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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dieta do jejum: e aí, é boa?


A dieta do jejum, também conhecida como dieta do jejum intermitente, não é propriamente uma dieta nos modelos clássicos, mas sim uma mudança no estilo de se alimentar. O jejum intermitente é o nome que se dá ao estilo de alimentação que alterna períodos de jejum com períodos de alimentação. Este método não é tão novo quanto parece e há estudos que remontam a 1973. Nesse modelo de emagrecimento não se trata de saber quais alimentos se deve comer, mas sim quando comer. Visando o emagrecimento, é um mito pensar-se que o melhor é alimentar-se de 3 em 3 horas, com restrição de alguns alimentos. Nesse novo método, são feitos jejum diários de 16 horas ou jejuns de 24 horas duas vezes por semana.

Existem vários métodos de fazer o jejum intermitente. Basicamente, eles consistem em dividir o dia ou a semana em um período em que a alimentação é permitida e outro em que ela deve ser suspensa. Durante o período de jejum, a pessoa não come nada (ou muito pouco) e durante o de alimentação fica livre para comer. A seguir, citamos três das inúmeras variantes possíveis:

•No método Leangains ou método 16/8, a janela de alimentação é, para homens, de 8 horas (de 12 h às 20 h ou das 13 h às 21 h, por exemplo) e a de jejum de 16 horas e, para mulheres, de 10 e 14 horas, respectivamente. No período de alimentação, a pessoa pode fazer 2-3 refeições, ou até mais. Assim, basta não comer nada depois do jantar e pular o café da manhã. Durante o período de jejum, a pessoa pode beber água, café e qualquer outra bebida não-calórica. No período de alimentação, a pessoa deve comer com moderação uma alimentação saudável e não se empanturrar com calorias em excesso.

•O método eat-stop-eat (Coma-Pare-Coma) consiste em períodos de 24 horas de jejum, uma ou duas vezes por semana, intercalados com períodos de alimentação. Para seguir esse método basta, por exemplo, jantar em um dia e não comer mais nada até a hora de jantar do dia seguinte ou fazer o mesmo com o almoço ou com o café da manhã, se preferir. Água, café, chá e outras bebidas não calóricas estão liberadas. Comer normalmente durante o período de alimentação, sem procurar compensar o período em que ficou em jejum.

•O método 5:2 consiste em que se coma normalmente 5 dias da semana e restringir o consumo de calorias para 500-600 durante os outros dois dias. Assim, a pessoa pode comer normalmente todos os dias exceto, por exemplo, às segundas e quintas-feiras, quando só irá fazer duas refeições pequenas (de 250 a 300 calorias cada). Aqui, também, é importante não querer comer a mais nos dias de alimentação normal.

A principal razão para se fazer o jejum intermitente é perder peso, consumindo menos calorias. Por isso, não se deve comer exageradamente durante a janela entre os jejuns porque, desse modo, é possível que não haja resultado. Ao jejuar, a pessoa come menos que naturalmente, isto é, ingere menos calorias do que aquelas que gasta.

O jejum causa uma alteração nos níveis hormonais que mobiliza a gordura armazenada, tornando-a utilizável pelas células. Assim, as taxas do hormônio do crescimento chegam a ficar 5 vezes maiores do que o normal e isso traz grandes benefícios na queima de gordura e no ganho de massa muscular. Há aumento da sensibilidade à insulina e os níveis de insulina no sangue caem drasticamente, níveis baixos de insulina permitem que mais gordura armazenada fique disponível para ser queimada.

Em jejum, o corpo inicia processos de autofagia em que as células digerem e removem proteínas velhas e disfuncionais de dentro delas, proteínas estas que poderiam levar ao surgimento do câncer. Há mudanças na função dos genes ligados à longevidade e à proteção contra doenças.

O emagrecimento é a principal razão para se fazer o jejum intermitente. Ele provoca mudanças favoráveis ao emagrecimento nos níveis hormonais, função celular e expressão genética. O jejum intermitente também é uma ferramenta poderosa para a saúde do corpo e do cérebro e, assim, contribui para viver mais. Ele ajuda a perder gordura sem restringir o consumo de calorias, diminui a resistência à insulina e protege contra o diabetes tipo 2, diminui os níveis dos marcadores de inflamação, uma das principais causas de diversas doenças crônicas e também reduz os níveis do colesterol LDL, dos triglicerídeos e da glicose, que são fatores de risco para doenças do coração.

Além disso, o jejum intermitente faz com que o corpo libere mais noradrenalina, que é um hormônio que auxilia na queima de gordura. Ainda ajuda a prevenir o câncer, a criar novas células nervosas e a proteger contra a doença de Alzheimer. Em estudos com ratos, o jejum aumentou a longevidade e, provavelmente, pode ter o mesmo efeito em humanos.

Por causa dessas mudanças, os jejuns podem aumentar o metabolismo em até 14%. Uma vantagem do jejum intermitente é que ele causa menos perda de massa muscular que os métodos tradicionais de emagrecimento.

A dieta do jejum intermitente pode ser feita por qualquer pessoa sadia que queira emagrecer. Existem evidências de que ela é mais efetiva para os homens que para as mulheres. Se a pessoa tem um histórico de anorexia ou bulimia ou se está abaixo do peso não deve seguir esse regime. As mulheres grávidas e as que estejam amamentando ou tentando engravidar também não devem fazer esse regime, porque ele pode prejudicar o desenvolvimento do bebê.

sábado, 29 de outubro de 2016

Vai viajar de navio; um cruzeiro? Então leia isso!


Até a pouco, uma gastroenterite aguda que não fosse bacteriana ou parasitária era dita “virótica”, sem que se identificasse o vírus, mas essa situação mudou. Hoje se sabe que cerca de três quartos dessas gastroenterites são devidas ao norovírus (anteriormente referido como Norwalk-like vírus), recentemente identificado. Por isso, a condição é chamada norovirose.

O norovírus é um pequeno vírus esférico, de 27 à 35mm, isolado a partir da família Caliciviridae. Ele foi reconhecido pela primeira vez em 2002 em epidemias de gastroenterites ocorridas em navios durante cruzeiros.

O norovírus é extremamente contagioso, transmitido de pessoa a pessoa por via fecal-oral e persiste por três semanas, durante as quais ele é excretado nas fezes e mesmo em pequenas quantidades (<100) as partículas infectantes contaminam as mãos, o ar, as superfícies, a água, os alimentos, etc.

Ele é muito estável no meio ambiente, dura um mês a uma temperatura de 20°C, ou mais de dois meses a 4°C. Além disso, é insensível ao álcool à 70°C e aos detergentes comuns. Mesmo portadores assintomáticos podem transmitir o vírus. A contaminação ambiental também tem sido documentada como um fator contribuinte na manutenção de transmissão durante surtos.

Normalmente, o vírus tem sido detectado em surtos de gastroenterite que ocorrem em grandes confinamentos humanos como em hospitais, cruzeiros marítimos, hoteis, escolas, etc. Ao que parece, as partículas infectantes também podem ser aerossolizadas a partir de vômitos e inaladas ou deglutidas. Existe dificuldade para controlar surtos em locais onde a população compartilha espaços e instalações sanitárias. O norovírus só confere uma imunidade de curta duração (algumas semanas ou meses).

Felizmente, o comprometimento clínico do vírus não é grave. O tempo de incubação é de 24 a 48 horas. Após isso, aparecem subitamente náuseas, vômitos, diarreia, câimbras abdominais, febre (menor de 39°C), cefaleias, mialgias, desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos. A doença é geralmente autolimitada e dura de 12 a 60 horas e representa uma gravidade particular em idosos e em crianças muito pequenas ou que estejam em período de amamentação.

Além do diagnóstico clínico, feito a partir dos sintomas, sua confirmação pode ser feita por meio de uma coprocultura (cultura das fezes). Uma confirmação indireta pode ser obtida por meio de um exame parasitológico negativo de fezes, hemograma e velocidade de sedimentação sem particularidades. Técnicas de detecção molecular de DNA tem facilitado um melhor entendimento do seu papel em surtos de doenças gastrointestinais.

Não há tratamento curativo específico. Os tratamentos sintomáticos incluem reequilíbrio hidroeletrolítico, antieméticos, antipiréticos, etc.

Raramente, a norovirose pode causar óbito por desidratação, particularmente em pacientes idosos ou com saúde previamente debilitada.

Deve-se adotar todas as precauções universais contra as doenças infecciosas, reforçadas em virtude da extrema contagiosidade do vírus, e privilegiar cuidados com a transmissão indireta realizando sempre a lavagem das mãos. Como alternativa, desinfetantes fenólicos mostraram ser efetivos contra o Calicivirus. Existem dados insuficientes para determinar a eficácia das soluções alcoólicas contra os Norovírus.

As complicações mais temíveis da norovirose, mas facilmente evitáveis, são a desidratação e os distúrbios hidroeletrolíticos, que em idosos ou crianças pequenas pode levar à morte.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Dores de crescimento


As dores do crescimento são sensações dolorosas recorrentes, sem uma causa específica, que recebem esse nome por se manifestarem especialmente entre 3 e 8 anos de idade, uma fase crucial do desenvolvimento físico. Apesar desse nome, não há evidência de que estejam relacionadas com surtos de crescimento. Estima-se que de 5% a 15% das crianças, ou ainda mais, enfrentam esse problema pelo menos uma vez na vida. Pesquisas realizadas em universidades estrangeiras chegam a apontar prevalências de 40%.

As causas exatas das dores do crescimento não são conhecidas. No entanto, há várias teorias que procuram explicar o problema. Entre elas, (1) a de que os ossos cresceriam mais rápido do que os músculos e tendões, sobrecarregando-os; (2) a de que haveria uma fadiga muscular, provocada pelo excesso de atividade física e de brincadeiras ao longo do dia, agravadas pelo estresse e (3) a de que há um fator hereditário envolvido, já que a maioria dos pais de crianças com o problema também o enfrentaram na infância.

As dores do crescimento variam de uma criança para outra, mas, em geral, acontecem mais ou menos uma vez por semana, ao longo de cerca de um ano. Elas manifestam-se principalmente nos membros inferiores, localizadas nas panturrilhas, atrás dos joelhos e nas coxas. Em alguns casos, podem afetar simultaneamente também os braços. Um grande número de crianças apresenta, associadamente, dor de cabeça.

Tipicamente as dores do crescimento aparecem no final da tarde ou começo da noite, quando a musculatura relaxa e esfria, após um dia de atividades, embora possam se manifestar mais tarde e algumas crianças chegam mesmo a acordar chorando. As dores do crescimento não desencadeiam outros sintomas, além da dor. Se a acriança apresentar febre, inchaço, vermelhidão, perda do apetite, apatia, cansaço ou mancar, possivelmente apresenta alguma outra doença.

