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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Acumuladores 


Você já ouviu falar em Acumulação Compulsiva (ou Disposofobia)? Provavelmente já deve ter visto em alguma reportagem ou mesmo em reality shows da TV que retratam casos de Acumuladores e que, normalmente, chamam muito a nossa atenção.

Mas antes de falarmos dos sinais que podem identificar um Acumulador Compulsivo, é preciso que se diga que visualizarmos apenas o problema em si, não basta. 

O que os reality shows focalizam é justamente isso, o problema. 

Uma casa totalmente entulhada de objetos ou animais, sem condições de higiene aceitáveis e que, logo à primeira vista, nos passa a impressão de: “O que faz um ser humano chegar a este ponto?”. Pois é. 

É exatamente isso que é necessário investigar com muita cautela e particularidade, sem estereótipos, já que cada caso é único e cada um demandará uma abordagem e tratamento específico. A solução não é a mesma para todos, considerando que as causas também são distintas.

Acumulação Compulsiva e Consumismo

E será que dá pra falar de Acumulação Compulsiva sem fazermos um link com o Consumismo desenfreado que estamos vivenciando? 

Acredito mesmo que não. São tantos produtos e serviços que pipocam a todo momento, por todos os lados e que são tão chamativos e convincentes! 

Parece realmente que precisamos consumir, comprar tudo o que surge como novidade. – Como serei feliz em meu grupo de amigos se apenas eu não tiver aquele celular novo com uma super câmera? –

Como meu filho poderá ser feliz se apenas ele dentre seus coleguinhas não tiver um tablet novo? – Parece que tudo isso é tão necessário! 

Sim, é claro que não dá pra viver em uma bolha e precisamos acompanhar o desenvolvimento do mundo. 

O ponto que quero tratar aqui é que o nosso foco de felicidade se voltou para tudo aquilo que podermos ter e não para o que podemos ser. 

E isso tem se manifestado cada vez mais cedo na vida de todos. 

Olhar com cuidado para nosso comportamento enquanto consumidores é, sem dúvida, uma forma de prevenção ao Acúmulo Compulsivo.

Outra forma de prevenção também seria fazermos o exercício de doar coisas, que não precisamos mais e que podem ser uteis a outras pessoas.

É fato também que outros fatores podem desencadear a Acumulação Compulsiva, como carências emocionais, isolamento social (que se agrava com a evolução da situação de Acumulador), entre outros. 

Como já foi citado, cada caso requer uma análise cuidadosa e particular. 

O foco do tratamento deve ser sempre, independente do tipo da abordagem, voltado para o cuidado do indivíduo em primeiro lugar. 

Neste sentido, uma das primeiras etapas é o restabelecimento de vínculos perdidos com a família, amigos, enfim, com o “mundo exterior”. Respeitar os limites e o ritmo de cada um é fundamental para o sucesso do tratamento.

Quais os sinais então do Acúmulo Compulsivo?

Acúmulo sem organização, utilidade ou lógica pré-estabelecidas – ao contrário do colecionismo ou mesmo do TOC, em que se observa a existência de um ritual.

Incapacidade de jogar fora objetos ou doar animais recolhidos em excesso.

Perda de controle sobre o que foi recolhido – a insalubridade passa a caracterizar uma condição de vida.

O propósito da moradia é desvirtuado – todos os ambientes são gradativamente deteriorados e ocupados para abrigar o que é acumulado.

Opção pelo isolamento, geralmente após o confronto por familiares, amigos ou vizinhos – a perda dos vínculos de convívio social é motivada por vergonha ou pela incapacidade de lidar com o problema.

Prejuízo da crítica, com falta de percepção e grande resistência para aceitar que o acúmulo seja um problema – o nível de gravidade de cada caso será determinante para definir como sensibilizar a pessoa e conseguir dar o encaminhamento adequado.


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