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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Disartria


A disartria é um distúrbio neurológico caracterizado pela dificuldade de articular os músculos da fala, o que implica numa dificuldade na produção de fonemas. De uma maneira leiga, a disartria costuma ser referida como "fala enrolada," à semelhança com a fala de uma pessoa alcoolizada.

A disartria pode ser causada por danos no tronco cerebral e/ou nas fibras nervosas que ligam a camada externa do cérebro ao tronco cerebral, devido a uma lesão cortical ou periférica (paralisia dos órgãos de fonação). Dentre as principais condições clínicas que podem causar disartria, destacam-se os acidentes vasculares cerebrais, os traumatismos crânio encefálicos, algumas doenças neurológicas como a doença de Parkinson ou a doença de Huntington e algumas doenças neuromusculares progressivas como a miastenia gravis ou a esclerose lateral amiotrófica.

Embora pareça ser um problema de linguagem, a disartria é, na verdade, um problema motor. A extensão e a localização da lesão podem condicionar o tipo e a gravidade da disartria. A fala disártrica produz sons que se aproximam do som normal das palavras, mas a fala pode tornar-se ofegante, irregular, imprecisa e com tons monótonos ou de muita vibração. A maioria das pessoas com disartria consegue ler e escrever normalmente, uma vez que a capacidade para compreender e usar a linguagem não são afetadas, afinal, trata-se de um problema motor e não cognitivo. Os sintomas da disartria podem variar dependendo da causa subjacente e do local afetado. Os sinais mais comuns da disartria são fala lenta, monótona, arrastada, "pastosa", anasalada e com flutuações incontroladas do volume, discurso muito rápido e dificuldade em mover a língua ou os músculos faciais. Um paciente com disartria também pode exagerar o movimento dos músculos, dos lábios e do maxilar ao falar. Uma dificuldade de deglutição faz com que essas pessoas geralmente babem.

Deve ser diagnosticada não só a existência ou não da disartria, mas também a causa dela. Vários exames e especialistas devem ser envolvidos para identificar a causa desta condição: um fonoaudiólogo irá avaliar a gravidade da doença; um neurologista vai estudar como o paciente move seus lábios, língua e músculos faciais. Aspectos da qualidade da voz e da respiração do paciente também contribuirão para o estudo. Dependendo do caso, o médico poderá solicitar exames como ressonância magnética, tomografia computadorizada, eletroencefalograma, estudo da condução nervosa, exames de sangue e urina, punção lombar, biópsia do cérebro, estudo da deglutição e testes neuropsicológicos para avaliar as habilidades cognitivas do paciente.

O tratamento da disartria depende da sua causa, tipo e gravidade. Entre as opções disponíveis para o tratamento estão terapia para exercitar a linguagem, tratamento das condições subjacentes e, eventualmente, cirurgia para retirada de um tumor ou correção de alguma alteração anatômica. Os objetivos dos tratamentos incluem melhorar a produção dos sons da fala, fortalecer os músculos da fala, melhorar os movimentos da língua e dos lábios e, em casos graves, ensinar meios alternativos de comunicação.

Muitos adultos com doença do sistema nervoso central aumentam suas habilidades de fala após a intervenção fonoaudiológica. Embora nem sempre, a disartria pode ser sinal de uma doença subjacente grave.

Nem sempre a disartria pode ser evitada, mas é possível reduzir os fatores de risco para algumas causas de disartria. Deve-se controlar a pressão arterial e o colesterol; parar de fumar, se for o caso; controlar o diabetes, se existir; praticar exercícios regulares, manter o peso dentro da normalidade, manter uma dieta saudável, tratar uma eventual apneia obstrutiva do sono e limitar o consumo de álcool.

A disartria pode causar algumas complicações, como dificuldades na comunicação, problemas com interações sociais ou depressão.

sábado, 30 de abril de 2016

Malária: para refrescar a memória


Malária é uma doença prevalente nos países de clima tropical e subtropical. Também conhecida como sezão, paludismo, maleita, febre terçã e febre quartã, o vetor da doença é o anofelino (Anopheles - veja a imagem), um mosquito parecido com o pernilongo que pica as pessoas, principalmente ao entardecer e à noite.

