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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Doenças de Graves


A doença de Graves (ou doença de Basedow-Graves ou bócio difuso tóxico) é uma doença autoimune, que gera uma anomalia no funcionamento da glândula tireoide. Essa glândula libera no organismo os hormônios tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), que controlam o metabolismo do corpo, crucial para regular o humor, o peso e os níveis de energia mental e físico. O nome da enfermidade foi dado em homenagem ao médico irlandês Robert Graves, que a descreveu em 1835.

Existe uma predisposição familiar entre as causas da doença de Graves. Cerca de 15% dos doentes apresentam casos dessa doença na família e em 50% dos familiares assintomáticos podem ser detectados anticorpos contra a tireoide. Algumas vezes pode existir no próprio paciente ou na sua família outras doenças autoimunes. A doença de Graves é causada por uma resposta anormal do sistema imunológico que leva a tireoide a funcionar em excesso, produzindo uma quantidade aumentada de hormônios tireoidianos. Embora a doença possa se manifestar em qualquer idade, é mais comum acima dos 20 anos e em mulheres mais que nos homens (5:1 a 10:1 em diferentes estatísticas). A pessoa com doença de Graves produz níveis aumentados de anticorpos que atacam a tireoide. Estas imunoglobulinas anormais ligam-se a receptores do hormônio estimulante da tireoide (TSH) e aumentam a estimulação da glândula, que assim libera grandes quantidades de hormônios na circulação.

A doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo e dos seus sintomas. A glândula tireoide geralmente se apresenta aumentada de tamanho. É comum ocorrer exoftalmia (protrusão dos globos oculares) e, nos homens, aumento das mamas, além de alterações na pele normalmente representadas por lesões assintomáticas a nível pré-tibial ou no dorso do pé, as quais, todavia, podem ser pruriginosas e dolorosas. Os principais sintomas da doença de graves são os próprios do hipertireoidismo: ansiedade, nervosismo, insônia, tremores, perda de peso, sudorese excessiva, fadiga, dificuldade de concentração, visão dupla, taquicardia, etc.

A doença de Graves pode ser suspeitada por meio da história clínica, dos sintomas e do exame físico que constatará um aumento visível da tireoide e um aumento da frequência cardíaca. O diagnóstico de certeza pode ser alcançado por meio da cintilografia (captação de iodo radioativo pela tireoide), da ecografia e da dosagem de T4 livre e TSH no sangue, além de anticorpos contra a tireoide. Os hormônios tireoidianos medidos no sangue estarão em níveis aumentados, mas o TSH circulante, devido ao feedback negativo, pode não apresentar alterações. Em alguns pacientes o hemograma apresentará anemia, contagem baixa de glóbulos brancos e plaquetas, maior nível de linfócitos e monócitos. A bioquímica do sangue mostrará diminuição dos níveis de colesterol, triglicerídeos e cortisol, redução de testosterona, níveis reduzidos de paratormônio (PTH).

Deve ser feito um diagnóstico diferencial com outras enfermidades que podem produzir sintomas semelhantes, como os transtornos de ansiedade, tireoidite de Hashimoto, feocromocitoma, tumores da hipófise ou da tireoide, abuso de drogas, etc.

O hipertireoidismo devido à doença de Graves é de fácil controle. No entanto, como na maioria das terapias para o hipertireoidismo, pode haver um eventual desenvolvimento de hipotireoidismo. O tratamento da doença de Graves irá variar de acordo com a fase em que a doença se encontre. Alguns fármacos podem ser usados para o controle sintomático dos sintomas do hipertireoidismo e das oftalmopatias, as quais, em alguns casos, podem também ser corrigidas por cirurgias plásticas. O tratamento da doença de Graves em si mesma pode exigir a tireoidectomia ou a radioterapia por ingestão de iodo radioativo, o qual é captado pela tireoide e destrói parte de suas células foliculares.

Quais são os cuidados a serem tomados na doença de Graves?

•O iodo radioativo não deve ser administrado a mulheres grávidas ou que estejam amamentando, porque pode ser passado de mãe para filho e prejudicar a tireoide do feto ou do bebê.

•Ao longo do tempo o iodo radioativo pode levar ao hipotireoidismo.

•Mulheres grávidas podem tomar propiltiouracil, mas devem evitar outras drogas que possam atravessar a barreira placentária e danificar a glândula tireoide do feto.

•A cirurgia da tireoide envolve riscos como sangramentos, lesões de grandes nervos, vasos sanguíneos e das glândulas paratireoides.
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