Estiramento da virilha


Os músculos adutores da coxa são estabilizadores do quadril e desempenham importante papel durante da corrida. O estiramento destes músculos é relativamente frequente e acomete entre 10 e 18 % dos esportistas.

A lesão aguda geralmente ocorre durante a atividade física e caracteriza-se por um movimento de abdução forçada contra a resistência (afastamento lateral da coxa). Neste momento o atleta apresenta uma dor súbita na região da virilha, irradiando para a parte medial (interna) da coxa e às vezes para a região abdominal baixa. O hematoma após a lesão é frequente e pode às vezes atingir grandes proporções.


Alguns fatores de risco podem ser apontados nas lesões dos adutores, como a diminuição da força, a limitação no afastamento das coxas e o baixo condicionamento muscular.

Além disto podemos encontrar anormalidades biomecânicas nos membros inferiores, como a pronação excessiva dos pés, a assimetria dos membros inferiores (diferenças de comprimento), o desequilíbrio muscular e a fadiga.

Embora não haja estudos controlados para comprovar os últimos fatores predisponentes, programas de prevenção têm focado em alguns destes fatores, propiciando uma prevenção mais efetiva destas lesões.

O exame físico é marcado pela dor localizada na região da virilha ou na parte medial da coxa (região interna), palpação dolorosa da musculatura envolvida e dor na realização do movimento ativo de adução (aproximação das coxas).

Devemos lembrar que outras lesões podem simular os mesmos sintomas e sinais do estiramento dos adutores, como a compressão do nervo obturatório no quadril, a sinfisite púbica e outras doenças do quadril.


A localização da lesão também apresenta implicação na evolução do tratamento, pois aquelas localizadas na transição músculo-tendão, que são as mais frequentes, apresentam maiores condições de reparo do que nas áreas de transição tendão-osso onde a vascularização é mais limitada.

Os exames de imagem como o ultrassom e a ressonância magnética podem ser usados para identificar e confirmar o diagnóstico formulado durante a história e o exame clínico.

Lesões de grandes proporções (superiores a 50 % do músculo apresentam tendência a sequelas, como formação de áreas de fibrose, dolorimento tardio e perda da flexibilidade local.

O tratamento deve incluir repouso relativo, permitindo as atividades de vida diária suportadas pelo paciente, uso de muletas na fase aguda, bolsas de gelo sobre o local doloroso, anti-inflamatórios não esteroides e analgésicos sob prescrição médica e fisioterapia (crioterapia eletroterapia, massagem, exercícios ativos progressivos, hidroterapia).

Finalmente o atleta retorna ao esporte em 3 a 8 semanas dependendo da lesão e da forma de tratamento empregada.

Nas lesões crônicas não tratadas, o uso dos anti-inflamatórios não tem se mostrado eficiente na literatura. A fisioterapia através de vários métodos pode levar meses até que as sensações de dor e limitação dos movimentos sejam normalizadas, o que algumas vezes pode não acontecer definitivamente.

As lesões dos músculos adutores podem ser recorrentes e muitas vezes são causadas por retorno precoce ao esporte, sem que a lesão tenha sido adequadamente diagnosticada e tratada. A ausência de dor no repouso ou nos movimentos de baixa intensidade não significa que a lesão está curada. O mais comum nestas lesões é a pessoa voltar a sentir dor em 2 a 3 semanas após o primeiro episódio.

O tratamento cirúrgico está indicado nos casos de dor crônica após 6 meses de tratamento conservador e está indicado em condições especiais após avaliação criteriosa de um especialista.

Devemos atentar para os fatores predisponentes no sentido de evitar que tais complicações voltem a ocorrer, pois as lesões subsequentes podem causar limitações mecânicas e também emocionais para a continuidade do esporte.

Portanto, trate suas lesões o mais rapidamente possível para evitar sequelas!


Dr. Lucas Nogueira Mendes
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Duloxetina: para tratamento de dores neurogênicas e enxaquecas.

Exame de urina

Equimoses