Criança na Escola


Atualmente, a maioria das crianças ingressa na escola a partir dos dois ou três anos de idade – isso quando já não frequenta antes disso uma creche.

Essa idade é ideal por vários motivos: a partir dos dois anos a criança já interage com outras crianças e adultos, não está mais amamentando ao seio e a sua formação imunológica já está quase completa. Ademais, a partir dessa idade ela já tem certa autonomia em atividades básicas - como falar e andar, por exemplo -, já tem melhor controle sobre seus esfíncteres e sabe denunciar suas necessidades fisiológicas, como sede, fome, necessidade de urinar e evacuar.

No entanto, os pais que precisarem levar a criança à escola antes dessa idade não devem se preocupar: é melhor deixá-la na escola do que em casa, muitas vezes aos cuidados de pessoas despreparadas para lidar com elas.

A ida para a escola representa uma crise para a criança à qual cada uma reage de maneira específica. Ir à escola significa inicialmente passar algumas horas em um novo ambiente, longe de casa e dos pais, em meio a pessoas estranhas, com novas atividades e novas rotinas de horários e de alimentação, novos hábitos de disciplina, etc.

Cada criança reage de uma maneira a esse novo ambiente e um dos problemas que os pais têm é adaptá-la a essa nova realidade. É importante que o adulto compreenda o que a criança está sentindo e a ajude a superar essa fase.

Algumas crianças, talvez a maioria delas, não apresentam dificuldades de adaptação à escola ou ela é tão ligeira e passageira que nem chega a ser percebida. Em outros casos, esse período constitui um grande problema para pais e professores e exige medidas especiais.

A maneira como cada criança se comporta nos seus primeiros dias de ida à escola depende igualmente do padrão de convivência na família e da idade e temperamento da própria criança. Assim, é costumeiro que, se tratatando de dois irmãos, um deles apresente pouca ou nenhuma dificuldade, enquanto o outro a manifeste em grande intensidade.

As dificuldades de adaptação são mais comuns com as crianças de menor idade (2-4 anos) e mais excepcionais com crianças mais velhas. Mais comumente, acontece de a criança chorar e se agarrar à mãe ou à babá no momento de chegada à escola, não querendo permanecer no novo ambiente. Em ocasiões menos frequentes, a criança pode apresentar pouco problema ao ser deixada na escola, mas chama pela mãe no meio do horário e manifesta seu desejo de retornar para casa.

A criança também pode apresentar reações comportamentais a essa “crise”: dificuldades com o sono e com a alimentação, irritabilidade, agitação...

Com a maioria das crianças, essas reações só duram nos primeiros dias de ida à escola e muitas vezes acabam substituídas pelo seu inverso: a criança que teve dificuldades iniciais de adaptação passa a não querer ir embora ou sente falta da escola nos feriados ou nas férias. Menos comum é que a criança que já tenha cumprido um período de adaptação comece posteriormente a apresentar dificuldades de ficar na escola.

Em geral, isso se deve a problemas familiares ou a algum evento novo (alguma perda sofrida pela criança como a morte de algum parente próximo, nascimento de um novo irmão, doença apresentada pela criança, etc) que aconteceu posteriormente à adaptação da criança à escola.

É preciso lembrar também que os pais podem se sentir culpados de deixar o filho nas mãos de estranhos, sobretudo quando bebês. Essa culpa, no entanto, não difere muito daquele mesmo sentimento inevitável que eles têm por não poderem estar o tempo todo com seu filho e terem de dividi-lo com o trabalho, o estudo, o lazer e outras atividades.

Os pais devem convencer-se de que, por mais difícil que seja, um período de adaptação não traumatiza a criança e que algum tempo depois ela estará vendo a escola como uma coisa boa. Esta confiança dos pais na escola é fundamental para a boa adaptação da criança neste novo ambiente.

Todas as crianças superam essas dificuldades dos primeiros dias na escola e, logo, essas reações estarão fazendo parte de sua história. É preciso lembrar-se que muitas vezes é o egoísmo dos pais que os leva a pensar que são eles que dispensam aos filhos as atenções mais adequadas. Ademais, o tempo de ir à escola inevitavelmente chegaria, mais cedo ou mais tarde.

O mais importante é sempre dizer a verdade à criança, quanto ao que acontecerá na escola, mesmo que a mãe ou o pai julgue que ela não tenha capacidade de compreender. Não se deve criar falsas expectativas. É bom que se faça um período de adaptação da criança a esta nova realidade. A mãe ou a babá devem permanecer algum tempo no ambiente da escola em que a criança ficará para que ela possa se referenciar a uma pessoa conhecida.

É possível que a criança inicialmente fique muito “agarrada” a ela, mas vá se soltando aos poucos, atraída pelos brinquedos e brincadeiras das demais crianças, a ponto de “esquecer” sua acompanhante. Nessa fase inicial, a criança deve ser retirada da escola em menor tempo que o habitual. Se a criança apenas chora, mas não mostra grande angústia ou desespero, a mãe deve deixar a criança chorando, com a confiança de que alguns minutos depois ela estará rindo, envolvida com os demais coleguinhas.

É conveniente também poder distinguir o choro meramente manipulativo. Mesmo a criança pequena testa a todo momento os pais para ver se eles se dobram diante do seu choro ou birra, o que só tornaria os seus atos mais inadequados e a faria cada vez mais controladora. Para algumas mães, essa pode ser uma atitude emocionalmente difícil, mas por vezes é o grande apego delas que motiva um apego equivalente da criança e suas dificuldades de ficar na escola. Da mesma maneira que há certas dificuldades das crianças para se adaptarem à escola, há também dificuldades dos pais, especialmente das mães.

Cabe à escola e a seus profissionais passar segurança à criança e criar os vínculos afetivos que serão reforçados aos poucos. Para a criança, a professora representa a escola e por isso ela tem um papel fundamental na adaptação da criança a este ambiente. Pode ser que a princípio ela tenha que ter uma atenção especial com o novato. A ela cabe apresentar a escola e os coleguinhas como seguros e acolhedores, coisa em que às vezes é ajudada por outras crianças que logo tomam o papel de “cuidadoras” do novo coleguinha.

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