Normalmente, o exame clínico é suficiente para o diagnóstico, levando em conta a história médica e a faixa etária da criança, com a exclusão de quaisquer outras causas. Durante a consulta, o médico deve examinar o corpo a criança em busca de indícios como inchaço, manchas e aumento da temperatura local, que estão por trás de outras doenças, como as patologias inflamatórias. Se ele julgar necessário, solicitará exames complementares de sangue ou de imagem, cujos resultados negativos confirmarão ainda mais o diagnóstico, por exclusão de outras motivações para as dores.

As doenças que mais facilmente podem ser confundidas com as dores do crescimento são a fibromialgia e a síndrome da hipermobilidade articular, que surge em crianças com maior frouxidão dos ligamentos, após atividades como balé, ginástica olímpica ou outras, que distendam excessivamente as articulações.

Como existe chance da dor de crescimento ser confundida com os sintomas de alguns tumores ósseos, o pediatra ou o ortopedista deve ser sempre consultado, para descartar esta possibilidade.

Em muitos casos basta conversar com a criança e tranquilizá-la. Fazer massagens com álcool gel ou aplicar uma bolsa de água morna na região dolorida também ajuda. Se esses recursos não funcionarem, deve-se recorrer aos exercícios de alongamento, preferencialmente orientados por um fisioterapeuta ou à natação. Em situações raras, analgésicos podem ser prescritos.

Quase sempre os sintomas ocorrem em surtos e regridem espontaneamente. O frio, o estresse agudo e os exercícios físicos intensos impedem a musculatura de relaxar e, por isso, intensificam a sensação dolorosa.

Não há uma maneira definida de prevenir as dores do crescimento, no entanto, pensa-se que evitar situações estressantes para a criança e estimular a prática de atividades físicas de baixo impacto, que fortaleça a musculatura, possam minimizar essas dores.

Normalmente, as dores do crescimento não comprometem as atividades cotidianas da criança, mas se isso acontecer, o médico deve ser consultado para descartar outras condições.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Stents: próteses para as coronárias


Um stent é um pequeno dispositivo expansível de forma tubular, assemelhado a uma mola, geralmente feito de metal ou de ligas metálicas como as de cromo e cobalto. Ele é inserido em um vaso, canal ou ducto do corpo para prevenir ou corrigir a constrição dos mesmos. No caso das artérias, o stent tem o objetivo de evitar o entupimento dessas vias de passagem.

A principal utilização do stent é desfazer as diminuições significativas no diâmetro das artérias ocasionadas pelo depósito de substâncias como o colesterol e o cálcio e, com isso, repor o fluxo sanguíneo nos órgãos, sobretudo no coração.

Embora mais comumente os stents sejam colocados nas artérias (carótidas, coronárias e ilíacas), eles também são utilizados em veias centrais, ductos biliares, esôfago, cólon, traqueia e ureteres. Há vários tipos diferentes de stents, a serem escolhidos pelo médico de acordo com as especificidades de cada caso clínico. Atualmente, tem sido usado um novo tipo de stent, feito com ácido polilático, um material absorvível pelo organismo. Assim, em vez de permanecer para sempre dentro do corpo, esse novo stent desaparece em até dois anos após sua colocação.

Embora os stents sejam muito utilizados em cardiologia, eles foram inventados por um urologista.

O stent serve para abrir vasos ou outros ductos orgânicos que tenham seu diâmetro reduzido, melhorando o fluxo de sangue e de outros materiais que devem passar por eles. Mais comumente, o stent feito de uma liga de aço e cobalto, é utilizado quando há obstrução das artérias coronárias e, então, é expandido no interior delas. Ele está indicado quando o fluxo do sangue diminui 70% ou mais, visto que uma obstrução desse porte pode comprometer a irrigação da artéria afetada, podendo causar um infarto.

Alguns stents têm suas estruturas metálicas revestidas por medicamentos que ajudam na cicatrização e liberam medicação por tempo suficiente para não haver formação de fibroses ou cicatrizes. Há ainda uma prótese reabsorvível sendo testada, mas seu uso ainda não foi liberado no Brasil.

A colocação do stent é rápida e o paciente pode receber alta do hospital em 24 horas. Trata-se de um procedimento invasivo, mas muito menos agressivo que uma cirurgia convencional de revascularização, já que não requer abertura do tórax. O tamanho do stent a ser colocado depende do tamanho da artéria lesionada.

A prótese é inserida através de uma artéria periférica da perna ou do braço e guiada até o local obstruído. Ali, um balão que o carrega é inflado, de modo a expandir o vaso sanguíneo. Imediatamente, o fluxo sanguíneo para a área afetada se normaliza. O risco da cirurgia é pequeno e as contraindicações para a instalação do stent normalmente ocorrem quando os vasos são muito pequenos, as lesões são muito extensas ou então a artéria coronária afetada se situa perto de uma bifurcação. Pode haver ainda um problema de vasos calcificados, que impeçam a expansão das artérias.

Os stents são aplicados a pacientes que apresentam doença coronariana em que se descobre um vaso entupido ou com lesões obstrutivas de grande porte (mais de 70%). Também é comum que os médicos o utilizem em outros locais como artérias carótidas e ilíacas, dutos biliares, esôfago, cólon, traqueia, pâncreas, duodeno e uretra.

Os stents mais comumente são colocados para o tratamento de doença cardíaca, durante o procedimento de angioplastia. Algumas vezes, os stents são usados para reparar fissuras numa aorta enfraquecida, reforçando-a.

Mesmo com a colocação de um stent, pode haver re-estenose do ducto comprometido, ocorrendo novamente o estreitamento dele. Em alguns casos é necessário o implante de um segundo stent dentro do que fechou.

As artérias dilatadas por stents, sobretudo pelos stents convencionais, têm risco de se fecharem novamente. Os stents absorvíveis evitam esses inconvenientes e, além disso, o vaso sanguíneo recupera sua capacidade natural de se contrair ou de relaxar, conforme as necessidades.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

As crianças e os "coisas" digitais


"Dezoito meses é a idade em que, cognitivamente e de forma sábia e atenta, as crianças estão prontas para começarem a se expor às mídias digitais", diz Jenny Radesky, pediatra e especialista em desenvolvimento e comportamento infantis no CS Mott Children's Hospital, em Ann Arbor, Michigan, e co-autora da diretriz da AAP.

Isso não significa que os pais precisem começar a expor as crianças dessa idade a mídias digitais. O trabalho foi apresentado na Conferência Nacional da Academia Americana de Pediatria (AAP) e publicado online pela revista Pediatrics. Um dos autores do resumo da política do governo, Libby Doggett, PhD do Departamento de Educação dos Estados Unidos, também estava na apresentação.

Os benefícios identificados a partir do uso da mídia digital e social incluem a aprendizagem precoce, a exposição a novas ideias e conhecimentos, aumento das oportunidades de contato social e novas oportunidades de acesso a mensagens de promoção da saúde e de informação. Os riscos de tais meios incluem efeitos negativos sobre o sono, atenção e aprendizagem, uma maior incidência de obesidade e depressão, exposição a conteúdos imprecisos, inadequados ou inseguros e a contatos inseguros e comprometimento da privacidade e confidencialidade.

Assim como no passado, a AAP desencoraja o uso dos meios eletrônicos por crianças menores de dois anos de idade. Mas tanto a orientação da AAP, quanto o resumo publicado pelo governo americano fazem exceções para conversas com uso de vídeo entre crianças com idade inferior a 18 meses e entes queridos por elas. Por exemplo, pais em missões militares no exterior podem se conectar com seus bebês através do Skype. As recomendações do governo fazem mais uma exceção para crianças com deficiência que precisam da tecnologia para se comunicar.

As crianças podem começar a aprender com a mídia digital a partir de cerca de 18 meses, mas aquelas menores de 2 anos não devem ser deixadas sozinhas com os dispositivos de mídia, recomendam a AAP e o governo.

Ambos os documentos recomendam que crianças de dois anos de idade até à idade escolar podem ser expostos a não mais de uma hora de programação de alta qualidade por dia. Segundo a AAP, constitui uma programação de alta qualidade programas tais como o Sesame Workshop, que já conta com pesquisa mostrando os benefícios educacionais e comportamentais do programa de televisão infantil Vila Sésamo.

Os cuidadores devem modelar bem o uso da mídia digital em suas residências, estarem cientes dos limites, usarem a mídia junto com seus filhos e discutirem o conteúdo a que seus filhos estão expostos. Dessa forma, a tecnologia pode oferecer oportunidades atraentes e concretas para a educação infantil.

Ambos os documentos recomendam uma mudança do esforço tradicional de restringir o tempo de tela para esculpir o tempo livre de tela, começando na idade escolar. As crianças precisam de pelo menos uma hora de exercício diário, uma noite completa de sono e algum tempo offline, especialmente durante as refeições da família, dizem os especialistas. Os pais devem certificar-se de que as crianças estão desconectadas, pelo menos, duas horas por dia.


Fonte: American Academy of Pediatrics (AAP) National Conference, apresentado no dia 21 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Paracetamol versus ibuprofeno em crianças com asma leve persistente


Estudos têm sugerido uma associação entre o uso frequente de paracetamol e complicações relacionadas à asma entre crianças, levando alguns médicos a recomendar que o paracetamol seja evitado em crianças com asma; no entanto, os ensaios adequadamente concebidos avaliando esta associação são escassos.

Foi conduzido ao longo de 48 semanas um estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado, duplo-cego, de grupos paralelos, envolvendo 300 crianças (faixa etária de 12 a 59 meses) com asma persistente leve. O estudo designou-as para receber ou acetaminofeno (paracetamol) ou ibuprofeno, quando necessário para o alívio da febre ou dor.

Os resultados foram publicados pelo periódico The New England Journal of Medicine (NEJM). O desfecho primário foi o número de exacerbações de asma que levaram ao tratamento com glicocorticoides sistêmicos, ou seja, qual dos medicamentos poderia provocar mais crises de chiado que necessitassem de tratamento com corticoides

Crianças em ambos os grupos receberam terapias padronizadas controladoras da asma, as quais foram usadas em um julgamento simultâneo, fatorialmente ligado.

Os participantes receberam uma média de 5,5 doses de medicação do ensaio; não havia nenhuma diferença significativa entre os grupos no número médio de doses recebidas.

O número de exacerbações de asma não diferiram significativamente entre os dois grupos, com uma média de 0,81 por participante no grupo acetaminofeno e 0,87 por participante no grupo ibuprofeno em mais de 46 semanas de acompanhamento.

No grupo do acetaminofeno, 49% dos participantes tinham pelo menos uma exacerbação da asma e 21% tinham pelo menos duas, em comparação com 47% e 24%, respectivamente, no grupo do ibuprofeno.

Da mesma forma, não foram detectadas diferenças significativas entre o ibuprofeno e o acetaminofeno no que diz respeito à percentagem de dias de controle da asma, ao uso de um inalador de resgate com albuterol, e à utilização de cuidados de saúde para a asma ou a eventos adversos.

