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sábado, 30 de abril de 2016

Malária: para refrescar a memória


Malária é uma doença prevalente nos países de clima tropical e subtropical. Também conhecida como sezão, paludismo, maleita, febre terçã e febre quartã, o vetor da doença é o anofelino (Anopheles - veja a imagem), um mosquito parecido com o pernilongo que pica as pessoas, principalmente ao entardecer e à noite.

O ciclo da malária humana é homem-anofelino-homem. Geralmente é a fêmea que ataca porque precisa de sangue para garantir o amadurecimento e a postura dos ovos. Depois de picar um indivíduo infectado, o parasita desenvolve parte de seu ciclo no mosquito e, quando alcança as glândulas salivares do inseto, está pronto para ser transmitido para outra pessoa.

A Amazônia é a região do Brasil onde ocorrem 98% dos casos de malária.

Existem mais de cem tipos de plasmódio, o parasita da malária. Dos que infectam o homem, quatro são os mais importantes: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. A doença provocada pelo vivax é a mais comum e a provocada pelo malariae, a menos grave. Já a provocada pelo ovale é típica da África.

O plasmódio desenvolve um ciclo sexuado dentro do organismo do mosquito e um assexuado no organismo humano. Depois de 30 minutos que entrou na circulação sanguínea do homem, alcança o fígado e vai-se multiplicando dentro das células hepáticas até que elas arrebentam. Então, eles se espalham no sangue e invadem os glóbulos vermelhos, onde se reproduzem a tal ponto que eles se rompem também.

A transmissão da malária pode ocorrer pela picada do mosquito, por transfusão de sangue contaminado, através da placenta (congênita) para o feto e por meio de seringas infectadas.

Os sintomas mais comuns são febre alta, calafrios intensos que se alternam com ondas de calor e sudorese abundante, dor de cabeça e no corpo, falta de apetite, pele amarelada e cansaço. Dependendo do tipo de malária, esses sintomas se repetem a cada dois ou três dias.

O período de incubação depende do tipo de malária, mas varia de 7 a 28 dias a partir do momento da picada.

Caso a pessoa tenha febre depois de ter visitado áreas de risco, a possibilidade de ter contraído malária deve ser levada em consideração. Para confirmar o diagnóstico, existe um exame de lâmina, também chamado de gota espessa ou esfregaço, que consiste em puncionar a ponta de um dedo para obter uma gota de sangue e analisá-lo.

Não existe vacina contra a malaria, uma doença autolimitada, mas que pode levar à morte se não for tratada em determinados casos. O tratamento padronizado pelo Ministério da Saúde é feito por via oral e não deve ser interrompido para evitar o risco de recaídas.

O medicamento indicado para a malária vivax é bem tolerado e não provoca efeitos colaterais. O mesmo não acontece com os indicados para a malária falciparum, o que dificulta seu uso nesse caso.

Recomendações

* Use repelente no corpo todo, camisa de mangas compridas e mosquiteiro, quando estiver em zonas endêmicas;

* Evite banhos em igarapés e lagoas ou expor-se a águas paradas ao anoitecer e ao amanhecer, horários em que os mosquitos mais atacam, se estiver numa região endêmica;

* Procure um serviço especializado se for viajar para regiões onde a transmissão da doença é alta, para tomar medicamentos antes, durante e depois da viagem;

* Não faça prevenção por conta própria e, mesmo que tenha feito a quimioprofilaxia, se tiver febre, procure atendimento médico;

* Nunca se automedique.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ó TEMPOS… O POEMA DE GIORDANO BRUNO




Dizei-me, qual é o meu crime? Suspeitai, sequer?
E me acusais, sabendo que nunca delinqui!
Queima-me, porque amanhã, onde acendeis o fogo,
A História levantará uma estátua para mim.
Eu sei que me condena vossa suma demência,
Por quê? ... Porque busquei da verdade as luzes,
Não em vossa falsa ciência que o pensamento obscurece
Com dogmas e mitos roubados de outra era,
Mas no livro eterno do mundo do universo
que encerra entre suas páginas de imensa duração;
as sementes abençoadas de um futuro frutífero,
baseado na justiça, fundado na razão.
Bem sabeis que o homem, se ele procura em sua consciência,
a causa das causas, o último por que
há de trocar muito em breve, a Bíblia pela ciência,
os templos por escolas, a razão pela fé.
Eu sei que isso vos assusta como vos assusta tudo
tudo grande, e gostarias de poder me desmentir.
Além disso, vossa consciência, submersa na lama
de um servilismo que faz gemer a lástima ...
Mesmo ali, no fundo, bem sabeis que a idéia,
é intangível, eterna, divina, imaterial ...
Que não é ela o Deus e a religião vossas
Senão o que forma com suas mutações, a história do mundo.
Que é ela que extraia vida do ossuário
que torna o homem de pó em criador,
a que escreveu com sangue a cena do Calvário,
depois de escrever com luz, a do Tabor.
Mas sois sempre os mesmos, os velhos fariseus,
Aqueles que rezam e se prostram aonde podem ser vistos,
fingindo fé, sois falsos ao chamar por Deus, ateus
Chacais que a um cadáver buscais para roer! ...
Qual é a vossa doutrina? Trama de mentiras,
vossa ortodoxia, embuste; vosso patriarca, um rei;
lenda é a vossa história, fantástica e estranha.
Vossa razão, a força; e o ouro, vossa lei.
Tendes todos os vícios dos antigos gentios
Tendes a bacanalia, sua pérfida maldade;
como eles sois farsantes, hipócritas e vis.
Quereis, como eles queriam, matar a verdade;
Mas... Vão é o vosso empenho... Se nisto há algum;
sou eu a quem a História, no futuro dirá;
"Eu respeito aqueles que morrem como morreu Bruno"
E quanto aos vossos nomes... Quem os lembrará?


Ah... prefiro mil vezes minha morte à vossa sorte;
Morrer como eu morro... Não é uma morte. Não!
Morrer assim é a vida; e vosso viver, a morte
Então, quem triunfará não será Roma, serei eu!
Informem vosso Papa, vosso senhor e mestre,
Diga a que a morte me entregou como um sonho,
porque é a morte um sonho que nos conduz a Deus...
Mas não a este sinistro Deus, com vícios e paixões
que ao homem dá a vida e, ao mesmo tempo, sua maldição,
Senão ao Deus-ideia, que em mil evoluções
dá forma à matéria, e vida à criação.
Não o Deus das batalhas, mas o Deus do pensamento,
o Deus da consciência, o Deus que vive em mim,
O Deus que anima o fogo, a luz, a terra, o vento,
O Deus das bondades, não o Deus de ira sem fim.
Diga a ele que dez anos, com febre, com delírio,
Com fome, não puderam minha vontade quebrar,
Que negue Pedro ao Mestre Jesus, que a mim ante o martírio
da verdade, sabeis que não me fareis apostatar.
Agora basta! ... Eu vos aguardo! Dê fim à sua obra,
Covardes! O que vos detém? ... Temeis o futuro?
Ah ... Tremeis... É porque vos falta a fé que a mim me sobra...
Olhai para mim... Eu não tremo... E sou eu quem vai morrer! ...

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Poliglobulia


Poliglobulia ou policitemia é uma doença rara, caracterizada pela excessiva quantidade de eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sangue, resultante de uma produção exagerada dessas células pela medula óssea. Nos casos em que a causa desta produção excessiva não é identificada, fala-se em poliglobulia primária; quando há uma doença subjacente conhecida, denomina-se poliglobulia secundária.

Entre os 50 a 60 anos de idade, pode ocorrer um descontrole nos mecanismos responsáveis pela síntese dos eritrócitos, sem uma razão aparente, levando a um aumento significativo na produção destas células sanguíneas e, consequentemente, à poliglobulia primária. A poliglobulia secundária é ocasionada por diferentes patologias e circunstâncias médicas que resultam num intenso aumento da produção de eritrócitos pela medula óssea. Isso pode ocorrer em indivíduos que vivem em grandes altitudes, bem como em resposta a diferentes afecções, como, por exemplo, patologias bronco-pulmonares, certas malformações cardíacas, intoxicações ou em alterações hereditárias que levem a um defeito na hemoglobina e à presença de certos tumores.

Os glóbulos vermelhos (eritrócitos, também chamados hemácias) são produzidos pela medula óssea. Eles são responsáveis por levar o oxigênio dos pulmões para o resto do corpo. Tipicamente, o aumento da produção desses glóbulos é causado pela falta de oxigenação tecidual que leva a uma estimulação da produção de eritropoetina (hormônio responsável por estimular a medula óssea) e, como consequência, a uma elevação na produção de eritrócitos, objetivando aumentar o transporte de oxigênio para controlar a situação. Tal processo ocorre naturalmente em indivíduos que vivem em grandes altitudes, bem como em resposta a diferentes afecções que prejudicam a oxigenação do sangue, nas quais há insuficiência do funcionamento da hemoglobina ou alterações hereditárias que levem a um defeito dela. A presença de certos tumores também pode ocasionar uma elevação na produção de eritropoetina.

A poliglobulia se manifesta por meio de sintomas como fadiga, cefaleia, dispneia, vertigem, zumbidos nos ouvidos, visão embaçada, dificuldade de concentração, sonolência, adormecimento das extremidades, sudorese e ardor generalizado. Como consequência do aumento de produção de eritrócitos sanguíneos, ocorre, entre outras coisas, um aumento da viscosidade do sangue, o que causa dificuldades circulatórias. Geralmente, ocorrem também alterações na cor da pele, sendo que na poliglobulia primária ela se apresenta avermelhada, enquanto que quando o problema tiver origem na reduzida oxigenação tecidual, a pele apresenta-se azulada ou arroxeada (cianose). O espessamento do sangue também pode ocasionar alterações na coagulação, que passa a formar trombos e coágulos. Ao mesmo tempo, podem ocorrer hemorragias nasais e/ou gengivais, pois a quantidade elevada de células sanguíneas impossibilita a formação de coágulos normais. Em alguns casos, pode haver esplenomegalia (aumento do tamanho do baço), uma vez que a função do baço de destruir eritrócitos é forçada para além do normal. A estimulação da medula óssea resulta em aumento de produção não só dos eritrócitos, mas também de leucócitos e plaquetas.

A poliglobulia pode ser suspeitada a partir do histórico médico do paciente, mas o exame de sangue é o padrão ouro de diagnóstico. Nos exames de sangue, os níveis de hemoglobina são superiores a 16,5 g/dl em mulheres e 18,5 g/dl em homens adultos. O hematócrito normalmente tem um valor maior do que 48 g/dl em mulheres e 52 g/dl em homens. O diagnóstico da causa da poliglobulia, no entanto, exigirá outros exames.

