Acidose lática


Acidose é a condição em que os fluidos corporais contêm mais ácido que o normal. A acidez do sangue é medida pela determinação do seu pH. O pH normal do sangue deve ficar em torno de 7,4. Um pH abaixo disso significa que o sangue é ácido, enquanto que um pH mais elevado significa que o sangue é básico.

Há dois tipos de acidose: respiratória e metabólica. A acidose respiratória ocorre quando o gás carbônico (CO2) acumula-se no corpo em virtude de alguma patologia pulmonar. Já a acidose metabólica começa nos rins, em vez de nos pulmões. Ela ocorre quando esses órgãos não podem eliminar o ácido de maneira eficiente ou quando eles eliminam um excesso de base.

Existem três principais formas de acidose metabólica: (1) acidose diabética em pessoas com diabetes mal controlado; (2) acidose hiperclorêmica, devido a uma perda de bicarbonato de sódio; (3) acidose láctica, devido a um excesso de ácido láctico no corpo.

O ácido láctico é o produto final da metabolização anaeróbica da glicose nos tecidos. Na eventualidade da carência de oxigênio, o ácido láctico é produzido como o ciclo anaeróbio é utilizado para a produção de energia. O lactato sai das células e é transportado para o fígado, onde é oxidado de volta à glicose. Seu excesso representa aumento do metabolismo anaeróbio devido à hipoperfusão tecidual. Com um débito persistente de oxigênio tem-se a acidose láctica.

A acidose láctica é causada pelo acúmulo de ácido lático no corpo e é uma forma distinta de acidose metabólica. A hipóxia e hipoperfusão teciduais forçam as células a metabolizar a glicose, anaerobicamente, e isso resulta na formação de ácido láctico. A acidose láctica é caracterizada por níveis de lactato maiores do que 5 mmol/L e pH sérico menor do que 7,35.

A acidose metabólica pode ocorrer

(1) quando o corpo produz muito ácido,
(2) os rins não conseguem remover o ácido produzido normalmente pelo organismo ou então
(3) quando algum problema nos pulmões causa acúmulo de dióxido de carbono no sangue.

A acidose lática ocorre quando as células do corpo não têm oxigênio em nível suficiente para seu uso e então produzem o ácido lático a partir de hidratos de carbono, o qual se acumula no sangue, causando acidose. Algumas condições médicas são fatores de risco para a acidose láctica: distúrbios renais e pulmonares, doenças do fígado ou do coração, diabetes, câncer, síndrome da imunodeficiência adquirida, certas doenças genéticas e o uso de alguns medicamentos.

Quando os níveis de oxigênio de uma pessoa caem muito abaixo do normal, o organismo começa a metabolizar hidratos de carbono para atender às necessidades de energia do corpo e, isso, leva à criação de ácido láctico. Os níveis de ácido láctico podem aumentar durante o exercício extenuante e quando certas doenças ou distúrbios reduzam o fluxo de sangue e oxigênio.

A acidez reduz o pH do sangue e torna a respiração mais profunda e mais rápida, porque o corpo tenta liberar o excesso de ácido no sangue. Além disso, os rins também podem ficar sobrecarregados com a necessidade de excretar uma quantidade maior de ácido na urina.

De início os sintomas da acidose láctica são, entre outros menos comuns, dor abdominal, náusea persistente e vômitos. A pessoa pode também sentir frio, especialmente nos braços e pernas, cansaço e fraqueza muscular. Adicionalmente, podem incluir respiração rápida, dificuldade respiratória, sudorese, pele úmida e mau hálito. Em virtude da baixa de oxigênio, as extremidades (mãos e pés) podem ficar azuladas ou arroxeadas e o indivíduo pode tornar-se sonolento e sofrer tonturas.

A acidose láctica pode ser detectada e monitorada através de exames de sangue. Identificar a acidose láctica clinicamente pode ser difícil porque os sintomas são parecidos aos de outras condições mórbidas. Isso pode ser especialmente problemático quando a pessoa tem outra doença crônica.

O tratamento sintomático da acidose lática consiste em administrar medicamentos para tornar o sangue mais alcalino. O tratamento principal consiste em identificar e corrigir a causa subjacente da doença que esteja causando o problema, o que pode exigir a administração de novos medicamentos. Em casos mais graves, a diálise peritoneal é outra possibilidade de tratamento.

Se não tratada, a acidose láctica pode progredir para um aumento do fígado, baixa da pressão arterial, ritmo cardíaco lento, batimento cardíaco irregular, desmaios e coma. A acidose láctica não tratada ou com tratamento tardio pode ser fatal.
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