Entre as crianças com asma leve persistente, o uso de acetaminofeno conforme a necessidade não foi associado a uma maior incidência de exacerbações de asma ou a um pior controle da doença do que quando é necessário o uso de ibuprofeno.

Traduzindo: nem um, nem outro medicamento são efetivos causadores de crises de asma em crianças portadoras da enfermidade.


Fonte: The New England Journal of Medicine, de 18 de agosto de 2016

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Obstrução da carótida


A obstrução da carótida, também chamada doença oclusiva da carótida ou estenose carotídea, ocorre quando uma ou ambas as artérias carótidas são estreitadas ou bloqueadas. Essas artérias são as principais responsáveis pelo fluxo de sangue para o cérebro.

Na maior parte das vezes, o estreitamento das artérias carotídeas é resultado da formação de placas ateromatosas formadas ao longo das paredes dos vasos a partir de material gorduroso e plaquetas do sangue. Esse processo de acúmulo de gorduras é chamado de aterosclerose e também pode ocorrer em outras partes do corpo. Os fatores de risco para a doença incluem pressão alta (hipertensão arterial), doença cardíaca, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar e outros.

As placas ateromatosas das artérias carotídeas no pescoço tornam esses vasos estreitados e enrijecidos, conferindo a eles um aspecto tubular que prejudica imediatamente o fornecimento de sangue para o cérebro.

Em seus estágios iniciais, a obstrução carotídea pode permanecer assintomática, o que às vezes só permite descobri-la quando já é tarde demais e já gerou consequências. Uma obstrução da carótida pode ocasionar um mini-acidente vascular cerebral, uma condição em que o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é restringido, levando a déficits neurológicos transitórios, ou um acidente vascular cerebral integral, quando esse fluxo for bloqueado completamente, causando destruição do tecido cerebral.

No entanto, mesmo a oclusão total da carótida nem sempre conduz a um acidente vascular cerebral, uma vez que outras artérias poderão se expandir e transportar o sangue que o cérebro precisa. As artérias carótidas são suficientemente calibrosas para que mesmo um bloqueio significativo ainda possa permitir que o sangue continue fluindo de modo suficiente para abastecer o cérebro.

A estenose da carótida pode ser detectada por testes neurológicos específicos, como déficits motores e sensoriais, os quais tanto podem fornecer pistas sobre a extensão como sobre a localização da oclusão. Além disso, o médico pode ser capaz de auscultar com um estetoscópio os sons vindos das mudanças no fluxo sanguíneo nas artérias carótidas. A investigação diagnóstica pode prosseguir com um Doppler, ultrassonografia, ressonância magnética e/ou tomografia computadorizada. Casos mais complexos podem exigir um angiograma.

O tratamento da obstrução da carótida deve ser determinado pela extensão do estreitamento e a condição clínica do paciente e deve incluir também a medicação para tratar os fatores de risco subjacentes associados com a obstrução da carótida, como anti-hipertensivos, medicação para reduzir os níveis de colesterol ou para o diabetes mellitus.

Se o bloqueio constatado for pequeno e não muito grave, o médico poderá apenas monitorar a situação e recomendar mudanças no estilo de vida do paciente, visando retardar a evolução da aterosclerose, como parar de fumar, perder peso, adotar uma dieta saudável, reduzir o sal da alimentação e evitar o sedentarismo.

Se for grave e o paciente já tiver tido um ataque sistêmico transitório ou um acidente vascular cerebral, o médico pode recomendar a remoção cirúrgica do bloqueio da artéria. A endarterectomia da carótida (remoção da massa obstrutiva) ou outros procedimentos endovasculares também podem ser usados para tratar a estenose da artéria. Angioplastia e/ou a colocação do stent através de um cateter são procedimentos endovasculares utilizados para aumentar o fluxo através da artéria.

A arteriosclerose é uma condição progressiva, embora sua evolução possa ser lentificada. O acidente vascular cerebral, uma das consequências previsíveis da obstrução da carótida é uma das principais causas de morte.

Alguns pacientes que sofrem um derrame recuperam todas as suas funções ou grande parte delas, outros morrem em decorrência da falência dessas funções ou de suas complicações. Cerca de metade dos pacientes que sofrem um acidente vascular cerebral apresentam sequelas permanentes.

Para prevenir ou retardar a progressão da estenose da carótida, o paciente deve parar de fumar, manter um peso saudável, limitar o colesterol e a gordura, comer muitas frutas e legumes, cortar o sal, fazer exercícios regularmente, limitar o consumo de álcool e controlar as doenças crônicas.

Se a carótida for bloqueada, o fluxo sanguíneo para o cérebro fica comprometido, o que pode conduzir a um ataque isquêmico transitório ou, em casos graves, a um acidente vascular cerebral.

sábado, 22 de outubro de 2016

Homens ansiosos têm mais do dobro de chance de morrer de câncer do que os que não apresentam este transtorno


Homens que sofrem de ansiedade têm mais do dobro de chance de morrer de câncer do que os homens que não apresentam este transtorno. No entanto, a ansiedade não está associada a um aumento da mortalidade por câncer em mulheres, de acordo com um grande estudo britânico apresentado na reunião do European College of Neuropsychopharmacology (ECNP), em Viena.

O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um problema de saúde mental comum que pode ser incapacitante, debilitante e levar ao aumento do risco de suicídio, afetando cerca de 5% da população adulta. Ele é caracterizado pela preocupação excessiva e incontrolável sobre muitas áreas da vida. As pessoas afetadas podem apresentar sintomas tais como tensão muscular, insônia, incapacidade de concentração e inquietação. Estudos anteriores analisaram se a ansiedade está associada com a morte precoce nas principais causas de doença, mas os resultados têm sido variados.

Usando dados de 15.938 participantes britânicos do Prospective Investigation into Cancer - Norfolk Study, os pesquisadores foram capazes de relacionar os homens e as mulheres com TAG no período de 1996-2000 aos registros de morte durante os 15 anos subsequentes, identificando, assim, aqueles que sofriam de TAG e que morreram de câncer.

Eles descobriram que 126 de 7.139 homens e 215 de 8.799 mulheres tiveram TAG, e durante um período de 15 anos, 796 homens e 648 mulheres morreram de câncer. Durante o período de acompanhamento de 15 anos, eles descobriram que os homens com TAG tiveram uma probabilidade duas vezes mais alta de morrer de câncer em relação aos homens que não apresentavam ansiedade. Esta associação não foi encontrada com as mulheres.

A pesquisadora chefe Olivia Remes e seus colaboradores alertam que pesquisas futuras devem determinar se a ansiedade está associada a tipos específicos de câncer em homens e que a sociedade pode precisar considerar a ansiedade como um sinal de alerta para problemas de saúde, mas que é muito importante diferenciar a ansiedade normal da ansiedade patológica.


Fonte: European College of Neuropsychopharmacology (ECNP), em 20 de setembro de 2016

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O risco das tomografias


O aparecimento da tomografia computadorizada nos anos 1970 provocou uma revolução na medicina. A possibilidade de obter imagens claras de órgãos como cérebro, fígado, rins e pulmões teve grande impacto na acurácia dos diagnósticos e no acompanhamento de grande número de pacientes.

Veja o caso das cirurgias abdominais. Antes das tomografias, os cirurgiões repetiam que o abdômen era uma “caixa de surpresas”. Era, de fato, porque além do exame clínico, contávamos apenas com o de raios X simples ou aquele realizado com a ingestão de contraste radiológico para estudar sua progressão pelo aparelho digestivo.

Embora útil, o exame de raios X nem sempre permitia esclarecer a natureza dos quadros agudos ou crônicos de maior complexidade. Como consequência, eram frequentes as chamadas laparotomias exploradoras, o “abrir para ver” que se mostrava inútil em parte significante dos casos.

Como os detalhes dos pulmões e dos órgãos situados entre eles, no mediastino, que uma tomografia de tórax é capaz de revelar, são incomparavelmente mais nítidos do que aqueles das radiografias simples, os raios X passaram a ser considerados tecnologia ultrapassada.

A incorporação da tomografia à prática cotidiana estimulou a competição entre os fabricantes para investir na qualidade de seus aparelhos, com a finalidade de torná-los mais rápidos, mais baratos e capazes de obter imagens mais sofisticadas.

Esses aperfeiçoamentos, no entanto, vieram acompanhados do aumento das doses de radiação necessárias para a realização dos exames. As doses empregadas nas tomografias atuais são 100 a 500 vezes mais altas do que as dos raios X simples convencionais.

O desenvolvimento de técnicas especiais elevou ainda mais as quantidades de radiação envolvidas. Por exemplo, uma angiotomografia que permite analisar o fluxo de sangue através das artérias cerebrais, emite doses dez vezes maiores do que as da tomografia cerebral de rotina.

Embora tais técnicas sejam decisivas para chegarmos a diagnósticos mais complexos, as evidências científicas de que modificam condutas clínicas e melhoram a qualidade do atendimento muitas vezes são irrelevantes.

Agora, leitor, chegamos ao tema da coluna desta semana: os riscos. Apesar de não termos evidências diretas de que tomografias aumentem o risco de câncer, há inúmeros dados epidemiológicos e biológicos que associam a exposição às radiações ionizantes ao aparecimento de tumores malignos.

E há outro aspecto a considerar: as exposições são cumulativas, isto é, nos sucessivos exames cada nova dose deve ser somada às anteriores.

O National Research Council (NCR), dos Estados Unidos, concluiu que os níveis de radiação aos quais uma pessoa se expõe ao ser submetida a uma única tomografia são suficientes para aumentar o risco de câncer, embora haja incerteza sobre a magnitude dele.

Além do apreço que nós, médicos, temos por imagens de boa qualidade – portanto com doses de radiação mais elevadas – a popularização das técnicas radiológicas cria pressões para a realização de exames muitas vezes desnecessários. A frase “Não seria melhor o senhor pedir uma tomografia?” é rotineira nos consultórios.

Dada a importância das tomografias na prática médica bem como seus riscos potenciais, é necessário adotar medidas para torná-las mais seguras.

A primeira é reduzir as doses emitidas. Há vários relatos de que podem ser reduzidas pela metade sem perder a acurácia.

Os estudos mostram que as doses empregadas na prática variam de uma instituição para outra e, geralmente, são mais altas do que as necessárias. É fundamental estabelecer doses de referência que possibilitem chegar aos diagnósticos com segurança, em vez de competir por imagens maravilhosas obtidas com doses perigosas.

E, o mais importante, o número de exames precisa ser reduzido. Ao pedir uma tomografia o médico não deve apenas pensar no aumento dos custos, mas nos riscos futuros que seus pacientes correrão.


fonte:
Dr. Dráuzio Varella

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Receita de sopa especial para combater e aliviar fibromialgia


A fibromialgia na verdade não é uma doença, e sim uma síndrome.

Ou seja, um conjunto de sintomas que incluem dor nas articulações, dor muscular, fadiga crônica e muitas dores inexplicáveis no corpo.