O tratamento da poliglobulia dependerá de sua causa. O tratamento da poliglobulia primária, de causa provavelmente genética, é feito pela retirada de sangue com uma seringa, 2 a 3 vezes por semanas, para que o valor do eritrócito se normalize. Contudo, a produção de eritrócitos pela medula óssea pode ser tão intensa que se faz necessária a aplicação de radioterapia e/ou quimioterapia para freá-la. Nos casos da poliglobulia secundária, a solução consiste na resolução do fator desencadeante, juntamente com as extrações de sangue. Se, por qualquer motivo, a flebotomia não for recomendada, o médico pode lançar mão, preventivamente, dos antiagregantes plaquetários.

Algumas condutas como reduzir o peso, parar de fumar e fazer exercícios regulares podem melhorar a oxigenação dos tecidos e diminuir a necessidade de produção de novas hemácias.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Hiperventilação: conhece?


A síndrome de hiperventilação constitui-se numa emergência médica relativamente comum. É uma condição na qual a frequência respiratória (ventilação) por minuto excede as demandas metabólicas, resultando em alterações hemodinâmicas e químicas que produzem sintomas característicos, os quais também podem ser produzidos pela hiperventilação voluntária. A melhor denominação para esta síndrome pode ser falta de ar comportamental ou dispneia psicogênica, com a hiperventilação sendo vista como uma consequência e não uma causa da condição.

O mecanismo subjacente pelo qual alguns pacientes desenvolvem hiperventilação permanece desconhecido. Uma teoria sugere que certos fatores podem provocar uma resposta respiratória exagerada. Vários destes fatores foram identificados, incluindo perturbação emocional, excesso de lactato de sódio, cafeína, isoproterenol, colecistoquinina e dióxido de carbono.

Uma predisposição para a síndrome de hiperventilação também pode ter raízes na infância, como pais superprotetores, por exemplo. Uma situação estressante súbita mais tarde na vida também pode incitar o primeiro episódio da síndrome. Além disso, tem sido demonstrado que níveis elevados de dióxido de carbono também induzem sintomas de pânico e de hiperventilação, na maioria dos pacientes com predisposição para distúrbios do pânico.

A razão da síndrome de hiperventilação encontra-se parcialmente apoiada na mecânica respiratória. Pacientes com essa síndrome tendem a respirar através do tórax superior ao invés de usar o diafragma. O volume corrente normal de ar respirado varia entre 35 a 45% da capacidade vital, mas a retração da parede torácica resiste à hiperinsuflação dos pulmões e a inspiração para além destes níveis é percebida como esforço. Quando o estresse induz a uma respiração mais profunda, ela é percebida como dispneia, criando ansiedade e, novamente, respiração profunda, num círculo vicioso. Outra teoria é que os pacientes com transtorno do pânico têm um limiar mais baixo para a resposta de luta ou fuga, sendo mais suscetíveis à hiperventilação, mesmo diante de tensões menores. A incidência da síndrome de hiperventilação é maior em parentes de primeiro grau do que na população em geral, mas nenhum fator genético claro foi ainda identificado.

A fisiopatologia subjacente da síndrome de hiperventilação ainda não foi claramente elucidada. A infusão venosa de lactato provoca sintomas de pânico e hiperventilação em 80% dos pacientes com prévios episódios de transtorno de pânico. O metabolismo anormal de lactato parece estar envolvido na patogênese, embora a anormalidade ainda não tenha sido exatamente caracterizada. Além disso, níveis elevados de dióxido de carbono tem se demonstrado capazes de induzir sintomas de pânico na maioria dos pacientes propensos. Proprioceptores localizados na parede do pulmão e do tórax sinalizam ao cérebro com um "alarme de sufocação" e isso desencadeia a liberação de neurotransmissores excitatórios que são responsáveis por muitos dos sintomas, tais como tremor, palpitações, ansiedade e disforia.

Os sintomas da síndrome de hiperventilação e do transtorno do pânico se sobrepõem consideravelmente, embora as duas condições sejam distintas. Metade ou mais dos doentes com distúrbio do pânico e agorafobia sofrem de hiperventilação manifesta. A síndrome de hiperventilação pode ser aguda ou crônica. Embora a forma aguda represente apenas 1% dos casos, é mais facilmente diagnosticada. A forma crônica pode apresentar-se com uma miríade de sintomas respiratórios, cardíacos, neurológicos ou gastrointestinais, sem mostrar maior esforço respiratório. A hipocapnia (diminuição de dióxido de carbono no sangue) pode ser mantida mesmo sem qualquer alteração evidente na frequência respiratória se o paciente apresenta frequentes suspiros, intercalados com a respiração normal. Os sintomas mais comuns incluem sensação de asfixia, agitação, hiperpneia (aceleração e intensificação dos movimentos respiratórios), taquipneia (aceleração do ritmo respiratório), dor no peito, dispneia, tonturas, palpitações, dores tetânica, parestesias (sensação anormal e desagradável sobre a pele que assume diversas formas, como queimação, dormência, coceira etc), fraqueza generalizada e síncope.

Alguns pacientes recebem um diagnóstico errado de problema orgânico, sobretudo cardiológico, e são considerados incapacitados pelos seus sintomas. Alguns chegam a ser submetidos a melindrosos e desnecessários testes diagnósticos na tentativa de descobrir as causas orgânicas de suas queixas.

O diagnóstico da síndrome de hiperventilação crônica é muito mais difícil do que a da síndrome aguda porque a hiperventilação não costuma ser clinicamente evidente. Muitas vezes, esses pacientes já foram submetidos a extensas investigações médicas e foram atribuídos a eles vários diagnósticos enganosos. Os pacientes com história prévia de síndrome de hiperventilação podem não precisar de qualquer avaliação laboratorial quando de uma recorrência, bastando o reconhecimento da sintomatologia típica. Os estudos de imagem só são úteis para ajudar na exclusão de quadros assemelhados.

Os pacientes são tratados com psicoterapia e reciclagem da respiração e vários medicamentos psicotrópicos, como, por exemplo, benzodiazepínicos e inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

A síndrome de hiperventilação pode começar quando criança e continuar no mesmo padrão na idade adulta. Muitos pacientes têm distúrbios associados, como a agorafobia, por exemplo, que podem dominar o quadro clínico.

As complicações encontradas nos pacientes com esta síndrome estão relacionadas principalmente aos procedimentos invasivos e a investigações que são empregados para excluir outras doenças. No entanto, as complicações também podem ocorrer como resultado de sintomas produzidos pela hiperventilação, como uma queda, por exemplo, durante um episódio de síncope.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Aspirina para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e câncer colorretal


A atualização das recomendações da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) de 2009 sobre o uso de aspirina para prevenir eventos de doença cardiovascular (DCV) e de 2007 sobre uso de aspirina e anti-inflamatórios não esteroides para prevenir o câncer colorretal (CCR) foi publicada pelo Annals of Internal Medicine.

A USPSTF avaliou cinco estudos adicionais do uso de aspirina na prevenção primária de doenças cardiovasculares e várias análises adicionais sobre o uso de aspirina para prevenir o CCR. A USPSTF também contou com revisões sistemáticas encomendadas de todas as causas de mortalidade, incidência total de câncer, mortalidade e uma revisão abrangente dos danos. Em seguida, usou um modelo de microssimulação para estimar sistematicamente o equilíbrio entre os benefícios e os malefícios.

Esta recomendação aplica-se a adultos com 40 anos ou mais de idade, sem doença cardiovascular conhecida e sem aumento do risco de sangramento.

A USPSTF recomenda iniciar o uso de dose baixa de aspirina para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e CCR em adultos com idades entre 50 a 59 anos que têm risco de DCV em 10 anos de 10% ou mais, não estão em maior risco de sangramento, têm uma expectativa de vida de pelo menos 10 anos e estão dispostos a tomar uma dose baixa de aspirina por dia durante pelo menos 10 anos.

A decisão de iniciar o uso de aspirina em baixa dose para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e CCR em adultos com idades entre 60 a 69 anos que têm risco de DCV em 10 anos de 10% ou mais deve ser individualizada. As pessoas que não estão em risco aumentado de hemorragia, têm uma expectativa de vida de pelo menos 10 anos e estão dispostas a tomar uma dose baixa de aspirina diariamente durante pelo menos 10 anos são mais propensas a se beneficiar. Pessoas que colocam um valor mais elevado sobre os benefícios potenciais do que sobre os danos potenciais podem optar por iniciar uma dose baixa de aspirina.

As evidências atuais são insuficientes para avaliar o equilíbrio entre benefícios e malefícios de iniciar o uso de aspirina para a prevenção primária de doenças cardiovasculares e CCR em adultos com menos de 50 anos e em adultos com 70 anos ou mais.



Fonte: Annals of Internal Medicine, publicação online de 12 de abril de 2016

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tonturas


Tontura e tonteira costumam ser termos usados equivalentemente para descrever uma mesma sensação: a de estar prestes a desmaiar ou perder a consciência. No entanto, tontura também pode se referir ao que se sente durante a vertigem, que é a sensação de que o entorno está girando ou está se movendo, quando na realidade isso não está acontecendo.

Em suma, o termo abrange a sensação de desmaio iminente, a falsa sensação de movimento ou de rotação, a perda de equilíbrio ou instabilidade e outras sensações, como flutuar ou nadar, por exemplo. A tontura não é, pois, uma doença, mas um sintoma que pode aparecer em várias doenças.

As sensações de desmaio e de perda de equilíbrio podem acontecer em diversas situações, como queda da pressão arterial, alterações do fluxo de sangue para o coração ou o cérebro, síndrome vasovagal, problemas articulares e musculares, condições neurológicas e outras, ou ser efeito colateral de alguns medicamentos, tais como anticonvulsivantes, sedativos e tranquilizantes.

As tonturas relacionadas à vertigem incluem a vertigem posicional paroxística benigna, a inflamação no ouvido interno, a doença de Ménière, a enxaqueca e o neuroma acústico. As tonturas sentidas sob a forma de flutuar ou nadar, podem ser devidas a efeitos colaterais de medicamentos, transtornos de ansiedade, anemia ferropriva, hipoglicemia, superaquecimento do corpo e desidratação.

Existe também uma tontura subjetiva crônica, que não tem uma causa médica evidente. Mais raramente, a tontura com vertigem pode ser causada por um problema neurológico mais grave, mas, nesses casos, quase certamente outros sintomas estarão presentes. Outras causas de tonturas podem ser as anemias, as altas temperaturas, as alterações hormonais no início da gravidez, a falta ou excesso de açúcar no sangue em diabéticos, o aumento dos triglicérides, o consumo excessivo de bebida alcoólica ou de cigarros por não fumantes e de drogas ilícitas ou ainda situações emocionais fortes.

Para nos mantermos em equilíbrio e sabermos em que posição estamos em relação ao meio ambiente e para saber se estamos parados ou em movimento, é preciso que o nosso corpo forneça informações detalhadas ao cérebro. Essas informações são encaminhadas basicamente por três meios: visão, propriocepção e ouvido médio.

A visão orienta a pessoa quanto ao meio ao redor; a propriocepção é a capacidade de o cérebro reconhecer a localização espacial do corpo, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem o uso da visão; no ouvido interno, um órgão chamado labirinto é responsável pela manutenção do equilíbrio. O funcionamento normal dessas estruturas garante nosso estado comum de estabilidade da consciência. Sem qualquer uma delas estamos mais sujeitos a tonturas e vertigens.

