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terça-feira, 14 de março de 2017

O que são os "parabenos"?



Produtos de beleza e de higiene pessoal são cada vez mais utilizados. De acordo com dados da ABIHPEC, o mercado de cosméticos brasileiro já superava os R$ 30 bilhões em 2012, com histórico de crescimento anual sucessivamente superior ao da média industrial do país, o que significa alto e crescente nível de consumo desse tipo de produto pela população.

Mas nem todos estão atentos à composição dos produtos que compram e, muitas vezes, não sabem dos riscos que podem estar correndo. Um bom exemplo disso são os parabenos, compostos químicos presentes não apenas em produtos de beleza, mas também em alimentos e medicamentos.

De acordo com o Food and Drugs Administration (FDA) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA, os parabenos são uma classe de compostos químicos, normalmente utilizados como conservantes, principalmente em cosméticos. Os tipos mais comuns são o metilparabeno, o propilparabeno, o etilparabeno e o butilparabeno.

Segundo o FDA, entre os produtos que podem conter parabenos estão maquiagens, desodorantes, hidratantes, loções, esmaltes, óleos e loções infantis, produtos para o cabelo, perfumes, tinta para tatuagens e até mesmo cremes de barbear. Além de cosméticos, podemos encontrar esses compostos em certos tipos de alimentos e remédios.

Os parabenos oferecem proteção contra micróbios e outros microrganismos, com o intuito de garantir tanto a integridade do produto quanto a saúde do indivíduo que o usa. Mas não é bem assim que as coisas realmente acontecem.

Os impactos sobre a saúde humana do uso de produtos que contêm parabenos é tema bastante polêmico. O principal motivo disso é a discussão sobre tais compostos químicos serem ou não carcinogênicos (causarem câncer).

udo começou com uma série de e-mails virais informando que o uso de desodorantes estaria ligado ao desenvolvimento de câncer de mama. Essa declaração teve origem em uma pesquisa de 2004 que correlacionaria o desenvolvimento de câncer de mama com os parabenos. Nesse artigo, eram levados em conta os xenoestrogênios fracos, encontrados em desodorantes.

Atualmente, tanto a Sociedade Americana de Câncer (ACS), quanto a Agência Internacional pelo Estudo do Câncer (IARC), que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmam que não existem provas contundentes que possam relacionar os compostos químicos parabenos com o desenvolvimento de câncer.

Ainda assim, outros estudos apontam que o consumo de produtos que possuem parabenos pode causar alergias cutâneas e o envelhecimento precoce da pele.

O parabeno interfere no sistema endócrino de humanos e animais - ele possui uma atividade estrogênica - por conta disso ele é considerado um disruptor endócrino. Atualmente, essas substâncias vêm ganhando relevância, pois mesmo em doses pequenas podem causar malefícios à saúde e ao meio ambiente.

O controle sobre a quantidade de parabenos presentes em cosméticos é bastante rígida. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu como limite as concentrações máximas de 0,4% de cada parabeno e um máximo de 0,8% de parabeno total, no produto cosmético.

A escolha sobre consumir ou não produtos que levem parabenos em sua composição é exclusiva do consumidor, mas na existência de alternativas é sempre prudente não correr riscos ao consumir compostos químicos que possam causar, mesmo que eventualmente, problemas à saúde.

Existem diversas opções no mercado que são totalmente livres de parabenos - portanto, são alternativas óbvias e mais seguras aos cosméticos comuns. A ideia é estar sempre atento à embalagem dos produtos. Dê preferência aos cosméticos naturais e que não contenham essa substância. Consumo responsável, em primeiro lugar.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Câncer de Vesícula Biliar


A vesícula biliar é um pequeno órgão em forma de pera, localizado na porção superior direita do abdômen, logo abaixo do fígado. Se destina a armazenar a bile, que é um "fermento" utilizado no processo digestivo. A vesícula biliar lança a bile no trato digestivo apenas quando o alimento ingerido contém lipídeos, que estimulam a secreção de colecistoquinina.

