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sábado, 25 de março de 2017

Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista?


Todos os três são profissionais da área de saúde mental. Por isso, é compreensível que o leigo tenha certa dificuldade de diferenciar entre eles e procure saber o que os distingue. Na prática, essa necessidade se torna mais patente quando uma pessoa necessita de uma assistência "PSI" para si ou para alguma pessoa da família e não tem clareza sobre qual profissional procurar.

Embora todos estes profissionais trabalhem no campo da saúde mental, diferenças importantes podem ser identificadas entre eles. As diferenças se referem à formação profissional, ao modo de compreender o comportamento humano e, consequentemente, aos métodos de intervenção.

O psiquiatra é um médico com especialização em Psiquiatria. Isto é, depois de cursar uma faculdade de medicina, faz residência em instituições de saúde mental, clínicas e hospitais psiquiátricos estudando, especialmente, as doenças mentais e outros comportamentos que fogem à “normalidade”. Desta forma, o médico psiquiatra está mais bem preparado para lidar com as doenças mentais, sobremaneira aquelas que tenham uma base orgânica conhecida ou suposta.

Seus diagnósticos são, na maior parte das vezes, eminentemente clínicos e baseados em manuais como CID 10 (10ª Versão do Código Internacional de Doenças da OMS) e DSM-V (5ª Versão do Manual Diagnóstico e Estatístico, americano). Os tratamentos desenvolvidos por eles são principalmente medicamentosos, com antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos. Alguns psiquiatras, no entanto, sentem-se no direito de abordar problemas eminentemente psicológicos, embaralhando ainda mais a definição de seu campo específico.

Somente alguns poucos psiquiatras têm treinamento específico em psicoterapia, embora muitos dizem fazê-la, praticando, muitas vezes, um processo amadorístico. Contudo, muitas situações psicológicas pontuais que nem sempre requerem uma psicoterapia, como crises de ansiedade ou depressões reativas, por exemplo, podem se beneficiar de uma terapêutica medicamentosa e podem ser conduzidos com êxito pelo psiquiatra.

O psicólogo é um profissional que concluiu a graduação em uma faculdade de Psicologia e depois se especializa numa das diversas áreas possíveis: clínica, organizacional, educacional, esportiva e outras. Alguns psicólogos atuam em pesquisas em universidades sobre o comportamento humano.

A confusão com o psiquiatra se dá com os psicólogos clínicos. Para atuar na área clínica, o psicólogo geralmente se especializa em questões psicológicas e em técnicas e meios para analisar e intervir nelas, principalmente a psicoterapia. No Brasil, o psicólogo é privado de receitar medicamentos. Assim, ele usa a mediação verbal para conduzir seu cliente a se tornar mais consciente das coisas do seu dia-a-dia e busca proporcionar a ele a aprendizagem de meios mais saudáveis para lidar com as suas dificuldades.

O psicólogo que trabalha com psicologia clínica é também chamado de psicoterapeuta.

O psicanalista é um profissional de nível superior, geralmente médico ou psicólogo, que faz, posteriormente, um curso numa instituição psicanalítica e submete-se à Psicanálise. Esse processo é geralmente chamado “formação psicanalítica” e se dá numa instituição profissional para-legal.

Ele atende pessoas com demandas por vezes análogas àquelas apresentadas ao psicólogo ou ao psiquiatra, mas que desejam uma reforma mais ampla de sua personalidade. A Psicanálise tanto é uma teoria psicológica quanto um método de tratamento, introduzidos por Sigmund Freud e posteriormente modificado por outros, como Lacan, por exemplo. Embora muito difundida, a Psicanálise não tem status científico e sua eficácia muitas vezes é questionável quanto ao equilíbrio custo-benefício, já que trata-se de um processo complexo e longo, podendo não apresentar melhoras significativas.