A tontura pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, sonolência e dificuldades para andar ou manter a postura ereta. O sintoma muitas vezes desaparece ou melhora se a pessoa se deitar. Embora a tontura possa ocorrer em pessoas de qualquer idade, é mais comum entre os idosos, geralmente associada a uma queda momentânea da pressão arterial e fluxo sanguíneo para a cabeça, que ocorre quando a pessoa se levanta rapidamente de uma posição sentada ou deitada.

Quase sempre a tontura é um sintoma apenas subjetivo e o médico depende do relato do paciente. Em alguns casos o desequilíbrio, a dificuldade para se manter de pé e outros sinais objetivos podem ser facilmente percebidos. Uma tarefa mais árdua do médico é diagnosticar as causa da tontura, o que demanda exames de laboratório e de imagens.

Grande número de tonturas é transitório e se resolve por si mesmo. Outras vezes, exige intervenção médica. O tratamento da tontura varia de acordo com a sua causa, dependendo do diagnóstico estabelecido pelo médico.

Antes que tenha certeza de que as tonteiras acabaram, a pessoa deve observar alguns cuidados, como levantar-se lentamente se estiver deitada, deitar-se ou sentar-se se estiver de pé, beber bastante líquidos para evitar a desidratação, não dirigir, reduzir o risco de cair, mantendo a casa bem iluminada e retirando obstáculos do chão.

sábado, 23 de abril de 2016

Ácido Valpróico



O ácido valproico é um anticonvulsivante com bom efeito antimaníaco.

Além de controlar as crises epiléticas é indicado para prevenir e tratar as fases maníacas do transtorno afetivo bipolar.

Os mais comuns são os efeitos gástricos e neurológicos: náuseas, vômitos e diarreia; sonolência, tremores, descoordenação motora, dificuldade na fala.

É comum também o paciente aumentar de peso devido ao ácido valproico.

A dose inicial pode ser 500 ou 1.000 mg sendo elevada até o limite de 2.000 mg, acima disso apenas com constante acompanhamento médico.

Caso o paciente obtenha benefícios com doses menores não haverá necessidade de posteriores elevações.

Geralmente são os neurologistas que usam o ácido valproico nas crianças, pois praticamente não há indicações psiquiátricas para o ácido valproico nessa fase. Esta propriedade foi citada aqui para enfatizar a segurança que a medicação oferece.

É conveniente a cada seis meses dosar os níveis das células brancas do sangue e as enzimas do fígado durante um tratamento prolongado.

O ácido valproico não deve ser usado durante o primeiro trimestre da gestação, a não ser sob recomendação médica específica.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Mais de 25% das mães no Brasil podem apresentar depressão no período pós-parto


No Brasil, cerca de 25% das mães apresentam sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. É o que mostra uma pesquisa realizada pela pesquisadora Mariza Theme, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e publicada no Journal of Affective Disorders. A prevalência desse distúrbio no país foi mais elevada que a estimada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para países de baixa renda, nos quais 19,8% das parturientes apresentaram transtorno mental, em sua maioria a depressão.

Este é o maior estudo sobre parto e nascimento já ocorrido no Brasil. Coordenada pelas pesquisadoras Maria do Carmo Leal e Silvana Granado, a pesquisa apontou número excessivo de cesarianas (52% no total, contra 88% no setor privado) e persistência de intervenções dolorosas e desnecessárias no parto (como episiotomia, manobra de Kristeller, uso de ocitocina, menor frequência da utilização de analgesia obstétrica, dentre outros).

A pesquisa entrevistou 23.896 mulheres no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. A prevalência global de sintomas de depressão pós-parto foi de 26,3%, mas a comparação entre os períodos de 6 a 9 meses (25,7%) e de 9 a 12 meses (27,1%) não indicou diferença significativa no desenvolvimento do transtorno mental. As mães que apresentaram sintomas de depressão pós-parto, de acordo com o modelo final da análise, são da cor parda, de baixa condição socioeconômica, com antecedentes de transtorno mental, com hábitos não saudáveis, como o uso excessivo de álcool, paridade alta e que não planejaram a gravidez.

Ainda chamou a atenção da equipe de pesquisa uma pergunta sobre a avaliação do atendimento na maternidade, na ocasião da alta médica. As mulheres que fizeram má avaliação do atendimento tiveram probabilidade duas vezes maior de apresentar os sintomas depressivos do que aquelas que avaliaram como muito bom.



Fonte: Fundação Oswaldo Cruz, em 18 de abril de 2016

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Andropausa


O termo "andropausa" não corresponde exatamente aos fenômenos ocorridos no homem maduro, mas já ganhou popularidade e, em função disso, utilizarei tal denominação neste texto.

A andropausa é o conjunto de alterações hormonais, fisiológicas e químicas que ocorre com os homens por volta dos 40 aos 55 anos de idade. Alguns homens podem apresentar sintomas, mas a andropausa não tem um sintoma típico como ocorre com o fim das menstruações nas mulheres na menopausa.

Ela é ocasionada pela diminuição natural e progressiva do hormônio testosterona.

A testosterona é responsável pelo vigor sexual masculino, mas tem outras importantes funções no organismo, entre as quais estimular a produção de glóbulos vermelhos do sangue. A produção da testosterona apresenta um declínio gradual e progressivo com o envelhecimento. No entanto, nem todos os homens com deficiência de testosterona apresentam sinais e sintomas evidentes; o quadro de baixa produção de testosterona atua sutilmente, de forma lenta e progressiva. A produção desse e dos outros hormônios depende da integridade do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas, sistema que integra o hipotálamo e a glândula hipófise no cérebro, e as gônadas.

A queda do hormônio masculino no envelhecimento não é um processo generalizado e só afeta 33% dos homens acima dos 60 anos. Por isso, a diminuição desse hormônio é pouco abordada entre o público leigo.

Os sintomas da andropausa não são os mesmos em todos os homens, mas aqueles que apresentam uma significativa queda hormonal de testosterona revelam algum dos principais sintomas. A andropausa se instala lenta e progressivamente e consta, em geral, de mudanças de atitude e humor, fadiga, perda de energia, diminuição da libido e da agilidade física. Esse período, no homem, pode se estender por décadas.

O declínio da testosterona pode acarretar riscos de doenças cardíacas ou maior fragilidade dos ossos. Além dos sintomas sexuais, a deficiência de testosterona também ocasiona queda do desempenho físico e mental, depressão, ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração, entre outros. Muitas vezes esses sintomas não são reconhecidos como devidos à baixa de testosterona e são atribuídos ao estresse ou a outras causas fortuitas.

Eventualmente, alguns homens podem sentir ondas de calor, suores, sensação de frio e palpitações. Entre os sinais e sintomas da andropausa, um dos maiores é a ausência de ereções espontâneas pela manhã. Pode haver também mudanças do padrão masculino de distribuição de pelos, perda de massa muscular e aumento do acúmulo de gordura no abdômen. Com a redução da produção da testosterona há a diminuição na produção de espermatozoides e, consequentemente, a possibilidade de infertilidade.

O diagnóstico laboratorial da andropausa depende de um exame de sangue, no qual os níveis de testosterona estejam baixos. Outros exames também são feitos para excluir outras razões para a queda de testosterona, como dosagem da prolactina e das gonadotrofinas e teste de função tireoidiana.

A reposição hormonal da testosterona é uma opção, no entanto, ela não deve ser vista como o resgate da juventude do paciente. Essa reposição deve ser monitorada pela avaliação dos sintomas e em exames de sangue. Fatores como apneia do sono e câncer de próstata devem ser levados seriamente em consideração. A eficácia do tratamento de reposição hormonal exige um controle rigoroso por parte do médico urologista.

Com a idade, os níveis de testosterona decrescem em praticamente todos os homens, mas não há maneira de predizer quem vai ter sintomas e que intensidade eles terão e nem mesmo se será ou não preciso procurar ajuda médica. Se os sinais e sintomas da andropausa não forem adequadamente tratados, podem evoluir para osteopenia e mesmo osteoporose, levando a um aumento do risco de fraturas.

Não há como prevenir a andropausa, pois ela é uma condição natural e irreversível. É possível evitar maiores disfunções e repercussões patológicas por meio de um monitoramento médico adequado.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Topiramato


O topiramato é um novo antiepilético com forte ação antimaníaca e controlador de agressividade

O topamax é uma medicação que apresenta forte efeito também sobre a capacidade de concentração, devendo, por isso, ser elevado gradualmente para que o prejuízo nessa área seja o mínimo possível.

Tem sido indicado, clinicamente, como auxiliar no tratamento da enxaqueca, mas eu, pessoalmente não vejo resultados reais.

Há quem diga que é um bom auxiliar como coadjuvante no tratamento da fibromialgia e parece ajudar mesmo.

Quando necessário a elevação da dose pode levar três meses ou mais para atingir a dose adequada, pois, algumas vezes, pode ser necessário uma elevação lenta, dependendo de cada paciente.

Recomenda-se o intervalo de uma semana para acrescentar 50mg da medicação, ou 25mg.

A dose máxima recomendada é de 1.600mg por dia, mas eu não utilizaria esta dose.

Como ele tem um tempo de ação longo pode ser administrado uma vez ao dia, ou distribuído ao longo do dia para diminuir os efeitos colaterais.

O mecanismo de ação do topiramato não está completamente esclarecido, mas observa-se uma atuação sobre o GABA elevando sua atividade e bloqueando a ação do glutamato.

Por ser uma medicação nova não houve ainda tempo suficiente para se estudar todas as aplicações dessa medicação, mas a eficácia para a epilepsia e para a mania já está bem definida.

Uma área promissora para essa medicação talvez venha a ser para o tratamento do do estresse pós-traumático que permanece com resultados parciais ou demorados no tratamento.

Na área das conjecturas, diz-se que ele ajuda a emagrecer: não duvido que em alguns casos possa ser um grande auxiliar.

Enfim, parece ser mais um daqueles medicamentos com várias utilidades. Com o tempo aprenderemos!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Espasticidade muscular


Espasticidade é uma alteração dos músculos esqueléticos que envolve uma combinação de paralisia, aumento da atividade reflexa dos tendões musculares e hipertonia muscular. Também é coloquialmente referida como "aperto", “rigidez” ou "repuxão" de músculos. Na espasticidade, ocorre sempre um aumento do tônus muscular.

A causa da espasticidade não é muito conhecida, mas existem várias teorias a respeito. Ela se desenvolve quando há um desequilíbrio excitatório dos neurônios motores causado por danos na medula espinhal e/ou no sistema nervoso central. Esse dano provoca uma alteração no equilíbrio de estímulos elétricos entre o sistema nervoso e os músculos, conduzindo a um aumento da excitabilidade muscular.

