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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Paracetamol versus ibuprofeno em crianças com asma leve persistente
Estudos têm sugerido uma associação entre o uso frequente de paracetamol e complicações relacionadas à asma entre crianças, levando alguns médicos a recomendar que o paracetamol seja evitado em crianças com asma; no entanto, os ensaios adequadamente concebidos avaliando esta associação são escassos.
Foi conduzido ao longo de 48 semanas um estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado, duplo-cego, de grupos paralelos, envolvendo 300 crianças (faixa etária de 12 a 59 meses) com asma persistente leve. O estudo designou-as para receber ou acetaminofeno (paracetamol) ou ibuprofeno, quando necessário para o alívio da febre ou dor.
Os resultados foram publicados pelo periódico The New England Journal of Medicine (NEJM). O desfecho primário foi o número de exacerbações de asma que levaram ao tratamento com glicocorticoides sistêmicos, ou seja, qual dos medicamentos poderia provocar mais crises de chiado que necessitassem de tratamento com corticoides
Crianças em ambos os grupos receberam terapias padronizadas controladoras da asma, as quais foram usadas em um julgamento simultâneo, fatorialmente ligado.
Os participantes receberam uma média de 5,5 doses de medicação do ensaio; não havia nenhuma diferença significativa entre os grupos no número médio de doses recebidas.
O número de exacerbações de asma não diferiram significativamente entre os dois grupos, com uma média de 0,81 por participante no grupo acetaminofeno e 0,87 por participante no grupo ibuprofeno em mais de 46 semanas de acompanhamento.
No grupo do acetaminofeno, 49% dos participantes tinham pelo menos uma exacerbação da asma e 21% tinham pelo menos duas, em comparação com 47% e 24%, respectivamente, no grupo do ibuprofeno.
Da mesma forma, não foram detectadas diferenças significativas entre o ibuprofeno e o acetaminofeno no que diz respeito à percentagem de dias de controle da asma, ao uso de um inalador de resgate com albuterol, e à utilização de cuidados de saúde para a asma ou a eventos adversos.
Entre as crianças com asma leve persistente, o uso de acetaminofeno conforme a necessidade não foi associado a uma maior incidência de exacerbações de asma ou a um pior controle da doença do que quando é necessário o uso de ibuprofeno.
Traduzindo: nem um, nem outro medicamento são efetivos causadores de crises de asma em crianças portadoras da enfermidade.
Fonte: The New England Journal of Medicine, de 18 de agosto de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Alveolite pulmonar
A alveolite pulmonar, pneumonite de hipersensibilidade ou alveolite alérgica extrínseca é uma reação inflamatória imune que acomete o interstício pulmonar, bronquíolos e alvéolos pulmonares de indivíduos susceptíveis em virtude de uma hipersensibilidade dos pulmões a substâncias irritantes do ar. A expressão “alveolite alérgica extrínseca” é a que melhor descreve a doença, porque “alveolite” se refere à inflamação dos alvéolos, “alérgica” fala da reação de hipersensibilidade e “extrínseca” indica uma causa externa. O tipo mais comum da doença é conhecido como “pulmão de fazendeiro”, causado pela inalação do mofo do feno.
A alveolite pulmonar é causada, em pacientes susceptíveis, por uma grande variedade de precipitantes orgânicos inalados como finas partículas de aerossol. Entre estes precipitantes encontram-se bactérias, fungos, proteínas animais, proteínas de inseto, amebas e agentes químicos de baixo peso molecular. Ela é mais frequentemente associada a alergenos ocupacionais e por isso é mais comum em homens na faixa dos 30 aos 50 anos, em plena atividade laborativa.
O pulmão acha-se exposto a uma grande variedade de agressores ambientais e responde por meio de um número limitado de mecanismos fisiopatológicos. As pequenas partículas inaladas (entre 1 e 5 mm de diâmetro), se depositam nos espaços aéreos distais e produzem uma resposta inflamatória imunomediada em indivíduos sensibilizados, causando a alveolite. A alveolite reduz a elasticidade dos pulmões, na inspiração e na expiração, e diminui a eficiência do transporte de gás entre os pulmões e os vasos sanguíneos, levando a problemas respiratórios como dispneia e tosse seca. Com a exposição crônica aos antígenos causais, a resposta imune e a inflamação são as causas das mudanças no tecido do pulmão e da ocorrência dos sintomas. Essas doenças apresentam um acentuado comprometimento monocítico–macrofágico e com frequência são acompanhadas pela formação de granulomas.