É comum haver combinação de psicofármacos e psicoterapia como meio de intervenção em certos transtornos mentais. Assim, pode acontecer que o psiquiatra faça o encaminhamento para o psicólogo clínico e, num sentido inverso, que o psicólogo indique ao paciente procurar também um psiquiatra que receite medicamentos.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Rim flutuante


A ptose renal, também conhecida como nefroptose ou rim flutuante, é uma condição adquirida em que um ou ambos os rins se deslocam caudalmente pelo menos dois corpos vertebrais (ou mais de 5 centímetros) durante a mudança de posição, de deitado para ereto. Essa mudança de posição do rim altera a disposição das estruturas anatômicas envolvidas com consequentes alterações em seu funcionamento.

O rim móvel foi descrito pela primeira vez por Franciscus de Pedemontanus no século XIII. Em 1864, Józef Dietl caracterizou os sintomas da nefroptose aguda. O termo nefroptose foi cunhado primeiramente por Glenard em 1885.

A causa da ptose renal é relativamente desconhecida, mas teoriza-se que a falta de gordura perirrenal e de suporte fascial pode levar ao deslocamento descendente do rim. A maioria dos casos típicos de ptose renal envolve mulheres brancas magras. Além disso, os pacientes com nefroptose frequentemente apresentam um pedículo vascular renal mais longo do que o normal, o que permite uma incursão renal maior que a normal. Acredita-se também que a ptose renal possa resultar da deficiência de apoio da fáscia perirrenal.

A dor da nefroptose é atribuível: (1) à hidronefrose aguda causada pela dobra do ureter e consequente retenção de urina, (2) ao estreitamento do lúmen dos vasos sanguíneos renais, devido ao alongamento desses vasos e isquemia renal transitória e (3) à estimulação do nervo visceral devido à sua tração no hilo renal.

Normalmente, os ureteres experimentam dobras ou torções que dificultam a circulação da urina filtrada e os vasos sanguíneos que alimentam o rim sofrem estiramentos ou estreitamentos que prejudicam o fluxo sanguíneo, gerando isquemia renal e elevação da pressão arterial.

Muitas ptoses renais são assintomáticas. As sintomáticas são mais comuns em mulheres, numa proporção de 5 a 10:1 em relação aos homens e são mais comuns no lado direito que no esquerdo (70% dos casos). Tipicamente, envolvem mulheres jovens, com idade entre 20 e 40 anos, que apresentam dor abdominal e costovertebral, de flanco ou de quadrante inferior do abdômen que se acentua na posição ereta e alivia quando a(o) paciente se deita, porque o rim volta para a fossa renal. Em muitos casos, uma massa correspondente ao rim pode ser palpada na porção lateral inferior do abdômen, do lado do rim com ptose.

Os fatores de risco para o desenvolvimento de ptose renal sintomática incluem rápida perda de peso e atividade física excessiva. Outras manifestações podem ser náuseas, vômitos, calafrios, taquicardia, oligúria e hematúria transitória ou proteinúria por obstrução. Chama-se ectopia renal a um deslocamento congênito permanente do rim para uma posição anômala. Normalmente, os pacientes com esta condição têm ureteres mais curtos e um fornecimento de sangue arterial renal também ectópico.

O diagnóstico inicial da ptose renal sintomática deve se basear nos sintomas do doente e ser confirmado pela urografia intravenosa, através da obtenção de imagens com os indivíduos eretos e supinos. Também a ultrassonografia pode fornecer imagens valiosas. Muitas vezes, a ptose renal é um achado ocasional quando do exame de imagens do abdômen feito por outro motivo.

A condição muitas vezes é tratada com nefropexia, um procedimento cirúrgico que protege o rim flutuante com o retroperitônio. As suturas para fixar o rim ptótico ao retroperitônio ainda estão em uso hoje em dia. Desde 1993, a nefropexia tem sido feita também por via laparoscópica.

A reparação cirúrgica é benéfica em certos doentes sintomáticos com obstrução do sistema de coleta da urina ou fluxo sanguíneo renal, documentadamente alterados por causa de ptose renal.