E esses sintomas (constantes) podem levar uma pessoa à depressão e ao esgotamento físico e mental.

A fibromialgia ataca mais as mulheres: 90% das vítimas são mulheres entre 35 e 50 anos.

E pode ter como causa fadiga, distúrbios do sono, depressão e ansiedade.

Mas a sua real causa real, porém, ainda não foi esclarecida.

O que se observa é que os níveis de serotonina são mais baixos nos portadores da doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar relacionados com a doença.

O tratamento natural da da fibromialgia prioriza uma melhora do estado emocional, o uso de vitamina D (sol e suplemento), a prática de exercícios físicos e da acupuntura.

E, como todo tratamento natural, o da fibromialgia exige especial atenção quanto à alimentação.

Assim, há seis alimentos que devem fazer parte da dieta de quem padece da doença:

- Cravo
- Couve
- Cúrcuma (açafrão-da-terra)
- Pimenta-caiena
- Sálvia
- Gengibre

Todos esses alimentos contêm substâncias muito úteis ao tratamento da fibromialgia.

A cúrcuma, o cravo e o gengibre, por exemplo, têm forte atividade anti-inflamatória.

E a couve é boa fonte de magnésio, que, só para você ter ideia da importância dele, participa de mais de 300 reações bioquímicas do organismo.

É importante também evitar o consumo destes alimentos:

- Leite e derivados
- Açúcar branco
- Café e tudo que tenha cafeína
- Glúten
- Carnes processadas (Salsicha, Linguiça, Fiambre, Presunto, Mortadela...)
- Alimentos com glutamato monossódico

Nós vamos ensinar agora uma sopa que tem forte ação anti-inflamatória pela presença da cúrcuma (açafrão-da-terra) e do gengibre.

Esta sopa é, portanto, muito indicada aos portadores da doença, pois seu consumo frequente pode, em razão dos anti-inflamatórios naturais contidos nela, aliviar as dores da fibromialgia.

Eis a receita

Ingredientes:

- 1 colher (sopa) de azeite extravirgem de oliva ou óleo de coco
- 2 talos de cebolinho
- 1 folha de couve
- 1 pedaço de 4-5 centímentros de raiz de gengibre ou 1 colher (chá) de gengibre em pó
- 1 pedaço de 4-5 centímetros de raiz de cúrcuma ou 1 colher (chá) de cúrcuma em pó
- 1 litro de caldo de legumes (receita abaixo)

Modo de Preparo:

- Comece preparando o caldo de legumes: cozinhe em 1 litro de água 2 cenouras, 1 cebola, meio chuchu, alguns pedaços de abóbora e de inhame e uma pitadinha de sal.

- Quando estiverem "al dente", ou seja, nem muito duros nem muito macios, desligue o fogo e separe a parte líquida dos sólidos.

- É esse líquido, o caldo de legumes, que você vai usar na sopa.

- A parte sólida, você pode guardar na geladeira e usar no almoço ou no jantar.

Vamos começar de fato agora a preparar a nossa sopa.

- Aqueça a panela em fogo médio.

- Adicione o o azeite extravirgem de oliva ou o óleo de coco com um pouco de gengibre ralado ou em pó.

- Coloque o caldo de legumes e deixe ferver.

- Depois de ferver, ponha o açafrão e abaixe o fogo.

- Pique o cebolinho e a couve e misture-os na sopa, espere um pouco e desligue o fogo.

Pronto!

Você já pode desfrutar desta sopa medicinal.

Se tiver salsinha em casa, use para decorar seu prato de sopa.

Pode tomá-la diariamente (ou sempre que possível) no almoço e/ou no jantar.

Se tiver problemas de tireoide, faça sem couve.



Fonte: R7-Saúde/CuraPelaNatureza

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Atividade física e raiva ou perturbação emocional como gatilhos do infarto agudo do miocárdio



O esforço físico, a raiva e os distúrbios emocionais são vistos como desencadeadores do infarto agudo do miocárdio (IAM).

No estudo INTERHEART, pesquisadores exploraram a associação da atividade física aguda e da raiva ou de perturbações emocionais no desencadeamento do IAM para quantificar a importância desses gatilhos potenciais em uma grande população internacional.

Este foi um estudo de caso-controle do primeiro IAM em 52 países. Nesta análise, foram incluídos apenas os casos de IAM e usou-se uma abordagem de caso para estimar o odds ratio para um IAM iniciado dentro de uma hora de ocorrência dos gatilhos.

De 12.461 casos de IAM, 13,6% estavam envolvidos em atividade física e 14,4% em situações de raiva ou perturbações emocionais no período de uma hora antes do início dos sintomas.

A atividade física no período foi associada a maior chance de IAM; intervalo de confiança [IC] de 99%, com um risco atribuível à população de 7,7%.

Raiva ou perturbação emocional no período foi associada com um aumento nas chances de IAM, com um risco atribuível à população de 8,5%.

Não houve modificação de efeito por região geográfica, doença cardiovascular prévia, carga de fatores de risco cardiovasculares, uso de medicamentos de prevenção cardiovascular ou hora do dia ou o dia de início do IAM. A atividade física e a raiva ou perturbação emocional no período foram associadas a um aumento na probabilidade de IAM.

Concluiu-se que o esforço físico e a raiva ou perturbações emocionais são gatilhos associados ao primeiro IAM em todas as regiões do mundo, em homens e mulheres e em todas as faixas etárias, sem efeitos modificadores significativos.




Fonte: Circulation, de 11 de outubro de 2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Tracoma: o que é?


Enfermidade inflamatória crônica que atinge a conjuntiva e a córnea. Devido a repetidas infecções causadas pela bactéria Chlamydia trachomatis cicatrizes começam a se formar na conjuntiva palpebral.

Com isto, sérias complicações podem surgir como formação de entrópio (pálpebras viradas para dentro do olho) ou triquíase (cílios que tocam o globo ocular).

O atrito gerado devido a esta infecção pode também acabar levando a danos irreversíveis na córnea, como até mesmo à cegueira.

Esta é uma doença muito comum em países quentes e mais pobres como alguns do Oriente Médio e do Mediterrâneo.

Em seus estágios iniciais o tracoma é contagioso e pode ser facilmente transmitido.

O contágio é direto e ocorre de pessoa para pessoa. Objetos e roupas de cama contaminados também podem servir como fonte de infecção.

Entretanto, insetos como a mosca doméstica ou como a lambe-olhos, por exemplo, também podem agir como vetores.

Qualquer pessoa de ambos os sexos e todas as idades estão susceptíveis a desenvolver um quadro de tracoma. Embora esta bactéria não apresente alta infectividade, sua distribuição pelo mundo é bastante ampla.

Não existe imunidade adquirida e nem de imunidade natural a esta enfermidade.

O tratamento, quando do diagnóstico precoce, costuma ser bem efetivo.

Por outro lado, caso esta doença não receba a devida atenção, as sequelas podem ser graves.

O agente causador é a bactéria Chlamydia trachomatis dos sorotipos A, B, Ba e C.

Este microrganismo gram-negativo de vida intracelular obrigatória apresenta preferência por células epiteliais.

Com cerca de 200 a 300 milimicra, se instala nestas células e passa a se multiplicar gerando inclusões citoplasmáticas.

Esta mesma bactéria também é responsável por outros transtornos como o linfogranuloma venéreo e a conjuntivite de inclusão.

As infecções provocadas por este microrganismo limitam-se às superfícies mucosas.

O período de incubação leva aproximadamente 12 dias.

Após isto os primeiros sintomas começam a surgir.

Enquanto as lesões na conjuntiva estiverem ativas a transmissibilidade será possível.

Caso existam outras infecções bacterianas no local o potencial de transmissão cai consideravelmente.

Os sintomas do tracoma são bastante notáveis e característicos. Desta forma, pessoas com tais alterações logo tendem a procurar por ajuda médica. Através de uma análise clínica e do histórico do paciente o profissional começa a suspeitar de algumas enfermidades. Entretanto, exames laboratoriais deverão ser feitos para que se estabeleça um diagnóstico diferencial.

É preciso se excluir a possibilidade de outras doenças conjuntivas, como a foliculose, a conjuntivite folicular aguda e a conjuntivite folicular tóxica. Além disto, os sinais podem ser sintomas de outras complicações mais diversas como herpes simples, molusco contagioso ou adenovírus. Portanto, é importante determinar exatamente a causa do problema para que o tratamento seja o mais efetivo possível.

Além de exames laboratoriais o exame ocular externo pode trazer respostas bastante significativas. A amplificação do ácido nucleico também pode ser uma medida adotada. Após a confirmação do diagnóstico o tratamento deve ter início o quando antes, para que complicações mais graves não comecem a ocorrer. É indicado que todos realizem exames médicos de rotina para um bom monitoramento do organismo. Desta forma, uma série de doenças pode ser previamente diagnosticada e seus transtornos amenizados.

Inicialmente o tracoma se parece muito com uma conjuntivite folicular. Há hipertrofia papilar e também inflamação por toda a área conjuntiva, principalmente na parte superior. Com o tempo esta irritação leva ao surgimento de secreção e, em estágios mais avançados, cicatrizes surgem na córnea. Estas fazem com que os cílios virem para dentro e a visão fica seriamente comprometida.

Alguns dos sintomas característicos são:

Sensibilidade à luz;
Inflamação;
Lacrimejamento;
Conjuntiva com estrias brancas;
Manifestação de secreções;
Avermelhamento da córnea;
Incômodo nos olhos.
Diante destes sintomas é extremamente importante que se busque por auxílio médico. O tracoma provoca cicatrizes que comprometem a córnea e podem levar até mesmo à cegueira. O tratamento quando feito de maneira correta costuma ser bastante efetivo. Casos mais sérios ou que já venham se estendendo por um tempo muitas vezes necessitam de intervenção cirúrgica ou outros métodos mais invasivos. Portanto, sempre que seu corpo lhe enviar qualquer sinal consulte um médico o quanto antes.

Por seu caráter contagioso e pela seriedade que pode adquirir, o tracoma precisa ser prevenido e todos necessitam saber dos seus riscos. É importante que escolas instruam as crianças a não colocarem as mãos sujas nos olhos e que pais procurem saber das enfermidades das crianças que convivem com seus filhos. O tracoma é uma doença que possui maior incidência entre crianças pequenas, portanto, leve seu filho a um oftalmologista para realizar exames de rotina. Através de um hábito simples como este, não somente esta, como várias outras doenças, podem ser evitadas.

Manter uma alimentação saudável ajuda na prevenção de muitas enfermidades, já que um corpo saudável é um corpo forte e protegido. Deixe sua casa sempre limpa e evite a entrada de insetos, pois estes são vetores de uma série de doenças. O rosto deve ser lavado diariamente e o lixo deve ter um destino certo. Ensine seus filhos sobre higiene pessoal e adquira você também estes costumes básicos. Diante de quaisquer sintomas procure logo por auxílio médico, a grande maioria das complicações possui cura quando diagnosticada previamente.

