Falando sozinho na rua e não é ao celular...


O conceito estrito de solilóquio faz fronteira e transição com muitos outros fenômenos psicológicos, tornando difuso o seu conceito. O sentido mais comum diz que solilóquio (do latim: soliloquĭum) é o hábito de "falar sozinho", num “diálogo consigo mesmo” e não se resumiria a pensamentos próprios, no plano da própria consciência, como ocorre no monólogo interior, mas se dirige, embora virtualmente, a um objeto externo.

O conceito pode se superpor ao monólogo interior, aos monólogos usados no teatro, às conversações que as crianças costumam manter com um amigo imaginário, ao hábito de “falar consigo mesmo”, etc. No entanto, nem sempre o solilóquio é uma conversa solitária, porque pode haver um suposto interlocutor externo, determinado ou não, suposto ou alucinado. No solilóquio propriamente dito, embora a fala seja enunciada em voz alta, o indivíduo ignora a presença de outra pessoa. Nesse sentido, no solilóquio a pessoa fala para si mesma.

Não é incomum que, para as pessoas leigas, o solilóquio seja visto com uma carga pejorativa e seja associado à doença mental ou à incapacidade para a comunicação interpessoal. No entanto, quase sempre esse não é esse o caso. Na verdade, muitos pacientes com doenças mentais aparentemente “falam sozinhos”, mas em geral têm interlocutores alucinados.

As causas e funções do solilóquio entre adultos sadios ainda não são inteiramente conhecidas. Parece que eles continuam a falar consigo mesmos quando estão diante de tarefas novas ou difíceis, para aprender novas habilidades. Em algumas pessoas, o solilóquio pode se tornar um mecanismo de defesa para lidar com a solidão. Comumente, este tipo de comportamento ocorre momentaneamente em pessoas que precisam desabafar algo que sentem dificuldade de fazê-lo junto a outras pessoas.

Em resumo, os solilóquios podem ocorrer como resultado de privação de contato humano, estados de exacerbação emocional, alteração bioquímica, trauma físico ou psicológico, doenças mentais ou tumores em certas partes do cérebro. As pessoas com síndrome de Down são propensas a solilóquios.

Mais do que normal, algumas formas de solilóquio são úteis: o ato de falar consigo mesmo desempenha um papel essencial no desenvolvimento das crianças e as ajuda a coordenar suas ações e pensamentos, sendo importante para a aprendizagem de novas habilidades e raciocínios.

Os monólogos interiores e os solilóquios têm em comum o fato dos pensamentos e emoções partirem de uma única pessoa, ou seja, a fala se resume somente a ela e, portanto, não há interlocutores. Enquanto os monólogos interiores nem sempre possam ser observados, nem sigam padrões lógicos de pensamento, os solilóquios em voz alta geralmente são percebidos pelas demais pessoas e obedecem a tais padrões.

O solilóquio trata-se de uma “conversa” subjetiva que permite aceder ao interior do sujeito em questão e pode cobrir um diálogo que a pessoa mantém consigo mesma ou com outros, com um objeto ou com um ser incapaz de falar, como uma planta ou um animal, por exemplo. O conteúdo dessas conversas é extremamente variável, indo desde elogios até apreciações negativas de si mesmo e auto-recriminações.

Em doentes mentais, essas conversas podem ser esdrúxulas e extravagantes. Este recurso de falar sozinho permite que o sujeito exteriorize os seus sentimentos mesmo que esteja desacompanhado. Muitas vezes, a pessoa só “conversa consigo mesma” quando está diante da própria imagem, como num espelho, por exemplo.

A não ser quando haja uma doença de base, o solilóquio não tem nem carece de um tratamento específico. Ele tem maiores repercussões nas relações interpessoais do que consequências clínicas. No caso de uma patologia subjacente reconhecida, ela deve ser abordada com os recursos pertinentes.

Se não há uma doença de base que o motive, o solilóquio tende a ser duradouro ou mesmo definitivo. No caso de uma patologia subjacente reconhecida, a evolução dele depende do curso da doença.
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