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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Esteatose hepática na infância


Esteatose hepática, infiltração gordurosa do fígado ou doença gordurosa do fígado é um acúmulo de gordura nas células do fígado, também chamada popularmente de “fígado gorduroso”. Normalmente, cerca de 10% do peso do fígado é constituído por gordura. Quando ela excede esse valor, diz-se que o fígado está acumulando gordura. Esse acúmulo de gordura, se não tratado, acaba por causar uma inflamação das células hepáticas (esteatohepatite) e pode levar à cirrose hepática.

A principal causa de esteatose hepática em adultos é o abuso de álcool, mas outras causas também são possíveis, como são as hepatites virais, o diabetes mellitus, a obesidade, o colesterol, os triglicérides elevados, o consumo de drogas, a desnutrição, certas cirurgias abdominais e gravidez. O álcool é um fator tão importante e frequente que faz com que as esteatoses sejam divididas em alcoólicas e não alcoólicas.

A esteatose hepática na infância é uma forma não alcoólica de acúmulo de gordura no fígado de uma criança. É um problema de saúde que vem crescendo em todo o mundo. Esta doença tem aumentado devido a hábitos alimentares pouco saudáveis e mudanças no conteúdo alimentar e no estilo de vida.

Em conclusão, como a obesidade infantil tornou-se epidemia em países desenvolvidos, a esteatose hepática na infância tornou-se a principal causa de doença hepática crônica em crianças.

A causa principal da esteatose hepática na infância é a obesidade. A possibilidade de haver degeneração gordurosa do fígado é de 1 para cada 4 crianças obesas. A resistência à insulina pode ser outra causa importante de acúmulo de gordura no fígado. Existem também causas de natureza genética.

Nos primeiros anos de vida, a esteatose é causada principalmente por doenças metabólicas. Já em crianças maiores e em adolescentes, as causas são semelhantes as dos adultos, sendo a obesidade e a resistência à insulina as mais importantes. Além delas, há outros fatores de risco como o gênero, a etnia, a predisposição genética e alguns problemas médicos.

A gordura é armazenada no fígado humano como triglicerídeo. Na doença hepática gordurosa não alcoólica (tipo da esteatose hepática na infância) as alterações histológicas macrovesiculares são predominantes.

A hepatoesteatose geralmente se autolimita, mas pode avançar para esteatohepatite, que difere da esteatose simples por lesão no hepatócito, infiltrado inflamatório e deposição de colágeno. A esteatohepatite pediátrica é caracterizada por esteatose macrovesicular com inflamação portal e/ou fibrose, geralmente sem evidência de lesão celular ou inflamação lobular.

Houve um aumento na frequência de esteatose hepática na infância nos últimos 30 anos. Hoje em dia, ela é a forma mais comum de doença hepática em crianças e, em sua forma crônica, pode levar à cirrose e à insuficiência hepática. É também um fator de risco para doenças cardiovasculares e câncer de fígado.

A esteatose hepática é mais comum em meninos do que meninas, mas meninos obesos negros apesar de terem IMC e porcetagem de gordura semelhantes, têm 30% menos gordura visceral do que os adolescentes brancos, portanto tem um certa proteção natural à esteatose hepática.

Na criança, a esteatose permanece longamente sem sinais e sintomas, mas deve ser suspeitada sempre que em crianças obesas. No entanto, as esteatoses de causas genéticas geralmente têm sintomas detectados logo após o nascimento. O fígado é grande e endurecido à palpação, isso leva à descompensação hepática, que pode necessitar rapidamente de um transplante de fígado.

As transaminases estão ligeiramente elevadas na esteatose hepática na infância e há discreta ou moderada hepatomegalia. Crianças com esteatose hepática típica têm resistência à insulina com hiperinsulinemia, mas são normoglicêmicas. O exame físico deve procurar pela acantose nigricans, uma hiperplasia de células pigmentadas da pele, que geralmente está presentete quando há resistência à insulina. Diversos exames laboratoriais envolvendo os marcadores de funções hepáticas podem ser feitos e ajudam a definir o diagnóstico.

Além disso, a esteatose pode ainda ser detectada por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Um diagnóstico diferencial deve ser feito com a doença de Wilson, lesão hepática induzida por drogas e hepatite autoimune.

A esteatose hepática na infância não tem um tratamento específico comprovado. Os sintomas devem ser gerenciados. As medidas dirigidas para a perda de peso é a gestão mais recomendável: exercícios físicos regulares e uma dieta com baixo índice glicêmico e calórico. O uso de medicamentos é promissor, mas eles ainda não são de emprego comum.

A esteatose hepática na infância pode evoluir para esteatohepatite, cirrose hepática e causar carcinoma hepatocelular.

A prevenção principal da esteatose hepática na infância consiste em evitar a obesidade. É importante ficar atento às medidas da circunferência abdominal das crianças.

Em algumas crianças com esteatose hepática na infância pode ocorrer fibrose extensa. A cirrose em crianças é rara, mas tem sido relatada.
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