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quinta-feira, 8 de março de 2018

Exames preventivos que toda mulher deve fazer


As mulheres a partir dos 40 anos devem fazer um checkup clínico e ginecológico

A maioria das mulheres têm a vantagem de serem acompanhadas desde cedo por um ginecologista, seja para o uso de métodos anticoncepcionais, para acompanhamento pré-natal ou para o tratamento de doenças típicas da mulher.

Numa consulta anual, o clínico deve examinar minuciosamente a paciente, aferir sua pressão arterial e solicitar exames complementares tais como hemograma completo, dosagem dos hormônios da tireoide, exame de urina e de fezes, exames de glicose e colesterol, exame oftalmológico, eletrocardiograma e exame dermatológico.

O ginecologista, por sua vez, deve, após exame clínico completo, pedir uma ultrassonografia pélvica e/ou transvaginal, exame de Papanicolau (coleta de material do colo do útero para ser analisado quanto à presença de vírus, fungos, bactérias e células cancerígenas), colposcopia, solicitada quando há alguma alteração no Papanicolau, e também uma mamografia, que pode ser complementada pela realização de uma ultrassonografia das mamas, em caso de mamas densas.

Além disso, é importante manter em dia a vacinação contra doenças vacináveis, como a vacina contra o HPV e contra as hepatites A e B. Com um bom acompanhamento geral, em muitos casos os fatores de risco para doenças podem ser eliminados ou terem sua influência minimizada.

Segundo a Preventive Services Task Force, dos Estados Unidos, os exames preventivos da mulher devem ser:

A triagem do câncer do colo do útero deve ser feita anualmente, por mulheres a partir de 21 anos ou a partir de um ano após o início da atividade sexual, pelo exame de Papanicolau, a partir de esfregaço do colo do útero, similarmente ao que se faz para testar para a presença do vírus HPV (papiloma vírus humano). Ambos os testes buscam alterações nas células anormais que podem indicar a necessidade de novos testes, como uma biópsia, por exemplo, que estabeleça precocemente um diagnóstico certeiro.

O exame para detecção do câncer colorretal deve ser feito por meio de uma colonoscopia, a partir dos 50 anos. A colonoscopia é a melhor ferramenta que se tem para detectar o câncer de cólon, pólipos pré-cancerosos ou outras lesões. O câncer de cólon é o terceiro câncer mais comum para as mulheres, só ultrapassado pelo câncer de mama e câncer de pulmão. Se a mulher tiver uma história familiar de câncer colorretal, a triagem deve ser feita mais cedo e com menor intervalo de tempo, o que deve ser orientado e acompanhado de preferência por um médico coloproctologista.

A triagem do câncer de mama deve ser feita pela mamografia, uma vez por ano, nas mulheres a partir dos 40 anos. Se a mulher tiver uma história familiar de câncer de mama ou de ovário, o médico pode recomendar mamografias mais precoces e mais frequentes. A mamografia é a ferramenta mais efetiva que se tem para detectar o câncer de mama. O autoexame é uma excelente ferramenta para a detecção precoce do câncer de mama e deve ser feito por todas as mulheres a partir dos 20 anos, 7 dias após o término da menstruação. Ele consiste em apalpar minuciosamente os próprios seios, denunciando novos nódulos ou endurecimentos que apareçam. O autoexame, no entanto, não deve substituir o exame clínico realizado por um profissional de saúde.

A pressão sanguínea deve ser medida e controlada com o manguito comum (“aparelho de pressão”) uma vez por ano, a partir dos 18 anos de idade. Isso é muito importante porque as doenças cardíacas estão cada vez mais presentes na vida das mulheres, e a pressão arterial elevada é um importante fator de risco para elas. Se a pessoa tiver uma pressão arterial elevada, a medição deve ser feita com mais frequência. Devido ao seu vínculo com um risco aumentado de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais e declínio cognitivo é muito importante garantir que a pressão arterial esteja bem controlada.

As dosagens do colesterol total e suas frações (o "bom" colesterol e o “mau” colesterol), bem como de triglicerídeos no sangue, devem ser tomadas pelo menos uma vez por ano, em mulheres maiores de 20 anos. O exame do colesterol exige um jejum antes do teste de 8 a 12 horas e o de triglicerídeos de 4 a 6 horas.

Taxas altas desses lipídios aumentam o risco de doenças cardíacas. O colesterol e os triglicerídeos altos estão ligados a doenças cardíacas, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais. Três frações do colesterol são muito importantes: HDL (high density lipoprotein), chamado bom colesterol, que aparentemente protege o indivíduo contra o infarto do miocárdio, LDL (low density lipoprotein), dito colesterol ruim, e VLDL (very low density lipoprotein). O colesterol total saudável deve ser inferior a 190 mg/dL; o HDL deve ficar acima de 40 mg/dL; o LDL abaixo de 130 mg/dL e o VLDL deve ficar abaixo de 30mg/dL.

Um teste de glicose no sangue e na urina geralmente faz parte dos exames de rotina e deve ser feito pelo menos uma vez por ano, a partir dos 40 anos, por mulheres que estejam acima do peso ou obesas, para evitar ou controlar o diabetes tipo 2. Ele pode ser feito com mais frequência se os níveis apurados de glicose colocam a mulher na categoria de pré-diabética. O diabetes tipo 2 é um dos importantes fatores de risco para doenças cardíacas, depressão e distúrbios alimentares.

A triagem da osteoporose pode ser feita por um exame anual de densidade óssea, feito a partir da menopausa. As mulheres com história familiar de osteoporose ou história de fraturas anteriores, devem ser recomendadas a fazer isso a cada ano. Se não estiver em risco, pode ser suficiente fazer o exame a cada 2 ou 3 anos. Isso serve para advertir para maiores cuidados quanto à possibilidade de fraturas ósseas. Além disso, o exame pode levantar a possibilidade do uso de medicações que, no mínimo, reduzem a progressão da osteoporose.

A depressão, muito mais frequente nas mulheres do que nos homens (cerca de duas vezes mais), é a principal causa de deficiências e queda de produtividade em todo o mundo. Muitas vezes, as mulheres não a reconhecem ou procuram esconder esse mal. No entanto, o médico deve considerar essa possibilidade, porque há evidências de que ela ocorre quase regularmente. Em muitos casos, os sintomas com aparência de serem sintomas físicos podem se dever à depressão. Se o médico tiver uma conversa franca com a paciente, poderá ajudar a identificar o melhor tratamento e indicar o profissional mais adequado para tratá-la.

Um exame de sangue deve excluir também o vírus da hepatite C. As mulheres usuárias de drogas injetáveis, as sexualmente menos seletivas e as que tenham recebido transfusões de sangue estão em maior risco e precisam ser testadas com mais frequência. Mesmo se a mulher não tiver sintomas, o vírus pode estar desgastando o sistema imunológico e pode levar à cirrose ou ao câncer de fígado.
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