Anemia Ferropriva


Como o próprio nome sugere, anemia ferropriva é uma forma de anemia que ocorre devido a uma deficiência de ferro. Estima-se que 90% de todas as anemias sejam causadas por deficiência de ferro.

A anemia ferropriva é causada pela deficiência de ferro, que pode ocorrer em diversas situações: pessoas que têm uma dieta pobre em ferro, mulheres que menstruam exageradamente, mulheres grávidas, amamentando ou que tenham dado à luz recentemente, pessoas que tenham sido submetidas a grandes cirurgias ou a trauma físico importante e perdido muito sangue, pessoas com doenças gastrointestinais desabsortivas, pessoas com úlcera péptica, pessoas que tenham sido submetidas a procedimentos bariátricos ou a bypass gástrico, vegetarianos e outras pessoas cujas dietas não incluem alimentos ricos em ferro, crianças cuja dieta se baseia principal ou exclusivamente em leite, hemorragias crônicas, doações de sangue frequentes e hemólise intravascular.

Enfim, a anemia ferropriva pode ser causada pela falta de ferro na alimentação (a causa mais frequente), diminuição da absorção do ferro pela mucosa intestinal e perdas recorrentes de sangue.

O ferro é muito importante para manter várias funções do corpo, entre elas a produção de hemoglobina, a molécula das hemácias sanguíneas, que transporta o oxigênio dos pulmões para os tecidos. O ferro também é necessário para manter saudáveis a pele, o cabelo e as unhas.

O ferro ingerido é absorvido pelo trato gastrointestinal, liberado na corrente sanguínea e transportado por uma proteína chamada transferrina até o fígado, onde é armazenado como ferritina. Do fígado ele é liberado quando necessário para fazer novos glóbulos vermelhos na medula óssea. Quando as células vermelhas do sangue cumprem seu ciclo de vida e não são mais capazes de funcionar (depois de cerca de 120 dias, mais ou menos), elas são reabsorvidas pelo baço. O ferro liberado a partir destas células velhas também pode ser reciclado e reutilizado pelo corpo.

Os principais sinais e sintomas da anemia ferropriva são palidez, fadiga, falta de energia, falta de ar, cansaço aos esforços, tonturas e sensação de desmaios, dores no peito, fraqueza generalizada, batimento cardíaco rápido, dores de cabeça e dores nas pernas, língua saburrosa ou lisa, unhas quebradiças ou perda de cabelo, vontade incontrolável de comer terra, falta de apetite e diminuição do desejo sexual.

A anemia ferropriva é diagnosticada por exames de sangue, que devem incluir, entre outros, um hemograma completo. Testes adicionais podem ser solicitados para avaliar os níveis de ferritina sérica, ferro e capacidade total de ligação da transferrina. Em um indivíduo que está anêmico em virtude de deficiência de ferro, esses testes mostrarão hemoglobina baixa, baixo volume celular médio, ferritina baixa, ferro sérico baixo, transferrina alta e saturação de ferro baixa. Ao microscópio, o sangue pode mostrar células vermelhas pequenas (anemia microcítica), a contagem de glóbulos brancos pode ser baixa e a contagem de plaquetas pode ser elevada ou alta.

Testes adicionais podem ser necessários e, conforme o caso, são solicitados exames tais como o de sangue oculto nas fezes, endoscopia digestiva alta, colonoscopia, teste de urina ou avaliação ginecológica em mulheres com perdas sanguíneas menstruais aumentadas. Às vezes, é difícil diagnosticar a causa da deficiência de ferro, mas nem sempre uma anemia microcítica é devida à deficiência de ferro e pode incluir a talassemia, várias hemoglobinopatias, doenças herdadas do sangue, infecções, insuficiência renal ou doenças autoimunes crônicas.

O tratamento da anemia ferropriva consiste, em primeiro lugar, na reposição das reservas orgânicas de ferro. Mesmo quando a causa da deficiência de ferro pode ser identificada e sanada, geralmente é necessário tomar um suplemento ferroso adicional, até que a deficiência seja corrigida. A ingestão de ferro pode ser aumentada com uma dieta rica em carnes vermelhas, órgãos como fígado de boi ou de galinha, aves, peixes, folhas verdes escuras, feijão e massas enriquecidas com ferro. Os sais de ferro podem ser administrados por meio de medicamentos.

O ferro é absorvido no intestino delgado e essa absorção pode ser prejudicada pelos antiácidos e, por isso, deve ser tomado distante deles, se for o caso. Em pacientes com deficiência de ferro severa, com perda crônica de sangue ou com problemas de absorção gastrointestinal, o médico pode recomendar injeção intravenosa de ferro. Em casos especialmente graves ou em pacientes que estejam sangrando, podem ser feitas transfusões de glóbulos vermelhos. As transfusões de glóbulos vermelhos só proporcionam uma melhoria temporária, sendo importante descobrir e tratar a causa da anemia.

A principal prevenção da anemia ferropriva consiste em evitar uma alimentação pobre em ferro. Como o ferro de origem vegetal tem uma baixa absorção intestinal deve ser acrescentado a ele a vitamina C, pois esta vitamina aumenta a absorção do ferro na mucosa intestinal. De maneira inversa, o cálcio, inclusive o de origem animal (leite, queijos, iogurtes, etc.), pode diminuir a absorção de ferro.

Não tratada, a anemia ferropriva pode ocasionar complicações cardiovasculares graves, como insuficiência cardíaca, podendo levar ao óbito. Em casos mais leves, o paciente pode ter a sua imunidade comprometida e as infecções podem ocorrer com maior frequência.
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