A espasticidade ocorre principalmente em desordens do sistema nervoso central que afeta os neurônios motores superiores sob a forma de uma lesão, tal como na diplegia espástica ou na síndrome do neurônio motor superior, por exemplo, e também pode estar presente em vários tipos de esclerose múltipla, sendo um sintoma dos ataques progressivos.

Os reflexos nervosos são de importância na coordenação de movimentos normais em que os músculos têm de contrair e relaxar, alternadamente. Embora o resultado final da espasticidade leve a problemas com os músculos, ela é causada por um dano a uma parte do sistema nervoso central, que controla os movimentos voluntários. Esse dano provoca uma alteração no equilíbrio de estímulos que vão do sistema nervoso para os músculos e vice-versa. Este desequilíbrio conduz ao aumento da excitabilidade dos músculos.

Receptores musculares recebem mensagens do sistema nervoso que comandam o grau de estiramento que o músculo deve ter e envia de volta sinais reguladores para o cérebro. O cérebro, por sua vez, responde enviando uma mensagem para regular o estiramento ou o encurtamento muscular. No geral, a espasticidade depende do aumento de velocidade do estímulo que regula o tônus muscular. Assim, ela ocorre em condições em que o cérebro e/ou a medula espinhal não conseguem manter seu desempenho normal, como na paralisia cerebral, esclerose múltipla, lesão medular e lesão cerebral adquirida. Os músculos afetados desta forma sofrem, além da espasticidade, fraqueza e diminuição do controle dos movimentos.

A espasticidade é um dos distúrbios motores mais frequentes e incapacitantes que ocorre em pacientes com lesões no sistema nervoso. Clinicamente, os resultados são consequência da perda de inibição dos neurônios motores, causando a contração muscular excessiva e a hiperreflexia dos tendões musculares. Os músculos espásticos são mais resistentes à extensão e tendem à contração, porém, quando realizado o movimento passivo, tendem a oferecer certa resistência e, mantendo a força constante, do movimento passivo, os músculos espásticos tendem a ceder.

Frequentemente ocorrem clônus (uma série de contrações musculares involuntárias rápidas) e exagero dos reflexos profundos. O indivíduo afetado pode ter qualquer grau de comprometimento, que vai desde um leve distúrbio do movimento até uma desordem grave. As desordens mais leves podem afetar movimentos como correr ou subir escadas, por exemplo, e as mais graves resultam em perda mais completa das funções musculares.

A espasticidade pode ser avaliada por sentir a resistência do músculo ao alongamento passivo. Um músculo espástico mostrará um aumento muitas vezes bastante forte da resistência ao estiramento passivo, em comparação com os músculos não-espásticos da mesma pessoa. Pode haver também várias outras alterações na musculatura e ossos circundantes, tais como desalinhamentos progressivos da estrutura óssea em torno dos músculos espásticos, levando, por exemplo, à marcha em tesoura.

Pode haver também vários músculos afetados em diferentes graus. Existem várias escalas utilizadas para medir a espasticidade. Uma avaliação completa deve incluir a análise da postura, movimento ativo, força muscular, controle e coordenação de movimentos e resistência, bem como a constatação da espasticidade.

O tratamento da espasticidade deve ser baseado na avaliação médica do paciente. Para espasticidades ligeiras são úteis os exercícios, os quais devem ser prescritos por um profissional de saúde especializado em reabilitação neurológica. Nas mais severas, o paciente pode precisar de ajuda para fazer isso e pode exigir intervenções adicionais. Para os músculos que não possuem qualquer controle, como ocorre após uma lesão medular completa, o exercício pode ser feito de forma passiva, por meio de instrumentos.

As intervenções médicas podem incluir alguns medicamentos para tentar atenuar os estímulos entre nervos e músculos. A espasticidade é frequentemente tratada com medicamentos que atuam como inibidores da estimulação neuronal, os receptores de GABA. A eficácia desses medicamentos varia entre indivíduos e, embora sejam eficazes na diminuição da espasticidade, não têm sido acompanhados por benefícios funcionais. A cirurgia pode ser necessária para a liberação do tendão muscular, no caso de um desequilíbrio muscular levando à contratura. A hidroterapia pode ajudar no programa de tratamento.

Quando não adequadamente tratada, a espasticidade pode levar a complicações como o desenvolvimento de contraturas, deformidades ósseas e musculares, atrofias e assimetrias posturais.

sábado, 16 de abril de 2016

Ritidoplastia


Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a ritidoplastia (ou lifting facial) é um procedimento cirúrgico para melhorar sinais visíveis de envelhecimento no rosto e no pescoço, vincos profundos abaixo das pálpebras inferiores e ao longo do nariz, gordura que se tenha deslocado, perda de tônus muscular no terço inferior da face, pele frouxa e/ou excesso de gordura sob o queixo e a mandíbula.

Outros procedimentos de rejuvenescimento tipicamente executados juntamente com a cirurgia da face costumam ser o lifting de testa, para corrigir a flacidez ou testa franzida e a cirurgia de pálpebras, para rejuvenescer os olhos.

Com o envelhecimento, a pele do rosto começa a perder a rigidez e a tonificação, causando seu estiramento e flacidez, o que leva ao aparecimento de rugas no rosto, linhas na testa e nas laterais dos lábios. As alterações ocasionadas pelo envelhecimento facial trazem problemas estéticos, psicológicos e sociais para os pacientes. Afora isso, as rugas também estão relacionadas com fatores hereditários ou exposições prolongadas ao sol. Esses motivos aceleram o processo natural de envelhecimento.

A ritidoplastia é a cirurgia plástica de maior sucesso em corrigir estes danos causados à pele. Geralmente, a ritidoplastia é realizada em conjunto com outros tratamentos plásticos, como rinoplastia, peeling ou tratamentos a laser, por exemplo, visando complementar o rejuvenescimento da face. Esta cirurgia não é uma forma de proporcionar ao paciente uma aparência nova e perfeita, mas sim de otimizar suas anteriores características naturais.

Anteriormente à cirurgia, deve haver uma discussão inicial entre o paciente e o médico sobre as expectativas da pessoa e os detalhes do procedimento, como se preparar para ele, informar o cirurgião acerca de qualquer doença que sofra e problemas como alergia, pressão arterial elevada, diabetes, problemas de coagulação, etc. Geralmente a cirurgia é realizada com anestesia geral, embora em alguns casos possa ser feita sob anestesia local com sedação, dependendo das condições clínicas e das preferências do cirurgião e do cliente.

Normalmente a cirurgia dura de duas a três horas. A técnica utilizada varia de um cirurgião para outro. A internação varia entre 12 a 24 horas, podendo ser por mais tempo, em alguns casos. Alguns médicos operam cada metade da face em uma sessão cirúrgica distinta, mas outros passam de vez de uma metade para outra, numa mesma sessão cirúrgica.

Geralmente, as cicatrizes resultantes das incisões são facilmente escondidas pela linha do cabelo e pelo contorno da orelha. Se a cirurgia envolver o pescoço, as incisões devem ser feitas sob o queixo. Em seguida à incisão, o médico ajusta a membrana e os músculos e estica a pele para trás, retirando todos os excessos. Depois de fechadas as incisões, o médico coloca um pequeno tubo sob a pele para que o sangue e os fluidos não se acumulem.

No período pós-operatório, o paciente deve usar cabeceira da cama elevada e colírios oftalmológicos por tempo individualizado. Os pontos podem ser retirados após cinco dias e o paciente pode retomar às atividades mais leves depois de uma semana. Após a cirurgia, o paciente deve evitar atividades árduas, como exercícios físicos, trabalho doméstico, sexo, etc, pelo menos durante duas semanas. Durante vários meses o paciente deve evitar beber álcool, frequentar saunas e tomar banhos de vapor.

Os resultados desse procedimento variam de acordo com a idade, sexo, tipo de pele e peso corporal, dentre outros, e serão melhores se o paciente tiver boa elasticidade da pele e estiver em boa saúde física. Em geral, a recuperação é surpreendentemente rápida. Ocorre algum inchaço durante os primeiros dias, mas isso irá diminuir depois de uma semana. Alguns pacientes sentirão certo formigamento e dormência na face, o que desaparece após algumas semanas. O grau de satisfação obtido com a cirurgia depende de um bom diagnóstico e das expectativas prévias do paciente e do cirurgião.

Em geral, não há complicações sérias da ritidoplastia. Pode ocorrer sangramento, hematoma, infecção, deiscência de pontos, ectrópio, alterações visuais, sofrimento de pele, assimetrias, alterações motoras e de sensibilidade. Além disso, existe o risco de que os nervos da face fiquem paralisados temporariamente ou do paciente ter uma reação adversa à anestesia.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Rotura do baço


O baço é um órgão friável que se encontra na parte superior esquerda do abdômen, logo abaixo do diafragma e por isso qualquer pancada forte no abdômen pode rompê-lo, rasgando a membrana que o recobre e o seu tecido interno. Nos casos de esplenomegalia, isto é, quando o baço encontra-se aumentado de tamanho, aumentam as chances de ocorrer uma ruptura de baço.

A ruptura do baço é uma lesão grave, frequentemente causada por um trauma sobre o abdômen, como nos acidentes de trânsito, lesões desportivas, socos em brigas ou quaisquer tipos de pancadas na barriga. Ele pode romper imediatamente após o evento causador ou dias e até semanas após. As infecções como a mononucleose, doença hepática e o câncer no sangue, por vezes, causam um aumento do baço, o que pode torná-lo mais susceptível a uma ruptura.

O baço é um órgão responsável em parte pela produção e destruição de células sanguíneas e participa do sistema de defesa do organismo. No feto, o baço fabrica as hemácias e leucócitos, mas após o nascimento esta função é interrompida. Porém, ela pode ser reiniciada posteriormente caso apareça alguma doença que debilite esta função na medula óssea. Este órgão é parte do sistema linfático e vascular, eliminando microrganismos patogênicos e destruindo hemácias anômalas ou envelhecidas. Ele também retira o ferro da hemoglobina dos glóbulos vermelhos para seu posterior uso pelo organismo, assim como substâncias residuais como os pigmentos biliares para sua excreção, na forma de bile. O baço também fabrica anticorpos contra diversos organismos infecciosos. Nos seres humanos, ele ainda atua como reservatório de sangue e de células sanguíneas. Depois da retirada do baço, o paciente fica mais susceptível a infecções.

Quando se rompe, o baço pode derramar uma grande quantidade de sangue no abdômen. Se esse sangue derramado for volumoso e ocorrer de forma aguda, ele causa intensa dor abdominal e, como reflexo, a musculatura abdominal se contrai e se torna tensa. Se a perda do sangue for gradual, os sintomas podem não se manifestar até que o extravasamento de sangue cause uma queda importante da pressão arterial ou o aporte de oxigênio para cérebro e coração se torne insuficiente.

Além das queixas de dor no quadrante superior esquerdo do abdome, pode ocorrer em alguns casos uma dor referida no ombro esquerdo.

Uma queda importante da pressão arterial e a taquicardia devem ser sinal de alerta ao médico.

