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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Bexiga hiperativa


A bexiga hiperativa é caracterizada por um conjunto de sintomas urinários que denotam um funcionamento irregular do músculo detrusor da bexiga, levando-a à hiperatividade. A estimativa é de que esse mal afete cerca de 15 a 20% da população.

As causas da bexiga hiperativa não são inteiramente conhecidas. Qualquer interrupção na integração da resposta neurológica pode levar à perda do controle normal da função vesical, à urgência e à incontinência urinária.

Esse distúrbio é provocado por uma redução da capacidade da bexiga de armazenar a urina. Isso pode acontecer por lesões traumáticas de medula espinhal, hérnias de disco, acidente vascular cerebral, esclerose múltipla, doença de Parkinson, demências, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, infecção urinária, hiperplasia benigna da próstata e cálculos na bexiga.

Os fatores de risco associados à bexiga hiperativa ocorrem em pessoas brancas e com diabetes, indivíduos com depressão, idade acima de 75 anos, artrite, terapia de reposição hormonal e aumento do índice de massa corpórea (IMC).

A bexiga hiperativa é consequência de um mau funcionamento do músculo detrusor, que não se relaxa adequadamente, fazendo com que a pressão interna aumente, levando à vontade de urinar com frequência e tornando esse ato urgente. Muitas vezes, o músculo começa a se contrair involuntariamente, expulsando a urina. O resultado é a urgência urinária, que é uma súbita e urgente necessidade de urinar.

O envelhecimento, a diminuição da capacidade da bexiga e as alterações no tônus muscular favorecerem o desenvolvimento da bexiga hiperativa. Talvez a mudança na função vesical mais importante, relacionada com a idade, e que causa a incontinência urinária, seja o aumento do número de contrações involuntárias do músculo detrusor (músculo que durante a micção se contrai para expulsar a urina da bexiga).

O quadro da bexiga hiperativa também pode surgir sem que haja um fator desencadeante conhecido e é chamado, nestes casos, de bexiga hiperativa idiopática.

Os sintomas mais comuns da bexiga hiperativa são: urgência urinária, associada ou não à incontinência, geralmente acompanhada de aumento do número de micções noturnas. A urgência urinária (o principal sintoma) é definida como um desejo súbito e compulsivo de urinar. Uma frequência maior que oito micções por dia é considerada aumentada e a noctúria é a necessidade de urinar uma ou mais vezes a cada noite.

O diagnóstico de bexiga hiperativa é eminentemente clínico, sendo que a urgência urinária é o sintoma principal. Por isso, são necessários uma história clínica, exame físico cuidadosos, além de exame laboratorial de urina. Inicialmente, devem ser afastadas infecções urinárias, condições metabólicas ou outras doenças que podem ser confundidas com o quadro clínico de bexiga hiperativa.

Um teste de urodinâmica pode auxiliar no diagnóstico dos casos mais complexos. Assim, outras causas de aumento de urgência e incontinência urinária devem ser excluídas. Alguns procedimentos adicionais (ultrassonografia renal e um diário miccional, por exemplo) podem ser realizados com a finalidade de excluir outras doenças.

Um diferencial deve ser feito, por exemplo, com a incontinência urinária de esforço. Nessa, o paciente perde pequenas quantidades de urina quando faz algum esforço tais como tossir, evacuar, pular, espirrar ou correr, não havendo sensação de urgência. Na bexiga hiperativa perde-se grandes quantidades de urina, relacionadas a uma sensação de urgência.

O tratamento da bexiga hiperativa pode ser compreendido em três linhas:

1.Medidas comportamentais, compreendendo treinamento vesical, estratégias de controle vesical, controle da ingesta de líquidos e treinamento dos músculos do assoalho pélvico.
2.Uso de medicamentos, com ou sem associação às medidas comportamentais.
3.Injeção de toxina botulínica no músculo detrusor da bexiga ou neuromodulação sacral, para pacientes refratários aos outros dois recursos. Também se usa a estimulação periférica do nervo tibial, durante 30 minutos, uma a duas vezes por semana, durante 12 semanas.

O tratamento cirúrgico para aumentar a capacidade da bexiga ou para a remoção dela só deve ser realizado em casos graves e intensamente incomodativos, que não respondam às outras formas de tratamento.

Se não tratada adequadamente, a bexiga hiperativa pode provocar diminuição da qualidade de vida do paciente, principalmente porque não conseguem ter uma noite de sono contínua.
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