Síndrome da cauda equínea


A medula espinhal se dispõe ao longo do canal vertebral e termina ao nível da primeira vértebra lombar (L1), desde onde é prolongada por meio de longas e finas raízes constituídas pelos axônios que saem da medula e da coluna vertebral. Essas longas raízes formam a cauda equina, na parte inferior do canal vertebral, assim chamada porque lembra a cauda de um cavalo.

Assim, ela constitui a ligação entre o sistema nervoso central e periférico, enviando e recebendo mensagens das pernas, pés e órgãos pélvicos, sendo responsável pela inervação dos membros inferiores e órgãos da região pélvica. A cauda equina, como o restante da medula nervosa, é imersa no líquido cerebroespinhal.

A síndrome da cauda equina é o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da compressão da cauda equina na região lombar.

A síndrome da cauda equina é mais frequente em adultos do que em crianças, mas pode ocorrer em crianças que tenham um defeito espinhal de nascença ou tenham uma lesão na coluna vertebral.

Frequentemente, ela é causada pela expansão de um disco intervertebral na região lombar, estreitamento do canal espinhal, tumor, infecção, inflamação, hemorragia, fratura, acidentes de carro, queda, tiro ou defeito de nascimento.

A síndrome da cauda equina pode ocorrer durante a gravidez, facilitada por uma hérnia de disco lombar. Enfim, as causas mais comuns da síndrome da cauda equina são todas as condições que resultam num canal vertebral estenosado (fechado).

Na síndrome da cauda equina não há condução dos estímulos periféricos para a medula espinhal e vice-versa e os reflexos e tônus muscular ficam diminuídos ou ausentes.

Isso ocasiona a perda parcial ou total da função urinária, intestinal e sexual devida à compressão da cauda equina na região lombar. A lesão em geral é incompleta, com preservação parcial da sensibilidade e da função motora.

É uma condição rara e em alguns casos constitui-se numa emergência cirúrgica. Os principais sinais e sintomas da síndrome podem aparecer agudamente, em horas ou dias, nos casos de hérnia discal, tumores, infecções e fraturas ou ser crônica, ocorrendo em meses ou anos, nos casos de estenoses lentas e progressivas do canal.

A lesão do neurônio motor inferior motiva uma paralisia flácida e não ocorrem hipertonia muscular e hiper-reflexia porque os neurônios motores permanecem intactos.

Quando a compressão é na região lombossacra, ocorre anestesia perineal e nas áreas internas das coxas, incontinência urinária e intestinal e perda da função sexual, com paralisia e anestesia do assoalho da pelve. Se a compressão ocorrer num nível mais alto, pode haver paresia ou paralisia dos membros inferiores.

O diagnóstico da síndrome da cauda equina pode ser a partir de uma cuidadosa história médica e de um minucioso exame físico, exames de sangue, ressonância magnética, mielograma e tomografia computadorizada.

Os exames de sensibilidade mostrarão analgesia perineal. Conforme a causa, o diagnóstico da síndrome da cauda equina é geralmente confirmado por um exame de ressonância magnética ou tomografia computadorizada.

A eletroneuromiografia e o exame do líquido da coluna podem também ser úteis na determinação de causas infecciosas.

A síndrome aguda da cauda equina precisa de tratamento imediato para aliviar a pressão sobre os nervos. A cirurgia deve ser feita rapidamente, dentro de 48 horas após o início dos sintomas para evitar danos permanentes, tais como paralisia das pernas, perda de controle do intestino ou da bexiga, da função sexual ou outros problemas.

Em geral ela é feita para remover sangue, fragmentos de osso, tumor, disco herniado ou um crescimento anormal de ossos que estejam prejudicando a luz do canal vertebral.

Dependendo da causa da síndrome da cauda equina o paciente pode precisar de altas doses de corticoides para reduzir o inchaço e aliviar a dor. Se houver infecção, os antibióticos podem ser receitados; se houver um tumor pode ser necessária a cirurgia e/ou quimioterapia e/ou a radioterapia. Se já ocorreram danos nervosos significativos, nem sempre é possível repará-los e o paciente terá que aprender maneiras de se adaptar às mudanças no funcionamento do seu corpo.

A fisioterapia pode ser útil para a recuperação do paciente, após a cirurgia. Os fisioterapeutas irão cuidar do equilíbrio, da marcha e das transferências de forças. Além disso, a estimulação elétrica é útil para melhorar o tônus muscular.

O diagnóstico precoce da síndrome aguda da cauda equina pode permitir um tratamento que previna os possíveis danos neurológicos.

O prognóstico para a recuperação completa da síndrome aguda da cauda equina depende de muitos fatores. O mais importante deles é a severidade e duração da compressão das raízes nervosas.

Quanto maior for o tempo antes da intervenção para remover a compressão, maior o dano causado aos nervos. Dependendo de quanto dano tenha ocorrido, o paciente pode não recuperar totalmente suas funções.

Nem sempre é possível reparar os danos nervosos significativos e o paciente permanecerá permanentemente com incontinência urinária e fecal e paralisia dos membros inferiores.
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