Este órgão, como quase todos os órgãos do corpo humano, é susceptível a experimentar o desenvolvimento de um câncer. No entanto, o câncer de vesícula biliar é raro e difícil de diagnosticar, seja porque a vesícula biliar é um órgão um tanto escondido, seja porque ele é assintomático durante algum tempo e quando aparecem sintomas eles são inespecíficos.

Cerca de 90% dos tumores malignos de vesícula biliar são do tipo adenocarcinoma. Entre eles, o adenocarcinoma papilar merece especial destaque, pois não é intensamente propenso a se disseminar, tendo melhor prognóstico do que a maioria dos outros tipos de adenocarcinomas da vesícula biliar. No entanto, ele representa apenas cerca de 6% dos cânceres da vesícula e os outros tipos de tumores são mais frequentes, como os carcinomas adenoescamosos, os carcinomas de células escamosas, os carcinomas de pequenas células e os sarcomas.

Ainda não está esclarecido o que causa o câncer de vesícula biliar. Como em todo câncer, o da vesícula se forma quando as células saudáveis daquele órgão desenvolvem mutações em seu DNA que fazem com que elas cresçam fora de controle e formem um pequeno tumor que pode ir além da vesícula e se espalhar para outras áreas do corpo.

O câncer de vesícula biliar é mais comum em mulheres que em homens, aumenta a sua probabilidade de ocorrência com a idade, é mais comum em pessoas obesas e nas que têm uma história prévia de cálculos biliares. Outras condições que podem aumentar o risco de câncer de vesícula biliar incluem vesícula de porcelana, cisto do colédoco e infecção crônica.

Muito geralmente, o câncer de vesícula biliar evolui sem sintomas num período inicial e só se manifesta quando a doença já está em estágio evoluído. Em alguns poucos casos, no entanto, pode aparecer mais precocemente. Os sintomas mais comuns do câncer de vesícula biliar são dor localizada na parte superior direita do abdome, náuseas, vômitos, icterícia (quando o tumor bloqueia o ducto biliar) e nódulos no abdômen. Se o tumor obstruir o ducto biliar, a vesícula biliar pode inchar, tornando-se aumentada de tamanho e palpável.

O câncer de vesícula biliar também pode se disseminar para partes próximas e para o fígado, o que pode ser percebido pelo médico como nódulos no lado direito do abdome, os quais também podem ser detectados por meio de exames de imagem, como a ultrassonografia, por exemplo. Outros sintomas menos comuns podem ser perda de apetite e de peso, inchaço abdominal, febre, prurido intenso e fezes e urina escuras.

Alguns sinais e sintomas podem sugerir que uma pessoa tenha um câncer na vesícula biliar, mas serão necessários exames complementares e eventualmente anatomopatológicos para confirmá-lo.

Da história clínica do paciente deverão constar o histórico clínico completo, os sintomas apresentados, fatores de risco, histórico familiar, e outras condições clínicas complementares. Deve ser realizado também um exame físico completo, incluindo especialmente uma avaliação cuidadosa da região abdominal. Deve ser verificada a existência de sinais de icterícia (mesmo sendo leves) e examinados os gânglios linfáticos acima da clavícula e de outras regiões próximas.

Se o quadro apresentado sugerir que possa haver câncer de vesícula biliar, exames de laboratório, de imagem e biópsia serão solicitados, para confirmação do diagnóstico e avaliação do estadiamento da doença. Poderão ser solicitados exames para determinar as taxas de bilirrubina, fosfatase alcalina, albumina, TGO e TGP, que avaliam o funcionamento do fígado e/ou da vesícula biliar.

Altos níveis dos marcadores tumorais CEA e CA 19-9 são geralmente encontrados em pessoas com câncer de vesícula biliar, embora eles não sejam específicos para esse tipo de câncer. Os níveis dos marcadores também são úteis para mostrar a resposta do paciente ao tratamento instituído.

