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terça-feira, 9 de maio de 2017

Narcisismo perverso


Esta perversão é dita narcísica por funcionar como o que Eiguer nomeia de um narcisismo intersubjetivo: enquanto o narcisismo refere-se a um auto-centramento defensivo, a perversão narcísica refere-se a uma falha narcísica inicial, a partir da qual o sujeito, ao invés de voltar-se para si, busca no poder exercido sobre o outro, uma forma de sustentação e preenchimento de seu próprio narcisismo.

Trata-se de uma tentativa de se desembaraçar de conteúdos psíquicos perturbadores projetando-os no objeto, e buscando se ter um controle destes conteúdos através do estabelecimento de um controle do objeto.

A perversão narcísica apresenta-se, assim, como uma tentativa desesperada de se evitar a perda do eu, a despersonalização ou mesmo a psicose

Algo sentido, na mente do agressor, como uma luta pela vida, pela sobrevivência psíquica, devido à dificuldade de separação de um objeto primário que fora vivido como particularmente intrusivo.

O agressor quer se separar deste objeto que lhe fez mal, mas teme não sobreviver caso consiga efetivar esta separação.

Este temor se justifica, justamente porque ele não contou suficientemente com este objeto para integrar-se, considerando-se que a perversão narcísica remete a uma falha ambiental, nos termos de Winnicott, desde os primeiros meses de vida.

O indivíduo odeia o objeto primário por ele ter falhado, mas precisa do objeto, do outro, justamente porque, devido a esta falha primária, sente que não sobrevive sem ele.

Seria preciso parar de odiá-lo para sobreviver, mas o sentimento inconsciente do agressor é o de que o fim do ódio ao outro, do qual se nutre, corresponderia ao fim de si mesmo.

A perversão narcísica é, portanto, um tipo de perversão no qual o uso do outro como um objeto para si se dá pelo poder e domínio sobre o outro.

Enquanto a perversão sexual – que, decerto, está também ligada ao narcisismo – responde a uma denegação da diferença sexual, a perversão narcísica necessita do outro para sua própria sustentação egóica.

Muito embora, evidentemente, a perversão sexual possa também estar presente na perversão narcísica, assim como, por outro lado, a perversão narcísica tenha também, em sua origem, questões arcaicas sexuais.

O que há em comum nestes dois tipos de perversão seria a recusa narcísica dos desejos e necessidades do outro, em proveito de suas próprias necessidades psíquicas, por uma insuficiente introjeção superegóica.

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