Quando em estágio inicial o tracoma é facilmente tratado. Pomadas antibióticas serão receitadas e deverão ser utilizadas por, em média, 6 semanas. Em alguns casos pode ser necessário a utilização de fármacos antibióticos via oral. Quando a doença produziu deformidades na pálpebra, na conjuntiva ou na córnea geralmente se faz necessário uma intervenção cirúrgica. O tracoma, quando não tratado ou quando não monitorado, pode levar até mesmo à cegueira. Portanto, não descuide de sua saúde. Algo aparentemente simples pode acabar progredindo de forma inimaginável. Consulte regularmente um médico para realizar exames de rotina, desta forma seu corpo estará sempre bem monitorado. Cuide da sua saúde. Ela deve estar em primeiro lugar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Síndrome serotoninérgica


A serotonina, também conhecida como 5-hidroxitriptamina (5HT), é uma monoamina sintetizada por alguns neurônios do sistema nervoso central e por algumas células do trato gastrointestinal, sendo armazenada principalmente nas plaquetas. Ela tem como principal função ser um transmissor de impulsos nervosos entre os neurônios (neurotransmissor).

No sistema nervoso, é produzida nos neurônios pré-sinápticos pela descarboxilação e hidroxilação do aminoácido triptofano. Ela também pode ser encontrada em vários cogumelos e plantas, incluindo frutas e vegetais.

A serotonina desempenha um papel relevante na inibição da ira, da agressão, da temperatura corporal, do humor, do sono, do vômito e do apetite, inibições estas diretamente relacionadas com os sintomas da depressão.

A síndrome serotoninérgica (ou síndrome da serotonina) é uma reação grave, potencialmente fatal, ao uso de medicamentos serotoninérgicos. Os casos mais severos são causados pela combinação de dois ou mais desses fármacos. Como o uso de agentes serotoninérgicos estão crescendo na prática clínica, a incidência da síndrome serotoninérgica tem sido cada vez maior.

A síndrome serotoninérgica é causada pela

(1) administração de substâncias pró-serotoninérgicas;
(2) aumento da liberação da serotonina estocada no organismo;
(3) diminuição de recaptação pré-sináptica neuronal de serotonina;
(4) inibição do metabolismo da serotonina;
(5) estimulação do receptor pós-sináptico da serotonina e
(6) aumento da resposta pós-sináptica à estimulação pela serotonina.

A síndrome serotoninérgica normalmente surge com a administração de dois ou mais medicamentos que aumentam a concentração de serotonina. As medicações mais comumente envolvidas são o L-triptofano, inibidor do metabolismo da serotonina; inibidores da monoamina oxidase (IMAOs); anfetamina; lítio; ecstasy; cocaína; dextrometorfan; inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs); antidepressivos tricíclicos; trazodona; venlafaxina; buspirona; ácido lisérgico (LSD); agonistas da dopamina e L-dopa.

As pessoas mais susceptíveis à síndrome são indivíduos com idade avançada, usuários crônicos de antidepressivos, hepatopatas e pessoas com doença endotelial (aterosclerose, hipertensão arterial, etc).

A síndrome serotoninérgica é caracterizada por uma tríade sintomática típica:

1.Mudança do estado mental.
2.Anormalidades neuromusculares.
3.Hiperatividade autonômica.

Os sintomas podem iniciar-se horas ou dias após a exposição aos agentes causadores e passarem a acontecer mesmo se as medicações causadoras já vinham sendo usadas anteriormente, sem problemas.

Os sintomas principais são instabilidade autonômica, tremores, alterações mentais, alterações da consciência, diaforese, diarreia, vertigem, agitação, febre, hiperreflexia, hipomania, taquicardia sinusal, mioclonia, letargia, hiper ou hipotensão, convulsões, insônia, taquipneia, rigidez muscular, alucinações, dilatação das pupilas, hiperatividade, reflexo de Babinski presente, rubor, opistótono, câimbras, ataxia, hipersalivação, coma e calafrio.

O diagnóstico da síndrome serotoninérgica deve ser feito a partir da história médica do paciente e de seus sintomas porque não existem testes laboratoriais que sejam capazes de diagnosticá-la. Os efeitos clínicos dos sintomas são rápidos e ocorrem dentro de minutos ou horas, o que exige que o problema seja reconhecido com prontidão.

Um diagnóstico diferencial deve ser feito com outras condições assemelhadas, como síndrome anticolinérgica, toxicidade à carbamazepina, infecções do sistema nervoso central, abstinência do álcool, hipnóticos, sedativos e opioides, insolação, toxicidade do lítio e overdose de simpaticomiméticos.

O tratamento da síndrome serotoninérgica implica em descontinuação do(s) medicamento(s) suspeitos de tê-la causado e administração de antagonistas, seguido de monitorização cardiocirculatória e respiratória. Deve ser acompanhada e tratada a pressão arterial elevada e avaliada a necessidade de entubação. Ao mesmo tempo, deve ser feito rigoroso controle da temperatura corporal e da infusão endovenosa de fluidos, para manter a hidratação. As eventuais convulsões e mioclonias devem ser tratadas com diazepam e clorpromazina, respectivamente.

Quando corretamente tratados, muitos casos são solucionados rapidamente, em 24 horas, mas os sintomas podem persistir além desse tempo, se os pacientes tomaram medicamentos com meia-vida mais longa. Apenas 40% dos casos graves são admitidos em UTI e a mortalidade nestes casos é de cerca de 11%.

Para prevenir a síndrome serotoninérgica deve-se principalmente evitar o uso concomitante de dois ou mais medicamentos pró-serotoninérgicos e monitorar o surgimento dos primeiros sintomas.

As complicações agudas da síndrome serotoninérgica incluem coma, convulsões, rabdomiólise e coagulação intravascular disseminada.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Perda de cabelos...


A queda de cabelos acontece quando os fios de cabelo se soltam de seus respectivos folículos pilosos de maneira espontânea ou mediante pequenos esforços. Em primeiro lugar, deve-se fazer distinção entre queda de cabelo e calvície que é, na verdade, uma falta congênita de cabelos.

Muitas pessoas “assumem” a sua calvície e ela passa a ser uma questão normal e não mais um motivo para desconforto e tratamentos. A queda de cabelo, por outro lado, se constitui num problema angustiante para muitas pessoas, principalmente para as mulheres. Ela pode ser localizada ou generalizada, progressiva ou repentina, temporária ou permanente e pode acometer somente no couro cabeludo ou em quaisquer outras áreas do corpo.

A perda diária de 50 a 100 fios de cabelo é normal e fisiológica, sendo que esses fios são rapidamente repostos pelo organismo. Conforme se envelhece, essa queda aumenta e a reposição já não mais a compensa integralmente. Os fios de cabelo vão se tornando cada vez mais finos e rarefeitos. No entanto, se a perda de cabelo for mais acentuada, isso pode ter alguma coisa a ver com um problema de saúde.

A queda aumentada de cabelos é mais comum entre as mulheres e, em geral, preocupa mais a elas que aos homens. Afinal, os cabelos têm uma participação maior na estética feminina que na masculina. Além disso, as mudanças hormonais nelas podem levar mais facilmente à queda capilar. Essas mudanças podem ocorrer durante a gravidez, o parto ou na menopausa.

A causa exata da perda de cabelo vai determinar a quantidade de cabelos perdida, a velocidade com que isso acontece e que locais do corpo sofrerão mais com a perda de fios. Isso, no entanto, não deve ser motivo para pânico, pois todos os cabelos que caem serão repostos por novos fios! Além dos problemas hormonais femininos, outros problemas médicos também podem levar à queda de cabelo, como problemas na tireoide, alopecia, infecções no escalpe cabeludo, estresse, dietas mal balanceadas, flutuações hormonais e doenças da pele.

Alguns medicamentos também podem causar queda do cabelo como principalmente os usados em quimioterapias ou em artrite, depressão, problemas cardíacos, pressão alta e dengue. O estresse físico ou emocional pode deflagrar o quadro de alopecia areata, uma queda localizada de cabelo.

Por fim, a tricotilomania, transtorno psicológico em que a pessoa arranca compulsivamente os fios com as mãos, pode ser responsável por falhas no couro cabeludo e na barba.

No total, o couro cabeludo tem mais de 100 mil fios de cabelo. Existe uma queda e uma reposição naturais de cerca de 50 a 100 fios por dia. Certas condições genéticas ou fisiológicas e o envelhecimento podem acelerar essa queda e lentificar a reposição, fazendo com que os cabelos se tornem mais ralos. Algumas doenças da pele ou doenças sistêmicas podem fazer o mesmo efeito. Em alguns casos, a queda de cabelos é um efeito secundário de medicações.

A queda de cabelo difusa costuma ocorrer quando o corpo ou a mente estão debilitados. Os fios se soltam aleatoriamente de forma espontânea ou mediante pequenos esforços, como passar a mão pelos cabelos. Seja qual for a verdadeira causa dessa queda, o padrão é sempre o mesmo: a atividade da raiz do cabelo sofre uma perturbação que a faz degradar-se paulatinamente.

Entre os medicamentos que podem provocar queda de cabelo nenhum o faz tão marcantemente como alguns usados na quimioterapia para tratamentos de câncer. Nestes casos, a queda de cabelo só se torna visível algumas semanas após o início do tratamento, mas é reversível, e pode assumir proporções devastadoras e mesmo totais. Enquanto dura, as pessoas (principalmente as mulheres) costumam encobrir a queda de cabelos com perucas e/ou uso de chapéus ou bonés.

Outra causa comum de queda localizada dos cabelos é a alopecia androgênica. Nesses casos, os fios da linha da testa são preservados e a mulher não ganha entradas, mas o cabelo da parte de trás e do alto da cabeça vai ficando mais ralo. Raramente, penteados, escovas, chapinhas e tinturas fazem o cabelo cair, se não houver outro fator contribuinte, embora possam provocar a quebra do cabelo.

Outra situação em que os cabelos normalmente caem é logo após um parto. Algum tempo depois que o bebê nasce, os hormônios voltam ao normal e todo o cabelo que então não caiu, começa a cair.

Uma forma de queda localizada é a alopecia areata. Nesse caso, a perda dos pelos é rápida e pode progredir para a alopecia universal. Algumas pessoas podem sentir também queimação e/ou coceira na região afetada. Embora a alopecia seja mais frequente no couro cabeludo, também pode ocorrer na barba, sobrancelhas, braços e pernas.

A queda de cabelos é informada pelo próprio paciente, mas o especialista também dispõe de alguns testes que ajudam a constatá-la. Por outro lado, a observação dos cabelos ralos ou da falta de cabelos em regiões localizadas não deixa dúvidas sobre a questão.

