Ateroslerose


A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela formação de ateromas (placas de gordura, colesterol e outras substâncias) no interior dos vasos sanguíneos, podendo causar o estreitamento e obstrução desses vasos, levando a graves complicações de saúde como infarto do coração ou angina, quando acomete artérias coronárias, dor e claudicação em membros inferiores quando acomete as pernas e, por fim, acidente vascular cerebral quando compromete as carótidas.

Na verdade, a aterosclerose é um tipo específico de arteriosclerose, embora ambos os termos sejam usados muitas vezes como sinônimos.

A aterosclerose deve-se principalmente ao aumento das lipoproteínas de baixa densidade (colesterol LDL). Essa lipoproteína se eleva pela ingestão de gorduras saturadas na dieta diária, por obesidade e inatividade física. Existe também uma hipercolesterolemia familiar, em que a pessoa herda genes defeituosos para a formação do receptor de LDL nas superfícies das membranas celulares do corpo e, assim, dos vasos.

Um nível elevado de ferro no sangue pode provocar mais facilmente a aterosclerose, muito provavelmente pela formação de radicais livres que lesam as paredes vasculares. Os principais fatores de risco para a enfermidade são a história familiar de doença cardíaca, a hipertensão arterial, a falta de atividade física regular e a obesidade, a diabetes, a hiperlipidemia, o tabagismo e o álcool.

A hipertensão arterial e a diabetes aumentam em duas vezes ou mais o risco de aterosclerose. Quando as duas doenças ocorrem juntas, o risco sobe para mais de oito vezes. Se houver também hiperlipidemia, esse risco sobe para mais de 20 vezes.

Os ateromas são placas compostas especialmente por lipídeos e tecido fibroso que se formam na parede dos vasos. O volume dos ateromas aumenta progressivamente, podendo ocasionar obstrução total em algum ponto do vaso. Lipoproteínas de baixa densidade (colesterol LDL) penetram na parede do vaso, atravessando o endotélio e chegando à camada íntima da parede. Assim, a aterosclerose agride essencialmente a camada íntima da artéria, formando uma lesão típica, a placa fibrosa.

Com a evolução do processo ateromatoso ocorrem diversos eventos: (1) nascem pequenos vasos a partir da camada adventícia, os quais fazem intensa vascularização das camadas média e íntima; (2) aumenta a deposição de cálcio e de células necróticas; (3) surgem fissuras e hemorragias da placa, a qual pode ulcerar e/ou se desprender, formando trombos; (4) a exposição da subíntima ulcerada gera a deposição de plaquetas, coagulação sanguínea, trombose e eventual oclusão do vaso.

Na hipercolesterolemia familiar ocorre um defeito em que o fígado não é capaz de absorver as lipoproteínas e, sem essa absorção, o mecanismo do colesterol das células hepáticas se descontrola, produzindo mais colesterol, liberando lipoproteínas de muito baixa densidade em grandes quantidades, gerando acúmulo de placas ateromatosas e outros problemas graves como infarto do miocárdio, por exemplo.

As lipoproteínas de alta densidade (HDL), por sua vez, passam livremente pela parede dos vasos, sendo capazes de absorver os cristais de colesterol e, assim, quando a pessoa apresenta uma elevada concentração de HDL em relação ao LDL, as chances de desenvolver aterosclerose são muito reduzidas.

Eventualmente, os depósitos de gordura nas artérias ou parte deles podem se soltar e entrar na corrente sanguínea, causando trombose à distância. A aterosclerose em geral é fatal quando afeta as artérias do coração ou do cérebro porque esses órgãos resistem apenas poucos minutos sem oxigênio.

Alguns sintomas da aterosclerose são: dilatação dos vasos sanguíneos, dor no peito, profundas dores de cabeça, dores nos braços e pernas e cansaço. A dor ou desconforto no peito é um dos sintomas da aterosclerose nas coronárias. Dores nas pernas ao caminhar, que melhoram com repouso, podem indicar comprometimento de artérias nestes locais. Um acidente vascular cerebral pode ser o primeiro sintoma de aterosclerose carotídea.

Os idosos e os indivíduos com diabetes são mais propensos a apresentar esses sintomas, mas, algumas vezes, uma pessoa pode ter a doença e não apresentar nenhum sinal disso. A doença afeta sobretudo homens no início da vida adulta, sugerindo que talvez os hormônios masculinos estejam envolvidos na produção da doença ou que os hormônios femininos tenham alguma função protetora.

O diagnóstico da aterosclerose deve começar pela história clínica e exame físico e em seguida pela solicitação de alguns exames complementares, na dependência do caso, como angiografia/arteriografia coronária, ecocardiograma, eletrocardiograma, angiotomografia, teste de esforço físico, angiografia por ressonância magnética, cintilografia do miocárdio e ultrassonografia com doppler dentre outros.

Os objetivos do tratamento da aterosclerose é estabilizar seus níveis e evitar seu agravamento. Mas o tratamento em si depende dos sintomas e da gravidade da doença. O médico poderá prescrever um ou mais remédios específicos para o caso.

O tratamento preventivo se dá por drogas que reduzem os lipídeos e o colesterol. Também agentes que se combinem com os ácidos biliares e impeçam sua reabsorção na circulação podem ser úteis. Eles levam a uma maior conversão do colesterol hepático em novos ácidos biliares. As drogas mais comumente usadas são as resinas de troca, que justamente se ligam aos ácidos biliares, aumentando sua excreção fecal e consequentemente reduzindo a síntese de colesterol pelo fígado. As estatinas limitam a síntese de colesterol e aumentam os receptores de LDL no fígado, gerando uma redução de 25 a 50% nos níveis plasmáticos de lipoproteínas.

O tratamento da aterosclerose já estabelecida consiste na retirada das placas de gordura das paredes das artérias por meio de cirurgia, do cateterismo, da angioplastia a laser e de medicamentos e atividade física.

A formação de ateromas (placas de colesterol) ocorre desde a infância e vai progredindo durante a vida.

A aterosclerose pode ser prevenida por medidas simples, como manter um peso ideal, praticar exercícios físicos de maneira regular, ter uma dieta pobre em gordura saturada, controlar a glicose sanguínea e evitar o tabagismo.

A aterosclerose pode levar a graves complicações como infarto agudo do miocárdio ou angina, dor e claudicação em membros inferiores e, por fim, acidente vascular cerebral.
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