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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Aneurisma


Aneurismas arteriais são dilatações localizadas de uma artéria, causadas pelo enfraquecimento das paredes do vaso, por trauma ou por doença vascular, criando uma protuberância da artéria. É muito comum na população em geral, raramente causando problemas graves. Seu perigo está no fato de poder romper-se, resultando em grande hemorragia nos tecidos irrigados pela artéria atingida.

As causas para a ocorrência de um aneurisma não são totalmente claras. Algumas pessoas já nascem com esse problema (aneurisma congênito), geralmente provocado por defeitos em partes da parede arterial. Esses defeitos podem também acontecer por traumatismos ou doenças arteriais. O fato de fumar e a pressão alta (hipertensão arterial) são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de um aneurisma.

Os aneurismas podem afetar uma extensa variedade de artérias. Os aneurismas mais significativos afetam a aorta, que é a principal artéria do corpo, e as artérias que suprem o cérebro e o coração. Normalmente, os aneurismas são classificados por sua localização no corpo, como, por exemplo, aneurisma aórtico, aneurisma carotídeo, aneurisma cerebral, etc.

As protuberâncias aneurismáticas podem ter duas formas principais:

1.Os aneurismas fusiformes, que resultam da dilatação de todos os lados do vaso sanguíneo.
2.Os aneurismas saculares, que são salientes apenas de um lado do vaso sanguíneo.

A maioria dos aneurismas não apresenta sintomas e não é perigosa. No entanto, em sua fase mais grave, alguns podem se romper, levando à hemorragia interna com risco de vida. O risco de ruptura depende, pelo menos em parte, do tamanho do bulbo aneurismático.

Embora haja características comuns a todos os aneurismas, alguns deles assumem importância especial. Um deles é o aneurisma da aorta. Essa grande artéria capta praticamente todo o sangue liberado pelo ventrículo esquerdo do coração e passa pelas cavidades torácica e abdominal, levando o sangue aos órgãos periféricos. Tem um diâmetro entre 2 e 3 centímetros, mas pode chegar a 5-6 centímetros em caso de um aneurisma. O aneurisma mais comum da aorta localiza-se na aorta abdominal. Menos comumente (25%), um aneurisma pode afetar a aorta torácica.

Outro aneurisma importante é o aneurisma das artérias que suprem o cérebro, conhecidos como aneurismas intracranianos. Aneurismas cerebrais rompidos são a causa mais comum de um tipo de derrame conhecido como hemorragia subaracnoide.

Além deles, um aneurisma também pode ocorrer em uma artéria periférica: aneurisma poplíteo, aneurisma da artéria esplênica, aneurisma da artéria mesentérica, aneurisma da artéria femoral, aneurisma da artéria carótida, aneurisma visceral, etc. Os aneurismas periféricos são menos propensos à ruptura do que os aneurismas aórticos e cerebrais.

Exames específicos capazes de detectar possíveis aneurismas não fazem parte de um checkup normal. Assim, como são silenciosos e assintomáticos, os aneurismas costumam ser descobertos por acaso ou apenas quando se rompem.

Como pode não apresentar sintomas, o aneurisma da aorta costuma ser identificado durante exames médicos não relacionados à doença, em exames como radiografia ou ultrassonografia, por exemplo, feitos por outros motivos. Por isso, é importante um exame clínico da região torácica e abdominal em pacientes acima de 50 anos.

Quando percebido precocemente, o aneurisma da aorta pode ser tratado facilmente, mas se chega a romper pode ocasionar a morte. Em caso de suspeita, os exames mais indicados para caracterizar o problema são radiografias do tórax, ecocardiograma, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

No caso de um aneurisma cerebral rompido, o estudo pode ser feito pela tomografia computadorizada, pela punção lombar (coleta de líquido cefalorraquidiano) e pela angiografia cerebral. Dependendo das particularidades do caso, o médico pode optar por substituir a angiografia por uma angiotomografia, uma tomografia usando contraste.

O diagnóstico de um aneurisma numa artéria periférica começa pelo exame físico, em que é captada uma artéria dilatada e pulsátil e confirmado posteriormente por exames de imagem, como ultrassonografia e angiografia com tomografia computadorizada. Mas geralmente esses exames foram pedidos em decorrência de outra queixa. No caso de suspeita, deve ser também solicitado um EcoDoppler, que ajuda na confirmação do diagnóstico.

Alguns aneurismas quase nunca se romperão e não exigem providências médicas ativas, mas se eles se romperem, caracterizam uma situação de urgência. O médico pode optar por monitorar um aneurisma não roto, se não houver sintomas intoleráveis e indícios de risco de ruptura.

A decisão de operar ou não um aneurisma da aorta depende de vários fatores relacionados ao paciente individual e às características do aneurisma, incluindo idade do paciente, saúde geral, condições coexistentes, escolha pessoal do paciente, tamanho do aneurisma, sua localização e taxa de crescimento, presença de dor ou risco de tromboembolismo.

No caso de um aneurisma cerebral, normalmente o médico só operará se houver um alto risco de ruptura, porque o risco potencial de dano cerebral resultante de complicações cirúrgicas é grande demais. Em vez de cirurgia, os pacientes recebem orientações sobre como monitorar e gerenciar os fatores de risco, por exemplo, monitorando a pressão arterial.

Os aneurismas periféricos raramente se rompem. O risco maior que envolvem é a embolia (fragmentação de coágulos existentes na parede do aneurisma e que se deslocam, obstruindo artérias menores) e a isquemia, que exige medidas terapêuticas urgentes. Coágulos podem se formar no espaço dentro do aneurisma e, em seguida, moverem-se, bloqueando ou restringindo o fluxo de sangue em outras áreas. Aneurismas também podem comprimir os nervos e veias, levando à dor, dormência e fraqueza.

A maioria dos aneurismas permanece estável. A ruptura deles causa uma hemorragia, cuja gravidade depende de vários fatores: calibre do vaso afetado, extensão do aneurisma e da ruptura, volume do sangramento ocasionado e estado geral do paciente. Estima-se que 40% dos pacientes que tiveram rompimento de um aneurisma da aorta morrem em 24 horas.

Não há como evitar os aneurismas arteriais, mas tem como evitar muitas de suas consequências negativas, sobretudo o rompimento. Alguns tipos de aneurisma podem necessitar de tratamento cirúrgico para evitar a ruptura. A pressão arterial deve ser mantida em níveis normais ou baixos.
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