Como a queda de cabelo pode ter diversas causas, o tratamento varia de acordo com cada uma. Portanto, somente um especialista (geralmente um dermatologista) pode dizer qual a causa e o melhor tratamento em cada caso, bem como indicar a dose correta dos medicamentos e a duração do tratamento.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Whey protein no café da manhã induz a uma maior redução da glicemia, perda de peso e saciedade


O whey protein deve ser considerado um importante coadjuvante no tratamento do diabetes tipo 2. Evidências substanciais reforçam a teoria de que um café da manhã com muita energia e proteína e um jantar reduzido é uma estratégia bem sucedida para a redução da glicemia pós-prandial geral (PPG), HbA1c e perda de peso (WL) em diabéticos obesos tipo 2 (DT2).

Algumas fontes de proteína, no entanto, têm ainda maiores efeitos do que outras no rebaixamento glicêmico. Particularmente o whey protein exerce um efeito insulinotrópico potente através do reforço de aminoácidos plasmáticos e de peptídeo tipo glucagon 1 (GLP-1) para reduzir a glicemia pós-prandial na DT2. Este estudo foi realizado para avaliar se um café da manhã rico em proteínas, contendo whey protein, tem um impacto maior sobre a PPG, HbA1c, perda de peso global e saciedade do que outras fontes diferentes de proteína.

Cerca de 50 diabéticos tipo 2 desde os 10,8 ± 2,5 anos, tratados com dieta ou dieta mais metformina, com idades de 58,9 ± 4,5 anos, IMC de 32,1 ± 0,9 kg/m² e HbA1c de 7,8±0,1%, foram escolhidos aleatoriamente para 12 semanas em uma das três dietas isocalóricas, com café da manhã rico em proteínas e energia (660 kcal), almoço (560 kcal) e jantar (280 kcal), com a mesma composição no almoço e jantar, mas com composição diferente de proteína (P) no café da manhã:

1.42 gramas de whey protein (WBd);
2.42 gramas de proteínas de diferentes fontes (PBd);
3.Café da manhã rico em carboidratos (CBd), com 17 g de proteína no café da manhã.

Todos os pacientes também foram submetidos a 3 testes de consumo durante o dia todo de refeições WBd, PBd e CBd.

Depois de 12 semanas, a perda de peso (PP) -3,8% na CBd, 6,8% na PBd e a maior PP foi encontrada na WBd, - 8,4 %.

Comparada à CBd, a porcentagem (%) de PP na PBd foi superior em 44%, e na WBd foi maior em 55%.

A redução da HbA1c (Hemoglobina glicada - lembra do post de ontem?) foi inferior na CBd em -0,36, na PBd foi de -0,6 e a maior redução foi encontrada na WBd, 0,89.

A % de mudança para HbA1c foi de 4,6% no CBd, de 7,7% na PBd e a maior redução na HbA1c ocorreu na WBd em 11,5%.

Em comparação à CBd a % da redução de HbA1c foi maior em 41% na PBd e em 64% na WBd (p<0,0001). Este estudo demonstra que o aumento do teor de proteínas no café da manhã tem um impacto significativo sobre a glicemia pós-prandial global, HbA1c, perda de peso e saciedade geral. No entanto, para o mesmo teor de proteína, o whey protein vs outras fontes de proteína, produz benefícios adicionais sobre a redução da glicemia pós-prandial global, HbA1c e para a perda de peso e o aumento da saciedade. O whey protein deve ser considerado um importante coadjuvante no tratamento do diabetes tipo 2.



Fonte: Trabalho apresentado na 52ª Reunião Anual da European Association for the Study of Diabetes, em Munique, no dia 13 de setembro de 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Hemoglobina glicada: o que é?



Além dos tradicionais exames da glicemia de jejum, glicemia pós-prandial e teste de tolerância à glicose para o controle de açúcar no sangue, pode-se ter dados sobre a glicemia média estimada nos últimos dois ou três meses, através da hemoglobina glicosilada (ou hemoglobina glicada ou, ainda, hemoglobina A1C, a principal fração de hemoglobina glicosilada).

O objetivo dessa medida é um melhor controle do diabetes, mantendo os níveis de glicose no sangue o mais próximo possível do normal. A glicemia média estimada é uma avaliação da média da glicemia nos últimos dois ou três meses e não corresponde a nenhuma dosagem isolada de glicose.

A hemoglobina glicosilada foi reconhecida como uma glicoproteína em 1968, mas o uso dela para monitorar o controle do metabolismo da glicose só foi proposto em 1976.

Pacientes com diagnóstico recente de diabetes devem fazer a medição da hemoglobina glicosilada para avaliar como estão seus níveis de glicemia. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia recomenda que em pacientes diabéticos ou pré-diabéticos o teste seja feito pelo menos duas vezes por ano. O exame pode ser realizado diversas vezes até que o controle desejado seja atingido e mantido.

O exame é também usado para o diagnóstico de diabetes. Entretanto, não deve ser usado em gestantes ou em pessoas que tiveram sangramento intenso ou receberam transfusões de sangue há pouco tempo, pessoas com doença crônica renal ou hepática ou pessoas com doenças sanguíneas.

A hemoglobina glicosilada permite um melhor controle em longo prazo dos níveis de glicose no sangue e uma melhor prevenção de complicações cardiovasculares, nefropatia, neuropatia e retinopatia.

Normalmente, o açúcar presente no sangue adere à hemoglobina em valores que variam paralelamente às taxas de glicemia. Quanto maior o tempo de hiperglicemia, mais a glicose se liga à hemoglobina e maior será a taxa de hemoglobina glicosilada. Essas taxas são expressas em percentagem e devem manter-se abaixo de 7% (idealmente, abaixo de 6%). Os resultados devem obedecer ao seguinte critério:

(1) não diabéticos: a hemoglobina glicosilada deve estar entre 4,0% e 6,0% e a glicose média estimada entre 68-126 mg/dL;

(2) pré-diabetes: a hemoglobina glicosilada está entre 5,7% - 6,4% e a glicose média estimada entre 117-126 mg/dL;

(3) diabetes: a hemoglobina glicosilada está acima de 6,5% e a glicose média estimada acima de 140 mg/dL.

Uma forma de cálculo a partir dos valores da hemoglobina glicosilada permite estimar os valores médios da glicemia nos últimos 2 a 3 meses.

Isso é possível porque cada hemácia é destruída e substituída a cada quatro meses (120 dias) e antes disso, as hemácias guardam uma “memória” dos níveis de glicose a que estiveram expostas, já que a molécula de hemoglobina, uma vez glicosilada, continua indefinidamente dessa mesma forma.

Por isso, quando examinada, ela revela, através de seus valores, aplicados a uma fórmula matemática, o nível de glicose a que as hemácias estiveram expostas.

Assim, como as hemácias não são todas submetidas à lise ao mesmo tempo, a medida é referida aos três últimos meses. A percentagem de hemoglobina glicosilada é então convertida em unidades de glicemia, segundo a fórmula 28,7 × Hemoglobina glicosilada – 46,7, para que o resultado possa ser comparado aos outros resultados da glicemia, obtidos da maneira tradicional, em um laboratório. Dessa forma, para uma hemoglobina glicosilada de 6,0%, por exemplo, a glicemia média estimada é de 126 mg/dL.

sábado, 8 de outubro de 2016

Alimentos com baixo índice glicêmico ajudam a emagrecer!


Os alimentos que possuem índice glicêmico (também chamado de IG) com valor igual ou menor que 55 são parceiros da dieta, já os que possuem IG acima de 56 atrapalham o emagrecimento se consumidos além da conta. Inclua uma porção de alimento de baixo IG nas três refeições principais do dia. Uma porção é igual a 1 fruta, 2 col. (sopa) de arroz ou 4 col. (sopa) para todos os outros itens da lista. Legumes e verduras podem ser comumidos à vontade.

Até 55 (baixo índice)

Cenoura crua (16)
Brócolis, pepino, berinjela, espinafre, alface, tomate e repolho (20)
Lentilhas (38)
Ravióli integral, leite integral e abobrinha (39)
Batata-doce e feijão-manteiga (44)
Pão integral, ervilha fresca e iogurte com açúcar (48)
Maçã (52)
Aveia (55)
Amendoim (21)

Coma apenas uma porção (de 100 g) de um alimento de médio IG e uma porção de um alimento de alto IG uma vez na semana.

Entre 56 e 69 (médio índice)

Suco de maçã (58)
Espaguete (59)
Laranja (62)
Pêssego em lata (67)
Arroz parboilizado (68)
Feijão cozido (69)
Biscoito de água (69)

Acima de 70 (alto índice)

Pão branco (100)
Mel (104)
Trigo cozido (105)
Batata frita (107)
Tapioca (115)
Batata cozida (121)
Chocolate (84)
Bolos (87)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Miopatias: o que são?


Miopatia (do grego: myo = músculo + páttheia = padecença, doença) é a designação genérica de várias afecções e doenças musculares. São enfermidades musculares alheias a qualquer distúrbio da inervação ou da junção neuromuscular. Nelas, as fibras musculares não funcionam normalmente, o que resulta em sintomas de diversas naturezas.

As miopatias têm várias causas, incluindo etiologia congênita ou herdada, infecciosa, metabólica, inflamatória, endócrina e/ou tóxica, induzida por drogas. Quando não há possibilidade de se determinar uma etiologia, a miopatia se diz idiopática. Pensa-se que as miopatias idiopáticas são imunomediadas ou associadas a doenças do tecido conjuntivo (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, poliarterite nodosa, etc).

Há também uma miopatia alcoólica aguda, mas, além da síndrome aguda, o álcool pode provocar uma miopatia mais crônica. Um defeito genético também tem sido associado a estas doenças.

As miopatias congênitas ou hereditárias são, na sua maioria, doenças crônicas, lentamente progressivas. As miopatias por causas metabólicas, inflamatórias, endócrinas e tóxicas podem ser agudas ou subagudas.

Algumas miopatias podem ocasionar paralisias periódicas devido a mudanças nas taxas sanguíneas de potássio, levando à disfunção muscular. Um defeito genético do canal de íons de sódio nas membranas das células do músculo também pode ser responsável pela paralisia, o que pode durar de horas a dias.

Os sintomas mais comuns da miopatia incluem fraqueza muscular, dores musculares e hipotonia. Os sinais e sintomas gerais são fraqueza muscular proximal simétrica, mal-estar, fadiga, urina escura devido à presença de mioglobinúria e/ou febre. Geralmente não há queixas sensoriais ou parestesias. No entanto, os reflexos tendíneos profundos podem estar diminuídos ou ausentes nas paralisias por deficiências de potássio.

Pode haver uma miopatia alcoólica aguda em pacientes com o hábito de consumir álcool, que se apresenta com dor muscular que envolve principalmente fraqueza dos membros e mioglobinúria. A significância da miopatia alcoólica aguda é que a precipitação de mioglobina nos túbulos renais pode causar necrose tubular aguda.