A suspeita diagnóstica é feita pelos sintomas e pela história clínica do paciente. Pode extrair-se líquido abdominal com uma agulha e analisá-lo para confirmar se contém sangue. Ultrassonografias e radiografias do abdômen podem ser solicitadas para melhor avaliação do paciente. A tomografia computadorizada revolucionou o tratamento dos traumatismos no baço, pois além de identificar a presença de sangue na cavidade abdominal, ela também verifica se há lesões em outros órgãos.

Como o médico trata a ruptura do baço?

A ruptura do baço representa uma emergência que exige transfusões de sangue imediatas e uma intervenção cirúrgica para deter a perda de sangue. Quando há suspeitas de ruptura do baço, deve-se realizar uma intervenção cirúrgica de emergência para deter a perda de sangue que, em caso contrário, pode causar um choque hipovolêmico e levar o paciente à morte.

Habitualmente, o baço é extraído por completo, mas por vezes, se a ruptura é pequena, os cirurgiões podem apenas fechá-la, sem remover todo o órgão. Antes da extração do baço, devem-se aplicar, sempre que possível, vacina contra o pneumococo. Depois da intervenção, em que o sistema de defesa do organismo fica enfraquecido, o paciente deve tomar vacinas anuais contra a gripe e, segundo alguns médicos, também fazer profilaxia com antibióticos.

Muitas lesões não exigem cirurgia e apenas tratamentos conservadores em hospital para que os médicos monitorem as condições do paciente e administrem cuidados não cirúrgicos, como transfusões de sangue, por exemplo.

Como evolui a ruptura do baço?

Sem um tratamento adequado e de emergência, a ruptura do baço pode causar hemorragia interna com risco de vida. Mesmo sem o baço, o paciente pode viver uma vida normal e ativa, mas estará mais em risco de contrair infecções graves. O médico provavelmente vai sugerir uma vacina contra pneumonia, como também vacinas anuais contra a gripe. Ele também pode receitar antibiótico como uma medida preventiva, principalmente se houver quaisquer outras condições que possam levar a infecções.

Como prevenir a ruptura do baço?

Se a pessoa tem uma esplenomegalia, deve evitar atividades que possam causar traumas ou solavancos abdominais.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Laparoscopia


O termo “laparos” vem do grego e significa abdome. Laparoscopia se referia, a princípio, a uma maneira de olhar dentro do abdome. Hoje em dia, contudo, ela se refere a uma intervenção cirúrgica minimamente invasiva, muito utilizada em cirurgias ginecológicas e urológicas ou outras (mesmo fora do abdome), mas consagrada para a retirada da vesícula biliar, que foi seu primeiro uso, em 1987, embora já houvesse antecedentes menos ambiciosos desde 1960.

Atualmente, graças à evolução da tecnologia, pode-se acessar praticamente todos os órgãos do corpo humano com aparelhos contendo, na extremidade que é introduzida no corpo, uma minicâmera que transmite imagens em alta resolução para monitores de vídeo e que podem ser gravadas para estudos posteriores. Este procedimento é chamado, então, videolaparoscopia. Usada primitivamente quase só para fazer diagnósticos, a videolaparoscopia atual permite colher material para biópsias e praticar intervenções cirúrgicas antes só possíveis a céu aberto (cirurgias abertas).

Geralmente o paciente é internado e submetido à anestesia geral e, conforme a cirurgia, pode deixar o hospital no mesmo dia ou um pouco mais à frente. A laparoscopia consiste em que o médico faça uma pequena incisão na região a ser examinada ou tratada, por onde introduz o laparoscópio (aparelho por meio do qual irá visualizar e tratar a região abordada), que consiste em um fino tubo de fibras óticas, através do qual pode visualizar os órgãos internos e fazer intervenções diagnósticas ou terapêuticas. Outras pequenas incisões podem ser necessárias para introduzir os instrumentos cirúrgicos. Os instrumentos usados na videolaparoscopia são idênticos aos usados nas cirurgias tradicionais, só que mais delicados. Se a cirurgia for no abdome, uma certa quantidade de gás (dióxido de carbono) é introduzida dentro da cavidade abdominal a fim de expandi-la e criar um campo de trabalho para se realizar a cirurgia. Esta técnica tem a vantagem de ser minimamente invasiva e ocasionar, assim, um menor trauma cirúrgico, menos sangramento intraoperatório, menor dor pós-operatória, recuperação pós-cirúrgica mais rápida e retorno mais cedo às atividades habituais e ao trabalho, além de menores cicatrizes. Ela reduz a taxa de infecções e a ocorrência de aderências pós-operatórias e também pode ser utilizada em outros tipos de cirurgias, como em operações nas articulações (artroscopias), por exemplo, principalmente em cirurgias no joelho. Além dessas, praticamente todas a cirurgias ginecológicas (cistos de ovário, dilatação das trompas, torção de ovário, gravidez ectópica, etc.) e urológicas podem ser realizadas por laparoscopia. A retirada e os prolapsos do útero, bem como a cistocele (prolapso da bexiga – “queda da bexiga”) ou retocele (prolapso do reto) também podem ser tratadas por laparoscopia.

A laparoscopia, como quase todo procedimento, envolve riscos, mas desde que feita por um profissional experiente eles são de muito baixa incidência e altamente compensados pelas vantagens das cirurgias endoscópicas em relação às outras, a céu aberto. O risco de maior gravidade é a perfuração de órgãos como o intestino, estômago, aorta, etc., ou a ocorrência de hemorragias abdominais ou de peritonites. Ademais, produz algum desconforto em razão da distensão abdominal que acarreta e pode gerar hemorragia vaginal, problemas respiratórios e arritmias cardíacas.

Pacientes com doenças cardíacas ou respiratórias, obesos, portadores de hérnia diafragmática ou de doença inflamatória pélvica, grávidas, etc., merecem atenção especial do médico intervencionista.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sarcoma de tecidos moles


O sarcoma é um tumor maligno formado pela proliferação de células que se desenvolvem a partir de certos tecidos como osso ou músculo. Os tipos mais comuns são os sarcomas ósseos e os de partes moles.

Existem vários tipos de tumores de tecidos moles, mas nem todos são cancerosos. O sarcoma, no entanto, é sempre um tumor é maligno. Alguns tumores de tecidos moles comportam-se de maneira entre um câncer e um não-câncer e são chamados intermediários.

O sarcoma de tecidos moles é um tumor que se desenvolve a partir de quaisquer tecidos moles, como gorduras, músculos, nervos, cartilagens, tecidos fibrosos, vasos sanguíneos, tecidos profundos da pele e outros tecidos moles do organismo. Eles podem ser encontrados em qualquer parte do corpo, mas a maioria se desenvolve nos braços ou nas pernas. Eles também podem afetar o tronco, a cabeça, o pescoço ou os órgãos internos e a área em volta da cavidade abdominal (retroperitôneo).

Os sarcomas mais frequentes são os osteossarcomas, sarcomas que ocorrem no mais das vezes em crianças. Os sarcomas são muito menos comuns que os tumores chamados carcinomas. Existem cerca de 50 diferentes tipos de sarcomas dos tecidos moles. Algumas condições de tecidos moles que se assemelham a sarcomas, mas que não são malignas, são causadas por inflamação ou lesão de órgãos ou tecidos. Ao contrário de um verdadeiro tumor, elas não vêm de uma única célula anormal e embora tenham a capacidade de crescer e se espalhar para os tecidos circundantes, nunca o fazem à distância, através do sistema sanguíneo ou linfático.

Na maioria das vezes, a causa do sarcoma de tecido mole não fica clara. Em geral, o câncer ocorre quando as células desenvolvem erros (mutações) no seu DNA. Os erros fazem as células crescerem e se dividirem sem controle. Os tumores que acometem os tecidos moles do organismo se originam a partir da célula mesenquimal primitiva, um tipo de célula-tronco presente em todo corpo.

Cerca de 50% do peso do corpo humano é constituído pelas partes moles: músculos, gordura, tendões, nervos periféricos e outras estruturas. As células anormais desses órgãos podem se acumular para formar um tumor que pode crescer e invadir estruturas vizinhas e/ou se espalhar para outras partes do corpo.

O tipo de célula que desenvolve a mutação genética determina o tipo de sarcoma de tecido mole. Quando sofrem alterações, essas células reproduzem algum componente atípico das partes moles, provocando o surgimento dos tumores. Não foram ainda estabelecidos os fatores que tornam raros esses tumores, quando comparados a outros tipos de câncer, mas acredita-se que quanto a eles haja menor influência de fatores ambientais e agentes externos.

Em suas etapas iniciais, um sarcoma de tecido mole pode não causar quaisquer sinais e sintomas. À medida que cresce, ele pode causar um caroço ou inchaço visível e dor, se o tumor pressiona nervos ou músculos.

Os exames de imagem utilizados para diagnosticar um sarcoma de tecidos moles podem incluir radiografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET). A remoção de uma amostra de tecido para exame ao microscópio (biópsia) constitui o exame mais decisivo e pode ser feita por meio de uma agulha longa e fina ou depois de uma cirurgia. Cabe ao médico selecionar a melhor técnica de biópsia e ao patologista examinar a amostra de tecido obtida para determinar se existe câncer e de que tipo ele é.

O tratamento do sarcoma de tecido mole depende do tamanho, tipo e localização do tumor. A cirurgia para remoção do tumor é o tratamento mais comum. Se o sarcoma acomete os braços ou pernas pode ser necessário amputar o membro afetado. Em seguida, podem ser feitas, antes ou depois da cirurgia, quimioterapia e/ou irradiação. Se feitas antes, elas diminuem as probabilidades de que seja necessária a amputação. A quimioterapia e a irradiação podem ser combinadas. Podem ser usadas também drogas para aliviar os sinais e sintomas que derivam do sarcoma.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Distúrbios do sono podem agravar depressão em adolescentes


Segundo a pesquisadora Ellie McGlinchey, do Columbia University Medical Center, em Nova Iorque, já se sabe que há consequências emocionais da privação de sono em adultos. Em adolescentes que já são vulneráveis esta privação também pode exacerbar suas labilidades emocionais. Por isso, os pesquisadores queriam verificar se uma redução nos distúrbios do sono dos adolescentes poderia ajudar a melhorar a depressão.

Foram realizados dois ensaios clínicos randomizados. Em ambos os estudos, descobriu-se que o curso da depressão era muito pior quando os transtornos do sono persistiam mesmo após o tratamento. A pesquisa foi apresentada na Anxiety and Depression Association of America (ADAA) Conference 2016.

O primeiro estudo, que incluiu 63 adolescentes, comparou a psicoterapia interpessoal versus tratamento usual. O segundo estudo, intitulado Treatment for Adolescent Depression Study (TADS), incluiu 439 adolescentes e comparou a terapia cognitivo-comportamental (TCC) vs terapia com fluoxetina vs TCC mais fluoxetina vs placebo.

