Síndrome Nefrótica


A síndrome nefrótica (diferente da Síndrome Nefrítica, que postei anteriormente), muitas vezes chamada apenas de nefrose, é um conjunto de sinais e sintomas que podem ser consequência de diversas doenças primariamente renais (síndrome nefrótica primária) ou não (síndrome nefrótica secundária).

Ocorre em consequência de alterações da filtração glomerular renal. Esse quadro clínico pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças pequenas, e é um pouco mais frequente nos homens do que nas mulheres.

As alterações da filtração renal devido à maior permeabilidade dos glomérulos podem ter causas inflamatórias, infecciosas, degenerativas, obstrutivas, neoplásicas ou congênitas.

As principais doenças que causam a síndrome nefrótica incluem todas as formas de glomerulonefrites (inflamações dos glomérulos) e outras doenças como a esquistossomose, a toxoplasmose, a malária, a AIDS, a hepatite B, o diabetes mellitus, a trombose venosa renal, as drogas tóxicas para os glomérulos, o câncer e doenças hereditárias, entre outras mais.

Os principais sinais e sintomas da síndrome nefrótica são causados pela maior permeabilidade dos glomérulos, que deixam passar macromoléculas proteicas.

São eles: edema generalizado, de início lento, que começa pelas pernas e pálpebras; volume urinário muito diminuído; perda de proteína na urina (superior a 3-3,5 gramas na urina de 24 horas); albumina muito baixa; colesterol e triglicérides elevados no sangue e hipercoagulabilidade (coagulação sanguínea mais rápida que o normal).

Podem ocorrer também ascite (extravasamento de líquido para o interior do abdômen) e derrame pleural (extravasamento de líquido no espaço entre as folhas da pleura).

A história clínica e o exame físico fornecerão ao médico alguns indícios que serão melhor esclarecidos pelos exames laboratoriais de sangue e de urina.

Na síndrome nefrótica o exame de sangue mostrará, entre outras coisas, uma hipoalbuminemia (taxa baixa de albumina no sangue) e o exame de urina revelará proteinúria (presença de proteína na urina) maciça.

Além disso, devido a que a albumina é a transportadora biológica do cálcio e do iodo, ocorrerá queda sanguínea desses elementos. A perda da albumina tem também como consequência contribuir com menos substratos para os fatores anticoagulantes, favorecendo a coagulabilidade e as tromboses venosas.

Na síndrome nefrótica há aumento das gorduras ligadas às proteínas e, assim, alta do colesterol sanguíneo.

Em alguns casos, para diagnosticar a causa da doença pode ser necessário fazer uma biópsia renal.

O tratamento da síndrome nefrótica visa eliminar a perda anormal de proteínas pela urina. Conforme seja a causa da síndrome nefrótica pode-se usar anti-inflamatórios, antibióticos, imunossupressores e até mesmo cirurgia, no caso de obstrução venosa ou neoplasia.

As complicações (hipocalcemia, hiperlipemia, distúrbios da coagulação e desnutrição) devem ser tratadas pelos meios apropriados.

A evolução da síndrome nefrótica depende da evolução da sua causa, mas é reversível na maioria dos casos.

A síndrome nefrótica pode se complicar com vários distúrbios metabólicos relacionados aos sais minerais, como sódio, cálcio, iodo, etc. e quadros trombóticos devido à menor atuação dos fatores anticoagulantes do sangue.
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