O ciclo da malária humana é homem-anofelino-homem. Geralmente é a fêmea que ataca porque precisa de sangue para garantir o amadurecimento e a postura dos ovos. Depois de picar um indivíduo infectado, o parasita desenvolve parte de seu ciclo no mosquito e, quando alcança as glândulas salivares do inseto, está pronto para ser transmitido para outra pessoa.

A Amazônia é a região do Brasil onde ocorrem 98% dos casos de malária.

Existem mais de cem tipos de plasmódio, o parasita da malária. Dos que infectam o homem, quatro são os mais importantes: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. A doença provocada pelo vivax é a mais comum e a provocada pelo malariae, a menos grave. Já a provocada pelo ovale é típica da África.

O plasmódio desenvolve um ciclo sexuado dentro do organismo do mosquito e um assexuado no organismo humano. Depois de 30 minutos que entrou na circulação sanguínea do homem, alcança o fígado e vai-se multiplicando dentro das células hepáticas até que elas arrebentam. Então, eles se espalham no sangue e invadem os glóbulos vermelhos, onde se reproduzem a tal ponto que eles se rompem também.

A transmissão da malária pode ocorrer pela picada do mosquito, por transfusão de sangue contaminado, através da placenta (congênita) para o feto e por meio de seringas infectadas.

Os sintomas mais comuns são febre alta, calafrios intensos que se alternam com ondas de calor e sudorese abundante, dor de cabeça e no corpo, falta de apetite, pele amarelada e cansaço. Dependendo do tipo de malária, esses sintomas se repetem a cada dois ou três dias.

O período de incubação depende do tipo de malária, mas varia de 7 a 28 dias a partir do momento da picada.

Caso a pessoa tenha febre depois de ter visitado áreas de risco, a possibilidade de ter contraído malária deve ser levada em consideração. Para confirmar o diagnóstico, existe um exame de lâmina, também chamado de gota espessa ou esfregaço, que consiste em puncionar a ponta de um dedo para obter uma gota de sangue e analisá-lo.

Não existe vacina contra a malaria, uma doença autolimitada, mas que pode levar à morte se não for tratada em determinados casos. O tratamento padronizado pelo Ministério da Saúde é feito por via oral e não deve ser interrompido para evitar o risco de recaídas.

O medicamento indicado para a malária vivax é bem tolerado e não provoca efeitos colaterais. O mesmo não acontece com os indicados para a malária falciparum, o que dificulta seu uso nesse caso.

Recomendações

* Use repelente no corpo todo, camisa de mangas compridas e mosquiteiro, quando estiver em zonas endêmicas;

* Evite banhos em igarapés e lagoas ou expor-se a águas paradas ao anoitecer e ao amanhecer, horários em que os mosquitos mais atacam, se estiver numa região endêmica;

* Procure um serviço especializado se for viajar para regiões onde a transmissão da doença é alta, para tomar medicamentos antes, durante e depois da viagem;

* Não faça prevenção por conta própria e, mesmo que tenha feito a quimioprofilaxia, se tiver febre, procure atendimento médico;

* Nunca se automedique.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ó TEMPOS… O POEMA DE GIORDANO BRUNO