Os exames de imagem, tais como a ultrassonografia, a laparoscopia, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a colangiografia ajudam a localizar e determinar a extensão da doença. A laparoscopia combinada ao ultrassom proporciona uma melhor imagem do tumor e também é frequentemente utilizada para retirar a vesícula biliar.

A biópsia, que também pode ser feita por laparoscopia, é um procedimento no qual uma amostra de tecido é removida e encaminhada para análise de um patologista. Ela permite não só diagnosticar a doença como determinar o grau em que ela se encontra. A cirurgia é indicada, como último recurso, para remover a vesícula.

As opções de tratamento do câncer de vesícula dependem do estágio da doença, da saúde geral do paciente a até mesmo de suas preferências. O objetivo primário é remover o câncer, mas quando isso não é possível, outras terapias podem ajudar a controlar a propagação da doença e manter o paciente o mais confortável possível.

Se o câncer estiver em estágio inicial, a opção mais radical consiste em cirurgia para remover a vesícula biliar. Se o câncer já se estende para além da vesícula e para o fígado, a cirurgia deve remover também porções do fígado e dos canais biliares. Tratamentos adicionais, em casos de câncer avançado, incluem quimioterapia e radioterapia. O câncer avançado da vesícula biliar pode causar obstruções dos ductos biliares, ocasionando complicações adicionais e podem ser necessários procedimentos extras para aliviar esses bloqueios.

Muitas pessoas com câncer da vesícula biliar são definitivamente curadas. A sobrevida depois de 5 anos é muito alta. Essas taxas, no entanto, são baseadas em um grande número de pacientes, não sendo possível prever-se o que vai acontecer com cada paciente individualmente.

Outros fatores que podem afetar o prognóstico de um determinado paciente são idade, estado geral de saúde e a maneira como a doença responde ao tratamento. Entretanto, com os avanços e melhorias recentes das opções terapêuticas, o prognóstico vem se tornando cada vez mais favorável.

sábado, 11 de março de 2017

Reeducação Postural Global


Chama-se postura à posição que o corpo ocupa no espaço, graças ao tônus dos músculos estáticos. Ela depende da hereditariedade, da personalidade, das tensões psicológicas externas e da adaptação ao ambiente ocorrida ao longo da vida.

A arquitetura do corpo humano pode ser considerada como uma montagem em que, por um lado, atua a força da gravidade e, por outro, os músculos que se opõem a ela. Os músculos que atuam antigravitacionalmente são submetidos a uma atividade contrátil contínua e prolongada, tanto para assegurar a redução conjunta dos vários segmentos do corpo, como para manter as posturas.

A Reeducação Postural Global (RPG) é um método fisioterapêutico de correção da postura, exclusivamente manual, baseado na ideia de alterações musculares formadas por cadeias integradas, que, portanto, não requer a utilização de máquinas. O método visa restaurar a "homeostase" do corpo e remover compensações patológicas, corrigindo a morfologia corporal.

É um método suave, progressivo e ativo, que pode ser aplicado a pacientes de qualquer idade. O método foi desenvolvido pelo fisioterapeuta francês Philippe Emmanuel Souchard há quase 40 anos (1981).

A Reeducação Postural Global (RPG) baseia-se numa análise e observação rigorosa da anatomia e fisiologia humanas e adota três princípios fundamentais:

1.Individualidade: cada ser humano é único na sua maneira de reagir.
2.Causalidade: a verdadeira causa do problema pode estar distante do sintoma.
3.Globalidade: deve-se tratar o corpo como um todo.

Ela leva em conta a individualidade de cada pessoa, a fim de projetar um plano de tratamento. Enquanto a maioria das modalidades clássicas de fisioterapia concentra-se em uma parte específica do corpo, a RPG trata o corpo como um todo e não separadamente. Ao mesmo tempo, concede ao paciente um papel ativo no tratamento, tornando-o um protagonista da sua recuperação.