Os diagnósticos diferenciais a serem feitos incluem cólica renal, colecistite (lado direito), obstrução intestinal, doença espástica do intestino, pielonefrite, doença cística ovariana, ruptura de cisto ovariano e apendicite ou diverticulite crônica.

A progressão da nefroptose pode levar a complicações graves, como pielonefrite, hidronefrose e hipertensão arterial secundária. A pielonefrite deve-se à estagnação da urina dentro do rim, criando um ambiente favorável para a reprodução de organismos patogênicos. A hidronefrose se desenvolve como resultado do impedimento da saída de urina do ureter por inflexão ou torção do mesmo. A hipertensão arterial ocorre devido às alterações no fluxo sanguíneo da artéria renal.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Fitofotodermatite


A fitofotodermatite é uma condição alérgica causada na pele pela exposição ao sol após contato com certas substâncias químicas fotossensibilizantes. Nem todas as pessoas irão desenvolver uma reação cutânea após manusear plantas ou frutas que contêm essas substâncias e passar algum tempo no sol, mas aqueles que o fazem podem experimentar reações cutâneas sérias.

As substâncias que causam fitofotodermatite, principalmente as chamadas furocumarínicas, estão presentes em algumas plantas e vegetais (”erva-de-são-joão”, aipo, coentro, cenoura, erva-doce, salsa e nabo) e nos sucos de algumas frutas, como figo, limão, lima, laranja, tangerina e outras.

O figo é a mais perigosa delas, pois costuma causar bolhas. Alguns produtos que contenham furocumarínicas, como perfumes, por exemplo, também podem se tornar igualmente perigosos. Por isso, sol e perfume também são uma associação que não combina.

As substâncias furocumarínicas são absorvidas pela pele e, no que o paciente se expõe à luz solar, ocorre uma reação química que provoca inflamação e irritação da pele. Os pacientes podem inicialmente não notar o problema, uma vez que decorrem várias horas desde a absorção para que a reação se manifeste.

A fitofotodermatite pode aparecer em qualquer idade e em pessoas sem nenhuma hipersensibilidade conhecida. A história típica sempre comporta manchas em áreas da pele que estiveram expostas ao sol, de tamanhos variados, primeiro avermelhadas e que depois escurecem, tornando-se amarronzadas, de formatos variados e bizarros, bem delimitadas, acompanhadas por ardência ou coceira e as vezes seguidas de vesículas e bolhas. Embora essas manchas sejam mais comuns da mãos, braços e pernas podem também aparecer no tronco sob a forma de dedos quando a pessoa é tocada por outras com as mãos "contaminadas" (marido, esposa, namorado(a), pais, filhos, etc).

Algumas pessoas reconhecem a natureza do problema que têm e já trazem o diagnostico pronto: “estou com manchas de limão", dizem. Outras nem suspeitam do que se trata e precisam relatar uma história mais detalhada ou serem interrogadas sobre ela. O diagnóstico é feito sem dificuldades a partir da história e da ectoscopia das manchas. Em geral o paciente relata que durante uma exposição ao sol, na praia, por exemplo, esteve mexendo com uma fruta cítrica e que as manchas na pele surgiram no dia seguinte.

Inicialmente, na fase inflamatória da pele, em que há vermelhidão, coceira e ardor, o tratamento deve se feito com cremes de corticoides. A seguir, quando se formam manchas escuras (hipercromias) é preciso usar um despigmentador para corrigir as manchas. O uso do filtro solar é imprescindível. Nunca estoure as bolhas eventualmente formadas para não criar portas de entrada para infecções!

Para prevenir a fitofotodermatite deve-se evitar contato com frutas cítricas ou perfumes antes ou durante a exposição ao sol. Proteger com filtro solar o local que eventualmente tenha tido contato com o sumo das frutas inculpadas.