Dizei-me, qual é o meu crime? Suspeitai, sequer?
E me acusais, sabendo que nunca delinqui!
Queima-me, porque amanhã, onde acendeis o fogo,
A História levantará uma estátua para mim.
Eu sei que me condena vossa suma demência,
Por quê? ... Porque busquei da verdade as luzes,
Não em vossa falsa ciência que o pensamento obscurece
Com dogmas e mitos roubados de outra era,
Mas no livro eterno do mundo do universo
que encerra entre suas páginas de imensa duração;
as sementes abençoadas de um futuro frutífero,
baseado na justiça, fundado na razão.
Bem sabeis que o homem, se ele procura em sua consciência,
a causa das causas, o último por que
há de trocar muito em breve, a Bíblia pela ciência,
os templos por escolas, a razão pela fé.
Eu sei que isso vos assusta como vos assusta tudo
tudo grande, e gostarias de poder me desmentir.
Além disso, vossa consciência, submersa na lama
de um servilismo que faz gemer a lástima ...
Mesmo ali, no fundo, bem sabeis que a idéia,
é intangível, eterna, divina, imaterial ...
Que não é ela o Deus e a religião vossas
Senão o que forma com suas mutações, a história do mundo.
Que é ela que extraia vida do ossuário
que torna o homem de pó em criador,
a que escreveu com sangue a cena do Calvário,
depois de escrever com luz, a do Tabor.
Mas sois sempre os mesmos, os velhos fariseus,
Aqueles que rezam e se prostram aonde podem ser vistos,
fingindo fé, sois falsos ao chamar por Deus, ateus
Chacais que a um cadáver buscais para roer! ...
Qual é a vossa doutrina? Trama de mentiras,
vossa ortodoxia, embuste; vosso patriarca, um rei;
lenda é a vossa história, fantástica e estranha.
Vossa razão, a força; e o ouro, vossa lei.
Tendes todos os vícios dos antigos gentios
Tendes a bacanalia, sua pérfida maldade;
como eles sois farsantes, hipócritas e vis.
Quereis, como eles queriam, matar a verdade;
Mas... Vão é o vosso empenho... Se nisto há algum;
sou eu a quem a História, no futuro dirá;
"Eu respeito aqueles que morrem como morreu Bruno"
E quanto aos vossos nomes... Quem os lembrará?


Ah... prefiro mil vezes minha morte à vossa sorte;
Morrer como eu morro... Não é uma morte. Não!
Morrer assim é a vida; e vosso viver, a morte
Então, quem triunfará não será Roma, serei eu!
Informem vosso Papa, vosso senhor e mestre,
Diga a que a morte me entregou como um sonho,
porque é a morte um sonho que nos conduz a Deus...
Mas não a este sinistro Deus, com vícios e paixões
que ao homem dá a vida e, ao mesmo tempo, sua maldição,
Senão ao Deus-ideia, que em mil evoluções
dá forma à matéria, e vida à criação.
Não o Deus das batalhas, mas o Deus do pensamento,
o Deus da consciência, o Deus que vive em mim,
O Deus que anima o fogo, a luz, a terra, o vento,
O Deus das bondades, não o Deus de ira sem fim.
Diga a ele que dez anos, com febre, com delírio,
Com fome, não puderam minha vontade quebrar,
Que negue Pedro ao Mestre Jesus, que a mim ante o martírio
da verdade, sabeis que não me fareis apostatar.
Agora basta! ... Eu vos aguardo! Dê fim à sua obra,
Covardes! O que vos detém? ... Temeis o futuro?
Ah ... Tremeis... É porque vos falta a fé que a mim me sobra...
Olhai para mim... Eu não tremo... E sou eu quem vai morrer! ...

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Poliglobulia


Poliglobulia ou policitemia é uma doença rara, caracterizada pela excessiva quantidade de eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sangue, resultante de uma produção exagerada dessas células pela medula óssea. Nos casos em que a causa desta produção excessiva não é identificada, fala-se em poliglobulia primária; quando há uma doença subjacente conhecida, denomina-se poliglobulia secundária.

Entre os 50 a 60 anos de idade, pode ocorrer um descontrole nos mecanismos responsáveis pela síntese dos eritrócitos, sem uma razão aparente, levando a um aumento significativo na produção destas células sanguíneas e, consequentemente, à poliglobulia primária. A poliglobulia secundária é ocasionada por diferentes patologias e circunstâncias médicas que resultam num intenso aumento da produção de eritrócitos pela medula óssea. Isso pode ocorrer em indivíduos que vivem em grandes altitudes, bem como em resposta a diferentes afecções, como, por exemplo, patologias bronco-pulmonares, certas malformações cardíacas, intoxicações ou em alterações hereditárias que levem a um defeito na hemoglobina e à presença de certos tumores.