A RPG valoriza sobremaneira a função estática dos músculos porque estes, solicitados de modo permanente, podem encurtar-se e perder sua flexibilidade. Assim, um dos princípios do método é identificar e alongar os músculos responsáveis pela alteração postural.

Os defeitos de postura podem ser causados por fatores constitucionais, comportamentais e psicológicos e podem estar localizados à distância dos sintomas.

Como exemplo, imagine um paciente que tenha adotado um padrão de levantar um ombro, a fim de evitar colocar muito peso em um tornozelo torcido no lado oposto. Neste caso, uma cadeia muscular de compensação provavelmente começa nos músculos da panturrilha, que aumentam seu tônus para proteger a articulação do tornozelo. Estes, por sua vez, geram um aumento do tônus dos músculos isquiotibiais e dos músculos eretores da espinha e tudo isto culmina em um ombro levantado. Se este ombro for mantido permanentemente nesta posição, o paciente pode acabar com uma dor escapular, por exemplo.

Antecedendo cada sessão de Reeducação Postural Global (RPG), deve haver uma série de alongamentos posturais suaves e progressivos, em posição de pé, sentado ou deitado. Os pacientes participam ativamente nas sessões de terapia, alongando os músculos tensos e fortalecendo os músculos fracos, segundo a orientação de um fisioterapeuta e seguindo a cadeia que esteja causando dores ou desvios.

A frequência e duração das sessões do tratamento dependem do problema do paciente, mas geralmente recomenda-se sessões uma ou duas vezes por semana com duração de uma hora.

O método pode ser aplicado a todas as patologias que requerem fisioterapia:

1.Problemas morfológicos
2.Problemas posturais
3.Lesões articulares
4.Patologias reumáticas
5.Sequelas neurológicas espásticas
6.Problemas traumáticos
7.Doenças respiratórias e outros

Ele é mais conhecido como um método para corrigir posturas. As posturas erradas ou viciosas podem ocasionar dores musculares, sobretudo nas costas, e, em casos mais sérios, deformidades ósseas ou compressões radiculares na coluna.

O objetivo do método de Reeducação Postural Global (RPG) é corrigir as posturas e aliviar os sintomas, esticando os músculos encurtados, usando a propriedade de fluência do tecido viscoelástico, e também aumentar a contração dos músculos antagonistas.

O método investiga o papel e status das chamadas "cadeias musculares", grupos funcionais de músculos responsáveis pela postura e suas alterações. Analisa em que medida as cadeias musculares se influenciam entre si, como suas alterações podem se acumular em cada sujeito e em que medida essas alterações são responsáveis pelos sintomas relatados.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Harmina ou "arruda da Síria" para o tratamento de milhões de diabéticos


Em busca de novas possibilidades terapêuticas para a diabetes, pesquisadores do Mount Sinai Hospital fizeram triagem de mais de 100 mil moléculas e apenas uma se destacou como capaz de induzir reprodução das células pancreáticas produtoras de insulina: a harmina.

Esta molécula primeiramente encontrada nas sementes da planta Peganum harmala ou "arruda da Síria" é também a principal molécula com efeitos farmacológicos no “cipó das almas” ou "ayahuasca".

A diabetes tipo 1 e 2 afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Ambas, em última instância, resultam de uma deficiência de células beta pancreáticas produtoras de insulina. As células beta proliferam nos seres humanos durante uma breve janela temporal começando em torno do nascimento, com um pico de percentagem (aproximadamente 2%) engajados no ciclo celular do primeiro ano de vida. Na vida embrionária e após o início da infância, a replicação de células beta é mal detectável.

Considerando que a expansão das células beta parece ser uma abordagem terapêutica óbvia para a deficiência de células beta, células beta humanas adultas têm-se revelado recalcitrantes a tais esforços. Por conseguinte, permanece uma necessidade urgente de agentes terapêuticos antidiabéticos que possam induzir a regeneração e expansão de células beta humanas adultas in vivo ou ex vivo.