Em ambos os ensaios, os participantes foram avaliados durante todo o tratamento e no pós-tratamento para sintomas de depressão autorreferidos, sintomas de insônia e melhora clínica geral. Nos dois estudos, os adolescentes cujos distúrbios do sono persistiram ao longo do tempo apresentaram sintomas depressivos significativamente piores, disse McGlinchey, não importando o tratamento que recebiam. A coordenadora destaca que os distúrbios do sono devem ser alvo de atenção em todos os tipos de modalidades de tratamento usados para a depressão.

A Dra. McGlinchey observou que hipnóticos não são indicados em pacientes jovens, porque a pesquisa sugere que essas medicações podem prejudicar o cérebro em desenvolvimento. A melhor abordagem é oferecer aos adolescentes, que são candidatos para tratamento, um programa de tratamento comportamental estruturado do sono. É importante ter em mente que alguns antidepressivos podem piorar os distúrbios do sono.



Fonte: Anxiety and Depression Association of America (ADAA) Conference 2016, apresentado em 2 de abril de 2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dificuldades escolares: pode ser dislexia?


A dislexia ou alexia adquirida é um transtorno de leitura caracterizado por problemas não relacionados à inteligência geral. A dislexia é a dificuldade de aprendizagem mais comum, afetando 3 a 7% da população, mas estima-se que até 20% das pessoas podem ter algum grau de dislexia não percebida. Os problemas podem incluir dificuldades de soletrar palavras, leituras rápidas e desatentas, dificuldades de escrever palavras ou de pronunciar palavras durante a leitura e dificuldades de compreender o que se lê.

A "Dyslexia Association", da Inglaterra, descreve a dislexia como uma dificuldade de aprendizagem que afeta principalmente as habilidades envolvidas na leitura de palavras precisas e é caracterizada por dificuldades de consciência fonológica, memória verbal e velocidade de processamento verbal. A condição foi identificada pela primeira vez em 1881.

Muitas vezes, essas dificuldades são notadas na escola ou quando alguém que anteriormente podia ler sem problemas perde essa capacidade. As pessoas são afetadas em diferentes graus. As dificuldades são involuntárias e as pessoas com este transtorno têm um autêntico desejo de se corrigir.

A dislexia é considerada um distúrbio cognitivo e não um problema de inteligência. Acredita-se que a causa da dislexia tanto se deva a fatores genéticos quanto ambientais. Muitos casos apresentam uma incidência familiar; outros ocorrem em pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e são associados a dificuldades similares com números. Alguns casos podem começar na idade adulta, como resultado de lesão traumática do cérebro, acidente vascular cerebral ou demência.

Os mecanismos subjacentes à dislexia são problemas dentro do processamento de linguagem do cérebro. Alguns investigadores têm tentado associar os obstáculos comuns entre os disléxicos ao desenvolvimento anormal de suas células nervosas visuais. Técnicas modernas têm mostrado diferenças funcionais e estruturais nos cérebros de crianças com dificuldades de leitura. Um papel interativo do cerebelo e córtex cerebral, bem como outras estruturas cerebrais, tem sido apontado. No entanto, a teoria do cerebelo não é inteiramente apoiada por estudos de investigações controladas. Investigações sobre as causas genéticas da dislexia têm sido feitas em autópsias post-mortem.

A dislexia é mais frequentemente diagnosticada em homens, mas tem sido sugerido que ela afeta igualmente homens e mulheres. Na infância, ela se expressa por demora em iniciar a fala, dificuldade de distinguir entre esquerda e direita, dificuldades com a direção e distração fácil por ruídos de fundo. A inversão de letras ou palavras e a escrita em espelho por vezes são observadas em pessoas com dislexia, mas não são considerados como características da desordem.

Os transtornos da dislexia e do déficit de atenção e hiperatividade comumente ocorrem em conjunto. As crianças disléxicas podem ter dificuldade em identificar ou gerar palavras que rimam ou contar o número de sílabas numa palavra. Elas também podem apresentar dificuldades na segmentação das palavras em sons individuais ou podem misturar sons ao produzir palavras, indicando reduzida consciência fonêmica.

Dificuldades de nomear as coisas também podem estar associadas com a dislexia. Os disléxicos têm dificuldades de soletrar, um problema chamado às vezes de disortografia ou disgrafia. A dislexia pode persistir na adolescência e idade adulta e acompanhar dificuldades como resumir histórias, memorização, leitura em voz alta ou aprendizagem de línguas estrangeiras. Os disléxicos adultos muitas vezes podem ler com boa compreensão, embora tendam a ler mais lentamente do que as demais pessoas e a ter um desempenho pior em testes de ortografia ou ao ler palavras sem sentido. A dislexia é frequentemente acompanhada por disgrafia (dificuldades com a escrita ou de digitação), transtorno de hiperatividade do déficit de atenção, distúrbio do processamento auditivo e dispraxia (dificuldade na realização de tarefas rotineiras).

A dislexia geralmente é diagnosticada pelo psicopedagogo através de uma série de testes de memória, ortografia, visão e leitura. Ela deve ser distinguida das dificuldades de leitura causadas por um ensino insuficiente e de problemas de audição ou de visão.

O tratamento da dislexia envolve a adaptação dos métodos de ensino para atender às necessidades da pessoa atingida. Se houver problemas subjacentes eles devem ser tratados para diminuir o grau dos sintomas. Através da utilização de terapia e apoio educacional, os disléxicos podem aprender a ler e escrever. Existem técnicas que ajudam a gerenciar os sintomas da doença. A remoção do estresse e da ansiedade só por vezes melhora a compreensão da escrita. A intervenção deve ser o mais precoce possível, enquanto as áreas de linguagem do cérebro ainda estão em desenvolvimento.

As crianças disléxicas requerem instrução especial desde tenra idade. No entanto, existem técnicas que podem ajudar os disléxicos a entender melhor a escrita. O prognóstico, em geral, é positivo para as pessoas identificadas na infância.

sábado, 9 de abril de 2016

Pé de atleta


O pé de atleta, micose do pé, tinea pedis ou frieira, é uma infecção comum nos pés causada por fungos. Na verdade é, dentre todas as doenças fúngicas que acometem a pele, a mais comum delas.

A infecção é causada por diferentes fungos dos gêneros Tricophyton, Epidermophyton e Microsporum, os mesmos tipos que causam a micose. Esses fungos crescem principalmente em ambientes úmidos e, por isso, meias ou sapatos molhados favorecem o desenvolvimento desses microrganismos. A infecção é contagiosa e pode ser transmitida pelo contato direto com uma pessoa infectada ou por contato com alguma superfície contaminada como toalhas, pisos e calçados ou, ainda, por outros animais. Uma pessoa está em maior risco de contrair pé de atleta se for do sexo masculino, usar meias ou calçados úmidos, compartilhar esteiras, tapetes, roupas de cama ou sapatos com alguém que tem a infecção, andar descalço em áreas onde a infecção possa ter se espalhado, como vestiários, saunas, piscinas, banheiras e chuveiros ou ter um sistema imunológico fragilizado.

A primeira área a ser normalmente afetada pela infecção é o espaço entre os dedos dos pés, apresentando-se com uma comichão intensa, descamação e formação de cutículas. O mais comum do paciente com pé de atleta é que ele apresente pele rachada, descamada e dolorosa entre os dedos ou na parte lateral do pé e a área mais afetada a seguir é a parte inferior do pé (planta ou sola do pé).

Além disso, pode ocorrer pele vermelha, sensação de queimação ou dor e surgimento de bolhas cheias de líquido. A infecção pode afetar um ou ambos os pés e pode se espalhar para as unhas, que ficam descoloridas, grossas e quebradiças. Quando deixada sem tratamento, a infecção pode se espalhar para as mãos, especialmente se a pessoa arranhar ou pegar nas partes infectadas de seus pés.

Na maioria dos casos, o médico é capaz de diagnosticar o pé do atleta simplesmente por meio da inspeção clínica. Para ajudar a confirmar o diagnóstico e descartar outras condições ele pode, também, recolher amostras da área infectada e visualizá-las ao microscópio, examinar os pés sob a luz negra (lâmpada de Wood) ou enviar uma pequena amostra de pele para um laboratório para ser testada.

Em micoses recentes, de pouca intensidade ou causadas por um fungo não resistente, o tratamento tópico sob a forma de pomada, loção ou pó pode ser suficiente. Se a infecção não responder a esse tipo de tratamento, podem ser necessários comprimidos antifúngicos usados por via oral. Se houver infecções bacterianas associadas, em geral motivadas por coçar demais, os antibióticos podem ser necessários.

O pé de atleta responde bem aos cuidados caseiros, embora ele possa voltar, se os cuidados não forem mantidos e se a pessoa voltar a ser exposta aos fatores de risco.

Algumas medidas caseiras podem ajudar a evitar o pé de atleta, acelerar o tratamento e garantir recuperação mais rápida, como manter os pés limpos e secos, principalmente entre os dedos, lavar bem os pés e secá-los por completo, manter as unhas curtas e usar meias de algodão. Deve-se usar sandálias ou chinelos em chuveiros públicos ou ao sair de piscinas de clubes ou academias, trocar as meias com frequência, usar pós secativos ou antifúngicos e usar calçados bem ventilados, de preferência os de couro, evitando os de plástico.

A doença conhecida como pé de atleta não é um problema grave, mas se não for tratada pode causar algumas complicações, como retorno da doença, infecções bacterianas da pele, como erisipela, linfangite e linfadenite.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Retração gengival


A gengiva saudável forma um colar de proteção ao redor dos dentes. A retração gengival ocorre quando a margem gengival se afasta da coroa do dente, em direção à raiz dele. Quando ela se retrai, expõe a raiz dos dentes, fazendo aparecer sensibilidade dentária e facilitando a cárie cervical, uma vez que a superfície radicular é mais mole e mais suscetível à cárie do que o esmalte da coroa do dente.

A causa mais frequente da retração gengival é o fato de aplicar muita força sobre os dentes durante a escovação ou utilizar uma escova de cerdas duras. Nesses casos, apenas os dentes que são os alvos fáceis da escova são atingidos. A gengivite (inflamação da gengiva), o acúmulo de placas bacterianas e movimentos ortodônticos realizados de forma incorreta também podem levar à retração gengival. Outras causas podem ser trauma oclusal, restaurações desadaptadas na região próxima à gengiva, posição alta dos freios labiais e lingual, dentes apinhados ou encavalados e pouca espessura do osso que recobre aquela raiz.

Uma das principais causas da retração gengival é o mau posicionamento dentário. Por exemplo, um dente pode deslocar para frente porque ficou encavalado, quando os dentes permanentes começaram a forçar a gengiva. Ela ainda pode ser devida a restaurações dentárias com excesso nas margens. A idade avançada costuma provocar uma retração gengival generalizada.

Dependendo do local, a retração na gengiva pode afetar a harmonia do sorriso, influenciando na estética e na autoestima das pessoas. Além disso, ela pode resultar em diversas consequências, como dificuldades de higienização dentária e oral, inflamação na gengiva, alta sensibilidade nos dentes, dor e alterações na estética dentária, pois os dentes podem ficar muito alongados, desproporcionais ao arco gengival, ocasionando problemas de autoestima e, em alguns casos, perda dos dentes.

