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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Triquíase


A triquíase é uma anormalidade palpebral comum, congênita ou adquirida, na qual os cílios são mal alinhados em relação ao normal e crescem voltados para dentro, em direção ao olho, podendo atingi-lo e roçar contra ele. A diferença da triquíase com o entrópio é que, nesta última condição, a própria pálpebra é virada para dentro, enquanto na triquíase a pálpebra se mantém na sua posição normal e apenas os cílios “nascem” voltados para dentro.

Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode desenvolver triquíase, embora ela seja mais comum em adultos. Ela pode ser causada por uma infecção ocular, inflamação da pálpebra, condições autoimunes e trauma. A triquíase pode ainda ser facilitada, entre outras coisas, por anomalias congênitas das pálpebras, herpes zóster, trauma ou queimadura nos olhos, blefarite crônica e tracoma.

Os cílios voltados para dentro podem atingir a córnea e a conjuntiva, irritando o olho, podendo até mesmo invadir o interior do olho. A pessoa que tem triquíase pode passar pela sensação de ter um corpo estranho em seu olho. Outros sintomas incluem vermelhidão, lacrimejamento e sensibilidade à luz. Os cílios que roçam a córnea por um longo tempo podem causar uma ulceração na córnea.

A triquíase pode ser diagnosticada a partir dos sintomas, pela simples observação. Um diferencial deve ser feito entre triquíase, distiquíase e entrópio. A distiquíase é caracterizada por uma fileira extranumerária de cílios que emerge dos orifícios das glândulas de Meibomius (glândulas sebáceas localizadas nas pálpebras). Já o entrópio é uma condição em que a própria pálpebra se encontra invertida, virada para dentro, dirigindo também os cílios nessa direção.

O tratamento da triquíase envolve a remoção dos cílios mal direcionados e dos folículos pilosos correspondentes e também o redirecionamento do crescimento dos cílios. Se a triquíase for limitada a um ou apenas alguns cílios, o oftalmologista pode remover o conjunto deles causador de problemas, com uma pinça. Isso elimina o problema imediato, mas não garante uma solução definitiva e é possível que os cílios voltem a crescer na direção errada.

Com relação às medicações, apenas sintomáticas, podem ser utilizados lubrificantes tópicos e pomadas de antibiótico. Se a triquíase abranger vários cílios, o oftalmologista pode proceder a uma cirurgia para removê-los de forma permanente. A cirurgia é relativamente simples e o procedimento pode ser feito em ambulatório, com anestesia local. Outros métodos de remoção dos cílios podem ser empregados, como a eletrólise (calor e corrente elétrica que destroem o folículo capilar) ou criocirurgia (frio extremo que também destrói o folículo capilar). Se houver blefarite (inflamação das pálpebras) ela deve ser tratada concomitantemente.

O prognóstico do tratamento da triquíase geralmente é bom. Cuidados frequentes de acompanhamento e pronta atenção às recorrências ou complicações corneanas melhoram o prognóstico a longo prazo.

A triquíase pode desencadear, como complicação, conjuntivite e ceratite. Além disso, podem ocorrer erosões recorrentes, opacidades superficiais, vascularização da córnea e frequentes úlceras de córnea. Ademais, a triquíase pode evitar que as úlceras da córnea se curem apesar da terapia, ameaçando a visão normal.
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