncer: cigarro, consumo de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo são os principais fatores de risco para o câncer em todo o mundo.

Infecções crônicas de hepatite B (HBV), o vírus da hepatite C (HCV) e alguns tipos de vírus do papiloma humano (HPV) estão entre os fatores de risco para o câncer em países de rendas baixa e média.

O câncer do colo do útero, que é causado pelo HPV, é uma das principais causas de morte por câncer entre as mulheres nos países de baixa renda.

O conhecimento sobre as causas do câncer e sobre as intervenções para prevenção e controle da doença é extenso.

O câncer pode ser reduzido e controlado através da implementação de estratégias baseadas em evidências para a prevenção, detecção precoce do câncer e tratamento de pacientes com a doença.

Muitos tipos de câncer têm uma alta chance de cura se detectados precocemente e tratados adequadamente.

Mais de 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas modificando ou evitando fatores de risco importantes, incluindo:

•Uso do tabaco.

•Excesso de peso ou obesidade.

•Dieta pouco saudável, com baixa ingestão de frutas e vegetais.

•Sedentarismo.

•Uso de álcool

•Infecção por HPV, uma infecção sexualmente transmissível.

•Poluição do ar urbano.

•Uso de combustíveis sólidos domésticos, como por exemplo a combustão de lenha ou carvão.

Quais são as estratégias de prevenção?

•Evitar os fatores de risco listados acima.

•Vacinar contra o vírus do papiloma humano (HPV) e vírus da hepatite B (VHB).

•Controlar os riscos ocupacionais.

•Reduzir a exposição à luz solar.

Como fazer a detecção precoce dos tumores?

A mortalidade por câncer pode ser reduzida se os casos forem detectados e tratados precocemente. Existem dois componentes importantes para a detecção precoce:

Diagnóstico precoce

O conhecimento dos sinais e sintomas iniciais (para tipos de câncer, como os de colo do útero, mama, boca e tumores colorretais) a fim de diagnosticá-los e tratá-los precocemente, antes que a doença se torne avançada.

Programas de diagnóstico precoce são particularmente relevantes em ambientes de baixa renda, no quais a maioria dos pacientes é diagnosticada em estágios tardios e onde não há triagem (screening).

Screening ou rastreio

Rastreio é definido como a aplicação sistemática de um exame numa população assintomática.

Destina-se a identificar os indivíduos com alterações sugestivas de um câncer específico ou de lesões pré-cancerosas e encaminhá-los imediatamente para diagnóstico e tratamento.

Exemplos de métodos de rastreio são:

•Inspeção visual do colo do útero com ácido acético para o rastreio do câncer do colo do útero em locais com poucos recursos.

•Papanicolau para o câncer do colo do útero em ambientes de média e alta rendas.

•Mamografia para câncer de mama em ambientes de alta renda.

E sobre o tratamento do câncer?

O tratamento do câncer requer uma cuidadosa seleção de uma ou mais intervenções, tais como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia.

O objetivo é curar a doença ou prolongar consideravelmente a vida do paciente, melhorando a sua qualidade de vida.

O diagnóstico e o tratamento do câncer devem ser complementados pelo apoio psicológico ao paciente e a seus familiares.

Os cuidados paliativos são tratamentos para aliviar, ao invés de curar, os sintomas causados pelo câncer. Os cuidados paliativos podem ajudar as pessoas a viver mais confortavelmente.

É uma necessidade humanitária urgente para as pessoas com câncer e outras doenças crônicas fatais em todo o mundo.

É particularmente necessário em lugares com uma alta proporção de pacientes em estágios avançados, quando há pouca chance de cura.

Alívio de problemas físicos, psicossociais e espirituais pode ser alcançado em mais de 90% dos pacientes com câncer avançado através de cuidados paliativos.

Estratégias de saúde pública eficazes, compreensão da comunidade e os cuidados domiciliários são essenciais para proporcionar alívio da dor e cuidados paliativos para pacientes e suas famílias em ambientes de baixa renda.

A melhoria do acesso à morfina oral é fundamental para o tratamento da dor de intensidade moderada a grave causada pelo câncer e sofrida por mais de 80% dos pacientes com câncer em fase terminal.

Fonte: World Health Organization (WHO)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Bactérias: um resuminho para você se distrair!


As bactérias são os seres vivos mais antigos na natureza (evidências encontradas em rochas de 3,8 bilhões de anos).

São também os mais simples do ponto de vista estrutural e os mais bem sucedidos em relação ao número de indivíduos.

A quantidade de bactérias no intestino de uma pessoa, por exemplo, é superior ao número total de células humanas no corpo humano.

Elas são microscópicas, unicelulares, sem núcleos e sem clorofila e se reproduzem por divisão binária.

Podem ter várias formas e serem de tamanhos variados, indo de 0,2 a 6,0 micrômetros (milésima parte do milímetro).

Quase todas são envolvidas por uma camada externa resistente e logo abaixo dela por uma membrana citoplasmática, contendo em seu interior DNA, RNA, proteínas e pequenas moléculas.

Elas encontram seus alimentos em praticamente qualquer molécula orgânica e havendo alimentos suficientes elas se dividem muito rapidamente (a cada 20 minutos) e uma única bactéria pode gerar cinco milhões de outras num período de apenas onze horas.

