Rins "inflamados"


Glomerulonefrite é a inflamação difusa dos glomérulos renais. As glomerulonefrites podem ser oriundas do próprio glomérulo (glomerulonefrites primárias) ou serem repercussões sobre eles de enfermidades sistêmicas (glomerulonefrites secundárias). Em ambos os casos, podem se instalar de forma aguda ou crônica e apresentar diversos graus de intensidade.

O glomérulo renal é a unidade funcional do rim, responsável pela filtração do sangue e pela retirada do excesso de água e de restos metabólicos, que em seu conjunto formam um filtrado glomerular. Ele é uma estrutura microscópica, cada rim possui cerca de um milhão de glomérulos. É um emaranhado de capilares localizado dentro de uma pequena cápsula, chamada cápsula de Bowman, por onde o sangue circula e depois de filtrado segue para os túbulos renais. Nesses túbulos, o filtrado glomerular é processado e transformado em urina. As inflamações nos glomérulos alteram esse processo de filtração e com isso modificam tanto a composição do sangue, quanto a da urina, cuja detecção em laboratório indica o tipo de alteração.

As glomerulonefrites primárias podem ser causadas por uma agressão imunológica devido a infecções por vírus ou bactérias. As secundárias não se originam primariamente no glomérulo, mas estão associadas a doenças, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, lúpus eritematoso, hepatites B e C, infecção pelo HIV, medicamentos, etc. A maioria dos casos de glomerulonefrite aguda afeta crianças e é uma complicação de uma infecção faríngea aparentemente banal e não tratada, como uma amigdalite ou faringite estreptocócica, por exemplo.

Os sintomas e a evolução da glomerulonefrite variam muito. Por exemplo, a glomerulonefrite pode ter remissão espontânea e exigir apenas que seja monitorada ou pode ser grave, de evolução agressiva e exigir diálise ou mesmo transplante renal. As glomerulonefrites primárias podem ser assintomáticas, mas quando aparecem os sintomas eles podem ser: hipertensão arterial, edema bilateral nas pálpebras e/ou nas pernas, perda de sangue e de proteína pela urina, cansaço, indisposição, fraqueza e anemia. Nas glomerulonefrites secundárias os sintomas mais comuns são, também, a urina espumosa e os edemas.

Inicialmente, o diagnóstico se baseia nos sinais e sintomas relatados pelo paciente e/ou observados pelo próprio médico e deve ser complementado por exames laboratoriais que forneçam uma bioquímica da urina e do sangue e permitam avaliar as características da glomerulonefrite. O diagnóstico de certeza só é feito por meio de biópsia renal, a qual só deve ser realizada em casos em que seja indispensável.

O tratamento da glomerulonefrite depende da gravidade e das causas da doença. Muitas vezes não chega a ser necessário o uso de medicamentos, bastando diminuir a ingestão de proteínas, sal e líquidos e manter a pressão arterial sob controle. Quando se usa medicamentos eles são antibióticos, anti-inflamatórios e imunossupressores. É de especial importância tratar ou controlar a enfermidade causal.

A glomerulonefrite grave ou duradoura pode levar à insuficiência renal crônica de grau variado.

Fazer o tratamento adequado das doenças causadoras, como as amigdalites e as faringites estreptocócicas, ajuda a prevenir as glomerulonefrites.
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