As suspeitas clínicas devem levantar a hipótese de miopatia, a ser confirmada pelos testes laboratoriais de creatina quinase, níveis de isoenzimas e de eletrólitos, cálcio e magnésio, níveis de mioglobina e creatinina sérica, ureia no sangue e níveis de nitrogênio.

O exame de urina revela a presença de mioglobinúria com poucas células vermelhas na avaliação microscópica. Além disso, deve ser feito um hemograma completo, taxa de sedimentação de eritrócitos, testes de função da tireoide, níveis de aspartato aminotransferase, eletrocardiografia, níveis de anticorpos antinucleares, testes genéticos e eletromiografia.

A ressonância magnética pode ser usada para avaliar complicações ou descartar a doença neurológica. Em último lugar, a biópsia muscular define o diagnóstico.

O tratamento de uma miopatia depende da sua etiologia e pode variar de simples suporte à terapia sintomática para as condições específicas. Não existe, pois, um tratamento único para todas as miopatias.

Os tratamentos atuais para os vários tipos de miopatias compreendem a terapia medicamentosa, fisioterapia, massagens, acupuntura e até mesmo cirurgia. Tais tratamentos podem incluir gestão das vias respiratórias e hidratação adequadas. Hidratação agressiva e, ocasionalmente, administração de manitol e furosemida para aumentar a diurese são essenciais para manter a função renal.

A avaliação cardiológica e respiratória é essencial em todos os casos de miopatia, pois muitas distrofias musculares se acompanham de comprometimento do músculo cardíaco e de redução da capacidade vital.

A morbidade e mortalidade das miopatias estão relacionadas à etiologia e à gravidade da doença, bem como à presença de comorbidades.

As complicações mais comuns das miopatias são arritmia cardíaca, hipertensão arterial, disfagia, dilatação gástrica aguda, parada respiratória, endocrinopatias, catarata, perda auditiva neurossensorial, convulsões, displasias cerebrais e morte precoce.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Rabdomiólise... O que é isso?


A rabdomiólise é a morte (lise) das fibras musculares devido a uma lesão muscular direta ou indireta, com liberação do conteúdo das fibras para a corrente sanguínea. Essas lesões se devem a fatores físicos, químicos ou biológicos. Trata-se de uma síndrome grave, que conduz a diversas complicações e que, em casos raros, pode até causar a morte. A doença e seus mecanismos foram elucidados pela primeira vez depois da Blitzkrieg (bombardeio alemão) de Londres em 1941.

Existem muitas causas de rabdomiólise. Mais comumente ela acontece durante grandes injúrias musculares como as que costumam ocorrer em desabamentos, terremotos ou acidentes automobilísticos, por exemplo, mas que também podem acontecer em outras situações como o uso de álcool ou de drogas ilegais, tensão muscular extrema, outras lesões por esmagamento, compressão muscular duradoura, uso de certos medicamentos, choque elétrico, queda de raio, grandes queimaduras, temperatura corporal muito alta, cetoacidose, algumas miopatias, infecções virais ou bacterianas e história anterior de rabdomiólise.

O exercício físico extenuante, realizado em condições de muito calor e alta umidade em pessoas com hidratação inadequada também pode resultar em rabdomiólise.

Na rabdomiólise a destruição dos músculos ocasiona a liberação de produtos nocivos das fibras musculares na corrente sanguínea, os quais afetam todo o organismo, sobretudo os rins.

Alguns deles, como a mioglobina, por exemplo, uma proteína relacionada à hemoglobina, podem causar complicações graves, como a insuficiência renal aguda. A hemoglobina transporta o oxigênio da periferia para os pulmões, retirando-o dos músculos. Já a mioglobina, ao contrário, armazena-o nos músculos.

Pode ser difícil de identificar os sinais e sintomas da rabdomiólise porque eles são muito variáveis e podem ocorrer numa área específica do corpo ou afetar o corpo todo.

Os sinais e sintomas mais comuns são dor muscular, especialmente nos ombros, coxas ou região inferior das costas, fraqueza muscular nos braços ou pernas, dor abdominal, náuseas e/ou vômitos, febre, aumento da frequência cardíaca, confusão, desidratação, perda da consciência, urina vermelho escuro ou marrom, urina reduzida ou nenhuma produção de urina.

A tríade sintomatológica clássica, que primeiro chama a atenção para pensar na doença, é composta por:

1.Mialgia (dores nusculares)
2.Fraqueza muscular
3.Urina escura

Além dos sintomas, a rabdomiólise somente pode ser diagnosticada através de valores aumentados no sangue de enzimas que normalmente existem nos músculos, como a creatino-quinase, a mioglobina e o lactato desidrogenase.

Além deles, devem ser medidos também os níveis de cálcio e potássio no sangue e de creatinina no sangue e na urina, que indicam se há ou não danos aos rins. Outros exames de urina também ajudarão a confirmar o diagnóstico. A presença de mioglobina na urina é uma indicação importante da rabdomiólise. Em virtude da presença da mioglobina na urina, liberada pelos rins em grande quantidade, a urina se torna vermelho-castanha.

No exame físico, o médico deve analisar as partes doloridas dos músculos maiores do corpo, para ver se o tecido muscular exibe sinais de ter morrido.

Esta enfermidade sempre requer atendimento médico imediato. O tratamento dependerá do quadro clínico. As formas graves demandam hidratação endovenosa para aumentar a velocidade de eliminação renal dos produtos nocivos liberados pelo músculo lesionado. O fluido de reposição deve conter bicarbonato para ajudar a combater o ácido no sangue devido à lesão muscular. O bicarbonato também ajuda a eliminar a mioglobina dos rins.

Se o paciente apresentar elevação do potássio, seus níveis devem ser prontamente baixados para evitar arritmias. Medicamentos à base de bicarbonato e diuréticos podem ser convenientes. Os níveis de potássio e cálcio podem ser corrigidos por reposição venosa. Quadros de insuficiência renal grave podem precisar temporariamente de hemodiálise.

O curso da rabdomiólise varia, dependendo de sua causa. Embora seja uma condição séria, o tratamento imediato muitas vezes traz um bom resultado. Nos casos mais simples da doença, apenas ocorrem elevações assintomáticas das enzimas e, nos mais graves, com risco de vida, acontecem elevações extremas de enzimas, desequilíbrio eletrolítico e lesão renal aguda.

As complicações podem ocorrer tanto nas fases iniciais como nas fases posteriores da doença. A lise das fibras musculares pode conduzir a complicações tais como insuficiência renal, quando os rins não conseguem remover os resíduos que se concentraram na urina. Essa é, de fato, a complicação mais temida da rabdomiólise.

Outras complicações podem provir do desequilíbrio eletrolítico, que pode causar disritmias e danificar as células de vários órgãos. Inflamações hepáticas e coagulação intravascular disseminada também são complicações possíveis da rabdomiólise.

Por fim, a rabdomiólise pode causar inchaço dentro dos músculos e pressão nas fáscias em torno deles, o que pode interromper o fornecimento de sangue para os músculos e destruir permanentemente o tecido muscular.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sangue na urina: o que pode ser?


O sangue pode aparecer na urina originalmente misturado a ela ainda no aparelho urinário ou como uma contaminação da amostra examinada por um sangramento originado de outros órgãos. A primeira dessas situações é conhecida medicamente como hematúria.

Nas mulheres, as amostras de urina colhidas no período menstrual frequentemente são contaminadas por sangue exógeno.

Geralmente a presença de sangue na urina não é motivo para alarme, mas como pode também ser um sinal de uma condição mais séria, não deve ser ignorada. Afinal, uma urina avermelhada sempre é sinal de que há algo de errado, seja simples ou grave. Pode ocorrer por discretos defeitos nos túbulos renais, que não possuem nenhuma relevância clínica, ou ser devido a um câncer dos rins ou da bexiga, por exemplo. É importante, pois, determinar a causa subjacente à presença de sangue na urina.

A hematúria pode provir dos rins, dos ureteres (os tubos urinários que vão dos rins até a bexiga), da bexiga e/ou da uretra (o tubo urinário que parte da bexiga e a liga com o exterior do corpo). As condições mais comuns de hematúria incluem infecções da bexiga ou dos rins, cálculos nos rins ou bexiga, doenças renais, hiperplasia benigna da próstata, câncer de próstata, doenças hereditárias, alguns medicamentos, tumor na bexiga, rim ou próstata, lesão renal por acidente e exercício vigoroso.

A hematúria, seja ela macroscópica ou microscópica, pode ser persistente ou intermitente, isto é, ser constante ou aparecer e desaparecer de tempos em tempos. Na hematúria dita isolada, o paciente não apresenta nenhum outro sinal ou sintoma além da presença de sangue na urina. Essa ocorrência é rara porque a maioria das doenças que provoca hematúria causa sintomas. Quando ocorre sem nenhum outro sinal, a presença de sangue na urina habitualmente indica uma doença benigna.

Dependendo da quantidade, o sangue na urina pode ser claramente visível (hematúria macroscópica) ou inaparente a olho nu e só detectada ao microscópio (hematúria microscópica). A presença visível de sangue na urina deixa sinais óbvios, sobretudo na coloração da urina. A presença de sangue é o primeiro deles, outro é a cor rosa, vermelha, marrom-avermelhada ou cor de chá.

A hematúria em si não ocasiona sintomas, mas vários sintomas podem aparecer em razão das enfermidades subjacentes. Assim, por exemplo, as infecções da bexiga (cistites) podem causar urgência de urinar, febre baixa, dor, ardor ao urinar e irritabilidade.

Nas infecções renais (pielonefrites) os sintomas podem incluir febre, calafrios e dor na região lombar.

No caso de cálculos renais, a dor abdominal ou pélvica em cólicas pode ser muito intensa e os sintomas podem incluir fraqueza, pressão sanguínea alta e inchaço.

Uma presença transitória de sangue na urina pode aparecer em seguida a determinados procedimentos médicos como biópsia de próstata, por exemplo. A mesma coisa pode acontecer após esforços físicos de grande intensidade, geralmente extenuantes. Esse tipo de sangramento não tem maior significado clínico se o paciente for jovem e saudável e não exige nenhuma investigação mais profunda.

Muitas vezes, o que parece ser sangue na urina é, na verdade, pigmento vermelho oriundo de outras fontes, tais como corantes alimentares, medicamentos ou uma quantidade excessiva de beterraba.

O diagnóstico compreende duas vertentes. Uma delas é constatar a presença de sangue na urina; a outra é descobrir a causa dela. Para isso, são necessários tanto exames de urina como de sangue e de imagem.

Os exames de urina podem incluir uma citologia para procurar células anormais na urina. Os exames de sangue podem mostrar níveis elevados de resíduos metabólicos que os rins deveriam remover e que podem ser um sinal de doença renal. Os exames de imagens podem incluir tomografia computadorizada, ressonância magnética ou ultrassonografia renal.