Podem ser encontradas na forma isolada ou em colônias e podem viver na presença ou na ausência de oxigênio (chamadas, respectivamente, aeróbias ou anaeróbias) ou, ainda, serem anaeróbias facultativas.

As aeróbias normalmente vivem na pele ou no sistema respiratório e as anaeróbias nas camadas profundas dos tecidos ou nas feridas.

As bactérias exercem um importante papel ecológico porque elas fixam e devolvem o nitrogênio à atmosfera e também são úteis para o homem na indústria de laticínios e farmacêutica, que utilizam bactérias para fabricar derivados do leite e antibióticos, respectivamente.

Na natureza há dois tipos de bactérias: as eubactérias, tipos comuns encontradas na água, no solo e em organismos vivos maiores, e as arquibactérias, geralmente encontradas em ambientes inóspitos, como os pântanos, fontes termais, fundo do oceano, salinas, vulcões, fontes ácidas, etc.

Quanto à forma que assumem, as bactérias podem ser classificadas em cocos, bacilos, vibrião e espirilos.


•Cocos têm a forma esférica e quando agrupados em pares recebem o nome de diplococos; se em cadeia, de estreptococos e se em cachos, como uvas, de estafilococos.


•Bacilos são cilíndricos, têm a forma de bastonetes e em geral se apresentam isolados.


•Vibriões têm a forma de vírgula.


•Espirilos são células espiraladas e quase sempre se apresentam isoladamente.

Uma técnica muito usada para classificar as bactérias baseia-se na coloração desenvolvida pelo microbiologista dinamarquês Hans Christian Gram, que divide as bactérias em dois grupos: as que assumem coloração púrpura ou azul (gram-positivas - abaixo)


e as que se descolorem, mas ao final do processo se tingem na tonalidade rosa-avermelhada (gram-negativas - abaixo).




Algumas bactérias são prejudiciais à saúde do homem e podem causar inúmeras doenças (bactérias patogênicas), mas outras não e a presença de algumas delas inclusive é necessária para o bom funcionamento orgânico (bactérias da flora intestinal, por exemplo, que ajudam na digestão e evitam a proliferação de micróbios patogênicos).

As bactérias podem penetrar no corpo humano através do trato digestivo, dos pulmões, do sangue ou de alguma solução de continuidade da pele ou das mucosas, transportadas até eles por mãos ou objetos contaminados, pelo ar ou por moscas.

No entanto, a maioria delas, aliás, é completamente inócua e até útil para o homem e para a Natureza em geral.

Foram elas que ajudaram a tornar a Terra habitável para os homens e as plantas, colocando oxigênio na atmosfera em quantidade suficiente para a continuidade e novas formulações da vida.

A mesma coisa acontece com as bactérias presentes nas plantas.

Muitas bactérias se localizam nas raízes ou nódulos de certas plantas e fixam o nitrogênio atmosférico, tornando-o disponível como nutriente para as plantas. Na indústria alimentícia, inclusive, algumas bactérias são usadas na preparação de comidas ou bebidas fermentadas.

No caso dos seres humanos elas podem ser transferidas de pessoa para pessoa e podem ser combatidas pelos antibióticos.

Caso contrário, elas aumentam rapidamente, ampliando o número de colônias e podendo leva-lo à morte.

Entre milhares de outras, as principais doenças causadas por bactérias são: a tuberculose, a hanseníase (lepra), a difteria, a coqueluche, a pneumonia bacteriana, a sinusite bacteriana, a escarlatina, o tétano, a leptospirose, o tracoma, a gonorreia ou blenorragia, a sífilis, a meningite meningocócica, a cólera, a febre tifoide etc.

Algumas bactérias causam doenças muito graves, e às vezes mortais, como o botulismo, o antraz, a peste bubônica e o tifo.

Medidas antissépticas são aquelas destinadas a evitar infecções pelas bactérias, por exemplo, ferver a água antes de tomar, lavar os alimentos frescos antes de ingeri-los ou passar álcool em uma ferida.

A esterilização de instrumentos dentários, cirúrgicos ou outros, visa livrá-los de qualquer agente patogênico, das bactérias inclusive.

Nem toda bactéria é sensível a todo antibiótico.

O antibiograma é um teste de laboratório para determinar a sensibilidade de uma linhagem de bactéria a diferentes antibióticos.

Frequentemente os antibióticos são prescritos com base em conhecimentos gerais a respeito da sensibilidade dos diversos tipos de bactérias, no que é conhecido como antibioticoterapia empírica, mas muitas vezes esse conhecimento falha ou não é suficiente.

Por vários motivos muitas bactérias podem se tornar resistentes a diversas classes de antibióticos, como acontece, por exemplo, nas infecções hospitalares ou no uso frequente de antibióticos, tornando necessário um antibiograma.

Este exame consiste em coletar material infeccionado antes de dar início ao tratamento e cultivar as bactérias presentes nele para depois testar a ação sobre elas de diversos antibióticos, determinando a qual deles as bactérias em causa são mais sensíveis.

Essa informação pode ser útil para o clínico, que assim pode escolher um tratamento mais específico, direcionado apenas para a bactéria envolvida na infecção.