A alveolite pulmonar pode ser aguda, subaguda ou crônica. A apresentação aguda consiste em sintomas semelhantes a uma infecção respiratória aguda: febre, calafrios, tosse, dor torácica, fadiga e mal-estar. Pode haver dispneia com sibilos, simulando um quadro de hiperreatividade brônquica, cefaleia frontal, dores musculares e dores nas juntas. A forma subaguda pode produzir tosse e falta de ar. Na forma crônica, a pessoa pode formar cicatrizes difusas nos pulmões e até desenvolver fibrose pulmonar. Com a passagem do tempo, agrava-se a dispneia durante exercício físico, a tosse com expectoração, o cansaço e a perda de peso. No entanto, só um número reduzido de pessoas que inalam os pós tóxicos ou contaminados desenvolvem reações alérgicas e só uma pequena parte destas sofrem deteriorações irreversíveis nos pulmões.
Além do histórico médico do paciente, o diagnóstico da alveolite pulmonar pode se valer de uma radiografia do tórax. Um dado diagnóstico importante é a ocupação do paciente e a história de sua exposição aos alergenos. Podem também contribuir para o esclarecimento do quadro as provas de função respiratória, que medem a capacidade pulmonar de retenção de ar; as capacidades inspiratória e expiratória e o exame de sangue para detectar a presença e o tipo de anticorpos. Em casos mais extremos, pode-se efetuar uma biópsia, que pode ser feita durante uma broncoscopia, uma toracoscopia ou uma toracotomia. É importante diferenciar a alveolite de outras condições das vias respiratórias, tais como, infecções, doença pulmonar intersticial, asma, sarcoidose e histoplasmose.
Os casos agudos de alveolite pulmonar, com aflição respiratória, podem exigir a atenção médica de emergência, inclusive com a administração de oxigênio. Em alguns casos, os pacientes respondem bem ao tratamento com corticosteroides. Os casos crônicos frequentemente podem ser controlados por um afastamento do alérgeno suspeitado. Se houver inflamação ou infecção associada, ela deve ser tratada pelos meios próprios. Esses casos respondem de maneira pior aos corticosteroides.
A alveolite pulmonar pode evoluir para insuficiência respiratória.
A maneira mais eficaz de se prevenir contra a alveolite pulmonar é evitar os alergenos que podem causá-la. Nas situações em que isso for impossível, o uso de máscaras protetoras pode contribuir para prevenir a doença ou uma recidiva dela.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Exercícios para tratar a asma
Os benefícios do treinamento aeróbico para as principais características da asma, como hiperresponsividade brônquica (HRB) e inflamação são mal compreendidos.
Pesquisadores coordenados pelo Professor Celso Carvalho, do Departamento de Medicina da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo, avaliaram os efeitos do treinamento aeróbico sobre a HRB (desfecho primário), citocinas inflamatórias séricas (resultado secundário), controle clínico e qualidade de vida na asma pelo questionário Asthma Quality of Life Questionnaire [AQLQ] (resultados terciários).
Cinquenta e oito pacientes foram aleatoriamente designados para o grupo controle (GC) ou para o grupo de treinamento aeróbio (GT).
Os pacientes do GC (programa educacional + exercícios de respiração SHAM) e do GT (mesmo que o GC + treinamento aeróbio) foram acompanhados durante três meses.
A HRB, as citocinas séricas, o controle clínico, o questionário AQLQ, a expectoração induzida e a concentração da fração exalada do óxido nítrico (FeNO) foram avaliados antes e após a intervenção.
Os resultados após 12 semanas mostraram que 43 pacientes (21 GC / 22 GT) completaram o estudo e foram analisados.
O treinamento aeróbio reduziu a hiperresponsividade brônquica e as citocinas pró-inflamatórias séricas, com melhoria da qualidade de vida e diminuição das exacerbações da asma em pacientes com asma moderada ou grave.
Estas conclusões sugerem que a adição de exercícios aeróbicos, como terapia adjuvante para o tratamento farmacológico da asma, pode melhorar as características principais responsáveis por esta patologia.
Fonte: Thorax, publicação online de 10 de junho de 2015
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Suplementação de magnésio ajuda a melhorar força muscular respiratória em pacientes com fibrose cística.
O magnésio é um dos mais importantes minerais no corpo. Embora alguns estudos tenham demonstrado que pacientes com fibrose cística têm carência de magnésio, nenhum estudo internacional avaliou a importância da suplementação de magnésio por via oral nesses pacientes.
O estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado pelo The American Journal of Clinical Nutrition, investigou de forma prospectiva os efeitos em longo prazo da suplementação de magnésio por via oral sobre a força muscular respiratória usando o escore clínico de Shwachman-Kulczycki (SK) entre crianças e adolescentes com fibrose cística (FC).
Este estudo incluiu 44 pacientes com FC que foram aleatoriamente designados para receber magnésio ou placebo durante 8 semanas com um período de descanso de 4 semanas entre os ensaios.
Todos os pacientes foram submetidos a tratamento convencional da fibrose cística. O protocolo experimental incluiu avaliação clínica, avaliação da concentração urinária de magnésio e medições da pressão inspiratória máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx). A pressão inspiratória máxima foi o resultado primário.
A concentração urinária de magnésio estava aumentada após a administração de magnésio. Além disso, PImáx e PEmáx melhoraram significativamente somente após a administração de magnésio. A administração de magnésio teve um efeito benéfico sobre as variáveis clínicas avaliadas.
Os resultados mostraram que a suplementação oral de magnésio ajudou a melhorar a pontuação do escore clínico e a força muscular respiratória em pacientes pediátricos com fibrose cística.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Embolia Pulmonar
Vamos começar com algumas definições básicas:
Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.
Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.
Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
Trombo: Coágulo aderido à parede interna de uma veia ou artéria. Pode ocasionar a diminuição parcial ou total da luz do mesmo com sintomas de isquemia.
Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
Circulação:
1. Ato ou efeito de circular.
2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito.
3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
Agora, vamos ao assunto propriamente dito:
O que é embolia pulmonar?
A embolia pulmonar, também chamada tromboembolismo pulmonar (TEP), é o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos, que ocorre geralmente quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desprende do local de sua formação e cai na circulação, obstruindo o fornecimento de sangue em um dos pulmões.
Além de coágulos sanguíneos, os êmbolos podem ser formados também por bolhas de gás ou de gordura. Quando ocorre uma embolia pulmonar, a circulação é interrompida subitamente em uma parte do pulmão e isto faz com que aumente a resistência à circulação do sangue e diminua a área de trocas gasosas.
Grande parte das embolias é pequena e nem chega a ser percebida, mas há também outras maiores, comprometendo áreas pulmonares extensas, que podem ser fatais.
A causa imediata da embolia pulmonar é a obstrução de um ramo da artéria pulmonar por um êmbolo formado por um coágulo sanguíneo, uma bolha de gás ou de gordura.
Alguns fatores favorecem a formação de coágulos sanguíneos e outros êmbolos, como por exemplo:
• Ficar acamado por longos períodos.
• Câncer de certos órgãos.
• Manipulações cirúrgicas.
• Uso prolongado de anticoncepcionais.
• Tabagismo.
• Obesidade.
• Varizes.
• Descompressões súbitas como as dos mergulhadores.
Os sinais e sintomas da embolia pulmonar dependem do grau de prejuízo causado aos pulmões e incluem hipóxia, respiração rápida, chiado no peito, cianose, tumescência das veias do pescoço, tosse, edemas e frequência cardíaca aumentada. Os sintomas da embolia pulmonar incluem dificuldade de respiração, dor torácica e palpitações.
Casos graves de embolia pulmonar não tratada podem levar à morte súbita.
O diagnóstico da embolia pulmonar é feito pela combinação dos achados clínicos, com exames de laboratório e estudos de imagem. A procura de um coágulo na artéria pulmonar, através da angiografia pulmonar computadorizada é a modalidade de estudo de imagem mais utilizada atualmente e fornece o dado mais decisivo para o diagnóstico. A arteriografia pulmonar usualmente dá o diagnóstico de certeza.
Depois de instalada a embolia pulmonar, o tratamento é realizado com medicação anticoagulante. Às vezes, a administração de oxigênio pode ser necessária. Os casos mais graves podem necessitar de trombólise com drogas ou de uma trombectomia pulmonar cirúrgica.
O tratamento busca também diminuir a sobrecarga cardíaca e melhorar a eficiência pulmonar, com aumento da oxigenação do sangue. Medidas para dificultar a formação de novos êmbolos e para tratar os sintomas decorrentes são necessárias.
Os casos mais simples curam-se sem deixar sequelas. Nos casos graves, em que o ramo arterial obstruído é de grande calibre, pode ocorrer morte súbita.
Pode haver complicações, como um abscesso pulmonar. Mas isso já é um outro capítulo...
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