A urografia excretora é feita por meio de uma radiografia contrastada do trato urinário. A cistoscopia, feita por meio da inserção de uma pequena câmara no interior da bexiga através da uretra, permite uma visão direta do interior daquele órgão.

Em casos suspeitos de malignidade, uma biópsia pode ser obtida para verificar a presença de células anormais. Se indicada, uma biópsia também pode ser feira nos rins, com a retirada de uma pequena amostra de tecido renal para ser examinada ao microscópio.

Não há um tratamento específico para a hematúria, porque ela é um sintoma de várias condições diferentes. O tratamento deve visar a causa subjacente e, dependendo dela, em muitos casos, nem será necessário tratamento algum. Em outros casos, basta o afastamento de certos produtos químicos industriais ou parar de fumar cigarros.

Se nenhuma causa subjacente for inicialmente detectada, o paciente pode ser aconselhado a ter o teste de urina e a pressão arterial monitorados a cada três meses especialmente se tiver fatores de risco para o câncer de bexiga.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fluoxetina


Fluoxetina é um medicamento antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

A fluoxetina foi descoberto por Eli Lilly and Company , em 1972, e entrou o uso médico em 1986. Está na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde, os medicamentos mais importantes, necessários em uma base do sistema de saúde.

Suas principais indicações são para uso em depressão moderada a grave, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno alimentar, transtorno do pânico e de ansiedade.

É utilizado na forma de cloridrato de fluoxetina, como cápsulas ou em solução oral.

Foi sintetizada e comercializada inicialmente pela companhia farmacêutica Eli Lilly com o nome Prozac®.

Atualmente é comercializada no Brasil e em Portugal por vários laboratórios como medicamento genérico, estando sujeita a receita médica (ou até mesmo a retenção da receita).

A patente da Eli Lilly sob o Prozac expirou em agosto de 2001, despertando um influxo de genéricos ao mercado. Só nos Estados Unidos, mais de 19 milhões de prescrições genéricas foram efetuadas em 2006, colocando-a na terceira posição entre os antidepressivos mais receitados, após a sertralina e o escitalopram.

Em alguns países da Europa cerca de 3 a 7% da população faz uso de algum antidepressivo. Cerca de 80% do consumo é por mulheres.

No Brasil, segundo a ANVISA, o consumo cresceu cerca de 44% entre 2005 e 2009 movimentando cerca de um bilhão de reais por ano.

O consumo é alto no Centro-Sul (especialmente Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo) e mais de dez vezes menor no Norte-Nordeste.

Pode ocorrer em função da interrupção repentina, do esquecimento de doses ou da descontinuação de qualquer Inibidor seletivo da recaptação da serotonina.

Os sintomas mais comuns são: ansiedade, agitação motora, insônia, tonturas, vertigens, fadiga, náuseas, dores musculares, coriza, mal-estar, perturbações sensoriais e agravamento da depressão. Iniciam 12 a 48 horas após a última dose, durando em geral até duas semanas.

Ocorre com mais frequência na descontinuação da paroxetina, seguida do citalopram, da sertralina e da fluvoxamina. É recomendável:

- Alertar o paciente para o risco da síndrome se por acaso esquecer de tomar o medicamento ou interrompê-lo repentinamente;
- Reiniciar com uma dose por dia do medicamento para eliminar os sintomas e interromper o uso gradualmente;

Fármacos de meia-vida longa (fluoxetina) demoram mais para causar a síndrome (4 a 6 dias) e portanto devem ser recomendados a pacientes pouco aderentes.

Os efeitos colaterais mais comuns (mais de 1%):

- Insônia e/ou sonolência;
- Ansiedade e nervosismo;
- Fadiga(cansaço) e astenia(fraqueza);
- Perda ou aumento do apetite;
- Náuseas com ou sem diarreia;
- Tremores.

Em geral são efeitos que surgem no início do tratamento e diminuem ou desaparecem com o tempo.

Podem ocorrer, mas não são comuns: diarreia, secura na boca, hiperprolactinemia. Episódio maníaco (aceleração do pensamento e impulsividade), confusão mental, ideias de suicídio, discinesias(sensações táteis sem estímulos externos), trombocitopenias (redução do número de plaquetas no sangue), ginecomastia(aumento dos seios), mastodinia(dor nas mamas), dismenorreia (problema menstrual) e sangramento vaginal.

Como a maioria dos serotoninérgicos, pode causar diminuição do desejo sexual (libido), diminuição do prazer sexual (anorgasmia) e atraso na ejaculação.[23] Associação com buspirona ou bupropiona podem amenizar esses efeitos colaterais. Caso não seja suficiente, existem diversas outras opções de medicamentos antidepressivos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Fisioterapia pélvica em crianças ajuda a melhorar a constipação funcional


A constipação funcional (CF) é um problema comum na infância muitas vezes relacionada à disfunção muscular do assoalho pélvico. Pesquisadores holandeses compararam a eficácia da fisioterapia pélvica (FP) versus cuidados médicos padrão (CMP) em crianças com constipação funcional (CF).

Foi realizado um estudo multicêntrico, randomizado e controlado, com 53 crianças (5-16 anos de idade) com constipação intestinal definida pelos critérios de Roma III, em hospitais da Holanda, de dezembro de 2009 a maio de 2014. Cuidados médicos padrão (CMP) consistiam em educação, treinamento para usar o banheiro e uso de laxantes (n=26), enquanto a fisioterapia pélvica incluía os CMP além de intervenções fisioterapêuticas específicas (n=27).

Os resultados foram obtidos a partir de relatórios escritos por pediatras e pais dos pacientes. O desfecho primário foi a ausência de CF, de acordo com os critérios de Roma III, após um período de acompanhamento de seis meses. Os desfechos secundários foram os efeitos globais percebidos (variando de 1 a 9, com sucesso definido como pontuação ≥ 8), escalas de avaliações numéricas da qualidade de vida (pai e filho; escala 1-10) e pontos fortes e dificuldades no questionário.

O tratamento foi eficaz para 92,3% das crianças que receberam FP e 63% das crianças que receberam CMP.

Significativamente mais crianças submetidas à FP pararam de usar laxantes.

O sucesso do tratamento (com base no efeito percebido global) foi alcançado por 88,5% dos indivíduos que receberam FP versus 33,3% dos indivíduos que receberam CMP.

A FP também produziu maiores diferenças médias ajustadas, antes versus após o tratamento, nas escalas numéricas para avaliar a qualidade de vida: um aumento de 1,8 ponto para os pais e 2,0 pontos para as crianças.

Os resultados dos pontos fortes e dificuldades apresentadas no questionário não diferiram significativamente entre os grupos.

Concluiu-se que neste estudo controlado, randomizado, de crianças com CF, a fisioterapia pélvica foi mais eficaz do que os cuidados médicos padrão em todos os resultados medidos, com exceção dos resultados dos pontos fortes e dificuldades apresentadas no questionário.

A FP deve ser considerada como uma opção de tratamento para a CF em crianças de 5 a 16 anos de idade.



Fonte: Gastroenterology, publicação online, de 17 de setembro de 2016

sábado, 1 de outubro de 2016

Resfriado comum


A nasofaringe (parte nasal da faringe) é uma extensão posterior da cavidade nasal, acima do palato mole, composta por tecido linfoide, que faz parte do sistema orgânico de defesa. É conectada à cavidade timpânica através da tuba auditiva, que permite a passagem de ar entre as cavidades e, consequentemente, a manutenção do equilíbrio de pressão entre elas. A nasofaringe é revestida por um epitélio colunar, produtor de secreção e provido de cílios que são responsáveis pela remoção do muco.

A nasofaringite é uma doença infecciosa viral ou (raramente) bacteriana contagiosa, do sistema respiratório superior. É uma das doenças infecciosas mais comuns em humanos, sobretudo em crianças, adolescentes e adultos jovens. Normalmente, os vírus se hospedam nas mucosas da faringe, sobretudo no outono ou inverno.

A nasofaringite é uma infecção causada por mais de 200 vírus, entre eles os picornavírus, os rinovírus, os coronavírus e os vírus da influenza. Esses vírus existem universalmente em todas as pessoas, mas a influência patogênica deles pode ser aumentada por quedas do sistema imunológico ou deficiências alimentares. Bem mais raramente, a infecção também pode ser causada por bactérias.

Fatores que favorecem a nasofaringite são:

1.A frequência a infantários (creches, escolas, albergues, etc.), em que as crianças ficam mais expostas a grande concentração de vírus e bactérias, além de ainda não terem o sistema de defesa orgânica totalmente desenvolvido.
2.A alergia respiratória, que leva à inflamação e favorece a colonização pelos vírus ou bactérias.
3.O desmame precoce, já que quando as crianças deixam de mamar muito cedo, elas ficam com menos defesas orgânicas.
4.O tabagismo, pois o fumo irrita a mucosa das vias aéreas e favorece as inflamações e infecções.

A nasofaringite se inicia com febre moderada e sensação de nariz entupido. Os fluidos inicialmente são translúcidos e, com o passar do tempo, vão se tornando mais espessos, com o desenvolvimento da infecção. Os principais sintomas da nasofaringite são dor de garganta, coriza, congestão nasal, espirros, olhos congestionados (avermelhados), tosse, vômitos e diarreias.

Não há exames específicos para diagnosticar a nasofaringite. O diagnóstico da condição é feito pelos sintomas da doença. Em virtude da grande frequência da enfermidade e da tipicidade de seus sintomas, a nasofaringite costuma ser reconhecida como tal mesmo pelo leigo.

Não há medicamentos antivirais específicos para curar a infecção; os medicamentos comumente utilizados tratam somente os sintomas. Medidas como repouso, ingestão de líquidos, gargarejo com água morna e sal, medicamentos para a tosse, sprays para o nariz e a garganta, são todas apenas sintomáticas. São ainda importantes: a higiene e a aspiração nasal, o uso de analgésicos ou antipiréticos, a hidratação e, quando indicado, o uso de antibióticos. O uso de antibióticos só é feito se houver complicações, como, por exemplo, otite, laringite, sinusite e/ou bronquite.

Nas populações comuns, as nasofaringites são autorresolutivas, dentro de uma ou duas semanas. Entretanto, em populações em que elas não existam (como entre alguns indígenas, por exemplo), ela pode ter um efeito mortal devastador.

A nasofaringite pode ser prevenida por meio da vacina contra a gripe, que deve ser tomada anualmente. Por outro lado, na medida do possível, a pessoa sadia deve evitar ter contato com pessoas doentes, sobretudo em ambientes fechados. O ar muito seco e quente favorece as nasofaringites e, por isso, deve-se umidificar os ambientes.

Em geral, as nasofaringites não apresentam complicações, mas se elas existirem, as mais comuns são as coinfecções oportunistas e as superinfecções, tais como bronquite aguda, bronquiolite, difteria ou crupe, pneumonia, sinusite, otite média ou faringite estreptocócica. Pessoas com doenças pulmonares crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), são especialmente vulneráveis à nasofaringite.