Muitas vezes a retração das gengivas é tratada por motivos estéticos. A retração gengival pode ser corrigida com uma cirurgia reparadora que ajude a reconstituir o tecido e cobrir a dentina de, no máximo, um ou dois dentes. Ainda assim, essas são cirurgias de resultados imprevisíveis. Deve-se fazer também uma reeducação da técnica de escovação e troca da escova de dente por uma de cerdas macias, realização de uma limpeza profissional, ajuste oclusal, adequação das restaurações localizadas próximas à gengiva e até a necessidade de corrigir a má posição do dente com aparelho ortodôntico. Bochechos com soluções fluoretadas ou aplicações profissionais de flúor podem amenizar o problema.

Como prevenir a retração gengival e os problemas causados por ela?

•Utilizar sempre escovas de cercas macias e aplicar pouca força durante a escovação.
•Realizar diariamente uma correta técnica de escovação.
•Fazer visitas regulares ao dentista.
•Fazer uso de placas de mordida (férulas).
•Beber muita água para manter a mucosa da boca sempre bem hidratada.
•Dormir de boca fechada para evitar o ressecamento da mucosa oral.
•Manter uma alimentação saudável, evitando carboidratos e alimentos processados, que promovem o acúmulo de placa bacteriana.
•Consumir alimentos com Vitamina C que mantém as gengivas saudáveis.

A retração gengival, por si só, não leva à perda do dente, mas é necessário que sua causa seja eliminada.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Gripe H1N1: quem deve vacinar contra a gripe H1N1 e quem não precisa?


A vacinação é uma das melhores formas de evitar a gripe. A campanha de vacinação contra a influenza de 2016 acontece em todo o Brasil a partir do dia 30 de abril e vai até 20 de maio de 2016. Ela foi antecipada no estado de São Paulo devido ao início precoce de casos no estado.

Algumas pessoas estão em maior risco de apresentar complicações devido à influenza, como idosos, crianças novas, gestantes e indivíduos que já tenham alguma comorbidade (diabetes, asma, doenças autoimunes, doenças respiratórias, etc.). A vacinação é a intervenção mais importante na redução do impacto da influenza e é um componente chave na preparação e resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para controlar a circulação de amostras de vírus influenza sazonal. Esse vírus possui mutações constantes e precisa ser monitorado para que seja feita a reformulação da vacina anual contra a influenza.

É necessário se vacinar anualmente contra a influenza. Todo ano, o Ministério da Saúde realiza a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, na qual os grupos prioritários podem receber gratuitamente a vacina nos postos de saúde.

De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, fazem parte desses grupos prioritários:

•Crianças de 6 meses a menores de 5 anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias).
•Gestantes em qualquer trimestre da gestação.
•Puérperas (até 45 dias após o parto).
•Trabalhadores de saúde.
•Povos indígenas.
•Indivíduos com 60 anos ou mais de idade.
•População privada de liberdade.
•Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas.
•Funcionários do sistema prisional.
•Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis.
•Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).

É importante lembrar que a apresentação da prescrição médica será obrigatória para o grupo portador de comorbidades durante a campanha de vacinação do governo.

Clínicas particulares já disponibilizam a vacina da gripe para 2016. A vacinação deve ser feita de acordo com as recomendações e orientações do médico assistente.

Quais os principais cuidados a serem observados?

•Em doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro febril, para que não se atribua à vacina as manifestações da doença.
•Pessoas com história prévia de alergia a ovo, que apresentem apenas urticária após a exposição, podem receber a vacina da influenza mediante adoção de medidas de segurança. Recomenda-se observar o indivíduo vacinado por pelo menos 30 minutos em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas.
•Em caso de ocorrência de síndrome de Guillain-Barré (SGB) no período de até seis semanas após uma dose anterior da vacina, recomenda-se realizar avaliação médica criteriosa sobre benefício e risco da vacina antes da administração de uma nova dose.
•A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores bem como a qualquer componente da vacina ou alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Consumo de café pela mulher e pelo homem antes de engravidar pode aumentar risco de aborto


Os pesquisadores analisaram dados do estudo Longitudinal Investigation of Fertility and the Environment (LIFE), criado para examinar a relação entre a fertilidade, o estilo de vida e a exposição a substâncias químicas ambientais. O estudo deu-se em dezesseis distritos de Michigan e do Texas.

Para a pesquisa atual, os investigadores compararam fatores de estilo de vida como tabagismo, consumo de bebidas com cafeína ou de bebidas alcoólicas e uso de multivitaminas entre 344 casais com uma gestação única a partir de semanas antes da concepção até a sétima semana de gravidez. As mulheres usaram monitores de fertilidade para a detecção da ovulação e testes de gravidez digitais. A perda da gravidez foi indicada por conversão a um teste de gravidez negativo, início da menstruação ou confirmação clínica dependendo da gestação. Foram estimadas as taxas de risco e os intervalos de confiança para estilos de vida dos casais (tabagismo, bebidas alcoólicas e cafeinadas, multivitaminas) durante três janelas sensíveis: pré-concepção, gravidez precoce e periconcepção. As principais medidas foram a incidência e os fatores de risco para a perda da gravidez.

Noventa e oito das 344 (28%) mulheres com uma gravidez única tiveram aborto espontâneo. Para o período de pré-concepção, o aborto foi associado com a idade do sexo feminino de 35 ou superior, para uma taxa de risco de 1,96 (quase duas vezes o risco de aborto de mulheres mais jovens). O estudo não foi desenhado para provar conclusivamente a relação de causa e efeito. Os autores citaram possíveis explicações para o maior risco, incluindo idade avançada do espermatozoide e do óvulo em casais mais velhos ou exposição cumulativa a substâncias no ambiente, que poderiam ser esperados de aumentar à medida que as pessoas envelhecem.

O consumo de mais de duas bebidas com cafeína por dia pela mulher e pelo homem também foi associado a uma taxa de risco aumentada: 1,74 para mulheres e 1,73 para o sexo masculino. Os pesquisadores também observaram uma redução no risco de aborto para as mulheres que tomaram um multivitamínico diariamente. Durante o período pré-concepção, os investigadores encontraram uma redução de 55% no risco de perda da gravidez. As mulheres que continuaram a tomar as vitaminas durante a gravidez precoce tiveram uma taxa de risco com uma redução do risco de 79%. Os autores citaram outros estudos que dizem que o uso de vitamina B6 e de ácido fólico na pré-concepção e na gravidez reduz o risco de aborto espontâneo. Suplementos de ácido fólico são recomendados para mulheres em idade fértil, nas semanas que antecederam a concepção e após a concepção, reduzindo o risco de ter um bebê com defeitos do tubo neural.



Fonte: Fertility and Sterility, publicação online, de 22 de março de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Pólipos nasais


A polipose nasal ou nasossinusal é uma doença inflamatória crônica benigna da mucosa nasal que afeta a cavidade do nariz e os seios paranasais e que se manifesta clinicamente pelo aparecimento de formações polipoides, geralmente bilaterais, que levam à obstrução nasal, rinorreia (corrimento nasal), hiposmia (diminuição do olfato) ou anosmia (ausência de olfato) e sinusites de repetição.

Pólipos nasais são pequenos crescimentos benignos de tecido inflamado na camada mucosa do nariz ou dos seios paranasais, que fazem saliências para dentro deles. Começam perto dos seios etmoidais, situados na parte superior interna do nariz e se espalham para áreas abertas. Eles podem variar em tamanho, formato, coloração e localização, serem uni ou bilaterais e podem se localizar em diferentes regiões do nariz e dos seios da face. Podem ser únicos ou múltiplos ou se confluírem formando verdadeiros “cachos”.

Não se deve confundir polipose nasal com pólipos nasais. Nem todos os pólipos nasais são uma polipose nasal. Há massas nasais unilaterais e até mesmo lesões malignas na cavidade nasal e nos seios da face que devem ser diferenciadas das poliposes. Na polipose nasal, os pólipos são bilaterais e quando aumentam de tamanho eles podem causar obstrução nasal, alterações no olfato e bloquear a drenagem natural dos seios da face.

Geralmente a polipose nasal está associada com alergias. Entretanto, também há casos em que fungos estão presentes provocando uma reação inflamatória crônica na mucosa do nariz e seios paranasais e casos de doenças genéticas associadas. Assim, pessoas com dificuldades para respirar, infecções crônicas dos seios nasais, asma, fibrose cística, doença mucociliar e rinite alérgica têm maior propensão a terem pólipos nasais.

Frequentemente, a polipose nasal vem junto com as alergias, mas a fisiopatogenia da polipose nasal e sua correlação com alergia ainda são alvos de controvérsia. A presença de um processo inflamatório crônico na submucosa nasal parece ser um elemento comum a todos os casos de polipose. Entretanto, nem todas as doenças inflamatórias crônicas da mucosa nasal cursam com polipose. A diminuição do fluxo aéreo com redução do oxigênio tissular ocorre na maioria dos casos, mas também não é um fator estritamente necessário na patogenia da polipose.

Atualmente, a polipose nasal é considerada uma doença inflamatória de causa multifatorial. Fatores locais como infecção bacteriana ou alterações estruturais como desvios de septo e variações anatômicas do meato médio resultam em uma resposta inflamatória local. Uma predisposição genética também pode estar implicada nesta patogenia.

Na polipose, os eosinófilos aumentam em número e provocam uma alteração nas células da mucosa do nariz e seios da face. Isso faz com que haja uma desorganização no funcionamento da bomba de sódio e potássio que existe naturalmente em nossas células. Com isso, o sódio que normalmente está presente no meio extracelular em maior quantidade acaba entrando pela membrana plasmática das células e carreia consigo a água. Esta água promove um inchaço nas células que acabam por desenvolver os pólipos. Um grupo de pólipos recebe o nome de polipose, visto que se assemelha às formações marinhas (pólipos marinhos).

Os principais sintomas das poliposes nasais são: obstrução nasal crônica e hiposmia ou anosmia. Outros sintomas podem incluir alterações no paladar, tosse, secreção nasal, secreção constante na garganta, dores de cabeça, sensação de pressão facial, dentre outros. Em alguns casos mais severos de poliposes nasais, o paciente inclusive pode apresentar alguns distúrbios do sono, por não respirar adequadamente pelo nariz.

Uma história clínica cuidadosa pode captar os principais sintomas e detectar outras condições tais como asma, sinusites de repetição e reações a medicações. Ao exame físico pode-se observar um alargamento da pirâmide nasal. Na endoscopia nasal pode-se observar os pólipos, tumores acinzentados, de consistência amolecida, lisos e brilhantes.

A polipose nasal é praticamente sempre bilateral, causando obstrução nasal. O exame de imagem preferencial é a tomografia computadorizada, porque auxilia na avaliação da extensão da doença. No caso de pacientes asmáticos devem ser feitos também radiografias ou tomografias computadorizadas de tórax. Nos casos suspeitos de fibrose cística deve ser feita pesquisa de cloro e sódio no suor.

