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sábado, 19 de dezembro de 2015

Mialgia


A mialgia é uma queixa comum. Em algum momento da vida praticamente todas as pessoas apresentarão quadro de dor muscular, o que não significa que estão apresentando miosite ou miopatia e pode inclusive ser causada por patologias não relacionadas ao músculo como artroses ou tendinites. Esforço excessivo, trauma, infecções virais estão entre as causas mais comuns.

Enquanto muitas causas são benignas e autolimitadas, a mialgia pode ser o prenúncio de distúrbios associados com morbidade significativa.

A primeira pergunta a ser respondida na avaliação de pacientes com mialgias é se esta é localizada ou generalizada. A mialgia localizada é uma queixa que leva a preocupação menor, e uma miopatia não vai ser uma consideração diagnóstica, nesse caso os principais diagnósticos diferenciais incluem:

-Exercício físico intenso ou uso excessivo de musculatura;

-Doenças de partes moles (como bursite, trauma ou infecção);

-Piomiosite;

-Síndrome dolorosa miofascial;

-Infarto múscular ou síndrome compartimental.

As mialgias difusas, por sua vez, implicam em outras possibilidades diagnósticas, em geral abrangendo doenças de maior gravidade e incluem:

-Infecções sistêmicas, incluindo causas virais, bacterianas e por espiroquetas. Entre estes se destacam a dengue, também chamada de "febre quebra ossos" devido às mialgias intensas e artralgias associadas e leptospirose que pode cursar com mialgias principalmente em região de pantorrilhas e cursar com aumento de enzimas musculares.

-Doenças reumáticas, especialmente a polimialgia reumática (PMR) e miopatias inflamatórias, como a polimiosite.

-Condições não inflamatórias: tais como a fibromialgia e a síndrome da fadiga crônica.

-Medicamentos: particularmente o uso de estatinas (com ou sem elevação da creatina quinase), a ciprofloxacina, os bisfosfonatos, inibidores da aromatase, ou descontinuação de tratamento com antidepressivos.

-Distúrbios metabólicos, como a miopatia mitocondrial, a deficiência de vitamina D e escorbuto.

-Doenças hepáticas e doenças endócrinas, tais como doenças da tireoide e insuficiência adrenal podem causar miopatia. Por outro lado, a miopatia induzida por glucocorticoides muitas vezes leva à fraqueza muscular sem quadro doloroso associado.

-Causas psiquiátricas, como acontece com manifestações somatoformes de depressão.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Médicos devem fazer do aconselhamento sobre a prática de atividade física regular uma prioridade na Prática Clínica


Evidências clínicas indicam que a atividade física regular é uma das mais poderosas práticas de promoção da saúde que os médicos e outros profissionais de saúde podem recomendar para seus pacientes. Durante décadas, a investigação científica tem mostrado que a atividade física regular protege contra as principais doenças crônicas, incluindo hipertensão arterial, diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardíacas, derrame, declínio cognitivo, alguns tipos de câncer e até mesmo depressão. Existe um amplo consenso de que a atividade física abranje vários benefícios para a saúde.

A American Heart Association destaca que a falta de atividade física representa uma das principais causas de morte em todo o mundo. O papel dos profissionais de saúde para motivar a mudança de comportamento é fundamental. A falta de orientação sobre atividade física em ambientes clínicos representa uma oportunidade perdida para melhorar a saúde e o bem-estar dos pacientes e isto tem um custo mínimo.

Algumas das razões para que os clínicos deixem de oferecer orientação sobre atividade física incluem limitações de tempo, falta de ferramentas e ceticismo sobre se tal aconselhamento realmente funciona. Isto pode ser um desafio dadas todas as prioridades concorrentes, mas pode ser feito. Envolver a equipe clínica no processo e fornecer a cada membro da equipe responsabilidades específicas pode ajudar nas conversas e estratégias de mudança de comportamento.

Os pesquisadores sugerem que durante o exame físico, depois da verificação do peso corporal, pressão arterial e da frequência cardíaca, a enfermeira ou o médico assistente perguntem rotineiramente ao paciente: "Você faz exercício físico regularmente?" Se sim, um membro da equipe pode pedir detalhes, tomar nota e registrar no prontuário do paciente as respostas, além de reconhecer a importância dos esforços do paciente. Se a resposta for não, os pacientes podem ser perguntados se gostariam de começar a ser mais ativos e, em caso afirmativo, quais atividades eles acham que são razoáveis e como eles podem dar início a elas. Os pacientes devem ser encorajados a começar o quanto antes.

O clínico pode fazer uma prescrição de exercício afirmando que o paciente concordou em iniciar esta prática. Os pacientes poderão ser convidados a acompanhar as suas atividades e trazer seus registros de atividade em uma próxima visita. É importante marcar uma consulta de seguimento e não se esquecer de perguntar aos pacientes sobre os seus registros de atividade física na próxima consulta. Isso mostra que o paciente e o médico estão envolvidos. Para muitos adultos, a auto-monitorização regular promove a auto-eficácia e a manutenção da mudança de comportamento. A mensagem sobre a importância das atividades regulares deve ser reforçada a cada visita de acompanhamento. Mesmo pequenas mudanças na prática de exercícios e níveis de atividade física pode levar a melhorias substanciais na saúde cardiometabólica.

Para os pacientes que precisam de educação e apoio adicional, os clínicos podem considerar encaminhamentos para especialistas.

Aproveitando a tecnologia móvel, os médicos podem também recomendar pedômetros ou outros dispositivos de medição portáteis, recursos disponíveis como formulários e lembretes de auto-monitoramento e oferecer aos pacientes uma lista de aplicativos e sites selecionados para incentivar as atividades físicas.

Os médicos e outros profissionais de saúde são confiáveis fontes de informação e podem ajudar os pacientes a estabelecer prioridades para melhorar a sua saúde. Orientação sobre atividade física proporciona uma oportunidade extremamente importante para melhorar a saúde e o bem-estar dos pacientes.

Fonte: The Journal of the American Medical Association (JAMA), publicação online, de 10 de dezembro de 2015