Neste trabalho publicado online pela revista Nature, usando uma tela de moléculas pequenas de alto rendimento (HTS), pesquisadores do Mount Sinai Hospital, em Nova Iorque, descobriram que os análogos da pequena molécula harmina funcionam como uma nova classe de compostos mitogênicos de célula beta humana.

Eles também definiram a especificidade dupla da cinase-1a (DYRK1A) regulada pela tirosina como o alvo provável da harmina e os fatores nucleares da família de fatores de transcrição de linfócitos T ativados (NFAT) como prováveis mediadores da proliferação e diferenciação de células beta humanas.

Usando três diferentes ratos de laboratório e ilhotas humanas em modelos baseados in vivo, foi mostrado que a harmina é capaz de induzir a proliferação de células beta, aumentar a massa de ilhotas pancreáticas e melhorar o controle glicêmico. Estas observações sugerem que os análogos da harmina podem ter uma promessa terapêutica única para a terapia para a diabetes humana. O reforço da potência e da especificidade destes compostos nas células beta são desafios importantes para o futuro.



Fonte: Nature Medicine, de 9 de março de 2015

quinta-feira, 9 de março de 2017

Reabilitação Funcional


A reabilitação funcional é a recuperação, por meio de exercícios orientados, da integridade de alguma função neuromuscular prejudicada ou perdida em virtude de qualquer fator. Essa reabilitação pode referir-se a força, condicionamento ou coordenação. O treinamento funcional não se resume a simplesmente aumentar a força de um músculo ou grupo de músculos, ele requer modificações físicas para melhorar a relação de trabalho entre os sistemas nervoso e muscular.

Um programa de reabilitação funcional inclui treinamento de força, flexibilidade e agilidade, bem como atividades focadas na coordenação entre partes do corpo e movimentos específicos, visando preparar o indivíduo para retornar à sua plena atividade.

A reabilitação funcional envolve a realização de exercícios controlados em uma área de disfunção, de tal forma que as melhorias na força, condicionamento e coordenação melhorem também o desempenho dos movimentos para que as atividades da vida diária do indivíduo sejam mais facilmente executadas. Essa reabilitação altamente especializada ajudará o indivíduo a recuperar mais rapidamente seu melhor desempenho.

Esta técnica destina-se a corrigir a incapacidade existente e a conservar, a desenvolver ou a restabelecer as aptidões e capacidades da pessoa para o exercício, em nível ótimo, da atividade considerada. Na reabilitação funcional busca-se corrigir os problemas através de terapia física e manipulação neuromuscular, particularmente naquelas pessoas com dor física, tendo como referência a biomecânica.

Ela é uma tentativa de retornar o indivíduo lesionado para um nível ideal de desempenho. Normalmente, ela tem sido aplicada à medicina esportiva, mas esta abordagem também é benéfica para os indivíduos que voltam ao trabalho ou a atividades da vida diária após lesões traumáticas ou neurológicas, como acidentes vasculares cerebrais, por exemplo.

O objetivo geral da reabilitação funcional é treinar o paciente para retornar às atividades ou esportes costumeiros. Ela difere das terapias usadas para tratar os sintomas do paciente usando modalidades como calor, gelo e medicação, tendo por objetivo fortalecer o(s) músculo(s) lesionado(s).

O paciente (mais comumente um atleta) deve começar a reabilitação assim que a lesão permitir e ela deve ser específica para a lesão em causa, a qual envolve etapas progressivas de desenvolvimento da força muscular e resistência para retornar à sua atividade específica.

O fisioterapeuta deve levantar a história da lesão, incluindo lesões, tratamentos e recuperação anteriores, procurar compreender as metas do paciente e fazer planos de como retornar o indivíduo a seu estado ideal. Um exame físico deve ser realizado para avaliar, entre outras coisas, os reflexos, a postura, o equilíbrio, a caminhada, o controle muscular, a estabilização do corpo durante o repouso, o movimento, a amplitude de movimento das articulações e quaisquer deficiências ou problemas que possam ter contribuído para a lesão original.