Um diagnóstico diferencial deve ser feito com tumores mesenquimais, anormalidades anatômicas nasossinusais, papiloma invertido, angiofibroma juvenil e tumores epiteliais.

O tratamento consiste em medidas básicas para se evitar a inflamação crônica da mucosa do nariz e seios paranasais, como as lavagens nasais com soro fisiológico, várias vezes ao dia e medicações, geralmente anti-inflamatórios nasais apresentados em “spray”, mas que também podem ser em comprimidos ou injeções.

Entretanto, o tratamento clínico quase nunca é eficiente, pois os remédios e o soro fisiológico não conseguem chegar aos locais dos pólipos. Nestes casos uma cirurgia pode ser indicada para remoção e limpeza destes pólipos, além de uma abertura dos seios da face para que as lavagens e as medicações possam chegar aos locais de inflamação. Contudo, a cirurgia também não oferece a cura definitiva e apenas oferece um melhor controle terapêutico, fazendo com que a doença fique controlada por um tempo maior. Muitas vezes, mesmo após a cirurgia, as medicações podem continuar sendo prescritas.

As poliposes nasais não têm uma cura definitiva, o tratamento de controle deve ser realizado pelo resto da vida.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Catarata e genética


Para determinar a herdabilidade da progressão da catarata e explorar prospectivamente o efeito de micronutrientes na dieta sobre a progressão da catarata foi realizado um estudo prospectivo de coorte. Os dados estavam disponíveis para 2054 gêmeas brancas da coorte TwinsUK. O acompanhamento e as medições de catarata estavam disponíveis para 324 das gêmeas (151 monozigóticos e 173 gêmeos dizigóticos).

A catarata nuclear foi medida utilizando uma medida quantitativa da densidade nuclear obtida a partir de imagens digitais Scheimpflug. Os dados dietéticos estavam disponíveis a partir de questionários de frequência alimentar EPIC. A herdabilidade foi modelada usando a máxima verossimilhança de equações estruturais de modelagem dupla. A associação entre a mudança da catarata nuclear e os micronutrientes foi investigada usando análise de regressão linear e multinomial. O intervalo médio entre o exame inicial e o exame de acompanhamento foi de 9,4 anos.

O modelo mais apropriado estimou que a herdabilidade da progressão da catarata nuclear foi de 35% e fatores ambientais individuais explicaram os 65% restantes de variância. Dieta rica em vitamina C protegia contra ambos - catarata nuclear no início e progressão da catarata, enquanto o manganês e a ingestão de suplementos de micronutrientes foram protetores contra a catarata nuclear somente na linha de base.

Concluiu-se que os fatores genéticos explicaram 35% da variância na progressão da catarata nuclear ao longo de um período de 10 anos. Os fatores ambientais foram responsáveis pela variância restante e, em particular, uma dieta rica em vitamina C protegeu contra a progressão da catarata avaliada em cerca de 10 anos após o início do estudo.



Fonte: Ophthalmology, em abril de 2016

sábado, 2 de abril de 2016

Endometriose


A endometriose é uma condição ginecológica que atinge 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de células do endométrio em locais fora do útero, vizinhos a ele.

Os locais mais comumente acometidos pela endometriose são os ovários, as trompas, o peritônio e a área entre o útero e o reto. Mais raramente, também pode atingir o intestino, a bexiga, o diafragma, a vagina e a parede abdominal.

Existem várias teorias sobre as causas da endometriose. A mais conhecida delas é que durante as menstruações as células do endométrio são conduzidas para dentro do abdome através das trompas e passam a se proliferar.

Fatores genéticos, hormonais, imunológicos e psicológicos também devem ser levados em consideração.

Os principais sintomas da endometriose são dores e infertilidade.

As dores crônicas são localizadas na região pélvica e costumam se exacerbar por ocasião das menstruações ou das relações sexuais. É uma dor tipo uma cólica menstrual mais intensa, que pode atrapalhar as atividades rotineiras da mulher.

Frequentemente ocorrem irregularidades menstruais. Outros sintomas podem ser diarreia, sangramentos e problemas urinários. A infertilidade ocorre em alguns casos.

A suspeita diagnóstica é feita pela história clínica da paciente. Uma infertilidade não explicada permite suspeitar de uma endometriose. O exame físico pode reforçar ou não essa suspeita.

Em geral, a confirmação da doença pode ser feita através da videolaparoscopia, seguida de uma biópsia (exame anatomopatológico). A ultrassonografia, a ressonância magnética e outros exames de imagens podem ser utilizados.

A endometriose só regride espontaneamente na menopausa, muitas vezes depois de anos de sofrimento. Para mulheres mais jovens podem ser receitados medicamentos que suspendam a menstruação.

A administração de analgésicos e anti-inflamatórios é quase que obrigatória, mas nem sempre efetiva.

Algumas lesões de endometriose devem ser removidas cirurgicamente, por laparoscopia. Em casos determinados, quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento.

O tratamento clínico deve ser continuado depois da cirurgia.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Falando sobre suicídio


O suicídio é o ato de causar intencionalmente a própria morte. A média brasileira de suicídios é de 6 a 7 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média mundial que está entre 13 a 14 mortes por 100 mil pessoas. Esta média vem crescendo, principalmente entre jovens.

As tentativas não fatais de suicídio, em número pelo menos dez vezes maior, são autolesões que não resultam em morte, mas que podem deixar sequelas. Há cerca de um milhão de suicídios por ano no mundo e estima-se que de 10 a 20 milhões de tentativas não fatais, muitas das quais, embora não produzindo a morte, deixam sequelas importantes e/ou graves.

Chama-se suicídio assistido à situação em que um indivíduo indiretamente ajuda outro a produzir a própria morte, através de fornecimento de conselho ou do meio para realizar aquele fim. Fala-se em eutanásia quando outra pessoa assume papel mais ativo em produzir a morte de outro indivíduo, geralmente já doente.

A ideia do suicídio ocorre praticamente a todo mundo e muito mais gente do que se imagina já teve a intenção de se suicidar sem, no entanto, realizar o ato. A palavra suicídio vem do latim (sui = próprio + caedere = matar) e significa "matar a si mesmo".

O suicídio é a décima causa de morte no mundo e as tentativas não fatais representam um importante contingente das pessoas atendidas em serviços de urgência-emergência. Em alguns casos, as ideias de suicídio permanecem incompreensíveis, mas é sabido que os fatores de risco para o suicídio incluem doenças mentais, como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtornos de personalidade, alcoolismo ou abuso de drogas.

Cerca de metade dos suicídios consumados em doentes psiquiátricos deve-se ao transtorno depressivo maior. É possível que atue também um fator genético, porque em alguns casos existe uma ocorrência familiar de suicídio, sendo difícil dizer se isso se deve a um fator genético ou a um contágio psicológico. Alguns suicídios são atos impulsivos devidos a situações de estresse, tal como dificuldades financeiras, problemas com relacionamentos, etc. Aqueles que já tenham tentado suicídio em alguma ocasião estão em alto risco de futuras tentativas, às vezes levando à morte. Assim, os fatores de risco podem ser resumidos como:

•Doenças mentais ou problemas psicológicos (culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação, sentimento insuportável de solidão, etc);
•Abuso de drogas;
•Tentativa anterior de se suicidar;
•Disponibilidade de um meio adequado, como arma de fogo, por exemplo;
•História familiar de suicídio;
•Presença de lesão cerebral traumática.

As condições que mais frequentemente levam ao suicídio são a solidão dos idosos, dificuldades financeiras incontornáveis, grande queda da honra e autoestima, decepções amorosas, crenças religiosas radicais, etc. A divulgação do suicídio pelos meios de comunicação desempenha um papel negativo, incentivador. Muitas vezes, ao apresentá-lo com uma cobertura de destaque e ao glorificar ou romantizar o suicídio, leva-se a ter maior incidência entre as pessoas propensas. Afinal, as concepções sociais sobre o suicídio variam muito e vão desde aquelas que o veem como um ato heroico até outras que o consideram um redundante fracasso.

Além disso, quando são dadas descrições detalhadas de como matar a si mesmo, este método de suicídio geralmente aumenta na população como um todo. Embora o suicídio não seja considerado um ato lógico, o fato de terminar a própria vida para o benefício de outros é conhecido como suicídio altruísta. Um desvio patológico do suicídio altruísta é aquele do deprimido, com depressão maior e com delírio de ruína, que se mata e mata também membros de sua família sob a alegação de que deseja evitar para eles as ruínas que supõe estarem por vir.

Os suicídios em massa são frequentemente realizados por pressão social ou religiosa, geralmente incentivados e conduzidos por um líder. Um pacto de suicídio pode ocorrer entre duas pessoas muito ligadas emocionalmente.

O método mais comumente usado de suicídio varia com a cultura de diferentes países e está também em parte relacionado com a disponibilidade de meios eficazes. Os métodos mais frequentemente utilizados são o enforcamento, o envenenamento e o uso de armas de fogo. Alguns suicídios envolvem formas bizarras de se matar, como, por exemplo, receber um forte choque elétrico ou se atirar de um despenhadeiro. O número de suicídios consumados é mais elevado nos homens que nas mulheres (três a quatro vezes), mas as tentativas são mais comuns em mulheres e acontecem mais em pessoas jovens que em idosas. Os atos de automutilação não são tentativas de suicídio, mas algumas pessoas que se automutilam, também cometem suicídio. Assim, uma automutilação deve ser considerada como mais um fator de risco para o suicídio.

Os pontos de vista sobre o suicídio são influenciados pela religião, pelas concepções filosóficas ou existenciais sobre a vida e por hábitos psicológicos e sociais. As religiões abraâmicas consideram o suicídio uma ofensa a Deus, devido à crença na santidade da vida e os suicidas nem podem receber os mesmos ofícios fúnebres que as demais pessoas. Outras veem nele um modo de aceder ao paraíso.

Durante a era samurai no Japão, o suicídio era tido como uma forma de protesto. Ainda hoje, em vários lugares, o suicídio é uma prática que visa defender alguma causa. Houve época, na Índia, em que a viúva indiana devia matar-se no fogo funeral de seu marido, seja voluntariamente ou por pressão da família e da sociedade.

Nos séculos 20 e 21, o suicídio tem sido utilizado como uma tática militar ou terrorista. Enfim, os motivos pelos quais uma pessoa é levada ao suicídio variam extremamente e são mesmo inabarcáveis, mudando em cada grupamento cultural e ao longo do tempo.

Os esforços para a prevenção do suicídio incluem vigilância, limitar o acesso aos métodos de execução, como armas de fogo e venenos, tratamento das doenças mentais predisponentes e do abuso de drogas, evitação de reportagens da mídia e melhora das condições econômicas. Em vários países do mundo, inclusive no Brasil, há serviços voluntários que prestam ajuda a suicidas em potencial.