Provas de Função Hepática



As provas de função hepática são exames laboratoriais feitos com o intuito de conferir se o fígado está funcionando normalmente. As verdadeiras provas de função hepática são aquelas que medem a síntese de proteínas produzidas pelo fígado ou a capacidade do fígado para metabolizar drogas. A maioria dos testes normalmente utilizados mede lesão hepatocelular, em vez de função hepática, de modo que a denominação “provas de função hepática” não é inteiramente correta, embora consagrada.

A avaliação dos exames é mais importante quando se analisa a taxa de mudança ao longo do tempo, correlacionando com dados clínicos dos pacientes. Por exemplo, se há flutuação leve, aumento ou diminuição progressiva.

As provas de função hepática frequentemente fazem parte da linha de investigação de um grande número de diferentes situações clínicas. Elas não são específicas para sistemas e doenças determinadas, mas a anormalidade delas pode indicar condições significativas ou graves. No entanto, quando combinadas com uma história clínica, medicamentos ou a presença de quaisquer sintomas, geralmente é possível desenvolver um diagnóstico diferencial.

Provas de função hepática anormais não indicam necessariamente qualquer anormalidade subjacente da função hepática. Os valores "normais" admitem um desvio de ± 2, de uma escala normalmente distribuída. Assim, 95% de pessoas sem patologias estarão dentro da "faixa normal", mas 2,5% estarão acima dela e 2,5% abaixo dela.

As principais substâncias medidas para avaliar as funções do fígado são:

1. Bilirrubina

A bilirrubina é derivada da destruição das hemácias, células vermelhas do sangue, e é responsável por ajudar na digestão de gorduras. Está presente no organismo em duas formas: indireta ou não conjugada e direta ou conjugada. A forma indireta está presente primariamente no sangue, enquanto a forma direta já passou pelo fígado, onde foi conjugada, e está pronta para atuar na digestão. Quando se fala na forma total refere-se à soma das duas (indireta+direta). É excretada pela urina.

2. Albumina

A albumina conjugada e não conjugada pode ser medida pelas frações da bilirrubina direta e indireta, respectivamente. A albumina é um marcador sensível da função hepática, embora não seja útil na fase aguda, uma vez que tem meia-vida longa (20 dias). Níveis baixos de albumina podem ser em função de problemas nutricionais ou perda de proteínas devido à doença renal, insuficiência de síntese de proteínas e algumas condições inflamatórias do fígado.

3. Proteína total

A proteína total mede o total de albumina e globulinas, as duas proteínas principais. É geralmente normal em doenças do fígado, em que os níveis de globulina tendem a aumentar e os de albumina tendem a cair. Valores altos são vistos em hepatites crônicas ativas, hepatites alcoólicas e em pessoas com hiperatividade do sistema imunitário, tais como infecção aguda, doença inflamatória crônica e mieloma múltiplo.

4. Aminotransferase

As aminotransferases (alanina aminotransferase - TGP e aspartato aminotransferase - TGO) são enzimas presentes dentro das células do fígado e portanto sua alteração está diretamente ligada com disfunções neste órgão. Com a morte destas células, por doença hepática ou outros motivos, essas enzimas saem de dentro das células e vão parar no sangue, aparecendo aumentadas no exame laboratorial. São medidas, pois, para indicar vazamento de células danificadas devido à inflamação ou morte celular.

5. Creatinina quinase

A creatinina quinase (CK) pode ajudar a determinar a origem das transferases aumentadas. Níveis muito elevados de CK (>1000 UI/L) sugerem hepatite induzida por drogas, hepatite viral aguda, isquemia ou hepatite autoimune. Além disso, a proporção TGO/TGP pode dar algumas pistas adicionais sobre a causa: na doença hepática crônica a TGP>TGO, enquanto a cirrose é estabelecida por TGO>TGP.

6. Gama-glutamil transferase

A Gama-glutamil transferase (GGT) pode se apresentar alterada em todas as doenças hepáticas. Os níveis de GGT podem ser duas a três vezes maiores do que o valor de referência em pacientes com doença hepática crônica e podem estar associados à lesão do ducto biliar e fibrose. A especificidade da GGT não é grande, mas de alta sensibilidade para a doença do fígado, o que torna essa enzima bastante útil.

7. Fosfatase alcalina

A fosfatase alcalina (ALP) é uma enzima distribuída por diversas partes do corpo como fígado, intestinos, ossos, rins, placenta, entre outros. Seus valores normais são altamente dependentes da idade e sexo do paciente, sendo mais altos em idosos, crianças e gestantes. A dosagem de uma segunda enzima, a Gama-Glutamiltranspeptidase – Gama GT – indica se ela vem ou não do fígado.

Existe principalmente nas células que revestem os ductos biliares, mas também nos ossos. A elevação acentuada é típica de colestase, com GGT elevada, ou doenças ósseas, com GGT geralmente normal. Se a GGT é normal, um elevado resultado de ALP sugere doença óssea. A ALP é fisiologicamente aumentada quando há um aumento da renovação óssea, como, por exemplo, na adolescência e no terceiro trimestre da gravidez.

8. Gama-Glutamiltranspeptidase

A Gama GT é uma enzima presente em diversos órgãos como rins, pâncreas, baço e coração, entre outros. É um sensível indicador de doença do fígado, porém, pode estar aumentada por doenças em outros órgãos.

Além desses, podem ainda ser feitos exames do tempo de protrombina, sorologia viral, tela de auto-anticorpos, imunoglobulinas, ferritina sérica, saturação de transferrina, alfa-fetoproteína, cobre/ceruloplasmina e alfa-1 antitripsina, todos eles indicadores de algumas patologias.
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