A reabilitação funcional requer diagnósticos funcionais, como a revisão das técnicas do atleta, capacidade de movimento e adaptações secundárias de articulações ou músculos. Exames de imagens como radiografias, tomografia computadorizada, ultrassonografia e ressonância magnética podem ser usados para esclarecer o problema ou uma lesão particular.

Para que a reabilitação seja mais eficiente, os exercícios funcionais devem envolver a reabilitação e estabilização muscular do abdômen, costas, pescoço, escápula, pelve, quadril, músculos adutores e glúteos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Uso terapêutico e não estético da toxina botulínica (Botox)


A toxina botulínica é um complexo proteico de origem biológica (uma neurotoxina), obtido a partir da bactéria Clostridium botulinum, uma bactéria anaeróbia que em condições apropriadas produz sete sorotipos diferentes, nomeados toxina A, B, C, D, E, F e G, das quais o sorotipo A é o mais potente.

O uso terapêutico da toxina botulínica é relativamente recente e começou em 1980. Essa toxina, quando aplicada em pequenas doses para fins terapêuticos, bloqueia a liberação de acetilcolina, o neurotransmissor responsável por levar as mensagens elétricas do cérebro aos músculos e, como resultado, o músculo não recebe a mensagem para contrair.

Popularmente, a toxina botulínica é mais conhecida por seu uso estético, para atenuar rugas do rosto. Aplicada superficialmente, a musculatura relaxa e a expressão fica, então, menos contraída. Esse é, porém, apenas um de seus usos, porque há outros, muito importantes, com finalidades terapêuticas.

Terapeuticamente, ela foi inicialmente aplicada na Oftalmologia, para relaxamento de músculos oculares no tratamento do estrabismo. Menos de uma década depois, ela passou a ser usada também no tratamento de outros distúrbios de movimento em que haja espasticidades, como nas sequelas de lesões do sistema nervoso central, traumatismo craniano, lesões medulares ou congênitas como, por exemplo, no caso da paralisia cerebral, uma encefalopatia provocada pela falta de oxigenação em que o músculo se torna muito contraído.

A técnica de aplicação da toxina botulínica consiste em diluir a fórmula farmacêutica em soro fisiológico, aspirar o resultado numa seringa e aplicá-lo na região comprometida (braços, pernas, tronco, face, etc). A dor da aplicação é semelhante à de uma injeção comum. A dor corresponde à perfuração da agulha e à acomodação do líquido entre as fibras de tecido, não do líquido em si. As doses e pontos a serem aplicados dependem da situação a ser tratada.

Em que casos se deve aplicar a toxina botulínica?

Além dos casos já mencionados, a toxina botulínica tem sido usada com sucesso em:

1.Sequelas de lesões encefálicas
2.Esclerose múltipla
3.Mal de Parkinson
4.Tiques nervosos
5.Cefaleias
6.Hiperidrose

Nas sequelas de lesões encefálicas que causem contraturas, a toxina botulínica pode produzir relaxamento muscular. As mais comuns dessas lesões encefálicas são provocadas por derrames cerebrais e paralisia cerebral mas podem ocorrer em fraturas, acidentes e doenças degenerativas.

Na esclerose múltipla, a indicação depende mais do quadro motor do que da fase da doença. Portanto, a fase da doença não tem relação direta com a utilização dessa toxina.

No Mal de Parkinson, o uso da toxina botulínica vem sendo estudado para avaliar o real benefício que ela pode representar. Embora a doença de Parkinson ainda não seja uma indicação clássica, o tema está sendo pesquisado, pois a toxina botulínica tem-se mostrado eficiente no tratamento de muitas outras patologias diferentes.

Os tiques nervosos - espasmos musculares faciais, basicamente na região dos olhos (piscamentos) ou da boca (repuxamentos) - são difíceis de serem tratados, mas como a toxina botulínica enfraquece a musculatura, os tiques são atenuados.

No caso das cefaleias, a toxina botulínica presta-se para o tratamento das cefaleias tensionais e as resultantes de contratura na região cervical.

