Bridas intestinais


As bridas intestinais são cicatrizes internas em forma de cordões ou de faixas de tecido cicatricial fibroso que formam “pontes” ligando os órgãos abdominais entre si ou à parede do abdômen, geralmente formadas após uma cirurgia abdominal. Elas formam uma espécie de "teia de aranha" que pode ligar, por exemplo, o ovário ao intestino ou partes do intestino entre si.

As bridas intestinais podem ser congênitas ou adquiridas em cirurgias abdominais prévias e constituem aproximadamente 60% dos casos de obstrução intestinal. As bridas se desenvolvem depois de uma cirurgia abdominal na qual os órgãos são muito manuseados e são temporariamente afastados de suas posições normais.

São fatores de risco para a formação de brida intestinal: infecções intra-abdominais, isquemia tissular, corpos estranhos intra-abdominais e cirurgias abdominais, que é o fator mais comum.

As bridas são formações de tecido fibroso, que se estruturam em apenas dois dias após uma cirurgia. As manipulações de órgãos, necessárias durante uma cirurgia, se são intensas, podem levar à formação de um exsudato de fibrina, que quando não é devidamente drenado pelo próprio organismo do paciente leva à formação das bridas.

A formação de bridas intestinais é tanto maior quanto mais manipulados forem os órgãos do paciente durante uma cirurgia. Normalmente elas não causam quaisquer problemas, mas eventualmente podem causar obstrução intestinal e o intestino pode ser bloqueado total ou parcialmente.

Na dependência da sua localização, podem levar ao "estrangulamento" total do intestino e impedir a eliminação das fezes. Esse "estrangulamento" pode também limitar o fornecimento de sangue àquela região do intestino e ela pode começa a necrosar (morrer), impondo uma cirurgia de emergência.

Às vezes, uma área do intestino afetada pode ser bloqueada apenas intermitentemente, mas também pode persistir, gerando sintomas como dor abdominal intensa e obstrução intestinal duradoura. Em razão disso, o abdômen do indivíduo incha, ele sentirá fortes dores e, se a situação persiste não solucionada, podem ocorrer vômitos de fezes.

O médico deve colher atentamente a história médica do paciente, especialmente seu relato de cirurgia(s) abdominal(is) anterior(es), palpar seu abdômen e solicitar exames de imagem como, por exemplo, tomografia computadorizada. Exames de sangue, urina e radiografias podem ajudar a excluir outras situações que possam estar gerando a dor abdominal e assim ajudar a firmar o diagnóstico de bridas. Os exames de imagem também podem produzir sinais sugestivos de obstrução intestinal, se for o caso.

Se o médico concluir que as bridas não envolvem órgãos vitais e se achar que o paciente não está em boas condições para enfrentar uma cirurgia, poderá apenas receitar analgésicos e anti-inflamatórios quando as dores surgirem. Como regra, a remoção cirúrgica das bridas deve ser feita sempre que elas gerem dor abdominal intensa, produzam obstrução intestinal ou impeçam o bom funcionamento de qualquer outro órgão.

No entanto, se o médico de novo manipular muito o paciente, novas bridas poderão ser formadas e, por isso, o ideal é que elas sejam apenas seccionadas para permitir uma melhor mobilidade dos órgãos envolvidos.

A obstrução intestinal causada por bridas pode levar à morte em cerca de 5% dos casos ou mais, se não tratadas a tempo.
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