Os glóbulos vermelhos (eritrócitos, também chamados hemácias) são produzidos pela medula óssea. Eles são responsáveis por levar o oxigênio dos pulmões para o resto do corpo. Tipicamente, o aumento da produção desses glóbulos é causado pela falta de oxigenação tecidual que leva a uma estimulação da produção de eritropoetina (hormônio responsável por estimular a medula óssea) e, como consequência, a uma elevação na produção de eritrócitos, objetivando aumentar o transporte de oxigênio para controlar a situação. Tal processo ocorre naturalmente em indivíduos que vivem em grandes altitudes, bem como em resposta a diferentes afecções que prejudicam a oxigenação do sangue, nas quais há insuficiência do funcionamento da hemoglobina ou alterações hereditárias que levem a um defeito dela. A presença de certos tumores também pode ocasionar uma elevação na produção de eritropoetina.

A poliglobulia se manifesta por meio de sintomas como fadiga, cefaleia, dispneia, vertigem, zumbidos nos ouvidos, visão embaçada, dificuldade de concentração, sonolência, adormecimento das extremidades, sudorese e ardor generalizado. Como consequência do aumento de produção de eritrócitos sanguíneos, ocorre, entre outras coisas, um aumento da viscosidade do sangue, o que causa dificuldades circulatórias. Geralmente, ocorrem também alterações na cor da pele, sendo que na poliglobulia primária ela se apresenta avermelhada, enquanto que quando o problema tiver origem na reduzida oxigenação tecidual, a pele apresenta-se azulada ou arroxeada (cianose). O espessamento do sangue também pode ocasionar alterações na coagulação, que passa a formar trombos e coágulos. Ao mesmo tempo, podem ocorrer hemorragias nasais e/ou gengivais, pois a quantidade elevada de células sanguíneas impossibilita a formação de coágulos normais. Em alguns casos, pode haver esplenomegalia (aumento do tamanho do baço), uma vez que a função do baço de destruir eritrócitos é forçada para além do normal. A estimulação da medula óssea resulta em aumento de produção não só dos eritrócitos, mas também de leucócitos e plaquetas.

A poliglobulia pode ser suspeitada a partir do histórico médico do paciente, mas o exame de sangue é o padrão ouro de diagnóstico. Nos exames de sangue, os níveis de hemoglobina são superiores a 16,5 g/dl em mulheres e 18,5 g/dl em homens adultos. O hematócrito normalmente tem um valor maior do que 48 g/dl em mulheres e 52 g/dl em homens. O diagnóstico da causa da poliglobulia, no entanto, exigirá outros exames.

O tratamento da poliglobulia dependerá de sua causa. O tratamento da poliglobulia primária, de causa provavelmente genética, é feito pela retirada de sangue com uma seringa, 2 a 3 vezes por semanas, para que o valor do eritrócito se normalize. Contudo, a produção de eritrócitos pela medula óssea pode ser tão intensa que se faz necessária a aplicação de radioterapia e/ou quimioterapia para freá-la. Nos casos da poliglobulia secundária, a solução consiste na resolução do fator desencadeante, juntamente com as extrações de sangue. Se, por qualquer motivo, a flebotomia não for recomendada, o médico pode lançar mão, preventivamente, dos antiagregantes plaquetários.

Algumas condutas como reduzir o peso, parar de fumar e fazer exercícios regulares podem melhorar a oxigenação dos tecidos e diminuir a necessidade de produção de novas hemácias.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Hiperventilação: conhece?