Para tratamento da hiperidrose, a toxina botulínica geralmente é aplicada nas regiões axilares, palmares e plantares. A melhora é boa e perdura por tempo prolongado, em média cinco ou seis meses.

Por fim, tem-se procurado usá-la também em tratamentos odontológicos, mas esse uso ainda não é autorizado pela ANVISA.

A toxina botulínica é o mais potente veneno conhecido. A intoxicação alimentar é extremamente grave e frequentemente fatal. No entanto, a dosagem aplicada para fins terapêuticos (e estéticos) é muito pequena e incapaz de desencadear as reações do envenenamento.

terça-feira, 7 de março de 2017

Trombofilia - Formação "espontânea" de trombos


A trombofilia é definida como a tendência à trombose decorrente de alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação ou da fibrinólise, que levam a um estado pró-trombótico.

A trombofilia é classificada como hereditária quando se demonstra a presença de uma anormalidade hereditária que predispõe à oclusão vascular, mas que requer a interação com outro componente, hereditário ou adquirido, para desencadear o episódio trombótico.

As trombofilias hereditárias são, na maior parte dos casos, decorrentes de alterações ligadas aos inibidores fisiológicos da coagulação (antitrombina, proteína C, proteína S e resistência à proteína C ativada) ou de mutações de fatores da coagulação (FV G1691A ou Fator V Leiden e mutação G20210A da protrombina).

A trombofilia é adquirida quando é decorrência de outra condição clínica, como neoplasia, síndrome antifosfolípide, imobilização, ou do uso de medicamentos, como terapia de reposição hormonal, anticoncepcionais orais e heparina. Níveis plasmáticos moderadamente elevados de homocisteina também podem ser responsáveis por episódios vaso-oclusivos.

Importante consideração a ser feita é o território vascular (venoso e/ou arterial) de ocorrência do(s) evento(s) trombótico(s), já que isto implica em mecanismos fisiopatológicos diversos, com investigação laboratorial e tratamento também diferentes.

Clinicamente, as trombofilias hereditárias geralmente manifestam-se como tromboembolismos venosos, mas com algumas características próprias:

a) ocorrência em indivíduos jovens (< 45 anos);
b) recorrência freqüente;
c) história familiar de eventos trombóticos;
d) trombose migratória ou difusa ou em local pouco comum, e
e) episódio trombótico desproporcionalmente grave em relação ao estímulo desencadeante.

Os defeitos trombofílicos podem também causar várias complicações obstétricas, como dificuldade para engravidar, gestações complicadas, retardo do crescimento fetal, abortamentos e perdas fetais.

A investigação laboratorial deve ser realizada em todas as situações mencionadas.

Este estudo, sempre realizado temporalmente distante do evento trombótico agudo, inclui a quantificação funcional dos inibidores da coagulação, a quantificação da homocisteína plasmática, as pesquisas das mutações FV G1691A e G20210A da protrombina, e da presença dos anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico e anticardiolipina).

Segundo alguns autores, a presença de hiperfunção plaquetária (Síndrome da plaqueta viscosa) também deveria ser investigada rotineiramente, por ser causa de tromboses arteriais e / ou venosas.

Como em algumas situações clínicas a investigação laboratorial pode não alterar a conduta terapêutica que será instituída, deve-se levar em conta a relação custo/benefício deste estudo.

Porém, duas observações merecem ser feitas:

a) a presença de associações de defeitos trombofílicos implica em maior potencial trombogênico e
b) a demonstração da presença ou ausência de anticorpos antifosfolípides orienta quanto ao tempo e a intensidade da anticoagulação.

Por fim, deve-se ainda considerar que, por serem defeitos hereditários, a demonstração de um defeito trombofílico congênito determina qual será a investigação dos familiares e aqueles que forem portadores assintomáticos deverão receber orientação adequada em situações de risco, visando evitar a ocorrência de eventos trombóticos.


Revista da Associação Médica Brasileira