Hepatite C


A hepatite C é uma doença infecciosa que afeta sobretudo o fígado e que pode ser aguda, mais raramente, ou crônica, mais frequentemente. Existem seis genótipos de vírus denominados de 1 a 6 sendo o genótipo 1 o mais comum e o mais difícil de tratar.

A hepatite C é causada pelo vírus da hepatite C, o VHC. O contágio do vírus é feito sobretudo pelo uso compartilhado de seringas, transfusões de sangue, material médico mal esterilizado ou práticas clínicas pouco seguras. Num certo número de casos a causa do contágio permanece desconhecida. Outras formas menos frequentes de transmissão envolvem relações sexuais, piercings, tatuagens e compartilhamento de objetos de uso pessoal. As pessoas em maiores riscos são as que estiveram em diálise renal, as que têm contato com sangue, como os profissionais de saúde, as que têm contato sexual não protegido, as que compartilham seringas com outras pessoas, as que receberam transfusão de sangue não analisado, as que fazem tatuagem ou acupuntura, as que receberam derivados do sangue ou órgãos sólidos, as que compartilham itens pessoais, como escovas de dente, barbeadores etc. e as que nasceram de uma mãe infectada com hepatite C.

A hepatite C muitas vezes fica assintomática durante alguns anos. Passados 20 a 30 anos, a infecção crônica pode levar à cirrose do fígado, à insuficiência hepática ou ao câncer do fígado. Cerca de 15% das pessoas acometidas apresentam sintomas agudos, os quais, no entanto, são pouco intensos e imprecisos: falta de apetite, fadiga, náuseas, dores musculares ou nas articulações e perda de peso. Em alguns casos a infecção pode desaparecer por si só, o que ocorre com mais frequência em indivíduos jovens do sexo feminino. A maioria das pessoas expostas ao vírus contraem uma infecção crônica. Durante anos os infectados não notam qualquer sintoma. Às vezes há uma ligeira fadiga, dificilmente atribuível à doença. Outros sintomas que podem ocorrer, com a característica de que às vezes passam desapercebidos ou são atribuídos a outras causas, são: dor abdominal ligeira, urina escura, febre, prurido, icterícia, inapetência, náuseas, fezes pálidas e vômitos, entre outros. A cirrose e câncer do fígado desenvolvem-se mais frequente entre alcoolistas e em indivíduos do sexo masculino.

O diagnóstico da hepatite C normalmente se inicia com um exame de sangue que detecte a presença de anticorpos do VHC e níveis elevados das enzimas hepáticas, os quais, no entanto, guardam pouca relação com a intensidade da doença. Esses exames não conseguem fazer a distinção entre infecções agudas ou crônicas. O diagnóstico definitivo da hepatite C e da fibrose que ela pode causar é feito pela biópsia hepática. Hoje em dia há exames de imagens que procuram substituir a biópsia, avaliando o grau de fibrose do fígado. Os danos hepáticos causados pela hepatite C e suas complicações podem ser avaliados e acompanhados pelas provas de função hepática e pelo tempo de protrombina.

O tratamento da hepatite C geralmente é feito com uma combinação de interferon com antivirais. A taxa de sucesso do tratamento está entre 50 e 80%. Aqueles indivíduos que desenvolvam cirrose ou câncer do fígado podem vir a necessitar de transplante de fígado, embora o vírus possa voltar a se manifestar. Os portadores de hepatite C devem ser aconselhados a evitar bebidas alcoólicas e quaisquer medicamentos que apresentem toxicidade para o fígado. Pacientes que tenham cirrose devem manter vigilância do hepatograma, através da ecografia.

As respostas favoráveis ao tratamento medicamentoso variam conforme o genótipo do vírus.

Os pacientes com hepatite C parecem ser mais sensíveis à hepatite A e B e por isso devem tomar as vacinas contra essas formas da hepatite.

Ainda não há uma vacina eficaz contra a doença, no entanto, existem algumas em fase de desenvolvimento.

É importante o rastreio adequado dos doadores de sangue ou órgãos e adesão das unidades de saúde aos princípios básicos de precaução.

As complicações maiores e mais temíveis da hepatite C são a cirrose hepática e o câncer de fígado.

Pode haver complicações da cirrose que representam risco imediato de vida, como as varizes gastroesofagianas.

A cirrose hepática pode levar à hipertensão porta, acúmulo de líquidos no abdome, hemorragias e encefalopatia.
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