A síndrome de hiperventilação constitui-se numa emergência médica relativamente comum. É uma condição na qual a frequência respiratória (ventilação) por minuto excede as demandas metabólicas, resultando em alterações hemodinâmicas e químicas que produzem sintomas característicos, os quais também podem ser produzidos pela hiperventilação voluntária. A melhor denominação para esta síndrome pode ser falta de ar comportamental ou dispneia psicogênica, com a hiperventilação sendo vista como uma consequência e não uma causa da condição.

O mecanismo subjacente pelo qual alguns pacientes desenvolvem hiperventilação permanece desconhecido. Uma teoria sugere que certos fatores podem provocar uma resposta respiratória exagerada. Vários destes fatores foram identificados, incluindo perturbação emocional, excesso de lactato de sódio, cafeína, isoproterenol, colecistoquinina e dióxido de carbono.

Uma predisposição para a síndrome de hiperventilação também pode ter raízes na infância, como pais superprotetores, por exemplo. Uma situação estressante súbita mais tarde na vida também pode incitar o primeiro episódio da síndrome. Além disso, tem sido demonstrado que níveis elevados de dióxido de carbono também induzem sintomas de pânico e de hiperventilação, na maioria dos pacientes com predisposição para distúrbios do pânico.

A razão da síndrome de hiperventilação encontra-se parcialmente apoiada na mecânica respiratória. Pacientes com essa síndrome tendem a respirar através do tórax superior ao invés de usar o diafragma. O volume corrente normal de ar respirado varia entre 35 a 45% da capacidade vital, mas a retração da parede torácica resiste à hiperinsuflação dos pulmões e a inspiração para além destes níveis é percebida como esforço. Quando o estresse induz a uma respiração mais profunda, ela é percebida como dispneia, criando ansiedade e, novamente, respiração profunda, num círculo vicioso. Outra teoria é que os pacientes com transtorno do pânico têm um limiar mais baixo para a resposta de luta ou fuga, sendo mais suscetíveis à hiperventilação, mesmo diante de tensões menores. A incidência da síndrome de hiperventilação é maior em parentes de primeiro grau do que na população em geral, mas nenhum fator genético claro foi ainda identificado.

A fisiopatologia subjacente da síndrome de hiperventilação ainda não foi claramente elucidada. A infusão venosa de lactato provoca sintomas de pânico e hiperventilação em 80% dos pacientes com prévios episódios de transtorno de pânico. O metabolismo anormal de lactato parece estar envolvido na patogênese, embora a anormalidade ainda não tenha sido exatamente caracterizada. Além disso, níveis elevados de dióxido de carbono tem se demonstrado capazes de induzir sintomas de pânico na maioria dos pacientes propensos. Proprioceptores localizados na parede do pulmão e do tórax sinalizam ao cérebro com um "alarme de sufocação" e isso desencadeia a liberação de neurotransmissores excitatórios que são responsáveis por muitos dos sintomas, tais como tremor, palpitações, ansiedade e disforia.

Os sintomas da síndrome de hiperventilação e do transtorno do pânico se sobrepõem consideravelmente, embora as duas condições sejam distintas. Metade ou mais dos doentes com distúrbio do pânico e agorafobia sofrem de hiperventilação manifesta. A síndrome de hiperventilação pode ser aguda ou crônica. Embora a forma aguda represente apenas 1% dos casos, é mais facilmente diagnosticada. A forma crônica pode apresentar-se com uma miríade de sintomas respiratórios, cardíacos, neurológicos ou gastrointestinais, sem mostrar maior esforço respiratório. A hipocapnia (diminuição de dióxido de carbono no sangue) pode ser mantida mesmo sem qualquer alteração evidente na frequência respiratória se o paciente apresenta frequentes suspiros, intercalados com a respiração normal. Os sintomas mais comuns incluem sensação de asfixia, agitação, hiperpneia (aceleração e intensificação dos movimentos respiratórios), taquipneia (aceleração do ritmo respiratório), dor no peito, dispneia, tonturas, palpitações, dores tetânica, parestesias (sensação anormal e desagradável sobre a pele que assume diversas formas, como queimação, dormência, coceira etc), fraqueza generalizada e síncope.

