Ectopia renal: o que é?


Ectopia é o termo que se usa para dizer que um órgão está fora de sua localização normal. Ectopia renal refere-se a um posicionamento anômalo dos rins.

Os rins são dois órgãos localizados mais ou menos simetricamente aos lados da região lombar da coluna vertebral, abaixo das costelas, na parte alta do abdômen, junto ao diafragma e sobre o músculo psoas, mas fora da cavidade abdominal, da qual são excluídos pelo peritônio.

Eles são fixados nessa posição por uma série de estruturas anatômicas que compreendem ligamentos, fáscias musculares, vasos sanguíneos e o próprio coxim gorduroso. A ectopia renal é um defeito congênito, presente já no momento do nascimento.

Sua frequência é de 1:900 nascimentos e por não gerar sintomas, muitas vezes é desconhecido ou só achado ocasionalmente.

Nas ectopias mais comuns um dos rins ou ambos estão fora da sua localização normal.

Assim, um deles pode localizar-se abaixo ou acima do normal, localizarem-se ambos de um único lado (ectopia renal cruzada) ou estarem ligados um ao outro (fusão renal), em um só lado.

Os rins podem ainda estarem unidos na linha média, como se fossem um só rim (rim em ferradura) ou permanecerem na sua localização original na pelve.

Durante o desenvolvimento fetal os rins aparecem como dois “brotos” localizados na pelve. Posteriormente eles migram, em geral para suas localizações normais.

Nessa migração, podem ocorrer anomalias de posicionamento.

Elas ocorrem por uma falha de formação do aparelho urinário ou por uma anormalidade dos vasos sanguíneos que os irrigam, os quais, por serem muito curtos, impedem o rim de atingir sua posição normal.

Outros fatores que podem levar a uma ectopia renal são um mau desenvolvimento dos “brotos” renais, transtornos do tecido renal, anormalidades genéticas ou doenças maternas.

A ectopia renal pode estar associada a alterações da coluna vertebral ou do aparelho digestivo, como o ânus imperfurado.

Mesmo numa posição anômala um rim ectópico pode ter suas funções perfeitamente normais e não gerar sintomas ou sofrer as mesmas alterações que um rim posicionado normalmente.

Por isso, muitas pessoas podem ter um rim ectópico e nunca descobrir isso ou só fazê-lo acidentalmente.

Em poucos casos, o rim ectópico pode causar dor abdominal ou problemas urinários inespecíficos.

A ectopia renal pode ser diagnosticada por meio da ultrassonografia, de um pielograma intravenoso, de um scan radiográfico ou da ressonância magnética.

Exames de sangue e urina podem determinar se as funções renais estão normais ou não.

É importante fazer um diagnóstico diferencial com a ptose renal, que tem sintomas, consequências e tratamentos diferentes.

Se nenhum bloqueio do trato urinário estiver presente e as funções urinárias estiverem normais não é necessário nenhum tratamento.

Se os exames mostrarem obstruções ou refluxos importantes, uma cirurgia para corrigir a posição do rim pode ser necessária.

Alguns refluxos podem ser corrigidos pela injeção na bexiga de um líquido gelatinoso, próximo à abertura do ureter.

Se um dos rins estiver extensivamente prejudicado e o outro se conservar normal, pode ser necessário removê-lo.

Se for feita uma adequada monitoração, um rim ectópico habitualmente não causa problemas, mesmo num longo prazo.

Quase nunca há como prevenir-se a ocorrência da ectopia renal, no entanto, toda gestante deve fazer um adequado controle pré-natal e evitar quaisquer substâncias tóxicas que possam afetar o desenvolvimento fetal.

As ectopias renais propiciam a formação de cálculos, infecções urinárias de repetição, danificação das estruturas renais e problemas de fluxo urinário.

Um caso especial é o chamado refluxo vesicoureteral, em que a urina flui em sentido contrário ao normal, da bexiga para o ureter.

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