Doença de Blount


A doença de Blount é um distúrbio do desenvolvimento no qual há alterações do crescimento da parte interna da extremidade superior da tíbia, as quais levam a deformidades ósseas, causando curvatura para o exterior, com angulação ligeiramente abaixo do joelho. A deformidade consiste em uma tíbia vara e rotação interna da tíbia, bem como deformidade do fémur distal. Walter Blount, em 1937, foi o primeiro a identificar as características clínicas, radiológicas e patológicas desses casos.

As causas da doença de Blount são controversas: ela parece ser uma doença multifatorial, mas a contribuição dos fatores genéticos ainda é desconhecida. Sabe-se, contudo, que a obesidade infantil e a marcha precoce são fatores predisponentes para o seu desenvolvimento. Em geral, a doença de Blount é mais comum entre crianças do sexo feminino e de origem africana ou naquelas que tenham um membro da família com o problema.

A tíbia (osso da canela) está localizada no mesmo lado que o dedo grande do pé. Quando ficamos em pé, é a tíbia que suporta a maior parte do peso do corpo. A fíbula é o osso mais fino da perna, localizado no mesmo lado que o dedo mínimo do pé. Há uma placa de crescimento na parte superior da tíbia, feita de cartilagem, chamada de fise.

A função da fise é permitir o crescimento e o alongamento do osso. Às vezes, porém, a fise é levada a suportar mais pressão do que pode suportar e isto pode iniciar uma série de eventos patológicos na parte superior da tíbia. A parte interior, logo abaixo do joelho, fica anormalmente comprimida e sofre arqueamento e pode até parar de crescer em sua parte interna, embora a parte externa continue a crescer normalmente. É este crescimento irregular que faz com que a tíbia se curve para fora em vez de crescer em linha reta.

Em cerca de 60% dos casos, a doença de Blount provoca problemas nas pernas e dificuldade de marcha na criança. Os pacientes com doença de Blount apresentam abaulamento e diferença no comprimento das pernas. A doença só pode ser reconhecida em crianças maiores de dois anos de idade, mas a deformidade grave, não tratada precocemente, pode levar à artrite degenerativa do joelho. Ela, pode levar a alterações patológicas irreversíveis, especialmente na porção medial da epífise tibial proximal.

Reconhece-se duas formas da doença de Blount: (1) doença de Blount infantil, reconhecida entre 1 e 3 anos de idade, não associada à obesidade e muitas vezes bilateral e (2) doença de Blount tardia, subcategorizada em (2.a) juvenil, que ocorre na idade de 4 a 10 anos e (2.b) do adolescente, ocorrendo a partir dos 10 anos. A doença de Blount tardia é mais comumente associada à obesidade e, mais frequentemente, unilateral.

O sinal mais evidente da doença Blount é uma curvatura da perna, logo abaixo do joelho. Em crianças, isso geralmente não é doloroso, mas em adolescentes pode ser. Ao longo do tempo, a doença de Blount também pode levar à artrite da articulação do joelho e, em casos muito graves, dificuldade para caminhar. Em casos raros, uma perna também pode ser ligeiramente mais curta do que a outra.

Inicialmente, o diagnóstico da doença de Blount é clínico. Se as pernas começam se curvando e a pessoa tem dor no joelho, que não se justifica por uma lesão, o médico deve considerar a possibilidade da doença de Blount. O ortopedista deve fazer um exame físico completo e solicitar uma radiografia das pernas. Os raios X ajudarão o médico a olhar os padrões de crescimento anormal do osso que são indicativos da doença de Blount.

A doença de Blount deve ser diferenciada das pernas tortas comuns em bebês. Neles, a curvatura quase sempre se endireita quando a criança começa a andar, entre as idades de 1 e 2 anos. Na doença Blount, por outro lado, essa curvatura não se corrige nesse tempo e só piora, se não tratada.

O tratamento da doença de Blount deve ser adaptado a cada caso individual e um programa ortopédico deve ser inicialmente estabelecido, porém casos mais graves associados à dor podem necessitar de intervenção cirúrgica.

O desalinhamento da tíbia pode causar problemas como mudança na forma da perna e rotação da tíbia para dentro, levando os pés a apontarem para dentro, ao invés de apontarem para fora.
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