Alguns pacientes recebem um diagnóstico errado de problema orgânico, sobretudo cardiológico, e são considerados incapacitados pelos seus sintomas. Alguns chegam a ser submetidos a melindrosos e desnecessários testes diagnósticos na tentativa de descobrir as causas orgânicas de suas queixas.

O diagnóstico da síndrome de hiperventilação crônica é muito mais difícil do que a da síndrome aguda porque a hiperventilação não costuma ser clinicamente evidente. Muitas vezes, esses pacientes já foram submetidos a extensas investigações médicas e foram atribuídos a eles vários diagnósticos enganosos. Os pacientes com história prévia de síndrome de hiperventilação podem não precisar de qualquer avaliação laboratorial quando de uma recorrência, bastando o reconhecimento da sintomatologia típica. Os estudos de imagem só são úteis para ajudar na exclusão de quadros assemelhados.

Os pacientes são tratados com psicoterapia e reciclagem da respiração e vários medicamentos psicotrópicos, como, por exemplo, benzodiazepínicos e inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

A síndrome de hiperventilação pode começar quando criança e continuar no mesmo padrão na idade adulta. Muitos pacientes têm distúrbios associados, como a agorafobia, por exemplo, que podem dominar o quadro clínico.

As complicações encontradas nos pacientes com esta síndrome estão relacionadas principalmente aos procedimentos invasivos e a investigações que são empregados para excluir outras doenças. No entanto, as complicações também podem ocorrer como resultado de sintomas produzidos pela hiperventilação, como uma queda, por exemplo, durante um episódio de síncope.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Aspirina para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e câncer colorretal


A atualização das recomendações da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) de 2009 sobre o uso de aspirina para prevenir eventos de doença cardiovascular (DCV) e de 2007 sobre uso de aspirina e anti-inflamatórios não esteroides para prevenir o câncer colorretal (CCR) foi publicada pelo Annals of Internal Medicine.

A USPSTF avaliou cinco estudos adicionais do uso de aspirina na prevenção primária de doenças cardiovasculares e várias análises adicionais sobre o uso de aspirina para prevenir o CCR. A USPSTF também contou com revisões sistemáticas encomendadas de todas as causas de mortalidade, incidência total de câncer, mortalidade e uma revisão abrangente dos danos. Em seguida, usou um modelo de microssimulação para estimar sistematicamente o equilíbrio entre os benefícios e os malefícios.

Esta recomendação aplica-se a adultos com 40 anos ou mais de idade, sem doença cardiovascular conhecida e sem aumento do risco de sangramento.

A USPSTF recomenda iniciar o uso de dose baixa de aspirina para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e CCR em adultos com idades entre 50 a 59 anos que têm risco de DCV em 10 anos de 10% ou mais, não estão em maior risco de sangramento, têm uma expectativa de vida de pelo menos 10 anos e estão dispostos a tomar uma dose baixa de aspirina por dia durante pelo menos 10 anos.

A decisão de iniciar o uso de aspirina em baixa dose para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e CCR em adultos com idades entre 60 a 69 anos que têm risco de DCV em 10 anos de 10% ou mais deve ser individualizada. As pessoas que não estão em risco aumentado de hemorragia, têm uma expectativa de vida de pelo menos 10 anos e estão dispostas a tomar uma dose baixa de aspirina diariamente durante pelo menos 10 anos são mais propensas a se beneficiar. Pessoas que colocam um valor mais elevado sobre os benefícios potenciais do que sobre os danos potenciais podem optar por iniciar uma dose baixa de aspirina.

As evidências atuais são insuficientes para avaliar o equilíbrio entre benefícios e malefícios de iniciar o uso de aspirina para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e CCR em adultos com menos de 50 anos e em adultos com 70 anos ou mais.



Fonte: Annals of Internal Medicine, publicação online de 12 de abril de 2016

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tonturas


Tontura e tonteira costumam ser termos usados equivalentemente para descrever uma mesma sensação: a de estar prestes a desmaiar ou perder a consciência. No entanto, tontura também pode se referir ao que se sente durante a vertigem, que é a sensação de que o entorno está girando ou está se movendo, quando na realidade isso não está acontecendo.

