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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Automutilação


Automutilação é todo comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio, embora possa resultar em morte.

Normalmente, em seguida à automutilação, a pessoa procura esconder as feridas autoinfligidas com roupas ou oferece explicações alternativas para elas. 

Algumas pessoas, com o interesse de escondê-las, abandonam as situações em que seja necessária a exibição do corpo, como ir à praia ou a um clube, por exemplo.

A pessoa que se automutila não está, usualmente, querendo interromper a própria vida, mas sim usando esse comportamento como um modo de aliviar alguma dor emocional e desconforto.

Os atos automutilatórios visam o alívio de dores emocionais e, em muitos casos, estão associados ao Transtorno de Personalidade Borderline. Muitos automutiladores, contudo, não sofrem desse transtorno de personalidade.

Atualmente, esse comportamento tem sido associado também a problemas como depressão, transtorno bipolar, síndrome do pânico, bulimia, anorexia, bullying, epilepsia, problemas emocionais, transtornos alimentares dentre outros. 

Outro fator que deve ser investigado está relacionado à associação entre dor e prazer (sadismo).

A automutilação é mais comum entre jovens e adolescentes que sofrem pressão psicológica.

Geralmente a pessoa se automutila com a intenção de interromper uma dor emocional muito forte, numa espécie de troca, da dor emocional pela dor física. 

No entanto, apesar desses intensos sentimentos internos, o automutilador não experimenta muitas reações emocionais no que diz respeito a eventos externos, sendo capaz de presenciar grandes tragédias sem reações emocionais.

Deparam-se com uma sensação de vazio e tornam-se incapazes de quaisquer sentimentos comuns, como ódio, raiva, indignação, medo, insegurança, alegria, amor, etc. Sentem-se apáticos e desinteressados com relação a qualquer assunto que os rodeie.

Os automutiladores em geral sentem compaixão por outras pessoas na mesma situação. 

No mais, eles tendem a ter grandes dificuldades de expressão verbal ou emocional e não conseguem falar sobre suas angústias, nem chorar diante dos outros. 

No máximo, alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas ou sua história pessoal, etc.) lhes parece de grande ajuda.

Essas pessoas não possuem amor próprio, têm muito baixa autoestima e se definem como "um lixo", “sem qualquer importância” e fracassadas. 

Não guardam qualquer expectativa futura positiva, pois se consideram incapazes de alcançar qualquer coisa realmente boa. 

Assim, procuram se afastar da família e dos amigos, com a ideia de que assim os poupam do mal que presumem ser a sua presença e passam a levar uma vida isolada.

Com frequência se descobrem buscando feridas ou cicatrizes semelhante às suas em outras pessoas, como uma forma de não se sentirem tão sós. 

O desejo de se automutilar é descrito por elas como algo incontrolável, um vício do qual, ainda que queiram, não conseguem se libertar. Muitas pessoas alegam não saberem porque fazem isso.

Após uma crise em que fere o próprio corpo, a pessoa apresenta um sentimento de culpabilidade. 

O indivíduo chora muito e a sensação de fracasso é extrema, assim como a dificuldade de falar sobre si mesmo e sobre a doença é acentuada, com medo de não ser compreendido e aceito.

A automutilação é comum entre jovens e adolescentes que sofrem pressão psicológica.

As formas mais frequentes de automutilação são esmurrar-se, chicotear-se, cortar-se com giletes, navalhas, vidros e facas, enforcar-se por alguns instantes, morder as próprias mãos, lábios, língua ou braços, apertar ou reabrir feridas, arrancar os cabelos, queimar-se, furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas, beliscar-se, ingerir agentes corrosivos, pregos, alfinetes etc., se bater, socar paredes e outras superfícies ásperas capazes de machucar as mãos e envenenar-se, sem a intenção de suicídio.

Uma forma clássica de automutilação, comum nos serviços de emergência, envolve fazer cortes nos braços, pernas, coxas, abdômen, etc., mais nos pulsos. 

A automutilação entre indivíduos com outros distúrbios mentais (autismo, retardamento, inteligência limítrofe, etc.) costuma envolver ações relativamente simples, tais como bater a cabeça contra a parede, esmurrar superfícies duras e morder-se. 

É comum desenvolverem pica, que corresponde a um transtorno em que o afetado engole substâncias/objetos que não são comestíveis.

O tratamento da automutilação deve ser feito por uma associação entre psicoterapia e medicação. 

A psicoterapia tem como um dos objetivos ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com as frustrações. 

Ainda não há medicação específica para a automutilação, entretanto, a medicação pode aliviar os sintomas depressivos e ansiosos associados e também este comportamento.

É essencial identificar as causas do problema, embora isso seja difícil, e tratá-las. É importante que a iniciativa do tratamento parta do próprio paciente.

A automutilação pode causar uma variedade de complicações, como infecções, cicatrizes e desfigurações permanentes. Embora a automutilação não seja uma tentativa de suicídio, pode produzir a morte.

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