Crises de ausência


As crises de ausência, antigamente denominadas de "pequeno mal epiléptico", são episódios em que a pessoa experimenta uma súbita alteração da consciência por 10 a 30 segundos, durante os quais fica quieta, com olhar vago, parecendo estar olhando para o infinito. Existem dois tipos de crises (1) crise de ausência simples e (2) crises de ausência complexas.

As crises de ausência são uma forma de epilepsia devido a uma atividade anormal do cérebro ativada por hiperventilação. Em geral, a causa desse tipo de epilepsia é genética. Os pacientes com essa forma de epilepsia geralmente têm uma história familiar desse ou de outros tipos de epilepsia.

Após a não-adesão ao tratamento, a falta de sono é a causa mais frequente de exacerbação das crises. Os fármacos que reduzem o limiar de convulsão (por exemplo, álcool, cocaína, penicilina em altas doses, overdose de isoniazida e neurolépticos) são mais susceptíveis de causar convulsões em doentes com epilepsia. A brusca supressão de álcool, benzodiazepínicos e de outros sedativos também são causas comuns de exacerbação das crises.

A fisiopatologia das crises de ausência ainda não está totalmente esclarecida. Acredita-se que os ritmos oscilatórios anormais se desenvolvam nas vias tálamo-corticais e que o mecanismo celular envolva correntes de cálcio. Os neurônios reticulares GABAérgicos do núcleo talâmico parecem desempenhar um papel importante. A atividade das redes talâmicas parece ser necessária para a ritmogênese da descarga de onda de ponta e a hiperexcitabilidade cortical é necessária para a geração das crises de ausência. Enfim, as crises de ausência são devidas a uma grande variedade de causas que, numa fase precoce do desenvolvimento neural, resultam em dano cerebral difuso ou multifocal.

As crises de ausência na maioria das vezes acontecem em crianças, mas mais raramente podem ocorrer também em adultos. Quase nunca as crises de ausência ocasionam danos à criança. Elas tendem a desaparecer naturalmente com a chegada da adolescência, porém, algumas crianças podem ter as crises para o resto da vida ou desenvolver outras manifestações epilépticas associadas, inclusive convulsões motoras tônico-clônicas.

As crises de ausência simples podem ser tomadas durante muito tempo como mera falta de atenção e, assim, algumas pessoas podem ter crises de ausência durante anos antes que elas sejam detectadas.

Durante uma crise de ausência simples a pessoa apenas olha para o espaço por alguns poucos segundos e tavez nem note o acontecido. Nas crises mais complexas, a criança perde a consciência, fica parada, sem cair ao chão, para de falar, fica com o olhar vago, desviado para cima, não responde nem reage a estímulos e pode deixar cair os objetos que esteja segurando.

As crises podem ser frequentes e breves, durando apenas alguns segundos, e podem ser muitas por dia. Nas crianças de idade mais avançada, elas podem durar vários segundos e até minutos e podem ocorrer apenas algumas poucas vezes ao dia.

Depois da crise, a criança se recupera e continua fazendo o que estava fazendo e não guarda lembrança do acontecido. Outros automatismos motores podem se fazer presentes, como piscar ou revirar os olhos, apertar os lábios, mastigar ou fazer pequenos movimentos com a cabeça ou com as mãos. Após a crise, não há a confusão mental e por vezes o paciente nem percebe que a teve.

Clinicamente, as crises de ausência podem ser difíceis de identificar e podem ser confundidas com falta de atenção, por exemplo. Um diagnóstico de certeza pode ser feito através de um eletroencefalograma, durante o qual o médico pode pedir ao paciente que respire muito rapidamente, na tentativa de produzir uma crise de ausência durante o exame, o que o tornaria ainda mais definitivo.

As crises de ausência são controladas com medicamentos antiepilépticos específicos.

Uma pessoa pode ter crises esparsas, apenas “de vez em quando” ou tê-las com muita frequência. Geralmente as crises desaparecem antes dos 18 anos, mas podem persistir na vida adulta e serem associadas a outras manifestações epilépticas. A taxa de remissão das crises de ausência na infância, quando medicadas adequadamente, é de mais de 80%.
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