Em suma, o termo abrange a sensação de desmaio iminente, a falsa sensação de movimento ou de rotação, a perda de equilíbrio ou instabilidade e outras sensações, como flutuar ou nadar, por exemplo. A tontura não é, pois, uma doença, mas um sintoma que pode aparecer em várias doenças.

As sensações de desmaio e de perda de equilíbrio podem acontecer em diversas situações, como queda da pressão arterial, alterações do fluxo de sangue para o coração ou o cérebro, síndrome vasovagal, problemas articulares e musculares, condições neurológicas e outras, ou ser efeito colateral de alguns medicamentos, tais como anticonvulsivantes, sedativos e tranquilizantes.

As tonturas relacionadas à vertigem incluem a vertigem posicional paroxística benigna, a inflamação no ouvido interno, a doença de Ménière, a enxaqueca e o neuroma acústico. As tonturas sentidas sob a forma de flutuar ou nadar, podem ser devidas a efeitos colaterais de medicamentos, transtornos de ansiedade, anemia ferropriva, hipoglicemia, superaquecimento do corpo e desidratação.

Existe também uma tontura subjetiva crônica, que não tem uma causa médica evidente. Mais raramente, a tontura com vertigem pode ser causada por um problema neurológico mais grave, mas, nesses casos, quase certamente outros sintomas estarão presentes. Outras causas de tonturas podem ser as anemias, as altas temperaturas, as alterações hormonais no início da gravidez, a falta ou excesso de açúcar no sangue em diabéticos, o aumento dos triglicérides, o consumo excessivo de bebida alcoólica ou de cigarros por não fumantes e de drogas ilícitas ou ainda situações emocionais fortes.

Para nos mantermos em equilíbrio e sabermos em que posição estamos em relação ao meio ambiente e para saber se estamos parados ou em movimento, é preciso que o nosso corpo forneça informações detalhadas ao cérebro. Essas informações são encaminhadas basicamente por três meios: visão, propriocepção e ouvido médio.

A visão orienta a pessoa quanto ao meio ao redor; a propriocepção é a capacidade de o cérebro reconhecer a localização espacial do corpo, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem o uso da visão; no ouvido interno, um órgão chamado labirinto é responsável pela manutenção do equilíbrio. O funcionamento normal dessas estruturas garante nosso estado comum de estabilidade da consciência. Sem qualquer uma delas estamos mais sujeitos a tonturas e vertigens.

A tontura pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, sonolência e dificuldades para andar ou manter a postura ereta. O sintoma muitas vezes desaparece ou melhora se a pessoa se deitar. Embora a tontura possa ocorrer em pessoas de qualquer idade, é mais comum entre os idosos, geralmente associada a uma queda momentânea da pressão arterial e fluxo sanguíneo para a cabeça, que ocorre quando a pessoa se levanta rapidamente de uma posição sentada ou deitada.

Quase sempre a tontura é um sintoma apenas subjetivo e o médico depende do relato do paciente. Em alguns casos o desequilíbrio, a dificuldade para se manter de pé e outros sinais objetivos podem ser facilmente percebidos. Uma tarefa mais árdua do médico é diagnosticar as causa da tontura, o que demanda exames de laboratório e de imagens.

Grande número de tonturas é transitório e se resolve por si mesmo. Outras vezes, exige intervenção médica. O tratamento da tontura varia de acordo com a sua causa, dependendo do diagnóstico estabelecido pelo médico.

Antes que tenha certeza de que as tonteiras acabaram, a pessoa deve observar alguns cuidados, como levantar-se lentamente se estiver deitada, deitar-se ou sentar-se se estiver de pé, beber bastante líquidos para evitar a desidratação, não dirigir, reduzir o risco de cair, mantendo a casa bem iluminada e retirando obstáculos do chão.