“Jet lag”


“Jet lag” (descompensação horária ou dissincronose) é a alteração rápida dos ritmos biológicos dia/noite que ocorre após as mudanças em grandes amplitudes de fusos horários em longas viagens de avião, caracterizada por problemas físicos e psíquicos, especialmente do ciclo do sono. Quando uma pessoa viaja de avião, mudando rapidamente de meridiano (sentido leste-oeste ou vice-versa), pode ocorrer que o dia ou a noite fique mais curto ou mais longo e provoque o fenômeno chamado “Jet lag”.

O “Jet lag” ocorre como consequência de viagens através de diferentes fusos horários, o que se tornou mais comum com as viagens a jato, donde o nome “Jet lag”, porque em inglês jet = jato e lag = diferença de horário. Essa condição não é baseada no tamanho ou duração do voo, se ele é feito dentro do mesmo meridiano ou de meridianos próximos, no sentido norte-sul (ou vice-versa), mas pela distância viajada no sentido leste-oeste (ou vice-versa).

As viagens para o leste geralmente são piores que para o oeste. O “Jet lag” se deve, entre outras coisas, ao distúrbio dos níveis hormonais de hidrocortisona ocasionado pelas mudanças no ritmo circadiano. Outra causa pode ser o fato de a pessoa passar várias noites consecutivas acordada, pois o organismo habitua-se a dormir a uma dada hora e demora a recuperar as horas de sono perdidas e o retorno ao estado normal.

Vários funcionamentos do organismo são integrados com condições ambientais em termos de latitude e longitude, com a rotação da Terra e com a alternância regular do ritmo claro/escuro. Nesses casos estão as secreções hormonais, certos ritmos orgânicos, como a frequência cardíaca e o peristaltismo, por exemplo, os horários de dormir e acordar, os hábitos alimentares, etc.

Quando essas condições mudam, o organismo reage e leva algum tempo para se readaptar às novas condições. Ademais, uma viagem de longa duração que implica em grandes mudanças de fuso horário, implica também em outras mudanças e transtornos que acabam colaborando com o “Jet lag”: voo a grande altitude, com pressão barométrica mantida artificialmente, permanência assentado por muito tempo, mudanças nos hábitos de alimentação e sono, mudanças de clima, situação psicológica especial, etc.

Normalmente, os sintomas do “Jet lag” só se manifestam mais ostensivamente quando a diferença de fuso horário for superior a duas horas. Após uma viagem passando por vários fusos horários, a pessoa sente que seu relógio biológico não está sincronizado com o horário do local.

As alterações provocadas pelo “Jet lag” são diferentes para cada pessoa, podem durar apenas horas ou dias e provocar uma mudança no funcionamento do organismo, principalmente distúrbios do sono e nas horas de refeição, de repouso e da regulação hormonal, que não correspondem mais ao ambiente. A rapidez com que o corpo se ajusta ao novo horário também varia de pessoa para pessoa: algumas pessoas demoram muitos dias para se adaptar ao novo horário, outras demoram poucas horas para fazê-lo. Parece que crianças com menos de três anos de idade não sofrem de “Jet lag”.

Os sintomas principais do “Jet lag” são fadiga, falta de motivação, cefaleia, cansaço, alterações da temperatura corporal, do ritmo cardíaco, dos níveis pressóricos arteriais, de padrões de comportamento e dificuldades de concentração e desorientação. Os sintomas de “Jet lag” são um fator importante nas performances negativas de executivos, desportistas e turistas em geral.

Não há um tratamento consistente, mas medicações homeopáticas e a melatonina têm sido usadas, sendo o emprego delas ainda controverso. Pílulas para dormir não são aconselhadas. A terapia com luzes consiste na exposição da pessoa a 3.000 lux no início do dia, para quem viaja para o leste, ou no final do dia, para quem viaja para oeste, mas é cara e inconveniente.

Nos quatro dias que antecedem a viagem, a pessoa deve passar a se alimentar de acordo com os horários do destino e procurar dormir bem na noite anterior ao voo. Durante a viagem, a pessoa deve beber bastante líquido, evitando café, chá e bebidas alcoólicas. Deve consumir com moderação a comida oferecida a bordo e fazer exercícios de alongamento, especialmente para as pernas e, se for possível, fazer algumas pequenas caminhadas pelo corredor do avião.
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