Prolapso do cordão umbilical


Ao nascer o bebê, o cordão umbilical tem aproximadamente dois centímetros de diâmetro e 50 a 60 centímetros de comprimento. Se ele for excessivamente longo, pode se enrolar no pescoço do feto e, se muito curto, pode tracionar a placenta e causar dificuldades durante a expulsão do feto.

Normalmente, o bebê se exterioriza com antecedência ao cordão umbilical que ainda fica, por um pequeno período, ligado à placenta, até que seja seccionado o coto umbilical. Se o cordão umbilical se colocar à frente do bebê, tem-se o chamado prolapso do cordão umbilical. Essa é uma condição rara (1/1000) e considerada uma complicação do parto, que pode ser fatal para o bebê, se não for adequadamente manejada.

O prolapso pode ser:
1.Oculto: quando o cordão se encontra sobre a cabeça do feto, mas não pode ser percebido à exploração.
2.Anterior: se o cordão pode ser palpado através das membranas quando o colo do útero estiver aberto.
3.Completo: nas ocasiões em que o cordão umbilical sai pela vagina.

O prolapso do cordão umbilical costuma acontecer se a apresentação do feto for de nádegas ou ele estiver atravessado no útero, mas também ocorre quando o bebê nasce de cabeça. Outros fatores que podem ocasionar essa condição são o nascimento de um segundo bebê, no caso de gêmeos, e se as membranas da bolsa das águas se romperem antes de o bebê descer para a pelve.

São também fatores de risco, além da ruptura de membranas, a prematuridade, as apresentações de ombro e de pé, polidrâmnios, em virtude da maior quantidade de líquido amniótico, que leva a um maior fluxo com maior força quando se rompem as membranas, pelve estreita, placenta prévia, tumores pélvicos, placenta de inserção baixa, desproporção cefalo-pélvica e cordão umbilical maior do que 60 centímetros de comprimento.

Caso o feto ainda não tenha descido para a pelve, o fluxo do líquido provocado pela rotura das membranas desloca o cordão umbilical para frente do feto. Então, a passagem do bebê pelo canal do parto, onde o cordão umbilical prolapsado já se encontra, produz a compressão do cordão, fazendo com que o bebê deixe de receber sangue com oxigênio.

No caso do cordão umbilical estar oculto, as membranas estão intactas e o cordão encontra-se ou à frente do feto ou preso em seu ombro. Em geral, o prolapso oculto é identificado graças a um padrão anormal na frequência cardíaca fetal (bradicardia) e o problema é resolvido mudando a posição da mãe ou levantando a cabeça do feto para aliviar a pressão sobre o cordão.

O prolapso de cordão acontece com maior frequência no início do trabalho de parto e quando a parte da apresentação do feto não está encaixada no estreito superior da pelve. Essa ocorrência pode passar despercebida ou se tornar evidente quando as membranas se rompem e o cordão umbilical sai pela vagina antes de o bebê emergir.

No prolapso completo, a paciente pode sentir o cordão deslizar pela vagina e pela vulva após a ruptura das membranas. O cordão pode ser visto ou sentido pela paciente ou pelo médico durante o exame externo ou interno. Com frequência, detectam-se sinais de sofrimento fetal, mediante ausculta. Se o cordão ficar exposto ao ar frio do ambiente, pode haver uma constrição, restringindo adicionalmente o fluxo de oxigênio ao feto.

O diagnóstico do prolapso de cordão se faz mediante a palpação direta ao se romperem as membranas. Com frequência, o diagnóstico efetua-se ao se encontrar mudanças no ritmo ou intensidade dos batimentos cardíacos do feto, bem como pela saída do líquido amniótico tingido de mecônio. O prolapso também pode ser diagnosticado pela ultrassonografia.

Um parto com prolapso de cordão umbilical é sempre uma situação de urgência e exige atendimento imediato. O objetivo do tratamento consiste em fazer com que o feto nasça o mais cedo possível. Em geral, isso deve ser feito por meio de uma cesárea. Se o prolapso é evidente, o bebê deve ser mantido manualmente numa posição alta até que a cesariana comece. No prolapso oculto, também por vezes tem de ser feito um parto cesáreo.

O oxigênio mediante máscara pode ser administrado à mãe, para melhorar a concentração sanguínea deste elemento e, assim, favorecer o bebê. Se o fenômeno ocorrer num ambiente não médico, a paciente deve ser deitada de barriga para cima, com a cabeça e os ombros abaixo de seus quadris. De modo adicional, a apresentação pode ser empurrada para cima, mediante a pressão com uma mão calçada com uma luva estéril, sendo necessário manter esta pressão até que se realizem os preparativos para o nascimento.

Se o prolapso do cordão se exterioriza, deve-se cobrir o cordão com toalhas estéreis umedecidas em solução salina estéril e morna, para evitar que ele esfrie.

A morbidade e a mortalidade fetais são elevadas e o prognóstico depende do grau de duração da compressão do cordão umbilical. A mortalidade do bebê devido a esta complicação é de cerca de 10%.

Não existe maneira de prever e prevenir o prolapso de cordão umbilical.

Para o feto, a compressão parcial do cordão por um período inferior a cinco minutos pode não ser nociva. A oclusão por tempo mais prolongado quase seguramente ocasionará lesão importante do sistema nervoso central ou a morte do bebê. O feto pode incorrer ainda em acidose metabólica, prematuridade e traumatismo ao nascimento.

Para a mãe, o puerpério pode ser complicado com infecção, podem ocorrer ainda lacerações do conduto do parto, ruptura do útero, atonia uterina, hemorragia e anemia.
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